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Arquivo : Corinthians; Roberto de Andrade

Corinthians incha contratações com atletas até 20 anos e gera crise na base
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Marcel Rizzo

Pouco mais de 70% dos jogadores com contratos profissionais registrados pelo Corinthians têm até 20 anos, idade para atuar na base. O número é alto, e explica um pouco a crise que o clube vive no departamento de formação de atletas.

Nos últimos oito meses foram três diretores no comando do setor, que conviveu com acusações de jogadores contratados mesmo reprovados em testes e de venda de direitos econômicos a terceiros, o que é proibido atualmente pela Fifa. 

O inchaço, apurou o blog, é motivo de descontentamento no clube porque “há jogadores de qualidade duvidosa”, segundo pessoa com trânsito no departamento.

O Corinthians tem hoje 105 atletas registrados sob contrato profissional. Destes, 74 (70,4%) têm até 20 anos. Alguns já se destacam e são titulares do profissional, como o lateral-esquerdo Guilherme Arana, 20, mas boa parte se acumula principalmente entre as categorias sub-17 e sub-20.

Em comparação com os outros três grandes clubes de São Paulo, o Corinthians tem mais atletas com idade de base registrados profissionalmente: o Santos possui atualmente 98 jogadores com acordos profissionais, destes menos da metade, 47, têm até 20 anos (47,9%). No Palmeiras, com 82 atletas sob contrato profissional, 48 têm idade para atuar na base (58,5%) e no São Paulo, com 76 registros profissionais, 48 são sub-20 (63,1%).

Segundo dois executivos de futebol ouvidos pelo blog, o número ideal de atletas até 20 anos com acordo profissional varia de 40% a 60% do total dos jogadores que o clube tem sob contrato. E depende do perfil da agremiação, se o é de formador, que vende muitos jovens e terá mais garotos consequentemente, ou se é aquele montado para disputar títulos importantes, com elenco mais experiente.

Procurado, o Corinthians não comentou o assunto.

É importante diferenciar os tipos de contratos. O profissional é aquele em que o jogador, mesmo com 20 anos ou menos, tem uma remuneração mensal garantida. É uma maneira mais segura de o clube ter aquele jovem sob contrato, pois prevê multas altas de rescisão. Esta é outra reclamação daqueles contra o inchaço da base, já que todos os registrados profissionalmente têm salários, aumentando a folha salarial do clube.

No contrato amador, ou de formação, o atleta pode até não receber um salário, vai de acordo com o que foi fechado entre as partes. Serve como garantia ao clube de que terá prioridade sobre aquele atleta caso queira fazer um contrato profissional — se gasta menos, portanto, nesse caso.

Como mostrou o repórter Dassler Marques no UOL Esporte, três jogadores nesses contratos de formação com o Corinthians foram reprovados em testes, em mais uma denúncia no departamento mergulhado em crise.

A crise

Sob a gestão de Roberto de Andrade, que assumiu a presidência  do Corinthians em fevereiro de 2015, comandaram o departamento de base José Onofre Almeida, Fausto Bittar Filho e, agora, Carlos Nujud.

Onofre deixou o cargo em agosto de 2016 após informações de que atleta reprovado havia sido contratado. Houve também acusações de um empresário norte-americano, Helmut Niki Apaza, de que havia pago para comprar os direitos econômicos de um atleta de 15 anos, em uma operação ilegal, já que a Fifa proíbe que terceiros tenham participação econômica em atletas. Onofre negou os problemas, mas mesmo assim saiu.

Bittar assumiu a vaga em setembro passado e ficou no cargo por quase sete meses. Alegando pressão de dirigentes no setor, pediu demissão. Para evitar que o processo de impeachment fosse adiante, o presidente Roberto de Andrade, acusado de falsificar documentos (ele nega), fez diversos acordos com grupos políticos, e num deles cedeu espaço na base a alguns conselheiros, que passaram a dar palpites no setor, irritando Bittar.

Diretor de futebol profissional no início dos anos 2000 na era Alberto Dualib, Carlos “Nei” Nujud assumiu então o setor em meio à crise e numa das primeiras medidas contratou para ser técnico do sub-20 Alexandre Macia, o Pepinho, filho do ex-ponta do Santos e seleção brasileira Pepe.

Isso fez com que Dyego Coelho, ex-lateral do clube e que treinava o sub-20, fosse rebaixado para cargo de auxiliar, gerando mais um pouco de descontentamento no setor. Também houve chiadeira com a contratação de Fernando Yamada, ex-goleiro do clube, como coordenador da base porque ele atuava antes como funcionário de uma empresa de agenciamento de atletas, fazendo negócios com o clube como a transação de retorno do meia Jadson.


Corinthians paga salário e quer antecipar 13º por paz em troca de diretores
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Marcel Rizzo

Depois de atrasar os salários de outubro, o Corinthians pagou os de novembro em dia e pode antecipar a segunda parcela do 13º de atletas e funcionários.

Seria uma maneira de minimizar críticas internas de que o atraso possa ter atrapalhado o time na reta final do Brasileiro –  não conseguiu a vaga na Libertadores-2017. E, também, dar tranquilidade para mudanças de cargos que o presidente Roberto de Andrade pretende fazer.

Em 7 de dezembro, caiu o salário referente a novembro. No mês passado, o dinheiro demorou 18 dias para entrar na conta dos funcionários, segundo o diretor financeiro Emerson Piovezan devido a um problema de fluxo de caixa.

“Não entrou um pagamento que esperávamos. Mas já pagamos o que devemos, e estamos em dia”, disse Piovezan.

Por lei, a segunda parcela do 13º salário tem que ser paga até o dia 20 de dezembro – a primeira já foi quitada.

O clube quer deixar as contas com jogadores e funcionários em dia no início do ano para que uma mudança de diretoria que está sendo planejada possa ser feita sem a turbulência de reclamação da falta de pagamento.

Roberto de Andrade, que sofre pedido de impeachment no Conselho Deliberativo por supostamente ter fraudado a assinatura de documentos (ele nega), estuda trocar nomes de áreas importantes, como marketing, social e até mesmo futebol.


Impeachment no Corinthians obrigaria uma nova eleição. Direta ou indireta?
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Marcel Rizzo

Dilma Rousseff sofreu o impeachment, e seu vice, Michel Temer, assumiu a Presidência da República. No Corinthians, se Roberto de Andrade for impedido de seguir seu mandato até fevereiro de 2018 (é investigado por falsidade ideológica), não será o seu primeiro vice, nem o seu segundo vice, quem assumirá.

Pelo menos não sem passar por uma eleição.

O estatuto do clube exige que um novo pleito seja realizado caso o presidente deixe o cargo, por qualquer motivo, com mais de seis meses de mandato ainda vigente. Este é o caso de Andrade, que ainda tem pela frente 15 meses.

Essa eleição, porém, gera controvérsia entre aliados de Andrade que sonham em ocupar seu lugar caso ele fique sem condições de continuar no poder, e opositores.

Há um grupo, dos que não fazem parte hoje da situação, que defende que o pleito seja feito por meio dos associados, modelo adotado nas eleições a cada três anos. Outro grupo, entretanto, entende que por ser uma eleição atípica, devido à força maior, deveria ser indireta, realizada dentro do Conselho Deliberativo.

Hoje, o conselho corintiano é formado na maioria por apoiadores do grupo de Roberto de Andrade, que é o mesmo do ex-presidente e hoje deputado federal Andrés Sanchez, apesar de distanciamento entre esses dois personagens.

A eleição indireta seria praticamente uma vitória certa desse grupo, que manteria o poder até fevereiro de 2018. Já uma escolha direta dos sócios, com o time em baixa e toda a polêmica sobre a construção do estádio e a alta dívida, aumentaria muito a chance de a oposição vencer.

“Acredito que numa eleição direta, teríamos muitos candidatos inscritos, que veriam uma chance de vencer nessa situação instável. Pelo Conselho esquece, vence o grupo atual”, disse o conselheiro e ex-diretor de futebol Antônio Roque Citadini, derrotado por Andrade na eleição de 2015.

O primeiro vice hoje é André Luiz Oliveira, conhecido como André Negão. Ele assumiria temporariamente em caso do impeachment passar por todos seus trâmites: é preciso a abertura do processo pelo presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Strenger, que o mandaria à Comissão de Ética. Esse grupo envia um parecer ao conselho, aconselhando ou não o impedimento. O conselho, então, vota se segue ou não a indicação da comissão.

Mas não para aí. Se o Conselho Deliberativo votar a favor do impeachment, e neste momento Roberto de Andrade é afastado temporariamente, é preciso que os associados, em uma Assembleia Geral, ratifiquem a decisão. O sim ganhando, o presidente do CD marca a eleição, em até 30 dias.

“Ainda não recebi pedido de impeachment. Mas o processo teria todo esse rito, até chegar à eleição”, disse Strenger.

O artigo 42 do estatuto prevê que em caso de vacância em qualquer um dos poderes, será feita nova eleição, com exceção se faltarem menos de seis meses para o fim do mandato, quando aí o primeiro vice termina o mandato. Os apoiadores do pleito indireto defendem que há uma brecha para que seja feita indiretamente, já que não há menção ao modelo nesse artigo do estatuto.

Do grupo que está no poder, e acabou rachando, André Negão tem poucas chances de ser eleito, em qualquer modelo adotado, já que foi envolvido em suposto recebimento de propina da construtora Odebrecht para a construção da arena em Itaquera. Ele nega.

O segundo vice, Jorge Kalil, rompeu com o presidente, e poderia ser candidato. O grupo mais próximo a Andrade hoje chegou a cogitar lançar, em caso de pleito indireto, o presidente do Cori (Conselho de Orientação), Osmar Basílio. Não há consenso, porém.

Crise

Revelações da revista “Época” de que Roberto de Andrade assinou dois documentos dois dias antes de assumir o clube, em 7 de fevereiro de 2015, abalaram o clube. Um dos documentos cede o gerenciamento do estacionamento da arena em Itaquera para uma empresa chamada Omni, que detém pouca experiência nesse ramo de atuação.

Andrade nega a fraude e o departamento jurídico do clube informou que ele já estava em exercício quando assinou o documento, que demorou semanas para ser validado e assinado.

A possível falsidade ideológica gerou um inquérito na Polícia Civil.


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