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Fifa pede suspensão de jogo em casos de racismo como o de Taison e Dentinho

Marcel Rizzo

11/11/2019 04h00

Desde 15 de julho de 2019, comunicado da Fifa a seus filiados é claro: o árbitro deve parar o jogo em caso de cantos racistas, homofóbicos ou xenófobos. Se os xingamentos não cessarem a partida deve ser suspensa definitivamente. Neste domingo (10), mais um ato racista assombrou o futebol e envolveu dois brasileiros, Taison e Dentinho, jogadores do Shakhtar Donetsk que enfrentavam o Dínamo de Kiev pelo Campeonato Ucraniano.

Ex-jogador do Internacional e atacante que esteve na Copa do Mundo da Rússia em 2018 com a seleção brasileira, Taison se revoltou, mostrou o dedo do meio aos torcedores do Dinamo, que eram visitantes, e chutou a bola em direção a eles. Acabou expulso pelo árbitro, que chegou a paralisar a partida, como manda a Fifa. O confronto teve reinício e o Shakhtar venceu por 1 a 0.

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A decisão de parar o jogo, ou até suspendê-lo definitivamente, é sempre do árbitro de campo. Mas há procedimentos a se cumprir, o que a Fifa chama de "três passos":

1) Paralisar o jogo, com os atletas dentro de campo, e solicitar para que os alto-falantes e telões do estádio peçam para que as manifestações parem. Se for um caso de gesto de alguns torcedores e não uma reação da maior parte do estádio, como pessoas imitando ou xingando atletas de macaco, o que já ocorreu no Brasil recentemente, ele pode seguir o mesmo procedimento se observar o fato ou se algum jogador ou profissional que estiver participando do confronto denunciar.

2) O segundo passo é interromper a partida por alguns minutos, com a possibilidade até dos atletas irem ao vestiário. Novamente o recado têm que ser dados por alto-falantes e telões pedindo que a manifestação discriminatória pare.

3) O último passo é a suspensão definitiva da partida, independentemente do tempo decorrido de jogo. Um anúncio deverá ser feito sobre o motivo e solicitado que todos os torcedores deixem o estádio.

Casos graves devem ser analisados pelos tribunais desportivos de cada país, segundo a Fifa. No Brasil, o xingamento mais comum é o grito de "bicha" em tiros de meta, mas que até agora não entrou no radar da arbitragem. Um clube que for condenado por atos discriminatórios de seus torcedores pode ser apenas multado e ter número de espectadores limitado em jogos como mandante, mas há punições mais graves como jogar totalmente sem torcida, perder pontos e até ser rebaixado de divisão — situações que até mesmo especialistas admitem como muito improváveis de acontecer.

A situação em Carcóvia, cidade onde o Shakhtar manda suas partidas, deveria ser considerada grave. O árbitro usou até o passo 2, com os jogadores se dirigindo ao vestiário. Atletas do Dínamo chamaram torcedores de seu time para conversar, pedindo que parassem. O fato, porém, foi grave. Pela reação dos brasileiros, a decisão da arbitragem deveria ter sido a suspensão definitiva da partida, com relato na súmula o que poderia render punição exemplar ao Dínamo, mesmo atuando como visitante.

Sobre o Autor

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Sobre o Blog

Notícias dos bastidores do esporte, mas também perfis, entrevistas e personagens com histórias a contar.

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