Blog do Marcel Rizzo

Atacantes decepcionam e Copa mantém barreira dos seis gols para artilheiro
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Marcel Rizzo

A Copa do Mundo começou promissora, com Kane, Lukaku e Diego Costa, principalmente, marcando e chegando rapidamente a ponta da artilharia. Parecia que a barreira dos seis gols, que desde 1978 atormenta os goleados do Mundial, seria ultrapassada tranquilamente, mas não.

A não ser que Kylian Mbappé ou Antoine Griezmann tenham atuações de Pelé nesta domingo, na final contra a Croácia, e façam quatro gols, o inglês Harry Keane será o goleador do Mundial da Rússia, com seis. Desde a Copa de 1978, na Argentina, somente uma vez, no Mundial de 2002, o artilheiro marcou mais de seis vezes. Foi Ronaldo, que no Japão e na Coreia do Sul anotou oito vezes na campanha vitoriosa do Brasil.

Mbappé e Griezmann têm três gols cada. Pela Croácia, o outro finalista, os artilheiros são Mandzukic, Modric e Perisic, dois gols cada um, ou seja, sem chances de ultrapassar a barreia dos seis gols. O início empolgante principalmente de Kane, que na primeira fase tinha cinco gols fez muita gente acreditar que o limite de seis gols seria facilmente batido. Na última rodada da fase de grupos, Kane foi poupado contra a Bélgica, mas voltou a marcar, outra vez de pênalti (foram três assim), nas oitavas de final frente os colombianos.

Mas parou aí. Nada nas quartas de final ante a Suécia, também em branco na semi frente os croatas ou na disputa de terceiro lugar, contra a Bélgica. O belga Lukaku também teve uma primeira fase brilhante, com quatro gols feitos nos dois primeiros jogos. Nos cinco seguintes, outra decepção e zero bola na rede.

A Rússia, se avançasse à semifinal, poderia ter em Cheryshev um candidato a passar a barreira, já que ele terminou a Copa com quatro gols — mas parou nas quartas de final frente a Croácia. Diego Costa e Cavani anotaram três, mas pararam nas oitavas e nas quartas, respectivamente — o uruguaio, machucado, nem atuou na derrota para a França.

Nos dois times finalistas, os centroavantes não são decisivos. O francês Giroud tem zero gol, mas é elogiado pelo que ajuda o time taticamente. Na Croácia, Mandzukic até já fez dois, mas está no mesmo patamar dos meias Modric e Perisic. França e Croácia são dois times com bons talentos individuais, que se equivalem. Não há um Cristiano Ronaldo ou Messi, por exemplo. Portanto era de se esperar que grandes artilheiros ficassem pelo caminho.

Em 1974, o polonês Lato foi o artilheiro da Copa da Alemanha com sete gols. Depois disso, em uma sequência incrível de seis Copas (de 1978 a 1998), o goleador sempre fez seis, sozinho ou em parceria com outros jogadores. Ronaldo quebrou a escrita em 2002, mas de 2006 até 2014 fora três Mundiais em que novamente não se ultrapassou a barreira dos seis gols — em 2014, na Copa do Mundo do Brasil, o colombiano James Rodriguez parou nos seis. Número que será o de 2018.


Modric é o presente, Mbappé é o futuro. Croata merece ser o melhor da Copa
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Marcel Rizzo

A Croácia jogou 90 minutos a mais de futebol, uma partida inteira portanto, do que a França nesta  Copa do Mundo da Rússia com as três prorrogações que precisou disputar para chegar até a final. Mesmo assim, o número de Modric impressiona: ele foi o atleta que mais correu nesta Copa, com 63,03 km, uma média de 9 km por jogo (levando em contra que os croatas fizeram sete, e não seis, confrontos para chegar na decisão com o acréscimo dos tempos extras).

Aos 32 anos, o meia nunca foi protagonista por onde passou, até porque nos últimos seis anos esteve no Real Madrid, clube que tinha até semana passada um dos dois melhores jogadores da última década, o português Cristiano Ronaldo — que a partir da temporada 2018/2019 defenderá a Juventus. Mas mesmo no Tottenham, time inglês que esteve de 2009 a 2012, conviveu com jogadores que apareciam mais, como Bale ou Crouch (era um time inglês, certo?)

Jogador com estilo raro nos dias de hoje, Modric pode ser um meia mais tradicional, que fica com a bola nos pés e distribui o jogo, ou pode atuar mais recuado, como um segundo volante que tem qualidade para iniciar jogadas. Na Copa do Mundo da Rússia, se dividido nessas funções, por isso não é estranho que seja o atleta que maior distância percorreu no Mundial.

Se deu dez chutes a gol, ao mesmo tempo cometeu dez faltas (uma a mais do que sofreu, por sinal). Se deu 443 passes, com 83% de acerto, recuperou 30 bolas, número que o coloca como o 15º nessa função na Copa, perto de volantes tradicionais como Casemiro (32) e zagueiros como seu parceiro Lovren (38).

Independentemente de quem vencer a final deste domingo entre França e Croácia, em Moscou, a Copa do Mundo que Modric fez e ainda faz, levando a Croácia pela primeira vez até a decisão, o credencia a levar o troféu de melhor jogador da Copa do Mundo. Hoje, pelo que se apresenta, seu principal concorrente é o atacante francês Mbappé, 19 anos. Atacante veloz, habilidoso, inteligente, surgiu como grande astro da Copa, principalmente pela partida excepcional que fez contra a Argentina, nas oitavas de final.

Mas como seu próprio parceiro de time, Pogba, disse, Mbappé ainda é garoto, e terá altos e baixos. Nos jogos seguintes ao frente aos argentinos, contra Uruguai e Bélgica, já não foi tão decisivo e mostrou uma faceta que, por sua juventude, ainda pode ser consertada, a de fazer gracinhas quando seu time está ganhando.

Mbappé é a revelação da Copa, não há dúvida. Esse prêmio é dele. Mas o melhor jogador é Modric. Pena que se ele não for bem na final e outro jogador brilhar, uma partida valerá mais do que outras seis (sete para o incansável croata).


O que une Neymar e Mbappé neste momento? Fazer firulas com o time ganhando
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Marcel Rizzo

Mbappé recebe bronca de Godín após enfeitar jogada (Crtédito: Getty Images)

O Real Madrid vendeu Cristiano Ronaldo à Juventus, desejo do jogador, e abriu-se a temporada de apostas em qual será a estrela que os espanhóis contratarão. Os dois principais candidatos são o brasileiro Neymar e o francês Mbappé, que apesar de gerações diferentes, são quase sete anos a mais para o brasileiro, têm características semelhantes: driblam,  avançam em velocidade, marcam e gostam de fazer firula quando seu time está na frente do placar.

Neymar deixou a Copa do Mundo da Rússia com sua fama de cai-cai mais acentuada e virou piada em vários lugares, com pessoas, inclusive crianças, imitando o que seriam suas quedas em campo. Claro que a eliminação do Brasil precocemente, nas quartas de final, escancarou essa faceta do jogador — talvez se o Brasil estivesse na final, os gols que teria feito estivessem mais em evidência.

É o que se passa com Mbappé. Aos 19 anos, o atacante aparece como candidato à revelação da Copa, e até mesmo a melhor jogador do Mundial, dependendo do que fizer na final. Mas não se engane: Mbappé tem demonstrado uma característica comum de garotos habilidosos, como Neymar, que é o de enfeitar jogadas quando seu time está vencendo o jogo.

Contra a Costa Rica, na segunda partida do Brasil na Copa e que foi um sufoco danado, com dois gols no acréscimo, Neymar precisou ver o Brasil com 1 a 0 no placar para dar uma carretilha no adversário, na lateral do campo. Não foi a primeira vez, nem a última, que fez isso, e só faz a antipatia que muitas pessoas têm pelo camisa 10 aumentar.

Mbappé repete o roteiro de Neymar. Contra o Uruguai, resolveu dar um toque de letra no meio de campo, com 2 a 0 no placar. Levou uma chegada mais forte de um adversário, e depois vários uruguaios se aproximaram para tirar satisfação, mesmo com o francês caído. Contra a Bélgica, passou o pé por cima da bola, já quase no fim, com 1 a 0 de vantagem, e levou um chega pra lá de Vertonghen, sem consequências maiores.

Jogadores com capacidade para o drible, para usar a técnica, devem fazer isso, mas durante todo o jogo, e de forma objetiva. Fazer gracinha quando se está ganhando só serve para irritar o rival e criar situações que podem gerar brigas. Na França, o técnico Didier Deschamps deu, publicamente, uma repreendida em Mbappé e provavelmente o puxão de orelha foi mais forte nos bastidores. Tite, ao que parece, mais passou a mão na cabeça de Neymar do que o repreendeu. Talvez um aprendizado caso inicie mais um ciclo à frente da seleção brasileira.


O aprendizado para Tite na seleção: não morra abraçado com os ‘parças’
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Marcel Rizzo

Tite, se realmente ficar na seleção brasileira (o que é mais provável neste momento), deverá aprender com erros cometidos por ele e por seus dois antecessores em Copas do Mundo: não se aposta em jogadores de confiança.

Há, claro, preferência por X ou Y, normal em qualquer profissão. No futebol, que mexe com gostos não apenas técnicos e táticos, mas também de personalidade, isso se acentua. É normal um treinador de um clube preferir esse, em vez de aquele, por uma característica específica de função em campo, ou de como ajudará o ambiente do elenco. Esse pode nem ser melhor do que aquele, mas num clube, a longo prazo, pode funcionar melhor.

Normal, então, que na seleção se repita essa preferência. Há, porém, um problema: ser técnico do Brasil significa ter como objetivo ser campeão da Copa do Mundo, torneio de tiro curto, com jogos eliminatórios, em que uma falha, seja coletiva ou individual, põe por água abaixo trabalho de três ou quatro anos. Aí está o risco de apostar nos ''parças''.

Não que ''parça'', no caso dos treinadores da seleção, seja algo pejorativo, convocou por questões que não seja de ordem técnica ou tática. O técnico tem confiança em um atleta, e vai com aquele. Aí está o erro, porque no momento da Copa do Mundo a aposta tem que ser no que esteja em melhor fase, técnica e física, não naquele que tem alguma afinidade contigo.

Em 2010, na África do Sul, Dunga levou, por exemplo, Kleberson e Elano, jogadores em quem confiava. Deixou fora Paulo Henrique Ganso, revelação do Santos que, na época, desfilava qualidade e daria à seleção uma alternativa de mudança de padrão de jogo que é fundamental em torneios como uma Copa do Mundo. Você tem uma ideia de time, um esquema na cabeça, mas se der errado, leve opções para mudar isso, não simplesmente atletas da mesma função.

Quatro anos depois, no Brasil, Felipão fez uma aposta semelhante, com jogadores com quem já havia trabalhado em clubes, ou que já não estavam naquele ano na melhor fase, mas ajudaram em algum momento a seleção anteriormente. Nessa lista podem entrar Henrique, Fred e Jô. Note que os dois centroavantes não estavam em sua melhor fase, mas tinham a confiança do técnico. Quando foi preciso mudar, não havia opção.

Tite, talvez, tenha até superado os antecessores nesse tema, e pior: boa parte dos caras que tinha como de confiança tiveram problemas físicos perto da Copa. O lateral-direito Fagner, com quem trabalhou no Corinthians, não jogava há alguns meses se recuperando de lesão — e, se faça justiça, ele fez bons jogos na Copa, apesar de contra a Bélgica ter tido dificuldades contra o ótimo Hazard.

Renato Augusto, que entrou bem contra a Bélgica, também não estava 100% fisicamente, assim como Fred, que se machucou já depois de convocado, e Douglas Costa. Levando em conta que o craque brasileiro, Neymar, era outro se recuperando de lesão, foi arriscado apostar em tantas incógnitas, atletas em que confiava, como fez Tite.

O aprendizado tem que ser: leve quem esteja melhor em maio, quando sai a lista da Copa do Mundo — em 2022 deverá ser depois, mais pro fim do ano, já que o torneio no Qatar será disputado entre novembro e dezembro devido ao calor local. Agradeça aquele atleta que o ajudou nas eliminatórias, que tem perfil que você gosta, mas que naquele momento não está bem, seja tecnicamente ou fisicamente. Mas não morra abraçado com ele.


Fim do feudo: cinco potências ficam pela primeira vez fora da final de Copa
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Marcel Rizzo

Pela primeira vez na história das Copas, uma final não terá uma dessas cinco seleções: Alemanha, Brasil, Argentina, Itália e Holanda. O Mundial da Rússia, que terá de fato uma decisão inédita, mostra a quebra de uma hegemonia que dura desde 1930, ano da primeira Copa, no Uruguai.

O Brasil esteve em sete finais, e perdeu duas, para a França em 1998, e Uruguai, em 1950 (era um quadrangular final, mas o jogo foi considerado a decisão). A Alemanha apareceu em incríveis oito, e apanhou em metade. A Itália, tetracampeã, esteve em seis e a Argentina, bicampeã, em cinco. A Holanda perdeu as três que disputou, uma para a Alemanha, outra para a Argentina, e a terceira para a Espanha, em 2010, que a coloca nessa lista de seletos finalistas.

Se a França passar pela Bélgica, fará sua terceira decisão. Na primeira, em 1998, atropelou o Brasil em sua casa, 3 a 0. na segunda, oito anos depois na Alemanha, perdeu nos pênaltis para a Itália, naquele famoso jogo da cabeçada do Zidane em Materazzi. Os belgas iriam para uma final inédita.

Do outro lado da chave, que terá neste sábado os jogos de quartas de final, Inglaterra e Suécia, com uma final cada, se enfrentam — os ingleses levaram em 1966, em casa, e os suecos perderam em 1958, para o Brasil, também em casa. Croácia e Rússia, que se encaram na outra partida, estreariam em decisões.

A não presença das cinco potências em uma final pela primeira vez mostra que, de fato, o futebol está perdendo seu feudo. A Itália e a Holanda nem sequer se classificaram para a Copa, e a Alemanha, atual campeã, caiu na primeira fase. A Argentina avançou aos trancos e barrancos e parou nas oitavas, enquanto o Brasil foi superado pela Bélgica nas quartas. Apesar da hegemonia europeia nas semifinais, as novidades mostram que o futebol, cada vez mais globalizado, deve romper barreiras…


A casca de banana e o dia que Neymar ganhou a fama de cai-cai na Inglaterra
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Marcel Rizzo

Neymar é orientado por Mano Menezes em jogo que a fama de cai-cai começou (Crédito: Tom Hevezi AP)

Emirates Stadium, o moderno estádio do Arsenal, em Londres, 27 de março de 2011. O local, e o dia, em que pela primeira vez Neymar foi vaiado pelos ingleses por, na visão deles, simular faltas.

Naquele tarde na Inglaterra, fria, o Brasil de Mano Menezes venceu em amistoso a Escócia por 2 a 0, dois gols do garoto de 19 anos que fazia apenas seu terceiro jogo pela seleção brasileira principal, mas já pintava como candidato a protagonista. Era, também, sua primeira exibição na Europa pelo Brasil — os dois anteriores foram nos EUA, a estreia ao lado do parceiro de Santos Paulo Henrique Ganso, e no Oriente Médio.

Aos 20 minutos do primeiro tempo, Neymar trombou com um zagueirão escocês, e desabou no gramado — o relato foi feito por mim, que estava no estádio, ao portal iG, onde trabalhava à época. O juiz ignorou, a partida seguiu, mas os torcedores, boa parte escoceses, outros ingleses, não perdoaram. A cada toque no brasileiro, vaias começavam.

Os jornalistas brasileiros que estavam no estádio demoraram a entender porque vaiavam o garoto. Pressão porque avaliaram que ele seria decisivo no jogo (como foi) ou no futebol mundial no futuro? Não, explicaram repórteres ingleses ao final da partida. ''Por aqui, qualquer simulação é tratada assim. Não se pode tentar enganar, futebol é sério'', disse um deles.

Os jornais ingleses, que deram destaque pequeno ao jogo em suas páginas no dia seguinte, usaram essas vaias como chamada. E parece que pegou. O tempo passou, Neymar se tornou um dos grandes, atuando por times milionários na Europa, camisa 10 da seleção brasileira (naquele dia foi o 11), mas os ingleses parecem nunca ter esquecido aquele 27 de março.

Mas eu também não esqueci, por outro motivo. Naquele dia, Neymar recebeu a fama de cai-cai, mas também sofreu racismo. Uma casca de banana foi atirada ao gramado, próximo a ele, quando estava perto da linha lateral. Ninguém foi preso, nem sequer investigado, já que a Federação Escocesa, que participava da organização do amistoso, não quis abrir procedimento para tentar identificar o autor. Mas é claro que o problema é se jogar demais no gramado.


Com rivais fora da Copa precocemente, Neymar flerta com o ‘melhor do mundo’
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Marcel Rizzo

Cristiano Ronaldo, Messi e Salah fora da Copa da Rússia antes das quartas de final. Com exceção dos dois bons primeiros jogos de Ronaldo por Portugal (o primeiro genial), e por um lampejo de Messi contra a Nigéria, os três fizeram um Mundial fraco, foram logo eliminados e abriram caminho para Neymar brilhar.

E não só para Neymar ser o craque da Copa, mas para estar, novamente, entre os finalistas do prêmio de melhor do mundo da Fifa. Como já mostrou o blog, a Fifa esticou o prazo de avaliação do desempenho dos atletas na temporada 2017/2018 para pegar a atuação dos atletas no Mundial da Rússia. E se Neymar protagonizar essa reta final, a chance de aparecer entre os três melhores, de novo, cresce muito.

O desempenho do candidato será analisado de 3 de julho de 2017 até 15 de julho de 2018, coincidindo exatamente com a data da final do Mundial da Rússia. Apenas oito dias depois da decisão em Moscou, em 23 de julho, a Fifa anuncia o nome dos dez pré-finalistas, estes escolhidos por especialistas — improvável que Neymar e o trio já citado não esteja. Mas aí que a Copa do Mundo pode fazer Neymar ser finalista em uma temporada que não brilhou no PSG, muito também porque se machucou gravemente.

Os eleitores são divididos em quatro: jornalistas, capitães e treinadores das seleções e, por último, torcedores via internet. A final do Mundial estará fresquinha na mente de todos, e alguns podem até ter se esquecido do que fez Salah pelo Liverpool, e o dedo, na hora de votar, ser direcionado para Neymar.

O egípcio chegou à Copa machucado. Para piorar, seu time é fraco, e mesmo com gols de um Salah baleado não avançou de fase. Portanto não será anormal que os amigos internautas optem por Neymar como finalista, ao lado dos sempre presentes Messi e Ronaldo.  Mesmo os votos dos capitães e treinadores de seleções das 211 filiadas, em que há times inexpressivos que têm o mesmo peso dos gigantes, pode pender para o brasileiro.

A Fifa quis dar esse peso para a Copa do Mundo, e será interessante para saber como realmente ela será importante na definição dos finalistas. O anúncio dos três nomes que estarão na festa de gala, em 24 de setembro, novamente em Londres, deve ser feito em 10 de agosto.


Seleções de craque solitário x disciplina tática: quem vence na Rússia?
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Marcel Rizzo

Em poucas horas, as duas maiores estrelas do futebol nos dez últimos anos podem ter agendado um confronto inédito, e provavelmente o último, em Copas do Mundo. Ou podem, no mesmo dia, dar adeus ao Mundial.

Lionel Messi e Cristiano Ronaldo atuam em seleções que dependem, muito, deles. Argentina e Portugal são quase times de um só jogador, algo comum em Copas, mas que muitas vezes fazem com que essas estrelas fiquem longe dos momentos decisivos dos Mundiais, o que pode se repetir na Rússia.

Messi e Ronaldo têm chance de se enfrentar nas quartas, mas seus times não são favoritos nas oitavas.  O egípcio Salah, que com a dupla de Argentina e Portugal deve ser finalista do prêmio de melhor do mundo na temporada 2017/2018 por suas atuações no Liverpool, foi embora na primeira fase. Se recuperando de lesão, não pode ajudar seu fraco time do Egito a passar de fase em um grupo que não tinha nenhum bicho-papão (Rússia, Uruguai e Arábia Saudita).

Se a Argentina perder da França, e Portugal dos uruguaios, os três principais jogadores do último ano terão deixado a Copa bem cedo. Quem mais tem status de craque indiscutível nesta Copa? Neymar, do Brasil, que tem a vantagem de jogar em um time reconhecidamente melhor do que Portugal, Argentina e Egito. Não só como equipe, mas com jogadores de mais qualidade a seu lado. Tanto que, nesse momento, Philippe Coutinho protagonizou muito mais na Rússia do que o camisa 10 brasileiro — levando em conta, claro, que Neymar se recupera de lesão no pé e não está 100%.

França e Espanha, candidatas ao título, não têm craques excepcionais em seu elenco. Há bons jogadores, como Griezmann, Mbappé, Isco, Iniesta (já em fim de carreira), mas podem, por exemplo, chegar mais longe que Argentina e Portugal justamente por terem um time, não apenas um craque.

A Bélgica entra nesse patamar de time bem montado sem craques espetaculares. Talvez Hazard, um dia, poderia flertar com o status de jogador fora de série, mas não chegou a esse ponto. Nessa Bélgica de 2018, porém, ele é fundamental ao lado de atletas também com talento como De Bruyne e Lukaku.

O Uruguai, com os ótimos Cavani e Suárez, mas com uma defesa muito bem armada, Suécia, Suíça, Inglaterra e Dinamarca em sua aplicação tática, a Colômbia e a Croácia, recheadas de jogadores técnicos e com um esquema que os faz jogar coletivamente, completam as seleções que podem chegar muito mais por serem uma equipe, do que por ter um craque.

Os jogos deste sábado (França x Argentina e Portugal x Uruguai) vão mostrar se, na Rússia, vai prevalecer o craque ou o time.


Copa do Mundo repete roteiro de oitavas: Europa, América do Sul e… México
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Marcel Rizzo

Europeus e sul-americanos, mais uma vez, dominaram a fase de grupos da Copa do Mundo e a maioria das seleções classificadas para as oitavas de final é desses continentes. Os únicos intrusos são o Japão, da Ásia, e o México, das confederação que engloba as Américas do Norte, Central e o Caribe.

Para os mexicanos, algo habitual. Desde 1994, somente um país sempre se meteu entre os poderosos da Europa e da América do Sul, justamente o México. Nunca passou das oitavas de final, no período, é verdade, mas mostra uma regularidade que afronta as fronteiras da Fifa, que poderia parar nos dois continentes que dominam os Mundiais desde 1930.

Na sequência, esse é o número de seleções de outras confederações, que não Uefa e Conmebol, que avançaram da etapa de grupos de uma Copa do Mundo desde 1986 (quando o formato de mata-matas se consolidou em oitavas, quartas, semifinal e final): 1986 (2), 1990 (2), 1994 (4), 1998 (2), 2002 (5), 2006 (3), 2010 (4), 2014 (5), e 2018 (2).

O que parecia uma tendência de aumento, com dois Mundiais seguidos com ao menos 4 seleções de fora da elite (25%) classificadas, voltou a um patamar baixo em 2018. São 10 europeus (dos 14 que estão na Copa), quatro sul-americanos (dos cinco), um asiático e outro da América do Norte.

A Fifa, há anos, investe em programas de qualificação do futebol em países emergentes, principalmente da África, Ásia e Oceania. Os resultados, porém, parecem não chegar, apesar do sopro de qualidade que o futebol africano deu a partir dos anos 1990. Um dos motivos pode ser que, apesar desse investimento, muitos jovens atletas deixam cedo esses países, até mesmo por questões humanitárias, para atuar na base de equipes europeias. Por lá ficam e acabam se naturalizando.

Outro ponto é que, por mais que se invista em centros de treinamentos, capacitação de profissionais, aumento de números de competições, o dinheiro corre mesmo na Europa, principalmente, e na América do Sul. Ali estão os melhores jogadores, ali estão os melhores torneios, e dali sairão as melhores seleções.

O caso mexicano pode se explicar também com dinheiro. Com investimento pesado de empresas locais, a liga consegue atrair jogadores importantes, principalmente da América do Sul. O campeonato forte faz com que os atletas mexicanos ganhem experiência e, claro, referência — a sequência mexicana poderia ser até maior, mas em 1990 não pôde nem disputar as eliminatórias porque foi suspenso por falsificar idade de atleta em torneio de base.

Na segunda, em Samara, os mexicanos vão tentar superar pela primeira vez desde 1986, quando em casa chegaram nas quartas, a barreira das oitavas. O rival é o Brasil, cinco vezes campeão. O feito pode ser histórico.

As seleções fora Europa e América do Sul nas oitavas desde 1986:

2014 – 5 (Estados Unidos, Costa Rica, Argélia, México e Nigéria)

2010 – 4 (Coreia do Sul, EUA, Gana e México)

2006 – 3 (Gana, México e Austrália)

2002 – 5 (Japão, Coreia do Sul, México, EUA e Senegal)

1998 – 2 (México e Nigéria)

1994 – 4 (EUA, México, Arábia Saudita e Nigéria)

1990 – 2 (Costa Rica e Camarões)

1986 – 2 (Marrocos e México)


Desejo do Palmeiras: avança projeto de uso do VAR no Paulistão-2019
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Marcel Rizzo

Até o fim de setembro a Federação Paulista de Futebol vai enviar aos clubes o projeto de uso de arbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês) na primeira divisão estadual em 2019. A avaliação inicial da tecnologia, que tem membros da entidade acompanhando o uso na Copa da Rússia, é positiva.

Há consenso de que, caso aprovado, será preciso treino intensivo aos árbitros que forem usar os equipamentos, principalmente par evitar demora demais nas avaliações de lances. A questão custo também será decisiva para a aprovação dos clubes — não se sabe ainda quem pagaria (no Brasileiro, a CBF avisou que os times teriam que arcar com cerca de R$ 500 mil cada somente para o 2º turno da competição, e foi reprovado).

Também é preciso avaliar se alguns estádios do interior teriam condições físicas de receber câmeras e todo o aparato tecnológico, por isso não é descartado que, no primeiro ano, se aprovado pelos clubes, o VAR só seja usado nas fases finais da competição.

Na segunda (25), o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, o vice, Fernando Solleiro e Mauro Silva, campeão do mundo em 1994 que é diretor da entidade, e quem trabalha com a comissão de arbitragem a implantação do VAR no Campeonato Paulista, visitaram o centro de operações do árbitro de vídeo em Moscou — todos os profissionais que analisam as imagens dos jogos da Copa ficam nessa sala, no IBC, centro de transmissão do mundial e a comunicação com os árbitros de campo é feita por meio de rádios.

O VAR agrada a alguns clubes, como o Palmeiras, que oficialmente solicitou à FPF o uso da tecnologia no Paulistão de 2019 depois do polêmico pênalti marcado, e depois desmarcado, em cima de Dudu na final do Campeonato Paulista contra o Corinthians. O clube acusa ter havido auxílio externo, quando alguém que não do quinteto da arbitragem possa ter avisado que a falta não foi cometida. A FPF nega qualquer comunicação extracampo.

Carneiro Bastos, que se tornou oposição dentro da CBF ao tentar a candidatura a presidente da confederação brasileira para concorrer com Rogério Caboclo, o indicado pelo ex-chefe Marco Polo Del Nero, não aceitou viajar à Rússia bancado pela CBF, como a cartolagem de todas as outras federações estaduais — que acompanharam os dois primeiros jogos do Brasil, e verão nesta quarta o terceiro e último da primeira fase, contra a Sérvia, em Moscou.