Blog do Marcel Rizzo

Valor real? Custo final da Rio-2016 não terá os dados da prefeitura do Rio
Comentários Comente

Marcel Rizzo

Parque Olímpico, que recebeu maioria dos eventos dos Jogos (Crédito: Michael Heiman/Getty Images)

O custo final da Olímpiada do Rio, realizada em agosto de 2016, será divulgado até a próxima sexta (31) sem os números oficiais da prefeitura do Rio de Janeiro.

Isso poderá gerar um valor a ser anunciado não real com o que de fato foi gasto.

A informação foi confirmada ao blog pelo presidente interino da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso – a APO é o órgão responsável por compilar e divulgar os gastos com a Rio-2016 e será extinto também nesta sexta-feira, logo após os dados serem atualizados.

No dia 5 de dezembro passado, o então prefeito do Rio, Eduardo Paes, determinou a saída da prefeitura da APO, que até então era formada por representantes do município, do Estado do Rio e do governo federal.  No fim do mesmo mês a Empresa Pública Olímpica, criada para gerir os projetos e gastos da prefeitura com os Jogos, foi extinta.

Segundo Pedroso, os números finais dos custos das arenas esportivas, que será o valor a ser divulgado, estará próximo do real, mesmo sem os dados da prefeitura.

“A prefeitura deixou de participar das análises técnicas finais, não enviou os últimos números, mas buscamos dados em outras fontes de informações oficiais da prefeitura, como portais de transparência e Diário Oficial. Teremos números reais para essa matriz”, disse Pedroso.

A matriz de responsabilidades é o documento que compila todos os gastos com arenas esportivas construídas e reformadas para a Olimpíada. Em 15 de agosto de 2016, data da última atualização, o valor estava em R$ 7,09 bilhões – destes, R$ 710 milhões de responsabilidade da prefeitura.

Os maiores gastos ficaram com a iniciativa privada, quase R$ 5 bilhões, e com o governo federal, mais de R$ 1,3 bilhão.

“Os dados foram compilados da melhor maneira possível, e agora está para aprovação do Conselho Público Olímpico [CPO]. Eles dando o ok, divulgamos”, disse Pedroso. O CPO é a instância máxima da APO, e tinha como membros representantes dos três entes públicos.

O problema é que com a saída da prefeitura, em dezembro, não há representante municipal no conselho e, portanto, não votará pela aprovação das contas finais da Olimpíada. A representante do governo federal continua sendo a empresária Luiza Trajano, indicada pela ex-presidente Dilma Rousseff e mantida por Michel Temer, e o governo do Estado tem Leonardo da Cunha, procurador-geral, na mesa.

Na manhã desta terça (28), a Alerj, a assembleia legislativa do Rio, aprovou também a saída do Estado da APO, e ficou decidido que o governador Luiz Eduardo Pezão precisa enviar, em até seis meses, relatório aos deputados informando os gastos do Estado com a Rio-2016.

Essa saída, pouco antes da divulgação da matriz e da extinção da APO, não preocupou Marcelo Pedroso porque os dados do Estado para o custo final eram bem pequenos, comparado aos demais entes, e foram enviados.

O custo total da Olimpíada, somando obras não relacionadas às arenas e outros gastos, deve superar os R$ 39 bilhões. Sete meses depois do fim dos Jogos, houve atraso na divulgação dos números, já que a primeira previsão era setembro de 2016, e depois janeiro de 2017.

Houve, como já mencionado, problemas na entrega dos dados pelos entes públicos e também questões políticas, como a indicação, e depois retirada do nome do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero como presidente da APO.

Situação

Ao determinar a saída da APO, a prefeitura do Rio, em dezembro, informou que “a retirada do Município da APO não prejudicará as eventuais obrigações por ele assumidas, considerando-se, no entanto, encerradas as responsabilidades do Município para com a APO e os demais entes consorciados”. O blog tentou contrato, sem sucesso, com ex-membros do governo Paes responsáveis pela Empresa Olímpica Municipal.

A relação de Eduardo Paes com a APO sempre foi tensa, e em 2013 o prefeito chegou a sugerir o fim da autoridade, alegando que a APO não faria falta nenhuma porque era o Governo Federal que decidiria o que seria feito com os projetos olímpicos. A APO foi criada para coordenar os trabalhos entre os três entes públicos (federal, estadual e municipal) para a Rio-2016, mas no final acabou se tornando apenas o órgão responsável por receber todos os dados, compilar, e divulgar.

Segundo Marcelo Pedroso, a extinção acontecerá irremediavelmente até esta sexta. Há somente 14 funcionários trabalhando – dos mais de 150 que chegaram a ser contratados -, as contas de 2016 do órgão foram aprovadas e foram enviadas documentações para os órgãos responsáveis pela transparência dos gastos.

Toda a papelada gerada desde 2011, quando a APO foi criada, será enviada ao Arquivo Nacional, como determinou o governo federal.


Tática de desfalcar o rival: a briga de Fla e Palmeiras por Everton Ribeiro
Comentários 33

Marcel Rizzo

Everton Ribeiro em ação pelo Al-Ahly. Volta ao Brasil? (Crédito: Divulgação)

A disputa que se desenhou entre Flamengo e Palmeiras pelo meia Everton Ribeiro, do Al-Ahly (Emirados Árabes), estendeu a rivalidade do final de 2016, quando os times duelaram até as rodadas finais o título brasileiro, vencido pelos paulistas. Mas destacou também uma estratégia usada no futebol atual em negociações: reforce seu time, mas também desfalque os rivais.

A possibilidade de ter Everton Ribeiro, melhor jogador do Brasileiro em 2013 e 2014, anos de títulos do Cruzeiro, atiçou clubes do país. Além de Flamengo e Palmeiras, o São Paulo e o Cruzeiro demonstraram interesse – há altos valores envolvidos, mais de R$ 13 milhões, que deixaram qualquer transação em banho-maria.

A questão é que hoje os clubes projetam reforçar seu time, mas também olham para o mercado para evitar que os rivais fiquem mais fortes. O Palmeiras usou essa estratégia com ao menos dois atletas do atual elenco.

Keno, destaque do Santa Cruz em 2016, esteve muito perto de fechar com o Santos. Vice-campeão brasileiro em 2016 e vice da Copa do Brasil em 2015, títulos levantados pelo Palmeiras, o Santos é um adversário incômodo. Por que, então, deixar que o adversário se reforce com um talento se você pode ter esse atleta? Foi o que aconteceu com Keno.

Num primeiro momento, não se apostaria que Keno chegaria ao Palmeiras com status de titular – e nem é, atualmente, apesar de Eduardo Baptista preferir ele a Róger Guedes em diversas partidas. Keno foi um reforço ao elenco, mas muito mais um desfalque ao rival.

Outro exemplo foi Raphael Veiga, meia que foi destaque do Coritiba no ano passado. O Corinthians esteve perto de anunciar a contratação, mas o Palmeiras entrou forte na briga, e levou o atleta, considerado promessa. Ele não tem sido utilizado com tanta frequência, como era de se esperar com o elenco estrelado do Palmeiras. Mas deixou de reforçar o adversário.

Dudu, em 2015, foi contratado em disputa com Corinthians e São Paulo, mas é um atleta com perfil diferente de Keno e Veiga. Dudu chegou para primeiro resolver, muito mais do que simplesmente desfalcar os adversários.

Em entrevista ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, no domingo à noite, o presidente palmeirense, Mauricio Galiotte, descartou Ribeiro alegando ter muita gente no setor, e citou Dudu, Michel Bastos e Guerra. O perfil de Ribeiro, realmente, é mais caro e diferente dos de Keno e Veiga, que são apostas e podem ser enquadrados na estratégia de desfalcar rivais.

Mas o Palmeiras quis Ribeiro, primeiro por sua qualidade, mas também porque entendeu que o Flamengo, hoje considerado o principal adversário na Libertadores e pelo bi do Brasileiro, ficaria forte com ele. Alexandre Mattos, há algumas semanas, acabou priorizando a negociação com Borja, sonho de consumo do clube, e deixou espaço para o Flamengo se tornar o favorito para levar o meia que está na Arábia. Resta saber se a negociação vai para frente, ou não.


Cartolas de federações se perpetuam, e Del Nero deve manter média na CBF
Comentários 1

Marcel Rizzo

Os presidentes das federações estaduais de futebol, que semana passada ganharam força sobre os clubes para eleger presidente e vice-presidentes na CBF, têm como premissa a perpetuação no poder.

Em média, somando os anos no comando, os 27 cartolas têm pouco mais de 12 anos à frente das federações. Sete deles estão com o poder há mais de 20 anos, e o campeão de permanência continua sendo Zeca Xaud, que em 2017 completará 43 anos como o presidente da Federação de Roraima.

A direção da CBF argumenta que o novo estatuto da entidade retira a possibilidade de perpetuação, com a inclusão de apenas uma reeleição. Desde 1958, quando João Havelange assumiu a então CBD (antiga CBF), foram oito presidentes apenas, contanto o interino Antônio Carlos Nunes, que preside a Federação do Pará há 28 anos e substituiu Marco Polo Del Nero, de licença para se defender das acusações de corrupção, por três meses no começo de 2016.

O limite de mandato, porém, só valerá a partir da próxima gestão, que assume em 2019. Ou seja, Marco Polo Del Nero, eleito em 2015, pode ganhar em 2019, se reeleger em 2023 e ficar no poder até 2027, total de 12 anos, na média que os cartolas estaduais permanecem mandando.

Há federações com nomes novos, mas a maioria dos mandatos mais recentes seguem dois perfis: primeiro o de apadrinhado político de cartola anterior, que ficou por anos. Caso de Alagoas, que tem Felipe Omena Feijó substituindo o pai, Gustavo Feijó, vice da CBF que ficou no poder na alagoana por sete anos (de 2008 a 2015).

Ou seja, os Feijó dominam por ali há nove anos. Outro perfil é o de cartola que deixa o poder por problemas de saúde, como no Mato Grosso. Carlos Orione comandou por 39 anos a federação local, e só saiu no começo de 2016 porque estava doente (ele morreu em novembro passado).

Hoje, como o colégio eleitoral da CBF está desenhado e pelo perfil da cartolagem das federações, que adotam a continuidade como modelo, Marco Polo Del Nero não tem rival.

Peso na votação

A decisão de dar peso maior ao voto de cada um dos 27 presidentes de federações, em detrimento aos 40 clubes votantes (20 da Série A e 20 da Série B, como manda a lei de responsabilidade fiscal no esporte), segundo a CBF, foi porque as federações representam os clubes menores, que votam para eleger seus presidentes. Seria, na visão da CBF, tirar da elite o poder decisório do futuro do futebol brasileiro, abrindo a todos os clubes a escolha, por meio das federações.

Ficou definido em assembleia na semana passada que os votos das federações terão peso 3, ou seja, totalizam 81 votos. Os votos dos clubes da Série A têm peso 2, ou seja, 40, e os da Série B peso 1, 20 no total. Somando-se toda a votação dos clubes, eles ficam com 60, 21 a menos que as federações. Qualquer acordo entre a cartolagem regional definirá as eleições dentro da CBF — e os clubes não estavam presentes na assembleia que definiu o peso na votação.

Tempo do mandato dos presidentes das federações estaduais

Roraima – Zeca Xaud – 43 anos

Acre – Antônio Aquino Lopes – 33 anos

Rondonia – Heitor Costa – 29 anos

Pará – Antonio Carlos Nunes – 28 anos

Amazonas – Dissica Valério Tomáz – 28 anos

Tocantins – Leomar Quintanilha – 23 anos

Mato Grosso do Sul – Francisco Cezário – 19 anos

Bahia – Ednaldo Rodrigues – 16 anos

Rio Grande do Sul – Francisco Novelletto – 13 anos

Amapá – Roberto Góes – 11 anos

Rio – Rubens Lopes – 11 anos

Goiás – André Pitta – 10 anos

Paraná – Hélio Cury – 10 anos

Rio Grande do Norte – José Vanildo da Silva – 10 anos

Ceará – Mauro Carmélio – 8 anos

Piauí – Cesarino Oliveira – 7 anos

Maranhão – Antônio Américo – 6 anos

Pernambuco – Evandro Carvalho – 6 anos

Minas Gerais – Castellar Guimarães – 3 anos

São Paulo – Reinaldo Carneiro Bastos – 2 anos

Espirito Santo – Gustavo Vieira – 2 anos

Paraíba – Amadeu Rodrigues – 2 anos

Alagoas – Felipe Omena Feijó – 2 anos

Sergipe – Milton Dantas – 1 ano

Distrito Federal – Erivaldo Alves – 1 ano

Santa Catarina – Rubens Renato Angelotti – 4 meses

Mato Grosso – Aron Dresh – presidente eleito (assume em maio)


Eleição que incha vices da CBF pode ser 1ª com maior poder de federações
Comentários 2

Marcel Rizzo

Atualizado às 16h03

A primeira eleição da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no novo formato com peso maior decisório às federações estaduais pode ocorrer ainda em 2017, para escolha dos novos vices da entidade.

Há uma corrente dentro da confederação que prefere que a escolha dos novos vices só aconteça em 2019, quando ocorrer o pleito para presidente, para que se faça tudo de uma vez só. Isso ainda será discutido, mas há dirigentes pressionando para que essa eleição só dos vices ocorra o quanto antes.

No novo estatuto, a confederação decidiu aumentar de cinco para oito o número de vice-presidentes. Como há uma vaga aberta depois da morte de Delfim Peixoto, de Santa Catarina, no acidente aéreo da Chapecoense, seriam quatro eleitos agora, que se juntariam a Antônio Carlos Nunes (PA), Gustavo Feijó (AL), Marcus Vicente (ES) e Fernando Sarney (MA).

O anúncio de Marco Polo Del Nero nesta quinta aos presidentes de federações de que aumentaram as vagas, fez barulho nos bastidores da entidade. Aos cartolas, Del Nero disse que o aumento serviria para descentralizar um pouco mais o poder. Na prática, ele poderá acomodar mais aliados dentro da confederação.

No estatuto atualizado, os clubes perderam poder nas eleições da CBF. Ficou decidido que as 27 federações estaduais terão peso 3 na votação, os 20 clubes da Série A peso 2 e os 20 da B peso 1. Somando tudo isso, as federações terminam com 81 votos possíveis, contra 60 dos clubes. O argumento da CBF é que o peso maior às federações dá também poder aos clubes menores, que são aqueles que elegem os cartolas na votações regionais.

Para as vagas de vice, qualquer pessoa com ligação com o futebol pode se candidatar, mas dificilmente alguém não ligado à CBF conseguirá pleitear um lugar na eleição. Se mantém no estatuto que é preciso apoio de oito federações e cinco clubes para se candidatar.

Havia uma “briga” nos bastidores da CBF pela vaga de vice remanescente com a morte de Delfim Peixoto. O preferido da CBF é Castellar Guimarães, presidente da Federação Mineira de Futebol, indicado para a CBF para cargo em comitê da Fifa e um dos idealizadores do texto do novo estatuto. O advogado é hoje o “queridinho” de Marco Polo Del Nero.

Só que as federações do Sul, principalmente Helio Cury, do Paraná, reivindicavam essa vaga por questão geográfica, já que Delfim Peixoto, que era opositor a Del Nero, era de Santa Catarina, no Sul. O aumento do número de cadeiras, e o peso maior no voto das federações, fará com que praticamente todos os pretendentes ligados às entidades tenham vaga.


Neymar não será o jogador da seleção mais bem pago por vaga à Copa. Entenda
Comentários 6

Marcel Rizzo

Daniel Alves participou de todos os jogos nas eliminatórias (Crédito: Leo Correa/Mowa Press)

Miranda e Daniel Alves foram os jogadores que mais participaram das partidas da seleção brasileira nestas eliminatórias para a Copa da Rússia-2018, as 12 disputadas até agora.

Seguindo assim até o último jogo, em outubro próximo, os dois serão os que receberão a maior fatia da premiação pela vaga no Mundial, se confirmada. A CBF pagará o “bicho” proporcionalmente pelo número de jogos de cada atleta na competição.

O valor, portanto, será variável para cada um deles (e há um teto de R$ 100 mil). Nos jogos das eliminatórias da seleção, há o prêmio (bicho) por vitórias, mas ao fim do torneio, com a classificação assegurada, há a premiação pelo objetivo conquistado.

O pagamento proporcional por partidas disputadas é praxe na seleção, e também nos clubes brasileiros para títulos. É uma maneira de premiar aqueles com mais regularidade. Depois de Miranda e Dani, os que mais atuaram foram o goleiro Allison e o meia Willian, 11 vezes cada.

O atacante Neymar tem oito jogos porque foi suspenso nas duas primeiras partidas das eliminatórias, ainda por confusão que se envolveu na Copa América do Chile, em 2015, e perdeu outros dois devido a suspensões por cartões amarelos recebidos. É improvável que ele ultrapasse os companheiros e se torne o mais bem pago.

Outros que não fazem parte dos planos do técnico Tite, mas participaram do início das eliminatórias, como o goleiro Jefferson e o atacante Ricardo Oliveira, terão valores a receber.

O Brasil de Tite enfrenta nesta quinta o Uruguai, em Montevidéu, e pelas contas do treinador, um empate já deixará a seleção com a vaga praticamente assegurada, mesmo faltando ainda cinco rodadas. Os 28 pontos que o Brasil alcançará foram suficientes para se classificar até quarto em todas as eliminatórias sul-americanas com dez participantes, desde 2002.

Os quatro primeiros colocados garantem vaga direta na Rússia, enquanto o quinto disputa uma repescagem contra o campeão da Oceania.

Veja quantas partidas cada atleta atuou nestas eliminatórias:

Daniel Alves e Miranda: 12

Alisson e Willian: 11

Renato Augusto: 10

Neymar, Douglas Costa, Filipe Luis e Marquinhos: 8

Philippe Coutinho, Fernandinho e Lucas Lima: 7

Gabriel Jesus e Luiz Gustavo: 6

Ricardo Oliveira e Paulinho: 5

Marcelo: 4

Hulk, Oscar, Giuliano, Gil e David Luiz: 3

Casemiro, Firmino e Taison: 2

Jonas, Kaká, Thiago Silva e Jefferson: 1


Marketing do Botafogo ganha disputa e vai a Madri ver clássico Real x Barça
Comentários 2

Marcel Rizzo

Botafogo, Sport e Fluminense chegaram ao pódio em 2016.

Os departamentos de marketing desses três clubes, nessa ordem, foram premiados após uma ação de incentivo da Brahma, que contou com o envolvimento de 15 clubes na divulgação da promoção “Aqui tem Jogo'' — se cadastrava código de barras de produtos para os consumidores terem acesso ao Premiere Play na reta final da Série A do Brasileiro de 2016.

Com a melhor ativação, membros do marketing do Botafogo acompanharão, em Madri, o clássico entre Real Madrid e Barcelona, em 23 de abril. Já os representantes de Sport e Fluminense estarão em Montevidéu nesta quinta, vendo Uruguai x Brasil, pelas eliminatórias.

A mecânica que escolheu os clubes com melhor ativação foi desenvolvida pela agência Octagon Brasil, e teve o engajamento de times participantes do Movimento por um Futebol Melhor, que dá descontos em produtos a sócios-torcedores dos principais times do Brasil.

No período da ação de incentivo, o engajamento do Botafogo em sua página oficial do Facebook dobrou de 4% para 8%. O alcance total praticamente triplicou, já que eram 350 mil por dia, passando para 1 milhão depois (cada ação feita pelo clube nas redes sociais valia pontos).


Por que Agência de Cinema está na apuração do monopólio dos direitos de TV
Comentários 2

Marcel Rizzo

O que a Agência Nacional de Cinema (Ancine), vinculado ao Ministério da Cultura, tem a ver com a investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre possíveis infrações de ordem econômica na negociação de direitos de transmissão de futebol no Brasil?

Em 23 de janeiro, o Cade enviou um ofício solicitando à Ancine que apresentasse documentos, informações, estudos ou pareceres que pudessem subsidiar a investigação do conselho sobre possíveis infrações em contratos do mercado de TV por assinatura para a transmissão de futebol.

O Cade se baseou em um acordo de cooperação assinado entre os órgãos quando o assunto tiver relação com o audiovisual – a Ancine é a agência que regula a fiscalização do mercado do cinema e do audiovisual no Brasil, e tem informações referentes às TVs e acordos vigentes, que poderiam, na visão do Cade, auxiliá-los no processo de apuração de problemas na venda dos direitos de transmissão do futebol.

Na conclusão da agência, hoje só existe a concorrência entre as emissoras para eventos internacionais (como torneios de futebol da Europa), mas o panorama vai mudar a partir de 2019, ano em que o Esporte Interativo começará a transmitir jogos da Série A do Brasileiro – para a Ancine, o Grupo Globo terá que negociar pela primeira vez com outro canal de TV.

A Superintendência de Análise de Mercado (SAM) da Ancine respondeu, no início de março, com um relatório de 33 páginas em que apresenta o “panorama atual da comercialização dos direitos de transmissão dos eventos esportivos de futebol”.

Entre a análise do perfil das principais emissoras de esporte na TV por assinatura (SporTV, ESPN, Fox, Band Sports e Esporte Interativo), a Ancine chegou à conclusão de que a concorrência que conhecemos hoje está num novo patamar com a aquisição do Esporte Interativo do contrato de 16 times (oito atualmente na Série A, sete na B e um na C), para o período de 2019 a 2024 para transmissão dos jogos na primeira divisão do Brasileiro.

“Deve acarretar uma mudança no padrão de concorrência observado até então, principalmente tendo em vista que, pela primeira vez, o Grupo Globo [que detém o SporTV], terá que entrar em acordo com um canal concorrente [Esporte Interativo, da Turner] para transmissão do campeonato carro-chefe de sua programação esportiva”, diz o documento.

A lei

Os técnicos da Ancine se baseiam em artigo da Lei Pelé, o 42, que é interpretado de várias formas. Uma das interpretações é de que só pode haver transmissão de um jogo caso as duas equipes concordem. Ou seja, um Palmeiras x Corinthians (o primeiro, fechado com o Esporte Interativo, o segundo com o SporTV) só passará se os clubes, e as TVs, fizerem um acordo.

Há outras interpretações da Lei, que realmente não deixa claro esse ponto. Especialistas ouvidos pelo blog afirmaram que o time mandante pode ser o “dono” da transmissão. De qualquer forma, o relatório da Ancine acerta ao afirmar que deverá ter uma negociação entre as TVs, para não se limitarem a transmitir jogos entre os times com quais tem contrato.

A agência avaliou que os valores envolvidos nas negociações para direito de transmissão, principalmente dos torneios nacionais, sempre inviabilizaram a concorrência, mas que isso era mais simples para ocorrer em campeonatos internacionais de futebol ou torneios de outros esportes. O documento cita, por exemplo, a compra do Esporte Interativo da Liga dos Campeões da Europa, que até a temporada 2014/2015 esteve com a ESPN.

A investigação do Cade, que é vinculado ao Ministério da Justiça, é sobre possível monopólio na venda dos direitos de transmissão de campeonatos de futebol – e se a venda casada (TV aberta, TV fechada, pay-per-view e internet) é a única opção para os clubes, na maioria dos casos.


Membro do governo ‘vence’ presidente do Flamengo para vice da Apfut
Comentários Comente

Marcel Rizzo

A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) definiu que um representante do Ministério do Esporte será seu vice-presidente. O escolhido foi Raimundo da Costa Santos Neto, que já fez parte do departamento de segurança em eventos esportivos do ME.

A autoridade pública tem objetivo de fiscalizar e, se necessário, aplicar sanções aos clubes que aderiram ao Profut, que é o programa que refinancia as dívidas das entidades de prática do desporto junto à União mediante contrapartidas.

O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, já havia designado, em 23 de fevereiro, cinco membros da Apfut, todos indicações de dentro do governo. O Ministério da Fazenda teve um indicado (Frederico Igor Leite Faber), a Casa Civil mais um (Gustavo do Vale Rocha) e o Ministério do Esporte três: além de Santos Neto, fazem parte da Apfut os funcionários da pasta Wilson Gottardo e Tamoio Athaide Marcondes.

Gottardo é o ex-zagueiro, com passagens por Botafogo, Flamengo, São Paulo e seleção brasileira, que hoje tem cargo no gabinete de Leonardo Picciani. Ainda há as vagas de dirigentes de futebol (Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo), dos treinadores (Marcos Bocatto), dos atletas (Juliana Cabral), dos árbitros (Marco Antônio Martins), e de entidade do fomento ao desenvolvimento do esporte (João Paulo Medina).

Esperava-se que a vaga de vice ficasse com um dos indicados da sociedade civil, em vez de um representante do governo – citava-se Bandeira de Mello como favorito. No final, foi decidido que era melhor colocar alguém mais técnico, que esteja em Brasília constantemente.

A presidência da Apfut foi dada ao advogado carioca Luiz André de Figueiredo Mello, que atuou na empresa ICON Brazil, que participou na preparação da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo, em 2014.


Vai aumentar o prêmio: veja quanto teu time receberá se ganhar o Brasileiro
Comentários 21

Marcel Rizzo

O campeão brasileiro de 2017 deve receber um prêmio de R$ 20 milhões. O valor será reajustado em R$ 3 milhões, ou pouco mais de 17% do recebido pelo Palmeiras em 2016 (R$ 17 milhões).

Normalmente, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) só anuncia a premiação do Brasileiro da Série A no fim do ano, mas desta vez pretende antecipar os números para o início da competição – que terá sua primeira rodada em maio.

No ano passado, o total distribuído chegou a R$ 60 milhões – receberam dinheiro do campeão ao 16º, o primeiro time fora da zona do rebaixamento. O montante de 2017 que será dividido está em análise, mas deve aumentar na mesma proporção do que a fatia do campeão, em cerca de 20% — o que dará cerca de R$ 72 mi.

A CBF surpreendeu em 2016 com um aumento bem acima do que costumava dar. Em 2014, por exemplo, o campeão Cruzeiro embolsou R$ 9 milhões, enquanto que no ano seguinte o Corinthians faturou R$ 10 milhões, aumento de “apenas” R$ 1 milhão, ou pouco mais de 11%.

Só que no ano passado o Palmeiras levou R$ 17 milhões, aumento de 70%, em campanha da CBF por valorização de seu maior produto. Houve aumento significativo também da premiação para as outras colocações (o vice, por exemplo, pulou de R$ 6,3 milhões para R$ 10,7 milhões), o que, na visão da CBF, serve para estimular brigas por posições intermediárias no Nacional.

Comparação

Na Premier League, na Inglaterra, o torneio nacional mais rico do mundo, o campeão da temporada em andamento, apenas como premiação (sem cota de TV), receberá o equivalente a R$ 132 milhões.

Por lá, também há a meritocracia, com cada posição equivalente a um valor, mas a divisão total conta a TV, que entra no mesmo bolo, com 50% dividido igualmente entre todos os times, 25% por meritocracia (onde entra o valor acima de mais de R$ 130 mi ao campeão) e 25% referente ao número de jogos transmitidos.

No Brasil, a divisão de cotas de TV é negociada diretamente por cada clube com as TVs, com valores variáveis.

Na Espanha e na Itália a premiação está atrelada a desempenho televisivo dos clubes, mais do que a meritocracia em campo. Barcelona e Real Madrid, no seu torneio local, embolsam mais de R$ 200 milhões cada, independentemente se vão levantar a taça ou não (mas quase sempre um dos dois é o vencedor).

Na América do Sul, a Libertadores, torneio que em 2017 terá oito brasileiros, pagará ao campeão US$ 7,75 milhões, algo como R$ 24 milhões na cotação atual. Valor parecido com o do Brasileirão, mas para um campeonato mais curto — o campeão da América, se iniciou o torneio na fase de grupos, faz 14 jogos, contra 38 na Série A nacional.


Precisamos falar do Cruzeiro de Mano Menezes, o time mais eficiente
Comentários 15

Marcel Rizzo

O Cruzeiro não fez uma boa partida neste domingo no 1 a 1 contra o Tombense, e deixou o Mineirão vaiado. Colocado isso, é preciso se analisar o início do ano da equipe comandada por Mano Menezes.

O time não tem um elenco badalado como Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, não tem um treinador ídolo como o São Paulo, ou uma equipe competitiva como o Corinthians.

Mas hoje, 19 de março, é o melhor do Brasil. Nenhuma equipe do país tem aproveitamento tão bom em jogos oficiais neste 2017 — foram 14 partidas, com 12 vitórias, dois empates e nenhuma derrota entre o Campeonato Mineiro e a Copa do Brasil, já somado o empate contra o Tombense — um raro tropeço no ano.

A era Mano Menezes recomeça no Cruzeiro em julho de 2016, momento difícil do time no Campeonato Brasileiro. Estava em penúltimo. O trabalho fez a equipe acabar na 12ª colocação, com 51 pontos. Escapou do rebaixamento, mas ali o treinador começava a esboçar a equipe que, reforçada por Thiago Neves, tem se mostrado sólida em 2017.

O Cruzeiro marca por pressão, e roda a bola quando a tem. Usa a habilidade de Arrascaeta e Thiago Neves, e tem dado nova vida ao bom Lucas Silva, que deixou o clube rumo ao Real Madrid, onde não teve chance e acabou encostado.

Mas o Campeonato Mineiro é fraco tecnicamente, e as primeiras fases da Copa do Brasil também, podem argumentar aqueles que acham cedo qualquer elogio. Os Estaduais, num geral, apresentam qualidade baixa, mas há grandes que se complicam e perdem jogos.

Na Copa do Brasil, o Cruzeiro atravessou as três primeiras etapas com alguma dificuldade contra o Volta Redonda na primeira, mas depois atropelou o São Francisco-PA e Murici-AL. Terá um grande teste na próxima etapa, quando enfrentará o São Paulo. Mano, porém, mostra que sua principal qualidade, de formar times competitivos com o que tem em mãos, continua ativa.

O técnico ficou marcado pela demissão da seleção brasileira, após a derrota nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, em um momento que a dupla que comandava a CBF, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, preferiu aceitar o clamor popular por Luiz Felipe Scolari quando Mano começava a dar “uma cara” para o Brasil –e quando a CBF já era pressionada por problemas extracampo

Há o que melhorar, claro. O empate contra o Tombense, neste domingo, mostrou problemas de finalização e, em alguns momentos, de criação de jogadas pelas laterais. A torcida chegou a vaiar em alguns momentos, mostrando que ainda se ressente das campanhas irregulares nos dois últimos anos.

O Brasileiro começa em maio, tem como favoritos Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, mas é bom prestar atenção neste Cruzeiro de Mano Menezes.

Aproveitamento dos 12 clubes de maior torcida em 2017:

Cruzeiro: 90,4%

Flamengo: 83.3%

Palmeiras: 75,7%

Atlético-MG: 75%

Fluminense: 73,3%

Corinthians: 69,2%

Inter: 68,8%

São Paulo: 64,1%

Botafogo: 58,3%

Santos: 51,5%

Grêmio: 51,5%

Vasco: 50%