Blog do Marcel Rizzo

Só árbitro pode: possível ‘cera’ proibiu times de pedirem revisão por vídeo

Marcel Rizzo

A reclamação do River Plate (ARG) de que teve um pênalti (um toque de mão do rival Marcone) a seu favor na semifinal da Libertadores contra o Lanús (ARG), na noite desta terça (31), e a arbitragem decidiu por não utilizar o VAR (árbitro de vídeo) pode se tornar comum com a implementação da tecnologia no futebol — o 4 a 2 contra eliminou o River.

Isso porque a International Board, órgão que define as regras do futebol, decidiu ignorar mecanismo de utilização do árbitro de vídeo comum nas principais modalidades que já usam o sistema: de que os times tenham a possibilidade de solicitar a conferência em vídeo de lances em que considerem que houve erro. Somente o árbitro tem esse poder.

E o motivo para não ser permitido no futebol, segundo apurou o blog, é que os cartolas temiam que pudesse ser usado como “cera”, ou seja, uma maneira de paralisar o jogo para ganhar tempo, algo que hoje já é feito com atletas simulando lesões ou em substituições em que o jogador demora muito para deixar o gramado.

Em esportes como vôlei, tênis, e futebol americano (NFL), as equipes ou jogadores tem o poder de pedir o uso do vídeo caso achem que a marcação da arbitragem foi errada. Não é um benefício ilimitado. No tênis, por exemplo, o atleta tem direito a três desafios por set, e quando o seu pedido tem sucesso, ou seja, houve erro do árbitro, ele mantém esse desafio caso queira pedir em outra oportunidade.

No futebol americano, o treinador joga um pano vermelho no gramado solicitando a revisão de uma marcação por vídeo. Caso ele perca, ou seja, a decisão de campo seja mantida, ele perde um tempo, algo precioso na modalidade porque para o cronômetro, ganhando tempo em finais de jogos com placares apertados.

Contra a cera

Tudo isso foi discutido no futebol, mas chegou-se à conclusão de que o uso do VAR tem que ser feito com parcimônia, para não brecar muito o andamento da partida. Os principais críticos ao uso da tecnologia alegam que o futebol é uma modalidade em que o cronômetro não para, e interrupções excessivas comprometem a dinâmica do jogo. Na visão daqueles que fazem as regras do esporte, dar poder a técnicos de pedir a revisão seria “um tiro no pé” porque a partida pararia demasiadamente.

A reclamação do River foi intensa porque a eliminação partiu justamente de decisão por vídeo, para o rival Lanús, em pênalti que inicialmente não havia sido marcado pelo árbitro colombiano Wilmar Roldan. Ele consultou o vídeo, com auxílio dos árbitros na cabine (o uruguaio Andres Cunha, o boliviano Gery Vargas e o uruguaio Nicolas Taran) e percebeu puxada na camisa do atleta do Lanús. Com o penal convertido, o 4 a 2 classificou o time da casa para a final.

A imprensa argentina noticiou que o River estuda entrar com um pedido formal na Conmebol pedindo a anulação do jogo, o que é improvável que aconteça levando em conta que a decisão de usar ou não o VAR é da arbitragem.