Blog do Marcel Rizzo

Regra pode ajudar Neymar a bater Salah e chegar à final do melhor do mundo

Marcel Rizzo

Neymar foi finalista do prêmio do melhor do mundo em 2017 (Crédito: GLYN KIRK/AFP)

Se no futebol a última impressão é a que fica, Neymar ganhou um empurrãozinho da Fifa para salvar uma temporada irregular de estreia no PSG e que parecia que o deixaria sem chance até de ser finalista do prêmio de melhor jogador do mundo, o troféu que cobiça e que foi um dos motivos de trocar o Barcelona por Paris.

A Fifa decidiu valorizar a Copa do Mundo e estendeu por duas semanas o período de avaliações dos jogadores para serem votados na premiação de melhor da temporada 2017/2018 — o desempenho do candidato será analisado de 3 de julho de 2017 até 15 de julho de 2018, coincidindo exatamente com a data da final do Mundial da Rússia. Se Neymar arrebentar na Copa, poderá até se intrometer entre os três favoritos a finalistas do momento, os de sempre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo e o egípcio Mohamed Salah, que teve um ano incrível pelo Liverpool.

O regulamento deste ano, que terá novamente o anúncio dos vencedores realizado em Londres, dia 24 de setembro, é igual ao do ano passado: a Fifa optou por padronizar o calendário de avaliação de jogadores seguindo as datas dos principais torneios da Europa, que começam e terminam no meio do ano. Antes, se avaliava um atleta de novembro de um ano a novembro do outro, o que fazia com que aqueles que atuavam nos grandes europeus fossem analisados pela metade final de uma temporada e a inicial da outra.

Para a premiação da temporada passada, a de 2016/2017, a Fifa estipulou 2 de julho como data-limite para que se avaliasse a atuação de jogadores e treinadores concorrentes — duas semanas a menos de análise, portanto. No ano passado, a Fifa definiu uma lista com 23 nomes, de onde sairiam os três finalistas. Desta vez serão dez (escolhidos por especialistas), em anúncio que será feito dia 23 de julho, ou seja, oito dias após a final da Copa. A partir daí, treinadores e capitães das seleções, jornalistas e torcedores, via internet, começam a votar, ainda com a lembrança fresquinha da decisão do Mundial na mente. Essa eleição vai até 10 de agosto, quando saem os três finalistas.

Era natural a Fifa esperar pela Copa do Mundo para a escolha o melhor da temporada, mas se questionava se a entidade não poderia deixar que o período da competição ficasse para o próximo ano, na avaliação da temporada 2018/2019. Decidiu-se, porém, por deixar a Copa valendo para o prêmio desse ano, e aqueles que tiveram um ano mediano, como Neymar, ganham chance de brilhar, ainda mais com o Brasil apontado entre os favoritos.

Bem diferente do Egito de Salah, que está longe de estar entre aqueles que podem brigar pela taça de campeão do mundo. Para piorar, o jogador do Liverpool, que se destacou na temporada com ótimas atuações que levaram sua equipe à decisão da Liga dos Campeões, ainda deve perder parte do Mundial por causa de lesão no ombro sofrida justamente na final europeia contra o Real Madrid (os espanhóis venceram por 3 a 1).

Da estreia contra o Uruguai, em 15 de junho, segundo informação da comissão técnica do Egito, Salah já está fora. Deve fazer os dois jogos seguintes, frente Rússia (19 de junho) e Arábia Saudita (25 de junho), mas pode ser só. Apesar de o grupo não ser o mais complicado do Mundial, russos, donos da casa, e uruguaios são favoritos para avançar, mesmo se Salah estivesse 100% fisicamente.

Neymar campeão do mundo e arrebentando na Copa, Salah machucado e pouco em campo, com as votações começando uma semana depois e com participação dos internautas (com mesmo peso, 25%, do que jornalistas, técnicos e capitães das seleções), pode fazer com que os finalistas tradicionais Ronaldo e Messi ganhem um velho conhecido na festa de gala da premiação final, e não um novo companheiro.