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Árbitro de vídeo está fora das fases iniciais da Libertadores; custo é alto
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) ainda não tem ideia de quando usará o árbitro de vídeo na Libertadores-2018, depois de estrear a tecnologia em seis partidas no torneio realizado ano passado. O blog apurou que a entidade já descartou o uso nas três fases preliminares, com início agora em janeiro, e na de grupos, que começa no fim de fevereiro, e trabalha para tentar viabilizá-la a partir das oitavas de final. Mas não é fácil.

No regulamento da Libertadores, aprovado pelos clubes no fim de dezembro, lá no artigo 165 a Conmebol escreveu que “fica aberta a possibilidade de usar a tecnologia VAR (árbitro assistente de vídeo, com sigla em inglês). A Conmebol poderá usar a tecnologia em qualquer etapa do torneio”.

O principal problema para a utilização do VAR é que nem todos os estádios teriam estrutura para receber câmeras e equipamentos, explicou a entidade a cartolas de alguns clubes mês passado, no Paraguai. Isso poderia acarretar uma situação em que somente alguns jogos das primeiras fases teriam a tecnologia, o que beneficiaria algumas equipes que teriam erros de arbitragem corrigidos, enquanto outras não.

Alguns exemplos de falta de estrutura foram usados, como o pequeno Delfin, clube equatoriano que estreará na Libertadores e tem um pequeno estádio para 17 mil pessoas na cidade de Manta, litoral do Equador. Quem conhece o campo disse ser complicado a instalação de equipamentos para um uso eficaz do VAR – o Delfin está no Grupo 2 ao lado de Atlético Nacional-COL, Colo Colo-CHI e Bolívar-BOL.

Há também a questão financeira. A Conmebol não divulga qual seria o custo para a utilização do árbitro assistente nas 156 partidas da competição, mas o valor é bem alto. Se o árbitro de vídeo for usado somente a partir das oitavas de final, como se trabalha no momento, esse número cai para 30 partidas, considerado financeiramente mais viável pela entidade.

Outro ponto é que a partir das oitavas a exigência técnica para estádios fica maior, sendo mais fácil implantar a tecnologia. Por exemplo: se passar da fase de grupos, o Delfin não poderá mandar partidas em seu campo, pois a capacidade mínima a partir dessa fase é de 20 mil espectadores.

A Conmebol prometeu aos clubes uma posição até o início da fase de grupos. Há quem seja favorável de definir já que se use a tecnologia somente nas semifinais e final, como ocorreu em 2017. Os jogos entre Grêmio x Barcelona-EQU e Lanús-ARG x River Plate-ARG, e a decisão Grêmio x Lanús, estreou a tecnologia em torneios sul-americanos, mas teve problemas.

No confronto entre argentinos, por exemplo, o River reclamou que o sistema não foi usado em um lance duvidoso a seu favor, somente para o rival. Há orientação para que somente o árbitro possa pedir a revisão, os clubes não têm esse direito como em outras modalidades. 

Oito times brasileiros estarão na disputa da Libertadores-2018: Grêmio, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e Santos entram direto na fase de grupos, e Vasco e Chapecoense estreiam antes, na segunda fase preliminar.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol


Só árbitro pode: possível ‘cera’ proibiu times de pedirem revisão por vídeo
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Marcel Rizzo

A reclamação do River Plate (ARG) de que teve um pênalti (um toque de mão do rival Marcone) a seu favor na semifinal da Libertadores contra o Lanús (ARG), na noite desta terça (31), e a arbitragem decidiu por não utilizar o VAR (árbitro de vídeo) pode se tornar comum com a implementação da tecnologia no futebol — o 4 a 2 contra eliminou o River.

Isso porque a International Board, órgão que define as regras do futebol, decidiu ignorar mecanismo de utilização do árbitro de vídeo comum nas principais modalidades que já usam o sistema: de que os times tenham a possibilidade de solicitar a conferência em vídeo de lances em que considerem que houve erro. Somente o árbitro tem esse poder.

E o motivo para não ser permitido no futebol, segundo apurou o blog, é que os cartolas temiam que pudesse ser usado como “cera”, ou seja, uma maneira de paralisar o jogo para ganhar tempo, algo que hoje já é feito com atletas simulando lesões ou em substituições em que o jogador demora muito para deixar o gramado.

Em esportes como vôlei, tênis, e futebol americano (NFL), as equipes ou jogadores tem o poder de pedir o uso do vídeo caso achem que a marcação da arbitragem foi errada. Não é um benefício ilimitado. No tênis, por exemplo, o atleta tem direito a três desafios por set, e quando o seu pedido tem sucesso, ou seja, houve erro do árbitro, ele mantém esse desafio caso queira pedir em outra oportunidade.

No futebol americano, o treinador joga um pano vermelho no gramado solicitando a revisão de uma marcação por vídeo. Caso ele perca, ou seja, a decisão de campo seja mantida, ele perde um tempo, algo precioso na modalidade porque para o cronômetro, ganhando tempo em finais de jogos com placares apertados.

Contra a cera

Tudo isso foi discutido no futebol, mas chegou-se à conclusão de que o uso do VAR tem que ser feito com parcimônia, para não brecar muito o andamento da partida. Os principais críticos ao uso da tecnologia alegam que o futebol é uma modalidade em que o cronômetro não para, e interrupções excessivas comprometem a dinâmica do jogo. Na visão daqueles que fazem as regras do esporte, dar poder a técnicos de pedir a revisão seria “um tiro no pé” porque a partida pararia demasiadamente.

A reclamação do River foi intensa porque a eliminação partiu justamente de decisão por vídeo, para o rival Lanús, em pênalti que inicialmente não havia sido marcado pelo árbitro colombiano Wilmar Roldan. Ele consultou o vídeo, com auxílio dos árbitros na cabine (o uruguaio Andres Cunha, o boliviano Gery Vargas e o uruguaio Nicolas Taran) e percebeu puxada na camisa do atleta do Lanús. Com o penal convertido, o 4 a 2 classificou o time da casa para a final.

A imprensa argentina noticiou que o River estuda entrar com um pedido formal na Conmebol pedindo a anulação do jogo, o que é improvável que aconteça levando em conta que a decisão de usar ou não o VAR é da arbitragem.


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