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Marcel Rizzo

Opinião: Mano Menezes é o melhor técnico do Brasil neste momento

Marcel Rizzo

15/04/2019 04h00

Mano Menezes mantém o Cruzeiro invicto na temporada 2019 (Crédito: Paulo Fonseca/EFE)

Aos 56 anos, Mano Menezes faz parte de uma geração intermediária de treinadores do Brasil — a mesma de Tite (57) e Renato Gaúcho (56). Entre aqueles mais veteranos como Felipão (70), Levir Culpi (66) e Abel Braga (66) e novatos como Alberto Valentim (44), Rogério Ceni (46) e o já vitorioso Fábio Carille (45), Mano e outros de sua idade flutuam entre mudanças de filosofia de trabalho atreladas à tecnologia e modo de entender o futebol — neste domingo (14) seu Cruzeiro, invicto no ano, venceu o Atlético-MG e saiu na frente na final do Campeonato Mineiro.

Talvez essas mudanças sejam responsáveis por essa leva de treinadores não ter tido "céu de brigadeiro" na profissão. Veja Renato Gaúcho, que de 2014 a 2016 ficou desempregado considerado por alguns antiquado, apesar de estar na casa dos 50 anos. Ao assumir o Grêmio em crise, não foram poucos os que desdenharam dá aposta e quebraram a cara. Entre setembro de 2016 e hoje se passaram quase 31 meses com títulos da Libertadores, Copa do Brasil, Recopa e Gaúcho.

Tite, hoje na seleção brasileira, ápice da carreira de qualquer técnico, passou por 14 clubes até chegar ao Corinthians em 2010 para uma segunda passagem pelo clube do Parque São Jorge também sob desconfiança, que não era à toa: em 20 anos de carreira, Tite havia conquistado como títulos principais uma Copa do Brasil pelo Grêmio, em 2001, e uma Sul-Americana pelo Inter, em 2008. Entre outubro de 2010 e dezembro de 2013 levantou um Mundial de Clubes, uma Libertadores, uma Recopa, um Brasileiro e um Paulista. Voltou ao Corinthians em 2015, após um ano de estudos, e levou mais um Brasileiro (2015) até ir embora em 2016 a convite da CBF.

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Mano Menezes tem uma trajetória parecida com a dos colegas. Altos, como a campanha do acesso com o Corinthians na Série B em 2008 e título da Copa do Brasil de 2009 e os títulos gaúchos pelo Grêmio, e baixas, como a passagem pelo Flamengo (apenas 22 jogos) e com a seleção brasileira, quando perdeu a Copa América de 2011 e a Olimpíada de 2012 e caiu, dando lugar justamente para Felipão.

Em 2016, Mano voltou da China, onde ganhou muito dinheiro como todos os profissionais que para lá foram nos últimos anos, para assumir um Cruzeiro em 19º no Campeonato Brasileiro. Dois anos antes o time de Belo Horizonte conquistava o bicampeonato brasileiro, tinha um investimento no futebol significativo e não fazia sentido estar na posição que estava. Se recuperou, terminou aquela Série A em 12º, e deu início a um trabalho que já está com dois anos e nove meses.

Hoje, o Cruzeiro é o melhor time do Brasil, como o Grêmio foi nos últimos anos e o Corinthians antes do Grêmio (soma-se a eles em momentos específicos o Palmeiras, que mesmo não mantendo um técnico muito tempo no período conseguiu eficiência para ser campeão brasileiro em 2016 e 2018). Em 19 jogos em 2019, o Cruzeiro ganhou 15 e empatou quatro. Pode se argumentar o que o campeonato mineiro é mais fraco do que o Paulista e o Carioca, mas tem que se levar em conta a produção em campo.

O time tem uma defesa eficiente, marca registrada dos times de Mano, mas também um ataque consistente. Ganhou um reforço interessante em Rodriguinho, mas mantém Robinho, no clube desde 2017, como um dos pilares. O artilheiro é um velho conhecido, Fred, que desde a Copa de 2014, quando foi muito criticado, parecia se encaminhar para o fim da carreira e que agora desandou a fazer gols novamente aos 35 anos. O time marcou 43 vezes no ano, mais do que os badalados Palmeiras (27) e Flamengo (41), e não abre mão de dois volantes no meio de campo, outra preferência do técnico.

Mano hoje é o melhor técnico brasileiro e sua geração conseguiu se adaptar entre os veteranos, que não abrem mão de um time compacto e tem fama de paizões, e os estudiosos, que usam termos novos e métodos diferentes de treino e esquemas táticos importados do futebol europeu principalmente. Junte-se a isso tempo de trabalho (todos com mais de dois anos nos clubes que fizeram jogar bem) em um país que se demite técnico como se compra tomate nas mercearias e pode-se ter achado o ingrediente perfeito atualmente para se montar grandes times no país.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

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