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Ex-desafetos, queridinho e veterano: quem serão os novos vices da CBF

Marcel Rizzo

10/03/2018 10h20

A chapa única para a eleição da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que terá o diretor-executivo da entidade, Rogério Caboclo, como candidato a presidente está montada. Serão oito vices, quatro que já estão no cargo atualmente, mais outros quatro convidados na composição política feita por Marco Polo Del Nero para emplacar seu favorito à sucessão.

As novidades serão Castellar Guimarães Neto, presidente da federação mineira de futebol e, como já mostrou o blog, um dos cartolas que mais cresceu na CBF nos últimos anos; Antônio Aquino Lopes, presidente da Federação do Acre; Francisco Noveletto, chefe da Federação Gaúcha; e Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação da Bahia. Esses dois últimos foram por anos críticos da gestão Del Nero, mas nos últimos meses se alinharam com Rogério Caboclo.

As outras quatro cadeiras são de cartolas que hoje já ocupam o cargo de vice na CBF: Marcus Vicente, ligado à Federação Capixaba; Gustavo Feijó, ex-presidente da Federação de Alagoas; Fernando Sarney, do Maranhão, e Antônio Carlos Nunes, do Pará e que atualmente preside a CBF interinamente com a suspensão provisória de Marco Polo Del Nero.

O posto de vice é importante na configuração da diretoria porque, em caso de algum problema irreversível com o presidente (suspensão ou renúncia), uma nova eleição é convocada um mês depois da saída do mandatário, mas somente os oito vices podem concorrer ao cargo.

Houve uma mudança, em 2017, no estatuto da confederação brasileira. No mandato atual, o vice mais velho em idade assume a presidência em caso de ausência do mandatário, e cumpre o mandato até o final. É o que acontece com Nunes nesse momento, já que Del Nero foi suspenso por 90 dias provisoriamente em 15 de dezembro, pelo Comitê de Ética da Fifa, que investiga denúncias de corrupção contra o cartola brasileiro.

No novo mandato, porém, o vice mais velho, que continuará sendo Nunes, assume por um mês em caso de ausência definitiva do presidente e convoca novas eleições — mas somente os oito vices podem se candidatar para completar o mandato. O que, caso ocorra, deve resultar em um acordo para que um deles assuma a cadeira.

Até 2017, eram cinco os vices da CBF. Atualmente só quatro estão no cargo porque Delfim Peixoto, de Santa Catarina, morreu na queda do avião que levava o time da Chapecoense para a final da Sul-Americana, na Colômbia, em novembro de 2016. Nunca a vaga preenchida justamente porque se esperava a composição da próxima eleição, já com oito vices em vez de cinco.

Novatos

Entre os novos nomes, destaca-se Castellar, advogado jovem (35 anos) que se aproximou de Caboclo quando participou do Comitê de Reformas da CBF, responsável por elaborar o novo estatuto e o Código de Ética. Castellar ganhou, inclusive, um posto em comissão da Fifa, que reformulou seus quadros após denúncias de corrupção. Ele faz parte do Comitê de Jogadores, que trata de temas relacionados à regras para negociação de atletas.

Aquino, do Acre, é um dos cartolas há mais tempo no poder nas federações, mais de 30 anos no cargo. Segundo pessoa ligada a CBF, ganhou o posto por méritos de investimentos bem sucedidos no Estado, que terá em 2018 um representante na Série C, o Atlético, pela primeira vez desde que a Terceira Divisão adotou o formato atual, com 20 clubes, em 2009.

Por último, Ednaldo Rodrigues e Francisco Noveletto foram por alguns anos críticos da gestão José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, mas se alinharam com Rogério Caboclo. Segundo Noveletto, é injusto dizer que fez isso agora para ganhar o cargo.

"Já tem um ano que me alinhei com eles. Até parece que preciso de cargo ou que vivo do futebol. É apenas o reconhecimento de um grande trabalho, me rendi. O Caboclo mostrou ser honesto", disse Noveletto.

Como mostrou na sexta (9) o blog, aliados de Marco Polo Del Nero avaliam que ele "se entregou" e que pouco tem esperança de reverter a suspensão na Fifa. Até a próxima quinta, o Comitê de Éticas da entidade deve dar o parecer sobre sua situação — tendência é uma suspensão longa, que pode chegar a oito anos. Por isso ele antecipou o processo eleitoral — o novo mandato só começa em abril de 2019, mas a eleição já pode ocorrer a partir de um ano antes, ou seja, abril de 2018 (provavelmente será no dia 16).

Del Nero é acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de receber propina para vender direitos comerciais de competições no Brasil e na América do Sul para empresas de marketing esportivo. Ele nega. José Maria Marin, ex-presidente da CBF foi condenado pelas mesmas acusações, mas sua sentença ainda não saiu. Del Nero não será julgado porque não se apresentou às autoridades americanas e o Brasil não extradita seus cidadãos.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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