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Arquivo : Bauza; Osorio; Arce; Santos; Botafogo; Inter; Atlético-PR; Bahia; Fluminense; Beccacece

Efeito Rueda: saída de técnicos estrangeiros provocou “não” de Inter e Bota
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Marcel Rizzo

As deserções de Juan Carlos Osorio e Edgardo Bauza, no São Paulo, e a mais recente de Reinaldo Rueda do Flamengo fizeram com que clubes brasileiros olhassem torto e descartassem técnicos gringos para o início de 2018, apesar de o mercado nacional estar com falta de opções.

Agentes tentaram emplacar dois nomes em alguns clubes entre dezembro de 2017 e agora começo de janeiro: o paraguaio Arce, ex-lateral de Grêmio e Palmeiras e que deixou a seleção de seu país no fim de 2017, e o argentino Sebastián Beccacece, eterno auxiliar de Sampaoli, o técnico do Defensa Y Justicia que tirou o São Paulo da Sul-Americana em 2017, e que está com seu chefe na seleção da Argentina agora.

Os clubes visados foram, principalmente, o Inter e o Botafogo, que apostaram em técnicos mais novos para a temporada (Odair Hellmann e Felipe Conceição, respectivamente), mas Santos, Fluminense e clubes de médio porte, como Atlético-PR e Bahia, também foram procurados. Todos responderam que no momento preferem técnicos brasileiros, e o diagnóstico dos procuradores foi de que não há confiança na estabilidade dos estrangeiros.

Entra e sai

O colombiano Osorio assumiu o São Paulo em junho de 2015, e saiu para virar técnico da seleção do México quatro meses depois, em outubro. O clube vivia uma crise política que culminou na renúncia do presidente Carlos Miguel Aidar, mas seu pedido de demissão não foi bem visto.

A nova direção, porém, insistiu em um um estrangeiro e em dezembro de 2015 anunciou a chegada do argentino Edgardo Bauza, que tinha no currículo o primeiro título do tradicional San Lorenzo-ARG na Libertadores, em 2014. Sete meses para frente, em julho de 2016, ele abandonou o barco para assumir a seleção da Argentina.

Dois anos antes, outro argentino, Ricardo Gareca, fez apenas 13 jogos no Palmeiras. Ele foi demitido, é verdade, mas a insistência por trazer atletas argentinos deixou uma marca negativa dentro do clube, e de pessoas que conversavam na época com a cartolagem palmeirense.

O colombiano Reinaldo Rueda chegou ao Flamengo em agosto de 2017, ainda com moral pelo bom time que armou no Atlético Nacional-COL campeão da Libertadores em 2016. Foi vice-campeão da Copa do Brasil e da Sul-Americana, e nas últimas semanas vinha sendo cogitado como treinador da seleção chilena. Ele retornou ao Brasil nesta segunda (8), e foi confirmada sua saída da Gávea.

As opções

Nada disse ajudou os treinadores estrangeiros que sonhavam com o Brasil em 2018. Arce, 46, foi ídolo no Grêmio e no Palmeiras, fala português sem enrolar para o “Portunhol”, mas até agora só teve mercado em seu país, comandando equipes como o Guaraní, Cerro Porteño e Olímpia, e por duas vezes a seleção paraguaia. A não classificação para a o Mundial da Rússia-2018, perdendo da fraca Venezuela, em casa, na última rodada, fez com que ele deixasse o cargo.

Sebastián Beccacece é de uma safra jovem, tem 37 anos e é discípulo de Jorge Sampaoli, técnico argentino que se tornou badalado por bons trabalhos na Universidad de Chile e, depois, no Sevilla. Beccacece sucedeu Sampaoli na La U chilena, sem sucesso, e depois assumiu o pequenino Defensa Y Justicia conseguindo a proeza de na primeira partida internacional da equipe argentina eliminar o São Paulo dentro do Morumbi, na Sul-Americana.

Beccacece foi com Sampaoli para o auxiliar na seleção da Argentina, e estará na Copa da Rússia. Mesmo assim gostaria de trabalhar no Brasil, e já tem alguns meses agentes tentam colocá-lo no país. Resta saber se uma boa atuação argentina na Copa pode fazer com que ele seja melhor visto por aqui.


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