Blog do Marcel Rizzo

Futebol brasileiro tem estouro de doping; infiltrações lideram casos
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Marcel Rizzo

Explodiu em 2017 casos de doping positivos por corticoides no futebol brasileiro. Classe de medicamentos com potente ação anti-inflamatória, ele é usado nas chamadas infiltrações feitas principalmente em joelhos e tornozelos para que os atletas possam jogar sem dor. Mas também aparecem em outros medicamentos, como colírios e pomadas.

Durante toda a temporada de 2016 foram detectados nos exames antidoping realizados quatro casos de uso inapropriado de corticoide. Até junho de 2017, pouco menos da metade do ano portanto, já são nove casos positivos de doping por esse medicamento (quase todos os casos esperam ainda um julgamento, por isso não foram revelados). Doping por outras substâncias proibidas se mantêm na média de outros anos.

A CBF está preocupada com o aumento e promete tratar da situação na próxima conferência médica. Um livro deve ser lançado para orientar médicos, principalmente particulares (que não trabalham em clubes), para os cuidados que devem ser tomados ao receitar medicamentos a jogadores de futebol.

A Wada (sigla em inglês para a Agência Mundial Antidoping) proíbe em sua lista o uso do corticoide por via oral, intramuscular, endovenosa e retal – além da ação anti-inflamatória, o corticoide aumenta a capacidade respiratória e diminui a fadiga quando entra na corrente sanguínea.

Não há na lista da Wada, porém, proibição para a utilização do corticoide via intra-articular, como o nome diz quando é aplicada diretamente na região articular machucada. Isso faria com que a substância não entrasse na corrente sanguínea, evitando dar a vantagem indevida ao atleta.

Muitas dessas aplicações, as chamadas infiltrações, não são feitas da maneira correta e a substância vai à corrente sanguínea, sendo detectada nos exames antidoping. Mas não são apenas infiltrações que preocupam a CBF, mas também prescrição médica a atletas que muitas vezes acaba resultando em doping positivo.

“É algo que preocupa porque é um aumento significativo, e na maioria dos casos o uso acontece por indicação do médico. Por exemplo: desses casos de 2017, somente um sabemos que o jogador pediu para usar o corticoide, o pai dele tem uma farmácia e teve acesso. Para um outro foi receitado um colírio, ele usou e havia o corticoide. É preciso a orientação para que, nos casos de atletas, a orientação seja clara sobre a substância usada ”, disse o médico Fernando Solera, que comanda a comissão de controle de doping da CBF.

Em um dos casos mais curiosos, atleta de um time que mudou de fornecedor de material esportivo teve alergia por causa do tecido do novo calção. O médico receitou uma pomada, com antibiótico e corticoide, e que ele a passasse a cada oito horas, porque evitaria o risco de acusar no doping. O atleta, porém, a utilizou várias vezes no dia e véspera da partida, e acabou sendo flagrado no exame.

Número alto

De 2010 até 2016, a CBF contabilizou 62 casos positivos de doping no Brasil. A maioria, 22% (14 casos), foi por uso de corticoides. O número assusta justamente porque em seis meses de 2017 foram relatados mais de 60% do número de casos ocorridos em sete anos.

A segunda substância mais encontrada nos casos positivos no período foi a cocaína, com 14,5% (nove situações), seguido por anabolizantes, 11% (sete casos), e depois maconha, 6,5% (4 dopings testados positivos).

“Ainda assim o número de casos de doping no futebol Brasil, comparado com o restante do mundo, é pequeno. Ligo isso ao fato que o exame antidoping aqui é feito de maneira ostensiva. Fazemos em todos os jogos das Séries A e B do Brasileiro, e levamos para partidas da Série C também”, disse Solera, que nesta quinta (22) participou de um seminário sobre saúde no esporte organizado pela CBF em Fortaleza.

Esses números surgem algumas semanas depois de uma denúncia sobre problemas no controle de doping no Brasil. Uma TV alemã, a ARD, informou que existe há anos no Brasil uma rede clandestina de doping, que burla as regras e exames oficiais.

A emissora citou o ex-lateral esquerdo Roberto Carlos , campeão mundial em 2002 com a seleção brasileira, como um dos atletas que usaram medicamentos proibidos ministrados por um médico brasileiro. O jogador negou o uso de substâncias dopantes. Para a CBF, o controle feito é seguro.


Santos ainda não pagou multa de Dorival e pode ter que dar um salário extra
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Marcel Rizzo

Dorival Jr ficou quase dois anos no Santos nessa passagem (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Dorival Júnior foi demitido do Santos em 4 de junho, um dia depois de perder o clássico para o Corinthians (2 a 0), mas até agora não recebeu o valor referente à rescisão contratual.

O presidente santista, Modesto Roma Jr, confirmou ao blog que o pagamento não foi feito, mas que está nos trâmites normais do acordo. Dorival era contratado via CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), ou seja, com carteira assinada, em um contrato de trabalho por prazo determinado – iria até o fim de dezembro de 2017.

Modesto afirmou que a multa rescisória foi estipulada em três salários. Dorival teve um reajuste no início de 2017, e ganhava, segundo apurou o blog, cerca de R$ 400 mil mensais, portanto o valor devido gira na casa de R$ 1,2 milhão.

O que ele terá de receber, porém, deve ser maior. Pela CLT, o empregador que demite um funcionário sem justa causa tem dez dias para acertar a rescisão. Se não fizer, é obrigado a pagar multa de mais um salário ao antigo funcionário.

“Isso [contrato por tempo determinado] não muda nada a questão de prazos para pagamentos de verbas rescisórias. Há um entendimento, até, que contrato por prazo determinado deveria ter a rescisão paga em um dia após a demissão, e não dez. Mas, mesmo que se entender que é dez, não é porque é prazo determinado que muda alguma coisa”, explicou o advogado Joao Henrique Chiminazzo.

Dorival, ainda sem clube, não se manifestou sobre o assunto. Ele assumiu em julho de 2015, quando assinou contrato longo, até o fim de 2017, gerando na época até críticas de conselheiros oposicionistas no clube. O trabalho anterior do treinador havia sido no Palmeiras, em 2014, que quase foi rebaixado para a Série B naquele ano (Dorival pegou o trabalho em andamento, com o time já em situação de risco).

Até ser demitido, o treinador era o com trabalho mais longo entre os times da Série A do Brasileiro em 2017. Para seu lugar foi contratado Levir Culpi, que estava desempregado e chegou ganhando menos, cerca de R$ 250 mil, mais bônus por metas, e contrato curto até o fim de 2017.


Fifagate: o que está deixando Marin mais aliviado para o julgamento nos EUA
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Marcel Rizzo

José Maria Marin presidiu a CBF de março de 2012 a abril de 2015 (Crédito: Brendan McDermid/Reuters)

A diminuição dos acusados pelo Departamento de Justiça dos EUA de corrupção no futebol que vão a julgamento em 6 de novembro, em Nova York, foi tratada como positivo pela defesa do brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Somente Marin e outros dois cartolas ainda se declaram inocentes no chamado “Fifagate” – eles são acusados de receber propinas para vender direitos comerciais de torneios de futebol nas Américas.

No último mês, dois ex-dirigentes admitiram a culpa e fizeram acordos com a promotoria. Em 24 de maio foi Costas Takkas, empresário nascido na Grécia que foi secretário-geral da Associação de Futebol das Ilhas Cayman e teve cargo diretivo na Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e Caribe).

Nove dias depois, em 2 de junho, o guatemalteco Hector Trujillo, ex-secretário-geral da Federação da Guatemala, além de juiz da Suprema Corte do seu país, também mudou sua posição, que até então alegava inocência. Eles pagarão multas, terão a sentença anunciada, mas não irão mais a julgamento.

Dos 28 denunciados pela Justiça americana que foram presos ou se apresentaram voluntariamente aos EUA, somente três não se declararam culpados e serão julgados: o ex-presidente da Conmebol Juan Ángel Napout (paraguaio), o ex-presidente da Federação Peruana Manuel Burga, e Marin – que está preso desde maio de 2015 (foi extraditado para os EUA em novembro de 2015, onde está em prisão domiciliar desde então).

O blog apurou que as admissões de Takkas e Trujillo foram consideradas positivas por dois fatores por defensores de Marin: primeiro porque desde o começo a defesa queria que os julgamentos dos acusados fossem feitos separadamente. Inicialmente, poderiam ser 15 julgados ao mesmo tempo. Agora, com três, a defesa entende que será mais fácil separar possíveis responsabilidades de cada um.

Os crimes que teriam sido cometidos são os mesmos (fraude e lavagem de dinheiro), mas as situações são diferentes. A suposta propina recebida por um não é a mesma que outro negociou, por isso os defensores avaliavam que seria complicado mostrar aos jurados que ilícitos não foram cometidos por seus clientes com uma enxurrada de informações diferentes que receberiam.

Com apenas três acusados, a avaliação é que na prática serão feitos três julgamentos distintos, com ponto a ponto de cada um sendo discutido com tempo e dando para se separar com precisão o que realmente cada acusado teria cometido.

O segundo ponto que foi tratado como positivo é que os três que vão a julgamento eram membros da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) – todos os acusados ligados à Concacaf se declararam culpados.

A defesa avalia que será mais fácil aos julgadores analisarem os casos parecidos dos três acusados sul-americanos, já que a acusação de pagamento de propina a membros da Concacaf ocorre por torneios e com modus operandi diferentes.

Outros acusados

Há mais acusados de corrupção além dos 28 que estão presos ou que fizeram acordos com a Justiça dos EUA. Entre eles estão o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o antecessor de Marin no comando da confederação brasileira, Ricardo Teixeira. Eles não foram presos (a Justiça americana não tem como prender cidadãos brasileiros dentro do país), nem se apresentaram para fazer acordo, o que os deixam no momento livres de irem a julgamento. Os dois negam terem cometido atos ilícitos.

Desde 27 de maio, quando retornou da Suíça onde ocorreram as prisões de cartolas, antes de reunião da Fifa, Del Nero não sai mais do Brasil, segundo disse à CPI do Futebol por orientação de seus advogados.

No dia 15 de junho, mais um executivo acusado de participar do esquema se declarou culpado. Foi o argentino Jorge Arzuaga, que trabalhava em um banco na Suíça e, na acusação, teria ligações com o ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina, e ex-vice da Fifa, Julio Grondona. O cartola morreu em 30 de julho de 2014, mas apareceu nas investigações como um dos que teria recebido propina.


Às compras: São Paulo aumenta projeção de gastos com reforços para R$ 40 mi
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Marcel Rizzo

Em dezembro do ano passado, a diretoria do São Paulo apresentou ao Conselho Deliberativo o orçamento para 2017 com a quantia reservada de R$ 17,5 milhões para investimento no futebol profissional, ou seja, contratações de jogadores.

As vendas do atacante David Neres (R$ 50 milhões, a receber parceladamente), do zagueiro Lyanco (R$ 18 milhões) e do atacante Luiz Araújo (R$ 38 milhões) turbinaram as receitas e a previsão mudou no clube do Morumbi: a projeção agora é que 2017 termine com R$ 40 milhões gastos.  Ou seja, serão cerca de 130% a mais do que o projetado.

Só a contratação de 50% do centroavante Lucas Pratto custou mais do que todo o previsto inicialmente para 2017: R$ 20 milhões. O São Paulo já gastou mais R$ 3,6 milhões com a chegada do meia Maicosuel, outros R$ 240 mil para pagar a multa rescisória do também meia Thomaz no Jorge Wilstermann (BOL), somando quase R$ 24 milhões.

Acrescentando outros valores, como o empréstimo do volante Jucilei do Shandong Luneng (CHN), as contratações dos atacantes Marcinho e Denilson, o valor de negócios do São Paulo no ano passa dos R$ 25 milhões.

O clube ainda tem carências, e a previsão é que haja investimento para que o time fique competitivo para conseguir a vaga na Libertadores no Brasileiro. Somente com o meia Petros, nome que está na lista, a previsão é gastar cerca de R$ 9 milhões.

As vendas deste ano também devem turbinar as compras em 2018, já que haverá dinheiro para entrar daqui alguns meses. A previsão para o ano que vem é que o orçamento apresente valor inicial para contratações na casa dos R$ 30 milhões.


Cuca muda muito o Palmeiras? Em 2016 testou bem mais até achar o time ideal
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Marcel Rizzo

Cuca não encontra a escalação ideal e tem mudado com frequência o time titular do Palmeiras, por opção ou por necessidade (lesões, convocações ou suspensões).

O ano é 2017, mas poderia ser 2016. Críticas ao treinador por mudanças constantes de escalação ou esquema tático esta temporada parecem esquecer que ocorreu o mesmo um ano atrás. O mesmo, não: em 2016 os testes e mudanças por necessidade foram até maiores, considerando os 11 primeiros jogos.

Levantamento do blog mostra que, neste ano, Cuca já escalou 21 jogadores diferentes como titular. Em 2016, no mesmo número de partidas (11), foram 24. A semelhança é o jogador que nunca saiu, o goleiro Fernando Prass – que em 2016 se lesionaria no início do segundo semestre e ficaria o restante do ano fora.

Cuca vem fazendo o que fez em 2016: testando possibilidades, jogadores em mais de uma posição, esquemas táticos. Jean já foi lateral e volante, como neste domingo contra o Bahia, Juninho foi zagueiro e lateral, Felipe Melo volante e zagueiro e Zé Roberto meia e lateral.

Em 2016, Jean também foi testado nas duas funções, até “se achar” na lateral. Roger Guedes só teve oportunidade como titular na 11ª partida de Cuca, justamente o limite analisado neste texto. O jogo foi a semifinal do Paulista, a eliminação contra o Santos, mas apenas nos pênaltis e com boa atuação do time e do jogador, que se firmaria na posição.

Gabriel Jesus foi ganhando espaço aos poucos, primeiro como segundo homem do ataque (Alecsandro e Barrios eram as referências), depois como o ''nove''. Tchê Tchê e Moisés, os pilares do meio palmeirense no título brasileiro, não apareceram nenhuma vez como titular nesse levantamento – Tchê Tchê só chegaria do Audax depois do Paulistão e Moisés se recuperava de lesão, como agora.

Em 2017, o técnico ainda terá jogadores para estrear, como o volante Bruno Henrique. Nada impede que Borja, hoje reserva, ganhe espaço quando o meio de campo estiver fortalecido com Moisés de volta.

A comparação é um alento para aqueles palmeirenses pessimistas com a irregularidade do time neste momento. Em 2016, foram mais testes feitos até achar o time. E como a vaga nas quartas de final da Libertadores, prioridade do ano, em confronto contra o Barcelona-EQU só será decidida em 9 de agosto, Cuca tem mais algum tempo para encaixar o time.

Em 2016 (jogadores que começaram como titular nas 11 primeiras partidas de Cuca) – 24

Goleiro: Fernando Prass
Laterais: Lucas, João Pedro, Jean (volante e lateral), Zé Roberto (meia e lateral), Egidio e Victor Luis
Zagueiros: Edu Dracena, Thiago Martins, Roger Carvalho e Vitor Hugo
Volantes: Gabriel, Thiago Santos, Matheus Sales e Arouca
Meias: 
Allione e Robinho
Atacantes: 
Dudu, Alecsandro, Gabriel Jesus, Rafael Marques, Erik, Barrios e Roger Guedes

Em 2017 (após 11 jogos) – 21

Goleiro: Fernando Prass
Laterais: 
Mayke, Fabiano, Jean (lateral e volante), Egídio e Zé Roberto (lateral e meia)
Zagueiros: 
Mina, Juninho (lateral e zagueiro), Edu Dracena e Antonio Carlos
Volantes: Thiago Santos, 
Tchê Tchê e Felipe Melo
Meias: 
Guerra, Raphael Veiga e Michel Bastos (meia e lateral)
Atacantes: 
Dudu, Roger Guedes, Keno, Willian e Borja


Custo de R$ 500 mi: como C. das Confederações é financeiramente ruim à Fifa
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Marcel Rizzo

Cristiano Ronaldo será a grande atração da Copa das Confederações (Crédito: Pedro Nunes/Reuters)

A Copa das Confederações começa neste sábado (17) com a Rússia enfrentando a Nova Zelândia (12h de Brasília), no que deve ser a última edição de um torneio que financeiramente não é vantajoso à Fifa como a Copa do Mundo.

Para a Rússia-2017, a previsão financeira é pessimista e, também por isso, a edição 2021, que deveria ser disputada no Qatar, seguindo a tradição de ser um evento-teste da Copa do Mundo do ano seguinte, corre o risco de não acontecer.

Para a Copa das Confederações de 2017, a Fifa projetou gastar US$ 153 milhões (R$ 502 milhões), mais do que o dobro que que desembolsou para que saísse do papel a Copa das Confederação de 2013, no Brasil – gastos de cerca de US$ 70 milhões (R$ 230 milhões). Em 2013, a Fifa não revelou as receitas específicas da Copa das Confederações, mas estima-se que tenha ficado próximo dos R$ 230 milhões gastos, portanto não gerando lucros para a entidade.

Como a venda de ingressos para a competição de 2017 ainda está em andamento (e, no momento, está próximo da metade dos 700 mil bilhetes disponíveis), e ainda há TVs negociando o direito de transmissão do torneio, a Fifa não projeta a receita da Copa das Confederações deste ano.

Mas há risco de déficit.

Despesas

Dos mais de R$ 500 milhões que serão gastos, a maior parte, R$ 210 milhões, foi para o Comitê Organizador do torneio (que também organiza a Copa do Mundo, mas com receitas distintas). Outros R$ 85 milhões foram para produção de TV, R$ 67 milhões serão distribuídos de premiação para os participantes e outros R$ 33,5 milhões foram separados para custos das seleções e confederações filiadas para a Fifa. Os R$ 106,5 milhões que sobram estão relatados como custos adicionais.

Não à toa a nova administração da Fifa acha o torneio caro, e muitas vezes sem atrativos –  conta com os campeões das seis confederações continentais, mais o atual campeão do mundo e o país-sede. É organizado pela Fifa desde 1997, e a partir de 2005, na Alemanha, se tornou evento-teste para a Copa.

Para essa edição, por exemplo, a Alemanha, vencedora da Copa-2014, levou um time cheio de jogadores jovens, evitando desgastar suas principais estrelas, que estarão de férias, já o campeão da América do Sul, o Chile, é menos chamativo do que Brasil ou Argentina. Como consolação, o provável melhor jogador do mundo de 2017, o português Cristiano Ronaldo, disputará a competição pela primeira vez. Mas foi pouco para atrair público e dinheiro.

Para 2021, a Fifa já cogitava tirar o torneio do Qatar, sede da Copa-2022, e distribui-lo pelo Oriente Médio. O fracasso que parece ser a edição 2017, porém, pode fazer com que a competição termine de vez, ou tenha outro formato.


Conmebol pagará R$ 22 mi a cartolas em meio à reestruturação após denúncias
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) reservou R$ 22 milhões para pagar a seus executivos e membros de comissões em 2017. O valor é 36% superior ao gasto em 2016 – R$ 14,3 milhões.

A maior parte, cerca de 80% (17,5 milhões), está reservada para remunerar “representações” de integrantes do comitê e de comissões da entidade, ou seja, pagamento por presença em reuniões e deslocamentos dos países de origens.

O Conselho da Conmebol, antigo Comitê Executivo, é formado por 11 membros – o representante brasileiro é Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e diretor de coordenação da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O posto deveria ser de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, mas ele não tem viajado para fora do Brasil desde que foi acusado de corrupção pelo Departamento de Justiça dos EUA, em maio de 2015 – segundo disse em depoimento à CPI do Futebol, não viaja por orientação dos advogados. A maioria das reuniões da Conmebol ocorre na sede da entidade, no Paraguai.

O Brasil também tem Fernando Sarney, vice da CBF, como um dos cinco representantes da Conmebol no Conselho da Fifa, que também é a nova designação para o antigo Comitê Executivo. Sarney viaja a reuniões da Conmebol algumas vezes como representante da CBF.

Além dos gastos com essas representações dos executivos, a entidade estima que terá despesa de US$ 10 milhões (R$ 33 milhões) para pagar profissionais que ainda trabalham na chamada restruturação da entidade, atolada em escândalos de corrupção. Em 2016, a entidade teve um superávit de US$ 1,3 milhão (R$ 4,3 milhões), bem menor do que os US$ 21,2 milhões (R$ 69,5 milhões) de 2015, ano de início da crise.

Problemas na Justiça

A Conmebol tenta se recuperar das denúncias de corrupção que colocaram na prisão três de seus últimos quatro presidentes (Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Ángel Napout) – o atual é o paraguaio Alejandro Dominguez, que trabalhou na administração de Napout quando este presidiu a Associação de Futebol do Paraguai.

Ex-presidente da CBF, José Maria Marin está em prisão domiciliar nos EUA acusado de receber propinas para vender direitos comerciais de torneios da Conmebol e da CBF a empresas de marketing esportivo. Ele nega as acusações, e irá a julgamento em novembro.

Del Nero e Ricardo Teixeira, atual e ex-presidente da CBF, também foram acusados pelos EUA e também negam problemas.


Irritado com Flamengo, Santos já contratou atleta em caso igual de Geuvânio
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Marcel Rizzo

O imbróglio que envolve o atacante Geuvânio, Santos e Flamengo relembra caso que ocorreu no início dos anos 2000, e que também teve o time paulista envolvido. Na época, porém, foi o Santos quem contratou um jogador que tinha cláusula em contrato de que não poderia defender outro clube no Brasil.

A situação terminou com o meia Ricardinho tendo que pagar ao São Paulo, seu ex-clube, uma indenização anos depois. Especialistas ouvidos pelo blog avaliam que o caso de Geuvânio possa ter o mesmo desfecho: o atleta não é impedido de atuar pelo Flamengo, caso o negócio saia com o atual clube do jogador, o Tianjin Quanjian, da China, mas o Santos recebe uma indenização (que teria que ser paga, provavelmente, pelos chineses).

Em janeiro de 2004, o meia Ricardinho deixou o São Paulo, rescindindo o contrato e ficando livre para acertar com o Middlesbrough, da Inglaterra. Como havia investido pesado para tirar o atleta do Corinthians dois anos antes (R$ 6 milhões), o São Paulo quis se precaver para poder liberá-lo de graça ao time inglês: na rescisão estipulou um valor, R$ 2 milhões, caso ele voltasse a atuar por um clube brasileiro ainda em 2004. Foi o que aconteceu.

Ricardinho acertou com o Santos em maio, e o caso foi parar na Justiça, já que o atleta alegava a nulidade da multa estipulada na rescisão do São Paulo. O caso durou alguns anos, mas no fim a Justiça deu ganho ao São Paulo. Clube e jogador entraram em um acordo para o pagamento.

O Santos, que contratou o atleta na época, não fez parte do processo, e o mesmo aconteceria com o Flamengo caso contratasse Geuvânio agora, segundo advogados ouvidos pelo blog.

“Você pode descumprir um contrato, mas nele estará contido as sanções previstas, as reparações a danos, seja em qualquer área. Não vou analisar o caso específico do Geuvânio, porque não tenho acesso aos documentos. Mas nesses casos há dois tipos de cláusulas comuns: a vinculação ao clube comprador não permitir uma transferência para outro clube do Brasil, ou uma cláusula que vincule o atleta a não jogar por determinado clube, desde que pague uma multa, que foi o caso do Ricardinho com o São Paulo”, disse Carlos Eduardo Ambiel, advogado especializado em direito desportivo.

Ele não avalia que cláusulas desse tipo sejam nulas. “Desde que tenha uma limitação de tempo [prazo para acabar], de espaço [times de determinado local] e uma compensação que o atleta teve para que isso fosse incluído [aumento salarial ou luvas para ser vendido], esse tipo de cláusula é válido”, avalia Ambiel.

Outro advogado consultado, porém, acha que cláusulas que limitam a ida de atleta para determinado clube são nulas. Eduardo Carlezzo cita artigo de regulamento da Fifa, já que foi feita uma transferência internacional – do Santos ao Tianjin.

“Sendo uma transferência internacional, aplica-se o regulamento de transferência da FIFA, e em específico o art. 18bis, que proíbe que clubes estabeleçam cláusulas contratuais que limitem sua autonomia e liberdade em negociações de transferências de atletas. Uma cláusula que dá exclusividade a apenas um clube em um determinado país fere o citado artigo. Por tal razão, caso se origine alguma disputa na transferência e registro do atleta e a FIFA seja chamada a arbitrar, a tendência é a declaração de nulidade desta cláusula”, disse Carlezzo.

Se o Flamengo quiser contratar Geuvânio, o jogador dificilmente será impedido de atuar pelo clube carioca. Mas o Santos poderá, se quiser, tentar na Justiça um ressarcimento, já que diz ter interesse em ter o atleta de volta.


Bahia decide que em sua eleição 20% dos candidatos têm que ser mulheres
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Marcel Rizzo

O Bahia terá uma regra inédita para aceitar chapas concorrentes ao Conselho Deliberativo do clube em futura eleição: 20% de cada grupo deverá obrigatoriamente ter sócias como postulantes ao cargo.

A proposta foi apresentada por duas conselheiras, Andrea Cerqueira e Rebeca Assunção, em reunião no sábado, e foi aprovada por unanimidade pelos membros do CD. Como cada chapa tem 100 nomes, ao menos 20 mulheres terão que concorrer em cada uma delas.

A ideia segue orientação da Fifa de aumentar a participação de mulheres no comando do futebol, seja de clubes ou federações. No Conselho da entidade que comanda o futebol é obrigatório que cada uma das seis confederações filiadas indique uma mulher – são, portanto, seis das 37 vagas reservadas a elas.

Nessa linha de pensamento o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, escolheu em maio de 2016 uma mulher, a senegalesa Fatma Samoura, como secretária-geral da entidade, algo inédito.

Ainda sobre a eleição no Bahia, não se levará em conta a cota para a formação do Conselho, que continua com 100 nomes obedecendo a proporcionalidade dos votos e a ordem de chamada determinada pelas chapas.

Por exemplo: o associado vota nas chapas, e se uma delas tiver 20% dos votos, ela elege 20 conselheiros, que já são indicados previamente em uma ordem de chamada. Mesmo assim a expectativa é de que várias mulheres sejam eleitas em dezembro — hoje, dos 100 conselheiros, nove são mulheres (9%). 


Dorival, Oliveira e até auxiliar de Sampaoli: quem empolga o Flamengo?
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Marcel Rizzo

Zé Ricardo tem um ano de trabalho no Flamengo (Crédito: Gilvan de Souza/ Flamengo)

A irregularidade do Flamengo na temporada e a pressão sobre o técnico Zé Ricardo fazem com que a diretoria tenha recebido nas últimas semanas várias sondagens de intermediários oferecendo treinadores. Alguns óbvios, outros novidades, mas nenhum agrada neste momento a cúpula flamenguista.

Nomes como de Dorival Júnior, Marcelo Oliveira, Fernando Diniz e até do argentino Sebastián Beccacece apareceram na mesa do presidente Eduardo Bandeira de Mello. O mercado, porém, na visão flamenguista é o maior empecilho para trocar Zé Ricardo. Ninguém empolga.

O mais perto de agradar é Dorival Júnior, que já esteve no clube entre 2012 e 2013, numa passagem apagada. A avaliação é que Dorival foi bem nos quase dois anos de Santos, e teria um material no Flamengo até melhor para trabalhar. Problema aí seria negociação salarial.

Zé Ricardo tem vencimentos na casa dos 100 mil, com gatilhos que bonificam por metas alcançadas. Está virando praxe esses acordos entre técnicos e clubes, como mostrou o blog semana passada. Quem defende Zé Ricardo no clube diz que não há nome que empolgue no mercado e que valha a pena investir e abrir mão de um técnico que fez um bom trabalho em 2016, e que custa pouco.

Marcelo Oliveira tem resistência por trabalhos fracos recentes, como a irregularidade do Palmeiras e a demissão entre as finais da Copa do Brasil do ano passado no Atlético-MG. Fernando Diniz, que cogitou assumir um cargo de gerência no Audax-SP, mas não acertou, é considerado inovador, mas no clube há receio de que seja uma aposta arriscada demais para um time cheio de “medalhões”.

O nome mais curioso oferecido foi de Beccacece, 36 anos, que assumiu há algumas semanas o cargo de auxiliar de Jorge Sampaoli na seleção da Argentina. Cria de Sampaoli, de quem foi por muito tempo auxiliar na Universidad de Chile e seleção chilena, Beccacece foi efetivado, no fim e 2015, como treinador da ''La U'', mas não teve uma boa passagem, marcada por muitas indisciplinas de atletas. Bem diferente do trabalho que vinha fazendo no pequeno Defensa Y Justicia, da Argentina, desde 2016 e seu segundo trabalho como técnico.

Classificou o time para a Sul-Americana, e conseguiu eliminar o São Paulo há alguns meses. Entre sua saída do Defensa e ida para a seleção argentina (Sampaoli demorou para certar o contrato), um empresário levou o nome de Beccacece como o “fato novo” que o Flamengo precisaria para deslanchar. Ninguém no clube, porém, se empolgou.

Com o mercado com nomes que não agradam, Zé Ricardo vai ficando. Resta saber até quando.