Blog do Marcel Rizzo

Por que Dorival Jr. acha vaga no SP a ideal, mas nunca tinha pensado nisso

Marcel Rizzo

Dorival Jr ficou quase dois anos no Santos, de 2015 a 2017 (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Quinze dias depois de ser demitido do Santos, em 4 de junho, Dorival Júnior esteve no Rio participando do programa “Noite de Craques”, do Esporte Interativo. Naquele dia, entre diversos bate-papos com amigos e parte de seu estafe, o treinador avaliava o cenário para o futuro trabalho.

Entre todos os avaliados, em nenhum apareceu o São Paulo, clube que o contratou nesta quarta (5). Naquele momento, a avaliação era que Rogério Ceni não perderia o cargo, apesar de o time não engrenar no Brasileiro. Por isso estava descartado trabalhar no Morumbi, mesmo parecendo ser a vaga ideal. 

A cabeça de Dorival se voltou então a trabalhar fora do Brasil, já que para ele o desenho de vagas para treinadores no futebol brasileiro parecia definido até dezembro.

Poderia haver mudanças a partir de setembro e outubro, quando a água começa a bater na canela de times desesperados contra o rebaixamento, mas isso era algo que não interessava ao treinador. Lembranças de 2014, quando assumiu o Palmeiras desesperado em setembro, ajudou a evitar a queda, mas na sequência foi dispensado do contrato que tinha para 2015.

O contato de Dorival com a diretoria do São Paulo aconteceu somente depois de Rogério deixar o cargo, na terça (4). Nem houve aquela tradicional sondagem para saber se o preferido da diretoria toparia o acordo se posição estivesse vaga.

Até a ligação do diretor Vinícus Pinotti, as propostas do exterior não haviam seduzido Dorival. Uma foi do Cerro Porteño, do Paraguai, e outra do Al Nassr, da Arábia Saudita, que depois acertou com outro brasileiro, Ricardo Gomes. Houve uma terceira sondagem, que não animou.

A surpreendente demissão de Rogério Ceni, maior ídolo da história do São Paulo e que parecia que jamais seria demitido, ainda mais com apenas sete meses de trabalho, abriu um cenário que na visão do estafe de Dorival Júnior é muito parecido com o que ele pegou no Santos, em 2015.

O time da Vila Belmiro estava na mesma 17ª posição do Brasileiro em julho, quando Dorival assumiu. Diferentemente do que aconteceu no Palmeiras, Dorival pegou um Santos com metade do ano para trabalhar, e que estava se renovando. Idêntico ao São Paulo agora.

Um dos motivos para a saída de Ceni foi a ineficiência do time, mas o ex-goleiro teve vários jogadores vendidos, como o zagueiro Maicon e o atacante Luiz Araújo, e outros chegando, como o volante Petros, isso no meio do ano. Dorival pegará um time com atletas novos no clube, e apesar de não ter uma pré-temporada para trabalhar, poderá moldar seu time como quer, sem o trauma que acontece quando técnico novo chega em time que está montado.

Há também o fator categoria de base, que faz com que Dorival equipare Santos e São Paulo. Os dois clubes são fortes na formação de jogadores, e Dorival avisou a diretoria são-paulina que conta, muito, com Cotia, cidade da Grande São Paulo onde fica o centro de treinamento da base são-paulina. Não será surpreendente se em breve a base do time profissional do São Paulo seja formada por atletas extraídos de Cotia.