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Grito de 'bicha' em estádio agora pode fazer o jogo ser suspenso

Marcel Rizzo

26/07/2019 04h00

Tite orienta jogadores do Brasil na estreia da Copa América. CBF foi multada porque torcedores gritaram 'bicha' nesse jogo contra a Bolívia (Crédito: Lucas Lima/ UOL)

A direção da Fifa enviou nesta quinta-feira (25) comunicado para seus filiados informando que o protocolo contra atos discriminatórios, incluindo racismo e homofobia, deverá ser realizado em todas os jogos oficiais realizados pelo mundo, inclusive em campeonatos nacionais de clubes.

Na orientação, se o árbitro identificar qualquer atividade que considere discriminatória ele terá que seguir três passos, que a Fifa já implementa em seus torneios desde a Copa das Confederações da Rússia, em 2017, mas para os organizados pelas confederações ainda não havia a obrigatoriedade — está valendo desde 15 de julho. Em casos extremos o jogo pode ser até suspenso definitivamente, mesmo se já tiver sido iniciado.

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No Brasil, algumas torcidas ainda insistem em gritar "bicha" quando o goleiro adversário vai cobrar o tiro de meta. Na Copa América, a CBF foi punida em cerca de R$ 57 mil porque torcedores usaram o termo homofóbico na estreia da seleção brasileira, contra a Bolívia, no Morumbi.

A partir de agora, vai depender do árbitro de campo: se considerar o grito "bicha" excessivo, ou observar outro ato discriminatório, ele terá que realizar esses três procedimentos:

1) Paralisar o jogo, com os atletas dentro de campo, e solicitar para que os alto-falantes e telões do estádio peçam para que as manifestações parem. Se for um caso de gesto de alguns torcedores e não uma reação da maior parte do estádio, como pessoas imitando ou xingando atletas de macaco, o que já ocorreu no Brasil recentemente, ele pode seguir o mesmo procedimento se observar o fato ou se algum jogador ou profissional que estiver participando do confronto denunciar.

2) O segundo passo é interromper a partida por alguns minutos, com a possibilidade até dos atletas irem ao vestiário. Novamente o recado têm que ser dados por alto-falantes e telões pedindo que a manifestação discriminatória pare.

3) O último passo é a suspensão definitivo da partida, independentemente do tempo decorrido de jogo. Um anúncio deverá ser feito sobre o motivo e solicitado que todos os torcedores deixem o estádio.

Casos graves devem ser analisados pelos tribunais desportivos de cada país, segundo a Fifa. No Brasil o grito "bicha" tem passado longe de julgamentos, mas isso pode mudar depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu criminalizar a homofobia. O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) promete agora avaliar casos como esses. A Conmebol, que ignorava também, passou a punir com multa na Copa América, após orientação da Fifa, e isso pode se repetir em torneios de clubes, como a Libertadores e a Sul-Americana.

Um clube que for condenado por atos discriminatórios de seus torcedores pode ser apenas multado e ter número de espectadores limitado em jogos como mandante, mas há punições mais graves como jogar totalmente sem torcida, perder pontos e até ser rebaixado de divisão — situações que até mesmo especialistas admitem como muito improváveis de acontecer.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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