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Seu time pode cair? Governo sugere seguro contra rombo em novo acordo de TV
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Marcel Rizzo

Há no governo federal preocupação de que o novo modelo de distribuição de dinheiro dos direitos de transmissão de TV no futebol, que entrará em vigor em 2019, abale o caixa dos clubes e prejudique o pagamento em dia das contas, incluindo as parcelas do Profut, a lei de responsabilidade fiscal do esporte.

O medo foi apresentado pelo presidente da Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol), Luiz André de Figueiredo Mello, em reunião em setembro com os membros da entidade, ligada ao Ministério do Esporte. No mesmo encontro Mello deu uma sugestão: a criação de um seguro que bancasse possível rombo de uma equipe que perdesse muito dinheiro de TV sendo rebaixada de divisão.

''A Apfut apenas sugeriu formas de reduzir o impacto nas finanças das entidades esportivas que um possível rebaixamento poderá causar, baseado em experiências internacionais, mas caberá aos clubes em conjunto com as Federações e a Confederação Brasileira de Futebol buscarem formas de financiamento para estas propostas'', disse Mello, em nota. Na reunião estava presente o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, representante dos clubes no órgão e que afirmou na ocasião que a proposta poderia ser considerada pelos times.

A ideia, segundo apurou o blog, seria simples: um seguro, repartido entre os 20 participantes da Série A do ano vigente, que destinariam parte da verba que recebem para cobrir um rombo futuro. Os principais clubes de futebol do Brasil aderiram ao Profut, a lei de responsabilidade fiscal do esporte que refinanciou dívidas tributárias com prazos maiores e juros menores. Para isso precisam cumprir contrapartidas, que tem como base principal o saneamento das contas e, claro, o pagamento em dia das parcelas.

Dos 12 clubes de maior orçamento do Brasil, só o Palmeiras não aderiu. Dos 20 que participam da Série A em 2018, apenas três não entraram no programa: além do time paulista, o Sport e a Chapecoense. A nova forma de distribuição dos direitos de TV acabará com a segurança que alguns dos principais clubes do Brasil tinham caso rebaixados. Uma cláusula contratual que mantinha, por ao menos um ano, o valor integral da cota referente à Série A, mesmo estando na B. Se não retornasse à elite logo na primeira tentativa, esse valor ia diminuindo gradativamente nos anos seguintes.

Como exemplo, o Coritiba, que caiu da A para a B em 2018, ganhou os mesmos R$ 35 milhões que embolsou no ano passado na primeira divisão. O Goiás, que está no seu terceiro ano de segunda divisão, já teve parte da cota retirada, e recebeu este ano pouco mais de R$ 26 milhões. Os demais 18 times, em contrato coletivo intermediado pela CBF, ganharam cada pouco mais de R$ 6 milhões (o que gerou até confusão na distribuição, já que os times queriam que o valor total do acordo coletivo fosse dividido por 18, e não por 20, já que Coxa e Goiás recebem valores individuais).

A partir de 2019, essa cláusula de manutenção de valores após rebaixamento deixa de existir. Então um time como o Paraná Clube, já rebaixado e que recebeu R$ 23 milhões em 2018, poderá ver sua receita de TV cair para R$ 6 mi, ou pouco mais, o que pode gerar um rombo em suas contas. Essa diferença pode ser até maior se envolver um clube de grande orçamento, que recebe mais de R$ 100 milhões, como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Vasco. Corintianos e vascaínos ainda correm risco de rebaixamento para 2019, e não se sabe quanto ganhariam na B se o desastre ocorresse.

Até a temporada atual a Globo detinha o monopólio dos direitos de transmissão, em todas as plataformas (Tvs aberta e fechada, pay-per-view e internet). Para 2019 ganhou a concorrência da Turner, que detém a marca do Esporte Interativo, que apesar de ter sido encerrado como canal exclusivo segue em outros veículos da empresa, como Space e Turner, que terão a transmissão da Série A do Brasileiro em TV fechada no ano que vem. Dos times da Série A em 2018, Palmeiras, Atlético-PR, Ceará, Inter, Santos e Bahia têm acordo com a Turner, apesar de certa insatisfação no momento por causa do fim dos canais exclusivos e por um bônus maior pago ao Palmeiras (para 2019 já há garantia do Fortaleza também com transmissão pela Turner).

Na B, porém, a Globo deve manter-se como única a transmitir, e ainda há lacunas de como será essa negociação. O blog perguntou à emissora como estão essas tratativas, mas ainda não obteve resposta. O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pretende fundir o esporte com outras pastas, encabeçada por Educação, sob a alçada que ficaria a Apfut. A entidade foi criada pela lei do Profut, promulgada em 2015 por Dilma Rousseff (PT), portanto não pode ser simplesmente encerrada. O que pode ocorrer é alteração nos membros, que tem integrantes das pastas da Casa Civil, Esporte e Planejamento, além de representantes dos clubes, técnicos, atletas e da sociedade civil.


Corinthians, Fla, Santos: mercado prevê troca intensa de técnicos para 2019
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Marcel Rizzo

Para 2018, somente quatro dos 12 clubes das maiores torcidas e orçamentos do Brasil trocaram de técnicos, ou seja, fecharam 2017 ou começaram o ano seguinte à procura de um novo comandante para suas equipes. A projeção do mercado para 2019, porém, é a de que esse número possa ser maior, de seis até oito.

A avaliação de agentes que já se movimentam entre a cartolagem é que Corinthians, Santos, Flamengo, Fluminense e Vasco possam se juntar ao São Paulo na busca por um treinador para 2019. Grêmio, que tem travada a antes certa renovação de Renato Gaúcho, e até o Atlético-MG podem aumentar essa lista, o que deve fazer a pré-temporada ser uma das mais agitadas dos últimos anos, apesar do mercado desses profissionais não ser tão rico assim no país.

O São Paulo se antecipou e demitiu no domingo (11) Diego Aguirre, em um movimento que se por um lado surpreendeu por faltarem cinco rodadas para o fim do Brasileiro e o time estar na disputa por vaga no G4, que leva direto à fase de grupos da Libertadores, por outro foi considerado natural por algumas pessoas já que o clube havia decidido não renovar. André Jardine, auxiliar, será o interino nesta reta final de Série A, e há no clube quem defenda que ele seja efetivado.

Mesmo assim Raí e cia devem prospectar nomes e um dos dois considerado top para a pré-temporada que se avizinha está, no momento, fora de cogitação no Morumbi. Rogério Ceni, talvez o maior jogador da história do clube, tem rusgas com a atual direção e dificilmente voltaria neste momento. Ele se tornou alvo certo daqueles que podem procurar treinador depois do ótimo trabalho no Fortaleza, campeão da Série B e garantido na A em 2019. O outro treinador que encabeça a lista da cartolagem é Abel Braga, sem clube desde junho quando deixou o Fluminense para se dedicar à família.

O Flamengo, com Dorival Júnior, e o Corinthians, de Jair Ventura, podem se aventurar no mercado depois de um Brasileiro decepcionante. Dorival tem contrato vencendo ao final do ano e chegou em setembro como ''bombeiro'' após Mauricio Barbieri ser demitido com as eliminações na Libertadores e Copa do Brasil. O Fla não emplacou e mais uma vez deve perder o título brasileiro apesar do alto investimento. O sonho do clube, que tem eleição para presidente no mês que vem, o que pode influenciar em decisões no futebol, é Renato Gaúcho.

Desde setembro de 2016 no Grêmio, Renato é um dos três treinadores dos 12 das maiores torcidas a ter passado sem trauma por 2018 — os outros dois são Mano Menezes, no Cruzeiro, e Odair Hellmann no Inter, treinadores que, junto com Luiz Felipe Scolari, no Palmeiras, devem fazer parte da minoria que se manterá no cargo para 2019. Zé Ricardo, se conseguir safar o Botafogo do rebaixamento, também é incluído por especialistas nesse time dos estáveis.

Campeão gaúcho, da Copa do Brasil, da Libertadores e da Recopa nesse espaço de pouco mais de dois anos no Grêmio, Renato deixou em aberto nos últimos dias uma renovação que parecia certa no Sul. Sua relação com o Flamengo também é íntima, como no Grêmio, e o fato de nunca ter sido técnico na Gávea pode pesar.

Política

Outro profissional que pode balançar o mercado é Cuca. Sua relação com a direção do Santos não é das melhores, e as situações política e financeira na Vila Belmiro não são boas. Se o trabalho nas quatro linhas agrada, de candidato ao rebaixamento o Santos briga agora por vaga na Libertadores, o extracampo pode pesar e Cuca no mercado pode atiçar até times que contrataram técnico recentemente, como o Atlético-MG (com Levir Culpi desde outubro, em acordo válido até o fim do ano que vem). Cuca e o time de Belo Horizonte têm relação próxima já que o maior título da história do clube, a Libertadores de 2013, foi com ele no banco de reservas.

Fluminense e Vasco têm Marcelo Oliveira e Alberto Valentim sob contrato para o ano que vem, mas por motivos distintos não têm esses profissionais estáveis. No Flu, Oliveira teve bons momentos, mas o time caiu muito de produção nos últimos meses. Se perder a vaga na final da Sul-Americana para o Atlético-PR (foi derrotado no primeiro jogo por 2 a 0, em Curitiba) haverá pressão sobre ele, principalmente porque a campanha no Brasileiro é muito ruim (nem o risco de rebaixamento está ainda descartado nesse momento).

O Vasco vive uma crise política que pode influenciar na manutenção de Alberto Valentim. O clube não faz um bom Brasileiro, lutando contra o rebaixamento, e as últimas rodadas serão decisivas para o futuro do treinador. Será importante, também, os nomes que estarão disponíveis no mercado, já que Valentim é considerado um dos bons técnicos da nova geração e tem salário mais baixo do que alguns medalhões.

Até o fim do Brasileiro, espera-se que outros times façam movimento igual ao do São Paulo e possam deixar a vaga em aberto para já começar a negociar com outro profissional. Em 2017, o Palmeiras fechou com Roger Machado no fim de novembro, com o campeonato em andamento (Valentim era o interino).

Outra previsão dos entendidos no assunto é de que, ao contrário dos últimos anos, a promoção de interinos não seja a principal opção dos clubes. Para 2018, o Botafogo colocou Felipe Conceição no lugar de Jair Ventura, que deixou o clube rumo ao Santos. Ele durou só dois meses. O próprio Corinthians arriscou com Osmar Loss após a saída de Fábio Carille, em maio, para o futebol da Arábia Saudita, e também não deu certo. O mesmo ocorreu com Thiago Largui, no Atlético-MG, que empolgou no começo, mas depois deu vaga a um veterano, Levir Culpi.

O mercado de técnicos de 2017 para 2018 entre os clubes das maiores torcidas

Trocaram
Palmeiras – Em 22 de novembro de 2017 anunciou Roger Machado – Cuca foi demitido em outubro (Alberto Valentim atuou como interino)
Santos – Anunciou Jair Ventura em 3 de janeiro —Levir Culpi foi demitido em outubro (Elano como interino no período)
Flamengo – Em 8 de janeiro Reinaldo Rueda foi embora para o Chile e clube contratou Paulo César Carpegiani
Botafogo – Jair Ventura saiu em 22 de dezembro rumo ao Santos – Felipe Conceição, auxiliar, assumiu e durou até fevereiro, quando Alberto Valentim chegou
Mantiveram, mas trocaram depois
São Paulo – Manteve Dorival Jr, demitido em março para chegar Aguirre
Corinthians – Manteve Fábio Carille, que deixou time em maio para a Arábia. Termina o ano com Jair Ventura depois de tentativa fracassada com auxiliar Osmar Loss
Fluminense – Manteve Abel Braga, que saiu durante a Copa e chegou Marcelo Oliveira
Vasco – Manteve Zé Ricardo, contratado em agosto de 2017, que se demitiu em junho
Atlético-MG – manteve Oswaldo de Oliveira, demitido em fevereiro para apostar no auxiliar Thiago Largui
Mantiveram o ano todo
Inter – manteve auxiliar Odair Hellman, depois de demitir Guto Ferreira em novembro de 2017
Grêmio  – manteve Renato Gaúcho
Cruzeiro –  manteve Mano Menezes


CBF aumenta habilitados para VAR, mas estaria no limite de uso na Série A
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Marcel Rizzo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) avalia que são necessários 120 profissionais da arbitragem habilitados a trabalhar como VAR (árbitro de vídeo) para que seja viável que a Série A do Campeonato Brasileiro tenha a tecnologia nas 38 rodadas, como querem alguns clubes para 2019. Hoje são 88 credenciados, mas a entidade avalia que 112 possam trabalhar o que faria com que pudesse realizar dez jogos por rodada, no limite.

Até o início de outubro eram pouco menos de 30, número considerado baixo. Entre 8 e 20 de outubro ocorreu a terceira capacitação para árbitro de vídeo, em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo. Sessenta profissionais, 33 árbitros e 27 assistentes receberam a certificação, se juntaram aos demais, somando 88, e podem atuar como VAR em jogos organizados pela CBF ou por federações — São Paulo, Rio e Minas Gerais já demonstraram interesse em ter a tecnologia em parte de seus Estaduais em 2019 (no Paulistão devem ser 14 partidas).

Entre os liberados para atuar como VAR no fim de outubro estão árbitros experientes, como Heber Roberto Lopes, Jailson Freitas e Vinicius Furlan. A CBF vê uma tendência de que, no futuro, juízes que se aposentem do campo possam trabalhar como árbitro de vídeo. ''Os que forem parando podem continuar nessa função, desde que se adaptem'', disse Sérgio Corrêa, coordenador do VAR na CBF.

A definição sobre o uso do VAR no Brasileiro-2019 só deve ocorrer em fevereiro, durante o congresso técnico da competição. Em 2018, 13 dos 20 clubes votaram não para a utilização reclamando do alto custo. A CBF estimou média de R$ 50 mil por partida para que houvesse o árbitro de vídeo, valor que seria pago integralmente pelos participantes. Como a confederação dava garantia de estrutura somente para o segundo turno, cada time gastaria cerca de R$ 500 mil.

A CBF trabalha para tentar baratear o uso — o valor considerado ideal é o de R$ 30 mil por jogo. Nas últimas semanas alguns clubes voltaram a pedir o VAR nas rodadas finais do Brasileiro, mas a CBF rejeitou, não haveria principalmente equipamentos disponíveis. O Inter chegou a preparar um abaixo assinado que teve a assinatura de outras equipes, mas não adiantou.

A CBF deve realizar no início de 2019 um novo curso, que deve preparar mais profissionais para que se chegue ao número de 120 credenciados, o considerado ideal. Nesses trabalhos são realizadas simulações de jogo e aulas práticas e teóricas. Os árbitros são avaliados em rapidez na marcação do lance após análise de vídeo, seleção de câmeras e câmera lenta e clareza na comunicação.

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Federação, time tradicional e campeão estadual: veja os excluídos do Profut
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Marcel Rizzo

Dentre as 35 entidades que foram excluídas do Profut desde agosto de 2015, quando a lei de responsabilidade no esporte foi criada, tem time campeão estadual e dois vices em 2018, uma federação, clubes tradicionais do interior de São Paulo e até empresa criada pelo Botafogo para gerenciar o Engenhão apareceram na lista inicial de 137 integrantes do programa, mas ficaram fora porque sua inclusão não foi aprovada.

A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol), órgão atrelado ao Ministério do Esporte e responsável por fiscalizar os clubes e federações que fazem parte do Profut, enviou ao blog a lista das 35 associações que deixaram o programa de refinanciamento de dívidas tributárias por diversos motivos: ou não tiveram a inclusão aprovada, ou porque não cumpriram as contrapartidas necessárias para terem direito aos benefícios de redução em multas e juros, além de facilidade no parcelamento, ou até mesmo por pedido do participante.

Das 35 excluídos, 25 são clubes de futebol, nenhum presente nas três principais divisões do Brasil em 2018. Três times excluídos, Brusque (SC), Campinense (PB) e Novo Hamburgo (RS), participaram da Série D, a quarta divisão do país nesta temporada, mas não conseguiram o acesso à Série C (o Campinense chegou perto, a uma fase de subir). Dos 12 clubes de maior orçamento do Brasil, somente o Palmeiras não aderiu ao Profut.  Atlético-MG, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Inter e Grêmio, portanto, se mantêm ativos.

Oito são entidades que não praticam o futebol profissional — se encaixam nesse perfil clubes sociais que tenham programas esportivos ou associações que desenvolvam algum tipo de atividade esportiva. Uma outra é a Companhia Botafogo, empresa atrelada ao clube carioca que tem como principal missão gerir o Engenhão, estádio do governo do Estado do Rio concedido ao Botafogo. Segundo Domingos Fleury, vice-presidente jurídico do Botafogo, houve a tentativa de incluir a empresa no Profut, mas a Procuradoria-Geral da Fazenda não aceitou.

''Houve um engano da inclusão da Companhia Botafogo entre os integrantes do Profut, porque nunca foi. Tentamos, mas não foi aprovado'', disse Fleury.

A federação estadual filiada à CBF que acabou retirada do Profut é a maranhense — outras quatro federações entraram no programa, em 2015: a gaúcha, a mineira, a goiana e a do Rio. Todas essas se mantêm. A Apfut não informou quais foram os casos específicos de cada retirada e avisou que não comenta processos em curso. Em reunião no início de setembro, membros da autoridade receberam a informação de que são dez processos abertos, três em fase de recursos: Santa Cruz (PE), Luverdense (MT) e Vila Nova (GO).

Entre os principais pontos da fiscalização de contrapartidas e que podem significar retirada do programa estão: confirmar que não há atraso de salário para os funcionários (não apenas os jogadores), conferir que o gasto com salários e direitos de imagem dos atletas não ultrapassa 80% da receita total do futebol para o ano vigente e que há investimento nos departamentos de base e de futebol feminino. A Apfut é formada por representantes de várias pastas do governo (Casa Civil, Fazenda e Esporte), além de representantes do meio esportivo e da sociedade civil.

Em São Paulo, estado com o futebol mais rico do Brasil, equipes tradicionais do interior paulista, e que por anos estiveram na elite mas hoje sofrem com problemas financeiros, acabaram saindo do programa, o que só deve agravar a dificuldade: nesta lista estão Rio Branco de Americana, XV de Jaú e Marília. O Novo Hamburgo, surpreendente campeão gaúcho em 2017, e o Grêmio Maringá, tradicional time paranaense, também perderam suas vagas.

Houve casos, porém, de clubes que saíram do Profut mas tiveram um bom 2018. O Serra, por exemplo, foi campeão capixaba e vai participar da Copa do Brasil em 2019, o que significa mais dinheiro em caixa. Na Paraíba, o Campinense foi vice-campeão e, em Pernambuco, o Central de Caruaru também ficou em segundo, perdendo a decisão para o tradicional Náutico.

Veja abaixo um raio-x das 35 associações retiradas do Profut:

1 – Desportiva Ferroviária – Cariacica (ES) – campeão capixaba em 2016, esteve na primeira divisão estadual em 2018

2 – ACVC – Associação de Capoeira Vem Camará – Rio de Janeiro (RJ) – associação desportiva

3 – Associação Atlética Banco do Brasil – Belo Horizonte (MG) – clube social

4 – Associação Atlética Francana – Franca (SP) – quinto colocado na 4ª divisão paulista em 2018, já jogou a elite do Brasileiro nos anos 1970

5 – Associação Esportiva Araçatuba – Araçatuba (SP) – jogou por oito temporadas a elite do Campeonato Paulista, a última em 2000, e está licenciado do futebol

6 – Associação Esportiva Tiradentes – Fortaleza (CE) – rebaixado da primeira para a segunda divisão cearense em 2018

7 – Associação Portuguesa Londrinense – Londrina (PR) – na segunda divisão do Campeonato Paranaense em 2018, rebaixado para a terceira divisão em 2019

8 – Auto Esporte Clube – João Pessoa (PB) – seis vezes campeão paraibano, a última em 1992, rebaixado em 2018 para a segunda divisão estadual

9 – Bonfim Recreativo e Social – Campinas (SP) – clube social

10 – Brusque Futebol Clube – Brusque (SC) – campeão catarinense em 1992, foi sétimo na primeira divisão em 2018, eliminado na segunda fase da Série D e caiu na primeira fase da Copa do Brasil para o Ceará

11 – Canadá Country Club – Londrina (PR) – clube social que teve forte trabalho na formação de nadadores

12 – Central Sport Club – Caruaru (PE) – vice-campeão pernambucano em 2018, perdendo final para o Náutico, e eliminado na primeira fase da Série D

13- Campinense Club – Campina Grande (PB) – eliminado nas quartas de final da Série D 2018 e vice-campeão paraibano

14 – Clube Náutico Marcilio Dias – Marcilio Dias (SC) – vice-campeao da Série B do Catarinense 2018, voltou à elite estadual em 2019

15 – Clube Náutico Mogiano – Mogi das Cruzes (SP) – clube social

16 –  Companhia Botafogo – empresa criada pelo Botafogo e que gerencia o Engenhão, tentou entrar no Profut e apareceu na lista de incluídos, mas acabou não sendo aprovado

17 – Esporte Clube Barreira – Saquarema (RJ) – é a razão social do Boavista Sport Club, clube que ficou em quinto lugar no Campeonato Carioca 2018, somente atrás do quatro grandes, e eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pelo Internacional

18 – Esporte Clube Flamengo – Teresina (PI) – foi 17 vezes campeão estadual, a última em 2009, ficou em último lugar no Piauiense de 2018 (não caiu porque não havia rebaixamento no regulamento)

19 – Esporte Clube Novo Hamburgo – Novo Hamburgo (RS) – campeão gaúcho em 2017, batendo o Inter na final, ficou apenas em 10º em 2018. Eliminado na segunda fase da Série D

20 – Esporte Clube Pelotas – Pelotas (RS) – campeão gaúcho da segunda divisão em 2018, vai à elite estadual em 2019

21 – Esporte Clube Tigres do Brasil – Duque de Caxias (RJ) – disputou a segunda divisão do futebol do Rio em 2018, sem conseguir o acesso

22 – Esporte Clube XV de Novembro de Jaú – Jaú (SP) – esteve 26 temporadas na elite do futebol paulista, a última em 1996. Disputa a quarta divisão atualmente.

23 – Federação Maranhense de Futebol – São Luis (MA)

24 – Fundação União Hospitalar Gratuita – Volta Redonda (RJ) – associação desportiva

25 – Goytacaz Futebol Clube – Campos dos Goytacazes (RJ) – 13º colocado no Campeonato Carioca de 2018

26 – Grêmio Maringá SC – Maringá (PR) – tradicional time do Paraná, campeão estadual por três vezes, a última em 1977, está na terceira divisão paranaense e não conseguiu o acesso à segunda em 2018

27 – Marília Atlético Clube – Marília (SP) – por 25 vezes esteve na elite do futebol paulista, a última em 2015. Terminou a terceira divisão paulista em 2018 na 16ª colocação e foi rebaixado

28 – Palestra Itália Esporte Clube – Ribeirão Preto (SP) – clube social

29 – Rio Branco Esporte Clube – Americana (SP) – por 18 vezes na elite do futebol paulista, a última em 2010, foi rebaixado para a quarta divisão em 2018

30 – Serra Futebol Clube – Serra (ES) – campeão capixaba em 2018, sua sexta taça, vai disputar a Copa do Brasil em 2019

31 – Social Futebol Clube – Coronel Fabriciano (MG) – disputou a segunda divisão do Campeonato Mineiro em 2018, ficando na última colocação e sendo rebaixado para a terceira divisão

32 – Recra (Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto) – Ribeirão Preto (SP) – clube social

33 – Sotecol (Sociedade Técnica de Coleta de Lixo) – associação desportiva

34 – Tuna Luso Brasileira – Belém (PA) – dez vezes campeão do Pará, a última em 1988, o time disputa no momento a segunda divisão estadual tentando voltar à elite

35 – Vitória Futebol Clube – Vitória (ES) – nove vezes campeão capixaba, a última em 2006, ficou em sétimo lugar no torneio em 2018


Título e trabalho de ‘manager’ no Fortaleza credenciam Ceni a voo mais alto
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Marcel Rizzo

Ceni conseguiu primeiro título como técnico no Fortaleza (Crédito: Stephan Eilert/AGIF)

''O treinador quando começa a carreira já é burro, burro de começar''. O 4 de abril de 2018 foi duro para Rogério Ceni, que ouviu parte dos torcedores do Fortaleza no estádio Castelão o chamar de burro ao tirar Léo Natel e colocar Alípio. Era a primeira partida da final do Campeonato Cearense e o Tricolor do Pici perdeu para o Ceará por 2 a 1 — o placar se repetiria quatro dias depois confirmando o título estadual para o maior rival do Fortaleza.

Mais de sete meses depois, com o título da Série B e o acesso para a Série A garantidos, Rogério Ceni não se transformou apenas em ''inteligente''. Sua dobradinha com o presidente Marcelo Paz fez do Fortaleza um clube que passou oito anos na Série C com estrutura amadora a outro que, ainda com deficiências, hoje tem campos para treinar, academia de nível bom, departamentos médico e fisiológico eficientes e departamento de futebol que soube administrar um orçamento ainda baixo para montar o ''elenco ideal dentro das possibilidades''. Há uma palavra que define bem a passagem de Ceni pelo Fortaleza: manager.

''Quando o Rogério Ceni chegou ele viu as coisas que estavam erradas e começou a mudar algumas delas. Por exemplo, até o gramado ele mandou trocar, do Pici, ele passou a treinar lá no CT de Maracanaú, que ninguém dava bola, começou a fechar a maioria dos treinos, o que eu acho positivo porque para com torcedor gritando no alambrado em todo treino, ele mudou a alimentação, pediu para a academia mudar de lugar, como um manager mesmo. Ele é um cara que domina amplamente ali'', contou Fernando Graziani, editor de esportes do jornal ''O Povo''.

Sua chegada em novembro de 2017 surpreendeu. Não se imaginava que o Fortaleza teria ''bala na agulha'' para contratar Ceni, apesar de ele estar sem clube desde julho, quando foi demitido do São Paulo. O ex-goleiro, para muitos o maior jogador da história do time paulista, saiu com apenas sete meses de seu primeiro trabalho como treinador. Para ele, o Fortaleza seria um recomeço, e após uma visita à cidade seu amigo e ex-companheiro de clube Bosco, então preparador de goleiros do Fortaleza, o apresentou à direção do clube. O ''namoro'' começou e terminou em um acordo que ia além de clube e técnico do futebol. Ceni seria a marca do Fortaleza no ano do centenário.

Seu salário, R$ 150 mil, alto para os padrões do Fortaleza mas baixo se comparado com que Ceni poderia receber de times da Série A ou de fora do Brasil, seria incrementado com ações de marketing. Patrocinadores seriam fechados e os valores repartidos entre o clube e o treinador. Mas aqueles que, antes do acerto, apostavam que não daria certo apontavam para outra questão que não a financeira: a estrutura do Fortaleza era precária e assustaria o exigente Ceni.

Provavelmente ele ficou assustado ao conhecer estrutura e departamentos, mas não se acanhou. Ceni recebeu carta branca e começou a pedir mudanças. Uma delas foi a construção de um novo campo de treino na sede principal do clube, no Pici. A custo de pouco mais de R$ 65 mil o gramado lembra bastante o do Castelão, onde o Fortaleza manda a maioria de seus jogos. A nova academia, com equipamentos novos, custou R$ 130 mil, e hoje os atletas não precisam mais ir a academias particulares para fazer trabalhos pós-jogo, por exemplo.

A 12 km do Pici fica o centro de treinamento Ribamar Bezerra, na cidade vizinha de Maracanaú, que até sua chegada era usado principalmente pela base pela distância do centro — alguns profissionais não gostavam de se deslocar até lá (no horário de pico fica um trânsito de dar inveja a São Paulo nas proximidades). Rogério pediu que houvesse melhorias no local, em campos e vestiários, e alguns treinos da equipe hoje são lá, principalmente quando ele quer maior privacidade. No Pici, como é sede do clube, alguns sócios podiam ver os treinamentos e sempre havia aquele mais exaltado.

Não parou aí. Rogério mexeu na alimentação dos atletas e determinou que eles jantassem todos os dias no clube após os treinos. Antes havia as refeições, mas só comia por ali quem quisesse, o que normalmente ocorria apenas com os mais jovens que usavam o jantar oferecido para economizar. Em abril, quando o time fracassou no Estadual, alguns dirigentes e torcedores passaram a questionar se esses gastos extras, como contratação de mais cozinheiros, seriam realmente necessários. Foi o momento que Marcelo Paz chamou a responsabilidade e bancou Rogério. Deu certo.

Fora e dentro do campo

Em 2017, Eduardo Girão (eleito senador na eleição de 2018) presidia o Fortaleza e injetou R$ 6 milhões para o pagamento de salários e bichos atrasados. O time foi da C para a B e Marcelo Paz assumiu. Se Girão, dono de uma rede de lojas de departamento no Ceará, pouco entendia de futebol, Paz é do ramo, já trabalhou como agente de atletas, e pretendia profissionalizar o clube antes mesmo de contratar Ceni. O ex-goleiro acabou sendo fundamental no projeto porque a profissionalização passava por aumento de receita e o foco era melhorar o plano de sócio-torcedor. Em janeiro de 2018 o Fortaleza tinha seis mil associados, número que já passou dos 25 mil. São R$ 600 mil mensais somente com isso, três vezes mais do que a Caixa paga para patrocinar a camisa.

Para assumir Ceni pediu carta-branca também na montagem do elenco. E quando se diz montagem é o que de fato foi feito, já que ele chegou com apenas dois jogadores sob contrato, o goleiro Marcelo Boeck e o volante Anderson Uchôa. A estratégia foi arriscada: montar um grupo mais enxuto, que não chegaria a 30 atletas, para poder sobrar dinheiro para adquirir profissionais com mais qualidade (que receberiam salários maiores). Rogério não se fez de rogado em ligar para atletas que se interessava para apresentar o projeto (parte financeira ficava a cargo da direção).

Gustavo, o Gustagol, fechou em dezembro. Ele pertence ao Corinthians, mas em 2017 esteve no Goiás e se imaginava que poderia ter mercado em clube que da Série A. Topou o projeto do Fortaleza após contato com Ceni e é o artilheiro do time no ano, com 28 gols. Em fevereiro, outra ligação de Rogério e uma contratação inesperada: Osvaldo, 30 na época, que jogou com o técnico no São Paulo, aceitou voltar ao Fortaleza depois de dez anos. Mesmo fechado a partir de maio com um time da Tailândia, o Buriran United, ele topou o proposta para ajudar em um elenco que era jovem e que precisava de bons conselhos.

Em campo, Ceni usou o Estadual, entre janeiro e abril, para testar opções e formações. Teve o 4-4-2, o 4-5-1, o 4-2-3-1 e até o 3-5-2. Hoje, o acesso e o título chegaram com uma linha de quatro atrás, mas com um setor ofensivo que alterna o 4-2-3-1 e o 4-5-1. Gustavo é a referência no ataque, com dois atletas rápidos abertos (Marcinho e Marlon). O time preza a posse de bola, e sem ela tem uma transição rápida. Ceni, podendo montar seu elenco, pôde escolher atletas que se encaixaram no esquema tático que pensou ser o ideal para a Série B.

No meio do caminho perdeu atletas importantes, como Edinho e Osvaldo, mas chegaram outros, como Marcinho e Nenê Bonilha. O medo de que um elenco enxuto prejudicasse em um torneio longo como a Segunda Divisão não se justificou porque foi possível repor com qualidade — nos bastidores do clube dizem que foi muito mais fácil contratar nos meses seguintes à Série B, com o time embalado. Muitos queriam trabalhar com Ceni.

O Fortaleza quer que Ceni fique pra 2019 e, segundo informações do jornal O Povo, a oferta seria de dois anos, com salário de até R$ 250 mil e novamente carta branca para contratar e gerenciar o que achar necessário no departamento de futebol. Em 2019, com o contrato de TV, o Fortaleza pode ter algo como R$ 60 milhões para investir, valor impensável um ano atrás na Série C. Ceni, porém, deve esperar um pouco e analisar propostas. O certo é que a parceria fez o Fortaleza renascer e Ceni mostrar que tem tudo para ser um dos bons técnicos do país, além de ser a bola da vez do mercado em 2019.


Pioneiro dos testes, levantamento mostra Brasil para trás no uso do VAR
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Marcel Rizzo

O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães consulta o VAR na final da Copa do Brasil (Crédito: Marcello Zambrana/Agif)

Dos seis países precursores nos testes do árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês), o Brasil é o único que ainda não tem a tecnologia em seu principal campeonato nacional e aquele que menos realizou partidas com a possibilidade de revisão da arbitragem por imagens. Dos 20 países que já usaram o VAR alguma vez de 2016 até agora, o Brasil só o utilizou mais vezes do que um deles, o Qatar.

Os números estão em um levantamento produzido pela Ifab (International Football Association Board), a associação que regula as leis do futebol e que, em março de 2018, incluiu o árbitro de vídeo nas regras do esporte depois de quase dois anos de testes. No início dessa semana, em um encontro em Londres, na Inglaterra, membros da Ifab dissecaram um mapa de onde a tecnologia está sendo utilizada.

No Brasil, até agora, foram somente 18 jogos com a possibilidade de rever lances que originaram gols, pênaltis e advertências pelo sistema de vídeo, entre 2017 e 2018: 14 da Copa do Brasil e dois de estaduais (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) esta temporada, além dos dois confrontos finais do Campeonato Pernambucano, ano passado, quando o sistema ainda estava em teste.

Alemanha, Holanda, Austrália, EUA e Portugal, que com o Brasil ganharam o direito, em junho de 2016, de testar o VAR,  já usam o sistema em seus principais campeonatos nacionais, além de amistosos e confrontos de copas (torneios mata-mata). Somente a Alemanha, ao final da Bundesliga, sua primeira divisão, em maio de 2019, terá tido o VAR em 686 partidas — 38 vezes mais do que no Brasil.

O levantamento mostra que 20 países, além da Fifa, da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e da CAF (Confederação Africana), usaram o VAR ''ao vivo'', como a Ifab se refere ao procedimento em que há comunicação entre os árbitros principal e de vídeo com possibilidade, portanto, de alteração de marcação dentro de campo. São eles Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, China, República Tcheca, Inglaterra, França, Itália, Coreia do Sul, México, Holanda, Polônia, Portugal, Qatar, Arábia Saudita, Espanha, Turquia, Emirados Árabes e EUA.

O Qatar, com oito jogos, todos na Copa do Emir é o que utilizou menos, seguido do Brasil (18). Até o México, que jamais participou de conversas e testes prévios do VAR, teve uso até agora em 27 partidas de seu campeonato nacional com o VAR. A Holanda, que com Brasil e Alemanha foi uma das três primeiras confederações a debater o árbitro de vídeo, já tem previstos 336 partidas até meados de 2019. Para o ano que vem, há confirmação de uso do VAR no país de 14 jogos no Campeonato Paulista, outros dez no estadual do Rio e seis no mineiro. Federações do CE, PB, SC, GO, RS e BA querem, mas precisam de autorização da Ifab. Para o Brasileiro da Série A vai depender do aval dos clubes que, como em 2018, debaterão principalmente sobre os custos. A CBF diz que estará pronta para dar condições de árbitro de vídeo na Série A e novamente na reta final da Copa do Brasil.

''As providências em diversas áreas estão sendo tomadas com a CBF investindo forte para disponibilizar o sistema. Em 2018, os clubes não aprovaram, mas nunca paramos de nos preparar. Tanto que foi feito na Copa do Brasil'', disse Sérgio Corrêa, coordenador do VAR na CBF.

Correa disse que houve todo um protocolo a se seguir da Ifab, com fases a se cumprir para os testes. Foi somente no segundo semestre de 2017, antes ainda de incluído nas regras do futebol, que foi liberado o uso em escala maiores de jogos, mas ainda em fase de observações. ''Não poderíamos fazer sem ultrapassar todas as fases'', disse ele.

Pioneirismo não adiantou

O VAR passou a ganhar forma em 2015. Três países enviaram sugestões a Ifab e Fifa sobre como regular o uso do vídeo no futebol: Alemanha, Holanda e Brasil. Em setembro de 2015, a CBF tentou a liberação para testar o modelo que considerava ideal, mas recebeu um não – modelo que, entre outros pontos, não apresentava um monitor na beira do campo para o árbitro principal rever a jogada, mas apenas as imagens nas cabines e os auxiliares de vídeo informando, por rádio, o que analisaram das jogadas. A CBF ainda entende que a tela no campo fez o jogo perder muito tempo, mas o modelo do VAR adotado foi o sugerido pela Holanda.

Em março de 2016, a Ifab aprovou que fossem realizados testes e três meses depois, em junho, deu o aval para apenas seis países: Alemanha, Portugal, Holanda, Austrália, EUA e Brasil. Naquele ano, porém, somente holandeses (cinco partidas amistosas) e americanos (dois amistosos) testaram de fato a tecnologia  100%, com a cabine entrando em contato com o árbitro principal e lances podendo ser modificados — no Brasil houve testes em off, sem possibilidade de alterar decisões de campo, nas finais do Campeonato Carioca. Em dezembro, a Fifa estreou no mundo tecnológico em seu Mundial de Clubes, no Japão, com oito confrontos, todos com o VAR.

No ano seguinte, 2017, outros 11 países usaram o VAR, em escalas diferentes: Austrália, Bélgica, Coreia do Sul, Alemanha, Itália, Portugal e EUA o adotaram em jogos de seus principais campeonatos nacionais, no caso dos australianos e europeus a partir do segundo semestre, quando se deu o início da temporada 2017/2018. Os americanos passaram a usar na parte final da Major League Soccer (MLS), sua liga profissional, e os coreanos durante toda sua primeira divisão, entre julho e novembro.

Outros países, como França, República Tcheca, China, Brasil e Polônia, além da Holanda, utilizaram em algumas partidas, principalmente de Copas ou amistosos — os poloneses, no fim do ano, decidiram que o VAR seria utilizado em todo o segundo turno de sua divisão de elite. Por aqui foram os dois jogos da final do Campeonato Pernambucano, entre Sport e Salgueiro.

Para 2018, se esperava que o VAR, introduzido de vez nas regras do futebol em março e confirmado para a Copa do Mundo da Rússia, seria integrado ao Campeonato Brasileiro da Série A. Só que em fevereiro, durante o Congresso Técnico da competição, a maioria dos clubes participantes vetou o uso da tecnologia. O principal motivo para a recusa foi o custo, de cerca de R$ 50 mil por partida, que teria que ficar a cargo dos participantes. A CBF também daria as condições de uso somente para o segundo turno (por questões de profissionais habilitados e compra de equipamentos). Ao final, portanto, haveria um custo total de quase R$ 10 milhões, considerado alto.

No mundo, porém, houve avanço no uso do VAR. Mais sete países passaram a utilizá-lo e as ligas da China, França, Turquia, Holanda e Espanha passaram a ter o VAR em suas primeiras divisões. A Inglaterra, berço das regras do futebol como conhecemos e que tem o pé atrás com os equipamentos, iniciou-se na tecnologia em jogos da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, enquanto a Premier League, que organiza a primeira divisão local, ainda avalia quando passará a ter os vídeos. A Uefa, também contrária inicialmente, já avisou que a Liga dos Campões, o campeonato de clubes mais importante do mundo, terá o VAR a partida da próxima temporada, a 2019/2020.

Para 2019, a Ifab avalia que ao menos dois outros países passem a usar a tecnologia, a Suíça, onde está a sede da Fifa, e Israel, além de outros países da Ásia (como o Japão). Até a Copa do Mundo de 2022, que será no Qatar, espera-se que até 50 possam adotar as câmeras como forma de corrigir erros de campo em jogos de seus campeonatos.

A Fifa, até o momento, organizou 148 partidas com VAR em suas competições — na Copa do Mundo da Rússia, na Copa das Confederações-2017, no Mundial Sub-20 de 2017 na Coreia do Sul, e em dois Mundiais de Clubes (2016 e 2017). A Conmebol usou em 36 partidas, entre Libertadores, Copa Sul-Americana e Recopa, e a Confederação Africana em duas de sua Liga dos Campeões.


Andrés confirma interesse corintiano em volante Caio Alexandre do Botafogo
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Marcel Rizzo

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, confirmou ao blog que tenta a contratação do volante botafoguense Caio Alexandre, 19, revelação do clube carioca. Para facilitar essa transação, Sanchez disse que liberou que o volante Jean, que pertence ao time paulista, atuasse pelo Botafogo no confronto pelo Brasileiro no domingo (4). Emprestado, Jean só poderia atuar com pagamento de multa, como consta no contrato.

''É o Caio [Alexandre], volante, em definitivo, mas calma que não assinou nada'', disse Sanchez ao blog. Ele afirmou que o Botafogo pediu que os três jogadores emprestados pelo clube pudessem entrar em campo no Engenhão, mas que só foi liberado Jean — os outros são o zagueiro Yago e o lateral-direito Moisés. ''Eles pediram todos, mas só concordamos com o Jean'', disse Sanchez. O Botafogo, entretanto, negou que pretenda negociar o jovem atleta.

O caso veio à tona no domingo, quando o jornal ''Correio Braziliense'' publicou que  Sanchez teria liberado a participação de Jean depois de um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é botafoguense. Sanchez está nos últimos meses de mandato de deputado federal, já que não tentou a reeleição. Ele negou que tenha falado do assunto com Maia e o presidente da Câmara não comentou o assunto. O fato, porém, fez com que grupos oposicionistas dentro do Conselho Deliberativo pedissem explicação, já que o Corinthians perdeu o jogo no Engenhão por 1 a 0 e ainda corre risco de rebaixamento nas últimas rodadas da Série A.

Em uma carta aos conselheiros, Sanchez confirmou que negocia com um atleta do Botafogo, sem dar o nome, e que a multa estabelecida para Jean jogar seria usada em abatimento para facilitar a contratação do jogador desejado.

Caio Alexandre é uma das principais revelações do Botafogo e renovou contrato em junho até o fim de 2020. Ele foi um dos escolhidos pela CBF para treinar com a seleção brasileira na semana que o grupo ficou em Teresópolis, em maio, antes da viagem para a Europa para disputar a Copa do Mundo da Rússia.

Com Bernardo Gentile e Diego Salgado, do Rio e São Paulo


‘Caso Gallardo’ pode fazer com que haja mudanças no tribunal da Conmebol
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Marcel Rizzo

Haverá pressão de clubes brasileiros sobre a Conmebol para que alterações sejam feitas no Regulamento de Disciplina da entidade, que foi atualizado em 2018. Três pontos principais serão abordados para que questões que ocorreram este ano na Libertadores, como clubes que escalaram jogadores irregulares sem punição devido ao documento, possam não se repetir ou, ao menos, sejam amenizadas.

Uma das frentes será pedido de mudança no formato do Tribunal de Disciplina (que é independente da Conmebol), com inclusão de membros, mas também nos procedimentos disciplinares dentro do departamento jurídico e no artigo 19, parágrafo 3, que diz que só haverá punição a um clube que escale jogador irregular se o adversário fizer a reclamação até 24 horas após a partida. Na Libertadores-2018, os finalistas River Plate e Boca Jrs escalaram atletas que deveriam estar cumprindo suspensão (Zuculini e Ábila, respectivamente), mas não foram punidos porque o prazo havia vencido.

O Santos, entretanto, foi punido nesse artigo e considerado derrotado por 3 a 0 para o Independiente, no jogo de ida das oitavas da Libertadores, depois que os argentinos reclamaram dentro do período de 24 horas que o volante Carlos Sánchez havia sido escalado de maneira irregular (estava suspenso). Até hoje a diretoria santista tenta saber como os argentinos tiveram acesso à informação privilegiada se até um programa de computador da Conmebol dava condição de jogo de Sánchez como regular.

A ideia é que o artigo retire o prazo de 24 horas e, a qualquer momento, possa ser feita uma reclamação. Caso o clube infrator já esteja em fases mais avançadas da competição defende-se até seja excluído do torneio, ou se a etapa for a mesma da irregularidade os pontos da partida específica iriam para a equipe adversária.

Haverá também o pedido para que a unidade de disciplina da Conmebol possa atuar de ofício se observar a irregularidade — hoje é preciso a provocação do time adversário. Esse setor faz parte do departamento jurídico e é o responsável por averiguar as súmulas e relatórios das partidas e a ideia é que isso (atuar de ofício) possa ocorrer a qualquer momento, e mais, já adiantando situações até que o problema seja resolvido (como, por exemplo, adiar partidas).

Comparação com Fifa e STJD

Por último o caso do Tribunal de Disciplina, que irritou muito a diretoria do Grêmio na última semana depois que não aceitou a demanda que pedia a vitória na partida de volta da semifinal da Libertadores, contra o River Plate. O técnico do time argentino, Marcelo Gallardo, descumpriu a suspensão imposta a ele e foi ao vestiário orientar seus atletas, além de passar informações via rádio a membro da comissão técnica, o que é proibido.

Como o blog mostrou, o tribunal entendeu que deveria manter o placar do jogo (2 a 1) pela ''estabilidade da competição'', como diz o artigo 4 do Regulamento de Disciplina. Os três membros julgadores entenderam que não há no documento item que prevê punição ao clube pelo ocorrido, e que a Fifa orienta a se preservar sempre o resultado de campo, a não ser em casos graves (como corrupção).

A decisão foi tomada por três membros do tribunal: o paraguaio Eduardo Gross Brown, que o preside, a venezuelana Amarilis Belisario, que é vice, e o chileno Cristóbal Valdés. Os outros dois membros não participaram pelo principio de neutralidade, o brasileiro Antônio Carlos Meccia e o argentino Diego Pirota.

Como a maioria das pendengas da Libertadores em 2018 reuniram brasileiros x argentinos, o trio Brown, Belisario e Valdés julgou todos eles — quando o caso é mais complexo, o trio decide junto, se o tema é mais simples um dos juízes pode dar o parecer sozinho, a chamada decisão monocrática. A reclamação é que sempre os mesmos estão julgando, o que pode não ser bom por não abrir um leque para visões distintas (os clubes deixarão claro que não há suspeita da lisura).

Haverá comparação com tribunais semelhantes. Na Fifa são 18 os membros do Tribunal de Disciplina e é preciso um mínimo de três para julgar casos, mas dificilmente um mesmo integrante olhará processos semelhantes ou repetirá julgamento de clube ou membro de associação desportiva. No Brasil, o STJD tem cinco comissões diferentes, cada uma com cinco juízes, e o pleno, que julga os casos em segunda instância, tem nove membros. Nove, por sinal, é um número que agrada para a Conmebol, mas pode se propor que se tenha até dez, para contemplar cada uma das dez associações filiadas, sorteando em trios para julgamentos mais importantes.


Tribunal usa regra de ‘estabilidade de competições’ para não ceder a Grêmio
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Marcel Rizzo

As imagens do técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, indo ao vestiário e orientando membro de sua comissão técnica via rádio mesmo suspenso, ou seja, proibido de fazer tais procedimentos no jogo de volta da semifinal da Libertadores contra o Grêmio, terça (30), geraram reações distintas na cúpula da Conmebol. Um grupo sugeriu até que a entidade atuasse por ofício, ou seja, desse uma canetada para punir o clube e o técnico, algo possível pelo regulamento de competições. Uma segunda ala, menos radical, lembrou que a Fifa orienta a se mudar resultados de campo somente em casos extremos (corrupção, por exemplo) e que o ideal era o Tribunal de Disciplina deliberar. A segunda tese acabou vencedora. 

O que as duas frentes concordavam era que a Libertadores-2018 se tornou um estorvo jurídico para a Conmebol e a decisão do tribunal, qualquer que fosse, não aliviaria isso. O resultado do torneio, por mais de uma vez, teve participação direta do ''tapetão'', termo usado no Brasil para quando tribunais acabam atuando em demasiado. E isso num momento em que as empresas que compraram os direitos comerciais da Libertadores a partir de 2019 tentam encontrar patrocinadores que banquem os próximos anos da competição.

O Grêmio, usando uma teia jurídica de vários artigos do Código Disciplinar da Conmebol, queria que a atitude de Gallardo fosse comparada a de um jogador que entrasse em campo suspenso. Afinal, ele orientou seus atletas e o time teve ganho técnico injustificado, já que o técnico estava suspenso. Se pedia a inversão do 2 a 1 que classificou o River para um 3 a 0, algo que já havia ocorrido no torneio de 2018 beneficiando o Independiente contra o Santos. O time brasileiro usou Carlos Sánchez de forma irregular na primeira partida das oitavas de final da Libertadores.

Para algumas pessoas dentro da Conmebol, e alguns juristas, era mais grave, e portanto mais passível de punição, o uso do rádio do que a ida ao vestiário, apesar da imagem deste segundo ato ser mais chamativa. Os argentinos alegaram que a atitude de Gallardo foi unilateral ao se dirigir ao vestiário e não poderiam, por exemplo, usar a força para impedi-lo. Para a utilização do rádio uma defesa semelhante a essa não colava, já que ele falava com um membro da comissão técnica do clube, ou seja, havia anuência para a pessoa usar o instrumento.

Apesar disso dentro do tribunal, apurou o blog, nunca se cogitou tirar a vitória do River Plate, e o artigo 4 do regulamento disciplinar era o mantra do grupo julgador. Diz o texto: ''na falta de disposições específicas neste e demais regulamentos da CONMEBOL, ou de forma complementar ou adicional, os órgãos judiciais poderão fundamentar suas decisões nas normas disciplinares da FIFA (Código Disciplinar da FIFA) que não se opuserem ao disposto no presente Regulamento, em seus próprios precedentes e, em todo caso, baseando-se nos princípios de conduta esportiva, na continuidade e na estabilidade das competições (pro Competitione) e nos Princípios Gerais do Direito com justiça e igualdade''.

Julgou-se que não havia no regulamento especificação que punisse o River pela atitude de seu técnico e, portanto, era preciso usar o argumento do ''pro Competicione'', ou seja, na continuidade e na estabilidade da competição. Esse era o medo da cúpula da Conmebol: se mudasse a classificação do River para o Grêmio, os argentinos poderiam usar esse artigo na Fifa para tentar suspender a Libertadores, o que seria o caos — a Conmebol poderia nem ter tempo de indicar o seu representante para o Mundial de Clubes, que será em dezembro.

Tripudiou

Para o tribunal, portanto, desde o começo parecia certo que a mudança do placar seria algo extremo, apesar de a atitude de Gallardo ter sido considerada uma afronta à instituição. Sua punição, portanto, deveria ser exemplar, mas assim que saiu o resultado, na noite de sábado e mais de 24 horas depois de começarem as deliberações, o espanto: Gallardo pegou quatro jogos de suspensão, a primeira, jogo de ida da final contra o Boca Jrs, sem poder entrar no estádio, mas as demais podendo ficar na cabine, como ele esteve na Arena do Grêmio e fez o que fez.

Não há detalhes de como o tribunal chegou a essa conta. Inicialmente veículos de imprensa argentinos falavam em mínimo de seis meses de suspensão, outros em até um ano. A multa foi o máximo que uma pessoa física pode receber segundo o código disciplinar, US$ 50 mil (R$ 185 mil), mas esse valor é descontado da cota do River Plate, ou seja, não será Gallardo que pagará.

No fim das contas, a conclusão que se chega é a mesma que ocorreu quando se soube que River e Boca usaram jogadores irregulares nessa Libertadores — Zuculini e Ábila, respectivamente, que como o santista Sánchez jogaram sem cumprir uma partida de suspensão:  está livre para descumprir regras na Conmebol, desde que se faça direito. No caso dos atletas passou o prazo de 24 horas que se pode reclamar a atuação irregular. No de Gallardo, pesou o artigo que pede a estabilidade de uma competição. E a credibilidade da Conmebol, que nunca foi de se admirar, praticamente chegou ao fundo do poço.


A liga europeia dos clubes ‘rebeldes’ pode acabar com novo Mundial da Fifa
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Marcel Rizzo

O périplo do presidente da Fifa, Gianni Infantino, nos últimos meses aos escritórios dos chefes dos principais clubes europeus para convencê-los de que um Mundial de Clubes inchado seria financeiramente e esportivamente interessantes a eles teve também, como pano de fundo, a tentativa do cartola dinamitar a criação de uma Superliga Europeia com os principais times do continente. Isso tem o potencial de atrapalhar o bilionário projeto da Fifa de realizar novas competições com dinheiro de empresas parceiras.

O plano de 11 gigantes europeus de elaborar um torneio à parte da Liga dos Campeões da Europa e dos torneios nacionais foi revelado nesta sexta (2) pelo Football Leaks, grupo que com base em documentos e e-mails vêm há algum tempo fazendo reportagens bombásticas do meio do futebol. No projeto, encabeçado por potências como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e Juventus, os 11 fundadores não seriam, por exemplo, rebaixados e poderia haver uma receita anual de 500 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões) a cada participante.

As conversas, segundo a reportagem, vêm desde 2015 e tem minado os planos da Fifa de colocar em prática novos projetos, como um Mundial de Clubes com 24 participantes e que é um dos pilares da proposta oferecida por um grupo privado, encabeçado pelo conglomerado japonês SoftBank, de injetar US$ 25 bilhões (R$ 93 bilhões) em novas competições. Além do torneio de clubes expandido há projeto de uma nova competição de seleções, chamada de Liga das Nações, que seria uma espécie de mini-Copa do Mundo disputada a cada dois anos.

A possibilidade de os clubes europeus criarem seu próprio campeonato fez com que Infantino levantasse da cadeira e fosse ao encontro da cartolagem do continente. As reuniões com chefes do Manchester United, Real Madrid, Barcelona e PSG, alguns divulgados, tinham como mote principal convencer esses clubes de que o novo Mundial seria lucrativo e não atrapalharia o calendário, já que a previsão é que seja disputado entre junho e agosto, quando os torneios nacionais e continentais estão parados e os clubes em pré-temporada.

Mas as visitas tinham também, apurou o blog, o objetivo de minar a ideia da Superliga Europeia que, na visão da Fifa, não só prejudicava seu plano de um novo Mundial, mas também poderia prejudicar até sua galinha de ovos de ouro, a Copa do Mundo. Nos documentos a que o Football Leaks teve acesso havia clubes, como o Bayern de Munique, que consultaram juristas para saber se seriam obrigados a ceder jogadores para suas seleções em datas Fifa e torneios caso saíssem de suas ligas nacionais e da Uefa (o time alemão negou essas informações em nota). Isso para a Fifa seria desastroso economicamente, já que seus principais patrocinadores pagam bilhões justamente para ter a marca associada aos melhores o mundo atuando em suas seleções nas competições da entidade.

Membros da Fifa dizem há meses que os encontros de Infantino foram produtivos e que os clubes toparam ouvir com carinho a proposta e como poderiam faturar alto com essa nova competição. Não à toa, como já mostrou o blog, o presidente da Fifa indicou aos gigantes que eles poderiam entrar na competição como convidados, e não por critérios técnicos (leia mais aqui). A revelação da Superliga Europeia explica porque a ideia do convite surgiu, já que essas equipes que querem criar sua própria competição precisavam de uma garantia de que teriam vaga no Mundial.

Juridicamente pode haver empecilhos para a formação de uma liga europeia nos moldes estudados nos últimos anos, mas a Fifa está tensa com essa possibilidade não só por motivos financeiros mas também por políticos. Hoje, a base eleitoral de Infantino, que tentará a reeleição em junho de 2019, é formado por países periféricos, não pelas potências europeias. Não por acaso ele quer inchar a Copa do Mundo com 48 seleções já em 2022, no Qatar, abrindo para que mais países da região, como Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes recebam partidas.

Esses países mais fracos poderiam ser impactados com um novo cenário do futebol em que os times milionários se fechassem em um clube exclusivo que nem mesmo as seleções teriam o privilégio de ter os maiores craques do planeta. A concentração financeira, avalia-se, ficaria nesse segmento, relegando clubes de países menores a uma fatia inexpressiva do dinheiro que circulasse no futebol. Se confirmado isso seria um desastre político para a Fifa e o futebol como conhecemos atualmente teria uma mudança nunca antes imaginado.

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