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Homofobia e censura: as preocupações da Fifa com a Copa do Mundo do Qatar

Marcel Rizzo

04/10/2019 04h00

O Conselho de Direitos Humanos da Fifa recomendou que a entidade pressione as autoridades do Qatar para que sejam dadas garantias de que a comunidade LGBT não sofrerá ameaças durante a realização da Copa do Mundo de 2022. No mesmo documento é solicitado que medidas contra a censura também estejam no radar da Fifa para evitar problemas antes e durante o torneio em solo qatariano.

O terceiro relatório produzido pelo conselho foi finalizado em maio, mas enviado aos membros filiados à Fifa somente agora. O órgão independente criado no início de 2017 tem como função orientar a entidade em casos relacionados aos direitos humanos. A prioridade no momento do grupo, formado por oito pessoas, é a Copa do Mundo de 2022, desde as condições de trabalho dos operários, até problemas que torcedores e jornalistas possam ter durante o Mundial no Qatar.

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O relatório menciona levantamento publicado em fevereiro pela ILGA, a Associação Internacional de Gays e Lésbicas, que anualmente mostra como é a lei em cada país com relação à orientação sexual das pessoas. O Qatar, segundo o documento, é um dos 70 países do mundo que criminaliza o relacionamento consensual de pessoas do mesmo sexo. Para o conselho, a Fifa tem um problema grande para tratar até novembro de 2022, quando será realizada a Copa do Mundo: como serão tratados os visitantes com orientação sexual criminalizada no país, mas também qatarianos ou residentes do país?

"A Fifa tem que analisar de forma mais abrangente os riscos reais para os indivíduos devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero em conexão à organização do torneio. Isso deve ir além dos fãs internacionais e também considerar membros da comunidade local que podem enfrentar ameaças ainda maiores", diz o relatório.

O grupo deve se aprofundar sobre o tema nas próximas reuniões, mas a recomendação é que a Fifa tenha garantia de que ninguém será preso, por exemplo, por ser gay ou lésbica, inclusive qatarianos ou residentes do país. "É preciso que a Fifa crie engajamento com grupos LGBT para que se aumente a confiança das pessoas a participarem da Copa", completa o texto.

A censura à imprensa também é vista com apreensão. O relatório citou que reportagens que tratavam do tema LGBT foram indisponibilizadas no país. O termo autocensura foi usado, já que um especial do jornal norte-americano The New York Times, que tratava dos direitos LGBT, acabou removido de vários veículos de comunicação do Qatar ao mesmo tempo em 2018.

"A FIFA deve continuar a se envolver com o governo e incentivar publicamente a finalização e implementação de uma nova lei proposta para eliminar a censura formal no Qatar e procurar garantir a liberdade de imprensa e o respeito pelos direitos dos jornalistas em conexão com a FIFA Copa do Mundo 2022″, diz o relatório.

A organização da competição não se pronunciou a respeito do documento.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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