Blog do Marcel Rizzo

Barcelona sonha com Mina antes do combinado. Falta acertar com o Palmeiras
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Marcel Rizzo

Mina fez gol na vitória do Palmeiras sobre o Tucumán, na quarta (Crédito: Ag. Palmeiras)

Em fevereiro, Palmeiras e Barcelona entraram em acordo de que a preferência de compra do clube espanhol pelo zagueiro Yerry Mina se estenderia a julho de 2018, depois da Copa do Mundo da Rússia, quando ele deveria deixar o Brasil.

Os europeus, porém, mudarão sua comissão técnica, o foco será em melhora defensiva, e há no clube quem defenda tentar antecipar esse prazo. As ótimas atuações do colombiano, aliado aos problemas defensivos apresentados pelo Barcelona nos últimos anos fazem com que Mina seja um desejo já para a janela de transferências que abre em janeiro de 2018.

O Palmeiras, até o momento, trabalha com a data estipulada em fevereiro, ou seja, julho de 2018: “Não há mudanças com relação a isso”, disse o diretor palmeirense Alexandre Mattos. O clube não planeja se desfazer do colombiano antes, inclusive porque negociou Vitor Hugo para a Fiorentina contando que terá Mina mais um ano.

O Barcelona tenta convencer estafe e familiares de Mina, 22 anos, a solicitar que a preferência de compra seja antecipada. Já há contato entre as partes para definir detalhes de logística da ida do zagueiro a Barcelona, como moradia, carro, e questões burocráticas de autorização para trabalhar na Espanha.

Mina foi revelado pelo Deportivo Pasto, da Colômbia, mas ganhou destaque atuando pelo Santa Fé, de Bogotá, capital do país. Ele assinou, em maio de 2016, um contrato de cinco anos com o Palmeiras, e o bom relacionamento entre as diretorias de Barcelona e Palmeiras fez com que os espanhóis ganhassem o direito de preferência na compra do defensor, já considerado, na época em que atuava na Colômbia, um atleta acima da média — o Barça já estava de olho nele.

Inicialmente, o Barcelona poderia levá-lo, se optasse, em janeiro de 2018, ao fim da temporada no Brasil (e no meio da europeia). Em fevereiro, porém, o Palmeiras conseguiu estender esse prazo por mais alguns meses, até julho, quando é o início da temporada na Espanha. O valor total da negociação gira em torno de 10 milhões de euros (R$ 37 milhões).

A irregularidade defensiva do Barcelona preocupa o clube, que está trocando de treinador – sai Luis Henrique, chega provavelmente Ernesto Valverde, do Athletic Bilbao. A antecipação da chegada de Mina poderia ser o alento para um clube que se reformulará defensivamente. Resta saber se o Palmeiras topará.


Julgamento à distância irrita e brasileiros tentam mudança na Conmebol
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Marcel Rizzo

Clubes do Brasil pressionam a Conmebol para que haja mudança no formato usado pela entidade para os julgamentos de casos relacionados a suas competições. Hoje, o procedimento é feito quase totalmente por meio de videoconferências, e com as defesas entregues por escrito. Dois cartolas brasileiros ouviram da entidade que será feito um estudo para modificação.

Reclamações recentes, como de Palmeiras e Chapecoense, se devem principalmente pela dificuldade da defesa em apresentar provas sem ter, normalmente, contato com os homens que decidem o futuro das equipes na competição, ou seja, que julgam.

O Tribunal de Disciplina da Conmebol tem cinco membros, um deles o brasileiro Caio Cesar Rocha. Normalmente três deles deliberam a cada caso, entregue por sorteio ou com a exclusão imediata do membro que for do país da associação que está sendo julgada – Rocha, portanto, não participou dos casos de Palmeiras e Chapecoense.

A questão é que eles não se encontram pessoalmente, salvo haja algum evento na sede da Conmebol, em Luque, região metropolitana de Assunção, no Paraguai. No caso em que a Chapecoense perdeu pontos, deliberaram por vídeoconferência Eduardo Gross Brown (do Paraguai), Amarilis Belisario (da Venezuela) e Juan Carlos Silva (do Chile).

A Chapecoense ainda teve direito a uma audiência, sempre por vídeo, com o paraguaio Brown, que liderava essa demanda, depois de insistir muito com a direção da Conmebol, já que não é praxe. Não adiantou, e o time foi punido.

Há questionamentos de que essas conferências à distância prejudicam o entendimento dos membros sobre cada caso. É diferente, por exemplo, do que ocorre nos julgamentos do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), para torneios no Brasil, em que acusação, defesa e testemunhas estão na mesma sala, no Rio, debatendo sobre o assunto até que a decisão seja tomada.

A defesa, na Conmebol, é feita por escrito, com envio de provas de vídeo e áudio, que são analisados individualmente por cada membro, que depois discutem o assunto pela videoconferência. Os advogados, até o ano passado, não podiam fazer argumentos diretamente com esses membros. Nisso a Conmebol já mudou um pouco.

Este ano, antes da Chape, o Peñarol conseguiu uma audiência para tratar do caso da briga do jogo contra o Palmeiras. Fez uma audiência no mesmo dia em que o clube brasileiro foi punido – segundo a Conmebol, o Palmeiras não solicitou uma audiência.

Internamente, a Conmebol diz que é praticamente inviável sessões com todos os membros do tribunal presentes porque, primeiro, todos têm agenda em seus países, e, segundo, há casos que precisam ser resolvidos com urgência, como foi o de Lanús x Chapecoense, e audiências com datas previamente marcadas, para que os membros se deslocassem, não adiantariam nessas situações.

Há também uma questão financeira: a entidade avalia que clubes de poder financeiro maior (e aí entram os brasileiros) poderiam ter vantagem, já que enviariam advogados a Assunção, enquanto times menores de países como Bolívia e Venezuela não teriam o mesmo “poder de fogo”.

Os problemas

O Palmeiras teve o volante Felipe Melo suspenso por seis partidas pela confusão na partida contra o Peñarol, dia 26 de abril, em Montevidéu, além de o clube perder seus torcedores em três partidas como visitante – pelos mesmos problemas, o time uruguaio teve três atletas suspenso por cinco partidas e um jogo em casa de portão fechado.

Na terça, a Chapecoense perdeu os pontos da vitória de 2 a 1 sobre o Lanús por ter escalado, segundo a Conmebol, o zagueiro Luiz Otávio irregularmente. A decisão do tribunal eliminou a Chape do torneio, e o clube alegou que só recebeu a comunicação oficial de que o atleta estava suspenso minutos antes da partida, pelo delegado do confronto na Argentina.

Cabe recurso para todas as punições ao Comitê de Apelações, que tem quatro membros e funciona da mesma maneira que o Tribunal Disciplinar.


Eduardo Baptista livre fez Atlético-PR antecipar a reformulação no futebol
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Marcel Rizzo

Internamente, não foi surpresa a troca de comando técnico no Atlético-PR — Paulo Autuori assumiu cargo na diretoria, e Eduardo Baptista é o novo treinador.

Autuori se preparava para a saída, já que desde o ano passado vinha acumulando várias funções no departamento de futebol. Isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, ao término da Libertadores ou até mesmo antes, e foi finalizada agora porque o clube aproveitou que Eduardo Baptista, nome que agradava, havia sido dispensado pelo Palmeiras e estava no mercado.

Autuori é respeitado pela cúpula do Atlético-PR. Ele se adequa às posições do clube, inclusive às de confronto (leia-se contra CBF e federações) e, principalmente, entende a ideologia e filosofia, que vai desde a montagem da estrutura interna do CT do Caju para a integração entre base e profissional. Como gerente do departamento, ele vai ''flutuar'' por todos os setores.

Presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia internamente informou que a troca do comando foi feita de forma natural, já que todas as partes já vinham conversando para isso — houve, num primeiro momento, estranhamento pela decisão, principalmente pelo time ter passado às oitavas da Libertadores.

E o cartola adotou a aliados discurso de que a postura atleticana é vanguardista. ''Será mais uma quebra de paradigmas que o Atlético-PR está pensando, em inovação. Queremos um novo modelo de gestão'', afirmou.

Eduardo Baptista foi contratado porque teve o aval tanto de Autuori quanto do departamento de futebol. Na análise do clube, fez bons trabalhos em Sport e Ponte Preta, e saiu do Palmeiras com um alto aproveitamento dos pontos conquistados. 


SP tem número mágico por Libertadores. E já sabe quem são os maiores rivais
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Marcel Rizzo

A cúpula são-paulina ficou aliviada com a vitória de segunda-feira sobre o Avaí, 2 a 0, porque comprovou sua tese que tem sido apresentada a diretores e conselheiros críticos ao time em 2017 após três eliminações (Paulista, Copa do Brasil e Sul-Americana): o São Paulo não está num patamar de briga por rebaixamento, mas sim de disputar vaga na Libertadores.

Quem critica dentro do clube, seja o técnico Rogério Ceni, seja o elenco, ouve de alguns dirigentes o seguinte: o São Paulo tem 90% de chance de ficar entre os dez primeiros do Brasileiro, e 60% de chegar entre os seis, o que garantiria uma vaga na Libertadores em 2018.

São duas as explicações para se confiar em uma campanha de razoável para boa como a apresentada nos números acima: 1) há confiança de que as ideias táticas e técnicas que Ceni tenta implantar darão certo a médio prazo; 2) o elenco tem qualidade, apesar de que muitos admitem que precisaria ser um pouco mais inchado, com mais opções por posição para o treinador.

A avaliação interna é de que o São Paulo não deixa a desejar para Cruzeiro ou Corinthians,  times que brigarão na parte de cima da tabela, apesar das eliminações na Copa do Brasil e Paulista, respectivamente – lembram que as derrotas ocorreram na ida, no Morumbi, e que as voltas foram jogos competitivos.

Há os clubes considerados com patamar um pouco superior no momento, como Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, e outros, como Fluminense e Grêmio, que iniciaram muito bem o Brasileiro.

Rogério Ceni terá tranquilidade para trabalhar e, dentro do clube, o que se fala é que o segundo semestre, se a campanha estiver decente com vaga de Libertadores no caminho, o técnico já terá liberdade para tocar o projeto de 2018.

Há unanimidade entre a diretoria que Ceni só correria o risco de sair se o time brigasse contra o rebaixamento – e mesmo assim muitos acham que ele teria que tomar a iniciativa. Ninguém, porém, acredita que isso ocorrerá.


Sem Globo, EI pagará cota integral de TV para os clubes da Copa do Nordeste
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Marcel Rizzo

Sem acordo com a Globo para o repasse dos direitos de transmissão da Copa do Nordeste em TV aberta para 2018, o Esporte Interativo informou aos clubes participantes do torneio que pagará a eles valor integral da cota, independentemente de acerto com outras emissoras.

Havia preocupação de cartolas de clubes e de federações da região de que o torneio perdesse dinheiro e visibilidade. Por isso que o Esporte Interativo, que detém os direitos e até a edição deste ano sublicenciava para a Globo em TV aberta, prometeu pagar a diferença mesmo que não tenha parceiro– estima-se que a receita total da competição, em 2018, seja de R$ 28 milhões.

Como mostrou o Blog do Ohata na semana passada, não houve até o momento renovação para que a Globo, por meio de suas afiliadas, continuasse transmitindo a competição no ano que vem. A Globo detinha a preferência de compra e a emissora não concordou com o aumento de 40% para o novo contrato.

O torneio reúne os principais times do Nordeste e é visto como mais rentável e esportivamente mais atraente do que os Estaduais. Sem TV aberta, os clubes temem perda de visibilidade principalmente para negociarem os seus contratos de patrocínio, que normalmente ocorrem no início de temporada.

Em reuniões com dirigentes, o blog apurou que representantes do Esporte Interativo informaram que estão negociando parcerias com outras TVs abertas da região, que há tempo até janeiro mas que garantem a diferença em dinheiro porque avaliam que o torneio está valorizado. E que haverá novos players em redes sociais para que se tenha acesso à competição, que é chancelada e faz parte do calendário da CBF.

O Grupo Globo e o Esporte Interativo, que pertence ao Grupo Turner, têm disputado torneios nacionais, inclusive o Brasileiro da Série A em TV fechada, que a partir de 2019 terá jogos transmitidos pelos canais dos dois grupos (EI e SporTV).

O Esporte Interativo informou que ''garante que a Copa do Nordeste terá ainda mais visibilidade nas próximas edições, com transmissões em TV aberta, fechada e também nas redes sociais. O valor de direitos pago à Liga do Nordeste [que organiza a competição] e, por consequência, aos clubes, seguirá aumentando ano após ano, como já vem acontecendo''.

Em nota enviada, o Grupo Globo informou que “mantém interesse em todos os eventos que contem com a participação dos grandes clubes brasileiros. Não há qualquer desistência do direito de negociar, estamos sempre abertos ao diálogo”.

Nesta quarta (24), ocorre em Salvador a finalíssima entre Bahia e Sport da edição deste ano, jogo que terá a Arena Fonte Nova lotada. A primeira partida, no Recife, terminou 1 a 1.


Conmebol pune Peñarol com só um jogo sem torcida por confusão com Palmeiras
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Marcel Rizzo

Confusão entre jogadores de Peñarol e Palmeiras (Crédito: Matilde Campodonico/AP)

A punição do Peñarol depois das confusões do jogo contra o Palmeiras, em 26 de abril, será de uma partida com portões fechados na Libertadores em seu estádio, o Campeón del Siglo, em Montevidéu.

O clube cumprirá a sentença contra o Jorge Wilstermann, na próxima quarta (24), na despedida do time no torneio, já que não tem mais chance de classificação para as oitavas de final no Grupo 5. O Tribunal de Disciplina também aplicou uma multa de US$ 150 mil (R$ 496 mil).

Na quarta (17), o Palmeiras foi punido com três partidas sem seus torcedores como visitantes nesta Libertadores, mais US$ 80 mil (R$ . Ou seja, o clube só poderá voltar a ter sua torcida fora de casa se chegar à final da competição — o jogo da próxima quarta (24), contra o Tucumán, será no Allianz Parque com a presença normal dos fãs.

O Peñarol solicitou ao tribunal da Conmebol uma audiência, para se defender, reunião que foi marcada na quarta (17). Foi nesse mesmo dia que foi divulgada a punição palmeirense — o blog apurou que o clube brasileiro não fez o pedido para ter uma audiência.

Vários problemas ocorreram no jogo do dia 26 de abril. Em campo, jogadores brigaram, com os uruguaios acuando o volante Felipe Melo, que desferiu dois socos em Matias Mier — Melo foi suspenso por seis jogos.

Houve confusão no acesso dos palmeirenses ao vestiário, com os portões fechados. Na arquibancada também houve briga entre torcedores dos dois times. Todas as punições cabem recurso ao Comitê de Apelações da Conmebol.


Fifa confirma que triplicará indenização a clube que ceder atleta à Copa
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Marcel Rizzo

 A Fifa confirmou às associações filiadas durante seu Congresso no Bahrein, na semana passada, que repassará US$ 209 milhões (R$ 655 milhões) aos clubes que cederem jogadores para as seleções que disputarem a Copa-2018, na Rússia. Havia dúvida se a quantia seria essa depois das crises financeira e política que assolou a entidade nos dois últimos anos.

O valor é quase o triplo do que foi pago na Copa-2014, no Brasil – US$ 70 milhões (R$ 219 milhões) divididos entre 396 agremiações. O aumento foi uma forma que a Fifa encontrou de agradar aos clubes, principalmente aos europeus, e evitar protestos ao inchaço do número de participantes do Mundial a partir de 2026, dos atuais 32 para 48.

Apesar de a Fifa garantir que não haverá aumento no número de datas para se jogar a Copa, mantendo-se 31 dias, o acréscimo de 16 seleções fará com que os clubes tenham que ceder mais atletas para participem do torneio (serão 368 inscritos a mais), perdendo período de férias e, claro, sempre correndo risco de se lesionarem.

O dinheiro é dividido por alguns critérios, os principais: o número de jogadores cedidos por cada clube (quem envia mais, ganha mais) e o tempo que eles ficam à disposição da seleção durante a Copa (clubes que têm jogadores avançando à final, por exemplo, também recebem mais).

A Fifa adotou a compensação financeira na Copa da África do Sul, em 2010, quando distribuiu US$ 40 milhões (R$ 125 milhões). Na época ocorreu o auge da reclamação de times europeus em ceder jogadores para seleções nas datas-Fifa (quando ocorrem amistosos ou partidas de eliminatórias da Copa), e também na fase final do Mundial.

Houve movimentação, inclusive, para boicote em ceder jogadores, o que contraria as regras da entidade, que exige a liberação nas datas especificadas no calendário. Além da questão física dos atletas, que se desgastam em partidas e viagens por suas seleções, havia também a questão financeira, já que os altos salários pagos continuavam a ser obrigação apenas dos clubes.

Na mesma época, a Fifa introduziu outro benefício, que é o de compensação financeira em caso de lesão do jogador em ação pela seleção nas datas-Fifa ou torneios oficiais, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. A entidade reserva para isso cerca de US$ 100 milhões (R$ 313 milhões) por ciclo, que para a Fifa são quatro anos, entre as Copas do Mundo.

Em 2014, os clubes ingleses foram os que mais receberam por cederem atletas, mais de US$ 10 milhões (R$ 31 milhões). O clube que mais ganhou, porém, foi alemão, o Bayern de Munique, com US$ 1,73 milhão, seguido por Real Madrid-ESP (US$ 1,29 milhão) e Chelsea-ING (US$ 1,25 milhão).

Foram 11 os clubes brasileiros ressarcidos, totalizando US$ 1,21 milhão (R$ 3,8 milhões):

Atlético-MG – US$ 300,5 mil (R$ 941,7 mil)

Botafogo – US$ 218,4 mil (R$ 684,4 mil)

Palmeiras – US$ 154 mil (R$ 482,5 mil)

Fluminense – US$ 128,8 mil (R$ 403,6 mil)

Santos – US$ 117,6 mil (R$ 368,5 mil)

Inter – US$ 89,6 mil (R$ 280,7 mil)

São Paulo – US$ 44,8 mil (R$ 140,3 mil)

Vasco – US$ 44,8 mil (R$ 140,3 mil)

Corinthians – US$ 42,9 mil (R$ 134,4 mil)

Flamengo – US$ 40,6 mil (R$ 127,2 mil)

Grêmio – US$ 29,8 mil (R$ 93,3 mil)


Lobby na Conmebol tenta pena ideal ao Palmeiras para evitar portão fechado
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Marcel Rizzo

Confusão entre jogadores de Peñarol e Palmeiras (Crédito: Matilde Campodonico/AP)

Há pressão na Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) para que, caso o Palmeiras seja punido pelas confusões da partida contra o Peñarol, se limite a proibir que o clube tenha seus torcedores em jogos como visitante na Libertadores 2017, mais uma multa a ser aplicada (que pode chegar a R$ 1,2 milhão).

Seria um cenário que agradaria ao clube, já que existe a possibilidade de que a sentença seja pior: atuar com portões fechados como mandante, ou seja, sem torcida em partida, ou partidas, no Allianz Parque.

O Palmeiras até adiou para domingo (21) o início da venda de ingressos para o confronto do dia 24 de maio no Allianz, contra o Tucumán, para que, caso seja punido em uma partida cumpra nessa, a última da fase de grupos. O time tem a classificação encaminhada, e avalia que seria bem mais prejudicial atuar sem seu torcedor nas oitavas de final, por exemplo.

Matías Miler, do Peñarol, e Felipe Melo, do Palmeiras, brigam após jogo, em Montevidéu no último dia 26 de abril (Crédito:
Xinhua/Nicolás Celaya)

O problema é que o Tribunal de Disciplina de Conmebol não dá prazos para divulgar decisões. O blog apurou que a previsão é de que o anúncio seja até sexta-feira (19), mas não é uma certeza. Nesta quarta (17), o Peñarol, que teme ter o estádio Campeón del Siglo interditado, entregará documentos para sua defesa (algo que o Palmeiras já fez).

A tentativa do auxílio de cartolas brasileiros ligados à Conmebol aparece depois de críticas à falta de interlocução na entidade para a considerada pesada punição de Felipe Melo. Por ter participado da confusão no jogo realizado dia 26 de abril, em Montevidéu, o volante foi suspenso por seis partidas – se a pena não for reduzida pelo Comitê de Apelações, ele só poderá voltar a campo na Libertadores 2017 se o Palmeiras avançar até a semifinal.

Na partida houve confusão dentro do campo, com jogadores e funcionários do Peñarol encurralando os brasileiros em campo e no vestiário, e na arquibancada, com confronto entre torcedores. A denúncia engloba as duas situações.

Em 2013, o Corinthians foi punido por problemas de seus torcedores fora de casa na Libertadores, em um caso, claro, muito mais grave, já que um sinalizador disparado matou um garoto de 14 anos, Kevin Espada.

A pena inicial foi de 60 dias de portões fechados, depois reduzida a um jogo. O clube, porém, não pôde mais ter torcedores em seus jogos como visitante. Como o caso corintiano foi extremo, com morte, a avaliação dentro do Palmeiras e até na Conmebol é que a pena possa não afetar os jogos no Allianz Parque, mas apenas as partidas como visitante.


Por que jogadores ainda têm medo de protestar contra mudanças na Lei Pelé
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Marcel Rizzo

Henrique Dourado (esq.), com a faixa preta na vitória do Fluminense sobre o Santos (Crédito: Lucas Merçon/Fluminense)

 

Para evitar retaliações, a orientação para o protesto que alguns jogadores fizeram nos jogos das Séries A e B no final de semana, contra mudanças trabalhistas na Lei Pelé  (que não estão ligadas às atuais propostas de mudanças na CLT), era de que apenas os capitães dos times entrassem em campo com faixas pretas nos braços.

Ao final, alguns clubes não aderiram, já outros ignoraram a orientação para apenas o capitão protestar e a maioria dos atletas jogou com a faixa. Organizado pela Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), a manifestação é a primeira orientada pelo sindicato na reaproximação com os atletas, “órfãos” com o fim do Bom Senso FC — o blog apurou com organizadores que ainda foi considerada uma adesão tímida, e que pode ser maior em uma próxima oportunidade.

“Organizamos para que os capitães participassem. É para evitar exposição de todos os atletas, é complicado porque queremos evitar problemas, como retaliações, mas temos que mostrar a indignação e procurar fazer algo. A adesão não foi total, mas tivemos um bom retorno”, disse o ex-goleiro Rinaldo Martorelli, do sindicato paulista e membro da Fenapaf.

Os capitães de cada clube, e também alguns alguns mais experientes, foram procurados por integrantes dos sindicatos nacional e estaduais — Fernando Prass, do Palmeiras, Juan, do Flamengo, o zagueiro Henrique, do Fluminense, e Renato, do Santos, entre outros. A ideia era de que os mais rodados poderiam abraçar o protesto sem perigo de problemas no clube — a maior preocupação são com os mais jovens, de times menores, que estão, por exemplo, em fase de negociação de contrato.

Fernando Prass, Juan e Renato (da esquerda para a direita) (Crédito: Divulgação)

Muitos do que aderiram foram líderes do Bom Senso FC. Criado em 2013 inicialmente com 75 jogadores membros, que chegou a 300 e uma estrutura profissional, o Bom Senso FC foi um movimento que tinha como principal alvo de reclamações a CBF – queria, por exemplo, adaptações no calendário, férias e pré-temporadas adequadas, além de um fair play financeiro (fim do atraso nos pagamentos) e participação na escolha dos dirigentes que comandam o futebol.

Em 2016 foi encerrada com parte das solicitações conquistadas, principalmente relacionadas ao calendário. No auge, fez protestos como ficar por um minuto trocando bolas entre os times, com o jogo em andamento – em outras ocasiões também cruzaram os braços e sentaram ao redor do círculo central.

A Fenapaf e o Bom Senso nunca se entenderam, e agora, com o vácuo deixado pelo grupo que tinha como líderes o zagueiro Paulo André e o ex-meia Alex, entre outros, o sindicato dos atletas organizou o protesto, mas com alvo diferente: saiu a CBF, entrou o governo federal.

Renda

A mudança na Lei Pelé não está atrelada à reforma trabalhista proposta este ano pelo governo Michel Temer, é um texto anterior, ainda no governo Dilma Rousseff.

Além de críticas à mudanças como férias divididas e menos de 24h de descanso entre jornadas, há um ponto que se alterado na Lei Pelé, que rege a relação entre atletas e clubes, que influenciará diretamente na renda dos atletas: o fim do direito de arena, que é o valor pago aos atletas pelos jogos transmitidos em que cada um deles participou.

“Pode chegar ao ponto de o jogador não permitir o uso de sua imagem em um jogo de futebol”, disse Martorelli. Hoje, 5% dos contratos de televisão dos torneios têm que ser repassados aos atletas – pagos pelos detentores dos direitos, via sindicatos.

No fim de semana, jogadores de clubes como Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Vasco protestaram. Por enquanto não estão previstas novas manifestações, mas é certo que ocorram.

 

Veja também:

Protesto de jogadores no Brasileiro tem disputa com clubes

 


Pior lugar para treino antes de jogo da Libertadores terá campo da Conmebol
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) vai liberar um campo que está construindo em sua sede para que clubes que estejam na região de Assunção, no Paraguai, para disputar torneios da entidade possam treinar antes das partidas.

Houve pelo menos duas reclamações recentes de dificuldade para arrumar um local de treinamento decente na capital paraguaia: do Botafogo, que viajou em fevereiro para encarar o Olimpia pela segunda fase da Libertadores, e do Deportivo Cali-COL, que encarou dia 9 de maio o Sportivo Luqueño pela Copa Sul-Americana.

A região de Assunção, assim como cidades da Bolívia e do Equador, são consideradas por clubes que disputam os torneios da Conmebol as piores em termos de infraestrutura de campos para treinamentos. Muitos optam até, se a distância permite, nem treinar na cidade da partida antes de jogos nesses lugares.

A Conmebol exige que o clube esteja na cidade 24 horas antes do confronto, e é obrigatório a liberação do estádio, na véspera, para um treino de vistoria, mas algumas vezes isso é impossibilitado para evitar desgaste do gramado.

O campo será inaugurado nesta quarta (17), mesmo dia que ocorre um simpósio sobre futebol na sede da Conmebol – que fica na cidade de Luque, na Grande Assunção. A confederação tomou como sugestão da Fifa a construção do campo, que a entidade que comanda o futebol no mundo mantém também em sua sede, em Zurique, na Suíça.

A ideia é que o equipamento seja usado principalmente para cursos e desenvolvimento de jogadores, árbitros e outros profissionais do futebol.