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Relatório pede que Fifa ajude a proteger do calor os operários da Copa-2022

Marcel Rizzo

24/12/2018 04h00

AFP

A Fifa deve procurar especialistas que ajudem a proteger do calor os trabalhadores que atuam no Qatar para as obras dos estádios referentes à Copa-2022. A recomendação está no segundo relatório produzido pelo Conselho de Direitos Humanos da Fifa, órgão independente criado no início de 2017 e que tem como função orientar a entidade em casos relacionados aos direitos humanos. A prioridade no momento do grupo, formado por oito pessoas, é a melhoria nas condições de trabalho no país que receberá o próximo Mundial.

O documento, finalizado em setembro de 2018, diz que houve melhora em alguns aspectos com relação aos operários que levantam estádios no Qatar. Houve elogio, por exemplo, ao fim da cobrança de taxa de recrutamento dos funcionários, o que era feito no início. Agora são as empresas responsáveis pelas obras que pagam os agentes que recrutam e levam os trabalhadores, a maioria de fora do Qatar, para os postos de serviço.

Há, porém, muito o que fazer diz o relatório. Como impor limite a horas extras aos funcionários, ajustar o diferente nível salarial e a inclusão das horas extras nesses vencimentos e incluir grupo internacional dos trabalhadores de construção civil nas investigações de acidentes, principalmente os fatais, com respostas claras às famílias. Ainda, segundo o documento, existem muitos casos relatados como "mortes não relacionadas ao trabalho", o que isentaria governo e empresas de ressarcimento aos familiares, por exemplo.

E muitas dessas mortes, para o conselho, poderiam ser evitadas se as questões térmica e de alimentação desses funcionários fossem melhoradas. Houve, em 2017, esforços do governo qatariano em melhorias principalmente no relacionamento com familiares de vítimas e o resfriamento do lugar de trabalho, com base no feedback dos operários, aponta o relatório — além de adoção de programas de nutrição. Mas o Conselho acha que mais pode ser feito e deu algumas recomendações à Fifa, que poderão ser seguidas em 2019:

1 – Que a Fifa se envolva com o governo do Qatar para levar rapidamente especialistas globais reconhecidos para avaliar de forma independente como o índice de estresse térmico pode prejudicar os trabalhadores e que haja uma inspeção conjunta entre Qatar e representantes dos trabalhadores para implementar uma melhoria nesse ponto.

2 – Que a Fifa se envolva e apoie com o governo do Qatar a identificação de como a implementação de mecanismos atuais e adicionais para lidar com o risco de estresse por calor podem ser fortalecidas nas áreas de: treinamento em segurança para trabalhadores e seus supervisores (por exemplo, na identificação de sinais de aviso antecipado de exaustão pelo calor); garantindo o descanso adequado aos períodos; ingestão regular de fluídos; modificando alvos e taxas de trabalho para reduzir o esforço físico; agendar o trabalho pesado ou extenuante para horas mais frias do dia e melhorar os dispositivos de resfriamento no local.

3 – Que a Fifa apoie o governo no acompanhamento da implementação de recomendações no Grupo de Trabalho Conjunto entre governo e representes dos trabalhadores que destacou a necessidade de sincronizar registros clínicos e fornecer pessoal clínico (médicos) nos centros de acomodação, com a avaliação dos riscos ocupacionais na construção dos estádios. Isso inclui a identificação e consideração de qualquer condição médica atual que pode afetar a aptidão para o trabalho ou a atribuição de deveres de trabalho.

A Fifa não é obrigada, mas tem seguido as recomendações do Conselho e procurado com o governo do Qatar ajustar melhorias no trabalho para as construções dos estádios. As demais obras não entram na esfera de monitoramento da entidade, mas o Conselho avalia que mudanças que reflitam nos operários das arenas automaticamente devem se estender a todos os trabalhadores relacionados à Copa-2022 (para áreas hoteleira, de transporte e outras).

No verão no Qatar, no meio do ano, as temperaturas passam dos 40 graus facilmente e, por esse motivo, a Copa do Mundo não será realizada entre os tradicionais meses de junho e julho, mas sim entre novembro e dezembro, quando está menos quente. Todos os estádios terão ar climatizado e o governo qatariano deve providenciar transportes a torcedores também com temperaturas amenas, mesmo sendo início de inverno por lá no fim do ano (quando as temperaturas ainda podem chegar aos 30 graus).

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Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.


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