Blog do Marcel Rizzo

Clubes querem ao menos 60% dos ingressos em final única da Libertadores
Comentários Comente

Marcel Rizzo

A Conmebol confirmou nesta sexta (23) que a partir de 2019 a Libertadores terá final em jogo único, em estádio e cidade ainda a serem definidos — Lima, no Peru, desponta como favorita para o ano que vem. A confederação, agora, incumbiu os cartolas de seus filiados a convencerem os clubes de que isso será vantajoso a seus torcedores. Há temor de que a mudança seja criticada porque fará com que os fãs tenham que se deslocar para verem seus times na decisão.

Um dos argumentos favoráveis à partida única usado em relatório apresentado nessa sexta ao Conselho da Conmebol é de que nesse formato as duas torcidas terão direito a mesma quantidade de ingressos na finalíssima, o que não ocorre hoje. Atualmente, com jogos na casa de cada um dos finalistas, aquele time de melhor campanha tem o direito de definir a taça como mandante, e consequentemente tem mais torcedores na arquibancada.

Foi usada a final de 2017 como exemplo: o Grêmio foi campeão jogando no estádio La Fortaleza, do Lanús, na Argentina, com apenas cinco mil torcedores vendo o time levantar o troféu. Os 37 mil bilhetes restantes foram para a torcida do Lanús, o que significou que pouco mais de 11% foram destinados aos brasileiros.

As federações, a pedido dos clubes, solicitaram que a divisão dos ingressos para a final seja de 30% para os torcedores de cada time finalista, outros 30% para a torcida da cidade da decisão e 10% para a Conmebol (que daria a patrocinadores, parceiros, dirigentes, etc). Esse número seria variável porque foi mostrado que se os fãs locais estiverem comprando menos ingressos do que o esperado, a sobra seria redistribuída aos clubes, o que daria ainda mais entradas a seus torcedores. Há uma segunda proposta que defende que os times tenham 50% dos bilhetes, e a outra metade seja da Conmebol. Esta, porém, desagradou a cartolagem.

Imaginando que a final em 2019 será realizada no estádio Nacional de Lima, com capacidade para 50 mil espectadores, cada clube receberia pelo menos 15 mil ingressos para dar a seus torcedores, com chance de aumentar. São dez mil a mais do que o Grêmio ganhou para a finalíssima de 2017.

Argumentou-se que, mesmo assim, podem ser necessários deslocamentos longos e caros, dependendo dos times finalistas e do palco do jogo, o que poderia significar estádio vazio. Os defensores lembraram que clubes brasileiros e argentinos, que costumam frequentar mais vezes as decisões da Libertadores, já levaram milhares de torcedores ao Japão para ver Mundiais de Clubes, e que portanto viagens dentro do continente não seriam impossíveis de serem realizadas.

Há uma incógnita para os times brasileiros se financeiramente será vantajoso o jogo único. A Conmebol promete que serão acrescidos pelo menos US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) de bônus, além de 25% da arrecadação da partida, a cada um dos finalistas. Mas o Grêmio, por exemplo, faturou mais de R$ 6,5 milhões de renda na primeira partida da final da Libertadores do ano passado, em sua arena. Já o Atlético-MG, em 2013, teve arrecadação de mais de R$ 14 milhões atuando no Mineirão.

A Conmebol argumenta que os clubes não terão mais que arcar com a organização dos jogos, por isso toda a renda será líquida. Todos os valores dependerão da venda dos direitos comerciais da competição, que a confederação e parceiros estão tratando de negociar a partir do torneio de 2019.


Fifa espera a sentença de Marin? CBF avalia que futuro de Del Nero sai logo
Comentários Comente

Marcel Rizzo

Marco Polo Del Nero tem seu mandato na CBF terminando em abril de 2019 (Crédito: Alan Lima/Mowa Press)

A CBF vive a expectativa de uma decisão do Comitê de Ética da Fifa sobre o futuro de Marco Polo Del Nero.  O presidente da CBF está suspenso de qualquer atividade do futebol provisoriamente por 90 dias desde 15 de dezembro, acusado de corrupção, e cartolas ligados a ele esperam que até a próxima semana haja uma definição.

Apesar de o banimento provisório se estender até 15 de março, a informação na confederação brasileira é que o comitê da Fifa pode seguir os prazos que levaram para definir as punições de outros dois dirigentes esportivos, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter e o ex-vice Michel Platini, que tiveram seus casos resolvidos em pouco mais de 70 dias — o que faria com que uma decisão sobre Del Nero já possa sair no fim da semana que vem.

Blatter e Platini foram suspensos por oito anos, acusados de realizarem transações irregulares. A acusação sobre Del Nero é outra, o recebimento de propina para vender os direitos comerciais de competições na América do Sul a empresas de marketing esportivo. Del Nero nega irregularidades, e nos últimos dias a cúpula da CBF manteve contato com presidentes de federações e de clubes mostrando otimismo quanto a uma absolvição.

Há, porém, algumas pessoas que acompanham de perto as investigações na Fifa que avaliam que o comitê da entidade pode usar uma outra estratégia no caso de Del Nero, até pouco usual: estender por mais 45 dias a suspensão provisória, o que é previsto no Código de Ética da entidade, para aguardar a sentença que será dada ao ex-presidente da CBF José Maria Marin — ele já foi condenado pela Justiça dos EUA sob as mesmas acusações de Del Nero (que não foi a julgamento por não ter se apresentado à autoridades americanas).

Está previsto pela juíza Pamela Chen que a sentença de Marin seja anunciada dia 4 de abril, na corte de Nova York. Apesar de ele já ter sido considerado culpado em seis das sete acusações apresentadas pela promotoria, o tempo da sentença é importante porque dará à Fifa mais subsídios para avaliar o caso de Del Nero.

Avalia-se que uma sentença pesada a Marin pode dar argumentação a uma suspensão longa a Del Nero. Do outro lado, um resultado mais complacente pode abrir precedente para uma punição mais leve a Del Nero, que poderia até fazer com que voltasse a cena nos próximos anos — apesar do otimismo de algumas pessoas da CBF, dentro da Fifa a absolvição é considerada improvável. Marin pode ser setenciado a até 120 anos de prisão, mas espera-se algo em torno de dez.

A situação de Del Nero deixa em aberto a sucessão da CBF. O mandato vai até abril de 2019, e caso ele seja banido por longo tempo o vice mais velho (por idade), Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, que já preside interinamente a confederação cumpriria o tempo restante. A eleição, porém, já pode ser marcada a partir de um ano antes do fim do mandato, ou seja, a partir de abril deste ano. O candidato preferido de Del Nero caso saia de cena é o atual diretor executivo da entidade, Rogério Caboclo – que é quem, de fato, comanda a CBF no momento.

O blog entrou em contato com o advogado de Del Nero na Fifa, Marcos Motta, mas ele disse que não poderia falar sobre esse assunto.


Luxa poderia no São Paulo repetir Renato no Grêmio? Diretoria acha que não
Comentários 40

Marcel Rizzo

Os gritos de torcedores do São Paulo por Vanderlei Luxemburgo como opção a Dorival Júnior após a derrota de quarta para o Ituano, 2 a 1 pelo Paulistão, não ecoa em membros da direção do clube. Antes, depois de outro insucesso, o de domingo para o Santos, 1 a 0, conselheiros já tinham levado o nome do treinador ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, com o argumento de que Luxa poderia ser uma solução parecida com a de Renato Gaúcho no Grêmio.

Como Luxemburgo, Renato não vivia uma boa fase profissional ao assumir o time gaúcho, em setembro de 2016. Havia quase dois anos e meio estava desempregado, e entrava em uma lista de treinadores considerados ultrapassados, da qual Luxemburgo também faz parte nesse momento.

Renato foi contratado como bombeiro após a saída de Roger Machado, hoje no Palmeiras e tratado como um dos principais nomes de uma nova geração de treinadores, mas que não conseguia mais fazer o Grêmio render. A gestão de Renato, porém, está longe de ser temporária e tem sido um sucesso: ainda em 2016 levou a Copa do Brasil, em 2017 conquistou a Libertadores, e nesta quarta à noite a Recopa. Muitos dentro do São Paulo, não apenas torcedores, acham que Luxemburgo poderia ter um destino semelhante se contratado.

A diretoria não concorda. Primeiro porque, na avaliação interna, o sucesso de Renato Gaúcho no Grêmio passou principalmente porque o técnico tem uma gigantesca identificação com o clube do Sul. Foi onde surgiu para o futebol, onde ganhou a Libertadores e o Mundial em 1983, e o qual já havia treinado entre 2010 e 2011. Renato Gaúcho chegou com carta branca e uma moral em Porto Alegre, apesar de estar fora do mercado, que Luxemburgo não teria no Morumbi — o técnico tem identificação zero com o São Paulo.

Outro ponto é que Renato estava parado, portanto há algum tempo longo dos holofotes e de críticas. Luxemburgo, não. Não fez um bom trabalho no Sport no ano passado, teve uma passagem pela China sem sucesso, e anteriores por Cruzeiro, Flamengo e Fluminense também sem brilho.

Dorival Júnior não é unanimidade. Mas caso se decida por uma mudança, se prevê dificuldade. Nomes estrangeiros estão descartados, por desilusões recentes com nomes como o colombiano Juan Carlos Osorio e o argentino Edgardo Bauza, que largaram o trabalho no meio por propostas de seleções, e brasileiros com potencial estão empregados — Mano Menezes do Cruzeiro, por exemplo.


Copa América-2019, no Brasil, deve coincidir com até 5 rodadas da Série A
Comentários 3

Marcel Rizzo

Nesta sexta (24), em Punta Del Este, no Uruguai, o Conselho (antigo Comitê Executivo) da Conmebol se reunirá e um dos temas abordados vai ser a Copa América de 2019, que será disputada no Brasil. As datas do evento devem ser definidas neste encontro, e será importante para que a CBF projete o seu calendário para a próxima temporada.

A proposta inicial prevê que a Copa América aconteça entre 14 de junho (uma sexta-feira) e 7 de julho (um domingo), em até oito cidades brasileiras (o número de sedes também estará em discussão, como já mostrou o blog). São 23 dias, período que já está inclusive aprovado pela Fifa, incluído no calendário da entidade e é o mesmo das duas últimas Copas América, a de 2015, jogada no Chile, e do Centenário, em 2016, nos EUA.

A tendência, hoje, é que o Campeonato Brasileiro da Série A em 2019 não seja paralisado no período da Copa América como será feito esse ano para a Copa do Mundo da Rússia, que ocorrerá entre 14 de junho e 15 de julho. A Fifa exige que os principais torneios, continentais ou nacionais, parem durante o Mundial, e segundo tabela inicial divulgada pela CBF a elite do Brasileiro para em 13 de junho e volta em 18 de julho.

Para a Copa América, não haverá essa obrigatoriedade de parar. Nas edições anteriores do torneio continental de seleções, o Brasileiro seguiu normalmente. Em 2015 e 2016 foram cinco rodadas coincidindo com as competições realizadas no Chile e nos EUA — nas duas o Brasil foi eliminado cedo (nas quartas de final e primeira fase, respectivamente), e os atletas convocados acabaram retornando antes. A previsão é que em 2019 o número de rodadas a se perder seja o mesmo, cinco.

É complicado para a CBF parar o Brasileiro durante o torneio porque atrapalharia a pré-temporada dos jogadores, como ocorreu em 2018. Os atletas tiveram férias em dezembro e voltaram a trabalhar no começo de janeiro, mas o Estaduais iniciaram antes, em meados de janeiro e não no fim desse mês ou começo de fevereiro, por causa do achatamento do calendário.  A avaliação interna é de que seria ruim repetir isso na próxima temporada,

Há, porém, outra questão com relação à coincidência de datas entre a Copa América e o Brasileiro: como o torneio será no Brasil, jogado nos principais estádios, clubes que cederem essas arenas terão que se mudar para outros locais, já que durante a Copa América o estádio vira ''propriedade'' do organizador da competição, ou seja, da Conmebol — é preciso envelopar o estádio com a marca do torneio, montar estruturas provisórias para imprensa e funcionários, etc.

O torneio vai ocorrer, com certeza, nas cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Porto Alegre. Fortaleza e Recife brigam pela sétima vaga, ou até para as duas entrarem. Em São Paulo estuda-se até o uso de dois estádios, os do Corinthians (em Itaquera, palco da Copa-2014) e do Palmeiras. Os dois times, nesse caso, teriam que atuar como mandante em outro campo. O mesmo em Porto Alegre com Grêmio ou Inter, e em Belo Horizonte com o Cruzeiro, que costuma usar o Mineirão como sua casa.


Clubes negociam para que prêmio do Brasileiro seja maior que a inflação
Comentários 5

Marcel Rizzo

A reunião entre a direção da CBF e os clubes em 5 de fevereiro que decidiu, por exemplo, a não utilização do árbitro de vídeo na edição 2018 do Brasileiro também tratou de valores de premiação da competição. A preocupação dos participantes é que a confederação mantenha para esse ano o aumento com base na inflação.

O bônus em dinheiro dado aos melhores times da Série A é atrelado ao contrato de televisionamento, apesar de para esse campeonato os clubes negociarem diretamente com as emissoras de TV. A bolada será a maior a partir de 2019, quando novos acordos serão fechados, inclusive com a concorrência do Esporte Interativo com o Grupo Globo para TV fechada.

Portanto um acréscimo significativo como o que houve em 2018 na Copa do Brasil, que pagará mais de R$ 68 milhões ao campeão, maior premiação de um torneio de futebol na América do Sul, só ocorrerá no Brasileiro a partir do ano que vem. Por isso os clubes na reunião já começaram a tratar do assunto para evitar aumento em 2018 baseado apenas na inflação.

O Corinthians, campeão da Série A no ano passado, recebeu R$ 18 milhões. Foi um reajuste de pouco menos de 6% referente ao o que o Palmeiras, vencedor em 2016, embolsou (R$ 17 milhões). O aumento foi menor do que a inflação registrada há dois anos, de 6,29%.

A inflação de 2017, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi de 2,95%. Se o acréscimo no prêmio do campeão do Brasileiro for baseado nessa porcentagem será de pouco mais de R$ 500 mil, ou seja, iria para R$ 18,5 milhões. Os clubes gostariam que o campeão recebesse algo na casa dos R$ 20 milhões (aumento de 11%).

Parece muito, se comparado aos 6% de 2016 para 2017, mas é pouco se levando em conta, por exemplo, o acréscimo de 2015 para 2016, quando saltou de R$ 10 milhões para R$ 17 milhões (70% a mais). De 2014 para 2015, quando pulou de R$ 9 milhões para R$ 10 milhões, o aumento foi dos mesmos 11% que se pleiteia agora (entre 2012 e 2014 o prêmio ao melhor time foi congelado em R$ 9 milhões).

Uma decisão quanto a esse valor só deve ser tomada mais ao fim da Série A, entre setembro e outubro.


Após escândalo, Copa-2018 não terá teste antidoping realizado em solo russo
Comentários Comente

Marcel Rizzo

O escândalo de doping que cerca o esporte da Rússia, país-sede da Copa do Mundo entre junho e julho de 2018, fez com que a Fifa criasse regras especiais para exames de controle de dopagem na competição. As principais são: não haverá profissionais russos trabalhando na implantação dos procedimentos dos exames, desde coleta até manipulação das amostras, e nenhum teste será realizado em solo russo – será enviado a laboratório fora do país.

Nos eventos Fifa sempre há representantes da sede no trabalho antidoping e, muitas vezes, parte dos exames é feito em estruturas dentro do país, mesmo se não há um laboratório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês), para otimizar o tempo  – o de Moscou foi excluído pela Wada, mas poderiam ser criados locais provisórios. Será usado principalmente o de Lausanne, na Suíça.

A Fifa manterá procedimento das últimas Copas: todos os jogadores convocados, das 32 seleções, serão testados antes do torneio, em datas não divulgadas – teste surpresa. Haverá também o recolhimento de amostras após todas as partidas, de atletas sorteados no dia do confronto.

Cada um dos inscritos terá um ''passaporte biológico'', com resultados de testes que realizaram anteriormente, para comparação caso haja alguma alteração nos colhidos antes e durante a Copa. Esse passaporte inclui procedimentos feitos em outros torneios Fifa, como a Copa das Confederações de 2017, ou competições de clubes, principalmente a Liga dos Campeões da Europa e torneios nacionais, como o Campeonato Brasileiro.

Mais de mil atletas russos, de 30 modalidades (incluindo o futebol), foram envolvidos no escândalo de doping russo -funcionários da agência local, com conhecimento do governo, teriam manipulado exames para que atletas dopados não fossem pegos. Após denúncia ao jornal ''NY Times'', em maio de 2016, feita por Grigori Rodchenkov, que comandava o laboratório de testes russo, a Wada solicitou uma investigação, comandada pelo jurista canadense Richard McLaren.

Foram dois relatórios apresentados, o primeiro com foco em problemas encontrados antes e durante os Jogos de Inverno de 2014, realizado em Sochi, na Rússia (cidade que será também sede da Copa do Mundo), e outro que avaliou todo o esporte do país. Com base nesses documentos, por exemplo, russos do atletismo não puderam disputar a Olimpíada de 2016, no Rio, e a Rússia não disputa os Jogos de Inverno que estão sendo realizados neste momento na Coreia do Sul — os atletas do país que não foram flagrados dopados atuam sob a bandeira olímpica.

A Fifa tem sido criticada por não ter punido atletas do futebol que podem ter se beneficiado do esquema. A entidade informou que os jogadores russos que participaram da Copa-2014, no Brasil, foram testados e todos deram negativos – a Fifa diz que não tem indícios, portanto, para colocar qualquer jogador daquele time sob investigação.

Também afirmou que foram realizados testes no time russo na Copa das Confederações de 2017, realizada no mesmo palco da Copa-2018, com todos dando negativo. E que a Uefa (União Europeia de Futebol) realizou exames, também negativos, durante a Euro-2016 e refez os testes da Euro-2012, com técnicas mais avançadas, e não foram encontrados indícios de doping dos atletas da Rússia que disputaram aquela competição.


Conmebol avalia acabar com gol de visitante como desempate na Libertadores
Comentários 18

Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) confirmou que o gol fora de casa como desempate está sob análise em suas competições. A CBF já eliminou essa regra de seu torneio eliminatório, a Copa do Brasil, e os brasileiros são os principais incentivadores para que Libertadores e Sul-Americana também mudem a partir de 2019.

''Esse é um dos pontos, dentre outros, que está sob análise para as competições de clubes da Conmebol para os próximos anos'', admitiu Frederico Nantes, diretor de competições de clubes da confederação sul-americana – como revelado pelo blog, a Conmebol dividiu sua diretoria de competições em duas: Nantes cuida da Libertadores e Sul-Americana, e o paraguaio Hugo Figueredo dos torneios de seleções, como a Copa América.

Os clubes brasileiros querem o fim do gol qualificado como desempate – quando, nos confrontos mata-mata, o time que mais marcou como visitante avança de fase. Já argentinos e uruguaios, que também têm força nos bastidores da Conmebol, gostam deste item do regulamento. São eles que precisam ser convencidos para que a mudança ocorra – no regulamento atual, somente a final não tem a regra.

A Libertadores tem a regra desde 2005, mas na Europa se usa desde os anos 80 e foi criado com dois objetivos principais: evitar decisão de vagas nos pênaltis, e fazer com que a equipe que joga fora de casa tente o gol, não ficando apenas na ''retranca''.

O  problema é que, atualmente, os objetivos de ter o gol qualificado como desempate não funcionam mais como anos atrás. Disputas por pênaltis, por exemplo, deixaram de ser ''loteria'' há algum tempo. Hoje os times mais bem treinados e que estudam os cobradores e goleiros adversários, por exemplo, têm mais chance de avançar do que um time que aleatoriamente coloca seus atletas para baterem os penais. Não é mais simplesmente sorte.

Atualmente também o gol fora como desempate criou efeito contrário com relação a atuar defensivamente: os mandantes, principalmente aqueles que atuam na primeira partida do mata-mata para sua torcida, jogam com medo de levar gol, e muitos se protegem mais do que normalmente fariam. O 0 a 0 virou bom negócio ao time da casa em um jogo eliminatório, já que o empate com gols quando visitar o rival o classifica para a próxima fase.

A ideia é que o tema esteja presente nas próximas reuniões do departamento de competições da Conmebol. Nantes também falou ao blog sobre o uso do árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês), principalmente na Libertadores. A tecnologia foi utilizada nas semifinais e final da edição de 2017, mas foi descartada para as fases iniciais e de grupo do torneio em 2018.

''O uso da tecnologia como apoio ao trabalho dos árbitros, utilizada de modo experimental em fases da Libertadores e Sul-Americana, deixou um saldo bastante positivo. A Fifa vai utilizar o VAR na Copa do Mundo e a Conmebol fará o mesmo em 2018. Ainda está sob análise a partir de que fase vamos utilizar'', disse.

O blog apurou que a confederação gostaria de usar o VAR na Libertadores a partir das oitavas de final, mas que custo e estrutura dos estádios pode fazer com que fique inviável, e a tecnologia apareça nas quartas de final ou, como em 2017, somente nas semifinais e final.


Jailson e Vanderlei não têm o perfil para terceiro goleiro em Copa do Mundo
Comentários 53

Marcel Rizzo

Jailson não perde um jogo pelo Palmeiras tem mais de 500 dias (Crédito: Ag. Palmeiras)

A história da seleção brasileira em Copas do Mundo, com rara exceção, conta que o terceiro goleiro, o 23º convocado para a competição, pode ter dois perfis: primeiro o de um jogador jovem, com potencial para estar nos próximos Mundiais. Segundo, o de um atleta mais experiente e que tenha identificação com o treinador e, consequentemente, a sua confiança.

Nem Vanderlei, do Santos (34 anos), nem Jailson, do Palmeiras (36), têm esses perfis. Não são garotos a ponto de sonhar com o Qatar, em 2022, nem goleiros com histórico de trabalhos com Tite ou com o preparador de goleiros da seleção, o campeão mundial de 1994 Taffarel.

A fase de ambos é excelente, e por isso é normal uma comoção para que tenham chance na Copa da Rússia, que terá início em junho — pressão normal às vésperas de convocações para Mundial (a lista final sai no começo de maio). Mas Tite, ao que parece, vai seguir a linha de perfis de terceiros goleiros que a história conta.

Alisson, 25, da Roma, e Ederson, 24, do Manchester City, estão garantidos na Copa, salvo algo ocorra até maio (lesão ou algum grave problema comportamental). Alisson, que tem sido a grande aposta de Taffarel para o gol da seleção na Rússia desde o início desse ciclo de Copa, quando assumiu o cargo com Dunga, será o titular. Ederson, o primeiro reserva.

Ambos são jovens, e podem ter tranquilamente mais duas (ou até três) Copas no currículo. O perfil goleiro jovem para o futuro está preenchido. É por isso que Tite pende hoje para preencher a vaga de 23º jogador com alguém de sua confiança: Cássio, 30, foi seu jogador no Corinthians, e como Vanderlei e Jailson está em boa fase — veja, pende, pois ainda não está fechado (leia mais abaixo).

Cássio foi um dos responsáveis pela ótima campanha do Corinthians em 2017, que nos títulos dos campeonatos Paulista e Brasileiro teve como pilar principal um eficiente setor defensivo. Para alguns treinadores, o terceiro goleiro em Copa precisa ser alguém de confiança para não tumultuar o ambiente de trabalho e passar ao restante do elenco os pontos de vista que o comandante acredita ser essencial. O número três não vai jogar, e com essa informação chegamos ao ponto: ele não precisar ser aquele que, neste momento, esteja melhor tecnicamente.

Nunca entrou em campo

A Fifa criou a vaga para um terceiro goleiro em Copa do Mundo em 1970, no México. E nunca um atleta chamado para essa função entrou em campo pelo Brasil. Mesmo o primeiro reserva pouco jogou: nas Copas de 1930 e 1938, na era amadora, houve revezamento dos dois arqueiros do elenco. Em 1966, pior participação brasileira em Mundiais, Manga substituiu Gilmar na última partida da primeira fase e, em 2006, Rogério Ceni entrou no segundo tempo da vitória de 4 a 1 sobre o Japão no lugar de Dida, uma espécie de homenagem de Parreira ao goleiro que quatro anos antes havia participado da campanha do Penta.

O terceiro goleiro foi uma solicitação dos europeus para 1970, já que temiam problemas de condicionamento físico com jogos sendo realizados, na maioria, às 12h (horário local). O argumento foi de que poderia ser inviável para um arqueiro atravessar o Atlântico a tempo hábil de substituir um dos dois goleiros que se machucassem. A Fifa topou, e depois nunca mais mudou a regra.

Emerson Leão foi o primeiro terceiro goleiro convocado pela seleção brasileira para uma Copa. Aos 20 anos, era uma aposta de Zagallo para o futuro, iniciando uma era de perfis jovens para a posição — com Leão a tese se comprovou, já que ele foi o titular nos Mundiais de 1974 e de 1978.

Até 1982, o terceiro goleiro convocado tinha esse perfil ''jovem se preparando para as próximas Copas''. Foi assim com Waldir Peres, 23 em anos em 1974, e com Carlos,  22, em 1978. Para o Mundial da Espanha, Telê Santana quebrou essa escrita ao chamar Paulo Sérgio, de 28 anos e em ótima fase no Botafogo.

À época questionava-se Telê por deixar de fora o experiente Leão, então no Grêmio, ainda com bom rendimento, mas o curioso é que não se lamentava as convocações de Carlos (como reserva imediato) e Paulo Sérgio de número três: o problema era Waldir Peres, o titular, que não era unanimidade, mas tinha a confiança do técnico. Paulo Sérgio talvez seja a exceção em uma regra e foi um terceiro goleiro que, naquele momento, merecia isso tecnicamente.

Quatro anos depois, no México em 1986, Telê Santana se redimiu com Emerson Leão e o levou como terceira opção para o gol, aos 36 anos. A explicação foi a de que precisava de alguém experiente para transmitir o que é jogar um Mundial para o elenco, formado boa parte por estreantes. Telê não sabia mas iniciava ali a era dos terceiros goleiros de confiança.

Na sequência, com duas interrupções no meio: Zé Carlos (1990), Gilmar (1994), Rogério Ceni (2002), Gomes (2010) e Victor (2014). Em 1998, com Dida (24 anos), e em 2006, com Júlio César (26), foi usado o outro perfil para terceiro goleiro, jovens se pensando no futuro (que se concretizaram, pois tanto Dida, em 2006, e Júlio, em 2010 e 2014, foram titulares em Copas).

Voz aos críticos?

Antes da lista definitiva da Copa da Rússia, Tite fará uma convocação dia 2 de março para amistosos contra a Alemanha (em Berlim) e Rússia (em Moscou), no fim do mesmo mês. Alisson e Ederson estão dentro, Cássio é o favorito ainda, mas informação publicada pelo Globoesporte.com mostra que o treinador está olhando com carinho Neto, revelado pelo Atlético-PR e que hoje vai muito bem no Valencia.

Aos 28 anos, Neto foge dos perfis tradicionais de terceiro goleiro: não é tão jovem pensando em outro Mundial (é mais velho que Alisson e Ederson), e não tem histórico com Tite. Talvez o arqueiro, se conseguir passar Cássio e ficar com a vaga, se torne o Paulo Sérgio de Tite, aquele que Telê levou em 1982 por realmente estar em boa fase.

Se isso acontecer, aqueles que defendem Jailson, Vanderlei, Marcelo Grohe (Grêmio), entre outros, terão bons argumentos para questionar Tite: se a opção não foi por idade, ou confiança, por que não olhou para esses nomes? A tendência, porém, ainda é que Cássio esteja na lista final de maio.

Leia também:


Lobby tenta aumentar para oito as sedes da Copa América de 2019, no Brasil
Comentários 4

Marcel Rizzo

Arena Pernambuco (Getty Images)

Foi dado o sinal verde pelo recém criado Comitê Organizador da Copa América de 2019, que será realizada no Brasil, para que se vistorie e avalie as condições dos estádios Arena Castelão, em Fortaleza, e Arena Pernambuco, nos arredores do Recife, que disputam para ser a sétima sede da competição.

Há, porém, um movimento para que Ceará e Pernambuco recebam jogos da competição, que seria realizada então em oito cidades. O principal motivo para isso foi que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) confirmou que serão 16 seleções participantes — as dez filiadas da América do Sul e mais seis convidadas, que podem ser das Américas do Norte e Central, mas também da Ásia e da Europa.

O principal argumento para que se feche em oito sedes, desde que todas demonstrem capacidade, é que na Copa América do Centenário, realizada em 2016, nos EUA, dez cidades foram usadas para a competição, com distâncias até superiores do que os times teriam que rodar no Brasil – o Brasil, por exemplo, atuou em Pasadena, ao lado de Los Angeles, na costa oeste, e depois voou a Orlando, na costa leste, mais de 4 mil km distante.

Seis cidades têm hoje presença praticamente garantida na Copa América de 2019: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Os estádios e infraestrutura das cidades ainda precisam ser vistoriados, mas as arenas usadas devem ser as da Copa-2014, estádios com uso de cinco a seis anos.

No Rio há uma certa preocupação com o Maracanã, que convive com os problemas em sua concessão e nunca se sabe como estará daqui um ano e quatro meses. Em São Paulo, existe também a possibilidade de dois estádios serem usados: Arena do Corinthians e Allianz Parque. Mineirão, Nacional/Mané Garrincha, Beira-Rio ou Arena do Grêmio (este também não esteve na Copa) e Arena Fonte Nova são as demais opções.

O COL da Copa América terá como principal executivo Rogério Caboclo, que hoje comanda a CBF com a suspensão provisória do presidente Marco Polo Del Nero, investigado por suspeitas de corrupção — ele nega as acusações. Como publicou o site ''Globoesporte.com'', os ex-jogadores Cafu e Branco farão parte do comitê, que terá ainda o vice da CBF e representante do Brasil na Fifa, Fernando Sarney, e num primeiro momento Antônio Carlos Nunes, presidente interino da CBF.


Até Carille sofreu: regra torna Copa do Brasil principal vilã para técnicos
Comentários 5

Marcel Rizzo

Há um consenso entre cartolas, treinadores e procuradores de futebol de que a Copa do Brasil, com o regulamento atual, se tornará a nova vilã para emprego de técnicos no começo do ano, tomando o lugar dos Estaduais.

Ao fim da primeira fase dessa edição de 2018, más atuações, e até eliminações de grandes clubes, fizeram com que treinadores ficassem na berlinda. Felipe Conceição, do Botafogo, entrou na mira da diretoria com a derrota para o Aparecidense, de Goiás. Oswaldo de Oliveira, do Atlético-MG, se estressou a ponto de partir para cima de um repórter depois de seu time somente empatar contra o Atlético Acreano — o 1 a 1 classificou os mineiros por força do regulamento, mas a péssima atuação aliada ao destempero de Oliveira o fizeram ser demitido nesta sexta (9).

Desde 2017, a CBF transformou as duas primeiras fases da Copa do Brasil em jogo único. Na primeira etapa, os times mais tradicionais visitam os pequenos, e jogam pelo empate. Na segunda, a igualdade leva a decisão para os pênaltis, mas as equipes melhores ranqueadas pela confederação podem atuar em casa.

O Botafogo podia empatar para passar pelo Aparecidense, que disputou a Série D (Quarta Divisão) nacional em 2017, um benefício enorme levando em conta a diferença técnica entre as equipes. O 2 a 1 contra, porém, jogou uma enorme pressão sobre o novato Felipe Conceição, algo que até 2016 era uma especialidade de tropeços nos hoje bem pouco valorizados Estaduais — dez entre dez executivos de futebol concordam que técnicos com o perfil de Conceição, que são promovidos de cargo de auxiliar, precisam conseguir bons resultados a curto prazo para ter vida longa em clubes grandes.

Fábio Carille é o grande exemplo disso. No fim de 2016 ele foi promovido ao comando técnico do Corinthians para 2017, não sem antes o clube paulista procurar outros treinadores, como o colombiano Reinaldo Rueda. O ano começou com desconfiança: no Estadual, que para muitos serve apenas para desestabilizar trabalhos, o Corinthians perdeu um jogo em casa para o Santo André, e acumulou vitórias magras por 1 a 0 — uma sobre o rival Palmeiras, é verdade, mas que não deu a paz ideal para Carille no início de trabalho.

Outro 1 a 0 adiantou para classificar o time para a segunda fase da Copa do Brasil, vitória sobre a Caldense-MG, mas começou a se questionar a efetividade do ataque corintiano com Carille no comando. Veio o dia 1º de março, e o Corinthians visitou o Brusque, em Santa Catarina, pela segunda fase do torneio mata-mata. O jogo não teve gol, e os paulistas venceram nos pênaltis, 5 a 4, depois de uma reviravolta — estiveram a ponto de ser eliminados.

O blog ouviu de pelos menos duas pessoas com trânsito entre os dirigentes do Corinthians de que havia pressão sobre Carille naquele momento, e que uma derrota em Brusque, se não o fizesse sair imediatamente, faria a direção voltar a procurar um treinador. Ou seja: o técnico que nos meses seguintes se tornou a sensação do ano, levando o Corinthians aos títulos Paulista e Brasileiro, ao melhor primeiro turno da Série A da história e à montagem de uma das equipes mais seguras defensivamente dos últimos anos, poderia ter perdido o emprego por causa de uma derrota na Copa do Brasil.

Desde que deixou de ser um classificatório para a Copa do Brasil (que leva à Libertadores), os Estaduais perderam importância. Também houve a valorização do Brasileiro, que em 2003 se tornou por pontos corridos e ocupou mais espaço no calendário, limitando os Paulistas, Cariocas e outros aos primeiros meses do ano. Justamente o período em que os times estão sendo montados, e quando os resultados demoram mais para chegar.

Tropeços nos Estaduais se tornaram o martírio dos técnicos, principalmente dos mais jovens. Muitos chegavam minados ao começo do Brasileiro, e quando os maus resultados persistiam, a queda era quase inevitável — vide Eduardo Baptista no Palmeiras, no ano passado.

Agora, o Estadual ganhou a companhia da Copa do Brasil como torneio ''exterminador'' de treinadores no começo do ano, com dois agravantes: o fracasso no Estadual demora algumas rodadas, e meses, para ser identificado. No campeonato da CBF, é um jogo, uma noite, para que a campanha termine. Há também a questão financeira já que hoje a Copa do Brasil premia muito bem (o campeão pode levar mais de R$ 68 milhões). Ou seja, há um prejuízo para o caixa enorme sair tão precocemente da competição.

Oswaldo de Oliveira sentiu isso na pele mesmo ganhando, Conceição está sentindo ao perder e nos próximos anos, com o regulamento mantido, isso deve continuar.