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Grêmio vai pedir à CBF que libere áudio de conversa entre árbitros no VAR

Marcel Rizzo

2020-02-20T19:04:00

20/02/2019 04h00

O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães consulta o VAR na final da Copa do Brasil 2018 (Crédito: Marcello Zambrana/Agif)

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr., vai pedir à CBF que os clubes tenham acesso à comunicação entre árbitro de campo e de vídeo caso o VAR (árbitro de vídeo, na sigla em inglês) seja aprovado para uso no Campeonato Brasileiro de 2019. Os clubes decidirão sobre o assunto nesta sexta-feira (22), em reunião na sede da confederação, e o custo pode mais uma vez inviabilizar a tecnologia, como em 2018.

"Continuo a favor do VAR, mas tem que ser auditado. Tem que ser disponibilizado áudio e vídeo de todos os lances avaliados. Se olhamos o tempo todo o que o árbitro de campo faz, por que não podemos saber com o de vídeo?, disse Bolzan. Ele pretende fazer o pedido na sexta, mas a CBF vai avisar que pelo protocolo da Fifa é impossível que áudio da conversa entre os profissionais da arbitragem seja liberado — mesmo se não for aprovado o uso do VAR no Brasileiro, a CBF o utiliza desde 2018 nas fases finais da Copa do Brasil.

"O protocolo não prevê está possibilidade. Exceto em casos em que possa haver dúvidas protocolares", explicou Sérgio Corrêa, responsável pelo VAR na comissão de arbitragem da CBF.

Segundo o protocolo, "pela integridade e transparência, e para fornecer um recurso de formação e desenvolvimento, a VOR [sala onde os responsáveis pelo VAR ficam] e o processo de consulta serão filmados (inclusive com som). Estas imagens não serão disponibilizadas salvo para a formação de árbitros/VARs ou se houver uma questão sobre a transparência/integridade de uma partida/consulta/revisão em particular". No caso, somente se houver desconfiança de que o protocolo não foi seguido corretamente (suspeita de fraude, por exemplo) é que o som e imagem do que ocorre na cabine podem ser disponibilizados, com pedido da Justiça desportiva.

O Palmeiras tentou obter a conversa entre profissionais de arbitragem da final do Campeonato Paulista de 2018, contra o Corinthians, mas não conseguiu. Não havia VAR, mas o clube alegava que houve interferência externa na decisão do árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza de voltar atrás em pênalti inicialmente marcado de Ralf em Dudu. O jogo terminou 1 a 0 para o Corinthians e, nos pênaltis, o Palmeiras perdeu a taça. O clube não conseguiu acesso aos áudios e perdeu em todas as instâncias a tentativa de anular a partida.

"Temos que ter transparência no que é decidido na cabine", disse Bolzan. Ele pretende votar a favor do uso do VAR no Brasileiro na reunião de sexta, seguindo o que fez em 2018. No ano passado, 12 dos 20 clubes disseram não à tecnologia por causa do alto custo (cerca de R$ 50 mil por partida) e porque a CBF não pagaria nada.

O Grêmio se irritou com o VAR na semifinal da Libertadores de 2018, quando foi eliminado em casa para o River Plate na derrota por 2 a 1. O pênalti que decretou a vitória argentina, no fim do jogo, foi por meio do VAR, anotando toque de mão do zagueiro Bressan — inicialmente o árbitro tinha dado escanteio. A principal reclamação foi que no gol de empate do River a bola tocou na mão de Borré e o VAR não foi acionado para corrigir o lance. Por isso o clube acha importante saber o que os profissionais conversam na cabine e como definem se um lance deve ou não ser avaliado para correção.

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

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Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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