Blog do Marcel Rizzo

Drones não são comuns; principal espião no futebol ainda é o ‘dedo-duro’
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Marcel Rizzo

A revelação da jornalista Gabriela Moreira, da ESPN, de que o Grêmio tem utilizado em 2017 drones e câmeras em árvores e muros para receber informações de treinos fechados de adversários poderia ter causado uma gritaria entre cartolas e técnicos que teriam sido espionados pelo clube gaúcho, mas isso não aconteceu.

Nem mesmo Jorge Almirón, treinador do Lanús, o rival gremista nesta quarta (22) na primeira partida da final da Libertadores, e clube que teve o centro de treinamento invadido por um drone, como flagrado pela ESPN, reclamou: ele mesmo disse ter seus espiões e que qualquer informação que receba pode ser relevante em uma decisão.

O motivo de técnicos e dirigentes de adversários do Grêmio ignorarem o espião rival é simples: quase todos também usam métodos para descobrir segredos do rival. ''Pergunte a 40 técnicos do Brasil, escolha qualquer técnico e pergunte como eles descobrem as jogadas do adversário'', disse o treinador gremista Renato Gaúcho na terça (21), quando admitiu que recebe informações sigilosas de um profissional.

A espionagem ocorre desde sempre no futebol e se intensificou com a adoção de treinos fechados pelos times, algo que se tornou viável quando se construíram CTs com acesso restrito — antes se trabalhava normalmente em campos dentro dos clubes sociais, onde era mais difícil impedir que algum curioso acompanhasse a movimentação.

O leque de opções para se espionar aumentou com a ajuda tecnológica, como drones ou câmeras de longo alcance. Cartolas e profissionais de clubes ouvidos pelo blog apontaram que são três os principais métodos usados hoje em dia, e mesmo com toda a parafernália disponível o mais recorrente ainda é buscar informações com colegas de profissão. Sim, há pessoas que trabalham no dia a dia de um clube e passam dicas a adversários.

Veja como se espionam o adversário atualmente:

1) A troca de informações entre jogadores, dirigentes, membros de comissões técnicas de times rivais é mais comum do que se pensa e a principal maneira de se conseguir informações sigilosas sobre escalações, esquemas táticos e jogadas ensaiadas que vão ser usadas. O perfil principal do ''dedo-duro'' é o de atletas e profissionais que estejam insatisfeitos do lado de lá, seja por não estarem sendo utilizados, ou por não terem tido a promoção desejada. Esse é um dos motivos que faz treinadores exigirem levar consigo o maior número de pessoas de confiança quando assumem uma equipe, ou colocar para treinar separadamente aquele jogador que não agrada naquele momento.

2) O uso de um espião observando o treinamento in loco se tornou mais difícil com a utilização, quase diária, de treinos fechados (no Brasil ainda se abrem alguns trabalhos para a imprensa, mas na Europa, por exemplo, todos os times treinam à portas fechadas diariamente). Mas naqueles trabalhos que são abertos ainda se tenta colocar um olheiro para analisar possíveis estratégias do adversário. Hoje em dia é usado muito quando equipes fazem reconhecimento do gramado do time rival — se pode colocar o espião em camarotes, por exemplo.

3) Por último o uso da tecnologia, como drones e câmeras. Está se tornando mais comum, como se notou com o trabalho realizado pelo profissional contratado pelo Grêmio, mas ainda é algo caro. Há a manutenção do equipamento, edição de imagem, e outros detalhes que fazem com que muitos clubes ainda prefiram o ''boca a boca''.


Nove brasileiros na Libertadores? Conmebol sofre pressão para mudar regra
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Marcel Rizzo

O possível G9 do Campeonato Brasileiro, ou seja, nove times do Brasil na Libertadores-2018 desagrada algumas confederações sul-americanas que já pressionam a Conmebol por mudanças na classificação para a competição de 2019. Querem evitar o inchaço com times de um mesmo país, principalmente se forem brasileiros, país que já tem a maior quantidade mínima de vagas atualmente, sete.

O Brasil terá nove representantes na próxima Libertadores se o Grêmio for campeão da edição 2017 (está na final contra o argentino Lanús) e se o Flamengo vencer a Sul-Americana (encara na semifinal o Junior Barranquilla, da Colômbia). Se confirmado, quase 20% do total de participantes (47) serão brasileiros.

Confederações como as do Chile, Colômbia e Paraguai, que têm quatro posições diretas na Libertadores, querem que as vagas destinadas aos campeões da Libertadores e da Sul-Americana na Libertadores seguinte permaneçam com times que disputaram essas competições, e não sejam migradas aos países da equipe campeã caso ela assegure também a classificação por meio do critério técnico de sua confederação.

Hoje funciona assim: o time campeão da Sul-Americana ou da Libertadores se garante na Libertadores do ano seguinte por esse título. Caso ele também consiga a vaga por seu país (no caso do Brasil ficar entre os seis primeiros do Brasileiro ou ser campeão da Copa do Brasil), ele mantém sua classificação por meio da conquista, e abre uma nova posição dentro do critério técnico de sua confederação — a CBF, por exemplo, opta por dar a classificação à equipe seguinte na tabela da Série A nacional.

Nesse caso, no Brasil, o G6 do Brasileiro vira G7 se o país faz o campeão da Libertadores e esse time está no G6 e se transforma em G8 se também tem o vencedor da Sul-Americana e ele está no G6 – o nono classificado é o time campeão da Copa do Brasil, que pode dar até espaço ao nono colocado do Brasileiro caso o vencedor do torneio mata-mata da CBF esteja no G6 (é o que acontece nessa temporada com o Cruzeiro).

O que querem mudar: que o campeão da Sul-Americana ou Libertadores, caso também se classifique pelos critérios técnicos de seus país, fique com a vaga por sua confederação, abrindo espaço para a equipe logo abaixo dela no torneio que acaba de vencer. Por exemplo, se o Grêmio vencer a Libertadores este ano, o vice Lanús não jogará a Libertadores em 2018 porque não entrará por seu país.

Pela mudança que desejam algumas confederações, o Lanús entraria, e não mais um time brasileiro. Mas se o Lanús já estivesse na Libertadores via Argentina, o terceiro colocado da Libertadores-2017 herdaria a vaga, e assim por diante. A ideia é que esse time que entrasse via Libertadores como vice porque o campeão já tem vaga assegurada em seu país disputasse as fases eliminatórias da competição, em vez de entrar direto na etapa de grupos.

Atualmente pela tabela do Brasileiro, os times brasileiros que se beneficiaram com a oitava e a nova vagas na Libertadores -2018 seriam Atlético-MG e Vasco. Em 2016, a Chapecoense foi declarada campeã da Sul-Americana, após acidente que matou quase todo seu elenco antes da final contra o Atlético Nacional (COL), mas como terminou em 11º o Brasileiro, portanto fora da zona de classificação para a Libertadores, entrou na competição em 2017 pelo título conquistado – foram oito brasileiros no torneio, o que já gerou descontentamento de algumas confederações, abafado pela tragédia que abalou o futebol no continente no fim do ano passado.


Como a seleção fará Cássio perder parte do prêmio pelo título corintiano
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Marcel Rizzo

Cássio perdeu posto de quem mais jogou no Brasileiro (Crédito: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A convocação à seleção brasileira para os amistosos contra Japão e Inglaterra, neste mês de novembro, fará com que o goleiro Cássio receba menor fatia da premiação que o Corinthians pagará pelo título brasileiro.

O Corinthians deve repassar cerca de R$ 10 milhões dos R$ 18 milhões que receberá da CBF como ''bicho'' pela conquista a elenco, comissão técnica e funcionários ligados ao departamento de futebol. No caso dos jogadores, o acerto é de que o pagamento será feito de maneira proporcional, ou seja, quem jogou mais, ganha mais.

Cássio já perdeu parte da verba, já que poderia alcançar 38 jogos e ficar com o máximo que um atleta vai receber por fazer todas as partidas (o valor certinho não está definido).

Até ser convocado, Cássio dividia com o volante Maycon o posto de atleta que mais havia atuado no Brasileiro, 32 vezes. Mas os três jogos de ausência fizeram com que o meio-campista, apesar de perdido a titularidade, entrasse no decorrer das partidas e completasse todas as 35 da competição até aqui.

Restam mais três confrontos a se cumprir tabela até o início de dezembro, e não se sabe ainda como o técnico Fábio Carille vai manejar a escalação nessas partidas. De qualquer maneira, a ausência nos três últimos jogos (substituído uma vez por Walter, que se machucou, e depois por Caíque França), fará com que Cássio receba um valor de premiação menor.

Nas convocações anteriores, o goleiro não perdeu partidas porque eram válidas pelas Eliminatórias e a CBF desenhou o calendário para que não houvesse Brasileiro. Em novembro, como são amistosos, a entidade optou por manter as rodadas da Série A normalmente.

Em campo

O Corinthians usou 30 jogadores na campanha do título até o momento. Todos têm direito a receber a premiação. Há uma discussão interna, apurou o blog, de abrir o ''bicho'' para todo o elenco, independentemente da participação ou não em campo, ou até mesmo excluir a proporcionalidade, pagando de maneira igual a todos. Por enquanto, porém, seguem as regras de que quem mais jogou, mais recebe.

Depois de Maycon, e empatado com Cássio com 32 jogos, está o atacante Jô, que também é o artilheiro do Brasileiro, com 18 gols. Na sequência vêm Arana e Rodriguinho, com 31 partidas cada, Fagner e Gabriel, com 30, e Babuena e Romero, com 29. Isso, claro, ainda vai mudar até o fim da competição, daqui a três rodadas.


Depois de rescisão polêmica no SP, Ceni terá multa bem menor no Fortaleza
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Marcel Rizzo

A multa rescisória de Rogério Ceni em caso de rompimento de contrato com o Fortaleza será o valor que se faltará pagar do acordo assinado por um ano. Vale para caso o clube opte pela demissão, mas também se o treinador decidir sair – caso receba uma proposta, por exemplo, terá que pagar a indenização.

O seu salário, segundo o jornal O Povo, é de aproximadamente de R$ 150 mil mensais, o que dará um acumulado ao final do contrato de quase R$ 2 milhões. Caso, por exemplo, ele saia em junho, faltarão cinco meses para o fim do acordo, em novembro, portanto a parte que decidir pelo rompimento arcaria com R$ 750 mil.

É bem menos do que o contrato com o São Paulo, seu primeiro clube como treinador, estipulava. No Morumbi de dezembro do ano passado a julho de 2017, a multa que o clube deveria pagar era de R$ 5 milhões caso ele conseguisse aproveitamento de pontos superior à média de seus três antecessores, de 40%. Ele saiu com 49,5%, portanto com direito a receber o valor.

Em setembro, o UOL Esporte publicou que o São Paulo pagaria essa rescisão de forma parcelada. Quando assinou o contrato em dezembro de 2016, Ceni temia que um novo presidente assumisse o clube em abril de 2017, o que deixaria sua situação como treinador em suspenso. No final Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, se manteve no cargo, mas três meses depois decidiu por sua demissão.

Na entrevista coletiva que o introduziu como treinador do Fortaleza, nesta quarta (15), Ceni fez questão de frisar, mais de uma vez, que pretende cumprir o contrato de um ano que assumiu com o time cearense. Em dois outros momentos salientou que ficou apenas por seis meses no São Paulo, pouco tempo para conduzir um trabalho vencedor. Mesmo sem fazer críticas diretas ao clube pelo qual passou 27 anos, entre jogador e treinador, demonstrou certa mágoa.

No Fortaleza, ele terá, além do salário, direito ao lucro de 50% dos produtos vendidos com sua marca, como revelou o blog. O clube pretende usar e abusar do slogan ''M1to'', criado quando Ceni ainda era goleiro e principal ídolo do São Paulo. A direção do time cearense espera também que Ceni atraia novos patrocinadores e sócios-torcedores.


Braço de TV acusada por propina comprou direitos da Copa-18 em toda América
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Marcel Rizzo

A Fifa vendeu a um braço da Televisa, cadeia de TV mexicana acusada de pagar propina para adquirir competições de futebol, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, em nove dos dez países da América do Sul — a exceção foi o Brasil, onde a Fifa vendeu diretamente à TV Globo, também acusada pelo executivo argentino Alejandro Burzaco de corrupção. A emissora brasileira nega os ilícitos, a Televisa não se pronunciou.

A Mountrigi Management Group Limited tem sede na Suíça (onde também está a Fifa), e pertence à Televisa. A empresa comprou diretamente da Fifa os direitos de transmissão para a Copa da Rússia, em todos os meios, na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Os valores pagos não são conhecidos.

A negociação com a Mountrigi já havia chamado atenção em 2015, pouco depois do escândalo de corrupção apelidado de Fifagate vir à tona, em maio — em 19 de setembro daquele ano, a coluna Painel FC do jornal ''Folha de S. Paulo'', assinada por este blogueiro, noticiou a compra desses direitos pela Mountrigi, uma empresa desconhecida apesar de braço de uma cadeia de televisão gigante como a Televisa. O detalhe, agora, é a acusação de que os mexicanos também pagavam propina a cartolas, o que fazer com que as negociações da Mountrigi sejam investigadas.

A empresa que detém os direitos de uma competição Fifa em determinado país pode, depois, repassá-los a outros veículos, por valores a serem negociados entre as partes. Foi o que a Mountrigi fez. Na Argentina, por exemplo, para a TyC International BV, braço da Torneos Y Competencias, empresa que teve Burzaco como um dos executivos e que esta no centro do escândalo de corrupção que abalou o futebol a partir de maio de 2015.

A TyC International, por sua vez, repassou os direitos que comprou da Mountrigi para a DirecTV Latin America, que efetivamente irá transmitir os jogos do Mundial do ano que vem em território argentino. O mesmo foi feito pela Mountrigi nos outros oito países, com destaque para Uruguai e Paraguai, para onde os direitos também foram vendidos para a TyC International, que igualmente os repassou depois para a DirecTV Latin America.

A Mountrigi se especializou em comprar esses direitos de transmissão de eventos Fifa nas Américas, não apenas no sul do continente: para a Copa da Rússia adquiriu na Costa Rica, Honduras, Panamá, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e… México. Em solo mexicano, a Mountrigi repassou os direitos justamente para a Televisa.

E não foi apenas os direitos do principal torneio da Fifa nas Américas que a empresa com sede na Suiça comprou os direitos. Os mundiais Sub-17 e Sub-20, para citar dpois torneios realizados em 2017, seguiram o mesmo roteiro: compra em nove dos dez países da América do Sul, com exceção do Brasil, que é exclusivo da Globo.

O depoimento de Burzaco nesta terça (14), como testemunha de acusação em julgamento que tem como reús o ex-presidente da CBF José Maria Marin, o ex-presidente da Conmebol Juan Ángel Napout e o ex-presidente da federação peruana Manuel Burga, todos acusados de receberem propinas de empresas como a de Burzaco, citou, além de Globo e Televisa, que outras empresas também pagavam dinheiro a cartolas, como a Fox Sports e companhias de intermediação, como a Traffic e a Full Play (essas duas últimas já investigadas no Fifagate).

Marin, Napout e Burga negam as acusações de corrupção, e por isso foram a julgamento. Cerca de outras 40 pessoas envolvidas na investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA (porque naquele país circulava o dinheiro envolvido nessas negociações) se declararam culpados e colaboraram com delações. Também acusados, Ricardo Teixeira, ex-presidente, e Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, negam atos de corrupção — eles não está presos como Marin porque estão no Brasil, que não extradita seus cidadãos.


CBF volta atrás após consultar Corinthians e não levará troféu nesta quarta
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UOL Esporte

A entrega do troféu de campeão brasileiro para o Corinthians, caso o clube confirme o título já na próxima quarta-feira (15), não ocorrerá mais após a partida contra o Fluminense, em Itaquera. Horas após confirmar que levaria a taça ao estádio, a CBF decidiu, após consulta ao time paulista, adiar a premiação oficial.

A CBF informou ao blog que voltou atrás na decisão por conta do horário da partida, que deve terminar perto da meia noite. A festa completa após o jogo, com montagem de pódio, entrega de medalhas e do troféu, costuma durar de 30 a 40 minutos – o que excederia o horário de funcionamento do metrô e complicaria a ida dos torcedores para casa.

Em 2016, a CBF montou pódio e levou o troféu para a partida que confirmou o título brasileiro do Palmeiras. Na ocasião, porém, o confronto ocorreu em um domingo, o que facilitava a logística do retorno dos torcedores.

Para encurtar a duração da premiação, foi cogitado que não houvesse pódio ou medalhas, apenas a entrega do troféu. A ideia, porém, acabou descartada.

Ficou decidido que, caso o Corinthians confirme o título nesta quarta, a premiação e entrega do troféu serão realizados no próximo jogo da equipe em Itaquera – no dia 26 de novembro, contra o Atlético-MG, pela 37ª rodada.


Troféu vai a Itaquera: campeão na quarta, Corinthians já fará festa oficial
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Marcel Rizzo

* Atualizada às 14h02

A CBF definiu que levará para Itaquera nesta quarta-feira (15) o troféu de campeão e todos os equipamentos, como pódio, medalha e papéis picados, para que o Corinthians já faça a festa se confirmar o título do Brasileiro contra o Fluminense (jogo começa às 21h45, de Brasília). – (NOTA DA EDIÇÃO: horas depois, a entidade voltou atrás e desistiu de levar o troféu)

Nada, porém , ficará exposto aos torcedores. Tudo ficará guardado em uma sala na arena corintiana para caso o título não ocorra nesse meio de semana — em jogos de torneios que tem as finais em partidas eliminatórias, como Copa do Brasil e Libertadores, a taça fica exposta à beira do gramado na finalíssima.

O mesmo foi feito no ano passado, quando o Palmeiras poderia ser campeão contra a Chapecoense, na penúltima rodada, e troféu e equipamentos foram enviados ao Allianz Parque, mas ficaram guardados durante os 90 minutos. Com a confirmação do título, tudo foi montado rapidamente e os palmeirenses puderam levantar a taça, com pódio e tudo, na frente de seus torcedores.

A CBF vem mudando aos anos os procedimentos de entrega de taça aos campeões brasileiros no sistema de pontos corridos, quando um time pode ser o vencedor com antecedência. Em 2015, o Corinthians venceu três rodadas antes do fim, em jogo contra o Vasco, em São Januário. O time fez festa, teve até uma taça alternativa, mas não foi com o troféu oficial do Brasileiro ou com pódio montado. Isso só ocorreu no jogo seguinte, frente ao São Paulo, em Itaquera.

Houve ano, como em 2012, com o Fluminense campeão, que o time do Rio recebeu o troféu oficial na festa de encerramento do campeonato, quando a CBF anuncia os craques da competição, que normalmente é realizada um dia após o término da competição.

Para ser campeão nesta quarta, basta ao Corinthians vencer o Fluminense. Se empatar, não poderá levantar o troféu em Itaquera porque o Palmeiras, terceiro colocado, jogará na quinta, frente ao Sport, e se vencer ainda terá chances de alcançar o rival. O Grêmio, vice-líder, joga também na quarta, mas mais cedo, 19h30, diante do São Paulo.


Palmeiras vai faturar com Gabriel Jesus na lista de Tite para a Copa-2018
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Marcel Rizzo

Gabriel Jesus só não vai à Copa se machucar (Crédito: Juan Barreto/AFP Photo)

Gabriel Jesus ainda pode rendar uma renda extra ao Palmeiras de até R$ 300 mil. E vai depender de Tite e da campanha brasileira na Copa do Mundo de 2018. Se Jesus for convocado ao Mundial da Rússia, o que só não deve acontecer se ele se machucar, o time paulista terá direito à indenização da Fifa.

Como mostrou o blog na terça (7), a Fifa definiu quanto pagará a cada time que tiver jogadores convocados para a Copa-2018, o chamado ''programa de benefício aos clubes'' — exigência principalmente dos europeus, que pagam altos salários e acabam vendo seus atletas perderem férias para jogar a Copa. E, pelas regras, o pagamento é feito a todos os times que tiveram contrato com o atleta até dois anos antes do dia seguinte à última partida da seleção na competição.

Funciona assim: se Jesus estiver na lista final de Tite, e o Brasil chegar à final da competição, dia 15 de julho, a Fifa vai pagar um total de US$ 400,9 mil (R$ 1,3 milhão) pela presença do atleta na competição, a serem divididos entre o Palmeiras, que detinha seu contrato em 16 de julho de 2016, e Manchester City, para qual foi negociado a partir de 1º de janeiro de 2017 (a negociação foi fechada antes, mas o contrato passou a valer dessa data, quando abriu a janela de transferências).

Na melhor das hipóteses, com o Brasil finalista, o Palmeiras teria direito a US$ 92 mil (R$ 300 mil) pelos meses que ficou com Gabriel Jesus entre julho e dezembro de 2016. O restante (aproximadamente R$ 1 milhão) iria ao City.

Isso vai valer a outros times brasileiros que tiverem atletas convocados, também para seleções estrangeiras, mas que os negociaram após 16 de julho de 2016. O Santos, por exemplo, se perder Lucas Lima no começo de 2018, e ele for à Copa, o time embolsará a maior parte da indenização do atleta, já que o teve sob contrato de julho de 2016 a dezembro de 2017 (ganharia, portanto, cerca de R$ 950 mil).

Tite só definirá a lista da Copa em maio do ano que vem e haverá somente mais uma lista de convocados antes disso, em fevereiro, para amistosos de março.

A Fifa prevê gastar total de US$ 209 milhões (R$ 681 milhões) com o programa de benefícios, aumento substancial do que foi pago na Copa-2014, no Brasil, quando foi desembolsado US$ 70 milhões (R$ 228 milhões). Esse benefício é diferente do pago a atletas que se machucam quando estão servindo seleções em datas Fifa, que tem valor reservado de US$ 134 milhões (R$ 437 milhões) para 2018.


O contrato de Ceni: aval a todo reforço e 50% do lucro de produto vendido
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Marcel Rizzo

Rogério Ceni pode barrar contratação que não queira (Crédito: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Rogério Ceni tem que dar o aval para qualquer contratação feita pelo Fortaleza. Esta é uma das cláusulas do contrato assinado pelo treinador com o time cearense na sexta-feira (10). Outro detalhe é que ele receberá, além do salário, metade do valor do lucro dos produtos licenciados vendidos pelo clube com sua imagem.

Esses dois detalhes evidenciam o efeito que a direção do Fortaleza espera com a contratação: o técnico e o de marketing. Como mostrou o blog no sábado, Ceni vai montar um time praticamente do zero, com apenas dois jogadores sob contrato (o goleiro Marcelo Boeck e o volante Anderson Uchôa).

Por isso faz todo o sentido ele ter autonomia sobre o elenco, principalmente porque a direção quer que ele participe ativamente do contato com possíveis reforços. Ceni poderá ligar para prospectar, e deixar a parte financeira para a direção do clube concluir uma negociação.

O projeto de marketing inclui a venda de produtos licenciados com a marca do ex-camisa 1, e o lucro será dividido entre o clube e o treinador. Logo após a confirmação da contratação, o Fortaleza divulgou vídeo nas redes sociais usando a expressão consagrada no São Paulo para se referir ao profissional que ficou 25 anos no Morumbi: M1to, assim mesmo, substituindo a letra I pelo número 1, que ele usava.

O clube ainda não fez uma projeção de quanto pode faturar com a marca Rogério Ceni, seja em venda de camisas ou em contratos com empresas que queiram vincular seus produtos a ele. O salário do treinador, que segundo o jornal O Povo será de cerca de R$ 150 mil, será pago pelo clube, num primeiro momento sem auxílio de terceiros. É claro que se forem fechados contratos, parte dessa renda pode ser utilizada para o pagamentos dos vencimentos do treinador.

O ex-goleiro será apresentado nesta quarta (15), na Arena Castelão. O clube vai promover a chegada com os torcedores. A pré-temporada do Fortaleza começará em 18 de dezembro, quando Ceni efetivamente começará seu trabalho para a estreia em jogos oficiais, dia 10 de janeiro, pelo Cearense.


Bom e barato: desafio de Ceni no Fortaleza é montar um time que não existe
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Marcel Rizzo

Fortaleza será o segundo clube de Ceni como técnico (Crédito: Marcello Zambrana/Agif)

Poucas horas antes de anunciar a contratação de Rogério Ceni como seu treinador para 2018, na tarde desta sexta (10), a diretoria do Fortaleza acertou a rescisão contratual de oito jogadores que participaram da Série C em 2017, na continuação de uma reformulação que será o primeiro desafio do ex-goleiro no comando da equipe cearense.

Ceni terá que montar um time do zero. Ou melhor, terá que montar um time a partir de dois jogadores. É isso o que o Fortaleza tem sob contrato para 2018: renovaram vinculo nos últimos dias o goleiro Marcelo Boeck e o volante Anderson Uchôa.

A contratação de Ceni pelo Fortaleza tem duas vertentes. Uma é o marketing em torno da aquisição, já que ele é um dos maiores ídolos do São Paulo, e vai atrair mídia e, espera-se, patrocinadores. O segundo é o de ter um treinador novato (o Fortaleza será o segundo clube do profissional de 44 anos), que tenha motivação de turbinar com uma boa campanha na Série B do ano que vem para mostrar que pode sim ser um técnico de sucesso.

E Ceni é a esperança do Fortaleza de montar um elenco competitivo com o pouco dinheiro que terá para investir (se analisa, ainda, o orçamento de 2018). O treinador terá liberdade para montar o time como quiser, respeitando, claro, o limite financeiro do clube cearense — ele poderá contactar diretamente atletas, sem entrar, claro, em pauta financeira, essa uma obrigação da diretoria.

Há foco em buscar jogadores jovens, que possam chegar por empréstimo, e outros experientes. E Ceni é peça fundamental nesse plano de atrair atletas e até clubes interessados em colocar sua promessas em um time que o terá como treinador. O ex-goleiro tem bom relacionamento com vários dirigentes e treinadores, que trabalharam com ele no São Paulo ou foram seus rivais, que serão acionados na busca pela montagem do time ideal.

A carta branca para Ceni buscar reforços começou com sua comissão técnica. Foram contratados junto com ele três profissionais, segundo o jornal O Povo: como supervisor Charles Hambert, francês que esteve com Ceni por sua passagem como técnico do São Paulo, de janeiro a julho deste ano, Nelson Simões como auxiliar e Danilo Augusto, com passagem pelo São Paulo, como preparador físico.

O Fortaleza estreará no Campeonato Cearense em 10 de janeiro, contra o Tiradentes, no Castelão. A pré-temporada terá início em 18 de dezembro, quando o elenco terá que estar quase montado já. Pouco mais de um mês para Ceni mostrar que pode montar um elenco bom e, principalmente, barato.