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Felipão fica. Mas por que é tão difícil ser técnico nesse rico Palmeiras?

Marcel Rizzo

05/08/2019 04h00

As cobranças (sem violência ou ameaças, claro) ao desempenho do Palmeiras precisam ser feitas, mas é preciso dividir responsabilidades. Desde 2015, ano em que o clube deu a guinada profissional após quase ser rebaixado em 2014, foram três títulos (dois Brasileiros e uma Copa do Brasil) e sete treinadores diferentes (Cuca em duas passagens). Corinthians e Santos tiveram os mesmos sete no período e o São Paulo, que não ganha um título desde a Sul-Americana de 2012, dez. Neste domingo (4), no 1 a 1 contra o Corinthians, o time completou quatro jogos sem vencer no Brasileiro, mas houve evolução e o segundo tempo foi bom.

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As taças vieram com três nomes diferentes: Marcelo Oliveira (Copa do Brasil em 2015), Cuca (Brasileiro-2016) e Felipão (Brasileiro-2018). Oliveira foi demitido em 2016, Cuca saiu porque quis ainda em 2016, e depois voltou em 2017, e Felipão mantém, pelo menos enquanto aguentar as ameaças de torcedores, seu trabalho. Não é um emprego estável, portanto. Por quê?

Não é devido a torcida ameaçar usar a violência, algo comum para todos os clubes nos últimos 35 anos, quando surgiram as organizadas que fazem festas lindas dentro do estádio, mas fora dele tem um DNA de violência que muitas vezes as aproxima de facções criminosas. Ser treinador do Palmeiras não é estável justamente porque o clube tem dinheiro, contrata, contrata, contrata e não entrega um futebol convincente 100% do tempo. Mas mau desempenho é culpa somente dos treinadores?

Já passaram pelo clube os da safra nova, como Eduardo Baptista e Roger Machado, técnicos estrategistas, veteranos, paizão, como Felipão. Em dado momento a queda de produção se transforma em pressão externa, mas também interna. Sobra para o técnico. Mas e o elenco? E a direção?

Alguns jogadores, pós-Copa América, caíram de produção. Felipão identificou, e mexeu. Deyverson (que enfrentou o Corinthians com Borja machucado) e Zé Rafael foram dois deles. Gustavo Gómez outro, mas é acima da média e tem crédito. Dudu? Não vem jogando bem, mas é diferenciado, melhor do Brasileiro de 2018, como deixá-lo fora de campo? É preciso cobrança.

A diretoria recheia o elenco, mas há de se questionar: o time não tem um camisa 10. Lucas Lima nunca voltou a ser aquele Lucas Lima do Santos, Moisés, enquanto esteve no time sofria com problemas físicos, e Raphael Veiga e Gustavo Scarpa, bons jogadores, não embalaram.

Borja e Deyverson não estavam em boa fase mesmo quando o time (graças à defesa principalmente) estava em boa fase. Um centroavante poderia ter chegado antes — agora foram duas contratações de uma vez, Henrique Dourado e Luiz Adriano. Há também de se cobrar a direção.

E que a cobrança seja sem violência. O que fizeram com Felipão no sábado (3) se enquadra em crime, artigo 147 do código penal e dá cadeia.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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