Blog do Marcel Rizzo

Gol fora de casa como desempate pode estar com os dias contados no Brasil

Marcel Rizzo

Há movimento de clubes e cartolas de federações para que possa haver mudanças em regras de competições da CBF, e até da Conmebol. O principal alvo é o chamado gol qualificado — se quer o fim dessa regra.

Um dos critérios de desempate dos principais torneios do mundo que têm jogos eliminatórios em duas partidas como formato é o gol como visitante. Por exemplo: se o time A faz o primeiro jogo em casa e vence por 1 a 0 e, no segundo, como visitante, perde por 2 a 1, ele avança porque mesmo com o agregado de gols empatado em 2 a 2 o A fez um gol fora de seus domínios, contra nenhum do B.

A CBF usa o gol qualificado desde a primeira edição de seu principal torneio mata-mata, a Copa do Brasil, em 1989. A Libertadores passou a ter a regra em 2005, mas torneios na Europa a utilizam desde os anos 80, por dois motivos principalmente: evitar a decisão por pênaltis, que só ocorre com placares idênticos (dois 1 a 1, por exemplo), e dificultar que, num confronto eliminatório em dois jogos, o time visitante atue “na retranca”.

O formato recebe críticas desde sempre por dar peso dois a um gol que, na prática, vale o mesmo feito em casa ou fora. Só que ultimamente os dois pontos fundamentais para sua criação também passaram a ser o alvo daqueles que querem ver a regra abolida.

 Os pênaltis, por exemplo, não são vistos mais como algo que depende da sorte. Hoje em dia é importante trabalhar esse fundamento nos treinamentos, não apenas com os atletas especializados nas cobranças penais. Tem mais: os goleiros hoje estudam os batedores rivais, vendo vídeos e analisando estatísticas de como e para qual lado chutam mais a bola. Entende-se que hoje vence o time mais bem treinado, e psicologicamente mais bem preparado, também neste tipo de desempate.

Já a questão do time visitante retrancado, o gol qualificado não surte efeito quando se enfrentam equipes tecnicamente muito desniveladas: o mais fraco continuará se defendendo. Por outro lado, quando há um equilíbrio de forças, há uma tendência inversa ao que a regra quis criar: o time mandante buscar dar menos espaços, se fechando em determinados momentos, já que tomar um gol em casa pode ser desastroso.

Retranca em casa

Vide as partidas desta quarta passada (16) pelas semifinais da Copa do Brasil: como mandante, o Botafogo deixou o Flamengo jogar, e saiu satisfeito com o 0 a 0 – qualquer empate na próxima semana é favorável ao Botafogo, com exceção do sem gol, que levará a decisão aos pênaltis. No sul, o 1 a 0 feito pelo Grêmio ainda no primeiro tempo o satisfez contra o Cruzeiro, que terá de vencer por 1 a 0 pelos pênaltis, ou por dois gols de diferença se levar gol, em Belo Horizonte, para ir à final.

Já houve nos últimos anos afrouxamento da regra do gol qualificado, por reclamação de clubes. A Libertadores, primeiro, e a Copa do Brasil, desde 2015, não têm o gol de visitante como desempate nas finais. Algo que até hoje não tem uma explicação plausível: porque na final essa regra não é boa, mas para o restante do torneio é?  

A CBF por enquanto, apurou o blog, não tem planos de alterar de regras de suas competições. A Conmebol, por sua vez, incluiu em estudo que fez para alterar o calendário para o ano todo da Libertadores e da Sul-Americana propostas de alterações em regulamento, mas não há nada de concreto até o momento.