Blog do Marcel Rizzo

Luxa poderia no São Paulo repetir Renato no Grêmio? Diretoria acha que não

Marcel Rizzo

Os gritos de torcedores do São Paulo por Vanderlei Luxemburgo como opção a Dorival Júnior após a derrota de quarta para o Ituano, 2 a 1 pelo Paulistão, não ecoa em membros da direção do clube. Antes, depois de outro insucesso, o de domingo para o Santos, 1 a 0, conselheiros já tinham levado o nome do treinador ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, com o argumento de que Luxa poderia ser uma solução parecida com a de Renato Gaúcho no Grêmio.

Como Luxemburgo, Renato não vivia uma boa fase profissional ao assumir o time gaúcho, em setembro de 2016. Havia quase dois anos e meio estava desempregado, e entrava em uma lista de treinadores considerados ultrapassados, da qual Luxemburgo também faz parte nesse momento.

Renato foi contratado como bombeiro após a saída de Roger Machado, hoje no Palmeiras e tratado como um dos principais nomes de uma nova geração de treinadores, mas que não conseguia mais fazer o Grêmio render. A gestão de Renato, porém, está longe de ser temporária e tem sido um sucesso: ainda em 2016 levou a Copa do Brasil, em 2017 conquistou a Libertadores, e nesta quarta à noite a Recopa. Muitos dentro do São Paulo, não apenas torcedores, acham que Luxemburgo poderia ter um destino semelhante se contratado.

A diretoria não concorda. Primeiro porque, na avaliação interna, o sucesso de Renato Gaúcho no Grêmio passou principalmente porque o técnico tem uma gigantesca identificação com o clube do Sul. Foi onde surgiu para o futebol, onde ganhou a Libertadores e o Mundial em 1983, e o qual já havia treinado entre 2010 e 2011. Renato Gaúcho chegou com carta branca e uma moral em Porto Alegre, apesar de estar fora do mercado, que Luxemburgo não teria no Morumbi — o técnico tem identificação zero com o São Paulo.

Outro ponto é que Renato estava parado, portanto há algum tempo longo dos holofotes e de críticas. Luxemburgo, não. Não fez um bom trabalho no Sport no ano passado, teve uma passagem pela China sem sucesso, e anteriores por Cruzeiro, Flamengo e Fluminense também sem brilho.

Dorival Júnior não é unanimidade. Mas caso se decida por uma mudança, se prevê dificuldade. Nomes estrangeiros estão descartados, por desilusões recentes com nomes como o colombiano Juan Carlos Osorio e o argentino Edgardo Bauza, que largaram o trabalho no meio por propostas de seleções, e brasileiros com potencial estão empregados — Mano Menezes do Cruzeiro, por exemplo.