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Marcel Rizzo

Conmebol cedeu ao Boca com medo que Libertadores acabasse no tapetão

Marcel Rizzo

24/11/2018 21h35

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) cedeu ao pedido do Boca Jrs. para não jogar neste sábado (24) a finalíssima da Libertadores, depois do time ter seu ônibus atacado por torcedores do River Plate, com receio de que o clube argentino acionasse os tribunais desportivos caso perdesse a decisão. O Boca teve jogadores machucados com o estilhaço de vidros quebrados e que ficaram atordoados com gás de pimenta lançado na confusão, quando chegavam ao Monumental de Nuñez. A partida foi adiada para este domingo (25).

O blog apurou que a cúpula da confederação avaliou que seria danoso para a imagem da competição, mais do que já está por todos os problemas ocorridos neste sábado, se a decisão terminasse no tapetão, termo que se usa no futebol quando algo não é definido no campo, mas na Justiça. Se derrotado, o Boca teria muitos argumentos para acionar os tribunais da Conmebol e até o CAS (Comitê Arbitral do Esporte) na Suíça. Como o campeão da Libertadores vai ao Mundial de Clubes, que começa daqui a pouco mais de duas semanas, temeu-se até que o Boca conseguisse algo que proibisse a participação do River no torneio enquanto uma decisão final não saísse, o que poderia demorar.

Na reunião, que teve a participação do presidente da Fifa, Gianni Infantino, além dos presidentes dos clubes (Rodolfo D'Onofrio, do River, e Daniel Angelici, do Boca), além do chefe da Conmebol, Alejandro Dominguez, ficou acertado que, com o adiamento, não haverá contestações de resultado da partida no tribunal. O que ocorrerá é julgamento do Monumental de Nuñez, que pode ser interditado após o ataque ao ônibus do Boca, e uma possibilidade de multa ao River Plate.

O Boca pediu também, e até a noite desse sábado ainda baia o pé, para que a partida de domingo ocorresse de portões fechados. Dominguez rejeitou, e falou isso em entrevista à Fox argentina, garantindo público no jogo. O River também, em suas redes sociais, publicou que os torcedores guardassem os bilhetes para usá-los no domingo. Mas o sentimento nos bastidores da Conmebol era conflituoso: alguns achavam que seria uma vergonha ter essa finalíssima, considerada a maior de todos os tempos, de portões fechados. Outros, porém, temem novas confusões neste domingo, principalmente se o River perder, o que poderia ser ainda pior.

E tudo isso ocorre em meio às negociações por novos patrocínios tocadas pela empresa Diez Media FC, criada por IMG e Perform, que ganharam concorrência para vender os direitos comerciais dos torneios de clubes da Conmebol. A partir de 2019 a Conmebol terá novos contratos, alguns já fechados (como com a empresa aérea Qatar Airways), além de novos acordos de direitos de transmissão (Facebook, por exemplo, transmitirá jogos às quintas). O medo da Conmebol é que os problemas da final em Buenos Aires possam afetar negociações em andamento.

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

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