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Fifa se reunirá para decidir se Santos, Fla e Grêmio são campeões do mundo
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Marcel Rizzo

O tema é polêmico e terá mais um capítulo na próxima semana. O Conselho da Fifa (antigo Comitê Executivo) colocou em pauta e vai discutir na sexta-feira da próxima semana, dia 27 de outubro, reconhecer como campeões mundiais os clubes vencedores da Copa Intercontinental, o confronto entre europeus e sul-americanos que durou de 1960 até 2004.

O blog apurou que a solicitação para incluir a discussão partiu da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), e que há a possibilidade de finalmente a Fifa afirmar com todas as letras que os vencedores daqueles confrontos podem ser chamados de campeões mundiais.

Isso afeta diretamente quatro brasileiros que ganharam o torneio: o Santos, bicampeão em 1962 e 1963, o Flamengo, vencedor em 1981, o Grêmio, que conquistou em 1983, e o São Paulo, que levantou o troféu duas vezes, em 1992 e 1993 (e que já ganhou um Mundial organizado pela Fifa, em 2005).

Na discussão que terá o Conselho da Fifa na próxima semana, a princípio a Copa Rio de 1951, ganha pelo Palmeiras, e a de 1952, vencida pelo Fluminense, não estarão na pauta.

A articulação para que a Copa Intercontinental seja chancelada como Mundial faz parte do projeto de que o confronto entre o campeão da Liga dos Campeões o melhor time da Libertadores volte a ocorrer. A Conmebol e a Uefa (União Europeia de Futebol) já procuram investidores, com o aval da Fifa, que deve transformar o seu Mundial em um torneio quadrienal –será na data que ficará vaga com a extinção da Copa das Confederações nos anos que antecedem à Copa do Mundo (leia mais sobre esse novo campeonato aqui). Provavelmente tudo isso aconteça a partir de 2021.

Conturbada

A relação da Fifa com torneios internacionais que ocorreram antes de a entidade criar o seu Mundial de Clubes, em 2000, é cheia de idas e vindas. Em janeiro deste ano, após ser questionada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a Fifa afirmou que considera campeões mundiais somente os clubes vencedores de seus torneios, que ocorreram em 2000 e depois ininterruptamente a partir de 2005 – os brasileiros Corinthians, duas vezes, São Paulo e Inter ganharam essa competição.

Dez anos atrás, o Palmeiras conseguiu documento da Fifa, assinado pelo então secretário-geral da entidade, o suíço Urs Linsi, considerando a conquista da Copa Rio em 1951, torneio internacional disputado no Brasil que teve presença de clubes importantes como a Juventus da Itália, como um título mundial de clubes. No decorrer dos anos, porém, a Fifa reiterou que classificava a conquista palmeirense como o primeiro título global, e que os campeões mundiais eram aqueles times vencedores dos torneios organizados por ela, a partir de 2000.

O Conselho da Fifa é formado por 37 membros, incluindo o presidente Gianni Infantino. São cinco representantes da América do Sul, entre eles o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, e o brasileiro Fernando Sarney, vice-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) — a reunião ocorrerá na Índia, país que recebe neste momento o Mundial Sub-17.

A Copa Intercontinental foi criada em 1960 como uma maneira de incentivar o intercâmbio entre as escolas europeia e sul-americana, as mais poderosas do planeta. Até 1979 (com exceção de 1975, quando não foi disputada devido a entrave de calendário), o confronto era disputado em jogos na casa de cada um dos times envolvidos, ou seja, na Europa e na América do Sul.

A partir de 1980, com patrocínio da montadora japonesa Toyota, a disputa passou a ser em partida única, sempre no Japão. A nova Copa Intercontinental, se sair do papel, também deverá ser em jogo único, e a tendência é que a sede seja alterada a cada ano – vai depender muitos da nacionalidade das empresas que topem bancar o projeto.

O blog enviou à Fifa perguntas por mais detalhes da reunião do Conselho, mas a entidade respondeu que só tratará dos temas após o encontro.


Se Mano não acertar, há no Palmeiras quem defenda ir atrás de Jair Ventura
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Marcel Rizzo

A diretoria do Palmeiras trabalha com Mano Menezes como seu plano A, B e C para treinador da equipe em 2018. Mas qual seria o D, caso o técnico preferido opte por ficar no Cruzeiro?

Como mostrou o blog do Perrone, há no clube quem queira que Alberto Valentim, interino que vai comandar o time até o fim de 2017, seja efetivado. Há outra corrente, porém, que defende que é preciso contratar um treinador de fora mesmo se Mano não for contratado, e há um nome de preferência para esse grupo: Jair Ventura, do Botafogo.

Os favoráveis a não apostar no interino com um não de Mano defendem que a opção caseira, por Valentim, é ruim porque fica a mercê de bons resultados rapidamente — e ninguém no clube quer ver 2017 repetido, quando Eduardo Baptista não aguentou a irregularidade e foi demitido em maio.

A favor de Jair Ventura há o trabalho excepcional que faz no Botafogo com um elenco bem mais fraco do que teria em mãos no Palmeiras, e a avaliação é de que ele, com apenas 38 anos, possa realizar um projeto a longo prazo, algo raro no Brasil (por culpa dos clubes na maioria das vezes, que se registre).

Os defensores de Valentim, 42, dizem que ele tem favorável o fato de conhecer o clubes e os jogadores. Os que questionam Ventura avaliam também que seria um tiro incerto a se dar no momento, já que ele tem contrato no Rio até o fim de 2018 e se duvida que opte por rompê-lo mesmo se for oferecido um caminhão de dinheiro e estrutura para montar um time competitivo.

Valentim tem os dez jogos finais do Brasileiro para mostrar serviço, e tem apoio de figuras importantes no clube, como o ex-presidente Mustafá Contursi — entre todos, Valentim será com certeza o mais barato. Mas se Mano Menezes optar por deixar o Cruzeiro, dificilmente deixará de ser o treinador palmeirense.

Pessoas próximas do treinador cruzeirense acham que seria uma aposta acertada comandar o Palmeiras e voltar ao mercado de São Paulo. Muitos ainda veem Mano muito identificado com o Corinthians, clube que comandou por duas vezes, e uma ida ao rival poderia acabar com isso.

 


Troca de técnicos para 2018 pode ter Cuca no Atlético-MG e Roger no Santos
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Marcel Rizzo

Cuca quando comandava o Atlético-MG (Crédito: Bruno Cantini/Site do Atlético-MG)

O começo de 2018 promete ser normal para o futebol brasileiro: uma dança das cadeiras de treinadores entre os principais clubes. Dos 12 de maior torcida, ao menos seis têm boas possibilidades de fazerem trocas – começando pelo Palmeiras, que se adiantou e anunciou no fim da semana passada a saída de Cuca.

Cuca, por sinal, encabeça a lista de técnicos sem time que explica um pouco porque as mudanças devem ocorrer mesmo para clubes que têm treinadores com contratos vigentes até o fim de 2018 – Roger Machado é outro com este perfil.

O blog apurou, por exemplo, que o Atlético-MG já se movimenta para ter de volta o treinador que em 2013 lhe deu o título da Libertadores – mesmo tendo contrato com Oswaldo de Oliveira. Além de Palmeiras e possivelmente o Atlético-MG, São Paulo, Santos, Cruzeiro e Fluminense entram numa lista que se encaminha para alterações na virada do ano.

O Cruzeiro depende da renovação, ou não, de Mano Menezes, e isso impacta no futuro de outros times. O Palmeiras quer Mano, mas depende da vontade do treinador de ficar em Belo Horizonte. Se ele sair, deve ir para São Paulo. Se ficar, os palmeirenses terão que procurar outra opção ou efetivar Alberto Valentim, o que até já se defende internamente, como mostra o Blog do Perrone.

No São Paulo, a permanência de Dorival Júnior depende do que o clube fizer até o fim do ano. Mas mesmo se evitar o rebaixamento, a direção pode optar por mudança radical no comando do futebol, como resposta aos críticos, e pode sobrar para o técnico – o São Paulo é outro clube paulista que monitora a situação de Mano Menezes no Cruzeiro.

O contrato de Levir Culpi no Santos termina no fim do ano, e poucos apostam que ele fique por lá, a não ser que consiga algo improvável e tire o título brasileiro do Corinthians. Há no clube quem aposte que Roger Machado será o escolhido para a próxima temporada.

Abel Braga, quando fechou por dois anos com o Fluminense no início de 2017, já sinalizava com a vontade de ficar um ano no banco de reservas, e depois assumir cargo diretivo no clube. A campanha irregular do time no ano pode fazer com que essa situação seja de fato efetivada.

Garantidos, mesmo, estão Fábio Carille, que acaba de renovar por dois anos no Corinthians; Renato Gaúcho no Grêmio, mesmo se fracassar na Libertadores; e Jair Ventura, que só deixará Botafogo se quiser caso receba proposta tentadora (e dizem que receberá).

O Flamengo de Reinaldo Rueda não é unanimidade, mas o clube pagou alto para tê-lo e não deve descartá-lo rapidamente – quer apostar que com uma pré-temporada e reforços indicados possa fazer um time competitivo.

No Vasco, Zé Ricardo parece ter encontrado um caminho e é improvável que saia. No Inter, que vai confirmar o retorno à Série A, o plano é manter Guto Ferreira. Mas não estranhe que, com nomes interessantes disponíveis no mercado, mesmo esses dois clubes optem por mudanças como normalmente é praxe no futebol brasileiro.


Maracanã se torna favorito para ter 1ª final da Libertadores em jogo único
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Marcel Rizzo

O estádio do Maracanã ganhou força como principal candidato a receber a primeira final em jogo único da Libertadores. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) ainda vai definir se o torneio terá decisão em uma só partida já em 2018 ou somente a partir de 2019.

A Conmebol flertava com Miami, nos EUA, como sede do primeiro confronto final único da Libertadores, mas desanimou por dois motivos: primeiro porque as confederações filiadas se mostraram contra, principalmente as menores (Bolívia, Venezuela e Equador), que não veem com bons olhos justamente nos primeiros testes de um novo formato de finalíssima jogar fora da América do Sul.

O segundo motivo foi que a não classificação dos EUA para a Copa do Mundo da Rússia 2018 deve esfriar o investimento do futebol (soccer por lá) no país pelos próximos dois ou três anos. A ideia da Conmebol seria usar o mercado americano para atrair novos patrocinadores e conseguir quantias maiores nas vendas, por exemplo, do naming rights da Libertadores e de placas estáticas que ficam nos gramados.

Em março, a Conmebol fechou justamente com uma empresa americana, a IMG, contrato para que ela venda os direitos comerciais da Libertadores – já houve acordos com Gatorade, Amstel e DHL, empresa de logística. Agora, teme-se uma retenção de gastos no mercado americano com o esporte, então a avaliação é esperar para jogar lá.

Com os olhos voltados somente para a América do Sul, o Maracanã se torna a principal opção por dois fatores principalmente: histórico e logística. Uma primeira final única precisa ter um contorno especial, inclusive para vendê-la comercialmente. E o Maracanã é, para a Conmebol, o estádio com perfil mais adequado a isso.

Há também a facilidade de deslocamento do Rio para outros países da América do Sul que possam ter times nessa decisão. E mais: estrutura para receber patrocinadores, torcedores e todos aqueles que irão aparecer na semana que antecederá o jogo. A Conmebol já definiu que a final única da Libertadores será realizada sempre aos sábados – hoje a final em duas partidas ocorre preferencialmente às quartas-feiras.

Além do Rio, as cidades de Lima, no Peru, São Paulo, Montevidéu, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina, aparecem como candidatas a receber a final única da Libertadores, seja a primeira delas ou as sequenciais. A ideia na Conmebol é, como a Uefa (União Europeia de Futebol) faz com a Liga dos Campeões, definir sempre com dois ou três anos de antecedência onde ocorrerão esses confrontos.

Em dezembro, durante o sorteio dos grupos da edição de 2018 da Libertadores, será definido se essa final única já ocorrerá no ano que vem, em 1º de dezembro, ou apenas em 2019.


Palmeiras e São Paulo monitoram situação de Mano no Cruzeiro para 2018
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Marcel Rizzo

Mano Menezes pode deixar o Cruzeiro (Crédito: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

A situação de Mano Menezes no Cruzeiro é monitorada por dois clubes paulistas: Palmeiras e São Paulo. O técnico campeão da Copa do Brasil 2017 tem contrato terminando em Minas ao fim do ano, e sua renovação está travada devido as mudanças no comando cruzeirense.

O curioso é que tanto Palmeiras, quanto São Paulo têm seus treinadores atuais com contratos válidos até o final de 2018, Cuca e Dorival Júnior, respectivamente. Ou seja, se quiserem Mano realmente, terão que romper acordos vigentes.

No Morumbi, uma aproximação mais concreta sobre Mano vai depender muito do que acontecerá com o time ao término do Brasileiro. Se mantendo na Série A, a chance de avanço em uma negociação é maior, avalia-se no clube. Não se sabe se Mano estaria disposto novamente a “salvar” uma equipe paulista na Série B, como fez com o Corinthians em 2008.

A multa rescisória de Dorival Júnior é de dois salários (algo em torno de R$ 600 mil), bem inferior, por exemplo, dos R$ 5 milhões que o clube acertou com Rogério Ceni, que começou a temporada no banco de reservas do São Paulo e foi demitido em julho.

Cuca, no Palmeiras, tem vínculo até o fim de 2018, mas a irregularidade do time no ano faz com que sua situação para a próxima temporada seja uma incógnita. O próprio treinador já afirmou que avaliaria uma permanência, voltando atrás depois para falar que pretende cumprir o contrato. E Mano Menezes é um desejo antigo da direção palmeirense.

Quando Cuca deixou o clube após o título brasileiro de 2016, Mano Menezes era o primeiro na lista do Palmeiras, mas não quis deixar o Cruzeiro (tinha uma multa alta também, de aproximadamente R$ 5 milhões). Eduardo Baptista acabou contratado, não funcionou, saiu em maio e Cuca retornou, porém sem o mesmo sucesso do ano passado.

A troca na presidência do Cruzeiro, com a entrada de Wagner Pires e a saída de Gilvan Tavares, fará com que os homens de confiança de Mano no futebol cruzeirense sejam trocados (como Bruno Vicintin, vice de futebol que já saiu).

Com essas mudanças na Toca da Raposa, e mercado aberto em São Paulo, Mano pode se dar ao luxo, se quiser, esperar o fim do Brasileiro para tomar uma decisão sobre seu futuro.


Quanto pode custar trazer PSG com Neymar e astros ao Brasil em dezembro
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Marcel Rizzo

Neymar em sua estreia pelo PSG, quando fez gol (Crédito: JEAN-SEBASTIEN EVRARD/AFP)

O custo para o Paris Saint-Germain, com Neymar e companhia, jogar no fim de dezembro no Brasil pode bater o R$ 1,5 milhão. A negociação de um amistoso em Fortaleza ocorre entre clube, governo do Ceará e a Lagardere, empresa francesa sócia da Luarenas, que detém a concessão da Arena Castelão — estádio onde ocorreria a partida entre PSG e Fortaleza.

No valor estariam os gastos com a cota a ser paga ao PSG, deslocamento, hospedagem e alimentação da delegação, além de detalhes estruturais e de marketing para a realização da partida. O Estado garante que não será aplicado um centavo de dinheiro público, o que faz com que a confirmação da passagem do time francês com Neymar pelo Nordeste brasileiro dependa de parcerias a serem fechadas com empresas interessadas em patrocinar o evento.

''No encontro que tivemos com a diretoria do PSG, foi demonstrado todo interesse de vir o time completo, completo, completo'', disse Marcos Lage, coordenador administrativo e financeiro da Secretaria de Esportes do Ceará e que foi a Paris tratar do assunto. Ele não confirmou o valor que seria gasto com a operação. ''Essa é uma questão que não cabe ao Estado, já que não terá dinheiro público envolvido''.

De qualquer modo, o governo cearense demonstra otimismo em que o jogo possa sair do papel, o que seria a cereja do bolo de uma semana de intercâmbio entre Ceará e França, com palestras, encontros de empresários e eventos culturais, fruto do recém anunciado hub da companhia aérea Air France na capital do Ceará, que terá voos diretos de Fortaleza para Paris e Amsterdã (por meio da KLM).

''Só temos 100% de certeza da nossa morte, mas tenho confirmação de que os clubes e as empresas estão trabalhando firme para realizar esse sonho'', disse Lage.

A data sugerida ao PSG foi 22 de dezembro, uma sexta-feira, que encerraria a semana de intercâmbio, mas pode não ser viável porque dois dias antes os franceses jogam pelo Campeonato local, contra o Caen. ''Mas será ainda este ano se confirmado'', disse Lage.

Como mostrou a coluna De Primeira, do UOL Esporte, a Lagardere convidou o Fluminense para ser o adversário do PSG no amistoso, e recebeu uma negativa porque o time estará de férias. O São Paulo também foi sondado, mas a opção caseira acabou prevalecendo até com uma boa ''desculpa'': em 2018 o Fortaleza, que voltará para a Série B, estará completando 100 anos.

Um dos empecilhos para a realização da partida, como também mostrou a coluna De Primeira, era o fato de o PSG ser patrocinado pela Emirates, concorrente da Air France, mas é possível que outras empresas coloquem dinheiro na operação.


Copa do Nordeste abre futebol no Brasil em 2018 e avançará à Copa da Rússia
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Marcel Rizzo

A Copa do Nordeste vai abrir o calendário do futebol brasileiro em 2018 e avançar até a Copa do Mundo, tendo sua final realizada no dia 10 de julho, cinco dias antes da decisão do Mundial na Rússia. O torneio regional terá sua abertura em 14 de janeiro, três dias antes do que está previsto o início dos Estaduais.

Com o calendário apertado devido à Copa, a CBF divulgou no fim de setembro seu calendário para 2018 com período menor de pré-temporada aos jogadores — serão 14 dias, entre 3 e 16 de janeiro. Normalmente o mês todo de janeiro é dedicado a treinos e amistosos. Na ocasião, no entanto, deixou em aberto as datas do Nordestão, reveladas agora.

Os times que abrirem a Copa do Nordeste terão ainda dois dias a menos de pré-temporada. Esta, porém, foi uma decisão dos próprios clubes e das federações do nordeste, que não quiseram apertar o torneio regional, hoje financeiramente mais atraente do que os Estaduais.

''Ficou bom porque teremos espaço para a Copa do Nordeste, com o mesmo número de datas programado, e os times em atividade'', disse Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação da Bahia.

A CBF conseguiu autorização da Fifa para que jogos de torneios oficiais possam acontecer durante a Copa do Mundo, algo que não é permitido. Portanto, além da Copa do Nordeste, as Série B, C e D terão partidas entre junho e julho (a abertura do Mundial será em 14 de junho). A Primeira Liga, que organiza uma competição com clubes do RJ, MG, SC, RS, PR e CE, também estuda realizar partidas em meio à Copa.

Os organizadores avaliam que não haverá problema em coincidir Nordestão com a Copa do Mundo porque as partidas do Mundial ocorrerão pela manhã e à tarde, horário do Brasil, enquanto as do regional serão de noite. Há também uma questão de marketing, já que durante Copas pessoas que normalmente não se interessam por futebol ligam a TV para ver o esporte, e podem estender a curiosidade para outros torneios.

A Copa do Nordeste, que para 2018 criou uma fase preliminar, mas para ser jogada ainda em 2017, terá 16 times divididos em quatro grupos. Os dois primeiros de cada avançam às quartas de final, e daí em diante é mata-mata até se chegar aos finalistas. O Sport, vice-campeão em 2017, abriu mão de sua participação alegando que a cota é baixa.


Projeto fez Fifa querer a Síria; Islândia deve ser única estreante na Copa
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Marcel Rizzo

Atualizado às 8h43

A Islândia se classificou nesta segunda (9) para sua primeira Copa do Mundo. E deve ser a única estreante na competição do ano que vem, na Rússia, frustrando a Fifa que gostaria de mais times debutantes para alcançar novos mercados, como mostrou o blog no mês passado.

Se confirmado o número, repetirá 2014, quando somente um país jogou a Copa pela primeira vez, a Bósnia. Depois de 2006, quando oito times estrearam, houve queda já na África do Sul-2010, com duas novidades (Eslováquia e Sérvia). Isso explica um pouco porque a Fifa optou por inchar os participantes da Copa a partir de 2026, de 32 para 48 seleções — 16 times a mais, maiores chances de debutantes e novos mercados a explorar.

Havia, na Fifa, um monitoramento das Eliminatórias sobre os prováveis estreantes. A ideia era se adiantar sobre a estratégia de marketing que será utilizada nos países que jamais jogaram a fase final do Mundial. Nas últimas semanas, porém, o grupo se concentrou em projetos para três países: Islândia, Panamá e Síria.

Os islandeses confirmaram nesta segunda que a boa campanha na Euro-2016, quando alcançou as quartas de final, não foi à toa. Vai a sua primeira Copa como campeã do grupo, sem nem precisar passar pela repescagem. Já panamenhos e sírios tropeçaram e podem ficar fora.

Na Concacaf (Confederação das Américas do Norte e Central), os panamenhos precisam nesta terça (10) bater a já classificada Costa Rica e torcer para os EUA perder de Trinidad e Tobago, pela vaga direta ao Mundial. Vencendo os costa-riquenhos, se garantem na repescagem mundial, quando enfrentarão o candidato da Ásia.

Que a Fifa, discretamente, torcia para ser a Síria. Já estava planejado todo um trabalho social se os sírios fossem ao Mundial, devido à guerra civil que assola o país há alguns anos. Com a imagem desgastada nos últimos anos devido a escândalos de corrupção, a entidade tinha um plano de investimento no futebol na região de guerra, que seria turbinado se a vaga fosse alcançada. Tudo por uma imagem melhor.

Os sírios, porém, foram eliminados nesta terça (10), perdendo por 2 a 1 para a Austrália a chance de jogar a repescagem mundial. Os australianos enfrentarão o quarto colocado da Concacaf, que pode ser EUA, Panamá ou Honduras.

Na África, que já tem os veteranos em Copas Nigéria e Egito (não ia desde 1990) classificados, há chances reduzidas da República Democrática do Congo e Burkina Faso e Cabo Verde tirarem, respectivamente, Tunísia e Senegal da Copa da Rússia — a quinta vaga está entre Marrocos e Costa do Marfim, que já foram a mundiais.

Em toda Copa houve ao menos um estreante. Depois de 1930 (primeiro Mundial, com 13), 1934 (dez) e 2006 (oito), a Copa de 1982 foi a com mais debutantes, com cinco. Para 2018, já são 17 classificados: Rússia (país-sede), Brasil, México, Costa Rica, Bélgica, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Polônia, Islândia, Sérvia, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Irã, Nigéria e Egito.


Os dois motivos que fazem o Corinthians ter receio de negociar Walter
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Marcel Rizzo

Walter é a opção do Corinthians caso venda Cássio (Crédito: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)

O receio do Corinthians com relação a uma possível saída do goleiro Walter se deve principalmente ao fato de que no clube não há certeza de que conseguirá segurar Cássio em uma das duas próximas janelas de transferência, em janeiro e agosto de 2018. A quase certa ida do titular para a Copa do Mundo da Rússia o transformará em alvo, avalia a cúpula corintiana.

Há também a questão financeira, e o clube vai precisar negociar atletas para melhorar a contabilidade (até junho de 2017 apresentou um déficit total no ano de R$ 35,5 milhões, destes R$ 17,8 milhões somente no departamento de futebol). O Corinthians tem 70% dos direitos econômicos de Cássio, enquanto tem apenas 5% de Walter. Vender Cássio é  mais vantajoso, portanto. Mas e se Walter sair em janeiro e Cássio em agosto? Esse é o dilema da direção.

As 30 anos, Cássio, que tem contrato com o Corinthians até o fim de 2019, recebeu sondagens do futebol turco e de times médios da Espanha e Itália nas três últimas janelas, de 2016 para 2017. Desde 2012 no Parque São Jorge, ele viveu o auge em 2012, com atuações decisivas para os títulos da Libertadores e Mundial, mas depois caiu de produção e chegou até a aparecer no banco de reservas.

2017, porém, foi sua volta por cima, que o levou inclusive para a seleção brasileira com Tite, técnico que o tirou do time em algumas partidas quando dirigia o Corinthians. A valorização do jogador chegará ao ápice no Mundial da Rússia, mesmo se for reserva de Alisson (Roma) e de Ederson (Manchester City), cenário atual mais provável depois de flertar com a titularidade com a irregularidade no gol da seleção.

Como não há uma certeza de que receberá uma proposta pelo seu goleiro titular, fica difícil para a diretoria corintiana convencer Walter de que sua hora vai chegar em 2018. Com 29 anos, o suplente chegou ao Corinthians em 2013, depois de passagens por times pequenos principalmente de Paraná e São Paulo. Quando requisitado para substituir Cássio, mostrou serviço, por isso não estranha que o São Paulo queira investir em sua contração.

Na última semana, o assunto esquentou a ponto do técnico corintiano Fábio Carille, em entrevista à TV Bandeirantes, afirmar quer não sabia se Walter ficaria, e que se interessa inclusive pelo lateral-esquerdo Reinaldo, que o São Paulo poderia envolver na negociação. No fim de semana, Walter, por meio de uma rede social, informou que qualquer acerto com o time do Morumbi não passa de boato e que será o primeiro a falar quando houver negociação.

Se perder os dois principais goleiros, o Corinthians teria que ir ao mercado ou apostar em Matheus Vidotto, 24, ou Caique França, 22, ambos crias da base. Vidotto tem passagens por seleções de base, e títulos na equipe de juniores do Corinthians. Mas, todos sabem no clube, goleiro é uma posição em que muitas vezes a experiente conta muito, ainda mais em um ano em que o Corinthians tentará o bicampeonato da Libertadores.


COI quer a renúncia de Nuzman para rever suspensão do COB
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Marcel Rizzo

Carlos Arthur Nuzman é levado preso por agentes da Polícia Federal (Crédito: Mauro Pimentel/AFP)

O COI (Comitê Olímpico Internacional) avalia a saída definitiva de Carlos Arthur Nuzman da presidência do COB (Comitê Olímpico do Brasil) como sua principal exigência para que a suspensão imposta à entidade nesta sexta-feira (6) seja revista.

Nuzman também foi suspenso, mas de suas credenciais no COI, do qual por exemplo é membro da organização da Olimpíada de 2020, em Tóquio. Ele ainda é o presidente do COB e foi preso na quinta (5), acusado de ocultação de bens em meio à investigação de que foi pago propina para o Rio vencer a eleição para sede da Olimpíada de 2016 — seu advogado chamou a prisão de ilegal.

O COI teria preferência também para que, confirmada a saída de Nuzman da presidência, houvesse nova eleição no COB – ideia de “limpeza total”, alterando toda a diretoria de Nuzman. Isso, porém, é improvável que aconteça.

Com a prisão temporária do seu presidente, quem comanda o COB interinamente é o vice Paulo Wanderley, ex-presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), e eleito em outubro de 2016 para o mandato que se iniciou em janeiro de 2017 e vale até 2020. É ele quem assume em caso de afastamento definitivo de Nuzman.

Para se haver uma nova eleição, segundo o estatuto do COB, é preciso que haja uma vacância também da vice-presidência, ou seja, Wanderley teria que sair junto, algo extremamente improvável no momento. Se acontecesse, novas eleições seriam convocadas em até 30 dias.

Um novo pleito é negociável com o COI, não a saída de Nuzman. São três as possibilidades para que o atual presidente perca definitivamente o cargo, segundo o advogado Eduardo Carlezzo, especializado em direito desportivo: uma renúncia; a aprovação de impeachment; ou, caso a prisão de Nuzman se alongue, a assembleia geral decretar a vacância do cargo, com Wanderley assumindo definitivamente a presidência.

A prisão temporária de Nuzman tem prazo de cinco dias, renováveis por mais cinco. Mas se a Justiça entender necessário pode decidir pela prisão preventiva, sem prazo para terminar. “Para um impeachment seria necessário o pedido da Assembleia Geral. Sobre a vacância, não há um prazo indicado máximo para que se possa pedi-la”, explicou Carlezzo.

Tudo vai depender de quantos dias Nuzman ficará preso. Se ficar um período considerável, haverá tempo hábil para movimentação entre membros da Assembleia para optar pela saída do presidente. Se ele deixar a prisão no início da próxima semana, poderá tentar segurar o cargo em contato com os presidentes das confederações, a maior parte formada por aliados.

A suspensão do COB não afetou os atletas brasileiros, que segundo o COI podem continuar participando de eventos com a bandeira brasileira. Em 2018 ocorrerão as Olimpíadas de Inverno, na Coreia do Sul, em fevereiro, e a da Juventude, em Buenos Aires, em outubro. Mesmo se a suspensão persistir, os brasileiros poderão participar dessas competições.