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Delegado diz não ter ouvido injúria racial e Santos não deve ser denunciado

Marcel Rizzo

31/10/2019 12h10

Em depoimento o delegado da partida Santos x Ceará, disputada no dia 17 de outubro na Vila Belmiro, disse que não ouviu injúrias raciais por parte dos torcedores santistas contra jogadores do time cearense. Isso deve fazer com que a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) arquive o caso, mas uma decisão ainda não está tomada. O meia Thiago Galhardo, que denunciou ter ouvido injúrias racial e xenófoba, deve ser ouvido pelos procuradores.

Alessio Gamberini Junior, delegado do jogo, respondeu por ofício as perguntas e, segundo o procurador-geral Felipe Bevilacqua, disse não ter presenciado as injúrias. Ele foi ouvido porque a procuradoria recebeu a informação de que Gamberini poderia ser uma testemunha do ocorrido, o que ele negou. Procurado pelo blog, Gamberini não quis comentar o teor de seu depoimento.

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Ainda não houve o arquivamento do caso porque a procuradoria pode ouvir Thiago Galhardo. O meia disse, na saída do gramado, que Fabinho ouviu xingamentos racistas e houve também ofensas xenófobas da arquibancada. Fabinho se pronunciou dias depois, por meio de rede social, confirmando e lamentado o ocorrido. O blog apurou que apenas com a acusação de Galhardo dificilmente o caso irá a julgamento pelo STJD.

O Santos pode ser denunciado com base no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que prevê punições por preconceito "em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência" a jogadores e técnicos, mas também ao clube caso essas ofensas ocorram por parte dos torcedores.

Se denunciado e depois condenado, o Santos não deve perder pontos ou mando de campo, apesar de o artigo 243-G prever isso e a Fifa ter em seu Código de Disciplina essas possibilidades (em casos extremos há até eliminação do campeonato e rebaixamento) — como não é reincidente, o clube pode ser multado em valor que chega até a R$ 100 mil. Caso o torcedor que tenha xingado seja identificado ele pode ser proibido de ir a estádios de futebol por no mínimo 720 dias. Em maio, o Grêmio foi multado em R$ 30 mil depois que torcedores insultaram o jogador Yony González, do Fluminense.

O árbitro Rafael Traci (SC) não colocou na súmula do jogo, que terminou 2 a 1 para o Santos, as ofensas. Isso dificultou num primeiro momento o trabalho da procuradoria, que solicitou portanto mais um testemunho, o de Gamberini. O Santos, num primeiro momento, soltou uma nota oficial lamentando o fato e prometendo investigar quem poderia ser a pessoa que realizou as injúrias:

"Qualquer ato de preconceito e xenofobia é absolutamente repugnante e inaceitável. Diante dos relatos passados por alguns veículos de comunicação, o Clube está investigando e irá tomar as providências cabíveis frente a quaisquer casos dessa natureza. O repúdio absoluto a atos de discriminação faz parte da identidade do Santos Futebol Clube", escreveu o clube.

Depois foi além e usou as redes sociais em uma campanha agressiva contra o preconceito nos estádios, dizendo que não quer pessoas assim na Vila Belmiro, como sócio-rei e até mesmo como torcedor da equipe.

A Fifa orienta, desde o meio de 2019, que árbitros parem o jogo caso identifiquem cantos racistas, xenófobos ou homofóbicos de torcedores em partidas de futebol. Há três passos a se seguir: interromper o jogo e avisar pelos alto-falantes e telão que parem as ofensas, suspender a partida por 30 minutos e seguir pedindo para que cessem os xingamentos e, por último, a suspensão definitiva do confronto.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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