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Palmeiras terá que alcançar feito inédito para tirar título do Corinthians
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Marcel Rizzo

Em 14 edições do Brasileiro por pontos corridos, somente três vezes o time que liderava a competição faltando sete rodadas para o fim perdeu a taça. E nunca uma vantagem de cinco pontos, a mesma que o Corinthians tem sobre o Palmeiras no momento, foi tirada a essa altura da competição.

Grêmio, em 2008, Palmeiras, em 2009, e Vasco, em 2011, eram os líderes após a 31ª rodada e ao término no Brasileiro viram, respectivamente, São Paulo, Flamengo e Corinthians conquistarem a título. A vantagem dos então primeiros colocados era inferior a cinco pontos.

Em 2008, o Grêmio tinha três de margem para o São Paulo, que fez um returno excepcional e acabou campeão com três à frente dos gaúchos. No ano seguinte, o Palmeiras estava um à frente, mas do Atlético-MG. O Flamengo estava três atrás, e acabou ganhando o campeonato com arrancada nas rodadas finais e dois de vantagem sobre o Inter – Palmeiras foi só o quinto.

Em 2011, o Corinthians estava dois pontos atrás do Vasco a sete rodadas do fim, e conseguiu reverter a desvantagem e terminar o torneio dois à frente. As demais edições tiveram até equipes empatadas faltando sete partidas, como em 2004 (Santos, o campeão, e Atlético-PR) e 2010 (Fluminense, o vencedor, e Cruzeiro). Ou clubes com larga vantagem, como o Cruzeiro, em 2013 com 12 pontos na frente, e o São Paulo, em 2007, com 11.

O torneio atual mostra uma queda de rendimento do Corinthians, que fez o melhor primeiro turno da história, com aproveitamento de mais de 82%, mas faz um returno com campanha de time rebaixado, ganhando pouco mais de 30% dos pontos. O Palmeiras tem um segundo turno mais consistente que o líder e que o Santos, terceiro colocado atualmente – a diferença do Corinthians, com 59 pontos, é de cinco para o Palmeiras (54) e seis para o Santos (53).

O jogo-chave ocorre no domingo (5), em Itaquera. Se o Palmeiras vencer  o Corinthians a vantagem cai para dois pontos, faltando seis rodadas. Levando em conta a irregularidade corintiana, completamente viável de se reverter. Um sucesso palmeirense pode colocar até o Santos de vez na briga – o time recebe o Atlético-MG na Vila Belmiro, sábado (4), e pode derrubar a desvantagem ao líder para três pontos.

Veja a vantagem do primeiro colocado faltando sete rodadas para o fim do Brasileiro (em negrito anos em que o campeão foi outra equipe)

2016 – Palmeiras – quatro pontos – Flamengo

2015 – Corinthians – nove pontos – Atlético-MG

2014 – Cruzeiro – cinco pontos – São Paulo

2013 – Cruzeiro – 12 pontos – Botafogo

2012 – Fluminense – nove pontos – Atlético-MG

2011 – Vasco – dois pontos – Corinthians

2010 – Fluminense – 0 ponto (vantagem no saldo de gols) – Cruzeiro

2009 – Palmeiras – um ponto – Atlético-MG (campeão Flamengo três atrás)

2008 – Grêmio – três pontos – São Paulo

2007 – São Paulo – 11 pontos – Cruzeiro

2006 – São Paulo – sete pontos – Inter

2005 – Corinthians – seis pontos – Inter

2004 – Santos – 0 ponto (vantagem número de vitórias) – Atlético-PR

2003 – Cruzeiro – seis pontos – Santos


Tática de poupar: Grêmio usa dois times a mais do que o Corinthians em 2017
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Marcel Rizzo

Líder do Brasileiro, o Corinthians foi o time da elite que menos usou atletas em 2017. O que mais utilizou é justamente aquele que o persegue mais de perto, o Grêmio – a diferença é de dez pontos, mas os gaúchos têm um jogo a menos, que cumprirão no próximo sábado (2), contra o Sport.

Desde janeiro, o técnico Fábio Carille colocou em campo 30 atletas em 50 partidas. São 24 a menos, mais do que dois times, do que Renato Gaúcho usou até agora, um total de 54, em 54 confrontos . O Atlético-MG, com 50, e o Sport, com 49, vêm na sequência dos que mais utilizaram o elenco na temporada. Na outra ponta, logo acima do Corinthians, estão Cruzeiro e Palmeiras, que escalaram 35 jogadores.

Um fator, principalmente, explica a diferença entre o líder e o vice-líder: a prioridade que o Grêmio tem dado para competições distintas, portanto usando mais atletas para o seu revezamento. Renato Gaúcho optou por guardar seus titulares para as Copas do Brasil (do qual foi eliminado na semifinal) e Libertadores (ainda vivo, enfrenta o Botafogo nas quartas de final).

Usando reservas em ao menos quatro partidas do Nacional, Renato aproveitou mais de seu elenco do que Carille, mas também viu seu time perder pontos e deixar o Corinthians escapar (a diferença chegou a ser de seis pontos).

Pelo lado corintiano, o elenco enxuto explica o fato de seu treinador ter mexido menos no time do que o Grêmio e o Atlético-MG, por exemplo, outra equipe que no início do ano era cotada para levantar o Brasileiro. Mas dentro do Parque São Jorge este fato é tratado como o principal motivo de o time estar liderando o Brasileiro com folga: Carille encontrou uma formação rápido, apostou nos atletas certos e a sequência de partidas fez o time encaixar e deslanchar. Não precisou ficar testando peças, o que muitas vezes faz com que o treinador use muitos jogadores.

Houve queda do Corinthians nas últimas rodadas, com 12 pontos perdidos em 27 disputados, com algumas lesões (como Jadson, Pablo e Arana), e suspensões. Não ter um elenco tão grande e talentoso pode sacrificar o time nesta reta final de Brasileiro, mas a vantagem aberta quando Carille pôde abusar de seu elenco é grande, e o Grêmio ainda está com a cabeça na Libertadores.

Nos números de atletas utilizados no ano chama a atenção também os 35 atletas que Eduardo Baptista, que iniciou o ano, e agora Cuca, seu substituto, usaram. O badalado elenco palmeirense tem qualidade, e quantidade, mas os técnicos optaram por limitar o uso do grupo.

Veja quantos jogadores cada time da elite usou em 2017:

Corinthians – 30

Palmeiras – 35

Cruzeiro – 35

Santos – 36

Bahia – 38

Flamengo – 38

Fluminense – 39

Coritiba – 41

Vasco – 42

Botafogo – 42

Vitória – 43

São Paulo – 43

Ponte Preta – 43

Atletico-PR – 45

Avaí – 45

Atletico-GO – 46

Chapecoense – 48

Sport – 49

Atlético-MG – 50

Grêmio – 54


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