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Copa do Mundo de 2022 pode ser a primeira em que um país-sede não participa

Marcel Rizzo

17/04/2019 04h00

Estádio que está sendo construído pelo Qatar para abertura e final da próxima Copa (Crédito: Divulgação)

A Copa do Mundo de 2022 pode ser a primeira em que um dos países-sede não participará. O Qatar, que desde 2010 ganhou o direito de receber a competição, está garantido mesmo se o formato inchar de 32 para 48 participantes, como quer a Fifa. Só que para isso funcionar será preciso que outras nações da região recebam jogos, e aí começa o drama: não está garantido que esse co-anfitrião ou co-anfitriões se classificarão automaticamente, como ocorre nas Copas desde a primeira edição em 1930.

O relatório elaborado pela Fifa que dá aval ao aumento de seleções já em 2022, aprovado em março pelo Conselho da entidade e que será votado definitivamente em junho pelas associações membros no Congresso de Paris, deixa claro: somente o Qatar já tem vaga assegurada. Outros países-sede terão que ter essa classificação aprovada pelo Conselho da entidade, o que promete ser uma batalha. Já há pressão de alguns países asiáticos contra o lugar automático para as nações que toparem dividir a hospedagem da Copa com o Qatar. O motivo: diminuiria ainda mais o número de posições disponíveis ao continente na Copa. Ou seja, as seleções desses co-anfitriões teriam que brigar pela vaga na eliminatória e podem não se classificar.

Se o torneio no Qatar inchar, o que é a tendência hoje, os protocolos de organização devem seguir o modelo que já foi aprovado para o Mundial de 2026, que será dividido entre EUA, México e Canadá e terá 48 seleções na disputa. Isso inclui o número de vagas para cada confederação e um detalhe importante: o país-sede "rouba" uma das vagas destinadas a seu continente, ao contrário do que acontece atualmente. A Rússia em 2018, por exemplo, se garantiu como sede e a Europa manteve as outras 13 vagas. Imaginando que o Qatar fosse sede única da Copa-2022 inchada, a AFC (Confederação Asiática de Futebol) teria sete em disputa direta e duas na repescagem, em vez de oito diretas. Se dois coanfitriões entrarem sem passar pela eliminatória, essas vagas diretas cairiam para cinco, o que não agrada as potências do continente como Irã, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Japão e Austrália (que na geografia da Fifa faz parte da Ásia).

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O relatório da Fifa aponta cinco países vizinhos ao Qatar como potenciais co-anfitriões: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã e Kuwait. O problema é que os três primeiros estão em crise diplomática com o Qatar — governo qatariano é acusado por alguns países de proteger grupos terroristas. Se não houver retirada do embargo que existe, sobrariam como opções Omã e Kuwait. O primeiro aparece em 86º no ranking Fifa, 13º na Ásia. O Kuwait está mais abaixo, 156º no geral e 31º entre os asiáticos, de 46 membros.

Omã nunca participou de uma Copa, Kuwait foi em 1982, na Espanha, e caiu na primeira fase com um empate (1 a 1 com a Tchecoslováquia) e duas derrotas (4 a 1 para a França e 1 a 0 para a Inglaterra). Detalhe que foi em 1982 que a Fifa inchou a Copa de 16 para 24 participantes. Na eliminatória para 2018, tanto Omã quanto o Kuwait caíram na segunda fase. Apesar de Omã mostrar evolução, se ambos forem escolhidos como co-anfitriões e a classificação direta não estiver assegurada há boa chance de ao menos um não entrar. Ou até os dois, o que acabaria na estranha situação de jogos de Copa do Mundo em países que não participam do torneio.

A confusão na eliminatória

Nesta quarta (17) a AFC sorteia os confrontos da primeira fase de sua eliminatória, que já terá jogos em junho. 12 equipes serão divididas em seis confrontos, com os vencedores avançando para se juntar as demais 34 seleções do continente. A AFC começará seu processo classificatório para 2022 sem saber quantas vagas terá: se 4 diretas e uma de repescagem com um Mundial com 32 seleções, se sete diretas e duas de playoff, numa Copa com 48 seleções e só o Qatar classificado antecipadamente, ou mesmo se menos vagas caso algum coanfitrião também entre direto.

O que chama a atenção é que no relatório elaborado pela Fifa para analisar o aumento de participantes em 2022 foram feitas análises dos sistemas usados pelas confederações para suas eliminatórias e se seria necessário uma mudança devido ao maior nÚmero de vagas. A conclusão para a AFC foi a de que "pode manter o formato atual se desejar, mas espera-se que tenha alguma alteração". A AFC começa nesta quarta seu processo eliminatório sem saber qual o melhor regulamento para utilizar.

O documento da Fifa diz que é melhor que a AFC mude seu formato de eliminatória porque a fase final do torneio tem 12 equipes, que com o inchaço da Copa podem estar disputando nove vagas, sete diretas e duas em playoffs, sempre levando em conta que só o Qatar terá vaga direta de anfitrião. A competitividade seria afetada, diz o relatório.

A sugestão, portanto, é que mais equipes estejam em uma fase final da eliminatória. Mas a AFC ainda não sabe se é necessário fazer isso, afinal o inchaço não está confirmado. O regulamento deve ser finalizado somente em junho, e corre-se o risco de ainda não se saber quais serão os co-anfitriões e se eles terão ou não vaga garantida sem passar pela eliminatória.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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