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Receio se confirma e Liga das Nações atrapalha calendário de sul-americanos

Marcel Rizzo

O calendário para seleções na Europa com a criação de um novo torneio, a Liga das Nações, diminuiu a possibilidade de equipes da América do Sul encararem rivais do Velho Continente nas datas Fifa reservadas para amistosos. Pelo menos é o que mostra levantamento do blog comparando a agenda dos três primeiros meses após as duas últimas Copas, a de 2014 no Brasil e a de 2018 na Rússia.

Depois do Mundial de 2014, nas datas Fifa de setembro, outubro e novembro daquele ano, os dez países filiados à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) realizaram seis jogos contra europeus, dos 51 confrontos que tiveram (pouco mais de 11%) no período. Quatro anos depois foram realizados até agora apenas dois, com a possibilidade de mais dois em novembro — vai depender se o Brasil de fato terá um adversário europeu em sua segunda partida amistosa do mês que vem (o único confirmado até agora é o Uruguai, em Londres).

O Peru conseguiu encarar a Holanda e a Alemanha em setembro de 2018 (perdeu os dois jogos por 2 a 1), mas deve ser uma exceção a partir de agora. O Uruguai marcou partida contra a França para novembro e a CBF tenta qualificar sua agenda com um europeu, que pode ser de médio a grande porte. Em 2014, a Argentina teve confrontos no período logo pós-Copa contra Alemanha, Croácia e Portugal, o Brasil pegou Turquia e Áustria e os colombianos desafiaram a Eslovênia.

A Uefa (União Europeia de Futebol) confirmou a Liga das Nações em setembro de 2017. A ideia é que os times do continente tenham um torneio extra à Eurocopa e à Copa do Mundo que possa gerar receitas maiores do que simples amistosos. Os filiados foram divididos em quatro divisões, com classificação inicial por meio de ranqueamento, e haverá descenso e acesso. Como os grupos são de três times, e as datas Fifa oferecem possibilidade de duas partidas, sempre haverá um europeu disponível para amistosos. O problema é que terá obrigatoriamente que encarar um time do próprio continente naquele período, pela Liga, o que deixa qualquer deslocamento para jogar nos EUA ou Ásia, por exemplo, inviabilizado.

O anúncio da Liga das Nações fez países de outros continentes, principalmente da América do Sul, se preocuparem de que poderiam perder a chance de encarar os fortes rivais europeus em amistosos. Não foi preciso muito tempo para provar que de fato está mais difícil encaixar no calendário essas partidas. O Brasil, por exemplo, marcou partidas pós-Copa da Rússia contra EUA, El Salvador, Arábia Saudita, Argentina e Uruguai.

É certo que a CBF cedeu seus amistosos a uma empresa, que é quem de fato encontra adversários e, em anos anteriores, também algumas vezes privilegiou rivais mais fracos para ajustar interesses com patrocinadores. mMsmo assim no pós-2014 o Brasil teve dois confrontos frente europeus, Áustria e Turquia, que não eram tops mas tinham uma escola de futebol diferente dos sul-americanos, queo Brasil vai cansar de enfrentar nas eliminatórias.

Entre setembro e novembro de 2014 os países da Conmebol fizeram 51 partidas, seis contra europeus e dez entre os filiados da própria entidade. Em 2018 são três confirmados frente membros da Uefa, e sete confrontos entre os sul-americanos (ainda faltam confirmações de vários jogos para novembro). O Paraguai, por exemplo, ainda nem atuou. Muito porque só fechou com seu novo técnico, Juan Carlos Osorio, no começo de setembro, quando não teve partidas marcadas. Em outubro também só treinará porque não achou adversários interessantes.

Mês que vem, a Argentina vai encarar duas vezes na mesma data-Fifa o México, algo incomum, já que os times usam o período para fazer jogos contra times diferentes, o que dá a possibilidade de enfrentarem estilos distintos para testar o seu esquema tático. O Chile teve uma partida em setembro cancelada, contra o Japão, por causa do terremoto que castigou o país asiático, e a Bolívia não pôde enfrentar o Kuwait por problemas de logística.

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