Blog do Marcel Rizzo

Como parar a China? Projeto de teto salarial mundial no futebol vai à Fifa

Marcel Rizzo

Não foi somente para decidir sobre o aumento do número de participantes da Copa do Mundo que o Conselho da Fifa, o antigo Comitê Executivo, se reuniu semana passada na Suíça.

Europeus e sul-americanos apresentaram uma questão que consideram precisar de controle: os milhões de dólares gastos pela China para contratar jogadores de futebol. Em um dos projetos, seria criado um teto para gastos, em valores pagos para contratações e salários, que poderia ser por clube ou por país.

Esse teto é usado, por exemplo, em ligas do esporte profissional dos EUA, como a NFL (de futebol americano) e a NBA (basquete). Há um “salary cap”, espaço de salário, definido no início da temporada. As franquias (que seriam como os clubes de futebol) não podem ultrapassar tal valor – na NBA, se ultrapassar paga uma multa. A ideia, com isso, é equilibrar as competições, para que equipes mais ricas não predominem.

Limite salarial mundial no futebol é um tema espinhoso, inclusive para os clubes europeus que também gastam muito dinheiro em contratações. Mas o poder financeiro da China assustou justamente os times da Europa, que passaram a perder jogadores de alto nível, e não apenas aqueles em fim de carreira, como acontecia anteriormente para o mercado asiático — vide Oscar, que deixou o Chelsea para o Shanghai SIPG.

Milhões em jogo

Com exceção dos milionários Real Madrid e Barcelona, e alguns times ingleses, outros mercados da Europa são favoráveis a um teto salarial. O projeto foi apresentado, e tem a simpatia da Uefa, a federação europeia, da Conmebol, da América do Sul, e dos Estados Unidos, que hoje tem voz ativa na Fifa depois que a Justiça de seu país passou a investigar a corrupção na entidade e prendeu dezenas de cartolas.

A China, que não quer parar de gastar dinheiro com o futebol (e sonha, por exemplo, com a Copa de 2026), avisou que tentaria criar outros mecanismos para controlar a chegada desenfreada de estrangeiros, a valores estratosféricos.

No fim da semana passada, foi anunciado que se diminuiria o número de estrangeiros que poderiam entrar em campo na liga local. Agora são três – anteriormente, se podiam escalar quatro, desde que esse quarto fosse asiático.

Mas, avaliam cartolas, não será suficiente porque o dinheiro continuará jorrando. O Congresso da Fifa será em maio, no Bahrein. Ali pode se começar a desenhar um teto salarial, com valores e como poderia ser aplicado.