Blog do Marcel Rizzo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar Sat, 23 Jun 2018 12:58:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Culpados ou inocentes? O peso de craques como Messi e Neymar em uma Copa http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/23/culpados-ou-inocentes-o-peso-de-craques-como-messi-e-neymar-em-uma-copa/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/23/culpados-ou-inocentes-o-peso-de-craques-como-messi-e-neymar-em-uma-copa/#comments Sat, 23 Jun 2018 09:51:54 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6210 Na Argentina, Lionel Messi recebe críticas pelo que alguns avaliam como displicência. Suas atuações nos dois jogos na Copa da Rússia não foram apenas ruins. Foram, aparentemente, desinteressadas, como se não quisesse estar ali. Se não fosse Jorge Sampaoli, que acabou se transformando no alvo da ira argentina por decisões equivocadas em escalações e no gerenciamento do elenco, Messi estaria recebendo toda a culpa pela péssima campanha.

No Brasil, Neymar faz gol, chora, se irrita, comportamento, em campo, que é o oposto do ex-parceiro de Barcelona, de quem é amigo. As críticas ao brasileiro são por outro motivo: excesso de faltas cavadas, o famoso “cai-cai”. Como Messi, Neymar não tem paz para jogar futebol. E se o Brasil cair precocemente na Copa, a culpa será dele — o camisa 10 brasileiro não deve ter a companhia de Tite nesse fracasso, como Messi terá a de Sampaoli, já que o treinador brasileiro é quase uma unanimidade.

Qual o peso de um jogador em uma campanha de Copa do Mundo? O time da Argentina, por exemplo, convive com dois problemas. O primeiro é uma troca de geração de jogadores, algo que não está sendo bem trabalhado. O time de Mascherano, Messi, entre outros, começa a dar lugar a Pavón e Lo Celso, mas é uma transição claramente complicada, o que chega ao segundo problema: talvez essa nova turma não seja tão boa quanto a anterior.

Como culpar Messi se o time não está treinado, não há um esquema definido, e até a qualidade do elenco é duvidosa? Há certa coerência, portanto, nas críticas mais pesadas de imprensa e torcedores argentinos a Sampaoli, mas não se engane: se a Argentina não ganhar da Nigéria na terça, e sair precocemente da Copa, Messi será tachado novamente de amarelão, afinal não ganhou um título que fosse com a camisa argentina.

O mesmo para Neymar. Tite pode até ser questionado se houver um vexame, talvez por ter convocado alguns atletas que estavam em recuperação física, talvez por ter chamado outros que não são do agrado desse ou aquele, mas Neymar será a maior vítima. O desabafo que ele fez, o choro, talvez seja porque ele sabe disso.

Nos cinco títulos brasileiros, havia os craques (Pelé estava em três), mas havia também um time, uma base. Tite, mais do que Sampaoli, montou essa base, mas ao começar a Copa parece vê-la ruir. Willian não está bem, e já começa a dúvida se Renato Augusto, mesmo baleado, não deva voltar ou então Fernandinho ganhar uma vaga.

Independentemente do que acontecer, a culpa ou a glória serão de Neymar. Que claramente não está 100% fisicamente para disputar uma Copa do Mundo. Do outro lado, a culpa e a glória serão de Messi, que não tem um time e um esquema tático decentes para compartilhar.

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Efeito Tite: clubes deveriam esperar acabar a Copa para contratar técnico http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/21/efeito-tite-clubes-deveriam-esperar-acabar-a-copa-para-contratar-tecnico/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/21/efeito-tite-clubes-deveriam-esperar-acabar-a-copa-para-contratar-tecnico/#comments Thu, 21 Jun 2018 09:55:37 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6200 Botafogo e Fluminense ficaram sem técnicos na parada dos principais campeonatos por causa do Copa do Mundo, já procuram substitutos para Alberto Valentim e Abel Braga, respectivamente, mas deveriam esperar mais um pouco. O mercado de treinadores no Brasil deve se mexer a depender do futuro der Tite na seleção, como já mostrou o blog.

O planejamento de treinamentos na folga da Copa para esses clubes já foi prejudicado com as mudanças, portanto esperar mais um pouco não fará diferença. Se Tite deixar o comando da seleção, é provável que a CBF opte por alguém empregado em grande clube — fala-se muito em Renato Gaúcho, do Grêmio. Um movimento como esse abriria não só a vaga no clube gaúcho, como outros treinadores, que aguardam o pós-Copa, começariam a se mexer. Caso de Cuca.

Renato mesmo optou por não ir ao Flamengo quando procurado no começo de 2018 por alguns motivos, entre eles uma possibilidade de comandar o Brasil. Se precisar deixar o Grêmio em julho ou agosto, clube no qual está há quase dois anos e tem conquistas como a Copa do Brasil e  Libertadores, será bem menos traumático do que se tivesse ido à Gávea e saísse com seis meses.

Mesmo clubes que não perderam, ou demitiram, seus treinadores nessas férias forçadas poderão se movimentar caso vagas sejam abertas. O Corinthians, apesar de continuar bancando Osmar Loss, poderia ir em direção a Tite, por exemplo — apesar de o treinador aparentar não ter interesse em voltar a dirigir clube brasileiro no momento.

O Flamengo deveria ser um desses clubes a espreitar o mercado, mas o trabalho de Mauricio Barbieri no Brasileiro tem sido convincente e o time parou para a Copa líder da competição, quatro pontos à frente de Atlético-MG e São Paulo. Se Tite ficar na CBF, ou sair e o nome escolhido pela CBF não for Renato, a tendência seria o clube do Rio insistir no treinador do Grêmio, mas seria uma jogada interessante agora? Provavelmente não.

O Botafogo já acenou para Zé Ricardo, que recentemente deixou o Vasco, e o Fluminense conversou com Dorival Júnior. Nomes interessantes, com trabalhos bem feitos recentemente, mas por que não esperar mais 25 dias e ver como o mercado vai reagir ao futuro de Tite?

Em tempo: a CBF já sinalizou mais de uma vez que quer manter Tite, independentemente do resultado na Rússia. O treinador, porém, sábio que é avalia que um tropeço na Copa o faria iniciar um “segundo mandato” pressionado. E, se ganhar, o que mais poderá almejar nesse cargo? Uma tendência a sair, nesse momento, é maior.

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A Copa do Mundo tem muito jogo feio? No Qatar, em 2022, isso pode mudar http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/20/a-copa-do-mundo-tem-muito-jogo-feio-no-qatar-em-2022-isso-pode-mudar/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/20/a-copa-do-mundo-tem-muito-jogo-feio-no-qatar-em-2022-isso-pode-mudar/#comments Wed, 20 Jun 2018 05:30:24 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6189

Neymar se machucou em março atuando pelo PSG (Crédito: Thibault Camus/AP)

A próxima Copa do Mundo, a de 2022 no Qatar, está marcada por enquanto por suspeitas de corrupção (compra de votos de membros do Conselho da Fifa), mas pode ser importante para abrir um debate sobre o calendário do torneio: o Mundial pode ter jogos de mais qualidade se disputado em outra época do ano? Por causa do calor, o torneio no Oriente Médio será de 21 de novembro a 18 de dezembro, e não entre junho e julho como de tradição.

Segundo a Fifa, cerca de 80% dos jogadores convocados para jogar a Copa da Rússia atuam em clubes que têm o calendário começando em agosto e terminando em maio. A cada quatro anos, esses jogadores perdem suas férias para disputar uma Copa do Mundo depois de cansativa temporada. Não é estranho que vários cheguem “baleados”.

O brasileiro Neymar e o egípcio Salah foram para a Rússia se recuperando de lesões por contato, pancadas, que poderiam ter acontecido em qualquer época do ano. Mas especialistas em preparação física dizem que o fato de esses problemas terem ocorrido mais ao fim da temporada atrasam relativamente o processo de recuperação quando o atleta já está com o machucado curado e precisa retomar os treinos físicos. O corpo já está cansado.

O calendário de Neymar nos últimos anos, por exemplo, foi insano. De 2011, quando já era estrela da seleção, até 2016 nunca conseguiu parar no meio da temporada. De 2011 a 2013 ainda defendia o Santos, portanto seu calendário era de janeiro a dezembro, e tirava férias no fim do ano. Mas quando foi para o Barcelona, emendou Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo em 2014, Copa América do Chile em 2015, e Olimpíada em 2016 (descansou alguns dias antes porque foi poupado da Copa América do Centenário, nos EUA). Só teve férias completas em 2017.

Se o Mundial do Qatar tiver uma explosão de bons jogos, atletas que nem estarão ainda em meio de temporada voando em campo, muitos gols, menos craques lesionados ou em demorado processo de recuperação, a Fifa poderá se questionar: a Copa do Mundo ocorre na data ideal?

A se pesar: a Fifa não parece muito interessada em melhorar ou discutir o calendário, já que pretende criar dois novos torneios, um de seleções e outro de clubes, que deixariam as datas para os jogadores ainda mais apertadas.

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Padrão Fifa faz parecer que jogos da Copa são todos no mesmo estádio http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/padrao-fifa-faz-parecer-que-jogos-de-copa-sao-todos-no-mesmo-estadio/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/padrao-fifa-faz-parecer-que-jogos-de-copa-sao-todos-no-mesmo-estadio/#comments Mon, 18 Jun 2018 04:00:16 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6178

Por fora, Luzhniki tem característica particular (Crédito: Dmitry Serebryakov/AFP)

Os jogos da Copa do Mundo ocorrem em um estádio apenas? Alguém desavisado, não tão fã do futebol, poderia se fazer essa pergunta aos ver as partidas via transmissão da Fifa. O tal padrão que a entidade exige para arenas que recebem o Mundial faz com que, pelo menos internamente, os campos sejam muito, muito parecidos.

Na Rússia estádios como o Luzhniki, em Moscou, que recebeu a abertura e também terá a final, têm uma arquitetura diferente por fora. De perto você percebe que boa parte da estrutura do Luzhniki tem tijolinhos, e é bem agradável aos olhos mesmo com toda estrutura criada ao seu redor para a Copa do Mundo. Por dentro, porém, poderia passar por qualquer outra arena russa, ou brasileira, da Copa de 2014, ou sul-africana de 2010.

Em seu caderno de encargos para a realização de uma Copa do Mundo, a Fifa cria regras para se reformar ou construir um estádio que os faz parecer a mesma coisa. É a distância entre as cadeiras padronizada, os túneis de acesso sempre na mesma posição, o espaço entre a linha lateral e a divisória da arquibancada com a mesma metragem, o tamanho do campo idêntico, etc.

Isso tudo piora durante a Copa porque qualquer referência que se tenha a um clube ou cidade e que seja a marca de um estádio é escondida — a arena é emprestada à Fifa, que põe os nomes de seus patrocinadores, seus logos e afins. Por exemplo: o segundo estádio de Moscou na Copa é do Spartak, tradicional clube local e muito bonito por fora, com enormes placas vermelhas, cor do clube. Dentro, porém, para poder receber o Mundial teve que se adequar às exigências da entidade, e ficou igual a todos os outros.

No Brasil isso ocorreu até com estádios que não receberam o Mundial, mas seguiram o padrão Fifa. O Allianz Parque, do Palmeiras, nunca esteve na lista da Copa-2014, mas foi construído com base principalmente nas orientações da Fifa porque, vai saber, poderia entrar em algum momento como arena do Mundial. Vendo jogos por lá na TV, parece qualquer estádio de Copa — com, claro, as particularidades por ser uma arena de clube.

Para 2022, o mesmo ocorrerá, já que o Qatar está construindo estádios com arquiteturas diferentes externamente, mas dentro seguem direitinho o que a Fifa pede. Já para 2026, algo novo deve ocorrer. No último dia 13 de junho os membros da Fifa decidiram que três países da América do Norte dividirão a organização do Mundial daqui a oito anos, EUA, Canadá e México.

Os três estádios mexicanos devem receber reformas padrão Fifa, portanto podem ficar parecidos com todos os de recentes Copas. Os americanos e canadenses, porém, já têm ótima estrutura, precisarão de um ou outro ajuste que a Fifa impõe, mas são modernos e, o melhor, cada um tem sua particularidade. Será, novamente, uma Copa em estádios de futebol, não arenas da Fifa.

Por dentro, o Luzhniki parece com estádios padrão Fifa de Copas anteriores (Crédito: Maxim Shemetov/Reuters)

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Copa da Rússia pode dar fim à pergunta ‘quem é melhor, Messi ou Ronaldo?’ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/16/copa-da-russia-pode-dar-fim-a-pergunta-quem-e-melhor-messi-ou-ronaldo/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/16/copa-da-russia-pode-dar-fim-a-pergunta-quem-e-melhor-messi-ou-ronaldo/#comments Sat, 16 Jun 2018 04:00:05 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6173 A pergunta “quem é melhor, Cristiano Ronaldo ou Messi?” pode para sempre ficar no ar pelas atuações dos jogadores em Real Madrid e Barcelona, respectivamente, mas quando o assunto é seleção, o português parece se sentir mais à vontade.

Ronaldo estreou na Copa-2018 nesta sexta (16), Messi começa sua trajetória na Rússia no sábado (16) e os dois, já com mais de 30 anos, podem estar no último Mundial em alo nível. Os três gols que fez no 3 a 3 contra a Espanha, em Sochi, mostrou que o camisa 7 de Portugal entendeu que poderá levar seu time “nas costas”. E Messi, que terá a estreante Islândia pela frente?

Ronaldo se tornou o 47º jogador da história a fazer três gols em um mesmo jogo de Mundial. Conseguiu feito que seu conterrâneo Eusébio fez em 1966 nos 5 a 3 sobre a Coreia do Norte, o que Pelé fez em 1958, na semifinal frente à França, e o que Batistuta conseguiu duas vezes, nas Copas de 1994, contra a Grécia, e de 1998, frente a Jamaica. Aliás, só Batistuta, o francês Fontaine (duas vezes em 1958), o alemão Gerd Mueller e o húngaro Kocsis fizeram três gols em dois jogos de Mundiais, algo que Ronaldo, por que não, pode até igualar ainda na Rússia.

Mesmo se não fizer isso, os três gols contra a Espanha mostraram que sente-se à vontade como protagonista de Portugal, algo que ficou claro em 2016, na campanha do título europeu, e algo que Messi ainda não conseguiu na Argentina. Ele levou seu time à final em 2014, no Brasil, talvez se Higuain não perdesse gol feito os argentinos pudessem ter levantado a taça, mas é possível dizer que Messi não empolga (ou se empolga) com a camisa de seu país.

Em 2014, 2015 e 2016 foram três derrotas em finais: a já citada do Mundial frente os alemães, no ano seguinte na Copa América do Chile, para os donos da casa, e 12 meses depois de novo para o Chile, na Copa América do Centenário, da Argentina. O que Ronaldo decide quando joga por Portugal, Messi deixa a desejar na Argentina.

Talvez, se um dia a discussão de quem foi melhor levar em conta o que fizeram por suas seleções, seja fácil escolher um ou outro — hoje com vantagem a Ronaldo, que inclusive com os três gols que fez contra a Espanha passou o argentino em tentos marcados em Mundiais, seis a cinco.

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Desafio de Messi, Ronaldo e Neymar: bater na Rússia a média de gols de 94 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/desafio-de-messi-ronaldo-e-neymar-bater-na-russia-a-media-de-gols-de-94/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/desafio-de-messi-ronaldo-e-neymar-bater-na-russia-a-media-de-gols-de-94/#comments Thu, 14 Jun 2018 06:25:17 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6163

A melhor média de gols de uma Copa do Mundo foi em 1954, na Suíça, com 5,38 por jogo, embalado por uma Hungria fatal, um improvável 7 a 5 (Áustria venceu a Suíça) e uma final de cinco gols quando os alemães bateram os húngaros por 3 a 2. Impensável pensar que na Rússia possa se superar a marca, mas por que não ter o Mundial com mais gols por jogo da era recente do futebol?

Messi e Cristiano Ronaldo estarão talvez em seu último mundial em alto nível, principalmente o português. Neymar, aos 26 anos, está no auge, e pode pela primeira vez jogar uma Copa até o fim, já que em 2014 se machucou nas quartas de final. Somam-se a eles jogadores como Mbappé, Luis Suárez e Cavani, entre outros, e pode se esperar um torneio com bastante efetividade ofensiva.

Alguns dessas estrelas tiveram uma última temporada na Europa com ótima média de gols. Ronaldo teve exatamente um gol por partida pelo Real Madrid, algo extraordinário (44 jogos e 44 gols). No Barcelona, Messi obteve 0,83 de média, bem próximo dos 0,86 de sua carreira. Neymar sofreu com a lesão no pé que sofreu no PSG, mas fez quase um gol (0,93) por confronto.

Seu companheiro de Paris Saint-Germain, o francês Mbappé, teve média inferior, de 0,46, mas terminou a temporada mais efetivo, e o mesmo pode se falar de Cavani, este com um número que mostra como chega à Copa: 28 gols em 32 partidas, média de 0,87. Luis Suárez, seu companheiro de Uruguai, teve desempenho pouco inferior no Barcelona, com 0,75.

Todos, aparentemente, afiados.

Crescimento

A Copa de 2014, no Brasil, já mostrou uma melhora em gols marcados, com 2,67, superando 2010, 2006 e 2002, e igualando 1998. A de 1994, apesar da lembrança dos brasileiros de uma seleção brasileira campeã pragmática, teve a melhor média de gols dos últimos 36 anos, com 2,71. É esse número que, talvez, o Mundial russo possa almejar bater.

Em 1982, quando o Brasil encantou mas fracassou, a média foi de 2,81, outro número até possível de ser alcançado, mas mais difícil que 1994. Porque para trás, principalmente de 1970 para trás, o futebol privilegiava muito mais o ataque do que a defesa, e as médias de gols ultrapassavam ou se aproximavam muito dos três gols. Algo improvável de se repetir.

(Crédito da foto: John Super/AP)

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Olham até tela do celular: rapidez em acesso a estádio será desafio na Copa http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/olham-ate-tela-do-celular-rapidez-em-acesso-a-estadio-sera-desafio-na-copa/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/olham-ate-tela-do-celular-rapidez-em-acesso-a-estadio-sera-desafio-na-copa/#respond Wed, 13 Jun 2018 05:40:29 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6157 O torcedor que esteve na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e repetir presença na Rússia em 2018 sentirá diferença na revista feita para a entrada nos estádios. A segurança é prioridade no país que recebe o Mundial esse ano, não só em época de Copa, e por isso há a recomendação para os torcedores chegarem o quanto antes aos estádios já que o procedimento pode demorar e atrasar o acesso.

Além das máquinas de detectores de metal, que são obrigatórios em eventos Fifa e estiveram no Brasil há quatro anos (parecidas com as usadas em aeroportos), seguranças fazem a revista completa após passagem pelo equipamento. É preciso retirar do bolso objetos, como carteira e telefone, e há um detalhe no protocolo de segurança que não é visto no Brasil: é solicitado que se mostre a tela do celular, desbloqueando a senha para que o funcionário possa ver a tela.

Segundo explicação é feito isso para se comprovar que é de fato um telefone, já que houve casos em que réplicas de aparelhos celulares foram usados em atos terroristas. Se pede também para abrir carteiras e qualquer outro objeto que esteja fechado, como uma caixa de óculos de sol, por exemplo.

Em 2014, para se pegar como exemplo o Mundial mais recente e realizado no Brasil, a passagem pelo detector de metal já resolvia e uma revista mais rigorosa era feita somente se o aparelho apitasse ou se o funcionário desconfiasse do torcedor. Na Rússia, porém, há obsessão por segurança por causa do terrorismo e mesmo para entrar em estações de trem e até mesmo em alguns hotéis há uma revista mais completa, o que é incomum no Brasil, por exemplo.

Para a partida de abertura do Mundial, nesta quinta (14), os portões do estádio Luzhnik, em Moscou, serão abertos às 14h local (8h de Brasilia), quatro horas portanto antes do início do jogo entre Rússia e Arábia Saudita, previsto para 18h (12h de Brasília). Antes, por volta das 17h30 (11h30 no Brasil), ocorrerá a cerimônia de abertura.

A previsão é de que cerca de 80 mil pessoas estejam no estádio, por isso o esquema montado de segurança, com tanta gente entrando, pode atrasar o acesso das pessoas principalmente para a cerimônia, algo que incomodaria a organização, que gostaria de o estádio cheio já para a festa. Será um ótimo teste para se ter como base como será o acesso aos estádios no restante do Mundial.

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Por segurança, seleções fogem do assédio ao abrir treino à torcida na Copa http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/por-seguranca-selecoes-fogem-de-grandes-centros-ao-abrir-treino-na-copa-18/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/por-seguranca-selecoes-fogem-de-grandes-centros-ao-abrir-treino-na-copa-18/#comments Mon, 11 Jun 2018 04:00:08 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6143 A Fifa obriga que as 32 seleções que disputam uma Copa do Mundo façam ao menos um treinamento aberto aos torcedores no país do Mundial, a pouco dias da abertura. O local a ser realizado é uma escolha do país, assim como a maneira que se dará o acesso (cobrança de ingresso ou gratuidade) e o número de fãs que poderão acompanhar o trabalho, que tem que se dar por, no mínimo, uma hora.

Pois na Rússia-2018 a maioria das seleções optou por abrir esse treino em seus centros de treinamento, boa parte afastados por alguns quilômetros das grandes cidades – o que deve dificultar o acesso do público e dar um pouco mais de tranquilidade para a organização preparar a segurança do evento.

A opção por usar as bases onde treinam e, muitas vezes, se hospedam é um pouco diferente do que grandes seleções fizeram em 2014, na Copa do Brasil. Portugal e Argentina, que têm os dois melhores jogadores do mundo em seus elencos, Cristiano Ronaldo e Messi, respectivamente, abriram ao público treinos em estádios de grande porte, longe dos CTs onde treinavam.

Portugal, que se concentrou em Campinas, no interior de São Paulo, treinava no centro de treinamento da Ponte Preta, afastado do centro da cidade, mas optou por treinar para o público no estádio Moisés Lucarelli. Milhares de pessoas foram até lá e algumas até tiveram acesso a Cristiano Ronaldo.

Os argentinos, que se isolaram no centro de treinamento do Atlético-MG, a Cidade do Galo, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, fizeram seu trabalho na Arena Independência, estádio que recebe jogos do América e do Atlético-MG na Série A do Brasileiro, e foi escolhido pela Fifa como campo de treinamento pré-jogos das seleções que atuassem em BH.

Em 2018, tanto Argentina quanto Portugal optaram por treinamentos em campos com estrutura de arquibancada de seus CTs, ambos na região metropolitana de Moscou, mas não de simples acesso, principalmente de transporte público. Os argentinos estarão em CT na cidade de Bronnitsy, a 64 km de Moscou. Se algum torcedor quiser se deslocar de trem e ônibus vai demorar cerca de duas horas e meia para chegar até lá da parte central da capital russa — o treino aberto estava previsto para ocorrer na manhã desta segunda, madrugada no Brasil.

Os portugueses estão um pouco mais perto, em Kratovo, a 48 km de Moscou, e uma hora e cinquenta de transporte público. O centro de treinamento do Saturn, clube local, recebeu os torcedores na manhã deste domingo (10), com bem menos agitação do que os portugueses tiveram em 2014. Apenas 250 ingressos foram distribuídos, e a maioria para crianças de escolas das proximidades.

A seleção brasileira optou por realizar seu treino aberto também em um dos campos do centro de treinamento de Sochi, ao sul de Moscou e onde será a base do Brasil em toda a primeira fase ao menos. Em 2014, o time comandado por Luiz Felipe Scolari fez alguns treinos abertos, como em Goiânia, antes de amistoso contra o Panamá, e também em Teresópolis, região serrana do Rio, onde se concentrou no CT da CBF a Copa inteira.

Em 2010, na África do Sul,a CBF optou por abrir um treinamento no distrito de Soweto, em Johanesburgo, berço de Nelson Mandela, líder político local que lutou contra o apartheid. Milhares de torcedores foram ao local, tietaram Kaká, e puderam ver os craques de perto. O acesso a Sochi, porém, deve ser mais restrito até por questão de estrutura.

Apenas quatro seleções optaram em 2018 por fazer seu treino aberto obrigatório longe do local onde treinam: a Rússia (sábado), dona da casa, trabalhou no estádio do CSKA, em Moscou, um dos campos que os times que jogarem em Moscou poderão usar para treinar; o Irã (sábado), que também na capital se apresentou no estádio Strogino, outra opção para treinos de seleções que atuarem por Moscou até a final; o México, que na terça usará a mesma estrutura do Strogino; e a Arábia Saudita, que neste domingo usou o estádio Petrovsky, em São Petersburgo, longe de seu hotel e base de treinamento, o CT do Zenit.

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Regra muda, mas diagnóstico de concussão no futebol brasileiro ainda falha http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/regra-muda-mas-diagnostico-de-concussao-no-futebol-brasileiro-ainda-falha/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/regra-muda-mas-diagnostico-de-concussao-no-futebol-brasileiro-ainda-falha/#comments Sat, 09 Jun 2018 04:00:49 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6120 A concussão sofrida pelo goleiro Loris Karius, do Liverpool, na final da Liga dos Campeões retomou a discussão sobre a dificuldade de, no futebol, se diagnosticar o problema durante os jogos. Relatório de lesões da CBF para os 380 jogos do Brasileiro de 2017 mostrou estagnação no diagnóstico da concussão – das 327 lesões, apenas 4% foram concussões, 14, número pouco superior ao de 2016 (11, mas os mesmos 4% porque foram menos lesões no total há dois anos, 312).

A previsão, porém, era de que novas recomendações da Fifa para pancadas na cabeça fizessem com que a identificação dessa lesão aumentasse, apesar de o protocolo adotado ainda não ser o ideal segundo especialistas e estar longe do cuidado que outras modalidades, principalmente de esportes americanos, têm.

Hoje, se um jogador leva uma pancada na cabeça durante a partida, e o médico do clube percebe ele pode entrar no campo sem pedir autorização ao árbitro, o que anteriormente ocasionaria numa advertência ou até expulsão. Ele tem três minutos para realizar testes com o atleta para identificar se há ou não a confusão mental, principal sintoma da concussão. O jogo fica parado durante esse tempo, mas se o médico entender que é preciso mais tempo, o atleta tem que sair de campo, deixando sua equipe com um a menos pelo período do exame ou até uma substituição.

Foi um avanço, já que anteriormente se o atleta não perdesse a consciência seguia em campo sem qualquer exame, mas ainda não o ideal, admitem até membros da comissão médica da CBF. No caso de Karius, ele levou uma cotovelada de Sergio Ramos, do Real Madrid, e permaneceu na partida. Depois falhou em dois gols do rival, que venceu por 3 a 1 e ficou com a taça. O diagnóstico de concussão só foi divulgado essa semana, quase 15 dias após a partida.

Como o blog mostrou em junho de 2017, o chefe da comissão médica da CBF, Jorge Pagura, defende que uma regra seja criada para que um atleta lesionado, principalmente em casos de pancada de cabeça, fique 10 minutos fora de campo e o time possa fazer uma substituição temporária, para não ficar com um a menos. Se o jogador for liberado pelo médico, volta, caso contrário a substituição se torna definitiva. Ao blog do Rodrigo Mattos, Pagura disse essa semana que a CBF quer testar essa substituição provisória em jogos do sub-20, para levar a sugestão à Fifa. Mattos também revelou que a Fifa usará o árbitro de vídeo na Copa da Rússia para identificar pancadas que possam ser mais graves.

Comparando as lesões relatadas pelos departamentos médicos dos clubes à CBF, de 2016 para 2017 houve aumento de problemas no joelho (9% para 15%) e de tornozelo (9% para 11%), enquanto os machucados na coxa caíram de 42,4% para 35% — ainda assim, o estiramento nessa parte do corpo continua como a lesão mais comum, também com 35%.

Protocolos

A concussão cerebral é a perda da consciência de curta duração, que acontece logo após um traumatismo craniano (bater com a cabeça). Ela caracteriza-se pela presença de sintomas sem nenhuma lesão identificada, mas com danos microscópicos, dependendo da situação, reversíveis ou não. Essa ausência de lesões visíveis é o que faz com que muitas atletas que sofrem concussão em uma partida de futebol voltem a campo.

Há casos famosos, como o meia alemão Kramer, que jogou a final da Copa do Mundo de 2014 e após um choque com o argentino Garay sofreu uma concussão. Num primeiro momento continuou em campo, mesmo após atendimento, mas ficou desorientado. O árbitro italiano Nicola Rizzoli percebeu, já que Kramer chegou a perguntar se realmente estava na final, e pediu que fosse substituído, o que ocorreu ainda no primeiro tempo.

Há casos, porem, que o atleta insiste em ficar. Como o uruguaio Álvaro Pereira, que no mesmo Mundial de 2014 sofreu uma forte pancada na cabeça na partida contra a Inglaterra, ficou desorientado, mas mesmo assim retornou ao jogo – quase exigindo isso ao médico e ao árbitro.

Dois meses depois, em agosto, em campo pelo São Paulo contra o Criciúma, Pereira caiu no chão, e bateu com força a cabeça no gramado. Também teve sintomas de concussão, mas novamente voltou à partida. Nas semanas seguintes ele passou por alguns testes, só sendo liberado a jogar quando foi constatado que não havia risco de algo mais grave.

“A política da FIFA é uma política de recomendação. Não existe um protocolo obrigatório da FIFA como existe em outros esportes para proteger jogadores em caso de concussão. Esse assunto tem sido revisitado pela FIFA ultimamente, desde o caso do Kramer”, disse Américo Espallargas, advogado especializado em direito desportivo pelo escritório CSMV. “Os esportes americanos são um bom paradigma pra gente tratar dos casos de concussão. Ao contrário da FIFA, que tem uma diretriz, na NFL (liga de futebol americano) é um protocolo obrigatório: todo jogador que sofre uma pancada na cabeça, que caia no chão, que aparente perder os sentidos, que coloque a mão na cabeça ao sofrer um choque, tem que obrigatoriamente passar pelo protocolo”, disse Espallargas.

Esse protocolo dura 15 minutos, e o jogador, muitas vezes, é levado ao vestiário para responder as perguntas que podem indicar ou não a confusão mental. No caso da NFL, ou da NBA (basquete) e do hóquei, os jogadores podem ser substituídos quantas vezes for necessário, o que facilita o tempo necessário para o diagnóstico.

” A NFL reformou recentemente a política no futebol americano para tratamento de concussão, muito em razão de ter sofrido danos na casa de bilhão de dólares em razão de ações coletivas promovidas pelos jogadores de futebol americano, ou no caso ex-jogadores, pelos danos cerebrais que lhes foram causados em razão das concussões”, disse o advogado.

No futebol, ainda não se conhece relatos de atletas que processaram entidades ou clubes por danos na cabeça. Mas, nos últimos anos, esses tipos de lesões aumentaram muito, segundo Jorge Pagura, porque o futebol ficou mais físico, com mais contato. E o número de concussões diagnosticadas ter se mantido no mesmo patamar nos últimos anos mostra que, realmente, o protocolo ainda pode ser deficiente para uma lesão que pode causar danos irreversíveis no cérebro.

Uma das principais é a ETC. Foi nos EUA que se passou a ligar a encefalopatia traumática crônica a outros esportes que não apenas o boxe. A doença neurodegenerativa é causada por pancadas repetidas na cabeça, que se leva à perda de memória e falta de atenção, dor de cabeça e evolui para agressividade, confusão mental, podendo levar ao suicídio.

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Técnico precisará ter licença para trabalhar no Campeonato Paulista em 2019 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/tecnico-precisara-ter-licenca-para-trabalhar-no-campeonato-paulista-em-2019/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/tecnico-precisara-ter-licenca-para-trabalhar-no-campeonato-paulista-em-2019/#respond Thu, 07 Jun 2018 17:04:33 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=6129 A Federação Paulista de Futebol avisou nesta quinta (7) aos 16 clubes da Série A-1, sua primeira divisão, que os treinadores precisão apresentar licenças para trabalhar já no Campeonato Paulista de 2019. Quem não tiver a documentação não poderá ser registrado e, portanto, não poderá participar da competição.

A medida acompanha o movimento da CBF, que também passará a exigir as licenças no Campeonato Brasileiro de 2019. Para a Série A-1, os profissionais deverão apresentar as licenças honorária, pro ou A para ter o registro aceito, ou comprovar matrícula de curso em andamento. Para as categorias de base (sub-20, sub-17 e sub-15) será exigida a licença B. A honorária é concedida pela CBF a profissionais renomados.

Ainda não está definido se a exigência será feita para as Série A-2 e A-3, segunda e terceira divisões paulista, respectivamente. A obtenção das licenças (Pro, A, B e C) é feita em cursos organizados pela CBF — desde 2016 a FPF também ministra os cursos de licenças B e C.

A CBF explica, em seu site, que as licenças Pro e A são para os treinadores que querem trabalhar em equipes profissionais que participam de competições por todo o país. No caso da Pro, somente técnicos convidados participam e precisam já ter a licença A. O custo é de R$ 19.130 para o curso.

Na A, que já abriria possibilidade de sentar no banco de reservas na Série A-1 Paulista em 2019, é preciso ter a licença B, ou ter passado cinco anos como técnico de time profissional. O valor do curso é de R$ 10.550, com carga horária de 270 horas. Para a licença B, que permite trabalhar na base, o valor é do curso é de R$ 7.710 e para a C, que qualifica para trabalhar em escolinhas de futebol, o valor é de R$ 5.600.

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