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Opinião: VAR tem que mudar e ser usado apenas para corrigir lance objetivo

Marcel Rizzo

07/10/2019 10h40

O VAR (árbitro assistente de vídeo, na sigla em inglês) não acabou com as polêmicas que alimentam mesas redondas e mesas de bares. Por quê? Porque o futebol é uma rara modalidade esportiva em que há (muita) subjetividade nas decisões da arbitragem. O que você acha que foi pênalti seu colega de trabalho discorda e sua mulher fica na dúvida e muda de opinião depois de rever várias vezes o replay com o jogo já encerrado.

Quando oficializado em março de 2018 pela Ifab, o órgão que regula o futebol, o VAR se projetava o terror dos tradicionalistas, aqueles que não são fãs de mudanças radicais nas regras. Vai acabar a polêmica, o que dá "graça" ao futebol, diziam. Pois bem, não acabou justamente porque a subjetividade persiste e, claro, porque os árbitros continuam errando mesmo olhando por minutos a jogada em um monitor na cabine ou à beira do campo.

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Como funciona o VAR

Defendi desde o início o VAR, afinal se há uma regra por que não usar a tecnologia para que ela seja cumprida? Chega de campeonatos decididos por impedimentos mal marcados, por bolas que entraram, mas nem o juiz e nem o bandeirinha viram ou por um toque de mão dentro da área que passou a largo do olho humano. Respeito aos torcedores e aos investidores.

Continuo defendendo o VAR, mas há um grave problema em seu uso e Fifa e Ifab precisam reagir, principalmente porque a tecnologia é usada de forma diferente nos países — há confrontos com oito câmeras para analisar as jogadas e outros com mais de 20. O problema são aqueles lances que alimentam as mesas redondas e de bares, os subjetivos.

O VAR não deveria atuar nessas situações. Defendo que hoje a tecnologia só cheque lances objetivos, como impedimentos, cartão dado a atleta errado, se a falta foi dentro ou fora da área e se a bola ultrapassou ou não a linha do gol. Defendo que nenhuma jogada subjetiva, incluindo possíveis penais, sejam alvos de avaliação do VAR.

A teoria é simples: se o lema do VAR é "máximo benefício, mínima interferência" e em seu protocolo está escrito que os profissionais que estão na cabine só devem interferir em uma marcação de campo se perceberem erro "claro e óbvio", não faz sentido chamar em jogadas que o árbitro fica mais mais de três minutos para decidir vendo a imagem em câmera lenta. Onde está que foi 'claro e óbvio'? Lance subjetivo, permanece a marcação de campo.

Uma opção para casos assim seria o desafio, como existe em outras modalidades, como NFL (futebol americano) e tênis: cada treinador teria dois desafios por jogo, por exemplo, para casos subjetivos. Acha que foi pênalti em seu atacante? Chama o VAR, o árbitro vai à beira do gramado auxiliado pelos que estão na cabine e decide.

O VAR não pode se tornar uma muleta do árbitro, o trabalho dele e sua equipe de campo continua a ser arbitrar o jogo de dentro das quatro linhas, não esperando para ver o que seu assistente de vídeo tem a dizer. Se a sua percepção do gramado foi que o empurrão não foi suficiente para um penal, que siga o jogo, o futebol vai agradecer.

PS: não vou entrar na polêmica dos impedimentos que surgiu nos últimos dias. Impedimento é lance objetivo, goste-se ou não.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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