Blog do Marcel Rizzo

Conmebol teme precedente e vê como mínima chance de anular cartão de Dedé
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Marcel Rizzo

Dedé no lance com Andrada que gerou sua expulsão (Crédito: Demian Alday/Getty Images)

O artigo 23 do Código de Disciplina da Conmebol diz que ''as decisões tomadas pelo árbitro em campo são finais e não suscetíveis de revisões pelos órgãos judiciais da Conmebol''. Esse texto tem sido repetido por cartolas na sede da Confederação Sul-Americana de Futebol nesta quinta (20), um dia depois de mais uma polêmica com relação à arbitragem na Libertadores. Há na entidade o consenso de que anular o cartão vermelho dado ao cruzeirense Dedé abrirá um precedente perigoso em que qualquer expulsão poderá ser questionada.

O Cruzeiro vai pleitear que o tribunal disciplinar anule o cartão vermelho de seu zagueiro na derrota de 2 a 0 para o Boca Juniors, na quarta à noite, pelas quartas de final da Libertadores. O árbitro paraguaio Eber Aquino usou o árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) para expulsar Dedé depois que o brasileiro acertou o goleiro argentino Andrada com a cabeça em uma bola dividida. Os brasileiros viram exagero na punição.

A chance de isso ocorrer, apurou o blog, é mínima na avaliação de membros da Conmebol. Poderia ocorrer, com relação a cartão vermelho, se a punição tivesse sido dada ao jogador errado, ou seja, o árbitro tivesse em campo identificado erroneamente aquele que cometeu a infração. Há também possibilidades de mudança de decisões do árbitro em campo em casos de corrupção (recebimento de propina, por exemplo). E apenas assim.

Nas conversas que Eber Aquino manteve nas últimas horas com membros do departamento de arbitragem da Conmebol (que, por sinal, tem um brasileiro, Wilson Luiz Seneme, como chefe), o paraguaio disse que identificou ''uma jogada brusca grave, que pode causar danos físicos ao adversário''. Mesmo sem intenção, na visão de Aquino, Dedé usou de força excessiva com a cabeça na jogada e mereceu receber o cartão vermelho.

Na Conmebol, o fato de Andrada ter se machucado seriamente é usado como argumento de que não foi tão absurda assim a expulsão de Dedé. O goleiro do Boca teve fratura no maxilar inferior e ficará, ao menos, dois meses fora — dirigentes argentinos disseram a membros da confederação que é capaz de Andrada nem voltar a jogar em 2018.

A repercussão negativa da expulsão, porém, incomoda a direção da Conmebol, que já conviveu com algumas polêmicas nessa Libertadores, como os jogadores de River Plate e Boca Juniors que jogaram suspensos e não houve punição — diferentemente do Santos, que por usar Carlos Sánchez de maneira irregular perdeu a partida de ida das oitavas para o Independiente por 3 a 0 (em campo resultado foi 0 a 0).

Nesse caso o Independiente reclamou no prazo necessário, 24 horas pós-jogo, e os rivais de River e Boca, que ignoravam os casos, deixaram passar o prazo e não houve julgamento. Clubes brasileiros, principalmente, veem privilégios a argentinos e já pediram que a CBF atue mais fortemente nos bastidores. 

O fato é que Dedé dificilmente não cumprirá a suspensão automática obrigatória pelo vermelho, e portanto não deve estar em campo no segundo jogo das quartas de final contra o Boca, dia 4 de outubro. Ele será julgado ainda pelo Tribunal de Disciplina, que pode até aumentar a pena. Isso parece improvável que aconteça depois da repercussão negativa da expulsão, criticada até por meios de comunicação da Argentina.


Ainda ativo, comitê da Copa-2014 dá cargo remunerado a futuro chefe da CBF
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Marcel Rizzo

Em 30 de abril de 2018, três dias depois de ser banido para sempre do futebol pela Fifa acusado de corrupção, Marco Polo Del Nero cedeu à CBF pelo valor simbólico de R$ 1 sua cota de sócio na empresa denominada Copa do Mundo 2014 – Comitê Organizador Brasileiro Ltda, popularmente conhecida como COL (Comitê Organizador Local) e que teve como principal objetivo coordenar as ações para a realização do Mundial no Brasil.

Pouco mais de quatro anos e dois meses depois de a Alemanha bater a Argentina na final do torneio no Maracanã, o COL ainda existe, mas agora com somente um sócio, a CBF, um funcionário contratado, alguns consultores e com um novo diretor-presidente. Rogério Caboclo, também em 30 de abril, foi nomeado ao cargo, que é remunerado, substituindo Del Nero, segundo o contrato social da empresa a qual o blog teve acesso.

Caboclo é o presidente eleito da Confederação Brasileira de Futebol (assume em abril de 2019) e agora também responsável pela empresa que deveria ter sido extinta 18 meses após o final da Copa, portanto em janeiro de 2016, mas continua ativa devido a pendências judiciais (exceção para a dissolução que, diga-se, consta no contrato social). O cargo de diretor-presidente do COL prevê pagamento de remuneração mensal que em 2012, segundo o jornalista e blogueiro do UOL Juca Kfouri, era de R$ 110 mil. Questionado se Caboclo tem recebido pelo cargo que assumiu há pouco menos de cinco meses, o COL informou que ''os profissionais que prestam serviços ao COL são remunerados na forma da legislação''. Sem receita atualmente, o COL hoje paga suas contas ainda com dinheiro de sobra do Mundial, que ao fim da empresa terá que ser devolvido à Fifa.

Todos os ex-diretores-presidentes do comitê eram presidentes da CBF no exercício dessa função e acumulavam, portanto, as remunerações na confederação brasileira (de cerca de R$ 200 mil) e no COL, o que não é ilegal. Ricardo Teixeira foi o primeiro, de 2008 a 2012, José Maria Marin o segundo, de 2012 a 2015, e Del Nero o terceiro, de 2015 até 30 de abril de 2018, quando cedeu o posto a Caboclo.

Todos também deixaram a presidência da CBF, e por consequência a chefia do COL, por suspeitas de corrupção. Marin foi condenado pela Justiça dos EUA, no fim de agosto, a quatro anos de prisão por receber propina em transações de direitos comerciais de campeonatos de futebol, mesmas acusações que pesam sobre Teixeira e Del Nero. Eles negam irregularidades.

O atual presidente da CBF é Antônio Carlos Nunes, vice que assumiu o complemento do mandato depois que Del Nero foi banido. Pela lógica, portanto, ele seria o sucessor de Del Nero também no COL, mas a CBF optou por colocar Caboclo, que hoje ocupa o cargo de diretor-executivo da confederação e quem, de fato, comanda a entidade. Segundo o COL, essa decisão ocorreu porque Caboclo foi o dirigente da CBF que acompanhou o comitê mais de perto desde antes da Copa do Mundo.

Desde agosto de 2016, ao menos, Caboclo já assinava em lugar de Del Nero como seu representante em documentos do Comitê Organizador, como mostrou o blog em matéria de janeiro de 2017. No contrato social alterado em 30 de abril assinam pela CBF Nunes, o diretor jurídico Carlos Eugênio Lopes, o diretor financeiro Gilnei Botrel, além de, claro, Marco Polo Del Nero, que estava deixando a sociedade e o cargo de diretor-presidente.

Há outro detalhe: entre dezembro de 2017 e abril de 2018, Del Nero esteve suspenso de atividades do futebol enquanto era investigado pelo comitê de ética da Fifa, e mesmo assim se manteve no cargo do COL. Apesar de ser uma empresa que efetivamente não tem mais atividades, não deixa de estar relacionada ao futebol já que atua na esfera jurídica com fornecedores da Copa do Mundo de 2014. O blog apurou que, como a sentença de Del Nero já foi definida com o banimento (a pena mais alta, portanto), a Fifa não pretende tomar esse período que ele ficou no cargo enquanto suspenso como algo a ser investigado.

Até abril, a CBF detinha 99,9% das cotas do COL, e Del Nero 0,01%, justamente a que cedeu a R$ 1. Segundo a nova redação do contrato social, a CBF é a única sócia do COL, mas há um parênteses para não ir contra o Código Civil: em até 180 dias contando a data da assinatura das alterações, ou seja, até 30 de outubro próximo, o COL precisa definir se manterá apenas um sócio, transformando-se em empresa individual de responsabilidade limitada (Eireli), ou se apresenta um novo sócio. Que poderia até ser o próprio Rogério Caboclo — segundo o COL, ainda não há uma decisão sobre o que será feito e isso está em discussão com a Fifa.

O COL informou que a decisão de colocar apenas a CBF como sócia foi tomada porque a presença de membro da confederação sempre se deu exclusivamente por conta da necessidade de pluralidade de sócios, conforme as regras aplicáveis então às sociedades limitadas. No entanto, com a nova regulamentação vigente, não há mais essa necessidade. Também disse não saber quando será feita a dissolução da empresa, porque ainda existem processos em curso para finalizar essa fase de desmobilização. Há somente um funcionário contratado e alguns consultores prestando serviços ao COL, informou a assessoria do comitê.

O COL

O problema para a dissolução do Comitê Organizador da Copa-2014 continua o mesmo informado em outras ocasiões: há processos judiciais em andamento, principalmente com relação a terceirizados que prestaram serviço durante a Copa. A empresa conta com uma estrutura jurídica para cuidar desses assuntos.

A Fifa gastou um total de US$ 453 milhões (R$ 1,8 bilhão em cotação atual) com o COL, entre contratos com pessoal, segurança, operação de estádios, entre outros, entre junho de 2008, quando a empresa foi criada, e dezembro de 2014, quando a entidade que comanda o futebol diz ter encerrado atividades relacionadas à Copa-2014 . Pelo contrato social do COL, após sua dissolução o dinheiro que sobrar será devolvido à Fifa e não poderá haver divisão do lucro entre os sócios que, por enquanto, é apenas a CBF.


Palmeiras e São Paulo devem ceder mais do que estádios à Copa América-2019
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Marcel Rizzo

As reuniões na sede da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), em Assunção, na segunda (17) e terça (18) que tiveram a Copa América-2019 como tema central não apenas definiram os seis estádios que terão os jogos, como praticamente acabaram com a esperança de cidades que não serão sedes de ao menos receberem algumas seleções para treinamentos durante o torneio.

São Paulo (com duas arenas), Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador foram confirmadas e a tendência é que seja também nessas capitais que os 12 participantes treinarão, antes e durante a competição. Em São Paulo, por exemplo, os vizinhos centros de treinamento de Palmeiras e São Paulo serão disponibilizados para as seleções quando estas estiverem na capital paulista — o Morumbi, do São Paulo, e o Allianz Parque, do Palmeiras (que é administrado pela empresa WTorre) serão os estádios paulistas na Copa América.

Cidades como Fortaleza, Manaus e Recife pleitearam ser sede, mas a CBF, que organiza a competição em conjunto com a Conmebol, decidiu centralizar as partidas no Sul e Sudeste, com a exceção de Salvador. O motivo foi facilitar o deslocamento das seleções, com voos mais curtos — entre Porto Alegre e Salvador, sedes mais distantes na tabela, o voo não ultrapassa as três horas. ''Preservamos a recuperação física dos atletas e qualidade do espetáculo com a premissa de que não teremos viagens de mais de três horas entre as sedes'', disse Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF (assume em abril de 2019) e responsável pelo comitê organizador da Copa América.

Fora do radar das partidas, as capitais de Ceará e Pernambuco consultaram a cúpula das confederações brasileira e sul-americana sobre a possibilidade de serem sub-sedes, ou seja, receberem as seleções para treinamento. Durante a competição isso já está descartado: nenhum participante deve montar base fixa, nem mesmo a seleção brasileira, que tem seu CT em Teresópolis, região serrana do Rio (usaria essa estrutura apenas na preparação). Cada time deve treinar na cidade de sua partida seguinte, em CTs ou estádios cedidos pela organização.

Há ainda, porém, uma última esperança para alguma cidade que não foi escolhida para receber jogos que é ser palco de algum dos amistosos pré-competição, que ocorrerão no país certamente. Mesmo assim, a distância pode ser um problema se as seleções preferirem realizar essas partidas mais próximas de onde jogarão alguns dias depois já pelos três pontos na fase de grupos da Copa América.

De acordo com Mauro Corrêa, especialista em gestão e marketing esportivo pela CSM Golden Goal, o fato de os jogos estarem concentrados na região Sul e Sudeste pode representar mais benefícios para a competição.
''Diminui custos de operação e gera deslocamentos mais fáceis, inclusive para quem vem de fora do país. No cenário econômico adverso atual, isso é relevante'', disse.

Final ainda preocupa

A Conmebol anunciou que o Morumbi será o estádio da abertura, como revelado pela coluna De Primeira, do UOL Esporte, e que o Maracanã será o da final. Mas como o blog publicou no sábado (15), a direção da Conmebol ainda está preocupada em como ficará a administração da arena carioca com o cancelamento de sua concessão em decisão judicial.

Nas reuniões o assunto foi abordado, e os representantes da CBF deram garantias de que o Estado se compromete com gastos necessários para a realização de partidas no Maracanã durante o torneio, que será realizado de 14 de junho a 7 de julho, independentemente de quem administrar o equipamento. Mesmo assim, a Conmebol ainda está com um pé atrás principalmente porque não se sabe quem será o governador do Rio em 2019, já que haverá eleição em outubro.

Confirmado como um dos estádios da semifinal (o outro é a Arena do Grêmio, em Porto Alegre), o Mineirão, de Belo Horizonte, é a opção para uma substituição para a final, que é o que causa mais preocupação à Conmebol já que é um jogo que precisa de uma estrutura mais bem preparada e que, com isso, exige maiores garantias de investimento.


Por que F. Melo não deve ser punido por Fifa ao citar Bolsonaro em campo
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Marcel Rizzo

No artigo 4 de seu estatuto a Fifa diz que é neutra em questões políticas e religiosas e em pelos menos outros dois códigos, o de conduta e o de ética, cita a importância de membros do futebol evitarem esses temas quando estiverem em campo. Na Copa-2018 dois jogadores da Suíça, Xhaka e Shaqiri, foram multados por manifestações políticas na vitória de 2 a 1 sobre a Sérvia em caso que difere, segundo especialistas, da declaração do palmeirense Felipe Melo ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e que não deve render punição ao brasileiro.

Domingo (16) o volante citou Bolsonaro em entrevista pós-jogo (1 a 1 contra o Bahia, em Salvador, pelo Brasileiro). Dedicou o gol que fez ao presidenciável, que se recupera em hospital de São Paulo da facada que sofreu em campanha, no dia 6 de setembro. Melo tem usado suas redes sociais para defender voto em Bolsonaro, mas domingo foi a primeira vez que fez isso vestindo a camisa do Palmeiras, em campo e em rede nacional.

A declaração levantou a dúvida se Felipe Melo poderia ser punido por isso, já que a Fifa defende que não se faça manifestações políticas em partidas de futebol e prevê sanções como multas e suspensões. Segundo advogados ouvidos pelo blog a chance de Melo ser punido é quase nula no momento por ter sido uma manifestação menos ostensiva do que aquela dos suíços, mas no futuro pode ocorrer se ele for, digamos, mais ousado. Por exemplo: se na comemoração do gol, ou após uma vitória, levantar a camisa do time e outra, abaixo, tiver palavras de apoio a seu candidato ou qualquer menção à eleição de outubro.

Dois fatores pesam a favor de Felipe Melo: a Constituição brasileira, que garante a liberdade de expressão, e o CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que não prevê sanções dessa natureza — como a declaração foi feita em uma competição nacional, cabe ao tribunal brasileiro abrir procedimento, o que até o momento não foi feito. A Fifa atuaria somente em caso considerado mais grave, como o exemplo, o citado acima, e poderia até envolver o clube. Para se precaver, o Palmeiras soltou nesta segunda nota oficial dizendo que respeita a liberdade do atleta, mas que ''ratifica a sua neutralidade nas questões políticas, partidárias, de crenças, religiões e quaisquer outras formas de manifestações pessoais.''

''A linha para definir-se, e eventualmente sancionar-se, o que é uma opinião de conteúdo político, proibida pela FIFA, é bastante tênue. É certo, por exemplo, que a Fifa proíbe qualquer mensagem política no uniforme esportivo e também está claro que a Fifa tem fiscalizado determinados gestos feitos por jogadores com conteúdo político. A questão que se coloca é até que ponto um atleta pode, em uma entrevista ao final da partida, ainda dentro do campo, expressar seu apoio a determinado candidato, baseado em seu direito de livre expressão consagrado pela Constituição Federal, mas respeitando as regras de conduta esportiva'', explicou Eduardo Carlezzo, especializado em direito desportivo com atuação na Fifa.

Segundo Carlezzo, as regras atuais não trazem uma abordagem e uma resposta específica para situações como esta, de forma que a análise destas questões será sempre caso a caso, baseando-se pela extensão e conteúdo das declarações. Mesma opinião de Marcos Motta, que também tem atuação constante em tribunais da Fifa. ''Como a FIFA não define o que constitui um slogan, declaração ou imagem ''política'', a FIFA tem autonomia para tipificar a natureza real de cada declaração'', disse Motta, que não acredita em qualquer punição ao jogador palmeirense.

O fato de Felipe Melo ter citado um candidato sem desrespeitar outro ou programas de governo defendidos por adversários pesa a seu favor, com base na liberdade de expressão, apesar de toda a preocupação da Fifa em evitar manifestações que tirem o foco do jogo. Outra questão é que o CBJD, o código disciplinar usado no Brasil, não prevê sanções para esses casos. ''O atleta não pode em uma entrevista manifestar suas convicções pessoais? Se houver uma regra clara na competição que ele disputa, tudo bem, mas hoje não há uma regra clara. Teria que ser por analogia, o que é perigoso'', disse o advogado Carlos Eduardo Ambiel, também especializado em direito desportivo.

Fifa é mais atuante em torneios de seleções

A Fifa tem histórico de punições por manifestações políticas, racistas ou religiosas, em seus torneios de seleções, mas de clubes há menos incidência. Durante as Eliminatórias para a Copa-2018 várias seleções, entre elas o Brasil, foram multadas por gritos de torcedores considerados homofóbicos,  o ''bicha'' gritado quando o goleiro adversário vai bater tiro de meta.

Na Copa da Rússia, os suíços  Xhaka e Shaqiri fizeram gestos representando a Albânia em referência ao Kosovo, país que declarou independência da Sérvia, adversário naquela noite, e com população de maioria albanesa. Foram multados, mas não suspensos como se cogitou. A Fifa também tem punido manifestações em que os jogadores apareçam com vestimentas, como os quatarianos que após enfrentar a Coreia do Sul, em 2017 pelas eliminatórias, colocaram camisas com rosto de seu emir em meio à crise política no Oriente Médio.

No Brasil manifestações como a dos qatarianos ou dos suíços são raras, por isso as declarações em campo de Felipe Melo chamaram a atenção. O caso mais conhecido de futebolistas se posicionando politicamente ocorreu no início da década de 1980, quando corintianos liderados por Sócrates defendiam nos jogos as Diretas Já, inclusive com frases no uniforme, movimento que pedia a volta do voto direto no Brasil que ainda vivia sob regime militar. Na época a Fifa não tinha códigos de conduta ou de ética que tratavam desse tema.


Dúvida em futuro do Maracanã faz Mineirão sonhar com final da Copa América
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Marcel Rizzo

A incerteza de quem irá gerir o Maracanã nos próximos meses, depois de a Justiça cancelar a concessão do estádio, levou preocupação a membros da Conmebol e dos organizadores da Copa América-2019, que será no Brasil. Na próxima semana o Conselho da entidade sul-americana se reunirá em La Paz para tratar de temas do torneio, entre eles a distribuição das partidas pelas seis arenas escolhidas.

O Maracanã ainda é o favorito a receber a final, mas problemas na administração do estádio ícone no Brasil faz com que o Mineirão, e até um dos dois estádios de São Paulo, apareçam como opção para o encerramento da competição.

A Copa América será realizada em cinco cidades e São Paulo terá dois estádios, o Morumbi, que como a coluna De Primeira revelou na quinta (13) será o palco de abertura, e o Allianz Parque. O Rio cederá o Maracanã, Porto Alegre a Arena do Grêmio, Salvador a Fonte Nova e Belo Horizonte o Mineirão. Serão 12 participantes, os dez filiados à Conmebol mais os convidados Japão e Qatar, que disputarão 26 jogos a serem distribuídos pelos seis estádios.

Conmebol e CBF querem o Maracanã como sede da final, e não só isso: se em 2014 o principal estádio do país não recebeu partidas da seleção brasileira na Copa do Mundo, desta vez a ideia é que a tabela coloque o Brasil como cabeça-de-chave do Grupo A e tenha um confronto logo na primeira fase no Maracanã, como mostrou o blog.

A decisão judicial de quarta-feira, porém, que determinou o cancelamento da concessão, por suspeita de vícios no processo, abriu um enorme ponto de interrogação sobre em quais condições o Maracanã estará em junho de 2019, quando a Copa América será realizada, de 7 a 30. Há receio de que novamente a arena fique relegada em segundo plano, principalmente se voltar ao poder do Estado, que terá mudança de governador em 2019. Já há algumas reclamações recentes com relação à problemas de infraestrutura, como defeitos no gramado.

A administração do Mineirão já colocou o estádio à disposição para uma final. Em São Paulo, o Allianz Parque não teria a capacidade, de pouco mais de 40 mil pessoas, desejada para uma decisão, por isso o Morumbi seria uma opção para abrir e fechar a competição.

O blog apurou que nessa semana, se a entidade decidir confirmar ao menos os locais de abertura e encerramento, o Maracanã será apresentado como a sede da final, mas internamente será cobrado das autoridades do Rio garantias de que não haverá problemas de infraestrutura em 2019. E poderá ocorrer mudanças na tabela até o fim de 2018, quando a Conmebol pretende sortear as chaves, e até mais adiante, desde que não prejudique a logística das seleções.


Contestado pelo Palmeiras, chefe do VAR diz não ter erro em lance de Fábio
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Marcel Rizzo

O coordenador de árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) e chefe do departamento de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, disse que não houve erro de procedimento do árbitro Wagner Reway no polêmico lance de falta sobre o goleiro do Cruzeiro Fábio, no fim da partida em que os mineiros bateram o Palmeiras por 1 a 0, na noite desta quarta (12), na primeira partida de uma das semifinais da Copa do Brasil.

Segundo ele, Reway marcou a falta em Fábio antes de o jogador palmeirense concluir a gol, e foi um lance interpretativo, que não cabe o uso do VAR. ''O árbitro principal marcou [a falta] no momento da jogada, antes de a bola entrar. Não há qualquer erro do árbitro de vídeo porque, neste caso, não cabe o VAR. Independentemente disso, há divisão de opiniões sobre o lance, de caráter interpretativo'', disse Corrêa.

Após a partida, o diretor de futebol palmeirense, Alexandre Mattos, criticou o fato de Reway não deixar o lance seguir para poder consultar o VAR depois, se houve ou não falta, e disse que Corrêa, que era o supervisor do uso da tecnologia na partida realizada no Allianz Parque, foi até o vestiário do clube antes do confronto explicar que, em casos de lances polêmicos, a orientação para a arbitragem era deixar a jogada seguir até o fim para, depois, consultar o árbitro de vídeo (VAR).

Segundo Corrêa, essa orientação é para casos específicos de possível impedimento, em que, por exemplo, o auxiliar de campo levanta a bandeira mas o árbitro não apitar e deixa a jogada prosseguir. Nesses casos a orientação é que os atletas finalizem o ato. Mas não cabe, segundo ele, para lances interpretativos como o da falta marcada em Fábio, em que o juiz apita e encerra a jogada.

''Eu disse [aos elencos de Palmeiras e Cruzeiro] que, nos casos de impedimentos, os jogadores devem seguir na jogada até ouvir o apito do árbitro, pois se estiver impedido se tem a possibilidade de acerto ou da confirmação do fora de jogo. Em lances de impedimento o assistente adia a bandeira. Se sai o gol, o ''check'' ocorrerá. Se não houver impedimento, gol confirmado. Se houver impedimento, anula. Portanto, os jogadores não devem parar se o assistente levantar, mas apenas quando o árbitro apitar. Isto é a regra do jogo. No caso em questão [da falta em Fábio], repito, o árbitro marcou a falta no momento do fato'', disse Corrêa.

Segundo ele, se Reway não tivesse marcado a falta imediatamente, e o gol saísse, ele poderia ir até a beirada do campo checar para ver se houve a infração, ou não, e rever a jogada. Mas como marcou a falta e parou instantaneamente, é como se o restante não existisse, então não é possível o ''check'', para usar o jargão adotado pelos árbitros no caso do VAR para as revisões.

''Ele entendeu como falta e apitou no toque de um jogador do verde no de amarelo [cor da camisa de goleiro de Fábio]. Apitou a falta, tema encerrado. Em resumo, o nosso projeto não é para a interpretação, do contrário todos os lances teriam que ser revisados. Imagina o tempo [perdido]? No primeiro tempo me parece que foram apenas oito faltas, uma semifinal desse porte sendo jogada com futebol'', disse Corrêa. O Palmeiras deve oficializar uma reclamação na CBF e pedir punição a Reway.


Com opção reduzida de jogos de clubes, Globo usa seleção por cota mais cara
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Marcel Rizzo

A Globo não terá em sua grade de TV aberta em 2019 a Liga dos Campeões de clubes da Europa e ainda não sabe se poderá transmitir todos os jogos da Série A do Brasileiro e a Copa Sul-Americana, mas agregou ao projeto comercial de suas transmissões no ano que vem os amistosos da seleção, as eliminatórias para a Copa-2022 e a Copa América, torneio que será no Brasil. A emissora aumentou em 35% o valor das cotas oferecidas a patrocinadores, comparado com 2018.

As seis cotas nacionais custam, cada uma, R$ 310 milhões — na proposta enviada aos clientes a empresa explica que R$ 298 milhões são referentes à TV aberta e R$ 12 milhões ao digital, vendidos conjuntamente. Em 2018, cada uma das seis cotas valia R$ 230 milhões. Segundo executivos do mercado publicitário ouvidos pelo blog, o valor bem inferior no ano passado foi porque a Globo dividiu em dois o projeto comercial e o referente à Copa do Mundo-2018, com todos os jogos da seleção no ano, foi vendido separadamente.

O blog apurou que o valor das cotas para 2019 pode ser negociado com desconto. Por meio da assessoria, a Globo avisou que não comenta informações estratégicas de seus planos comerciais. Os seis patrocinadores do futebol em 2018 (Ambev, Itaú, Chevrolet, Hypera Pharma, Unilever e Vivo) têm prioridade de compra até a próxima segunda, dia 17, às 16h. Se não optarem pela renovação a venda é aberta a outras empresas, inclusive concorrentes do mesmo setor.

95 transmissões

O mercado de patrocínio no futebol para a TV em 2019 será atípico por dois motivos: entrada de outras mídias na concorrência para direitos de transmissão, como o Facebook, que adquiriu pacotes para Liga dos Campeões e Libertadores, e principalmente porque a Turner, empresa norte-americana que detém a marca Esporte Interativo no Brasil, fechou com 16 clubes para a transmissão do Brasileiro da Série A em TV fechada.

Isso interferiu diretamente na negociação da Globo com os clubes para a TV aberta, principalmente com aqueles que têm contrato com a Turner para televisão fechada. Até agora, três dos 20 times que estão na Série A em 2018 não assinaram com a Globo para 2019: Palmeiras, Bahia e Atlético-PR não toparam um redutor oferecido justamente porque têm acordo com a concorrência para outra plataforma. Isso faz com que a emissora, no momento, não tenha o direito sobre 108 das 380 partidas da Série A do ano que vem, quase 30% da tabela, por causa da legislação que proíbe que um jogo seja transmitido sem a anuência das duas equipes.

O cardápio da Globo, por exemplo, não teria o clássico Corinthians x Palmeiras ou até mesmo a decisão do campeonato, valendo título na última rodada, caso estivessem em campo Palmeiras, Bahia ou Atlético-PR. Esses detalhes não estão no plano comercial da Globo, que oferece na verdade um pacote com número fechado de transmissões. Para 2019, a emissora promete ''95 transmissões na TV dos principais campeonatos nacionais e internacionais e da seleção brasileira''.

São dez a mais do que no ano passado, de 85, principalmente porque foram agregadas as partidas da seleção e a Copa América, que será disputada entre 7 e 30 de junho. Em 2019, a Globo promete as transmissões de Campeonatos Estaduais, Libertadores, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, amistosos e jogos das Eliminatórias (no segundo semestre) da seleção, além da Copa América. Na temporada passada oferecia também a Liga dos Campeões, a Copa do Nordeste (a emissora não renovou para este torneio em 2018, que foi transmitido em TV aberta pelas retransmissoras do SBT na região) e a Copa Sul-Americana.

A Sul-Americana, segundo torneio de clubes do continente, ainda não teve seus direitos de TV para o período de 2019 a 2022 negociados, por isso a Globo não pode confirmar a transmissão para o ano que vem. Não houve acordo porque as propostas oferecidas não agradaram a Diez Media FC, empresa que ganhou da Conmebol o direito de vender comercialmente as competições de clubes da entidade. A Globo está na disputa pela competição.

Uma ressalva na proposta de 2019 é que a Globo pode transmitir, entre junho e julho, partidas da Copa do Mundo de futebol feminino, que será na França, e o pacote é outro dentro de normas da Fifa, com prioridade para os patrocinadores da entidade.  A emissora também informou que o pacote comercial de cotas internacionais para o Futebol 2019 é outro.

Em nota, a empresa ''reafirmou seu compromisso de levar o melhor do futebol para o público, esteja aonde ele estiver, assim como para os parceiros que buscam a conexão de suas marcas com os mais de 185 milhões de torcedores que acompanham as nossas transmissões''. Os executivos ouvidos pelo blog acham que dificilmente a Globo não terá contrato com todos os clubes para a Série A em 2019, mesmo se precisar ceder um pouco. No momento, porém, a emissora está irredutível na oferta de pagar menos aos clubes em contrato com a Turner.


Prêmio por final única pode render R$ 80 mi a campeão da Libertadores 2019
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Marcel Rizzo

A final única da Libertadores deve render aos clubes que chegarem até ela em 2019 mais dinheiro proporcional ao total que será pago pela Conmebol aos participantes. Esse foi um pedido das equipes de países que costumam frequentar as decisões, como Brasil e Argentina, em reunião recente ocorrida na sede da entidade, no Paraguai — há receio de perda de receitas de patrocínio e, claro, renda por não mandarem as finais da Libertadores em seus estádios.

A Conmebol ainda não fechou o valor que será destinado aos clubes para o torneio em 2019, já que ainda há negociação com patrocinadores e de direitos de transmissão. Para 2018, a confederação reservou US$ 103,85 milhões (R$ 431,4 milhões) para distribuir aos 47 participantes. Desta quantia, o campeão embolsará US$ 6 milhões (R$ 25 milhões) somente por ganhar a decisão — proporcionalmente, portanto, leva míseros 5,7% do total pago e o vice, apenas por estar na final, recebe US$ 3 milhões (R$ 12,5 milhões) ou 2,8%.

Os clubes querem mais dinheiro aos finalistas, e a Conmebol deve ceder. É possível que o vencedor da final única fique com, ao menos, 10% da bolada total a ser distribuída aos clubes. Há uma previsão na Conmebol de que, com novos parceiros, possa distribuir mais de US$ 200 milhões (R$ 831,2 milhões) em 2019, portanto somente por vencer o jogo que será realizado em Santiago, dia 23 de novembro, uma equipe embolsaria US$ 20 milhões (R$ 83 milhões). Isso não leva em conta as cotas de fases anteriores, que elevariam a bolada total do campeão para cerca de US$ 25 milhões (R$ 103 milhões), mais do que o dobro dos US$ 11 milhões (R$ 46 milhões) da edição de 2018.

O fato de que a Conmebol usará a final em partida única para alavancar as receitas da entidade e da competição foi usado pelos clubes para mostrar à entidade que esses finalistas merecem uma fatia maior do bolo. Mesmo clubes de países com menor orçamento, e que dificilmente chegarão a uma decisão de Libertadores, como venezuelanos e bolivianos, apoiaram a ideia com a promessa de que as cotas de fases anteriores também subirão.

''O que se espera é gerar mais receitas, também por meio da criação de uma final única, que por sua vez vai permitir gerar maiores premiações, que são cobradas pelos clubes. Desta maneira, a Conmebol tem que alavancar novas formas de gerar receitas para serem distribuídas e os clubes tenham interesse em disputar a Libertadores'', disse Mauro Corrêa, sócio-diretor da CSM Golden Goal, empresa especializada em gestão e marketing esportivo.

A primeira final em jogo único da Libertadores será o principal atrativo da próxima edição, que marca o acerto de novos contratos comerciais para a competição. A Copa Sul-Americana também deve ter aumento de cotas com sua decisão em partida única dia 9 de novembro, em Lima, no Peru, mas ainda se discute se o campeão poderia receber cerca de 10% da bolada total distribuída aos clubes. Hoje somente pelo título a Sul-Americana paga US$ 2,5 milhões (R$ 10,4 milhões) e um total ao campeão de US$ 4,5 milhões (R$ 16,6 milhões) com as cotas das fases anteriores.

As finais em um único jogo para a Sul-Americana e, principalmente, para a Libertadores geraram críticas devido a possíveis dificuldades de deslocamento para os torcedores e possibilidade de estádios vazios. Diferentemente da Europa, que tem decisões há anos em partidas únicas de seus torneios continentais de clubes, na América do Sul os trajetos precisam ser feitos de avião, não de trem, o que encarece as viagens.

''Acho que são questões que merecem atenção, mas que são possíveis de serem geridas. Existem dezenas de cidades na América do Sul com boa capacidade. Um caderno de encargos e uma seleção das cidades que tenham boa infraestrutura hoteleira, viária e aeroportuária são condições fundamentais para se ter uma boa logística'', disse Corrêa.


Boa fase de Gabriel pode acabar com ‘barreira’ na artilharia do Brasileirão
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Marcel Rizzo

Gabriel fez três gols contra o Vasco e mantém boa sequência (Crédito: Thiago Ribeiro/AGIF)

Desde 2006, quando o Campeonato Brasileiro por pontos corridos passou a 20 clubes, e 38 rodadas, o máximo de gols que o artilheiro da competição fez foi 23, por duas oportunidades — Jonas, pelo Grêmio em 2010, e Borges, pelo Santos em 2011.  A edição 2018 tem no momento o santista Gabriel Barbosa liderando essa estatística com 12, distante do recorde, mas que nas últimas partidas tem excelente média de mais de um gol. Isso pode fazer com que ao menos passe uma incômoda barreira dos 20 gols, algo que nas seis últimas edições só foi superada uma vez, em 2013 por Ederson, do Atlético-PR, que anotou 21.

Emprestado pela Inter de Milão, Gabriel, 22, voltou ao Santos por empréstimo em janeiro de 2018 para tentar se recuperar depois de frustrante passagem pela Europa entre meados de 2016 e fim de 2017 — pela Inter foram só dez jogos, e um gol, e pelo Benfica, para qual foi emprestado antes do Santos, cinco partidas e também um gol. O reinício no Brasil foi lento, mas aos poucos parece ter readquirido confiança principalmente após a chegada do técnico Cuca, em julho.

No Brasileiro, com Cuca, Gabriel fez dez de seus 12 gols. Nas últimas seis partidas foram sete anotados, mais de um por jogo, algo difícil de ser mantido, é verdade — sua média total na competição é de 0,52, o que o faria chegar aos 20 gols no campeonato, já que o Santos ainda joga 15 vezes (tem uma partida a menos na tabela). Para passar a barreira dos 20, é preciso de uma média de 0,6 e para igualar o recorde de 23 gols de uma média de 0,73. Todas possíveis levando em conta seu rendimento atual.

Os dois gols que fez contra o Paraná, domingo (9), alçaram ele à artilharia isolada, dois à frente de Pedro, do Fluminense, que se recupera de lesão. Na disputa pelo posto de goleador do ano ainda aparecem Ricardo Oliveira, do Atlético-MG, com nove, e Nenê e Diego Souza, do São Paulo, e Willian, do Palmeiras, com oito cada. Roger Guedes tem nove gols, mas foi negociado para o Shandong Luneng, da China, em julho, quando era o goleador da competição com sobras.

Com 21 gols ano, Gabriel Barbosa igualou já sua duas melhores temporadas, em 2014 e 2015, quando anotou o mesmo número em sua primeira passagem pelo Santos. Na Copa do Brasil, apesar do Santos fora das semifinais, se mantém como artilheiro, com quatro gols, ao lado de Neílton, do Vitória, e Rômulo, do Avaí, que também estão fora da disputa. Romero, do Corinthians e que ainda jogará a semifinal, tem três gols e é o mais próximo de tirar esses três da liderança.

O contrato de empréstimo da Inter para o Santos termina em dezembro e dificilmente será renovado. A melhora de rendimento do atacante pode fazer com chegue à Itália desta vez com chances de jogar mais, ou mesmo ser novamente emprestado a clube europeu, desta vez com oportunidade de ser melhor aproveitado.

Artilheiros do Brasileiro desde 2010

2010 – Jonas (Grêmio) – 23 gols
2011 – Borges (Santos) – 23
2012 – Fred (Fluminense) – 20
2013 – Ederson (Atlético-PR) – 21
2014 – Fred (Fluminense) – 18
2015 – Ricardo Oliveira (Santos) – 20
2016 – Fred (Fluminense e Atlético-MG), William Pottker (Ponte Preta) e Diego Souza (Sport) – 14
2017 – Jô (Corinthians) e Henrique Dourado (Fluminense) – 18


Você pode não ter onde ver o jogo decisivo de seu time no Brasileiro-2019
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Marcel Rizzo

As negociações de Palmeiras, Bahia e Atlético-PR com a Globo para TV aberta e pay-per-view no Brasileiro da Série A de 2019 se arrastam por meses, continuam travadas, e o cenário no momento é que nenhuma partida dessas três equipes, contra nenhum rival, tem garantia de passar nessas plataformas no ano que vem.

A indefinição atinge um momento importante em que a emissora trata do plano comercial de suas transmissões de futebol em 2019, quando patrocinadores recebem o pacote que terão à disposição caso fechem contrato. Ainda é preciso esperar a definição dos 20 participantes da Série A para a próxima temporada (descenso das Séries A para a B e acesso da B para a A), mas o cenário atual deixaria, por exemplo, telespectadores sem Palmeiras x Corinthians ou até sem o confronto decisivo do campeonato, algo que não ocorre desde os anos 1980.

Mas por que isso? A Lei Pelé, em seu artigo 42, diz que os direitos de transmissão, retransmissão e produção de imagens pertencem às entidades de prática desportiva. Apesar de algumas pessoas afirmarem que o texto indica que o clube que detenha o mando de campo tem o direito de transmissão daquele jogo, especialistas e executivos das principais emissoras de TV do Brasil avaliam que o artigo diz que os dois times possuem esse direito. Ou seja, ambos precisam autorizar a transmissão. Se um time A fechou com a Globo e o B não, e esse B não der o aval para a transmissão, o jogo não tem TV.

Redutor

Os três clubes citados fazem parte dos 16 que fecharam contrato com a empresa norte-americana Turner pelos direitos de transmissão em TV fechada. Inicialmente os jogos seriam transmitidos pelo canal Esporte Interativo, concorrente do SporTV, da Globo, mas em agosto foi anunciado que a Turner acabaria com o EI como canal independente, e as transmissões ocorrerão em outros canais do grupo, como o Space e a TNT, que hoje têm programas de variedades e filmes como foco.

A Globo entendeu que esses clubes que acertaram com a concorrência deveriam, por questão de mercado, receber menos pelos contratos de TV aberta e pay-per-view (acordos separados). Os chamados redutores fariam, em média, Palmeiras, Bahia e Atlético-PR ganharem 20% a menos em TV aberta e 5% no pay-per-view. Este é o principal motivo que emperra a negociação, já que não há concorrência para a Globo nessas duas plataformas. O blog apurou que o Palmeiras, por exemplo, pretende esticar a corda até onde puder já que financeiramente depende menos dos contratos de TV do que outros clubes.

O trio também se apega ao fato de que, se não assinar com a Globo, a emissora não terá 108 dos 380 jogos do Brasileiro, tanto na TV aberta quando no pay-per-view, e isso poderia influenciar em contratos da emissora com patrocinadores, já que eles não teriam, como em 2018, a garantia de transmissão de todos os jogos, incluindo os decisivos. Imagine que, na última rodada, qualquer time que tenha acordo com a Globo e que esteja brigando pelo título enfrente Palmeiras, Bahia ou Atlético-PR, mesmo essas equipes já sem chance de taça. O jogo em que provavelmente sairia o campeão não poderia ser transmitido, algo que não ocorre com a Globo desde 1986, quando o São Paulo bateu o Guarani.

Para 2018, o pacote comercial da Globo para o futebol (sem a Copa do Mundo da Rússia) custava inicialmente R$ 230 milhões cada cota. Foram fechados seis contratos (Itaú, Brahma, Chevrolet, Hypermarcas, Unilever e Vivo), não necessariamente pelo valor oferecido, já que cada contrato tem sua particularidade.

Em nota enviada pela assessoria de comunicação, a Globo falou sobre o assunto: ''não comentamos negociações em andamento. O que podemos antecipar é que o Futebol na Globo é o mais importante e completo projeto de comunicação da indústria da propaganda no Brasil, reconhecido pela sua eficiência e pela visibilidade que oferece às marcas dos patrocinadores ao longo do ano''.