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Federação, time tradicional e campeão estadual: veja os excluídos do Profut

Marcel Rizzo

12/11/2018 04h00

Dentre as 35 entidades que foram excluídas do Profut desde agosto de 2015, quando a lei de responsabilidade no esporte foi criada, tem time campeão estadual e dois vices em 2018, uma federação, clubes tradicionais do interior de São Paulo e até empresa criada pelo Botafogo para gerenciar o Engenhão apareceram na lista inicial de 137 integrantes do programa, mas ficaram fora porque sua inclusão não foi aprovada.

A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol), órgão atrelado ao Ministério do Esporte e responsável por fiscalizar os clubes e federações que fazem parte do Profut, enviou ao blog a lista das 35 associações que deixaram o programa de refinanciamento de dívidas tributárias por diversos motivos: ou não tiveram a inclusão aprovada, ou porque não cumpriram as contrapartidas necessárias para terem direito aos benefícios de redução em multas e juros, além de facilidade no parcelamento, ou até mesmo por pedido do participante.

Das 35 excluídos, 25 são clubes de futebol, nenhum presente nas três principais divisões do Brasil em 2018. Três times excluídos, Brusque (SC), Campinense (PB) e Novo Hamburgo (RS), participaram da Série D, a quarta divisão do país nesta temporada, mas não conseguiram o acesso à Série C (o Campinense chegou perto, a uma fase de subir). Dos 12 clubes de maior orçamento do Brasil, somente o Palmeiras não aderiu ao Profut.  Atlético-MG, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Inter e Grêmio, portanto, se mantêm ativos.

Oito são entidades que não praticam o futebol profissional — se encaixam nesse perfil clubes sociais que tenham programas esportivos ou associações que desenvolvam algum tipo de atividade esportiva. Uma outra é a Companhia Botafogo, empresa atrelada ao clube carioca que tem como principal missão gerir o Engenhão, estádio do governo do Estado do Rio concedido ao Botafogo. Segundo Domingos Fleury, vice-presidente jurídico do Botafogo, houve a tentativa de incluir a empresa no Profut, mas a Procuradoria-Geral da Fazenda não aceitou.

"Houve um engano da inclusão da Companhia Botafogo entre os integrantes do Profut, porque nunca foi. Tentamos, mas não foi aprovado", disse Fleury.

A federação estadual filiada à CBF que acabou retirada do Profut é a maranhense — outras quatro federações entraram no programa, em 2015: a gaúcha, a mineira, a goiana e a do Rio. Todas essas se mantêm. A Apfut não informou quais foram os casos específicos de cada retirada e avisou que não comenta processos em curso. Em reunião no início de setembro, membros da autoridade receberam a informação de que são dez processos abertos, três em fase de recursos: Santa Cruz (PE), Luverdense (MT) e Vila Nova (GO).

Entre os principais pontos da fiscalização de contrapartidas e que podem significar retirada do programa estão: confirmar que não há atraso de salário para os funcionários (não apenas os jogadores), conferir que o gasto com salários e direitos de imagem dos atletas não ultrapassa 80% da receita total do futebol para o ano vigente e que há investimento nos departamentos de base e de futebol feminino. A Apfut é formada por representantes de várias pastas do governo (Casa Civil, Fazenda e Esporte), além de representantes do meio esportivo e da sociedade civil.

Em São Paulo, estado com o futebol mais rico do Brasil, equipes tradicionais do interior paulista, e que por anos estiveram na elite mas hoje sofrem com problemas financeiros, acabaram saindo do programa, o que só deve agravar a dificuldade: nesta lista estão Rio Branco de Americana, XV de Jaú e Marília. O Novo Hamburgo, surpreendente campeão gaúcho em 2017, e o Grêmio Maringá, tradicional time paranaense, também perderam suas vagas.

Houve casos, porém, de clubes que saíram do Profut mas tiveram um bom 2018. O Serra, por exemplo, foi campeão capixaba e vai participar da Copa do Brasil em 2019, o que significa mais dinheiro em caixa. Na Paraíba, o Campinense foi vice-campeão e, em Pernambuco, o Central de Caruaru também ficou em segundo, perdendo a decisão para o tradicional Náutico.

Veja abaixo um raio-x das 35 associações retiradas do Profut:

1 – Desportiva Ferroviária – Cariacica (ES) – campeão capixaba em 2016, esteve na primeira divisão estadual em 2018

2 – ACVC – Associação de Capoeira Vem Camará – Rio de Janeiro (RJ) – associação desportiva

3 – Associação Atlética Banco do Brasil – Belo Horizonte (MG) – clube social

4 – Associação Atlética Francana – Franca (SP) – quinto colocado na 4ª divisão paulista em 2018, já jogou a elite do Brasileiro nos anos 1970

5 – Associação Esportiva Araçatuba – Araçatuba (SP) – jogou por oito temporadas a elite do Campeonato Paulista, a última em 2000, e está licenciado do futebol

6 – Associação Esportiva Tiradentes – Fortaleza (CE) – rebaixado da primeira para a segunda divisão cearense em 2018

7 – Associação Portuguesa Londrinense – Londrina (PR) – na segunda divisão do Campeonato Paranaense em 2018, rebaixado para a terceira divisão em 2019

8 – Auto Esporte Clube – João Pessoa (PB) – seis vezes campeão paraibano, a última em 1992, rebaixado em 2018 para a segunda divisão estadual

9 – Bonfim Recreativo e Social – Campinas (SP) – clube social

10 – Brusque Futebol Clube – Brusque (SC) – campeão catarinense em 1992, foi sétimo na primeira divisão em 2018, eliminado na segunda fase da Série D e caiu na primeira fase da Copa do Brasil para o Ceará

11 – Canadá Country Club – Londrina (PR) – clube social que teve forte trabalho na formação de nadadores

12 – Central Sport Club – Caruaru (PE) – vice-campeão pernambucano em 2018, perdendo final para o Náutico, e eliminado na primeira fase da Série D

13- Campinense Club – Campina Grande (PB) – eliminado nas quartas de final da Série D 2018 e vice-campeão paraibano

14 – Clube Náutico Marcilio Dias – Marcilio Dias (SC) – vice-campeao da Série B do Catarinense 2018, voltou à elite estadual em 2019

15 – Clube Náutico Mogiano – Mogi das Cruzes (SP) – clube social

16 –  Companhia Botafogo – empresa criada pelo Botafogo e que gerencia o Engenhão, tentou entrar no Profut e apareceu na lista de incluídos, mas acabou não sendo aprovado

17 – Esporte Clube Barreira – Saquarema (RJ) – é a razão social do Boavista Sport Club, clube que ficou em quinto lugar no Campeonato Carioca 2018, somente atrás do quatro grandes, e eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pelo Internacional

18 – Esporte Clube Flamengo – Teresina (PI) – foi 17 vezes campeão estadual, a última em 2009, ficou em último lugar no Piauiense de 2018 (não caiu porque não havia rebaixamento no regulamento)

19 – Esporte Clube Novo Hamburgo – Novo Hamburgo (RS) – campeão gaúcho em 2017, batendo o Inter na final, ficou apenas em 10º em 2018. Eliminado na segunda fase da Série D

20 – Esporte Clube Pelotas – Pelotas (RS) – campeão gaúcho da segunda divisão em 2018, vai à elite estadual em 2019

21 – Esporte Clube Tigres do Brasil – Duque de Caxias (RJ) – disputou a segunda divisão do futebol do Rio em 2018, sem conseguir o acesso

22 – Esporte Clube XV de Novembro de Jaú – Jaú (SP) – esteve 26 temporadas na elite do futebol paulista, a última em 1996. Disputa a quarta divisão atualmente.

23 – Federação Maranhense de Futebol – São Luis (MA)

24 – Fundação União Hospitalar Gratuita – Volta Redonda (RJ) – associação desportiva

25 – Goytacaz Futebol Clube – Campos dos Goytacazes (RJ) – 13º colocado no Campeonato Carioca de 2018

26 – Grêmio Maringá SC – Maringá (PR) – tradicional time do Paraná, campeão estadual por três vezes, a última em 1977, está na terceira divisão paranaense e não conseguiu o acesso à segunda em 2018

27 – Marília Atlético Clube – Marília (SP) – por 25 vezes esteve na elite do futebol paulista, a última em 2015. Terminou a terceira divisão paulista em 2018 na 16ª colocação e foi rebaixado

28 – Palestra Itália Esporte Clube – Ribeirão Preto (SP) – clube social

29 – Rio Branco Esporte Clube – Americana (SP) – por 18 vezes na elite do futebol paulista, a última em 2010, foi rebaixado para a quarta divisão em 2018

30 – Serra Futebol Clube – Serra (ES) – campeão capixaba em 2018, sua sexta taça, vai disputar a Copa do Brasil em 2019

31 – Social Futebol Clube – Coronel Fabriciano (MG) – disputou a segunda divisão do Campeonato Mineiro em 2018, ficando na última colocação e sendo rebaixado para a terceira divisão

32 – Recra (Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto) – Ribeirão Preto (SP) – clube social

33 – Sotecol (Sociedade Técnica de Coleta de Lixo) – associação desportiva

34 – Tuna Luso Brasileira – Belém (PA) – dez vezes campeão do Pará, a última em 1988, o time disputa no momento a segunda divisão estadual tentando voltar à elite

35 – Vitória Futebol Clube – Vitória (ES) – nove vezes campeão capixaba, a última em 2006, ficou em sétimo lugar no torneio em 2018

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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