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Copa do Mundo repete roteiro de oitavas: Europa, América do Sul e… México
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Marcel Rizzo

Europeus e sul-americanos, mais uma vez, dominaram a fase de grupos da Copa do Mundo e a maioria das seleções classificadas para as oitavas de final é desses continentes. Os únicos intrusos são o Japão, da Ásia, e o México, das confederação que engloba as Américas do Norte, Central e o Caribe.

Para os mexicanos, algo habitual. Desde 1994, somente um país sempre se meteu entre os poderosos da Europa e da América do Sul, justamente o México. Nunca passou das oitavas de final, no período, é verdade, mas mostra uma regularidade que afronta as fronteiras da Fifa, que poderia parar nos dois continentes que dominam os Mundiais desde 1930.

Na sequência, esse é o número de seleções de outras confederações, que não Uefa e Conmebol, que avançaram da etapa de grupos de uma Copa do Mundo desde 1986 (quando o formato de mata-matas se consolidou em oitavas, quartas, semifinal e final): 1986 (2), 1990 (2), 1994 (4), 1998 (2), 2002 (5), 2006 (3), 2010 (4), 2014 (5), e 2018 (2).

O que parecia uma tendência de aumento, com dois Mundiais seguidos com ao menos 4 seleções de fora da elite (25%) classificadas, voltou a um patamar baixo em 2018. São 10 europeus (dos 14 que estão na Copa), quatro sul-americanos (dos cinco), um asiático e outro da América do Norte.

A Fifa, há anos, investe em programas de qualificação do futebol em países emergentes, principalmente da África, Ásia e Oceania. Os resultados, porém, parecem não chegar, apesar do sopro de qualidade que o futebol africano deu a partir dos anos 1990. Um dos motivos pode ser que, apesar desse investimento, muitos jovens atletas deixam cedo esses países, até mesmo por questões humanitárias, para atuar na base de equipes europeias. Por lá ficam e acabam se naturalizando.

Outro ponto é que, por mais que se invista em centros de treinamentos, capacitação de profissionais, aumento de números de competições, o dinheiro corre mesmo na Europa, principalmente, e na América do Sul. Ali estão os melhores jogadores, ali estão os melhores torneios, e dali sairão as melhores seleções.

O caso mexicano pode se explicar também com dinheiro. Com investimento pesado de empresas locais, a liga consegue atrair jogadores importantes, principalmente da América do Sul. O campeonato forte faz com que os atletas mexicanos ganhem experiência e, claro, referência — a sequência mexicana poderia ser até maior, mas em 1990 não pôde nem disputar as eliminatórias porque foi suspenso por falsificar idade de atleta em torneio de base.

Na segunda, em Samara, os mexicanos vão tentar superar pela primeira vez desde 1986, quando em casa chegaram nas quartas, a barreira das oitavas. O rival é o Brasil, cinco vezes campeão. O feito pode ser histórico.

As seleções fora Europa e América do Sul nas oitavas desde 1986:

2014 – 5 (Estados Unidos, Costa Rica, Argélia, México e Nigéria)

2010 – 4 (Coreia do Sul, EUA, Gana e México)

2006 – 3 (Gana, México e Austrália)

2002 – 5 (Japão, Coreia do Sul, México, EUA e Senegal)

1998 – 2 (México e Nigéria)

1994 – 4 (EUA, México, Arábia Saudita e Nigéria)

1990 – 2 (Costa Rica e Camarões)

1986 – 2 (Marrocos e México)


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