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Seleção nunca enfrentou tão poucos europeus antes de começar eliminatórias

Marcel Rizzo

11/10/2019 04h00

A seleção brasileira nunca enfrentou tão poucos adversários europeus antes do início de uma eliminatória para a Copa do Mundo desde que a Fifa desenhou datas específicas para amistosos e o classificatório sul-americano se tornou por pontos corridos, nos anos 1990. O time de Tite vai estrear em março tendo encarado apenas um time da Europa, a República Tcheca, 44ª no ranking Fifa e longe da elite mundial atualmente. O Brasil foi eliminado das últimas quatro Copas por rivais da Europa e com o início das eliminatórias, o calendário ficará limitado praticamente a confrontos contra sul-americanos.

Há dois problemas que estimulam a diminuição de confrontos contra seleções europeias. Um foge do alcance da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o calendário, já que a Uefa (União Europeia de Futebol) criou um torneio, a Liga das Nações, que praticamente ocupa todos seus times em jogos somente dentro do continente. O segundo, porém, é o contrato da confederação com empresa que ficou responsável por organizar as partidas do Brasil. Normalmente os rivais escolhidos acabam não sendo aqueles que a comissão técnica considera ideais.

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Após a Copa da Rússia-2018, quando caiu nas quartas de final para a Bélgica, o Brasil teve 14 amistosos, já contando o empate contra o Senegal nesta quinta (10) e o de domingo (13) frente a Nigéria. Foram quatro confrontos contra sul-americanos, três contra africanos, quatro contra equipes da Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe) e dois frente asiáticos, além do encontro contra os tchecos. Em novembro, última data-Fifa para amistosos antes do começo das eliminatórias, em março de 2020, os rivais devem ser a Argentina e um time asiático.

Desde 1994, quando foi campeão mundial nos EUA, o Brasil sempre enfrentou europeus com mais frequência. Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, o calendário ajudava. Se realizavam, por exemplo, torneios amistosos curtos, com participações de fortes seleções. No fim dos anos 1990 a Fifa começou a desenhar um calendário onde datas específicas foram criadas para os jogos da seleções, exigência dos clubes cansados de perderem atletas para os países em datas aleatórias e por muito tempo.

Isso, porém, não impediu que o Brasil enfrentasse rivais fortes da Europa. Por exemplo: entre a Copa de 1998 e o início das eliminatórias do Mundial de 2002, jogos que começaram em março de 2000, o Brasil fez 14 amistosos e encarou sete rivais europeus: a então Iugoslávia, Rússia, três vezes a Holanda, Letônia e Espanha.

O Brasil não participou das eliminatórias para as Copas de 1998, já classificado por ser o campeão em 1994, e na de 2014, garantido por ser o país-sede. O blog levantou os jogos que a seleção fez até o início das eliminatórias sul-americanas para esses Mundiais, como base caso o time tivesse atuado na competição. Antes do de 1998 foram 14 amistosos, com sete europeus como rivais (Iugoslávia, Eslováquia, Israel, Suécia, Inglaterra, Polônia e Romênia).

Já antes da Copa de 2014, e até começar as eliminatórias que não jogou, em setembro de 2011, o Brasil do então técnico Mano Menezes fez dez amistosos, seis contra europeus — Ucrânia, Escócia, França, Holanda, Romênia e Alemanha. Como não precisou jogar o classificatório, ainda encarou até receber a Copa times como Itália, Inglaterra, Dinamarca, Suécia e Portugal.

Entre as Copas de 2014 e 2018, em um calendário portanto bem parecido com o atual, foram 12 amistosos até o início das eliminatórias, em setembro de 2015. Três europeus estiveram no caminho: Turquia, Áustria e França. A diferença para aquele período foi que o classificatório começou mais cedo, portanto foram menos jogos disputados.

No caminho de 2002 até 2006 foram somente seis amistosos, um contra Portugal, porque o Brasil disputou dois torneios oficiais até o início do classificatório, a Copa Ouro e a Copa das Confederações — onde enfrentou a Turquia, somando, portanto, dois confrontos contra europeu até começar a briga na eliminatória rumo à Alemanha.

A Copa do Qatar será entre novembro e dezembro de 2022, e não entre junho e julho, por causa do calor. Serão, segundo o calendário da Fifa, 13 datas-Fifa até lá a partir de março de 2020, quando começam as eliminatórias na América do Sul que deve usar, ao menos, 9 desses períodos — pode até ser mais, dependendo da disposição da tabela. Mas haverá espaço para amistosos, resta saber como a CBF pode manejar com a empresa com quem tem contrato, a Pitch International (que sublocou os direitos da ISE, que de fato tem o acordo com a CBF), quais rivais podem ser enfrentados.

O Brasil caiu para a França nas quartas da Copa de 2006, para a Holanda nas quartas do Mundial de 2010, frente à Alemanha na semifinal de 2014 (o 7 a 1) e perdeu para a Bélgica nas quartas da Copa da Rússia-2018.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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