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Por que jogadores ainda têm medo de protestar contra mudanças na Lei Pelé
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Marcel Rizzo

Henrique Dourado (esq.), com a faixa preta na vitória do Fluminense sobre o Santos (Crédito: Lucas Merçon/Fluminense)

 

Para evitar retaliações, a orientação para o protesto que alguns jogadores fizeram nos jogos das Séries A e B no final de semana, contra mudanças trabalhistas na Lei Pelé  (que não estão ligadas às atuais propostas de mudanças na CLT), era de que apenas os capitães dos times entrassem em campo com faixas pretas nos braços.

Ao final, alguns clubes não aderiram, já outros ignoraram a orientação para apenas o capitão protestar e a maioria dos atletas jogou com a faixa. Organizado pela Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), a manifestação é a primeira orientada pelo sindicato na reaproximação com os atletas, “órfãos” com o fim do Bom Senso FC — o blog apurou com organizadores que ainda foi considerada uma adesão tímida, e que pode ser maior em uma próxima oportunidade.

“Organizamos para que os capitães participassem. É para evitar exposição de todos os atletas, é complicado porque queremos evitar problemas, como retaliações, mas temos que mostrar a indignação e procurar fazer algo. A adesão não foi total, mas tivemos um bom retorno”, disse o ex-goleiro Rinaldo Martorelli, do sindicato paulista e membro da Fenapaf.

Os capitães de cada clube, e também alguns alguns mais experientes, foram procurados por integrantes dos sindicatos nacional e estaduais — Fernando Prass, do Palmeiras, Juan, do Flamengo, o zagueiro Henrique, do Fluminense, e Renato, do Santos, entre outros. A ideia era de que os mais rodados poderiam abraçar o protesto sem perigo de problemas no clube — a maior preocupação são com os mais jovens, de times menores, que estão, por exemplo, em fase de negociação de contrato.

Fernando Prass, Juan e Renato (da esquerda para a direita) (Crédito: Divulgação)

Muitos do que aderiram foram líderes do Bom Senso FC. Criado em 2013 inicialmente com 75 jogadores membros, que chegou a 300 e uma estrutura profissional, o Bom Senso FC foi um movimento que tinha como principal alvo de reclamações a CBF – queria, por exemplo, adaptações no calendário, férias e pré-temporadas adequadas, além de um fair play financeiro (fim do atraso nos pagamentos) e participação na escolha dos dirigentes que comandam o futebol.

Em 2016 foi encerrada com parte das solicitações conquistadas, principalmente relacionadas ao calendário. No auge, fez protestos como ficar por um minuto trocando bolas entre os times, com o jogo em andamento – em outras ocasiões também cruzaram os braços e sentaram ao redor do círculo central.

A Fenapaf e o Bom Senso nunca se entenderam, e agora, com o vácuo deixado pelo grupo que tinha como líderes o zagueiro Paulo André e o ex-meia Alex, entre outros, o sindicato dos atletas organizou o protesto, mas com alvo diferente: saiu a CBF, entrou o governo federal.

Renda

A mudança na Lei Pelé não está atrelada à reforma trabalhista proposta este ano pelo governo Michel Temer, é um texto anterior, ainda no governo Dilma Rousseff.

Além de críticas à mudanças como férias divididas e menos de 24h de descanso entre jornadas, há um ponto que se alterado na Lei Pelé, que rege a relação entre atletas e clubes, que influenciará diretamente na renda dos atletas: o fim do direito de arena, que é o valor pago aos atletas pelos jogos transmitidos em que cada um deles participou.

“Pode chegar ao ponto de o jogador não permitir o uso de sua imagem em um jogo de futebol”, disse Martorelli. Hoje, 5% dos contratos de televisão dos torneios têm que ser repassados aos atletas – pagos pelos detentores dos direitos, via sindicatos.

No fim de semana, jogadores de clubes como Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Vasco protestaram. Por enquanto não estão previstas novas manifestações, mas é certo que ocorram.

 

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