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Jogos de Palmeiras e Athletico sem transmissão podem encarecer VAR à CBF

Marcel Rizzo

2004-03-20T19:04:00

04/03/2019 04h00

VAR foi aprovado pelos 20 clubes da Série A para 2019 (Crédito: Marco Bertorello/AFP)

É possível que a CBF tenha que investir um pouco mais do que o previsto para que o VAR (árbitro de vídeo, na sigla em inglês) seja usado em todos os 380 jogos da Série A em 2019. Como Palmeiras e Athletico Paranaense ainda não fecharam com a Globo os direitos de transmissão em TV aberta e pay-per-view, 52 partidas do Brasileirão estão no "escuro", ou seja, sem previsão de passar ao vivo em qualquer plataforma. Isso pode obrigar a CBF a ter que bancar equipamentos e operadores se quiser ter o árbitro de vídeo funcionando nesses confrontos.

Pelo protocolo do VAR, as imagens usadas na cabine de controle e na beira do gramado para avaliar os lances são as mesmas das transmissões oficiais. Se um jogo, por exemplo, tem 11 câmeras das TVs operando, todas essas imagens devem ser disponibilizadas para a equipe de arbitragem. O problema é que se ocorrerem partidas na Série A sem transmissão ao vivo as emissoras não montarão as estruturas com várias câmeras e operadores, o que inviabilizaria o uso do VAR — são necessárias, no mínimo, oito câmeras para o árbitro de vídeo funcionar em uma partida de futebol. As TVs levariam apenas equipamentos básicos para registrar os melhores lances da partida, que poderiam passar em VT em programas esportivos, como padrão dos anos 1980 e 1990 antes da era do pay-per-view.

"Estamos nos preparando para ter o VAR nas 380 partidas da Série A", disse Sérgio Corrêa, responsável pelo VAR na CBF. A questão, porém, é que a situação ultrapassa o alcance da comissão de arbitragem da CBF. O blog apurou que a cúpula da confederação brasileira avalia que Palmeiras e Athletico fecharão com a Globo até 28 de abril, quando o campeonato começa, o que evitaria qualquer problema. Mas se não fechar?

Há duas opções: não ter o árbitro de vídeo nessas 52 partidas, o que o regulamento do campeonato vai permitir (haverá brecha para jogos sem o VAR porque pode, por exemplo, ocorrer problema técnico em algum confronto específico e este ficar sem o uso da tecnologia) ou a CBF contratar uma empresa que faça, digamos, uma transmissão offline da partida, somente para o VAR: seriam necessários câmeras e operadores para esses equipamentos. Lembrando que o custo hoje do árbitro de vídeo, na casa dos R$ 19 milhões, não prevê esses gastos. Pelo acordo entre CBF e clubes, a entidade arcará com R$ 12 milhões e as equipes com cerca de R$ 7 milhões para que o VAR seja usado pela primeira vez na elite do futebol brasileiro.

Jogos no escuro

Pelo entendimento da legislação brasileira, o direito de transmissão pertence aos dois clubes que entram em campo, portanto é preciso o aval de ambos para passar na TV ou internet. Como Palmeiras e Athletico fecharam com a Turner em TV fechada (transmissões no canal TNT, além de internet), jogos entre essas equipes e outras que assinaram com a Globo não passam na fechada e nenhum outro meio caso a dupla não se acerte com a emissora do Rio. No momento, por exemplo, clássicos como Palmeiras x Corinthians ou Palmeiras x São Paulo não teriam qualquer transmissão ao vivo no Brasileirão que começa logo mais.

Somente duas das 38 rodadas não terão jogo no escuro, no cenário de Palmeiras e Athletico sem contrato com a Globo. A oitava e a 27ª, justamente nas quais paulistas e paranaenses se enfrentam (com transmissão da Turner). Em 20 rodadas seria uma partida sem transmissão e em 16 duas, contabilizando os 52 confrontos offline.

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

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Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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