Blog do Marcel Rizzo

O problema para o Coritiba: Ronaldinho mantém planos como craque de aluguel
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Marcel Rizzo

Ronaldinho em ação pelo Cienciano (Crédito: Divulgação)

Ronaldinho em ação pelo Cienciano em jogo amistoso em 2016 (Crédito: Divulgação)

Ronaldinho Gaúcho é o desejo do Coritiba, que tenta transformá-lo novamente em jogador profissional. O problema é que, para o ex-melhor do mundo e seu estafe, ser craque de aluguel é vantajoso neste final de carreira, aos 36 anos.

São dois os problemas para o Coritiba contratá-lo nos moldes que desenhou: primeiro é que, em média, Ronaldinho fatura US$ 150 mil por evento que participa – em cotação atual, são cerca de R$ 480 mil, por um único jogo normalmente.

Esse valor é R$ 180 mil acima do fixo que o Coritiba planeja pagar ao meia-atacante, de R$ 300 mil.

O segundo problema é que Ronaldinho já tem amarrado acordos para eventos em 2017. Um deles, por exemplo, deve acontecer no México, em abril. O jogador acertou contrato para participar de um jogo amistoso na cidade de Monterrey, atuando pelo Cinco Estrellas, time da terceira divisão local. A partida estava marcada para 2 de dezembro de 2016, mas acabou adiada por, segundo o clube, motivos de segurança.

O Cinco Estrellas informou que o evento foi remarcado para abril de 2017, com Ronaldinho, e que os torcedores que compraram os ingressos poderiam usá-los na nova data. Há também propostas para atuar no Japão, na África e na Rússia, país que este ano será sede da Copa das Confederações, e em 2018 receberá pela primeira vez a Copa do Mundo.

Aluguel

A última partida oficial de Ronaldinho foi em 26 de setembro de 2015, pelo Fluminense, contra o Goiás. Desde então, foram só amistosos e jogos festivos.

Em 2016, Ronaldinho teve eventos o ano todo. Rapidamente: em janeiro colocou a camisa do Barcelona de Guayaquil, no Equador, em maio atuou pelo Las Vegas City nos EUA, em junho foi o craque do Cienciano, no Peru, que comemorava retorno à elite, em setembro foi à China em amistoso com ex-jogadores e em outubro participou do Jogo da Paz, em Roma.

Como mostrou o UOL Esporte, para aceitar a oferta do Coritiba, Assis Moreira, irmão e procurador do jogador, quer complemento no fixo em moldes parecidos com o que o atleta teve pelo Atlético-MG, de 2012 a 2014. Na época chegou a faturar R$ 700 mil por mês por meio de um contrato de produtividade e da participação na venda de camisas, por exemplo.

Por valor inferior a esse, dificilmente Ronaldinho deixaria de atuar em jogos únicos para voltar a ser profissional. Procurado, Assis Moreira não atendeu às ligações.


Mesmo sem contrato, Crefisa continuará com marca na camisa do Palmeiras
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Marcel Rizzo

O contrato de patrocínio do Palmeiras com a Crefisa termina no próximo sábado, dia 21, mas a marca da empresa, que também anuncia a FAM, a faculdade do grupo, continuará a aparecer na camisa do time nos primeiros jogos da temporada e nos espaços reservados ao principal parceiro, como os backdrops de entrevistas.

No sábado, por exemplo, o Palmeiras enfrentará a Chapecoense, em Santa Catarina, em jogo que vai reverter a renda para o time catarinense. Será a primeira partida da Chape depois do acidente aéreo que matou jogadores, membros da comissão técnica e diretores, além de convidados e jornalistas, em novembro, e terá transmissão pela Globo para todo o Brasil.

No atual contrato há uma cláusula que permite, por 30 dias após seu término, as tratativas de renovação com exclusividade para as partes. E nesse período o patrocínio, caso haja comum acordo das partes (o que houve), é estendido.

A renovação já está acertada entre as diretorias de Palmeiras e Crefisa, mas será assinada somente após 11 de fevereiro. Neste dia ocorre a eleição para renovar parte do Conselho Deliberativo do Palmeiras, e o casal dono da Crefisa, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, foram inscritos em uma das chapas — são 76 vagas e 15 suplentes, para um mandato de quatro anos.

A assinatura ficar somente para depois dessa eleição foi sugestão para que, caso Lamacchia e Pereira sejam eleitos, não fique parecendo que venceram somente porque renovaram o acordo. O casal acabou entrando em conflito com o ex-presidente Paulo Nobre, no término do mandato, ao final de 2016.

Foi questionado se Leila Pereira poderia participar da eleição, já que argumenta-se que ela ficou sócia do clube em 2015, e seriam necessários oito anos para concorrer ao Conselho. Por outro lado, o ex-presidente Mustafá Contursi teria concedido um título benemérito a Pereira em 1996, o que a deixaria em condições.

O atual presidente, Mauricio Galiotte, tem melhor relação com a Crefisa, e este foi um dos motivos do afastamento dele e de Nobre, nos últimos dias. A empresa desembolsou mais de R$ 80 milhões no atual contrato, contando o pagamento do salário de jogadores.

Marcas do patrocinador na apresentação de Felipe Melo (Crédito: Reprodução ESPN)

Marcas do patrocinador na apresentação de Felipe Melo (Crédito: Reprodução ESPN)


Como parar a China? Projeto de teto salarial mundial no futebol vai à Fifa
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Marcel Rizzo

Não foi somente para decidir sobre o aumento do número de participantes da Copa do Mundo que o Conselho da Fifa, o antigo Comitê Executivo, se reuniu semana passada na Suíça.

Europeus e sul-americanos apresentaram uma questão que consideram precisar de controle: os milhões de dólares gastos pela China para contratar jogadores de futebol. Em um dos projetos, seria criado um teto para gastos, em valores pagos para contratações e salários, que poderia ser por clube ou por país.

Esse teto é usado, por exemplo, em ligas do esporte profissional dos EUA, como a NFL (de futebol americano) e a NBA (basquete). Há um “salary cap”, espaço de salário, definido no início da temporada. As franquias (que seriam como os clubes de futebol) não podem ultrapassar tal valor – na NBA, se ultrapassar paga uma multa. A ideia, com isso, é equilibrar as competições, para que equipes mais ricas não predominem.

Limite salarial mundial no futebol é um tema espinhoso, inclusive para os clubes europeus que também gastam muito dinheiro em contratações. Mas o poder financeiro da China assustou justamente os times da Europa, que passaram a perder jogadores de alto nível, e não apenas aqueles em fim de carreira, como acontecia anteriormente para o mercado asiático — vide Oscar, que deixou o Chelsea para o Shanghai SIPG.

Milhões em jogo

Com exceção dos milionários Real Madrid e Barcelona, e alguns times ingleses, outros mercados da Europa são favoráveis a um teto salarial. O projeto foi apresentado, e tem a simpatia da Uefa, a federação europeia, da Conmebol, da América do Sul, e dos Estados Unidos, que hoje tem voz ativa na Fifa depois que a Justiça de seu país passou a investigar a corrupção na entidade e prendeu dezenas de cartolas.

A China, que não quer parar de gastar dinheiro com o futebol (e sonha, por exemplo, com a Copa de 2026), avisou que tentaria criar outros mecanismos para controlar a chegada desenfreada de estrangeiros, a valores estratosféricos.

No fim da semana passada, foi anunciado que se diminuiria o número de estrangeiros que poderiam entrar em campo na liga local. Agora são três – anteriormente, se podiam escalar quatro, desde que esse quarto fosse asiático.

Mas, avaliam cartolas, não será suficiente porque o dinheiro continuará jorrando. O Congresso da Fifa será em maio, no Bahrein. Ali pode se começar a desenhar um teto salarial, com valores e como poderia ser aplicado.


Empresário ligado a Andrés Sanchez vai receber comissão por Drogba
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Marcel Rizzo

Um dos homens mais próximos do ex-presidente corintiano Andrés Sanchez no futebol, o procurador de jogadores André Campoy participa da negociação do atacante marfinense Didier Drogba com o Corinthians. E admite que receberá comissão se o acordo sair.

Foi ele, depois de receber sugestão do ex-volante Vampeta, quem apresentou o nome do atleta ao Corinthians, e que mostrou ao clube a viabilidade financeira da negociação. Campoy não disse quando receberá caso o negócio seja fechado.

“Você trabalha de graça para o UOL? Se fechar vou receber, mas nem é muito. Ele não vai ganhar R$ 1 milhão por mês”, disse Campoy ao blog. Logo depois, ele afirmou que poderia abrir mão da comissão, se necessário.

Como são velhos conhecidos, o fato de Campoy participar da negociação mostra que o ex-presidente Andrés Sanchez, hoje deputado federal, está decidido a ter participação ativa no futebol enquanto o clube vive crise política com a possibilidade de impeachment do presidente Roberto de Andrade.

O cartola é acusado de falsificação em documentos, o que ele nega.

A ideia de Sanchez ao tentar Drogba é uma contratação de impacto, que viabilize que torcedores comprem camisas e lotem a arena em Itaquera – o clube precisa de dinheiro para arcar com dívidas. Foi algo parecido com o que fez em 2009, quando levou Ronaldo ao clube.


O que Felipe Melo tem fora do futebol que quase o fez ir para o Rio
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Marcel Rizzo

Felipe Melo tem um lado investidor (Crédito: Valerio Pennicino/Getty Images)

Felipe Melo tem um lado investidor (Crédito: Valerio Pennicino/Getty Images)

Quando decidiu retornar ao Brasil, Felipe Melo tinha preferência por morar no Rio de Janeiro.

Não só por ter nascido no Estado (o volante é de Volta Redonda, a 130 km da capital), mas porque seus principais investimentos fora do futebol têm como base o Rio. Por isso, num primeiro momento, sua preferência era jogar no Flamengo.

Havia, claro, uma questão de afinidade com o rubro-negro, clube que o colocou na vitrine depois de iniciar a carreira no Volta Redonda, mas essa vontade tinha realmente peso maior pelo local da moradia, do que propriamente preferir o Flamengo ao Palmeiras, por exemplo.

O Flamengo, porém, não teve interesse – ou não quis entrar em uma disputa financeira com o Palmeiras, clube que desde o início demonstrou querer o volante e que o contratou ao final.

Felipe Melo tem investimento em diversos segmentos, como em uma franquia de fábrica de bolos, em uma empresa que têm barcos em formato de bola no futebol, que rodam pela lagoa Rodrigo de Freitas, e na Next Level, que é especializada em fazer intercâmbio para jovens que sonham em se tornar jogadores de futebol.

Tudo isso era acompanhado por ele da Europa, onde jogava, e agora será monitorado de São Paulo, muito mais perto do Rio do que Milão ou Istambul, mas não tão próximo quando o próprio Rio.


Conmebol põe em regra que não se responsabiliza por acidentes como da Chape
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não quer ser responsabilizada se, no futuro, casos como o acidente de avião que matou a maior parte da delegação da Chapecoense, além de jornalistas e tripulantes, se repitam.

E documentou esse desejo.

Um item que procura isentar a entidade de qualquer problema no traslado das delegações foi colocado no regulamento do Sul-Americano Sub-20, a primeira competição organizada pela Conmebol após a tragédia de novembro de 2016 – o torneio de base será realizado em janeiro e fevereiro de 2017, no Equador. 

O item 2 do artigo 24 (disposições gerais) é inédito em regulamentos de torneios realizados pela confederação. O texto diz o seguinte:

“A Federação Equatoriana de Futebol assume a exclusiva responsabilidade a respeito de toda e qualquer classe de dano que ocorra no traslado das associações membros desde o momento de chegada em seu respectivo território, e até o local de destino, assim como no trajeto que utilize para o retorno a seu território, ficando, deste modo, a Conmebol exonerada por completo de toda responsabilidade por fatos que ocorram durante o traslado das delegações das associações membros, tudo isso sem prejuízo do direito de recurso para ajudá-lo contra quem quer que seja o responsável pessoal”.

Em regulamentos anteriores de suas competições, o artigo 24, o das disposições gerais, falava em seu item 1 sobre as cerimônias de abertura e de encerramento, que seriam de responsabilidade da associação organizadora, em acordo previamente feito com a comissão administradora do evento, ou seja, a Conmebol.

Mas o item 2 era outro, não esse que tenta resguardar a Conmebol de problema no traslado das equipes. Dizia o item 2 em documentos anteriores que qualquer problema que acontecesse e que o regulamento não explicasse, se tomaria como base as regras da Copa América, torneio profissional de seleções no continente.

Libertadores

Especialistas ouvidos pelo blog avaliam que o item no regulamento não impediria que associações ou até mesmo pessoas físicas processem a Conmebol caso, por exemplo, sofram um acidente aéreo ou terrestre em deslocamentos para ou dentro do Equador antes, durante e logo após o Sul-Americano Sub-20.  Mesmo transferindo o ônus para os equatorianos, o torneio só existe porque a Conmebol o criou, ou seja, ela tem uma responsabilidade pré-definida.

Mesmo assim, em regulamentos de campeonatos de futebol já era de praxe a confederação colocar vários itens em que responsabiliza a associação anfitriã por problemas que aconteçam. A Fifa faz isso na sua Copa do Mundo, por exemplo.

Mas, pelo menos na América do Sul, documentar que se exime de problemas no traslado é a primeira vez que acontece, e deve se repetir nas regras de outros torneios da Conmebol. Em competições de seleções, em que normalmente há uma sede fixa, é mais fácil fazer isso, pois há uma associação que cria um comitê organizador para tomar conta do torneio.

Na Libertadores e na Copa Sul-Americana, campeonatos de clubes que não têm um país fixo e sim jogos no continente todo, a Conmebol terá que, se quiser, dar aos clubes a responsabilidade pelo traslado e qualquer problema que aconteça.

Procurada, a Conmebol não se manifestou sobre o assunto.


Como a China pode levar a Copa de 2026 e incomodar o presidente da Fifa
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Marcel Rizzo

A China quer receber a Copa do Mundo de 2026 ou a de 2030, e isso pode dar um pouquinho de dor de cabeça para o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Há uma promessa de campanha de que esses Mundiais ocorram em outros países.

Quando se elegeu presidente da Fifa, em fevereiro de 2016, o suíço/italiano Gianni Infantino se inspirou no brasileiro João Havelange, que comandou a entidade de 1974 a 1998, e baseou sua campanha no inchaço da Copa do Mundo, o principal produto da Fifa.

Nesta terça (10), o Conselho (antigo Comitê Executivo) da federação internacional aprovou o aumento de participantes do Mundial de 32 para 48 países, a partir de 2026. Mais 16 vagas, que provavelmente darão a países que nunca jogaram a fase final da Copa a chance de estrear na competição.

O problema é que o inchaço não foi a única promessa de Infantino. Ele também prometeu que a Copa passaria a ter mais países-sedes numa mesma edição, repetindo 2002, no Japão e na Coreia do Sul, a única até hoje com dois anfitriões.  

Na prática, a ideia de uma Copa com mais sedes tentaria diminuir os gastos dos países com a construção de estádios e melhoria de infraestrutura para receber a competição. Mas aí apareceram os chineses, que não estão economizando dinheiro para tentar transformar o país em um reduto decente do futebol.

Não bastassem os milhões de dólares gastos nos últimos anos com contratações de atletas de alto nível, a China estaria disposta a gastar bilhões na construção de estádios para receber a Copa no novo formato aprovado pela Fifa. A ida do Mundial para o mercado chinês agrada a cúpula da Fifa, mas o problema é que as promessas de campanha previam os primeiros mundiais com 48 times nas Américas.

Infantino fez campanha por aumento da Copa (Crédito: Fabrice Coffrini)

Infantino fez campanha por aumento da Copa (Crédito: Fabrice Coffrini)

Política

Os EUA entendem que receberão a Copa de 2026. Com força na Fifa depois que investigação da Justiça de seu país levou à prisão dezenas de dirigentes acusados de corrupção, o país poderia ter sido um empecilho na candidatura de Infantino, mas ficou neutro. A imprensa europeia publicou que o Mundial daqui nove anos poderia ser dividido entre norte-americanos, canadenses e mexicanos, mas é uma hipótese em banho-maria.

Para 2030, já há uma pré-candidatura conjunta de Argentina e Uruguai. Seria uma maneira de comemorar os 100 anos de Mundial repetindo a primeira sede, de 1930, Copa que foi no Uruguai. Se aprovada a possibilidade de três países realizarem o torneio em conjunto, não se descartaria acrescentar outro país da América do Sul, como Chile ou Colômbia.

Com a Copa em 2018 na Europa (Rússia) e em 2022 na Ásia (Qatar), a Fifa teria que mandar às favas qualquer possibilidade de rodízio para dar à China 2026 ou 2030. Mas esse rodízio já não é levado a sério, já que a África, sede em 2010, parece estar fora dos planos para as próximas competições – apesar de Marrocos ter demonstrado interesse.

Para tentar minimizar casos de corrupção (as escolhas de Rússia e Qatar levantaram suspeitas de compra de votos), a Fifa mudou as regras para definir o anfitrião de uma Copa. Não é mais o Conselho, com pouco menos de 40 membros, que escolhe, e sim os 209 países filiados.

Não se sabe se isso impedirá a corrupção, mas é fato que vai diminuir o poder da cúpula da Fifa sobre a escolha. Por isso, não é loucura imaginar duas Copas seguidas na Ásia, com a China, que só foi a um Mundial até hoje (em 2002), ganhando a eleição para 2026.


Copa acabou há 30 meses, e CBF não sabe quando encerrará comitê organizador
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Marcel Rizzo

Em 8 de agosto de 2016, os sócios da empresa denominada Copa do Mundo Fifa 2014 – Comitê Organizador Brasileiro Ltda se reuniram, no Rio, para aprovar as contas do ano anterior. Por unanimidade, as demonstrações financeiras realizadas até 31 de dezembro de 2015 foram aprovadas.

Na mesa, os representantes dos dois sócios, que na verdade se misturam em um só: Rogério Caboclo, diretor executivo de gestão da CBF, assinou em nome de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local e que detém 0,01% do COL.

O restante, 99,99%, é da CBF, representada na reunião pelo chefe do jurídico da confederação, Carlos Eugênio Lopes.

A reunião foi mais uma que mostra que o COL permanece ativo, apesar de a Copa do Mundo no Brasil ter acabado em 13 de julho de 2014, ou seja, há quase dois anos e meio. (30 meses)  E, segundo a própria CBF, ainda não existe um prazo para que a empresa seja dissolvida.

O problema para sua dissolução continua o mesmo informado em outras ocasiões: há processos judiciais em andamento. A empresa conta com uma estrutura jurídica para cuidar desses assuntos, e consultores, cerca de 15, de diversas áreas. Funcionário mesmo, há somente um.

Segundo o contrato social da empresa aberta em junho de 2008 para coordenar as ações para a realização do Mundial realizado no Brasil, a dissolução e liquidação tinha que ter acontecido até 18 meses após o fim da Copa, ou seja, em 12 de janeiro de 2016, quase um ano atrás.

Havia, porém, parênteses que abria exceção em caso de pendências, que se traduz para problemas judiciais. Houve processos do COL, e contra o COL, principalmente de empresas terceirizadas, que prestaram serviço durante a Copa. Há também ações trabalhistas.

Salário

Outra questão que continua em aberto, e que a CBF preferiu não responder, é se Marco Polo Del Nero, como presidente do COL, continua recebendo salário da empresa que não tem mais função. Segundo o blogueiro do UOL Juca Kfouri, em 2012 esses vencimentos eram na casa dos R$ 100 mil mensais.

O diretor presidente do COL tem direito à renumeração, e não há ilegalidade nisso, apesar de a empresa ter funcionamento burocrático. Ricardo Teixeira e José Maria Marin, antecessores de Del Nero nas presidências da CBF e do COL acumulavam os salários na confederação e no comitê organizador.

A Fifa gastou total de US$ 453 milhões (R$ 1,45 bilhão) com o COL, entre contratos com pessoal, segurança, operação de estádios, entre outros. Pelo contrato social da empresa, após sua dissolução o dinheiro que sobrar será devolvido à Fifa e não poderá haver divisão do lucro entre os sócios.

Em nota, a CBF e o COL informaram que com relação aos questionamentos do blog “não há nenhuma novidade, sendo a situação exatamente a mesma das respostas daquela matéria escrita por você”.

A confederação e o comitê se referiram à reportagem escrita para a Folha de S Paulo, em 2 de outubro de 2015, que pode ser lida aqui.


Conmebol pagará cerca de R$ 3,7 mi para times derrotados na Libertadores
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Marcel Rizzo

A Conmebol pagará cerca de R$ 3,7 milhões somente para as equipes eliminadas após as três primeiras fases da Libertadores. Com novo formato e inchaço, a competição terá 47 equipes e três etapas, e não apenas uma, antes da fase de grupos. Das 19 equipes que disputarão essas “pré-libertadores”, em termo que se popularizou no Brasil, somente quatro estarão na fase de grupos.

Em comunicado em 5 de janeiro enviado às confederações filiadas, que deveriam repassar aos clubes participantes, a Conmebol informou a premiação total da competição, números que já haviam sido mostrados no sorteio dos grupos, no fim de dezembro – o campeão, por exemplo, manteve cota total de US$ 7,75 milhões (R$ 25 milhões), o mesmo de 2016.

Mas no documento a Conmebol informava que pagará um ''plus'', foi esse o termo usado, aos times eliminados nas três primeiras fases, além da quantia que ganharão por efetivamente participar dessas etapas da Libertadores.

Por exemplo: a primeira fase terá seis times, divididos em três confrontos mata-mata (não há brasileiros). Os vencedores vão à segunda fase embolsando US$ 250 mil (R$ 805 mil), e os perdedores ganham os R$ 805 mil, mais US$ 50 mil (R$ 161 mil) cada como ''plus'' pela derrota.

Na segunda fase, que tem os brasileiros Botafogo e Atlético-PR participando, o ''plus'' por ser eliminado é de US$ 100 mil (R$ 322 mil), mais os US$ 400 mil (R$ 1,28 milhão) pela participação. Na terceira fase, os valores são os mesmos pela participação e eliminação – R$ 322 mil pela derrota e R$ 1,28 milhão pela presença nesta etapa. Quem chegar até esta etapa e não avançar para fase de grupos terá ganho R$ 3,7 milhões como ''prêmio de consolação''.

A Conmebol sofre anualmente pressão dos clubes por aumento nas premiações de seu principal torneio, a Libertadores. A cúpula entende que o ''plus'' é uma maneira de ajudar financeiramente equipes mais modestas, de países mais fracos, que teoricamente não conseguirão chegar na fase de grupos. 


Cota de TV da Chapecoense em 2017 será maior. Veja quanto Globo deve pagar
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Marcel Rizzo

A Chapecoense receberá mais de cota de televisão em 2017 do que previsto originalmente antes do acidente no avião em que estava a delegação do time rumo à Colômbia, em novembro, e que matou jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica.

O montante está sendo definido entre o clube e o Grupo Globo, que detém os direitos de transmissão dos principais torneios que a equipe de Santa Catarina participará no Brasil este ano. Há algumas possibilidades, apurou o blog, que devem render pelo menos R$ 30 milhões além dos R$ 23 milhões que a Chapecoense receberá pelo Brasileiro da Série A em 2017.

A primeira é a de antecipar parte do valor que será pago ao clube a partir de 2019, em contrato de exclusividade fechado pela Chapecoense com o Grupo Globo para TV fechada (SporTV). Os catarinenses têm acordo de 2019 a 2024 para ganhar aproximadamente R$ 100 milhões.

Esse valor seria pago dividido, 40% na assinatura (no começo de 2016) e os 60% restantes a partir de 2019. Parte dessa quantia pode ser antecipada, e com um detalhe: a emissora não exigiria os juros que normalmente cobra por pagar antes.

Uma segunda possibilidade, que pode ser agregada à primeira, é a de antecipar verba que o clube teria direito a receber este ano pela transmissão de seus jogos no pay-per-view (modelo em que o assinante da TV a cabo paga para ter acesso aos jogos do Brasileiro da Série A que não passarão nas TVs aberta e fechada).

Cada clube recebe um valor pelo pay-per-view baseado na audiência e no número de pessoas que dizem adquirir o pacote por causa daquela agremiação. Seria feita uma média do que a Chapecoense recebeu nos últimos anos, o que poderia render ao clube cerca de R$ 6 milhões antecipadamente.

O Grupo Globo confirmou ao blog que haverá um auxílio. “Ainda não está definida como será a ajuda ao Chapecoense, mas estamos em contato permanente com o clube desde o final do ano passado para apoiá-los da melhor maneira possível”, informou, em nota.

Como o blog mostrou, a Chapecoense vai ter aumento também no faturamento com sócios-torcedores — em valor total que deve chegar aos R$ 8,5 milhões.