Blog do Marcel Rizzo http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar Sat, 23 Mar 2019 19:35:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Seis jogos por dia: Copa do Mundo de 2022 inchada terá maratona no Qatar http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/23/seis-jogos-por-dia-copa-do-mundo-de-2022-inchada-tera-maratona-no-qatar/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/23/seis-jogos-por-dia-copa-do-mundo-de-2022-inchada-tera-maratona-no-qatar/#respond Sat, 23 Mar 2019 04:57:33 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9230

Estádio que está sendo construído pelo Qatar para abertura e final da próxima Copa (Crédito: Divulgação)

Se prepare para a maratona: o projeto da Fifa para o aumento de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48 já na próxima edição, a de 2022 no Qatar, reserva oito datas com seis jogos por dia. Foi a única maneira encontrada de acomodar o Mundial nos 28 dias previstos, de 21 de novembro a 18 de dezembro — fora do período tradicional de junho e julho por causa do calor qatariano.

No formato atual, com 32 seleções disputando a Copa em 32 dias, há quatro dias com quatro partidas, mas somente nas últimas rodadas de cada um dos oito grupos, quando os confrontos começam no mesmo horário para evitar marmeladas — algo que a Fifa terá que quebrar a cabeça para evitar no modelo com 16 grupos de três times cada. Ou seja, atualmente são dois horários reservados em cada um desses quatro dias com quatro jogos, e os demais com três confrontos diários na primeira etapa e dois nas demais fases.

No relatório que foi aprovado por seu Conselho, dia 15 de março, que dá o aval para a mudança em 2022 a Fifa admite que um dos problemas com o inchaço já ocorrendo em 2022 (estava previsto para começar em 2026, nos EUA, México e Canadá) é a diferença nos dias de descanso que cada uma das equipes terá. Há times que podem chegar à segunda fase com seis dias parado para enfrentar outro que atuou três dias antes.

A Copa inchada em 2022 ainda não está aprovada. Será o Congresso, quando as 211 nações filiadas votam, quem decidirá isso, dia 5 de junho, em Paris. Há também a necessidade de o Qatar concordar, já que tem um contrato de exclusividade assinado para ser o país ser sede, algo que não será possível se o Mundial aumentar o número de concorrentes. O Qatar está construindo oito estádios para a Copa com 32 seleções, e a Fifa diz que é preciso de dois a quatro outras arenas para acomodar os 48 concorrentes. Por isso será preciso dividir o torneio com nações vizinhas.

Dia sim, dia sim

No calendário que está no relatório apresentado aos membros do Conselho a Fifa faz projeções com 12 estádios, considerado o ideal, e com dez, avaliado como satisfatório — em 2026, por exemplo, serão 16 arenas para os 80 jogos, que são 16 a mais do que os 64 do formato de Copa do Mundo atual. Nas duas projeções, a primeira fase da Copa-2022 seria disputada em apenas nove dias, cinco a menos do que os 14 do modelo atual com 32 equipes.

Em seis desses nove dias seriam disputadas seis partidas por dia. A Fifa não explicou como dividiria os horários, mas é improvável que não haja jogos simultâneos, o que não ocorre hoje com exceção da já citada última rodada de cada grupo. Na segunda fase, a 16 avos (uma antes das oitavas de final), também ocorrerá mais dois dias com seis jogos cada.

Em uma das propostas enviadas as quartas de final ocorrem com dois jogos em cada dia, como é hoje. Em outra, os quatro confrontos acontecem no mesmo dia, o que daria o mesmo tempo de descanso aos semifinalistas. Em outra projeção, a segunda fase (32 avos) é finalizada em dois dias, com quatro partidas diárias, e em outra é espaçada em três dias, com dois dias com duas partidas e o terceiro com quatro.

Não há diferença de disposição de confrontos nos modelos com 12 ou dez estádios. O que muda, e isso também preocupa a Fifa, é que com dez alguns equipamentos terão jogos em dias consecutivos, o que também não ocorre hoje. Dois campos, chamados no relatório de “9” e “10”, receberão oito partidas em 12 dias, seis da fase de grupos e dois da segunda fase (32 avos), sempre em dobradinhas: um dia sim, outro também, com um de descanso no meio. Na Rússia-2018 havia ao menos dois dias de “descanso” para cada estádio. No relatório é escrito que os gramados híbridos (natural com sintético) farão com que não haja desgaste que danifique o campo e atrapalhe as partidas.

A Fifa identificou cinco países vizinhos que podem receber as partidas extras de uma Copa inchada em 2022: Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Omã e Kuwait. O problema é que os três primeiros mantém um embargo contra o Qatar, desde 2017 — desconfiam que governo qatariano apoie grupos terroristas na região. Por isso, hoje, Omã e Kuwait seriam favoritos a co-anfitriões, dependendo, claro, da proposta que farão por estádios.

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Burocracia deve impedir Jorge Sampaoli de devolver salário ao Santos http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/22/burocracia-deve-impedir-jorge-sampaoli-de-devolver-salario-ao-santos/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/22/burocracia-deve-impedir-jorge-sampaoli-de-devolver-salario-ao-santos/#respond Fri, 22 Mar 2019 10:00:02 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9221

Sampaoli orienta jogadores antes de mais um jogo do Campeonato Paulista (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

A disposição do técnico Jorge Sampaoli em devolver seu salário enquanto parte do elenco não recebe em dia é considerada internamente no Santos algo improvável de acontecer. A burocracia para isso, segundo o blog apurou, principalmente com questões referentes a impostos já pagos torna o procedimento complicado. Mesmo se recusar a receber é uma manobra difícil por fluxo de caixa e questões tributárias. Por enquanto não houve movimento oficial do treinador com relação a isso, até porque a diretoria promete acertar a dívida nas próximas horas. 

O Santos deve um mês de salário e dois de direito de imagem a alguns jogadores. O fato incomodou Sampaoli, que publicamente avisou não achar justo ele e sua comissão técnica receberem antes do acerto com esses atletas. O salário de Sampaoli é de US$ 166 mil (R$ 643 mil) mensais e como o blog mostrou em janeiro não há multa rescisória em seu contrato. Desde que assumiu, já fez algumas reclamações públicas contra a diretoria, como por falta de reforços e, agora, pelo não pagamento do salário de parte do elenco.

A diretoria santista justifica internamente que o fluxo de caixa foi prejudicado no início do ano por dois motivos principalmente: primeiro a não entrada do esperado dinheiro da venda internacional dos direitos comerciais do Campeonato Brasileiro — a CBF havia fechado com uma empresa, a BR Foot, mas desfez o acordo por falta de pagamento. O caso deve parar na Justiça. O segundo é a decisão de não antecipar as receitas das vendas de Rodrygo e de Bruno Henrique, que foram feitas parceladamente.

O clube tem a receber do Real Madrid um valor em julho por Rodrygo e ainda duas parcelas da negociação de Bruno Henrique ao Flamengo. A ideia no começo do ano era fazer uma antecipação de recebíveis com instituições financeiras relação a esses dois valores, mas o presidente José Carlos Peres acabou desistindo.

O atraso no pagamento repercutiu mal não só internamente, mas também fora do clube. Havia, por exemplo, o contato de Sampaoli com o estafe de Alexandre Pato, no mercado depois de rescindir na China. A informação de que o clube atrasou salários, porém, fez com que os contatos esfriassem por parte dos procuradores do atleta. Isso também desagradou a Sampaoli, o que explica a reação de expor o problema publicamente.

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Copa América repete patrocinadores da CBF e aposta em Messi por parceiros http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/21/copa-america-repete-patrocinadores-da-cbf-e-aposta-em-messi-por-parceiros/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/21/copa-america-repete-patrocinadores-da-cbf-e-aposta-em-messi-por-parceiros/#respond Thu, 21 Mar 2019 04:00:07 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9208

Messi em ação contra a Nigéria, pela Copa-2018 (Crédito: Petr David Josek/AP Photo)

O sim de Lionel Messi ao retorno para a seleção argentina que se estende a participar da Copa América (desde que não se machuque, claro), entre junho e julho no Brasil, faz com que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) avalie que novos patrocinadores devem fechar contrato para a competição nas próximas semanas. Por enquanto, a menos de três meses para o início, somente três empresas foram anunciadas, todas elas parceiras também da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

A venda das cotas de patrocínio é da alçada da Conmebol, não do Comitê Organizador da competição, que tem a CBF como principal administradora. A confederação sul-americana fechou acordo, em setembro de 2018, com a japonesa Dentsu, que ficou responsável  de vender os direitos comerciais da Copa América-2019. Por enquanto assinaram contrato a Ambev, que anunciará a cerveja Brahma, a Mastercard, de cartões de crédito e parceira tradicional de torneios de seleções nas Américas, e a TCL, empresa chinesa da eletrônicos. O blog apurou que a organização trabalha com até dez cotas, mesmo número vendido para a Copa América de 2015, no Chile.

No início de janeiro, a CBF anunciou a Semp TCL como patrocinadora das seleções masculina e feminina. A empresa foi formada da união da Semp Toshiba com a TCL e vende eletrodomésticos no Brasil. Quase dois meses após desse acordo ser fechado, a TCL assinou também com a Copa América, seguindo passo de outros dois parceiros, esses mais antigos, da CBF. A Ambev, que associa a marca do Guaraná Antarctica com a seleção, é parceira da confederação brasileira desde 2001, e a Mastercard desde 2012. A coincidência de patrocínios é tratada internamente nas entidades como natural porque as empresas querem ao máximo associar suas marcas a torneios que seleções com as quais tenham acordo participem.

A presença de Messi, porém, pode fazer com que o leque de opções se abra para além de patrocinadores naturais de seleções. A dúvida se o argentino participaria foi um entrave, segundo apurou a reportagem, para que patrocinadores fechassem pelos valores que a Conmebol trabalha (não divulgados). O jogador voltou a fazer parte da seleção argentina para os amistosos contra Venezuela e Marrocos, na próxima sexta (22) e dia 26 de março, respectivamente. Ele não vestia a camisa da Argentina desde a eliminação para a França, nas oitavas da Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Outro fator que tem sido explorado pela agência que tenta vender comercialmente a Copa América são as duas seleções convidadas, Japão e Qatar, que fizeram a final da Copa Asiática, em janeiro — o Qatar, que será sede do Mundial de 2022, venceu por 3 a 1 e pela primeira vez conquistou o título asiático, equivalente à Copa América. Normalmente esses convidados não valorizam o torneio, mas nesse caso tem sido usado como chamariz justamente por serem considerados os melhores do continente.

Além do fator Messi, outra situação que atrasou a venda de patrocínio para a Copa América-2019 foi a troca, em setembro de 2018, da empresa que está vendendo essas cotas. Saiu a MP&Silva, com sede em Londres, que teve o contrato rescindido após ter problemas financeiros que afetou a operação da companhia em todo o mundo, e entrou a Dentsu. São seis meses de trabalho, portanto, e não apenas para a venda de cotas de patrocínio, mas também para a operação de hospitalidade, licenciamento e televisionamento.

Para 2015, no Chile, a Conmebol ainda tinha contrato de direitos comerciais com empresas que acabaram, depois, envolvidas no chamado Fifagate, quando se conheceu que essas companhias pagavam propinas a cartolas para fechar os acordos. A WE Match, joint venture formada por Traffic, TyC e Full Play vendeu dez cotas para empresas dos ramos de cartão de crédito, banco, telefonia, automóveis, bebidas, entre outras.

A novidade, na ocasião, e que se esperava conseguir novamente agora foram os patrocinadores regionais. A K8, de apostas online com sede na China, fechou como parceiro exclusivo para a Ásia. Sua marca só aparecia nos produtos e sites do mercado asiático. A receita total com patrocínios foi de US$ 80 milhões (R$ 300 milhões).

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Copa-2022 pode ter pênaltis para evitar ‘marmelada’ em fase de grupos cheia http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/19/copa-2022-pode-ter-penaltis-para-evitar-marmelada-em-fase-de-grupos-cheia/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/19/copa-2022-pode-ter-penaltis-para-evitar-marmelada-em-fase-de-grupos-cheia/#respond Tue, 19 Mar 2019 04:00:58 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9189

Rússia venceu Espanha nos pênaltis nas oitavas da Copa-2018. Desempate por cobranças penais podem valer já para a primeira fase em 2022 (Crédito: EFE)

A possível antecipação do inchaço de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48 já na próxima edição, a de 2022 no Qatar, fará com que a Fifa tenha que quebrar a cabeça para um detalhe no regulamento com o qual só se preocuparia daqui alguns anos, na Copa-2026 nos EUA, México e Canadá, que já tem 48 seleções confirmadas: uma maneira de evitar ‘marmelada’ no cenário de grupos com três equipes cada.

Na sexta-feira (15), em Miami, o Conselho da Fifa aprovou o relatório que dá o aval ao aumento do número de participantes no Qatar, que teria que dividir alguns jogos com países vizinhos (Omã e Kuwait são opções). O Congresso da entidade, no dia 5 de junho, em Paris, define de uma vez se haverá a mudança, claro, com a necessidade do sim dos qatarianos.

No documento, há a explícita preocupação com os problemas que um regulamento com 16 grupos de três seleções, com as duas melhores passando para a segunda fase, pode apresentar: times fazendo jogos de “compadre”, aquele empate perfeito na última rodada para ambos se classificarem. Discretamente o texto aponta o que seria uma das soluções: não haver empate também na primeira fase, todo jogo em igualdade decidindo nos pênaltis quem fica com os três pontos.

Brasil e Dinamarca, nesse exemplo, poderiam simplesmente empatar e ambos estariam classificados e satisfeitos na segunda fase. É a possibilidade de um jogo em que um resultado interesse aos dois times o que a Fifa terá que quebrar a cabeça para impedir. No relatório apresentado a federação diz que, por motivos óbvios (grupo com número ímpar de seleções), é impossível ter uma rodada final com todos os times da chave em campo, no mesmo dia e horário, como ocorreu nas Copas do Mundo recentes com 32 times.

Isso é feito, na verdade, desde 1986 (no México), ainda com 24 participantes, depois que em 1982 (na Espanha) Alemanha e Áustria conseguiram exatamente o resultado necessário, 1 a 0 para os alemães, para classificar ambos e eliminar a Argélia — até hoje é conhecido como o “jogo da vergonha” pela nítida má vontade dos times dentro de campo. Os argelinos haviam encarado os chilenos um dias antes. A partir de então a Fifa sempre marcou simultaneamente as partidas de terceira rodada dos grupos.

No texto entregue aos membros do seu Conselho sobre o aumento do número de participantes da Copa já em 2022, a Fifa coloca que já busca soluções contra qualquer problema que o regulamento apresente na fase de grupos (ela evita falar em jogos arranjados) e cita a possibilidade de todo confronto que terminar empatado nos 90 minutos ter uma disputa por pênaltis para ver quem de fato fica com os três pontos. Isso ajudaria a evitar arranjo na rodada final.

Repetindo o fictício grupo do Brasil com a regra dos penais: a seleção vence por 1 a 0 os EUA na primeira partida, e na segunda americanos e dinamarqueses ficam no 0 a 0, o que leva para os pênaltis. Qualquer um que vença faz o jogo Brasil x Dinamarca, na última rodada, ter importância. Se der EUA nas cobranças penais, a Dinamarca precisa vencer  o Brasil para avançar, e os brasileiros também para evitar um empate triplo na chave (aí a Fifa teria que se virar para decidir os classificados num empate entre os três). Se os europeus baterem os americanos nas penalidades, definem contra o Brasil a primeira posição da chave, evitando também que haja corpo mole no confronto final.

O tema é complexo e mesmo com a decisão de pênaltis pode gerar confusão com empates triplos na chave e questões relacionadas a saldo de gols. A Fifa só teria que se preocupar com isso em 2023, ou até mais próximo do torneio em 2026. Agora, se em junho o Congresso aumentar os participantes já para 2022, essa definição será para os próximos meses.

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Fifa lucra R$ 150 mi com últimos quatro Mundiais de Clubes. Mas acha pouco http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/18/fifa-lucra-r-150-mi-com-ultimos-quatro-mundiais-de-clubes-mas-acha-pouco/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/18/fifa-lucra-r-150-mi-com-ultimos-quatro-mundiais-de-clubes-mas-acha-pouco/#respond Mon, 18 Mar 2019 04:00:01 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9176

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, conseguiu um novo Mundial de Clubes (Crédito: Cyril Zingaro/EFE)

A Fifa lucrou US$ 39,3 milhões (R$ 150 milhões) somando os últimos quatro Mundiais de Clubes, informou relatório entregue aos 36 membros do Conselho da entidade na sexta-feira (15). O valor pode parecer satisfatório, mas é muito menor do que a federação planeja faturar em cada edição do torneio quadrienal turbinado com 24 times que foi aprovado por seu Conselho para começar em 2021. Havia uma proposta de US$ 25 bilhões (R$ 95 bilhões) de companhias internacionais para gerenciar esse novo Mundial e uma Liga das Nações de seleções, entre as Copas do Mundo. A oferta, entretanto, não fez parte da aprovação, com receio de que as empresas tivessem gerência sobre a competição, mas é com base nesse número que a Fifa vai trabalhar para ir atrás de patrocinadores.

A dificuldade para conseguir dinheiro no formato atual foi um dos principais argumentos da cúpula da Fifa para convencer seus membros a aprovar um novo regulamento — a Europa votou contra. Hoje, sete clubes se enfrentam em dezembro, os campeões de cada continente, mais um representante do país-sede. Argumenta-se que há dois problemas para encontrar patrocinadores: primeiro a quantidade reduzida de times interessantes, principalmente os europeus. No formato renovado seriam oito da Europa, ao menos. O segundo é o calendário, que coincide com a disputa de torneios nacionais em solo europeu e divide atenções. Jogado em junho e julho, durante as férias desses campeonatos, os olhos estariam apenas no Mundial.

Entre 2015 e 2018, a Fifa faturou US$ 123,370 milhões (R$ 471 milhões) com os Mundiais de Clubes que organizou — em 2015 e 2016 no Japão e 2017 e 2018 nos Emirados Árabes. Estão incluídos na receita direitos de transmissão, venda de ingressos e de setores de hospitalidade, mas principalmente se deve a um acordo de patrocínio para o torneio assinado com o grupo chinês Alibaba, de compra e venda de produtos online. É esse contrato, inclusive, que obriga a Fifa a realizar mais duas edições do Mundial no formato atual, em 2019 e 2020, apesar de financeiramente não ser tão vantajoso — ainda não há sede definida, Marrocos mostrou interesse mas a Fifa espera pela China.

No mesmo período, a Fifa gastou 84,066 (R$ 321 milhões) milhões para organizar o Mundial, principalmente em investimento de premiação aos clubes e de contratação de empresas terceirizadas. A conta, portanto, fechou com lucro de US$ 39,3 milhões, considerado satisfatório no relatório da Fifa, mas sempre com a ponderação de que fica muito abaixo do potencial da competição.

Na proposta da Fifa aprovada o torneio ocorrerá a cada quatro anos, sempre nos ímpares antes das Copas do Mundo, na vaga da finada Copa das Confederações, outra competição, de seleções, que dava pouco dinheiro à Fifa. Serão 24 times, oito da Europa, seis da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e os dez restantes divididos entre Ásia, África, Américas do Norte e Central e Oceania. Cada equipe jogaria ao menos duas vezes, já que seriam oito grupos de três cada, com quartas, semifinais e a final disputadas em eliminatórias.

Receitas da Fifa com o Mundial de Clubes (em milhões de US$)

2015 (Japão): 20,45

2016 (Japão): 29,011

2017 (Emirados Árabes): 37,079

2018 (Emirados Árabes): 36,830

Despesas da Fifa com o Mundial de Clubes (em milhões de US$)

2015 (Japão): 20,869

2016 (Japão): 20,714

2017 (Emirados Árabes): 20,101

2018 (Emirados Árabes): 22,382

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Ranking da Libertadores é mais justo do que Sul-Americana para ir a Mundial

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Ranking da Libertadores é mais justo do que Sul-Americana para ir a Mundial http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/16/ranking-da-libertadores-e-mais-justo-do-que-sul-americana-para-ir-a-mundial/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/16/ranking-da-libertadores-e-mais-justo-do-que-sul-americana-para-ir-a-mundial/#respond Sat, 16 Mar 2019 04:00:08 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9169

Troféu do atual Mundial de Clubes da Fifa (Crédito: Divulgação)

Quatro das seis vagas que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) terá no Mundial de Clubes quadrienal turbinado com 24 times, que o Conselho da Fifa aprovou a partir de 2021, devem ser dos campeões da Libertadores. No caso da primeira edição entrariam os vencedores de 2017 (Grêmio), 2018 (River Plate), 2019 e 2020 — como o Mundial aparecerá no calendário em junho e julho, a Libertadores-2021 estará em andamento e esse campeão só jogará o de 2025 se o que foi aprovado pela Fifa nesta sexta (15) se mantiver — lembrando que os europeus ainda são contra.

A Conmebol precisa decidir qual o critério para apontar seus dois outros participantes, o que deve ocorrer em reunião na próxima semana. Dentro da entidade há quem defenda que os campeões da Sul-Americana sejam os indicados, mas há outros que preferem que o ranking da Libertadores seja usado. Apesar de parecer mais subjetivo, o ranking pode ser mais justo do que dar a vaga aos campeões do segundo torneio de clubes do continente.

A Copa Sul-Americana é disputada por times que obtiveram posições intermediárias nos torneios nacionais. Pegue o Brasil como exemplo: o 14º colocado da Série A em 2018 se garantiu na Sul-Americana-2019. A Chapecoense somou 44 pontos na tabela, apenas dois a mais do que o Sport, o 17º e primeiro na lista de quatro rebaixados. A Chape já está fora da competição, eliminada logo na primeira fase pelo Unión La Calera, do Chile, mas mesmo após uma campanha péssima no Nacional pode ter ganho o direito de disputar vaga no milionário Mundial, mesmo que não soubesse.

Há também outra questão com relação a dar a vaga via Sul-Americana: a decisão vai ocorrer com o torneio já em andamento, com alguns times já eliminados. O Santos caiu para o River Plate do Uruguai na primeira fase sem saber da possibilidade de o título levar para o Mundial (ainda sem sede definida). O investimento do clube teria sido outro na competição?

O ranking da Libertadores é usado, basicamente, para definir cabeças-de-chave e posicionamento na distribuição de confrontos e divisão de grupos da competição. Tem um cálculo bem confuso, como costumam ser esses rankings que confederações elaboram, que engloba performance nos últimos dez anos na competição, um coeficiente histórico dos anteriores e campanha no torneio nacional. Mas pode ser considerado mais justo do que dar a posição ao campeão da Sul-Americana por dois motivos, ao menos: leva em consideração, por exemplo, se o time foi bem ou mal na elite do último campeonato local e dá pontos a colocações recentes na própria Libertadores.

O ranking publicado em dezembro de 2018, que desenhou os grupos da Libertadores em 2019, tem o River Plate na ponta e o Grêmio, em terceiro. Levando em conta que esses dois times já estão no Mundial 2021 pelos títulos das Libertadores recentes, e ainda aguardando os campeões de 2019 e 2020, os outros dois mais bem colocados seriam o Boca Juniors (2º) e o Atlético Nacional da Colômbia (4º). Entre os dez primeiros, há quatro outros brasileiros: Palmeiras (7º), Santos (8º), Cruzeiro (9º) e Atlético-MG (10º). Destes, somente o Santos não está na edição 2019.

Imagine o Palmeiras não ganhando a Libertadores em 2019 ou 2020, mas chegando duas vezes na final e ganhando mais um Brasileiro no intervalo. Provavelmente teria pontuação para ser indicado ao Mundial no ranking de dezembro de 2020. Seria mais justo do que classificar o campeão da Sul-Americana de 2019? A Conmebol vai responder.

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Globo sem Palmeiras e Athletico deixa 16 rodadas com dois jogos ‘no escuro’ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/15/globo-sem-palmeiras-e-athletico-deixa-16-rodadas-com-dois-jogos-no-escuro/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/15/globo-sem-palmeiras-e-athletico-deixa-16-rodadas-com-dois-jogos-no-escuro/#respond Fri, 15 Mar 2019 04:00:47 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9141

Palmeiras e Athletico em campo pelo Campeonato Brasileiro de 2018 (Crédito: Daniel Vorley/AGIF)

Dezesseis das 38 rodadas do Brasileiro-2019 terão dois jogos cada sem qualquer transmissão ao vivo, caso Palmeiras e Athletico Paranaense não fechem contrato com o Grupo Globo para TV aberta e pay-per-view. Outras 20 terão uma partida “no escuro”, ou seja, para ver ao vivo somente no estádio. Somente duas rodadas, justamente aquelas em que os paulistas e os paranaenses se enfrentarão, teriam todos os confrontos direto na TV se o cenário atual se mantiver.

Dos 20 clubes da Série A, Palmeiras e Athletico foram os únicos que ainda não acertaram com a Globo para TV aberta e pay-per-view. Com isso, 52 partidas da Série A não teriam transmissão por qualquer plataforma (Tvs aberta e fechada, pay-per-view, redes sociais, etc) — todas em que Palmeiras e Athletico enfrentem os 13 times que fecharam com a Globo o pacote completo, ou seja, TV fechada também (para o SporTV). Os dois clubes fazem parte dos sete que têm acordo com a Turner, portanto as partidas entre essas equipes terão TV paga, via TNT ou Space no cabo.

A montagem da tabela da Série A levou, e muito, em consideração esses jogos sem transmissão e a novidade de a Globo ter um concorrente na grade nas partidas de Palmeiras, Athletico, Santos, Inter, Ceará, Fortaleza e Bahia. Toda rodada terá um dos 42 confrontos que a Turner tem sob seu direito — como decidiram acabar com os canais Esporte Interativo, os encontros passarão na TNT e Space, especializados em filmes e séries, e na internet via EI Plus. O único exclusivo, até o momento, são os dois Palmeiras x Athletico, o da ida e o da volta, que estrategicamente foram colocados na oitava rodada no primeiro turno e 27ª no segundo.

Há o entendimento de que, se não fecharem com a Globo, Palmeiras e Athletico poderão fazer o que quiser com esses dois jogos entre eles, com exceção, claro, de TV a cabo que é da Turner. Poderão, por exemplo, transmitir em suas redes sociais, ou então vender para qualquer emissora aberta, como Record ou SBT, concorrentes diretos da Globo. Por isso, apurou o blog, a CBF evitou colocar o confronto mais para o fim do calendário, quando poderia ser decisivo para definição de título, vaga na Libertadores ou rebaixamento.

“Nada ainda. Estamos conversando, eles [Globo] estão inflexíveis, têm a rigidez deles. Não podemos ganhar R$ 6 milhões por ano e Flamengo e Corinthians R$ 120 milhões por ano”, disse Mario Celso Petraglia, homem-forte do Athletico. O que mais o incomoda na negociação não é o redutor oferecido pela Globo, de cerca de 20% para TV aberta, pelo fato de o clube do Paraná ter fechado com a Turner para TV paga. O maior empecilho é a diferença no pay-per-view, que dividirá algo em torno de R$ 650 milhões entre os times que assinarem o contrato, mas com base em pesquisa de audiência alguns ganharão muito mais do que os outros.

A Lei Pelé, em seu artigo 42, diz que os direitos de transmissão, retransmissão e produção de imagens pertencem às entidades de prática desportiva. Apesar de algumas pessoas afirmarem que o texto indica que o clube que detenha o mando de campo tem o direito de transmissão daquele jogo, especialistas e executivos das principais emissoras de TV do Brasil avaliam que o artigo diz que os dois times possuem esse direito. Ou seja, ambos precisam autorizar a transmissão. Se um time A fechou com a Globo e o B não, e esse B não der o aval para a transmissão, o jogo não tem TV. Por isso todo esse imbróglio por Palmeiras e Athletico não terem fechado. O Brasileiro terá início em 28 de abril.

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Novo Mundial de Clubes deve ser aprovado, mas sem bilhões dos investidores http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/14/novo-mundial-de-clubes-deve-ser-aprovado-mas-sem-bilhoes-dos-investidores/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/14/novo-mundial-de-clubes-deve-ser-aprovado-mas-sem-bilhoes-dos-investidores/#respond Thu, 14 Mar 2019 04:00:14 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9117

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, quer um novo Mundial de Clubes (Crédito: Cyril Zingaro/EFE)

O comitê da Fifa responsável por assessorar seu Conselho em assuntos relacionados a clubes de futebol se posicionou contrário a que se aceite o investimento privado de US$ 25 bilhões (R$ 95 bi) para comprar os direitos de um novo Mundial de Clubes, turbinado com 24 equipes a cada quatro anos. No relatório, porém, não há restrição à realização do torneio a partir de 2021, como deseja o presidente da federação internacional, Gianni Infantino. O assunto será debatido pelos 36 membros do Conselho nesta sexta (15), em reunião em Miami, e se seguir o texto do comitê pode ser aprovado, mas sem o dinheiro dos investidores misteriosos (a Fifa nunca revelou quem são).

O encontro dos membros do Comitê das Partes Interessadas do Futebol ocorreu no dia 28 de fevereiro, em Zurique. Presidido pelo canadense Vittorio Montagliani, presidente da Concacaf (Confederação das Américas do Norte. Central e Caribe), o grupo debateu sobre diversos assuntos, entre eles o Mundial de Clubes sonhado por Infantino — o ex-jogador Cafu é um dos 23 membros. Há duas preocupações sobre o investimento de empresas da Ásia e Oriente Médio (o jornal The New York Times publicou que o Softbank, do Japão, estaria envolvido, além de companhias da Arábia Saudita):

1 – A Fifa, portanto os clubes também, não teriam gerência sobre o dinheiro que entrasse para a competição. Se estão oferecendo US$ 25 bilhões por alguns anos de contrato, imagine-se que faturariam muito mais com o Mundial e uma Liga das Nações, esta de seleções que poderia ser jogada no intervalo das Copas do Mundo. Os membros do comitê avaliam que se o Mundial sair do papel é a Fifa, como sempre, que tem de vender as cotas comerciais, abrindo, inclusive, para os tais investidores comprarem se tiverem interesse.

2 – A questão técnica também pesou: pela primeira vez, ao vender os direitos da competição, a Fifa perderia o controle da organização de uma competição sob sua chancela. Os investidores poderiam, por exemplo, ter poder em decisões como sede de competição, participantes, etc. Isso incomodou demais os membros do comitê que analisaram o tema.

Se aprovado, o Mundial seria a partir de 2021 com 24 clubes — em 2019 e 2020 o torneio seguirá as regras atuais, com sete concorrentes, o campeão de cada confederação e um representante do país-sede. O Marrocos quer receber essas edições. O novo Mundial entraria no calendário no lugar da Copa das Confederações, campeonato de seleções que não dá retorno financeiro à Fifa e que parecia que teria sua última edição em 2021 com o enrosco do torneio de clubes, mas agora pode estar fadada a ser encerrada de vez.

Não está claro quantos participantes cada confederação teria. A Fifa gostaria de que metade, 12, fossem europeus e que alguns até participassem por convite, para garantir que os mais tradicionais estivessem presente. A Uefa (União Europeia de Futebol) nunca gostou da ideia do Mundial por achar que seria concorrência com a Liga dos Campeões, sua galinha de ovos de ouro. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) preferia um torneio anual, com 16 concorrentes, mas pode ser convencida a ceder para o quadrienal se tiver seis vagas. O Grêmio, campeão da Libertadores em 2017, deve ter vaga no Mundial de 2021 se ele sair do papel.

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Por que Felipe Melo não tem risco de pegar gancho por falta na Libertadores http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/13/por-que-felipe-melo-nao-tem-risco-de-pegar-gancho-por-falta-na-libertadores/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/13/por-que-felipe-melo-nao-tem-risco-de-pegar-gancho-por-falta-na-libertadores/#respond Wed, 13 Mar 2019 10:15:58 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9106

Felipe Melo (esq.) comemora com Antônio Carlos gol que fez contra o Melgar (Crédito: Ale Cabral/AGIF)

A falta cometida por Felipe Melo no peruano Arias na vitória do Palmeiras sobre o Melgar (3 a 0), na noite de terça (12) pela Libertadores, não tem o risco de se transformar em uma suspensão futura como poderia ocorrer em jogos dos Campeonatos Paulista ou Brasileiro, por exemplo. O Tribunal de Disciplina da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não trabalha com análises de imagens se não há relato na súmula pelo árbitro, como faz a Justiça desportiva no Brasil. Felipe Melo recebeu somente o cartão amarelo do árbitro paraguaio Mario Díaz.

“Na volta do intervalo falei com o árbitro, ele falou que viu na televisão que era para cartão amarelo [a falta]. Fiquei um pouco com medo. É complicado. Fui na volúpia de roubar a bola porque era contra-ataque, mas ele viu que aconteceu apenas uma falta”, disse Felipe Melo após a partida.

O lance chamou a atenção ao final do primeiro tempo, quando o Palmeiras vencia por 1 a 0 — gol, inclusive, de Felipe Melo. Num contra-ataque do Melgar, o volante palmeirense deu uma entrada por trás em Arias, o derrubando violentamente. Recebeu o amarelo, apesar da reclamação dos jogadores do time peruano. Nas redes sociais, algumas pessoas questionavam se Felipe Melo não deveria ter recebido o vermelho ou se poderia ser suspenso depois, com a análise das imagens. Na Conmebol é quase impossível que isso ocorra sem que o atleta tenha sido expulso.

O sistema disciplinar da entidade para suas competições de clubes funciona assim: a súmula do árbitro é enviada para a unidade disciplinar da confederação, um setor que analisa os casos que, com base no texto do árbitro, são mandados ao Tribunal de Disciplina para apreciação.

Todos os vermelhos são enviados para que os auditores aumentem, se necessário, uma suspensão além da automática. Também podem ser remetidos casos específicos relatados pelo árbitro e que não tenham gerado uma expulsão. No de Felipe Melo, como ele recebeu amarelo o árbitro entendeu, no campo, que não merecia uma expulsão e consequente suspensão, portanto o tribunal só avaliaria caso o Mario Díaz escrevesse que errou ao não expulsá-lo, o que é muito improvável que aconteça.

É diferente do procedimento adotado no Brasil, no qual existe uma procuradoria dos tribunais desportivos (estaduais e nacional). Mesmo se o jogador nem sequer foi advertido pelo árbitro os procuradores podem analisar o vídeo da partida, entender que houve maldade num lance, por exemplo, e denunciar o atleta ao tribunal, que pode julgar ou não o caso.

A situação de Felipe Melo na Libertadores é igual à do zagueiro gremista Geromel  no empate por 1 a 1 a contra o Rosario Central, dia 6 de março. O zagueiro acertou uma cotovelada em Zampedri, em lance dentro da área argentina — após o jogo, os gremistas reclamaram de pênalti em seu jogador. Pela confusão o árbitro deu cartão amarelo aos dois. Como não houve vermelho e nada foi relatado na súmula, não houve como o tribunal disciplinar julgar a jogada. Geromel entrou em campo normalmente nesta terça (12), na derrota do Grêmio para o Libertad, em Porto Alegre, pela segunda rodada do grupo.

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Fifa tem acordo em 23 países com empresa acusada de pagar por Copa do Qatar http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/12/fifa-tem-acordo-em-23-paises-com-empresa-acusada-de-pagar-por-copa-do-qatar/ http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/2019/03/12/fifa-tem-acordo-em-23-paises-com-empresa-acusada-de-pagar-por-copa-do-qatar/#respond Tue, 12 Mar 2019 04:00:05 +0000 http://marcelrizzo.blogosfera.uol.com.br/?p=9080

Joseph Blatter anuncia vitória do Qatar em dezembro de 2010 (Crédito: AFP)

A empresa acusada de pagar pela candidatura do Qatar para a Copa do Mundo de 2022 detém os direitos dos dois principais torneios da Fifa em 2019, a Copa do Mundo feminina e o Mundial sub-20 masculino, para 23 países na África e na Ásia. A beIN Sports, que é subsidiária da Al Jazeera, mantém contrato com a Fifa, apurou o blog, pelo menos até 2022.

O jornal inglês Sunday Times publicou no domingo (10) que a Al Jazeera pagou à Fifa US$ 400 milhões (R$ 1,53 bilhão) poucos dias antes da escolha da sede da Copa de 2022, em dezembro de 2010 — esta informação já havia aparecido no livro “Custe o que custar”, de 2018, da australiana Bonita Mersiades, que trabalhou na candidatura derrotada da Austrália para a Copa-2022. Na época o governo qatariano tinha participação na empresa. Destes, US$ 100 milhões (R$ 385 milhões), segundo documento obtido pelo Times, só seriam pagos se o Qatar fosse confirmado como sede do Mundial.

Três anos depois, em 2013, outros US$ 480 milhões (R$ 1,84 bilhão) foram pagos à Fifa, já pela subsidiária beIN Sports. Este valor explicaria os contratos vigentes para os torneios da Fifa, como a Copa feminina e o Mundial Sub-20. A Fifa respondeu ao Times que “as acusações relacionadas à atribuição da Copa do Mundo da Fifa 2022 já foram comentadas amplamente pela Fifa e que, em junho de 2017, publicou integralmente o relatório García no site Fifa.com. Por outro lado, a Fifa apresentou uma denúncia na Procuradoria Geral da Suíça e o processo segue em andamento. A Fifa coopera e continuará cooperando com as autoridades”.

O relatório independente elaborado pelo advogado Michael Garcia apontou pagamento de propina a cartolas para que o Qatar fosse escolhido como sede da Copa, mas em nenhum momento a Fifa cogitou mudar a sede da competição. Os citados no relatório, como o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, estão afastados de cargos diretivos do futebol — ele nega as acusações.

A beIN Spots informou ao Times que o pagamento extra de US$ 100 milhões foi referente à contribuições de produção e que se tratava de uma prática padrão de mercado frequentemente impostas sobre as emissoras por parte das federações e empresas detentoras de direitos de transmissão. “Ocorre um significativo aumento em interesse e em receitas adicionais de uma emissora e custos significativos da produção local para um detentor de direitos de transmissão quando um evento de grande porte é entregue ao mercado doméstico da emissora”.

Fifagate

A beIN Sports tem os direitos da Copa do Mundo feminina, que ocorrerá de 7 de junho a 7 de julho na França, em dez dos 11 territórios africanos que terão a transmissão da competição. O único a não ser da beIN é o departamento francês Reunião, que terá a TF1 como retransmissora, mesma emissora que comprou os direitos para a França. Na Ásia, a beIN tem 13 dos 19 países que passarão a Copa feminina e também o Mundial Sub-20 na Polônia, de 23 de maio a 15 de junho.

A Fifa vende diretamente os direitos de transmissão para todas as plataformas (TV, rádio, internet e mobile) para empresas que pagam valores, como visto, bem altos. Não precisa ser necessariamente uma emissora, pode ser uma companhia especializada em marketing esportivo e que, depois, repassa às TVs ou rádios especificamente. É o caso do que ocorre nas Américas.

Para a Copa feminina e o Sub-20 em nove dos dez países da América do Sul filiados à Conmebol, com exceção do Brasil, a Fifa vendeu os direitos para a Mountrigi Management Group, uma subsidiária da mexicana Televisa com sede na Suíça. Ela, depois, repassa esses direitos às emissoras. Na Argentina, por exemplo, houve uma triangulação: da Mountrigi vendido para a TyC, que repassou para a DirecTV Latin América, que de fato transmitirá as partidas. No Brasil, o Grupo Globo detém os direitos dos torneios da Fifa.

A TyC esteve envolvida no Fifagate, caso que desnudou propinas pagas a cartolas por empresas de marketing esportivo para conseguir os direitos de transmissão de torneios nas Américas. Dezenas de cartolas foram acusados, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin, condenado pela Justiça dos EUA a quatro anos de prisão por conspiração para organização criminosa, fraude financeira nas Copas América, Libertadores e do Brasil e lavagem de dinheiro nas Copas América e Libertadores. Marco Polo Del Nero, outro ex-presidente da CBF, foi banido para sempre do futebol pela Fifa por causa dessas acusações. Ambos negam tudo.

Territórios que a beIN Sports têm os direitos de transmissão da Copa do Mundo feminina e do Mundial Sub-20 masculino em 2019:

África
Argélia
Egito
Líbia
Marrocos
Mauritânia
Djibouti
Comores
Somália
Sudão
Tunísia

Ásia
Bahrein
Irã
Iraque
Jordânia
Kuwait
Líbano
Omã
Palestina
Qatar
Arábia Saudita
Síria
Emirados Árabes Unidos
Iêmen

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