Topo
Blog do Marcel Rizzo

Blog do Marcel Rizzo

Categorias

Histórico

Sub-20 ou Copa América? CBF não pode errar a estratégia com Vinícius Júnior

Marcel Rizzo

12/01/2019 04h00

Vinícius Júnior começa a se firmar no time principal do Real Madrid (Crédito: AP Photo/Paul White)

O plano da diretoria e comissões técnicas da seleção brasileira (principal e base) da CBF era ter Vinícius Júnior no Sul-Americano sub-20, que será disputado a partir de 17 de janeiro no Chile. Vale vaga no Mundial da categoria, entre maio e junho, na Polônia, e para o Pan de Lima, de julho a agosto, mas não mais para os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio — a Conmebol ressuscitou o Pré-Olímpico, que será em janeiro do ano que vem, com times sub-23,  na Colômbia.

O Real Madrid, como esperado, não o liberou para o Sul-Americano — a obrigatoriedade é para torneios que constam no calendário Fifa, o que não é o caso da competição da Conmebol. Houve, então, um acordo de que Vinícius seria liberado para jogar o Mundial, caso o Brasil se classifique, claro (os quatro melhores no Chile vão viajar para a Polônia). A questão para a CBF agora, porém, já é outra: em vez do Mundial de base, porque não usar o atacante que começa a se firmar como titular do Real na Copa América, entre junho e julho, no Brasil?

Aos 18 anos, Vinícius Júnior foi vendido pelo Flamengo ao Real Madrid por 45 milhões de euros (R$ 193 milhões) e se apresentou em julho de 2018, ao completar a maioridade. No início foi deixado na equipe B, fez algumas apresentações em amistosos no time principal, mas nesse início de 2019 começa a ganhar espaço entre os titulares, sendo chamado até de o novo "rei de Madri" por uma empolgada imprensa espanhola.

Natural que, na seleção, haja cautela com um atleta tão jovem. Seria normal que ele passasse pela base, disputando um Mundial sub-20, e ganhasse chance aos poucos. Seria o natural se Vinícius Júnior fosse um atleta "normal". Ele é acima da média, e começa a provar isso. E tem alguns fatores que podem ajudá-lo em Madri. Por exemplo: há espaço vago de idolatria e protagonismo no clube depois da saída de Cristiano Ronaldo. A carência por um ídolo pode alçar o brasileiro a esse patamar, algo que Neymar nunca teve no Barcelona — chegou para ser coadjuvante de Messi.

Tite foi mantido após fracassar na Copa do Mundo e a CBF acertou nesse movimento. Uma derrota, apesar de decisiva em uma Copa do Mundo (os 2 a 1 para a Bélgica, nas quartas de final do Mundial da Rússia), não apaga o bom trabalho feito. Havia também poucas opções viáveis para substitui-lo. Mas o técnico mostra nesse "segundo mandato" que achou tão bom o que fez no primeiro que as novidades são poucas.

Fechar o olho para um talento como o ex-flamenguista alegando idade pode ser um erro. Não levá-lo para uma Copa América, o ambientando ao estrelato que com certeza terá na seleção em breve, só atrasará a preparação para a Copa de 2022, no Qatar, que é natural que aconteça. Tite pode manter uma base que criou até agora, mas agregando talentos jovens. Já faz um pouco isso com Richarlison, 21, do Everton, que tem tudo para se tornar estrela em poderoso time em breve. Questão é que, três anos mais novo, Vinícius já aparece nesse patamar.

Pode ser que o Real Madrid ajude. O clube pode vetar sua presença no Mundial de base, que terá início de preparação bem no final da temporada europeia. Para a Copa América, torneio no calendário Fifa, não há como impedir a convocação. Se assistirmos Vinicius Júnior em 2019 com a camisa amarela na Polônia e não em São Paulo ou Salvador estaremos vendo um erro de estratégia da CBF.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

Mais Blog do Marcel Rizzo