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Como Rogério Ceni fez Gustavo voltar a ser Gustagol para o Corinthians

Marcel Rizzo

2030-01-20T19:04:00

30/01/2019 04h00

Era 12 de abril de 2018 e no dia seguinte o Fortaleza estrearia na Série B do Brasileiro contra o Guarani. No treinamento, Gustavo, centroavante especialista em usar a cabeça para fazer gols experimentou cobrar faltas. Já vinha aperfeiçoando chutes e trabalho com os pés fora da área, o chamado pivô, desde que chegara ao time, em janeiro, convidado por Rogério Ceni e emprestado pelo Corinthians.

Ao pedir ao técnico naquele dia para cobrar faltas próximas à área, recebeu dicas do ex-goleiro que fez dezenas de gols dessa maneira: como bater na bola, força empenhada e, principalmente, como se guiar pela barreira formada pelo goleiro adversário para acertar o melhor ângulo. Deu resultado.

Aos 49 minutos do segundo tempo daquela sexta, 13 de abril, o placar da Arena Castelão apontava 1 a 1, resultado ruim para estreia em casa. Foi quando Gustavo teve a chance de testar o que aprendeu com o professor. A falta foi cobrada com precisão, no canto esquerdo do goleiro Bruno Brigido.

Força e mira perfeitos, no primeiro gol de falta da carreira Gustagol, como ficou conhecido no Criciúma em 2015. Apelido que o fez sofrer em 2016 no Corinthians, já que foi mal e não honrou o "gol" acoplado a seu nome. De volta ao clube paulista, Gustavo virou titular de Fabio Carille, fez três gols em quatro jogos e todo mundo tenta entender a evolução do centroavante no um ano que esteve com Ceni no Ceará.

Gustavo comemora gol em amistoso contra o Santos após seu retorno (Crédito: Marcello Zambrana/Agif)

Gustavo foi o artilheiro do Brasil em 2018, com 30 gols em 45 jogos (Gabriel, hoje do Flamengo e ano passado no Santos, fez 27). Quem acompanhou o dia a dia do Fortaleza na temporada passada credita seu sucesso, que ao que parece pode se repetir em 2019, a dois fatores principalmente: recuperação da confiança e a obsessão de Rogério Ceni por algo que hoje está um pouco esquecido no futebol profissional, que é aperfeiçoar os fundamentos de seus atletas.

"O Gustavo é um exímio cabeceador, acima da média de atacantes com quem trabalhei. Quando sai da área, não tem a mesma facilidade de outros atacantes, mas dentro da área é um jogador perigoso. Trabalhamos para que a bola chegue nele", disse Rogério Ceni ainda no início do campeonato, em entrevista à ESPN. Bom de cabeça, Gustavo precisava melhorar em outros aspectos: chutar melhor, se posicionar fora da área para dar espaço a outros jogadores e também participar dessas jogadas, muitas vezes triangulações. Ceni insistia nisso a cada treino.

A titularidade rendeu gols e confiança. "Ele está feliz aqui", dizia Ceni a cada entrevista. O fracasso no Corinthians em 2016, onde fez apenas nove jogos, sem gol, o fez ser emprestado a Bahia e Goiás, também sem empolgar. Em Salvador foram seis jogos em 24 partidas, em Goiânia um golzinho em 12 jogos. Pouco para quem tem gol no apelido. "No Fortaleza estou tendo a chance de jogar", disse mais de uma vez Gustavo.

No fim de junho de 2018, um susto. Uma fratura no braço em jogo contra o Oeste, pela Série B, obrigou Gustavo a realizar uma cirurgia. Foram 49 dias sem jogar, até voltar a campo justamente contra… o Guarani, já pelo segundo turno. Ele entrou no segundo tempo em Campinas, dia 12 de agosto, e marcou um dos três gols na vitória, de virada, por 3 a 2. O Gustavo de 2016 talvez sentisse o tempo parado, ou incomodado por retornar no banco de reservas, mas nada disso aconteceu. Duas rodadas para frente ele já havia retomado o posto de titular (até porque ninguém ocupou o espaço no período em que ele esteve se recuperando).

O ano terminou e havia a expectativa de como seria recebido no Corinthians. O clube se reforçou para a posição, primeiro com o argentino Boselli, contratado do México, e há alguns dias com o retorno de Vágner Love, que estava na Turquia. Gustavo tem concorrência pesada, mas neste momento tem feito gols, o que fará com que dificilmente seja sacado da equipe. De qualquer maneira, ele levou para São Paulo na bagagem algumas das dicas que recebeu de Ceni.

Veja Gustagol marcando contra a Ponte Preta

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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