Blog do Marcel Rizzo

O abismo financeiro pago a quatro Estaduais comparado com resto do Brasil
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Marcel Rizzo

O Campeonato Paranaense de 2017 teria a quinta maior cota total paga pelo Grupo Globo entre os Estaduais – a emissora detém os direitos de transmissão dos principais torneios.

Os R$ 6 milhões oferecidos, desde que a dupla Atlético-PR e Coritiba assinasse o contrato intermediado pela Federação Paranaense de Futebol, só era inferior ao total que receberiam os clubes que disputam os estaduais de São Paulo, Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – sem eles, o Paraná ficou com R$ 4 milhões, dividido apenas entre os times menores.

A diferença do montante pago, porém, é gigante, e isso descontentou Atlético-PR e Coritiba. Para o Estadual de São Paulo (total de R$ 160 milhões), por exemplo, a distância é de mais de 2.500%. No gaúcho, que paga R$ 36 milhões ao todo e é o quarto mais bem remunerado, a diferença é de 500%.

No domingo (19), o clássico Atlético-PR x Coritiba foi cancelado porque a Federação Paranaense de Futebol não autorizou que a equipe de produção que transmitiria o jogo pela internet ficasse no campo, alegando que não estavam credenciados.

Como não fecharam com a Globo, os times passariam o jogo online, e para isso fecharam acordo com uma produtora. Pela Lei brasileira, os times são donos dos direitos de transmissão de suas partidas.

O que aconteceu?

Na negociação com a Globo, a dupla Atletiba lembrou que está na primeira divisão da Série A, e que não entendia uma diferença tão representativa entre os Estaduais, apesar, claro, de reconhecer que os torneios em São Paulo e no Rio têm valor de mercado maior do que o Paranaense.

Internamente, os dois clubes avaliam que o valor oferecido para cada um deles fechar o contrato do Estadual, de R$ 1 milhão, poderia ser uma retaliação pela dupla ter assinado com o Esporte Interativo para TV fechada da Série A do Brasileiro a partir de 2019, trocando o SporTV.

No Campeonato Paulista, os quatro grandes receberão no mínimo R$ 18 milhões cada pelo Estadual 2017. No Rio, o Flamengo fechou por R$ 15 milhões, e em Minas Gerais e Rio Grande Sul os grandes Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio e Inter embolsarão, cada, cerca de R$ 12 milhões.

O Grupo Globo nega qualquer interferência na não realização da partida. Em nota, informou que “não tem contrato com Atlético-PR e Coritiba no Campeonato Estadual e estava ciente da intenção dos clubes de fazer a transmissão pela internet. O Grupo Globo reafirma que, em nenhuma hipótese, teve qualquer ligação com o episódio e espera que dirigentes de clubes e federações  se entendam para que o torcedor, razão maior do espetáculo, não seja punido pela falta de organização e de bom senso”.

Os valores

Veja o total aproximado em 2017 para os Estaduais mais bem pagos: o Grupo Globo compra o direito de todas as plataformas, TVs aberta e fechada, pay-per-view e internet, mas em alguns estados, como o Ceará, não tem exclusividade em algumas plataformas:

SP: R$ 160 milhões (R$ 18 milhões para cada grande)

RJ: R$ 120 milhões (R$ 15 milhões para cada grande aproximadamente)

MG: R$ 40 milhões (R$ 12 milhões para cada grande)

RS: R$ 36 milhões (R$ 12 milhões para cada grande)

PR: R$ 6 milhões oferta inicial com Atlético-PR e Coritiba dentro (R$ 4 milhões sem eles)

SC: R$ 5 milhões

PE: 4 milhões

BA: R$ 3 milhões

CE: R$ 2,7 milhões

PA: R$ 2,5 milhões


Federações recebem até 10% do total pago por negociar TV dos Estaduais
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Marcel Rizzo

As federações estaduais de futebol têm seus torneios regionais como principal fonte de renda, o que explica porque até hoje os Campeonatos Estaduais não tiveram um fim nas principais praças e uma mudança de formato naquelas com clubes de menor expressão e torcida.

E o dinheiro da televisão é um ativo importante no faturamento vinculado aos estaduais – em alguns casos chega a 10% do total pago por ano. Por isso que a Federação Paranaense de Futebol comprou briga com seus dois principais filiados, Atlético-PR e Coritiba, que resolveram transmitir por conta própria jogo do Estadual.

Ao contrário do que ocorre no Campeonato Brasileiro da Série A, organizado pela CBF mas com os clubes negociando diretamente com as emissoras de TV o televisionamento em cada uma das plataformas, nos Estaduais são as federações quem sentam com as TVs para tratar de valores e tempo de contrato. E, na maioria dos casos, são remuneradas por isso.

No domingo (19), o clássico paranaense Atlético-PR e Coritiba foi cancelado porque a Federação local proibiu que uma equipe de transmissão contratada pelos clubes fizesse a transmissão da partida pela internet. Os rivais não aceitaram a proposta da Globo, de R$ 1 milhão para cada pelo Estadual de 2017, em negociação intermediada pela Federação Paranaense, e não assinaram o contrato.

São dois os motivos financeiros que fazem as federações não abrirem mão desse protagonismo nas negociações dos direitos de TV.

Primeiro porque, na maioria dos casos, há pagamento direto da TV que assinou contrato para a federação, pelo direito de transmitir o torneio organizado por ela. A Federação Paranaense, em seu último balanço patrimonial divulgado, do exercício de 2015, não informa separadamente o quanto recebeu por direitos comerciais. No documento, esse valor é de R$ 2,015 milhões, contando R$ 950 mil de doação da CBF, que dá dinheiro anual a todas as federações.

Comissão

Mas o blog apurou, por exemplo, que a Federação Paulista de Futebol recebe 10% do total pago pelo Grupo Globo por seu Estadual – fechado por cerca de R$ 160 milhões por ano, em todas as plataformas (TVs aberta e fechada, pay-per-view e internet) até 2021.

A Federação do Rio, que fechou recentemente contrato com a Globo de mais de R$ 120 milhões por ano até 2020 por seu Estadual, colocou em seu último balanço divulgado (de 2015) que recebeu R$ 5,401 milhões de “direitos televisivos e comerciais”.

Diz a Federação do Rio que “os direitos comerciais e televisivos se referem aos valores pagos pelos canais de televisão em que as partidas são transmitidas em rede nacional e/ou estadual”. Ou seja, se deixar de negociar diretamente, talvez perca essa verba, ou parte dela.

Há um segundo ponto, entretanto. Negociar diretamente com a TV faz com que a federação tenha mais facilidade para encontrar patrocinadores para os torneios, atrelando o direito de transmissão com sua marca. Hoje, algumas federações vendem até o nome do torneio, chamado de “naming rights”, e veem no contrato da TV uma forma de incentivar que empresas fechem acordos pelos campeonatos.

Por isso não é estranho que a federação paranaense peite seus dois principais filiados que não assinaram os direitos de TV com quem a entidade gostaria. Por Lei, o direito de transmissão é propriedade dos clubes. Portanto, mesmo as federações negociando e acertando, se os clubes não assinarem, não há jogo. Como se viu em Curitiba neste domingo.


Esqueça Cuca, torcedor. Eduardo Baptista terá de montar o seu Palmeiras
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Marcel Rizzo

Dudu trocando de posição, da esquerda para a direita. Marcação mais recuada, por zona, sem a pressão individualizada característica de 2016. Um volante mais “pegador”, apesar desse volante, Felipe Melo, ser um jogador com qualidade para a saída de bola.

Eduardo Baptista tentou dar sua cara ao Palmeiras nos primeiros jogos do ano, e o que recebeu foram críticas de torcedores. Por que ele mexeria em algo que com Cuca, no ano passado, rendeu o título brasileiro?

Derrota para o Ituano, vitórias sem convencer contra Botafogo e São Bernardo, e Eduardo Baptista, após apenas quatro jogos (também um empate contra a Ponte Preta em amistoso), foi vaiado por parte da torcida. Pois bem. Contra o Linense, neste domingo, Baptista “encucou” sua equipe, Moisés lançava os laterais na área, que ficou conhecido como “Cucabol”, Dudu voltou para seu canto esquerdo e a marcação adiantou um bocado.

O gostinho de 2016, porém, durou pouco. Por um azar, Moisés machucou o joelho, pode perder boa parte da temporada, e se juntou no departamento médico a Tchê Tchê; Baptista, portano, não terá para escalar a dupla que era a base sólida do Palmeiras em 2016.

Tchau, Cuca, bem-vindo, Eduardo Baptista.

Ao palmeirense, não cabe mais exigir que o time seja o mesmo do ano passado. São outros atletas, outras características. Por exemplo: ao perder Moisés em Araraquara, Baptista colocou Keno em campo, para jogar na direita, e recuou Michel Bastos para o meio de campo – em vários momentos, Michel e Dudu se revezavam entre abrir pela ponta esquerda, quando o time tinha a bola, mas ambos fechavam para o meio, sem ela.

Michel não é Moisés, como Felipe Melo não é Tchê Tchê. O Palmeiras terá que se adaptar a jogar com essas novas peças, mesmo se o esquema tático for mantido. A vitória sobre o Linense por 4 a 0, a primeira contundente no ano, mostra que o elenco tem qualidade, mas é outro elenco, outro time, e outro estilo de jogo. E é preciso se acostumar com isso.


Fim da produtividade? O que os contratos de Borja e Pratto têm em comum
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Marcel Rizzo

Contratos de produtividade se tornaram moda no Brasil nos últimos anos, mas em 2017 duas das principais aquisições de clubes brasileiros firmaram acordos fixos, com salário e luvas (pago pela assinatura do contrato) sem variações por metas alcançadas.

Isso deve se tornar regra depois que clubes avaliaram como pouco vantajoso acordos em que o jogador turbina os vencimentos se atingir x número de jogos, títulos ou até convocações para as seleções de seus países.

Miguel Borja, no Palmeiras, receberá fixo US$ 85 mil no primeiro ano de contrato, algo em torno de R$ 262 mil mensais – valor que será reajustado anualmente. A quantia foi turbinada com o pagamento de luvas de cerca de R$ 1,2 milhão, mas não há metas individuais a serem alcançadas.

Mesma situação do acordo assinado por Lucas Pratto com o São Paulo. Ele terá um salário que, somado o vencimento e as luvas por ter aceitado o tricolor, bate os R$ 500 mil mensais. É o valor final acertado, e ponto final.

Encontro de executivos de futebol no fim de 2016 chegou à constatação de que contratos com metas individuais a alguns atletas faziam com que eles colocassem seus interesses pessoais à frente dos coletivos.

Por exemplo: jogador que ganhava bônus por gols marcados ou por artilharia. Se cada gol valeria a ele algo como R$ 20 mil a mais na conta, por que passaria a bola para um companheiro mais bem colocado?

Há também, na avaliação de executivos, problemas nas metas coletivas. Se há dinheiro extra a receber por títulos ou vagas a serem conquistadas em competições como a Libertadores, se o time chega em determinado ponto do campeonato que é muito difícil alcançar esse objetivo, o atleta desanima, e pode afetar o elenco.

Com Pratto, o São Paulo testa usar metas individuais e coletivas em uma situação nova. Se o jogador alcançar certos objetivos, o São Paulo vai comprando o restante de seus direitos econômicos. Hoje o clube paulista tem 50%, o Atlético-MG 45% e investidores, 5%.

Nessa situação, a produtividade servirá para o clube aumentar sua porcentagem sobre o atleta, que se está rendendo pode ter mercado de venda interessante.


Chapecoense aumenta em mais de 120% o público de seus jogos após tragédia
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Marcel Rizzo

O acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, em novembro de 2016, fez crescer o interesse pelo time de Santa Catarina, e isso está se comprovando em números em 2017.

O início de temporada da “nova” Chape mostrou contagem muito mais expressiva com relação a público e, consequentemente, à renda das partidas, se comparado com o mesmo período e número de jogos de 2016.

A Chapecoense fez oito confrontos neste ano, sendo um amistoso, dois pela Copa da Primeira Liga e cinco pelo Campeonato Catarinense. Em média, 7.228 pessoas assistiram às partidas, seja na Arena Condá, sua casa em Chapecó, ou com o time comandado agora por Vagner Mancini como visitante.

É um aumento de 124% em relação aos 3.227 torcedores, em média, que viram os oito primeiros jogos da Chapecoense em 2016, todos pelo Campeonato Catarinense. Se considerarmos somente os jogos em Chapecó, o aumento percentual é um pouco menor, mas ainda relevante: 101%, de 4.707, em média, de 2016 para 9.446 em 2017.

Fator Palmeiras

Há um detalhe nesse início de temporada para ser levado em conta: o amistoso de janeiro, contra o Palmeiras, na Arena Condá. A renda foi revertida para a Chapecoense, e todos os custos bancados pelo time paulista, mas os números do jogo que teve ingressos mais caros e grande interesse por ser o primeiro pós-acidente “bombaram” principalmente a média da renda da Chapecoense, se comparando os dois inícios de temporada.

Em 2016, o time nas quatro primeiras partidas como mandante teve média de arrecadação bruta de R$ 50.175. Este ano, deixando na conta a renda da partida contra o Palmeiras (de R$ 852.415), essa média foi de R$ 286.630, salto de 471%.

Só que mesmo excluindo o jogo do Palmeiras da média, o aumento na renda bruta continua expressivo de um ano para outro: de R$ 98.035 em 2017, salto de 95,3% se comparado com 2016. Com relação a público sem a partida beneficente contra os paulistas, o aumento percentual cai bem menos do que o da renda, de 124% para 90%.

O calendário da Chapecoense, em 2017, será extenso. Além do Catarinense e da Copa da Primeira Liga, o time jogará a Libertadores, a Copa do Brasil, a Recopa Sul-Americana (contra o Atlético Nacional, campeão da Libertadores 2016), a Copa Suruga (frente o campeão da Copa da Liga Japonesa) e o Brasileiro da Série A. Pode, ainda, defender o título da Sul-Americana, desde que caia na fase de grupos da Libertadores em terceiro de seu grupo.

Todos esses compromissos devem confirmar o interesse pelo time neste ano, e aumentar talvez ainda mais a média de público e de rendas em 2017.

No acidente aéreo morreram 71 pessoas, entre jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes, convidados, jornalistas e tripulantes. A Chapecoense viajava para Medellin, na Colômbia, local da tragédia, para enfrentar o Atlético Nacional, pela final da Copa Sul-Americana. O time acabou recebendo o título da Conmebol, após o cancelamento da decisão.


Acordo de cavalheiros voltou: emprestado pode ser proibido de pegar ‘dono’
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Marcel Rizzo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) retirou do seu Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol texto que impedia que um jogador emprestado fosse proibido de atuar contra o time que o cedeu.

Agora, um clube pode novamente colocar no contrato de empréstimo que o atleta que está cedendo não pode enfrentá-lo, o que acontecia com frequência até 2015 – teve como um dos casos mais famosos a proibição de Alexandre Pato enfrentar o Corinthians quando esteve emprestado ao São Paulo, entre 2014 e 2015.

Há dois anos a confederação instituiu em sua regulamentação a proibição da cláusula restritiva nos empréstimos, algo que foi elogiado por especialistas que viam nesses casos uma afronta ao direito de o jogador poder trabalhar.

Segundo a CBF, os “atuais [documentos] apresentam mudanças em alguns artigos com o objetivo de incluir solicitações feitas pelos clubes no decorrer da última temporada. É o caso do artigo 35, em que foi retirada a vedação das cláusulas ajustadas para limitar, condicionar ou onerar a utilização de atleta cedido (emprestado) por parte do cessionário. No novo regulamento, cabe aos clubes envolvidos definirem tal questão privativamente”.

O novo texto do artigo 35 diz o seguinte: “nas transferências por cessão temporária de atleta profissional, incumbe, privativamente, aos clubes cedente e cessionário ajustar a participação do jogador nas partidas em que se enfrentem”. Ou seja, se o clube que emprestar quiser, e o que está recebendo aceitar, o jogador não poderá entrar em campo quando os dois se enfrentarem.

Desejo dos clubes

A demanda dos clubes convenceu a CBF de que a decisão se um jogador emprestado pode ou não enfrentar o time cedente caberia às diretorias dos times – se todos estivessem de acordo, qual seria o problema?

Outro dos argumentos apresentados foi de que a cláusula do artigo 35 desestimulava os empréstimos entre clubes maiores e de jogadores mais importantes, já que são aqueles que a equipe cedente prefere preservar de enfrentá-la em um clássico, por exemplo.

Exatamente o caso de Pato. Na época, foi estipulada multa de cerca de R$ 1 milhão, caso o São Paulo o escalasse contra o Corinthians. O time do Parque São Jorge bancava, também, parte do salário do atleta, e este é outro argumento daqueles que defendem a proibição de o jogador atuar contra o clube cedente. Nesta linha de pensamento, aquele que empresta pode sair de campo derrotado com um gol de quem ajuda a bancar os vencimentos.


Apesar da Crefisa, Paulo Nobre comemorou eleição no Conselho palmeirense
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Marcel Rizzo

A eleição para o Conselho Deliberativo do Palmeiras, no sábado (11), teve como destaque o casal dono da Crefisa, Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, eleito. Ambos são desafetos do ex-presidente Paulo Nobre.

Mesmo assim, o grupo de Nobre deixou a sede do clube, na zona oeste de São Paulo, contabilizando mais candidatos dentro do CD do que os adversários.

As chapas Academia e Palestra elegeram, juntas, 36 novos conselheiros (27 a primeira, e nove a segunda). As duas são formadas por aliados de Paulo Nobre. A Palmeiras Forte, de Leila e Lamacchia, e que tem como homem-forte outro ex-presidente, Mustafá Contursi (1993-2005), elegeu 27 conselheiros.

A União Verde e Branca teve 13 nomes dentro – totalizando os 76 eleitos. A chapa era formada por simpatizantes de Wlademir Pescarmona, uma terceira força dentro do clube e que já tentou ser presidente, sem sucesso.

A Crefisa renovou contrato por mais dois anos para mostrar sua marca na camisa do time, e ajuda na contratação de jogadores. Mas no último ano do mandato de Nobre, em 2016, a empresa e o cartola entraram em rota de colisão, principalmente pelo desejo de Leila de se tornar conselheira do clube e abrir caminho para uma futura candidatura à presidência.

O atual presidente palmeirense, Maurício Galiotte, venceu a eleição no fim de 2016 apoiado por Paulo Nobre, como candidato único, mas ao assumir se aproximou de desafetos do ex-presidente, como a Crefisa e a WTorre, que administra o estádio palmeirense. Isso fez Nobre romper com Galiotte, que hoje tem como principal apoiador no clube Mustafá Contursi.

Ter a maioria no Conselho Deliberativo ajuda, entre outras coisas, na aprovação de projetos e das contas do mandato.


Por que a Fifa desistiu de diminuir as traves para ajudar as goleiras
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Marcel Rizzo

Uma ideia que por alguns anos entrava e saía de gavetas da direção da Fifa foi descartada de vez após a elaboração do relatório técnico do Mundial sub-20 feminino, disputado entre novembro e dezembro de 2016, na Papua-Nova Guiné.

Depois de anos de críticas, e projetos para que se adaptassem tamanhos de traves para melhorar o desempenho técnico das goleiras, o relatório oficial da Fifa destacou a evolução das arqueiras na competição.

Isso fez com que uma proposta que poderia ser analisada no Congresso da entidade de 2017, que será no Bahrein, de mudanças nas dimensões do campo e traves para as mulheres, fosse engavetada. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, se mostrava contrário a distinções no futebol praticado por homens e mulheres.

Após anos de evoluções tática e técnica, o futebol feminino ainda sofria críticas devido à qualidade das goleiras. Com estatura inferior aos homens, questionava-se se não seria correto diminuir o tamanho das balizas, hoje em 7,32 m de comprimento por 2,44 m de altura, para o futebol feminino.

O documento apresentado após o Mundial sub-20, feito por ex-jogadores, ex-treinadores e integrantes da Fifa, diz que ''o nível de atuação das goleiras melhorou consideravelmente, particularmente o domínio aéreo e nas antecipações às costas das defensoras''.

A avaliação é que as arqueiras evoluíram na saída de gol e nos chutes mais altos, pontos fracos e principal foco dos críticos e defensores de campos e traves menores para mulheres.

Como nem tudo é perfeito, o relatório diz que o próximo passo é a ''melhora de reação frente a situações inesperadas diante da meta''.

Mesmo assim, a evolução de goleiras jovens, da base, confirma o desenvolvimento que já havia sido notado no Mundial de 2015 adulto, disputado no Canadá, e nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. As mulheres, portanto, continuarão jogando futebol como os homens.


Técnico preferido do Palmeiras estava empregado. E não era Eduardo Baptista
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Marcel Rizzo

Eduardo Baptista nunca foi a primeira opção da diretoria do Palmeiras para substituir Cuca. Ele era o plano B, se o A falhasse, como falhou.

O preferido sempre foi Mano Menezes.

Quando Cuca foi contratado, em março de 2016, ele avisou ao Palmeiras que só ficaria até o fim do ano, para cumprir depois promessa à família por um ano sabático.

A direção palmeirense, na época, imaginou que um título brasileiro, e a perspectiva de disputar uma Libertadores, o fariam mudar de ideia.

Essa impressão, porém, foi diminuindo com a consolidação do time na liderença da Série A. O título estava perto, e Cuca realmente não mudaria seus planos.

Lá em março, quando Cuca acertou, a direção palmeirense já ouvia que Mano Menezes poderia deixar a China em breve. Era um nome que agradava, e que seria alvo se Cuca refugasse.

Cuca disse sim, e Mano só deixou o Shandong Luneng em junho. Ficou pouco mais de um mês desempregado, até acertar com o Cruzeiro.

Em julho, o Palmeiras ainda imaginava que Cuca poderia ficar para 2017, mas seu jeito peculiar de trabalhar, que não agradava a todos dentro do clube, fazia tambêm com que nomes fossem cogitados para 2017, e Mano era o preferido.

Experiente, consegue montar bons times e tem jeito ''boleiro'', o que agrada atletas. A esperança era que ele tirasse um sabático após a saída da China, mas logo acertou com o Cruzeiro. Mesmo assim foi consultado informalmente antes do fim do ano, e avisou que cumpriria o contrato em BH.

Nesse meio tempo, o Palmeiras avaliava Roger Machado, que saiu do Grêmio, mas acabou fechando com o Atlético-MG, e o Corinthians cresceu o olho para Eduardo Baptista, que fazia bom trabalho na Ponte Preta.

Ele era o plano B palmeirense, e foi preciso deixar engatilhado o acerto rapidamente para evitar o assédio do rival.

Dentro do Palmeiras, há consenso se que Baptista precisa começar bem seu trabalho, para não ser pressionado por não ser uma unanimidade. E essa pressão já está começando a aparecer e o ''fantasma'' de Cuca também.


Quem é o novo queridinho da CBF que ganhou vaga na Fifa
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Marcel Rizzo

Um novo cartola desponta como queridinho da cúpula da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O advogado Castellar Modesto Guimarães Neto tem 34 anos, é presidente da Federação Mineira de Futebol desde 2014, e há forte lobby dentro da CBF para que se candidate à vaga de vice-presidente aberta após a morte de Delfim Peixoto. O ex-presidente da Federação Catarinense estava no acidente de avião com a delegação da Chapecoense, em novembro de 2016.

Guimarães se aproximou da CBF ao fazer parte do Comitê de Reformas, que tinha como principais objetivos a atualização do estatuto e a criação de um código de ética para a confederação. Boa parte das sugestões que deu foi utilizada, e ele caiu nas graças de Walter Feldman, secretário-geral da CBF, que toma a linha de frente na articulação política da entidade.

Ao presidente Marco Polo Del Nero, foi passado que seria importante ter alguém com perfil jovem com cargo importante na CBF. Em meio a isso, o Brasil recebeu da Fifa posto em uma das comissões da entidade mundial na reformulação realizada em Zurique, e pediu que os brasileiros indicassem alguém novo para seguir a linha de renovação dos quadros. Tudo isso sendo feito devido às denúncias de corrupção que derrubaram a direção da Fifa.

Para a vaga no Comitê dos Jogadores, que tem a função de monitorar se as regras de transferências de atletas estão sendo seguidas, e determinar nova regulamentação para a elegibilidade de jogadores nas competições organizadas pela Fifa, a CBF indicou justamente Castellar Guimarães, que já assumiu.

Advogado criminalista, ele entrou no mundo do futebol por meio do Atlético-MG, como assessor da diretoria – era ligado ao então presidente atleticano, e hoje prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Foi Kalil, e Marcelo Aro, deputado federal, diretor de ética da CBF e influente na FMF, os incentivadores para que Guimarães se candidatasse em Minas Gerais – Kalil e Aro são filiados ao PHS.

Castellar Guimarães (esq.), José Maria Marin e Marco Polo Del Nero (Crédito: Divulgação FMF)

Castellar Guimarães (esq.), José Maria Marin e Marco Polo Del Nero (Crédito: Divulgação FMF)

Política

O estatuto da CBF exige que uma nova eleição seja feita em caso de vacância de qualquer vice-presidência, mas é consenso na entidade que aquele que se candidatar apoiado por Marco Polo Del Nero será eleito. A CBF não informou se há previsão de data para que o pleito ocorra.

São cinco vice-presidentes e, para agradar diferentes grupos políticos, a CBF instituiu ainda na gestão de Ricardo Teixeira (1989-2012) a divisão das federações filiadas por regiões, em uma geografia peculiar. O Espírito Santo e Minas Gerais, estados da região Sudeste, fazem parte do Centro-Oeste no “mapa” da confederação, enquanto o Maranhão, no Nordeste do Brasil, aparece no Norte.

Já há uma cadeira ocupada pelo Centro-Oeste na vice-presidência, com Marcus Antônio Vicente, do Espírito Santo. Mas isso não é problema para a CBF, que já mandou às favas essa divisão ao colocar duas cadeiras para o Norte com a eleição do paraense Antônio Carlos Nunes, justamente para ele se tornar o sucessor direto de Del Nero (por ser o vice mais idoso). O presidente temia ser afastado do cargo ao ser investigado por corrupção (ele nega irregularidades) – Fernando Sarney, do Maranhão, também é vice-presidente.

Essa vaga dada a Nunes foi tirada do Sudeste com a renúncia de José Maria Marin, indicado por São Paulo, preso na investigação do Departamento de Justiça dos EUA de corrupção no futebol. Paulistas e a federação do Rio aceitaram abrir mão da vaga.

Cogitava-se inicialmente manter a cadeira que era ocupada por Delfim no Sul. Por um rodízio entre os três Estados da região (para esta a geografia da CBF é a mesma do Brasil), seria a vez do Paraná, com Hélio Cury. Antigo desafeto de Del Nero, eles se aproximaram nos últimos meses, mas a ascensão de Castellar Guimarães freou a empolgação com Cury como vice.

São Paulo e Rio devem ser consultados sobre a vaga, e se liberarem Minas Gerais pode ganhar uma vice-presidência da CBF.