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A bagunça que é inscrever jogadores na Conmebol facilita o 'tapetão'

Marcel Rizzo

2021-02-20T19:15:03

21/02/2019 15h03

Foto: Norberto Duarte/AFP

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) inclui em seus regulamentos que as inscrições em suas competições, ou mesmo escalações para partidas específicas, são de total responsabilidade dos clubes e das associações membros, no caso dos brasileiros a CBF. E dessa maneira lava as mãos para vários problemas que ocorreram nos últimos anos, o mais recente, e bizarro, nesta semana.

A própria Conmebol anunciou que 21 clubes, de quatro diferentes associações, tiveram problemas no registo de suas listas de inscritos na Libertadores e na Sul-Americana. Brasileiros, venezuelanos, chilenos e paraguaios, segundo a confederação, não apresentaram corretamente o documento, mas não explicou o que de fato ocorreu. Erro no formato? Fora do prazo? Por que quatro associações e tantos clubes errariam algo, digamos, básico? No caso do Brasil, todos os times que já precisaram inscrever atletas na Libertadores ou Sul-Americana tiveram o problema: São Paulo, Atlético-MG, Corinthians, Bahia, Chapecoense, Fluminense, Botafogo e Santos.

O erro foi, segundo informações, em um sistema de autenticidade dessas listas, que é enviado pelas associações membros à Conmebol. O clube participante não manda diretamente a Luque, no Paraguai, o nome dos atletas que jogarão a Libertadores, por exemplo. Os brasileiros enviam à CBF, que repassa à Conmebol. Há um prazo para isso, normalmente 72 horas antes do início de cada fase da competição, e quando a papelada sai da associação membro é necessária uma assinatura eletrônica que autentique o documento, para evitar fraudes. Essa foi a falha, a princípio.

Os clubes não têm nada a ver com a história, por isso o máximo que ocorrerá será multa para as associações, menos provável aos times. O blog apurou que a Conmebol decidiu divulgar o ocorrido e o nome dos envolvidos porque temia uma enxurrada de pedidos de impugnação de partidas se os casos vazassem a conta gotas. Dessa maneira, se antecipou ao problema, enviou ao Tribunal de Disciplina que decidirá pelo andamento das competições normalmente, o que faz com frequência.

Por que não facilitar?

A questão, porém, é mais complexa. Em 2018 pelos menos três casos de atletas com algum problema em inscrição ou condição de jogo foram escancarados. Um deles levou o Santos a ser eliminado da Libertadores, quando escalou de maneira irregular o volante Carlos Sánchez, que deveria cumprir suspensão, contra o Independiente, pelas oitavas de final da competição. Alguém alertou aos argentinos, que pediram os pontos no prazo de 24 horas que o regulamento exige, ganharam no tribunal e um confronto que terminou 0 a 0 em campo virou 3 a 0 no tapetão.

O Boca Juniors e o River Plate, finalistas da Libertadores em 2018, tiveram, digamos, mais sorte. Ambos escalaram atletas de maneira irregular, Ábila e Zuculini, respectivamente, mas ninguém soube antes do prazo de 24 horas. O Racing até tentou anular seu confronto contra o River, sem sucesso. O Santos alegou ter consultado um programa que a Conmebol mantém online e viu que Sánchez poderia jogar. A entidade explicou que o software serve como base para inscrição dos atletas, e não deve ser usado como consulta oficial de condição de jogo.

Vira o ano e, agora, 21 clubes apresentam problema em toda sua lista de inscritos. A Conmebol, em nota, diz que não tem responsabilidade alguma e joga a bomba para clubes e associações. Mesmo que a falha, nesse caso, tenha sido no sistema usado pelas federações, mesmo se o Santos não contou direito quantos cartões o Sánchez tinha, a Conmebol tem o dever de aprimorar e facilitar essas inscrições e acesso à condição de jogo de um atleta. Veja o que aconteceu com o Barcelona do Equador, que venceu o Defensor (URU) no campo, mas perdeu no tribunal por ter escalado um jogador irregular. Segundo a Conmebol, ele ainda estava vinculado ao futebol mexicano. Como?

Por que a Conmebol aceitou a inscrição de um atleta vinculado ainda à Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe)? Por que deixou que entrasse na lista de relacionados para o jogo, e de atleta que seria escalado? É preciso a criação de um sistema que identifique esses problemas na origem e que os clubes sejam alertados de problemas caso não estejam fazendo isso por má-fé, ou a Libertadores e a Sul-Americana vão se tornar torneios decididos principalmente no tapetão. O que para uma confederação que está querendo valorizar sua marca em meio a novos contratos de publicidade, não parece uma boa ideia.

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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