Blog do Marcel Rizzo

Corinthians previa R$ 52 milhões com venda de atletas. Vai ganhar bem menos
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Marcel Rizzo

Técnico Fábio Carille não vai perder o lateral Arana no meio do ano (Crédito: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A decisão da diretoria do Corinthians de não vender seus principais jogadores em 2017 devido à ótima campanha no Campeonato Brasileiro fez com que o clube, até a metade do ano, arrecadasse apenas 17% do que pretendia com a negociação dos direitos econômicos de seus atletas.

No orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo no fim de 2016, a direção previa arrecadar até R$ 52,14 milhões com a venda de jogadores, em valor bruto. Até o momento foram recebidos R$ 8,91 milhões, segundo o balanço financeiro de até 30 de junho, ou pouco mais de 17% do previsto ao fim do ano passado – como comparação, em 2016 o Corinthians faturou mais de R$ 144 milhões.

A janela de transferências para os principais mercados da Europa só fecha no dia 31 de agosto, portanto com mais duas semanas ativo, mas o Corinthians não está disposto a se desfazer de seus principais jogadores, mesmo estando disparado na liderança da Série A – oito pontos para o Grêmio, com um jogo a menos. Passando essa data, é improvável que haja vendas até dezembro, portanto o valor de quase R$ 9 milhões não deve se modificar, ou mudar muito pouco.

O lateral esquerdo Guilherme Arana, o volante Maicon e o zagueiro Balbuena foram alguns dos jogadores que tiveram sondagens, e até propostas oficiais para deixar o Parque São Jorge, e o clube segurou.

Mesmo se levasse em conta o valor líquido que pretendia receber no ano com negociações, de R$ 39 milhões, o recebido até agora é pouco mais de 23% do previsto – os R$ 13 milhões de abatimento do valor bruto seriam repassados a parceiros nos direitos econômicos dos atletas, sempre segundo o orçamento aprovado.

A não venda de jogadores, o que pressupõe que o time ficará forte até o fim do ano na briga por confirmar o título com a campanha invicta que faz até agora, tem a questão técnica, de não enfraquecer o time de Fábio Carille, mas também a política.

Um título nacional fará bem ao grupo de situação que, em fevereiro de 2018, enfrentará talvez sua mais dura tentativa de se manter no poder na eleição que está marcada. O rombo no futebol até o momento no ano está em 112,7 milhões, e só vai aumentar sem a venda de jogadores.

Esportivamente, a decisão de segurar os atletas é comemorada. Financeiramente, só aumenta o rombo do clube, que no ano já teve dificuldade para pagar salários e dívidas. Resta saber o que os associados, que elegem o presidente, vão levar em conta na eleição de fevereiro.


Paulinho foi da China ao Barcelona. E isso pode ser ruim para Tite
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Paulinho chegou à titular da seleção atuando na China (Crédito: Natacha Pisarenko/AP)

A menos de dez meses do início da Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia, três titulares de Tite na seleção brasileira trocaram de clube nesta janela de transferências de verão na Europa, e um quarto está a caminho de fazer o mesmo até 31 de agosto.

O atacante Neymar foi do Barcelona ao Paris Saint-Germain, na negociação mais cara da história (mais de R$ 810 milhões), o lateral direito Dani Alves não renovou com a Juventus para seguir Neymar no PSG, e o volante Paulinho foi confirmado nesta segunda (14) no Barcelona, deixando o futebol chinês.

Mudanças de time, muitas vezes, pode impactar no desempenho nos atletas de campo, por diversos fatores: ambientação na nova cidade, mudanças de estilo de jogo da equipe e de posicionamento do jogador e, principalmente, menos oportunidades em campo. Quatro jogadores, de 11, é quase meio time, e pode pesar em torneio curto como a Copa.

Nos casos já confirmados de novo endereço há avaliações e sentimentos diferentes na CBF, apurou o blog. Tranquilidade com Neymar e Dani Alves, e certa apreensão com Paulinho.

Apreensão com Paulinho, que está saindo de um mercado emergente para jogar num dos maiores clubes do mundo? Pode parecer contraditório, mas não é. No Guangzhou Evergrande Paulinho era referência, e Tite mostrou, com dois titulares da China em sua equipe (Renato Augusto é o outro), que o atleta pode manter o alto nível atuando na Ásia.

Apesar do alto valor investido pelo Barcelona para contratar Paulinho, cerca de R$ 150 milhões, há um ponto de interrogação de como será sua estada na Espanha. São duas preocupações: a curto prazo, como ele jogará. A médio, se ele jogará. Se não começar arrebentando por lá, o volante pode ter problemas por uma desconfiança em sua aquisição.

Com relação a Neymar há alívio pelo acordo com o PSG ter saído, depois de uma novela que durou algumas semanas e que parecia estar estressando o craque (que brigou até em treino). No PSG, Neymar será o “dono” do time, e seu protagonismo será espelhado também na seleção.

Dani Alves será titular do PSG, e há um fator bem positivo em sua ida a Paris: ele jogará ao lado do zagueiro Marquinhos, outro titular de Tite, e de Thiago Silva, que também tem grandes chances de estar na lista final para a Copa da Rússia.

Barcelona, de novo

O quarto que deve mudar de time é o atacante Philippe Coutinho. Sua saída do Liverpool está se transformando em novela como a de Neymar, mas a tendência é que a vontade do jogador prevaleça e ele chegue ao Barcelona.

Se status por lá será diferente do de Paulinho, já que se apresentará para substituir Neymar. Mesmo assim fica a incógnita de como ele se portará ao lado dos protagonistas Messi e Suárez.

Outros dois jogadores que não são titulares, mas têm frequentado a lista de convocados, também trocaram de clube: o goleiro Ederson saiu do Benfica para o Manchester City, e o meia Giuliano deixou o Zenit e foi para o Fenerbahce.

Ederson briga com outros cinco goleiros, como mostrou o blog, por três vagas na Copa. Já Giuliano saiu da Rússia porque lá não tinha chance, e ouviu de Tite que precisava estar em campo para ser convocado.


Seis candidatos e três vagas no gol : Vanderlei terá sua chance na seleção
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Marcel Rizzo

Vanderlei continua no radar de Tite para o gol da seleção (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

A não convocação do goleiro Vanderlei para os próximos dois jogos da seleção brasileira acirrou ânimos, principalmente de santistas, já que ele vive grande fase e há algumas semanas o centro de treinamento do Santos teve a visita de Taffarel, preparador de goleiros do Brasil.

Cássio, corintiano que também vive bom momento, foi a opção de Tite no momento, ao lado de Alisson e Ederson, que já vinham sendo chamados. Como mostrou o blog, hoje Cássio tem uma pequena vantagem sobre Vanderlei, e tem potencial até para ser o titular na Copa-2018.

Mas os santistas devem se acalmar: Vanderlei terá chance, se não tiver problemas físicos ou queda acentuada de desempenho nos próximos meses. Tite reservou o mês de novembro, quando ocorrerá amistosos, para observar mais aletas novos do que normalmente faz em convocações para as eliminatórias.

E mais: como o gol é a posição que mais traz dúvidas na cabeça da comissão técnica da seleção brasileira, não é impossível que Cássio e Vanderlei apareçam juntos em uma lista de convocados, e até sejam chamados, os dois, para a Copa-2018.

Alisson tem sido o titular de Tite, mas não fez muitas partidas na temporada passada pela Roma – algo que pode mudar esse ano, o que deve garantir a ele uma vaga na Copa. Ederson teve ótimas temporadas pelo Benfica, e acabou sendo contratado pelo Manchester City. Há uma interrogação de como ele ficará no novo clube, mas hoje está à frente, por exemplo, de Weverton, do Atlético-PR, que é o goleiro com mais convocações com Tite.

Hoje, são seis nomes brigando por vaga na Copa para o gol: Alisson, Ederson, Weverton, Cássio, Vanderlei e Diego Alves, que foi para o Flamengo e está na lista de Tite e Taffarel. O gremista Marcelo Grohe parece, no momento, descartado.

O Brasil enfrenta o Equador, dia 31 de agosto, em Porto Alegre (na Arena do Grêmio), e a Colômbia, fora de casa, no dia 5 de setembro. A seleção, já classificada para a Copa do Mundo da Rússia, volta a campo nas eliminatórias em outubro, contra Bolívia, fora, e Chile em casa.

Em novembro devem ocorrer dois amistosos, assim como em março de 2018, os últimos jogos antes da convocação para a o Mundial.


O plano (que não vingou) para tentar salvar Rogério Ceni no São Paulo
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Rogério Ceni foi demitido do São Paulo no início de julho (Crédito: Eitan Abramovich/AFP)

O fim de trabalho de Rogério Ceni como treinador do São Paulo, no início de julho, teve um ingrediente que quase fez com que sua saída fosse cancelada, ou ao menos adiada.

Em meio à pressão diante dos maus resultados, defensores da permanência do ex-goleiro levaram ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, sugestão de que Ceni tivesse um “auxiliar-gerente”. O que seria isso? Alguém com experiência como treinador, para auxiliar o novato em campo, mas que também atuasse como a ponte com a diretoria. Aliviaria Ceni, era essa a teoria.

Até nomes foram sugeridos, todos com ligações com o clube e com Ceni. O favorito era o de Paulo Autuori, campeão da Libertadores em 2005, na época alçado de treinador a gerente de futebol do Atlético-PR. Outra sugestão foi de Muricy Ramalho, técnico tricampeão brasileiro (2006 a 2008), e que hoje comenta futebol no SporTV.

No dia 30 de junho, o auxiliar-técnico de Ceni, o inglês Michael Beale, pediu para sair. Foi a deixa para que a proposta de um auxiliar rodado, que ajudasse na gerência do futebol, voltasse à tona, com força. Não houve, porém, tempo para que amadurecesse.

Dois dias depois o São Paulo perdeu por 2 a 0 do Flamengo, e no dia seguinte, uma segunda-feira, a diretoria entendeu ser melhor encerrar o acordo com Ceni. Internamente, o argumento era que o elenco precisa ser motivado, e só com um novo treinador isso aconteceria. Havia certeza de que Ceni não confiava no elenco, e vice-versa.

Passados mais de um mês, o São Paulo permanece na zona do rebaixamento do Brasileiro, ao fim do primeiro turno. Dorival Júnior assumiu, o clube contratou jogadores rodados, como Hernanes, mas ainda não aconteceu o efeito esperado.


Procura-se grana: dois estádios estão ameaçados para Copa América do Brasil
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Marcel Rizzo

A Copa América de 2019 que será disputada no Brasil pode ter menos sedes do que previsto inicialmente pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), atualmente acertadas para sete cidades diferentes.

A verba para a realização da competição deverá ser menor do que se imaginava, e isso, num primeiro momento, impactaria no número de cidades a receber partidas. Seis já estavam pré-definidas, como mostrou o site da Globo em abril: São Paulo (com dois estádios, as arenas de Corinthians e Palmeiras), Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Fortaleza e Recife disputavam a sétima vaga.

A ideia é que, se for preciso diminuir os custos modestamente, as capitais do Ceará e de Recife fiquem fora, e as outras seis sejam mantidas. Mas não se descarta mais cortes. Menos sedes podem exigir estrutura menor e até menos participantes.

Em abril também foram definidos, com aprovação do Conselho da entidade, o antigo Comitê Executivo, o número de 16 participantes – os dez países membros da Conmebol, e seis convidados, que poderiam ser países das Américas do Norte e Central, da Ásia e até da Europa.

Se fosse necessário enxugar os participantes seria preciso o aval do Conselho – a entidade rejeita, no momento, diminuição nos convites porque seleções de outros continentes, principalmente europeus – cogitou-se Espanha, Itália e França – são o principal atrativo para busca de patrocinadores que banquem o evento.

A Copa América de 2019 ainda é um dos torneios envolvidos no esquema de corrupção investigado pelo departamento de Justiça dos EUA, que levou à prisão dezenas de cartolas e empresários do ramo de marketing desportivo. Entre os presos está o ex-presidente da CBF José Maria Marin, acusado, como outros, de receber propina para vender os direitos de transmissão de competições como a Copa América e a Copa Libertadores.

A Datisa, empresa criada com participação de outras três companhias especializadas em negociar campeonatos (Traffic, Full Play e TyC) comprou, em 2013, o direito das Copas Américas de 2015 (Chile), 2016 (EUA), 2019 (Brasil) e 2023 (Equador). Pagaria total de US$ 317,5 milhões (R$ 990 milhões, em cotação atual), US$ 80 milhões (R$ 250 mi) somente para a edição de 2019.

Em maio de 2015, pouco antes da Copa América do Chile, estourou o escândalo de corrupção, sem tempo hábil de alterações contratuais. Em outubro de 2015, a Conmebol anunciou o rompimento do contrato com a Datisa para a Copa América do Centenário, a de 2016, que seria (e foi) realizada nos EUA.

Com relação aos dois outros torneios, de 2019 e 2023, nada foi modificado e o caso deve ter definição apenas judicial. É isto que dificulta a venda comercial da Copa América que será realizada no Brasil, não se saber quem poderá negociar, quando e por quanto. Com esse cenário, a configuração exata da Copa América de 2019 será definida até dezembro.


Frustrado sem oportunidade na Europa, Rueda pede salário ‘real’ ao Flamengo
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Marcel Rizzo

Reinaldo Rueda está sem clube no momento (Crédito: Mike Stobe/Getty Images)

O técnico colombiano Reinaldo Rueda, 60, imaginava que poderia comandar um time de médio a grande porte na Europa depois de deixar o Atlético Nacional da Colômbia, em junho. Não houve propostas, pelo menos que o agradasse, e o mercado brasileiro virou a solução a ele.

Por ter frustrado o desejo de ficar na Europa, onde permaneceu por algumas semanas em contato com treinadores e cartolas, Rueda não pede salário fora do normal para dirigir o Flamengo, clube com qual conversa. Em contatos com dirigentes brasileiros no começo do ano, como o Corinthians, pessoas ligadas a Rueda sinalizavam com pagamento em dólar.

Segundo apurou o blog o valor é próximo do que é pago hoje em média a treinadores tops, na casa dos R$ 300 mil – e que pode ser impulsionado por metas alcançadas que seriam colocados no contrato, como título brasileiro, da Libertadores e, claro, Mundial.

Representantes ligados s Rueda já haviam conversado com a diretoria do São Paulo, clube que no início de julho, logo após demitir Rogério Ceni, teve o colombiano oferecido, e disse não – por estar decepcionado por trabalhos recentes de técnicos estrangeiros, como Juan Carlos Osorio e Edgardo Bauza.

A Rádio colombiana Caracol informou que a única exigência “extra” de Rueda ao Flamengo seria cláusula o liberando caso chamado pela seleção colombiana para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Rueda comandou a Colômbia entre 2004 e 2006, mas não foi ao Mundial da Alemanha.

Como publicou em seu blog o jornalista Rodrigo Mattos, Rueda é o nome mais forte no momento no Flamengo, mas há também outras opções sendo estudadas. O clube do Rio mandou embora Zé Ricardo depois da derrota de 2 a 0 para o Vitória, no fim de semana, e inicialmente ligou para Roger Machado, demitido recentemente do Atlético-MG. Roger não aceitou a oferta.


Corinthians acha que pontuará menos no returno: veja número mágico por taça
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Marcel Rizzo

Fábio Carille faz campanha fora do normal com o Corinthians no Brasileiro (Crédito: Daniel Augusto Jr.)

O discurso no Corinthians é de pés no chão mesmo com a incrível campanha no primeiro turno do Brasileiro-2017 – 47 pontos, o melhor turno da história dos pontos corridos com 20 equipes (formato adotado em 2006).

Mesmo assim, o clube faz contas e previsões do que é necessário para alcançar o título. Há um número “mágico”: 78 pontos. No clube se trabalha que com essa pontuação a taça é conquistada e que isso pode acontecer na rodada de número 32, com seis de antecipação, algo que seria inédito – os títulos do Cruzeiro, em 2013, e São Paulo, em 2007, ocorreram com quatro rodadas de antecedência, maior precocidade atualmente.

Há, no clube, a percepção de a campanha no 1º turno foi fora do normal, e que pode ter uma queda no sobrenatural aproveitamento de 82,5%. Mas a análise fria leva em conta que hoje o maior rival pelo título, o Grêmio, também deve ter uma campanha inferior aos 68,4% que tem atualmente (e que em condições normais colocaria os gaúchos na liderança do Brasileiro). O motivo é a Libertadores.

O tornejo continental vai afunilar, e o Grêmio provavelmente estará ao menos nas quartas de final, mas com potencial, pela boa fase, de alcançar semifinal e final. A avaliação corintiana é que, mais vezes, Renato Gaúcho poupará seus principais jogadores, e o foco será a Libertadores, principalmente se a distância entre os clubes, hoje de oito pontos, for mantida.

O mesmo pode acontecer com os dois rivais logo abaixo na tabela, Santos e Palmeiras, mais distantes mas que também vão priorizar cada vez mais a Libertadores caso avancem para as quartas de final em rodada que ocorre neste meio de semana.

Desde que a CBF colocou 20 times para disputar a Série A, em 2006, nenhum campeão somou mais do que 81 pontos – esse recorde de pontuação é justamente do Corinthians, em 2015. Se mantiver o aproveitamento maluco atual, o clube pode chegar aos 93 pontos, que seria inferior apenas aos 100 feito pelo Cruzeiro em 2003, mas com um torneio com 24 equipes e cada uma delas jogando 46 vezes, oito a mais do que atualmente.

Os 93 pontos seriam superiores à pontuação do Santos (89), em 2004, e do Corinthians (81), em 2005, que também jogaram mais vezes em torneios mais inchados.

Só que no clube como a previsão é de um aproveitamento inferior, a projeção é que se alcance o título se chegar aos 78 pontos, e que ao final o Corinthians possa somar entre 82 e 85, o que o tornaria o maior pontuador da história dos pontos corridos com 20 times, superando o próprio recorde.

A avaliação de que o aproveitamento deva ser menor engloba dois aspectos: físico (ano chegando ao fim faz com que aconteçam mais lesões) e esportivo (se alcançar título com antecipação, tendência é diminuir ritmo nas rodadas finais).


No radar da seleção, corintiano Jô ainda não tem tudo o que Tite quer
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Marcel Rizzo

Jô em ação contra o Atlético-MG, quarta, quando fez gol (Crédito: Thomás Santos/AGIF)

Artilheiro do Brasileiro com 11 gols, o corintiano Jô está no radar de Tite para a seleção brasileira. É provável que seja observado mais de perto em umas das três convocações que o treinador faz ainda este ano, a primeira já na próxima quinta (10).

A chance de estar na Copa da Rússia em 2018 para o centroavante, porém, é remota neste momento porque há três jogadores à sua frente na posição, todos bem avaliados por Tite há pelo menos 18 meses: Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Diego Souza.

Tite tem usado em suas convocações uma margem larga de análise de atuações de jogadores, entre um ano e meio e dois. Exemplo é Diego Souza: ele fez uma ótima temporada de 2016 pelo Sport, quando foi artilheiro do Brasileiro, com 14 gols, junto com Fred e Pottker. Diego manteve o bom futebol em 2017, entrando no radar, sendo convocado e correspondendo.

Tite falou um pouco sobre isso na terça-feira, ao participar do programa ''Noite dos Craques'', no canal Esporte Interativo. Para se chamar um atleta, é preciso analisar o desempenho por um período mais longo do que normalmente se convenciona.

Gabriel Jesus fez uma temporada ótima pelo Palmeiras em 2016, e começou bem no Manchester City este ano, apesar de lesões. Roberto Firmino vem mantendo regularidade no Liverpool nas duas últimas temporadas. Dois anos bem, e a vaga na seleção fica mais próxima.

Jô teve uma passagem destacada pelo Atlético-MG de 2012 a 2015, mas depois foi para o futebol árabe e para a China. Tite olha para o futebol chinês, vide as convocações de Paulinho e Renato Augusto, mas Jô não foi bem em 2016. Por isso chegou com desconfiança ao Corinthians, mas vem rendendo, dentro e fora de campo.

Em contato com a comissão técnica do Corinthians, Tite ouvi que Jô amadureceu, que tem liderança no grupo e não dá problemas. Dentro de campo, é o desafogo de Fábio Carille, e tem de demonstrado ótimo aproveitamento nas chances criadas.

Tite deve observá-lo de perto, provavelmente nos amistosos de novembro. Ele, porém, precisa de uma margem maior de boas atuações para ter chance de brigar pela Copa-2018.

 


O dono do time: Neymar vai indicar jogadores e dar pitaco em tática no PSG
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Marcel Rizzo

Neymar deixa CT do Barcelona em seu último dia no clube (Crédito: Reuters)

Neymar ganhará no Paris Saint-Germain-FRA até 40 milhões de euros por ano (R$ 148 milhões), entre salários, bônus por metas alcançadas e projetos de marketing, como já mostrado – quase três vezes o que faturava anualmente no Barcelona, 15 milhões de euros. O clube francês confirmou o negócio nessa quinta (3).

Não foi somente o dinheiro, entretanto, que seduziu Neymar a deixar Barcelona e o trio ofensivo poderoso que formava com Messi e Suárez. O projeto esportivo apresentado pelo PSG agradou, e muito, o brasileiro, que tem como projeto de carreira se tornar o melhor jogador do mundo em prêmio anual da Fifa.

Na configuração apresentada, ele será o “dono” do time”. Foram três pilares expostos, e que ajudaram Neymar a se decidir em deixar o Barcelona rumo a Paris:

1) A Neymar foi dado pela diretoria do PSG e pelos donos do clube, um fundo de investimentos do Qatar, o direito de indicar jogadores. Escolher mesmo. Daniel Alves foi um deles. O lateral direito, que foi parceiro do atacante no Barcelona e ainda é na seleção brasileira, estava apalavrado com o Manchester City, após decidir deixar a Juventus. Uma reviravolta fez com que desembarcasse em Paris. Daniel não voltou a trabalhar com Pep Guardiola porque soube que Neymar estava indo ao PSG, e acabou escolhendo o “parça”. Neymar também sugeriu Philippe Coutinho, do Liverpool, outro parceiro de seleção. Este é mais difícil de chegar, e também entrou no radar do Barcelona.

2) Neymar conversou com o técnico do PSG, o espanhol Unai Emery. Papo tático mesmo, sobre maneiras de jogar. O atacante soube que poderá dar seus pitacos de onde pode render mais, dependendo da partida que acontecerá. No Barcelona, Messi era o protagonista, e o jogo era voltado ao argentino. No PSG, já tem o aval de Emery para ser centralizado em Neymar.

3) Por fim, foi prometido a Neymar times fortes pelos cinco anos de contrato que o brasileiro deve assinar. No projeto “melhor do mundo” de Neymar, é fundamental vencer a Liga dos Campeões da Europa, título inédito para o clube, e para isso é preciso talento – desejo também do fundo qatariano dono do PSG, que quer ver o time no topo até 2022, ano em que o Qatar será sede da Copa do Mundo. Para a temporada 2017/2018 o PSG prometeu que jogadores como Verrati, Draxler e Dí Maria seriam mantidos.

O fato de disputar um Campeonato Nacional, o Francês, tecnicamente mais fraco do que o Espanhol ou o Inglês não preocupa Neymar e as pessoas que cuidam de sua carreira. Há certeza de que haverá confrontos contra times fortes na Liga dos Campeões, que vão alçar Neymar a protagonista de vez em embates contra Messi e Cristiano Ronaldo.


Caso Neymar: Os milhões por trás da viagem de Wagner Ribeiro a Paris
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Marcel Rizzo

Neymar, Barcelona e PSG, uma negociação que virou novela (Crédito: Mike Ehrmann/Getty Images)

A negociação com Neymar pode ficar ainda mais cara ao Paris Saint-Germain. Para que o acordo oficialmente seja anunciado, o estafe do atleta pedirá que o clube francês arque com o prejuízo do atleta por não receber integralmente um bônus devido pelo Barcelona, retido pelo clube espanhol irritado com os rumos da negociação. Neymar sequer treinou nesta quarta-feira e comunicou os companheiros que está de saída, mas o anúncio oficial ainda não foi feito.

Uma das explicações para a situação é o não pagamento da segunda e última parcela do bônus de assinatura que o clube espanhol acertou com o jogador, em outubro de 2016, na renovação do contrato até 2021.

O valor, de cerca de 26 milhões de euros (R$ 96 milhões), deveria ser pago até o fim de julho, mas, não satisfeito com a possibilidade de o atacante deixar o clube rumo a Paris, o Barcelona resolveu depositá-lo em juízo. Isso irritou o pai do jogador, Neymar da Silva, que também é o procurador do filho.

Essa quantia em aberto, e a não possibilidade de recebê-la, ainda é um entrave, mas o estafe do atleta tentará uma cartada para não ficar sem a grana: negociar com o clube francês para que ele arque também com o valor devido pelo Barcelona. O UOL apurou que o empresário Wagner Ribeiro, um dos agentes ligado ao jogador, viajou até Paris com a finalidade de convencer os franceses (que são bancados por dinheiro do Qatar) a pagar essa quantia.

O Barcelona entende que os 26 milhões de euros seriam pelas cinco temporadas acertadas com Neymar, não apenas por uma. Avaliam, então, que ele deixando o clube agora só precisam pagar um quinto dessa quantia, 5,2 milhões de euros (R$ 19 milhões).  É a diferença, 20,8 milhões de euros (R$ 77 milhões), que seria solicitado ao PSG, além de tudo o que o clube já deve pagar, como multa rescisória (R$ 805 milhões), impostos, luvas e salários ao jogador e comissões aos intermediários.

Caso o PSG diga que não pretende desembolsar mais um tostão, caberá a Neymar decidir se vai para Paris sem receber todo o restante do bônus devido pelo Barcelona e tentar resolver essa questão judicialmente.