Blog do Marcel Rizzo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar Sat, 17 Feb 2018 04:00:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Após escândalo, Copa-2018 não terá teste antidoping realizado em solo russo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/17/apos-escandalo-copa-2018-nao-tera-teste-antidoping-realizado-em-solo-russo/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/17/apos-escandalo-copa-2018-nao-tera-teste-antidoping-realizado-em-solo-russo/#respond Sat, 17 Feb 2018 04:00:09 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4903 O escândalo de doping que cerca o esporte da Rússia, país-sede da Copa do Mundo entre junho e julho de 2018, fez com que a Fifa criasse regras especiais para exames de controle de dopagem na competição. As principais são: não haverá profissionais russos trabalhando na implantação dos procedimentos dos exames, desde coleta até manipulação das amostras, e nenhum teste será realizado em solo russo – será enviado a laboratório fora do país.

Nos eventos Fifa sempre há representantes da sede no trabalho antidoping e, muitas vezes, parte dos exames é feito em estruturas dentro do país, mesmo se não há um laboratório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês), para otimizar o tempo  – o de Moscou foi excluído pela Wada, mas poderiam ser criados locais provisórios. Será usado principalmente o de Lausanne, na Suíça.

A Fifa manterá procedimento das últimas Copas: todos os jogadores convocados, das 32 seleções, serão testados antes do torneio, em datas não divulgadas – teste surpresa. Haverá também o recolhimento de amostras após todas as partidas, de atletas sorteados no dia do confronto.

Cada um dos inscritos terá um “passaporte biológico”, com resultados de testes que realizaram anteriormente, para comparação caso haja alguma alteração nos colhidos antes e durante a Copa. Esse passaporte inclui procedimentos feitos em outros torneios Fifa, como a Copa das Confederações de 2017, ou competições de clubes, principalmente a Liga dos Campeões da Europa e torneios nacionais, como o Campeonato Brasileiro.

Mais de mil atletas russos, de 30 modalidades (incluindo o futebol), foram envolvidos no escândalo de doping russo -funcionários da agência local, com conhecimento do governo, teriam manipulado exames para que atletas dopados não fossem pegos. Após denúncia ao jornal “NY Times”, em maio de 2016, feita por Grigori Rodchenkov, que comandava o laboratório de testes russo, a Wada solicitou uma investigação, comandada pelo jurista canadense Richard McLaren.

Foram dois relatórios apresentados, o primeiro com foco em problemas encontrados antes e durante os Jogos de Inverno de 2014, realizado em Sochi, na Rússia (cidade que será também sede da Copa do Mundo), e outro que avaliou todo o esporte do país. Com base nesses documentos, por exemplo, russos do atletismo não puderam disputar a Olimpíada de 2016, no Rio, e a Rússia não disputa os Jogos de Inverno que estão sendo realizados neste momento na Coreia do Sul — os atletas do país que não foram flagrados dopados atuam sob a bandeira olímpica.

A Fifa tem sido criticada por não ter punido atletas do futebol que podem ter se beneficiado do esquema. A entidade informou que os jogadores russos que participaram da Copa-2014, no Brasil, foram testados e todos deram negativos – a Fifa diz que não tem indícios, portanto, para colocar qualquer jogador daquele time sob investigação.

Também afirmou que foram realizados testes no time russo na Copa das Confederações de 2017, realizada no mesmo palco da Copa-2018, com todos dando negativo. E que a Uefa (União Europeia de Futebol) realizou exames, também negativos, durante a Euro-2016 e refez os testes da Euro-2012, com técnicas mais avançadas, e não foram encontrados indícios de doping dos atletas da Rússia que disputaram aquela competição.

]]>
0
Conmebol avalia acabar com gol de visitante como desempate na Libertadores http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/conmebol-avalia-acabar-com-gol-de-visitante-como-desempate-na-libertadores/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/conmebol-avalia-acabar-com-gol-de-visitante-como-desempate-na-libertadores/#comments Fri, 16 Feb 2018 04:00:23 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4887 A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) confirmou que o gol fora de casa como desempate está sob análise em suas competições. A CBF já eliminou essa regra de seu torneio eliminatório, a Copa do Brasil, e os brasileiros são os principais incentivadores para que Libertadores e Sul-Americana também mudem a partir de 2019.

Esse é um dos pontos, dentre outros, que está sob análise para as competições de clubes da Conmebol para os próximos anos”, admitiu Frederico Nantes, diretor de competições de clubes da confederação sul-americana – como revelado pelo blog, a Conmebol dividiu sua diretoria de competições em duas: Nantes cuida da Libertadores e Sul-Americana, e o paraguaio Hugo Figueredo dos torneios de seleções, como a Copa América.

Os clubes brasileiros querem o fim do gol qualificado como desempate – quando, nos confrontos mata-mata, o time que mais marcou como visitante avança de fase. Já argentinos e uruguaios, que também têm força nos bastidores da Conmebol, gostam deste item do regulamento. São eles que precisam ser convencidos para que a mudança ocorra – no regulamento atual, somente a final não tem a regra.

A Libertadores tem a regra desde 2005, mas na Europa se usa desde os anos 80 e foi criado com dois objetivos principais: evitar decisão de vagas nos pênaltis, e fazer com que a equipe que joga fora de casa tente o gol, não ficando apenas na “retranca”.

O  problema é que, atualmente, os objetivos de ter o gol qualificado como desempate não funcionam mais como anos atrás. Disputas por pênaltis, por exemplo, deixaram de ser “loteria” há algum tempo. Hoje os times mais bem treinados e que estudam os cobradores e goleiros adversários, por exemplo, têm mais chance de avançar do que um time que aleatoriamente coloca seus atletas para baterem os penais. Não é mais simplesmente sorte.

Atualmente também o gol fora como desempate criou efeito contrário com relação a atuar defensivamente: os mandantes, principalmente aqueles que atuam na primeira partida do mata-mata para sua torcida, jogam com medo de levar gol, e muitos se protegem mais do que normalmente fariam. O 0 a 0 virou bom negócio ao time da casa em um jogo eliminatório, já que o empate com gols quando visitar o rival o classifica para a próxima fase.

A ideia é que o tema esteja presente nas próximas reuniões do departamento de competições da Conmebol. Nantes também falou ao blog sobre o uso do árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês), principalmente na Libertadores. A tecnologia foi utilizada nas semifinais e final da edição de 2017, mas foi descartada para as fases iniciais e de grupo do torneio em 2018.

“O uso da tecnologia como apoio ao trabalho dos árbitros, utilizada de modo experimental em fases da Libertadores e Sul-Americana, deixou um saldo bastante positivo. A Fifa vai utilizar o VAR na Copa do Mundo e a Conmebol fará o mesmo em 2018. Ainda está sob análise a partir de que fase vamos utilizar”, disse.

O blog apurou que a confederação gostaria de usar o VAR na Libertadores a partir das oitavas de final, mas que custo e estrutura dos estádios pode fazer com que fique inviável, e a tecnologia apareça nas quartas de final ou, como em 2017, somente nas semifinais e final.

]]>
18
Jailson e Vanderlei não têm o perfil para terceiro goleiro em Copa do Mundo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/14/jailson-e-vanderlei-nao-tem-o-perfil-para-terceiro-goleiro-em-copa-do-mundo/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/14/jailson-e-vanderlei-nao-tem-o-perfil-para-terceiro-goleiro-em-copa-do-mundo/#comments Wed, 14 Feb 2018 04:00:07 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4850

Jailson não perde um jogo pelo Palmeiras tem mais de 500 dias (Crédito: Ag. Palmeiras)

A história da seleção brasileira em Copas do Mundo, com rara exceção, conta que o terceiro goleiro, o 23º convocado para a competição, pode ter dois perfis: primeiro o de um jogador jovem, com potencial para estar nos próximos Mundiais. Segundo, o de um atleta mais experiente e que tenha identificação com o treinador e, consequentemente, a sua confiança.

Nem Vanderlei, do Santos (34 anos), nem Jailson, do Palmeiras (36), têm esses perfis. Não são garotos a ponto de sonhar com o Qatar, em 2022, nem goleiros com histórico de trabalhos com Tite ou com o preparador de goleiros da seleção, o campeão mundial de 1994 Taffarel.

A fase de ambos é excelente, e por isso é normal uma comoção para que tenham chance na Copa da Rússia, que terá início em junho — pressão normal às vésperas de convocações para Mundial (a lista final sai no começo de maio). Mas Tite, ao que parece, vai seguir a linha de perfis de terceiros goleiros que a história conta.

Alisson, 25, da Roma, e Ederson, 24, do Manchester City, estão garantidos na Copa, salvo algo ocorra até maio (lesão ou algum grave problema comportamental). Alisson, que tem sido a grande aposta de Taffarel para o gol da seleção na Rússia desde o início desse ciclo de Copa, quando assumiu o cargo com Dunga, será o titular. Ederson, o primeiro reserva.

Ambos são jovens, e podem ter tranquilamente mais duas (ou até três) Copas no currículo. O perfil goleiro jovem para o futuro está preenchido. É por isso que Tite pende hoje para preencher a vaga de 23º jogador com alguém de sua confiança: Cássio, 30, foi seu jogador no Corinthians, e como Vanderlei e Jailson está em boa fase — veja, pende, pois ainda não está fechado (leia mais abaixo).

Cássio foi um dos responsáveis pela ótima campanha do Corinthians em 2017, que nos títulos dos campeonatos Paulista e Brasileiro teve como pilar principal um eficiente setor defensivo. Para alguns treinadores, o terceiro goleiro em Copa precisa ser alguém de confiança para não tumultuar o ambiente de trabalho e passar ao restante do elenco os pontos de vista que o comandante acredita ser essencial. O número três não vai jogar, e com essa informação chegamos ao ponto: ele não precisar ser aquele que, neste momento, esteja melhor tecnicamente.

Nunca entrou em campo

A Fifa criou a vaga para um terceiro goleiro em Copa do Mundo em 1970, no México. E nunca um atleta chamado para essa função entrou em campo pelo Brasil. Mesmo o primeiro reserva pouco jogou: nas Copas de 1930 e 1938, na era amadora, houve revezamento dos dois arqueiros do elenco. Em 1966, pior participação brasileira em Mundiais, Manga substituiu Gilmar na última partida da primeira fase e, em 2006, Rogério Ceni entrou no segundo tempo da vitória de 4 a 1 sobre o Japão no lugar de Dida, uma espécie de homenagem de Parreira ao goleiro que quatro anos antes havia participado da campanha do Penta.

O terceiro goleiro foi uma solicitação dos europeus para 1970, já que temiam problemas de condicionamento físico com jogos sendo realizados, na maioria, às 12h (horário local). O argumento foi de que poderia ser inviável para um arqueiro atravessar o Atlântico a tempo hábil de substituir um dos dois goleiros que se machucassem. A Fifa topou, e depois nunca mais mudou a regra.

Emerson Leão foi o primeiro terceiro goleiro convocado pela seleção brasileira para uma Copa. Aos 20 anos, era uma aposta de Zagallo para o futuro, iniciando uma era de perfis jovens para a posição — com Leão a tese se comprovou, já que ele foi o titular nos Mundiais de 1974 e de 1978.

Até 1982, o terceiro goleiro convocado tinha esse perfil “jovem se preparando para as próximas Copas”. Foi assim com Waldir Peres, 23 em anos em 1974, e com Carlos,  22, em 1978. Para o Mundial da Espanha, Telê Santana quebrou essa escrita ao chamar Paulo Sérgio, de 28 anos e em ótima fase no Botafogo.

À época questionava-se Telê por deixar de fora o experiente Leão, então no Grêmio, ainda com bom rendimento, mas o curioso é que não se lamentava as convocações de Carlos (como reserva imediato) e Paulo Sérgio de número três: o problema era Waldir Peres, o titular, que não era unanimidade, mas tinha a confiança do técnico. Paulo Sérgio talvez seja a exceção em uma regra e foi um terceiro goleiro que, naquele momento, merecia isso tecnicamente.

Quatro anos depois, no México em 1986, Telê Santana se redimiu com Emerson Leão e o levou como terceira opção para o gol, aos 36 anos. A explicação foi a de que precisava de alguém experiente para transmitir o que é jogar um Mundial para o elenco, formado boa parte por estreantes. Telê não sabia mas iniciava ali a era dos terceiros goleiros de confiança.

Na sequência, com duas interrupções no meio: Zé Carlos (1990), Gilmar (1994), Rogério Ceni (2002), Gomes (2010) e Victor (2014). Em 1998, com Dida (24 anos), e em 2006, com Júlio César (26), foi usado o outro perfil para terceiro goleiro, jovens se pensando no futuro (que se concretizaram, pois tanto Dida, em 2006, e Júlio, em 2010 e 2014, foram titulares em Copas).

Voz aos críticos?

Antes da lista definitiva da Copa da Rússia, Tite fará uma convocação dia 2 de março para amistosos contra a Alemanha (em Berlim) e Rússia (em Moscou), no fim do mesmo mês. Alisson e Ederson estão dentro, Cássio é o favorito ainda, mas informação publicada pelo Globoesporte.com mostra que o treinador está olhando com carinho Neto, revelado pelo Atlético-PR e que hoje vai muito bem no Valencia.

Aos 28 anos, Neto foge dos perfis tradicionais de terceiro goleiro: não é tão jovem pensando em outro Mundial (é mais velho que Alisson e Ederson), e não tem histórico com Tite. Talvez o arqueiro, se conseguir passar Cássio e ficar com a vaga, se torne o Paulo Sérgio de Tite, aquele que Telê levou em 1982 por realmente estar em boa fase.

Se isso acontecer, aqueles que defendem Jailson, Vanderlei, Marcelo Grohe (Grêmio), entre outros, terão bons argumentos para questionar Tite: se a opção não foi por idade, ou confiança, por que não olhou para esses nomes? A tendência, porém, ainda é que Cássio esteja na lista final de maio.

Leia também:

]]>
53
Lobby tenta aumentar para oito as sedes da Copa América de 2019, no Brasil http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/12/lobby-tenta-aumentar-para-oito-as-sedes-da-copa-america-de-2019-no-brasil/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/12/lobby-tenta-aumentar-para-oito-as-sedes-da-copa-america-de-2019-no-brasil/#comments Mon, 12 Feb 2018 04:00:34 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4840

Arena Pernambuco (Getty Images)

Foi dado o sinal verde pelo recém criado Comitê Organizador da Copa América de 2019, que será realizada no Brasil, para que se vistorie e avalie as condições dos estádios Arena Castelão, em Fortaleza, e Arena Pernambuco, nos arredores do Recife, que disputam para ser a sétima sede da competição.

Há, porém, um movimento para que Ceará e Pernambuco recebam jogos da competição, que seria realizada então em oito cidades. O principal motivo para isso foi que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) confirmou que serão 16 seleções participantes — as dez filiadas da América do Sul e mais seis convidadas, que podem ser das Américas do Norte e Central, mas também da Ásia e da Europa.

O principal argumento para que se feche em oito sedes, desde que todas demonstrem capacidade, é que na Copa América do Centenário, realizada em 2016, nos EUA, dez cidades foram usadas para a competição, com distâncias até superiores do que os times teriam que rodar no Brasil – o Brasil, por exemplo, atuou em Pasadena, ao lado de Los Angeles, na costa oeste, e depois voou a Orlando, na costa leste, mais de 4 mil km distante.

Seis cidades têm hoje presença praticamente garantida na Copa América de 2019: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Os estádios e infraestrutura das cidades ainda precisam ser vistoriados, mas as arenas usadas devem ser as da Copa-2014, estádios com uso de cinco a seis anos.

No Rio há uma certa preocupação com o Maracanã, que convive com os problemas em sua concessão e nunca se sabe como estará daqui um ano e quatro meses. Em São Paulo, existe também a possibilidade de dois estádios serem usados: Arena do Corinthians e Allianz Parque. Mineirão, Nacional/Mané Garrincha, Beira-Rio ou Arena do Grêmio (este também não esteve na Copa) e Arena Fonte Nova são as demais opções.

O COL da Copa América terá como principal executivo Rogério Caboclo, que hoje comanda a CBF com a suspensão provisória do presidente Marco Polo Del Nero, investigado por suspeitas de corrupção — ele nega as acusações. Como publicou o site “Globoesporte.com”, os ex-jogadores Cafu e Branco farão parte do comitê, que terá ainda o vice da CBF e representante do Brasil na Fifa, Fernando Sarney, e num primeiro momento Antônio Carlos Nunes, presidente interino da CBF.

]]>
4
Até Carille sofreu: regra torna Copa do Brasil principal vilã para técnicos http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/09/ate-carille-sofreu-regra-torna-copa-do-brasil-principal-vila-para-tecnicos/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/09/ate-carille-sofreu-regra-torna-copa-do-brasil-principal-vila-para-tecnicos/#comments Fri, 09 Feb 2018 10:30:46 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4830 Há um consenso entre cartolas, treinadores e procuradores de futebol de que a Copa do Brasil, com o regulamento atual, se tornará a nova vilã para emprego de técnicos no começo do ano, tomando o lugar dos Estaduais.

Ao fim da primeira fase dessa edição de 2018, más atuações, e até eliminações de grandes clubes, fizeram com que treinadores ficassem na berlinda. Felipe Conceição, do Botafogo, entrou na mira da diretoria com a derrota para o Aparecidense, de Goiás. Oswaldo de Oliveira, do Atlético-MG, se estressou a ponto de partir para cima de um repórter depois de seu time somente empatar contra o Atlético Acreano — o 1 a 1 classificou os mineiros por força do regulamento, mas a péssima atuação aliada ao destempero de Oliveira o fizeram ser demitido nesta sexta (9).

Desde 2017, a CBF transformou as duas primeiras fases da Copa do Brasil em jogo único. Na primeira etapa, os times mais tradicionais visitam os pequenos, e jogam pelo empate. Na segunda, a igualdade leva a decisão para os pênaltis, mas as equipes melhores ranqueadas pela confederação podem atuar em casa.

O Botafogo podia empatar para passar pelo Aparecidense, que disputou a Série D (Quarta Divisão) nacional em 2017, um benefício enorme levando em conta a diferença técnica entre as equipes. O 2 a 1 contra, porém, jogou uma enorme pressão sobre o novato Felipe Conceição, algo que até 2016 era uma especialidade de tropeços nos hoje bem pouco valorizados Estaduais — dez entre dez executivos de futebol concordam que técnicos com o perfil de Conceição, que são promovidos de cargo de auxiliar, precisam conseguir bons resultados a curto prazo para ter vida longa em clubes grandes.

Fábio Carille é o grande exemplo disso. No fim de 2016 ele foi promovido ao comando técnico do Corinthians para 2017, não sem antes o clube paulista procurar outros treinadores, como o colombiano Reinaldo Rueda. O ano começou com desconfiança: no Estadual, que para muitos serve apenas para desestabilizar trabalhos, o Corinthians perdeu um jogo em casa para o Santo André, e acumulou vitórias magras por 1 a 0 — uma sobre o rival Palmeiras, é verdade, mas que não deu a paz ideal para Carille no início de trabalho.

Outro 1 a 0 adiantou para classificar o time para a segunda fase da Copa do Brasil, vitória sobre a Caldense-MG, mas começou a se questionar a efetividade do ataque corintiano com Carille no comando. Veio o dia 1º de março, e o Corinthians visitou o Brusque, em Santa Catarina, pela segunda fase do torneio mata-mata. O jogo não teve gol, e os paulistas venceram nos pênaltis, 5 a 4, depois de uma reviravolta — estiveram a ponto de ser eliminados.

O blog ouviu de pelos menos duas pessoas com trânsito entre os dirigentes do Corinthians de que havia pressão sobre Carille naquele momento, e que uma derrota em Brusque, se não o fizesse sair imediatamente, faria a direção voltar a procurar um treinador. Ou seja: o técnico que nos meses seguintes se tornou a sensação do ano, levando o Corinthians aos títulos Paulista e Brasileiro, ao melhor primeiro turno da Série A da história e à montagem de uma das equipes mais seguras defensivamente dos últimos anos, poderia ter perdido o emprego por causa de uma derrota na Copa do Brasil.

Desde que deixou de ser um classificatório para a Copa do Brasil (que leva à Libertadores), os Estaduais perderam importância. Também houve a valorização do Brasileiro, que em 2003 se tornou por pontos corridos e ocupou mais espaço no calendário, limitando os Paulistas, Cariocas e outros aos primeiros meses do ano. Justamente o período em que os times estão sendo montados, e quando os resultados demoram mais para chegar.

Tropeços nos Estaduais se tornaram o martírio dos técnicos, principalmente dos mais jovens. Muitos chegavam minados ao começo do Brasileiro, e quando os maus resultados persistiam, a queda era quase inevitável — vide Eduardo Baptista no Palmeiras, no ano passado.

Agora, o Estadual ganhou a companhia da Copa do Brasil como torneio “exterminador” de treinadores no começo do ano, com dois agravantes: o fracasso no Estadual demora algumas rodadas, e meses, para ser identificado. No campeonato da CBF, é um jogo, uma noite, para que a campanha termine. Há também a questão financeira já que hoje a Copa do Brasil premia muito bem (o campeão pode levar mais de R$ 68 milhões). Ou seja, há um prejuízo para o caixa enorme sair tão precocemente da competição.

Oswaldo de Oliveira sentiu isso na pele mesmo ganhando, Conceição está sentindo ao perder e nos próximos anos, com o regulamento mantido, isso deve continuar.

]]>
5
Eleição a governador pode fazer Brasil perder vaga em tribunal da Conmebol http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/08/eleicao-a-governador-pode-fazer-brasil-perder-vaga-em-tribunal-da-conmebol/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/08/eleicao-a-governador-pode-fazer-brasil-perder-vaga-em-tribunal-da-conmebol/#respond Thu, 08 Feb 2018 04:00:15 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4815 O Brasil pode perder em breve seu representante no Tribunal de Disciplina da Conmebol, responsável por julgar casos ocorridos em campo, e fora dele, em torneios como Libertadores e Sul-Americana. E o motivo é eleitoral: o advogado Caio César Rocha, ligado ao DEM, aparece como favorito a assumir o posto de candidato de oposição ao governo do Ceará.

Rocha, 37, é um dos cinco membros da primeira instância da Unidade Dsciplinar da Conmebol. É para lá que vão inicialmente os casos como do volante palmeirense Felipe Melo, suspenso da Libertadores em 2017 por briga com os uruguaios do Peñarol, ou dos torcedores do Nacional-URU que simularam um avião para provocar a Chapecoense em partida desta temporada — a segunda instância é o Comitê de Apelações, órgão que não conta com brasileiro.

Se até abril ele decidir concorrer ao governo do seu estado (informação divulgada inicialmente pelo jornal Diário do Nordeste) terá que abrir mão da função na confederação sul-americana bem em meio à fase de grupos da Libertadores. A CBF poderá indicar outro membro, mas pode levar alguns meses para que o posto seja ocupado. Há, porém, outra possibilidade: de o Brasil perder a vaga no tribunal (indicado de outro país assumir).

Funciona assim: os dez países filiados à Conmebol se dividem entre o Tribunal de Disciplina e o Comitê de Apelações — um representante de cada federação, cinco em cada corte. O Tribunal, onde o Brasil tem vaga hoje, é considerado mais importante por direcionar as punições ou absolvições. O de Apelação, dentro da Conmebol, é tido apenas como aquele que confirma a pena, menos importante portanto. Por isso que os representantes brasileiros na Conmebol querem que haja uma definição rápida do caso para o Brasil não perder posto no tribunal que importa.

Apesar de Rocha ter que se colocar como impedido de julgar casos envolvendo clubes ou jogadores brasileiros, especialistas dizem que também é importante ter membro no tribunal porque que os integrantes conversam muito entre si nas tomadas de decisões para entendimento, por exemplo, do contexto vivido por um time ou atleta de país que não faz parte do seu dia a dia.

Rocha presidiu o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por dois anos, entre 2014 e 2016. Nesse período acabou indicado, também, para o tribunal da Conmebol, durante a Copa América de 2015, torneio que foi realizado no Chile e que teve polêmicas como a suspensão do atacante brasileiro Neymar por confusão com a arbitragem em jogo contra a Colômbia.

No Ceará, Caio Rocha apareceu nos últimos dias como opção de oposicionistas em confronto contra o governador petista Camilo Santana, que tentará a reeleição em outubro. O nome foi colocado à mesa pelo senador Tasso Jereissati, do PSDB, principal nome de oposição no Estado.

A aposta no advogado seria justamente por ele não ter cargo público, e também por ser jovem — com apoios de caciques cearenses como os irmãos Ciro e Cid Gomes, e provavelmente o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), Camilo Santana é tido como favorito a se reeleger, e a oposição parece sem nome de consenso para enfrentá-lo. O blog tentou contato com Caio César Rocha, sem sucesso.

]]>
0
Regra da Fifa deve fazer Copa desfalcar clubes no Brasileiro e Libertadores http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/07/regra-da-fifa-deve-fazer-copa-desfalcar-clubes-no-brasileiro-e-libertadores/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/07/regra-da-fifa-deve-fazer-copa-desfalcar-clubes-no-brasileiro-e-libertadores/#comments Wed, 07 Feb 2018 04:00:11 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4786 Seis. É o número de jogos da Série A que perderão os atletas de times brasileiros convocados para a Copa do Mundo da Rússia, que será disputada entre 14 de junho e 15 de julho.

O calendário da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) paralisa a Primeira Divisão do Brasileiro, seu principal torneio, durante o Mundial, mas não conta com um detalhe: uma regra da Fifa que prevê o descanso por uma semana dos jogadores chamados antes de se apresentarem às respectivas seleções, e que fará com que os times sejam desfalcados em seis das 38 rodadas do torneio.

Haverá também perda de partidas da Libertadores e da Copa do Brasil: uma data do torneio sul-americano coincide com o período de folga exigido pela Fifa, justamente a última da fase de grupos, assim como confrontos das oitavas de final do torneio mata-mata da CBF, fase em que já estarão participando os times que disputam a Libertadores.

As convocações para a Copa são anunciadas apenas no começo de maio, mas é possível, com base em listas recentes, imaginar quais clubes podem sofrer com desfalques: o Corinthians, que tem o goleiro Cássio e o lateral Fagner no radar de Tite; o Palmeiras, com o colombiano Borja e Dudu e Lucas Lima com o técnico do Brasil de olho; Diego Souza e o peruano Cueva, do São Paulo; Diego e outro peruano, Guerrero (que já estará livre da suspensão por doping), do Flamengo, Luan e Arthur, no Grêmio;o goleiro uruguaio Martin Silva, do Vasco; e Arrascaeta, também do Uruguai, do Cruzeiro. Essas são apenas algumas possibilidades, já que sempre podem aparecer surpresas.

O descanso
A Fifa definiu que os jogadores convocados para a Copa do Mundo da Rússia devem fazer a última partida pelos clubes antes de se apresentarem às seleções em 20 de maio. Entre 21 e 27 de maio têm que estar de folga, sem nem mesmo treinar, seja no time ou na seleção. A partir de 28 de maio, as 32 equipes que participação do Mundial podem começar a trabalhar.

Há uma única exceção no período de descanso, já preestabelecida pela Fifa com pedido da Uefa (União Europeia de Futebol): os times finalistas da Liga dos Campeões da Europa, o principal torneio de clubes do mundo, se enfrentarão em 26 de maio, e os atletas convocados para a Copa dessas equipes poderão atuar sem cumprir o descanso exigido.

A Fifa abre a possibilidade de as confederações pedirem que outros casos sejam analisados. A CBF ou a Conmebol poderiam solicitar o adiamento no início do descanso de atletas convocados que jogassem o Brasileiro ou a Libertadores, mas é improvável que consigam: a final da Liga dos Campeões reunirá duas equipes em que a maioria dos jogadores estará no Mundial, diferentemente dos times da América do Sul, em que os convocados são a exceção.

No Brasileiro, os jogadores que irão para a Copa perderão das rodadas 7 até a 12. Como mostrou o UOL Esporte, a tabela básica divulgada pela CBF dá a possibilidade de serem realizadas partidas no dia 14 de junho, uma quinta-feira em que Rússia e Arábia Saudita abrem a Copa-2018. À reportagem, a direção da entidade informou que todas as partidas dessa rodada serão na quarta, dia 13, portanto um dia antes do primeiro confronto do Mundial.

Na Libertadores, com exceção da chave do Palmeiras, que termina em 16 de maio, os outros cinco times brasileiros já garantidos na etapa de grupos (Flamengo, Santos, Grêmio, Corinthians e Cruzeiro) atuarão entre os dias 22 e 24 de maio, ou seja, pela regra os atletas convocados não poderão entrar em campo justamente na última rodada, que pode ser decisiva para a classificação de alguns deles.

A Fifa criou o descanso para os jogadores há três Copas, mas totalmente voltada para o calendário europeu, que em maio está em fim de temporada — no Brasil, que tem jogos de janeiro a dezembro, é metade do ano no futebol.

]]>
1
Clubes dizem não a uso de vídeo mesmo com relatório dando 98,9% de eficácia http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/06/clubes-dizem-nao-a-uso-de-video-mesmo-com-relatorio-dando-989-de-eficacia/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/06/clubes-dizem-nao-a-uso-de-video-mesmo-com-relatorio-dando-989-de-eficacia/#comments Tue, 06 Feb 2018 11:25:09 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4771


Na tentativa de convencer os clubes da Série A a bancar os custos para a implantação do árbitro de vídeo a partir do segundo turno do Brasileiro-2018, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentou vídeos mostrando a eficácia da tecnologia em outros países. Além disso, mostrou um relatório da Ifab, o órgão que define as regras do futebol, recomendando a utilização do VAR (sigla em inglês para árbitro de vídeo) na Copa do Mundo de 2018, a partir de junho na Rússia, e em qualquer torneio de futebol que tenha capacidade para isso.

A cúpula da CBF, apurou o blog, não entendeu portanto o discurso de alguns cartolas após a reunião ocorrida na segunda (5), no Rio, dizendo que além do valor alto para a utilização do VAR, outro motivo para a rejeição da tecnologia no Brasileiro de 2018 foi de que não há comprovação ainda da eficácia do projeto para a melhora das partidas de futebol. Alexandre Campello, recém-eleito presidente do Vasco, foi um dos que afirmou isso.

Para a CBF, o árbitro de vídeo só não será usado no principal torneio do Brasil este ano devido aos valores apresentados, cerca de R$ 20 milhões para toda a temporada, o que acarretaria em R$ 1 milhão para cada clube (se usasse só no segundo turno, cairia para R$ 500 mil) — a entidade diz que não tem como arcar com isso, e em votação 12 equipes votaram contra a utilização do VAR em 2018 (sete foram favoráveis, e um não votou).

O documento usado na reunião será usado em reunião da Fifa em março, onde será aprovado o uso da tecnologia pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Manoel Serapião Filho, responsável na comissão de arbitragem da CBF pela implantação da tecnologia no país, fez uma apresentação com vídeos em que se demonstrava o benefício do uso. Segundo o relatório da Ifab, em 98,9% dos casos analisados (804 jogos de competição) houve correção acertada do que seria um erro em campo do árbitro.

Uma das principais críticas ao VAR é o de que pode não servir para casos subjetivos, como um lance de pênalti, por exemplo, em que atualmente mesmo com várias câmeras nos estádios não se chega a uma conclusão. No documento da Ifab é demonstrado que a parceria entre o árbitro de campo, que pode ter acesso às imagens, mais os dois ou até três auxiliares de vídeo, que estão em uma sala analisando a jogada, faz com que a chance do erro ser mantido seja mínima.

Outro ponto abordado foi a questão da parada de tempo excessiva nas partidas para a conferência das imagens — esta é outra clássica crítica à tecnologia, de que tiraria o ritmo de um esporte em que o cronômetro não para, diferente, por exemplo, do basquete, do futebol americano e do tênis (este nem cronômetro tem).

No relatório apresentado, se mostra que em mais de 68% dos jogos analisados não foi necessária a parada para analisar imagens sobre possível erro. Essa é uma decisão somente do árbitro de campo, que pode até ser avisado pelos auxiliares de uma possível falha, mas ele só para se quiser. E a orientação da comissão de arbitragem da Fifa é a de apenas interromper o jogo caso seja avaliado a grande possibilidade de erro em um lance específico.

“Seria um grande avanço, é um investimento necessário. Os clubes recebem milhões de direitos de transmissão, poderiam investir nessa melhora para o futebol”, disse Marco Antônio Martins, presidente da Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol). Ele esteve na reunião e defendeu para os clubes o uso do VAR.

]]>
22
Freio na China: valor dos negócios despenca com imposto e limite de atleta http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/06/freio-na-china-valor-dos-negocios-despenca-com-imposto-e-limite-de-atleta/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/06/freio-na-china-valor-dos-negocios-despenca-com-imposto-e-limite-de-atleta/#comments Tue, 06 Feb 2018 04:00:50 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4749 Estranhou que os chineses não atacaram com ímpeto o mercado brasileiro na janela de transferências de início do ano? Pois não foi apenas por aqui. Uma regulação maior nas transações por parte da federação chinesa, para valorizar o mercado local mas também por pressão da Fifa, fez com que os investimentos dos clubes da China em contratações despencassem na temporada 2017/2018 – negócios feitos a partir de agosto do ano passado.

Dados do sistema de transferências da Fifa mostram que até agora a liga chinesa foi apenas a 11ª que mais gastou comprando jogadores de meados de 2017 para cá, com US$ 112 milhões (R$ 363 milhões) – ainda deve aumentar porque o mercado na China só fecha em 28 de fevereiro. Para alcançar o décimo posto é preciso ultrapassar a liga belga, que desembolsou R$ 403 milhões, mas especialistas não acreditam em grandes negociações do país asiático nessas próximas semanas.

Mesmo que suba uma posição, será a mais discreta participação da China no mercado de transferências do futebol desde 2011/2012, quando foi a 13ª que mais gastou, com US$ 55 milhões (R$ 177 milhões). Na temporada passada, 2016/2017, a principal liga chinesa ficou em quarto em investimentos, com incríveis US$ 690 milhões (R$ 2,2 bilhões). Perdeu apenas da Premier League (Inglaterra), para a Primeira Divisão da Itália e para a Bundesliga, a elite alemã. Em 2015/2016 foi a quinta e em 2014/2015, a sexta.

O alto gasto de clubes chineses no mercado chamou a atenção da Fifa em 2016, quando federações principalmente da América do Sul e de países de médio porte no esporte da Europa passaram a reclamar do assédio descontrolado do país asiático. Se oferecia salários fora da realidade, e se pagava multas rescisórias consideradas altíssimas nesses países. Não havia concorrência, e chegou a Zurique o pedido para que se criasse alguma regulação.

Clubes de Inglaterra, Itália, Alemanha, Espanha e França gastam também milhões e milhões em transações, mas as principais, aqueles em que se paga acima de um testo preestabelecido, ocorre entre as principais agremiações. O PSG desembolsou o que pôde para tirar Neymar do Barcelona, mas aí é uma briga, digamos, de “gigantes”. Os chineses chegavam no Brasil, na Argentina e em países médios da Europa e muitas vezes nem negociavam. Pagavam multa, ofereciam salários exorbitantes, e levavam os atletas sem pedir licença.

A Fifa levou a reclamação aos chineses, que apesar de terem clubes milionários (ajudados de empresas estatais com objetivo de impulsionar o esporte) ainda têm uma fraca seleção, que só foi a uma Copa do Mundo (2002). O país sonha em ser sede de um Mundial (2030 está na mira), mas precisa ter jogadores com qualidade e uma seleção o mínimo competitiva para não passar vergonha se receber a competição.

Foi com esse mote, de valorizar o atleta local, que a federação chinesa criou três regras para diminuir o ímpeto das transações no país. A primeira foi criar uma espécie de imposto, no começo de 2017: clubes que gastassem mais de US$ 6,5 milhões (R$ 21 milhões) para comprar um jogador, pagariam o mesmo valor da transação para um fundo de desenvolvimento dos profissionais da China. Ou seja, o negócio custaria o dobro.

“A pressão europeia deu certo. Com as medidas adotadas, especialmente a taxa que fez com que as operações custassem o dobro, a China perdeu competitividade”, disse Américo Espallargas, advogado especializado do escritório CSMV. “O que vimos na janela foi uma China tímida, sem conseguir seduzir jogadores e clubes com valores estratosféricos. O “fico” do Dudu é um exemplo desse cenário”, concluiu, se referindo ao atacante palmeirense que não aceitou oferta para jogar na China.

O segundo ato foi diminuir o número de estrangeiros em campo de quatro para três. Na prática limitou a participação de um jogador asiático, já que a regra antiga determinava que o quarto gringo a jogar tinha que ter nascido na Ásia. Mesmo assim, abriu mais uma vaga em campo para um chinês e diminuiu o ímpeto dos clubes locais por atletas do Japão e da Coreia do Sul, principalmente.

Por último, se proibiu que equipes endividadas gastassem mais de R$ 25 milhões (conversão da moeda local para o real) em negociações. Boa parte dos times lá têm dívidas com o governo, portanto ficaram amarrados a desembolsar quantia bem pequena para reforçar seus quadros.

As medidas funcionaram. Nesta temporada 2017/2018, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, segunda divisão inglesa, Rússia, Turquia, Argentina e Bélgica gastaram mais dinheiro. O Brasil aparece em 14º, com custos em contratações de US$ 58 milhões (R$ 188 milhões), atrás ainda (além dos chineses) de Portugal e Holanda.

]]>
1
Estratégia de Andrés de lançar duas candidaturas o fez presidente de novo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/04/estrategia-de-andres-de-lancar-duas-candidaturas-o-fez-presidente-de-novo/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/04/estrategia-de-andres-de-lancar-duas-candidaturas-o-fez-presidente-de-novo/#comments Sun, 04 Feb 2018 10:40:20 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=4736 O lançamento da candidatura a presidente do Corinthians de Paulo Garcia, que já havia tentado algumas vezes o cargo, sem sucesso, foi uma bem sucedida estratégia da situação para vencer pela quinta vez seguida a eleição do clube.

Garcia se apresentou como postulante à vaga em 13 de dezembro, quase um mês depois que os outros dois principais candidatos, Andrés Sanchez, vencedor do pleito deste sábado (3), e Antonio Roque Citadini. Não bastasse entrasse numa corrida eleitoral contra alguém de quem se aproximou nos últimos anos (Sanchez), Garcia ainda tomou dois importantes diretores da atual gestão, em momentos importantes do ano, como seus candidatos a vice.

Flávio Adauto, que comandava o futebol, saiu em momento importante da temporada para se definir contratações e renovações. Emerson Piovezan, do financeiro, em época do ano que mais se trabalha para fechar sem problemas o balanço financeiro que será apresentado no ano posterior.

Nada disso foi estranho a quem acompanhou de perto a negociação para Garcia apresentar-se como candidato. Pela primeira vez desde que o grupo denominado Renovação e Transparência chegou ao poder, em 2007, havia o temor de que pudesse de fato perder uma eleição, mesmo com o candidato apresentado sendo o deputado federal Andrés Sanchez, líder da chapa e presidente por dois mandatos entre 2007 e 2012.

O principal motivo pelo medo foi o lançamento de uma candidatura sem pretensões de vitória neste momento, mas que arrebentou de vez a base aliada do Renovação e Transparência. Com o advogado Felipe Ezabella estavam os principais cabeças das gestões de Sanchez no Corinthians: Raul Correa, que cuidou das finanças, Sérgio Alvarenga, do jurídico, o próprio Ezabella, que teve cargos na direção, entre outros.

O diagnóstico do grupo no poder foi imediato: a candidatura de Ezabella tirava votos dele, não do principal adversário, Roque Citadini — vice de futebol na gestão de Alberto Dualib, no início dos anos 2000, e membro do Tribunal de Contas do Estado (SP). O que fazer então? Alguém sugeriu que era preciso preciso diluir os votos para que Sanchez, que ainda contava com o apoio de cerca de um terço dos associados, segundo pesquisas, não perdesse.

Paulo Garcia então se lançou candidato, chegou a ser impugnado pelo Comitê Eleitoral acusado de dar dinheiro para sócios inadimplentes pagarem as mensalidades para poder voltar, conseguiu uma liminar na Justiça para participar e foi o segundo mais votado, pouco à frente de Citadini. Os números do pleito de sábado mostram que a teoria do grupo de Sanchez estava correta: Sanchez recebeu 33,9% dos votos, com 1.235, Garcia teve 22,9% (834) e Citadini 22% (803). A oposição (que ainda teve o candidato Romeu Tuma Jr.) teve os votos diluídos, e margem que a base da situação sempre teve lhe garantiu a vitória.

Membros da situação desdenham dessa informação porque dizem que muitos dos eleitores de Paulo Garcia só deixaram suas casas para depositar a escolha na urna porque ele era o candidato (o voto não é obrigatório). É possível que parte dessas 834 pessoas realmente não votasse, mas muitos ainda estariam no Parque São Jorge e a distância entre Sanchez e Citadini seria bem menor do que pouco mais de 400 votos. Em uma eleição em que não se sabe quem irá votar, perigoso demais.

A candidatura de Garcia ainda servia de uma outra maneira à situação: como o “adversário”, como o grupo de Sanchez, também era acusado de pagar mensalidades a associados, mas teoricamente com provas mais robustas, era mais fácil sua chapa ser a impugnada, deixando a da diretoria atual livre para participar — e, como mostrou o Blog do Perrone, a direção corintiana nem fez questão de acionar a Justiça para tentar manter a impugnação de Garcia.

No fim ninguém deixou de concorrer (Citadini também foi impugnado, por supostamente não poder ser o presidente por ser membro do TCE, o que feria a legislação, mas conseguiu reverter na Justiça), e a divisão dos votos fez com que Sanchez fosse eleito para seu terceiro mandato. Não se sabe ainda como será esse seu novo “governo”, principalmente porque boa parte da inteligência que esteve com ele até 2012 está agora na oposição, mas há uma certeza: Sanchez e seu time ainda são muito bons em fazer política.

]]>
2