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Santos x Ceará: árbitro ignora acusação de racismo, mas STJD vai investigar

Marcel Rizzo

18/10/2019 08h13

O árbitro Rafael Traci (SC) não citou na súmula da partida Santos 2 x 1 Ceará, realizada na noite desta quinta (18), as acusações do meia do time cearense Thiago Galhardo de que houve ofensas por parte de torcedores santistas na Vila Belmiro. Segundo Galhardo, na saída do gramado o meia Fabinho ouviu xingamentos racistas e houve ofensas xenófobas vindas das arquibancadas.

A citação na súmula, caso a arbitragem tivesse identificado os insultos, facilitaria a abertura de uma investigação por parte da procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) — o Santos pode até perder pontos. Isso, porém, não quer dizer que não possa ser instaurado um inquérito com base nas declarações dos jogadores. O blog apurou que o caso será investigado e atletas do Ceará podem ser chamados a depor.

A diretoria do Ceará avalia fazer um boletim de ocorrência, o que pode também gerar uma investigação na justiça comum. Não há, até o momento, torcedores identificados que teriam xingado os atletas do Ceará. Em 2014, em um dos casos mais emblemáticos de injuria racial do futebol brasileiro, torcedores do Grêmio foram identificados chamando o goleiro do Santos Aranha de macaco. O time gaúcho foi eliminado da Copa do Brasil e quatro pessoas foram denunciadas à Justiça e fizeram um acordo para não frequentar mais estádios de futebol.

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"Acho que eles vêm ver o espetáculo, que foi bonito, parabéns pela vitória do Santos. Mas querem menosprezar o Fabinho, a mim, fazer racismo chamando de negão, vagabundo… Futebol perde sua essência. Brasileiro tem que se controlar mais. Não pode ter isso, o cara ficar, ao meu ver, embriagado, xingar a gente… Tinha que estudar um pouco mais, conhecer a geografia no Brasil, falar que o Ceará joga no Norte, ou eu que não entendo muito, estudei de sacanagem", desabafou Galhardo, um dos destaques do Ceará no Brasileirão, em entrevista ao Esporte Interativo.

A jornalista Aline Nastari, da emissora, também afirmou ter ouvido insultos preconceituosos das arquibancadas do estádio santista. "A situação para os jogadores do Ceará no banco de reservas está bem complicada. A gente sabe que a pressão aqui é grande, mas tem uns torcedores que de certa forma até perderam a mão de forma preconceituosa. Preconceito até racista nas coisas que gritaram", disse Nastari durante a transmissão.

A Fifa orienta, desde o meio de 2019, que árbitros parem o jogo caso identifiquem cantos racistas, xenófobos ou homofóbicos de torcedores em partidas de futebol. Há três passos a se seguir: parar o jogo e avisar pelos alto-falantes e telão que se parem as ofensas, suspender a partida por 30 minutos e seguir pedindo para que cessem os xingamentos e, por último, a suspensão definitiva do confronto.

O Santos divulgou uma nota por meio de seu departamento de comunicação repudiando os atos e que investiga a situação:

Posicionamento oficial:

Qualquer ato de preconceito e xenofobia é absolutamente repugnante e inaceitável. Diante dos relatos passados por alguns veículos de comunicação, o Clube está investigando e irá tomar as providências cabíveis frente a quaisquer casos dessa natureza. O repúdio absoluto a atos de discriminação faz parte da identidade do Santos Futebol Clube".

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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