Blog do Marcel Rizzo

Fim da produtividade? O que os contratos de Borja e Pratto têm em comum

Marcel Rizzo

Contratos de produtividade se tornaram moda no Brasil nos últimos anos, mas em 2017 duas das principais aquisições de clubes brasileiros firmaram acordos fixos, com salário e luvas (pago pela assinatura do contrato) sem variações por metas alcançadas.

Isso deve se tornar regra depois que clubes avaliaram como pouco vantajoso acordos em que o jogador turbina os vencimentos se atingir x número de jogos, títulos ou até convocações para as seleções de seus países.

Miguel Borja, no Palmeiras, receberá fixo US$ 85 mil no primeiro ano de contrato, algo em torno de R$ 262 mil mensais – valor que será reajustado anualmente. A quantia foi turbinada com o pagamento de luvas de cerca de R$ 1,2 milhão, mas não há metas individuais a serem alcançadas.

Mesma situação do acordo assinado por Lucas Pratto com o São Paulo. Ele terá um salário que, somado o vencimento e as luvas por ter aceitado o tricolor, bate os R$ 500 mil mensais. É o valor final acertado, e ponto final.

Encontro de executivos de futebol no fim de 2016 chegou à constatação de que contratos com metas individuais a alguns atletas faziam com que eles colocassem seus interesses pessoais à frente dos coletivos.

Por exemplo: jogador que ganhava bônus por gols marcados ou por artilharia. Se cada gol valeria a ele algo como R$ 20 mil a mais na conta, por que passaria a bola para um companheiro mais bem colocado?

Há também, na avaliação de executivos, problemas nas metas coletivas. Se há dinheiro extra a receber por títulos ou vagas a serem conquistadas em competições como a Libertadores, se o time chega em determinado ponto do campeonato que é muito difícil alcançar esse objetivo, o atleta desanima, e pode afetar o elenco.

Com Pratto, o São Paulo testa usar metas individuais e coletivas em uma situação nova. Se o jogador alcançar certos objetivos, o São Paulo vai comprando o restante de seus direitos econômicos. Hoje o clube paulista tem 50%, o Atlético-MG 45% e investidores, 5%.

Nessa situação, a produtividade servirá para o clube aumentar sua porcentagem sobre o atleta, que se está rendendo pode ter mercado de venda interessante.