Blog do Marcel Rizzo

Rodada mantida e CBF aliviada: não tem data no calendário para adiar jogos

Marcel Rizzo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) confirmou, na manhã desta sexta (25), que a rodada do final de semana de todas as séries do Brasileiro está mantida — havia o risco de cancelamento por causa da greve dos caminhoneiros, que tem afetado os voos pelo país.

Um alívio para a entidade, que teria enorme problema para ajustar as datas dos jogos, principalmente os da Série A. Na verdade, não haveria espaço no calendário para colocar uma rodada inteira até o fim da competição, dia 9 de dezembro. Já até se pensava em soluções, nenhuma satisfatória, como prorrogar o campeonato para a semana seguinte a do término, ou até fatiar a rodada cancelada com partidas nos dias possíveis para cada clube.

Na noite de quinta (24), o governo federal e os representantes dos caminhoneiros se reuniram para tentar dar um fim à greve, ministros divulgaram que havia acordo, mas até o momento a greve continua, com os caminhões parados. Mesmo assim a CBF avalia que só terá que cancelar alguma das próximas rodadas se o caso se agravar muito.

A Copa do Mundo fez com que o calendário do futebol brasileiro em 2018 ficasse apertado porque a Fifa exige que os jogos de torneios de elite não aconteçam durante o Mundial, entre 14 de junho e 15 de julho. Para isso foi preciso diminuir a pré-temporada dos clubes a duas semanas, antecipar o começo dos Estaduais, Regionais, para janeiro, e do Brasileiro, para abril, que também acabou esticado por mais uma semana. Tudo ajustadinho, que qualquer contratempo levará ao caos.

Se adiar uma rodada inteira da Série A, a CBF não teria como colocá-la inteira no meio de semana entre julho e começo de dezembro porque todo o espaço está preenchido por partidas da própria Série A, ou confrontos da Sul-Americana, Libertadores e Copa do Brasil. Seria preciso, na verdade, ir esperando os times serem eliminados dos torneios mata-mata para ajustar os jogos, algo que será feito com o Santos x Vasco, adiado da terceira rodada por causa de confronto do time carioca na Copa do Brasil.

Alterado inicialmente para 16 de julho, uma segunda-feira e um dia depois da final da Copa, agora nem data tem para ocorrer porque nessa dia a CBF precisou marcar dois jogos de volta das oitavas da Copa do Brasil, também devido ao calendário apertado, e um deles é Vasco x Bahia. Ou seja, o time do Rio não poderia atuar duas vezes no mesmo dia.

No meio da checagem com companhias aérea e agências de viagens responsáveis pelos deslocamentos dos clubes pelo Brasil para jogar o campeonato sobre o impacto da greve, a CBF começou a pensar no que fazer se precisasse adiar a rodada. Prolongar o Brasileiro por mais uma semana atrapalharia as férias dos atletas, e atrasaria a pré-temporada de 2019. Colocar no meio de semana de 12 de dezembro seria opção, mas pode ter time brasileiro jogando a final da Sul-Americana nessa data.

Fracionar a rodada, com jogos em dias diferentes quando coubesse no calendário de cada clube, era também uma opção, mas considerada muito ruim, principalmente se essas partidas forem ficando para o fim do ano, e a tabela apresentar diferença de jogos para times que estão brigando por título e contra o rebaixamento.

Não ajuda a CBF o fato de que seis brasileiros passaram para as oitavas da Libertadores (Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, Santos, Corinthians e Flamengo), cinco deles como primeiro do grupo e portanto só há chance de um confronto nacional nessa etapa. Podem ser cinco, então, nas quartas, ou até mesmo seis, se o Flamengo cruzar com um estrangeiro. Na Sul-Americana ainda restam também seis equipes (São Paulo, Fluminense, Atlético-PR, Vasco, Botafogo e Bahia). Ou seja, dos 20 times da Série A, 12 estarão em disputas sul-americanas após a Copa da Rússia.

Para a rodada da Série A desse final de semana, somente um jogo não teria deslocamento do visitante, o clássico paranaense Atlético-PR x Paraná. Alguns times, como o São Paulo e o Flamengo, que atuam em Belo Horizonte, e o Cruzeiro, que joga no Rio, até poderiam viajar de ônibus, mas a CBF não considera isso o ideal por questões físicas.