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Pan atrapalha Lima, e 'experiente' Santiago briga por final da Libertadores

Marcel Rizzo

2004-04-20T18:04:00

04/04/2018 04h00

Em fevereiro a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciou que a partir de 2019 a Libertadores terá final em jogo único, em sede definida antecipadamente. Não será, entretanto, a primeira vez que o principal torneio de futebol da América do Sul terá a decisão em campo (provavelmente) neutro.

E Santiago, no Chile, a cidade que mais vezes recebeu a final extra da Libertadores que existia no regulamento até 1987, entrou forte como candidata a ter no ano que vem a decisão em partida única, em seu Estádio Nacional. Lima (Peru), que ainda aparece como favorita, Quito (Equador) e São Paulo também são possibilidades.

Por seis vezes a capital chilena foi palco do jogo extra das finais da Libertadores, que ocorreu 14 vezes entre 1960 e 1987, quando foi extinto do regulamento — metade das primeiras 28 edições do torneio, portanto. Na época, se nos dois primeiros confrontos (um na casa de cada finalista) os times empatassem em pontos, a decisão não iria diretamente para a prorrogação e, depois, pênaltis se a igualdade persistisse. Ocorria uma terceira partida, em campo neutro. Montevidéu, quatro vezes, Assunção duas, Lima e Buenos Aires também foram sedes.

Se hoje em dia há uma lamentação da opinião pública pela final da Libertadores ser jogada longe da casa dos finalistas, antigamente era comum e times brasileiros levantaram a taça assim. O Santos, em 1962, bateu os uruguaios do Peñarol em Buenos Aires, o Cruzeiro, em 1976, levantou a taça frente o River Plate (Argentina) em Santiago e o Flamengo, em 1981, venceu o Cobreloa, do Chile, em Montevidéu.

Esse relato das finais extra em campos neutros esteve em documento entregue a membros da Conmebol, para mostrar que não é inédito realizar a Libertadores longe da casa dos finalistas, e que hoje em dia é até mais fácil a locomoção entre os países sul-americanos do que há quase 60 anos, por exemplo.

Diferentemente do que ocorrerá agora, em que a cidade da final única será conhecida antecipadamente (a Conmebol deve divulgar ainda em 2018 a sede de 2019 e, até, de 2020 e 2021), o jogo extra ados anos 1960, 1970 e 1980 era conhecido muitas vezes quando se via necessário. Um caso curioso mostra como era amador esses bastidores.

Em 1968, o Palmeiras chegou à final da competição contra o Estudiantes, da Argentina. No primeiro jogo, em La Plata, os argentinos venceram de virada, 2 a 1. No segundo, no Pacaembu, o Palmeiras ganhou por 3 a 1. Pelo regulamento atual seria o campeão no saldo de gols, mas o da época previa o jogo extra. Com local decidido horas depois da vitória palmeirense em São Paulo.

Um dirigente palmeirense à época entrou no vestiário para consultar comissão técnica e jogadores sobre as duas opções dadas pela confederação sul-americana: Montevidéu ou Santiago. Valdir Joaquim de Moraes, goleiro alviverde na ocasião, contou certa vez que todos deram de ombros, e prevaleceu pressão dos argentinos pelo Uruguai. Resultado: como La Plata, sede do Estudiantes, fica a poucas horas de barco de Montevidéu, o estádio encheu de argentinos e o Palmeiras atuou praticamente com visitante, perdendo por 2 a 0.

Casos como esse podem se repetir.  A final única pode nem ser neutra, caso um time da cidade-sede chegue à decisão. A divisão de ingressos, porém, será dividida igualmente, promete a Conmebol.

O Pan-Americano

Para 2019, Lima ainda é a favorita, mas há um fator que pesará na decisão: os Jogos Pan-Americanos, que serão realizados no ano que vem na capital peruana entre julho e agosto. Há uma divisão entre membros da Conmebol sobre se o fato de o Pan ser no Peru ano que vem será bom ou ruim para a final única da Libertadores na cidade.

Os que defendem acham que pode ser uma atrativo a mais, e a cidade vai estar bem estruturada para fãs e patrocinadores por meses antes da final única (em dezembro) receber uma competição importante como o Pan. Os do contra avaliam que, por ser o primeiro ano no novo formato, seria importante uma cidade focada apenas nisso, já que durante todo a temporada poderão ser realizados projetos de marketing no local para atrair patrocinadores, e Lima até agosto terá como prioridade o Pan-Americano.

É com essa estratégia que Santiago entra na disputa, tentando levar a final de 2019 e deixando Lima com 2020. Quito tem a altitude como fator desfavorável, e São Paulo é a preferência da Conmebol somente para os próximos anos principalmente porque no ano que vem o Brasil já será a sede da Copa América de seleções.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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