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Grêmio puxou a fila: desinteresse por Série A pós-Copa preocupa CBF
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Marcel Rizzo

A Copa do Mundo da Rússia vai acabar em meados de julho, agosto vai chegar e os clubes que se mantêm vivos na Libertadores e na Copa do Brasil terão um mês intenso pelas oitavas de final do torneio sul-americano e quartas de final do mata-mata nacional. Com rodadas do Brasileiro em todos os finais de semana, não haverá folga e uma dúvida recorrente aparecerá para os treinadores: qual campeonato priorizar? A preocupação da CBF é que a Série A fique relegada a segundo plano pelas principais equipes do país.

Estão nessa situação Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Grêmio, Santos e provavelmente o Cruzeiro, que ainda precisa passar pelo Atlético-PR para chegar às quartas da Copa do Brasil – venceu o primeiro jogo em Curitiba por 2 a 1. A partida será realizada dia 16 de julho, um dia após a final da Copa do Mundo.

Se o dilema se restringir às duas competições eliminatórias, o problema se torna ainda maior: preferir a Libertadores, competição que virou fetiche dos torcedores brasileiros e dá vaga no Mundial de Clubes ao campeão, ou a Copa do Brasil, que inflou a premiação em 2018 e encherá muito mais o cofre?

A vantagem financeira da Copa do Brasil é evidente. Levando em conta somente os confrontos de agosto, que valem vaga para as quartas na Libertadores e para a semi na Copa do Brasil, a diferença financeira de classificação é de R$ 3 milhões favorável ao torneio nacional.

O clube que avançar à semifinal da Copa do Brasil fatura R$ 6,5 milhões, enquanto a vaga nas quartas da Libertadores vale US$ 950 mil, cerca de R$ 3,5 milhões em cotação atual – a diferença até caiu nos últimos dias com a desvalorização do real com relação ao dólar. Meses atrás, quando foram definidos os valores, era maior.

Financeiramente a Copa do Brasil vale mais do que a Libertadores, mas o torneio sul-americano tem todo um glamour e se um técnico ousar poupar atletas nele poderá virar alvo dos torcedores. Tudo isso faz com que o Campeonato Brasileiro, torneio disputado por pontos corridos, acabe sendo o favorito para ter times mistos e reservas. Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, por exemplo, fala abertamente que coloca times “alternativos” na Série A porque o calendário nacional impõe maratona de partidas que faz com que os jogadores se desgastem demais.

E não é que o Grêmio venceu o Brasileiro há pouco tempo, portanto pode menosprezá-lo: a última taça do Nacional dos gaúchos foi em 1996, há 21 anos, época em que a competição ainda era definida em mata-mata. Desde que os pontos corridos viraram o regulamento, o Grêmio é um dos cinco clubes dos 12 de maior torcida que nunca o levantou, junto a Inter, Atlético-MG, Vasco e Botafogo.

A CBF corre o risco de ter esvaziado seu principal torneio, algo que até anos atrás não ocorria porque Libertadores e Copa do Brasil terminavam até o meio do ano, deixando a maior parte do segundo semestre com o Brasileiro como prioridade aos clubes. Agora, pelo visto, deve virar a terceira opção, algo que já incomodava a entidade em 2017, como mostrou o blog. Resta saber se fará algo.


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