Blog do Marcel Rizzo

O que une Neymar e Mbappé neste momento? Fazer firulas com o time ganhando

Marcel Rizzo

Mbappé recebe bronca de Godín após enfeitar jogada (Crtédito: Getty Images)

O Real Madrid vendeu Cristiano Ronaldo à Juventus, desejo do jogador, e abriu-se a temporada de apostas em qual será a estrela que os espanhóis contratarão. Os dois principais candidatos são o brasileiro Neymar e o francês Mbappé, que apesar de gerações diferentes, são quase sete anos a mais para o brasileiro, têm características semelhantes: driblam,  avançam em velocidade, marcam e gostam de fazer firula quando seu time está na frente do placar.

Neymar deixou a Copa do Mundo da Rússia com sua fama de cai-cai mais acentuada e virou piada em vários lugares, com pessoas, inclusive crianças, imitando o que seriam suas quedas em campo. Claro que a eliminação do Brasil precocemente, nas quartas de final, escancarou essa faceta do jogador — talvez se o Brasil estivesse na final, os gols que teria feito estivessem mais em evidência.

É o que se passa com Mbappé. Aos 19 anos, o atacante aparece como candidato à revelação da Copa, e até mesmo a melhor jogador do Mundial, dependendo do que fizer na final. Mas não se engane: Mbappé tem demonstrado uma característica comum de garotos habilidosos, como Neymar, que é o de enfeitar jogadas quando seu time está vencendo o jogo.

Contra a Costa Rica, na segunda partida do Brasil na Copa e que foi um sufoco danado, com dois gols no acréscimo, Neymar precisou ver o Brasil com 1 a 0 no placar para dar uma carretilha no adversário, na lateral do campo. Não foi a primeira vez, nem a última, que fez isso, e só faz a antipatia que muitas pessoas têm pelo camisa 10 aumentar.

Mbappé repete o roteiro de Neymar. Contra o Uruguai, resolveu dar um toque de letra no meio de campo, com 2 a 0 no placar. Levou uma chegada mais forte de um adversário, e depois vários uruguaios se aproximaram para tirar satisfação, mesmo com o francês caído. Contra a Bélgica, passou o pé por cima da bola, já quase no fim, com 1 a 0 de vantagem, e levou um chega pra lá de Vertonghen, sem consequências maiores.

Jogadores com capacidade para o drible, para usar a técnica, devem fazer isso, mas durante todo o jogo, e de forma objetiva. Fazer gracinha quando se está ganhando só serve para irritar o rival e criar situações que podem gerar brigas. Na França, o técnico Didier Deschamps deu, publicamente, uma repreendida em Mbappé e provavelmente o puxão de orelha foi mais forte nos bastidores. Tite, ao que parece, mais passou a mão na cabeça de Neymar do que o repreendeu. Talvez um aprendizado caso inicie mais um ciclo à frente da seleção brasileira.