Blog do Marcel Rizzo

Árbitras da elite deixam federações e vão trabalhar em São Paulo em 2019
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Marcel Rizzo

Neuza Back, Edina Batista e Tatiane Sacilotti (a partir da esq.) vão trabalhar juntas em São Paulo em 2019 (Crédito: CBF)

Duas das principais árbitras do Brasil vão trabalhar pela Federação Paulista de Futebol em 2019 — a ideia é unir o trio que representará o país na Copa do Mundo Feminina, entre junho e julho. A paranaense Edina Alves Batista, 38, e a catarinense Neuza Inês Back, 34, deixaram as respectivas federações e já participarão da pré-temporada da arbitragem paulista, em preparação ao estadual que começa no fim de janeiro.

O blog apurou que a migração delas para São Paulo tem como objetivo que possam ter uma preparação mais intensa, participando até de jogos do Paulistão masculino já que representarão o Brasil no Mundial que será disputado na França. Elas terão a companhia no torneio da auxiliar Tatiane Sacilotti, 32, que já é paulista. O trio deve trabalhar sempre junto.

A árbitra Edina Batista comandou dois jogos entre homens em 2018, pela Série C o empate entre ABC e Confiança (2 a 2) e pela Série D a vitória do Macaé sobre o Espírito Santo (2 a 1). Na Série A esteve em nove partidas como assistente adicional 1, que fica atrás do gol. Trabalhou também em partidas do campeonato de Aspirantes, sub-20 e sub-17, sempre entre homens. No feminino apitou a final do Brasileiro, a vitória do Corinthians sobre o Rio Preto por 4 a 0.

A assistente Neuza Inês Back esteve com Edina Batista nas mesmas partidas da Séries C e D em 2018, mas também apareceu em outras, com árbitros homens. Na Série A foram 11 jogos, na B uma e na C duas. Ela participou de partidas importantes da elite brasileira como a vitória do Inter sobre o São Paulo no Beira-Rio, 3 a 1, o clássico entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque (3 a 2 para o mandante) e o confronto carioca entre Botafogo (2) e Flamengo (1) – o Rubro-Negro estava na cola do Palmeiras na briga pelo título nacional.

A Copa do Mundo Feminina será de 7 de junho a 7 de agosto de 2019 e terá a participação de 24 equipes, incluindo o Brasil. Foram escaladas 27 árbitras e 42 assistentes. ''Eu estou vivendo um sonho e minha felicidade é em dobro porque vão comigo as minhas duas assistentes. Foram dois anos de preparação, testes físicos, teóricos, seminários, competições e estávamos sempre torcendo no final de cada evento que o nosso nome permanecesse na lista da pré-candidatas para a Copa do Mundo'', disse Edina ao site da CBF em dezembro, pouco depois da indicação para o Mundial.


Brasil entra 2019 como o terceiro país com mais agentes de futebol
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Marcel Rizzo

A CBF entra em 2019 com 656 intermediários cadastrados, o que deixa o Brasil como o terceiro país com mais profissionais aptos a participar de negociações de futebol. Somente a Inglaterra e a Espanha têm mais, segundo dados da Fifa.

Intermediário é o nome para procuradores de futebol que é dado pela Fifa desde maio de 2015, quando se proibiu que terceiros tenham fatia dos direitos econômicos de atletas. Empresários, na época denominados “agentes Fifa”, tinham liberdade para dividir com clubes e jogadores parte desses direitos econômicos de atleta, e faturavam alto nas vendas.

Desde 2015 isto é proibido, e o intermediário passou a ganhar “apenas” a comissão para intermediar o acordo entre as partes (seja clubes, jogadores ou treinadores). E isso tem que estar documentado, inclusive com o valor a ser pago. Entre abril de 2017 e março de 2018, a CBF informou que foram pagos a intermediários R$ 35,3 milhões, em 732 transações. Muitas, se soube depois, não foram registradas, o que fere a regra da Fifa. 

Nos 656 registros da CBF, há pessoas físicas e jurídicas. Entre as físicas, por exemplo, está Neymar da Silva Santos, o pai do atacante Neymar. Como mostrou o blog em julho de 2017, ele foi registrado com seu nome e CPF, e não por meio de sua empresa NN Consultoria. Entre as negociações que fez, Neymar pai ajudou na ida do meia Lucas Lima do Santos para o Palmeiras.

Inicialmente a CBF estipulou valor de comissão ao intermediário de até 3% do salário bruto do agenciado, mas esse limite caiu e desde 2017 cada contrato pode ter um valor, que é decidido entre as partes (no mercado, a praxe é o pagamento da quantia de 10% da remuneração bruta anual). O texto do regulamento nacional de intermediários (RNI) foi modificado, portanto, dois anos depois de entrar em vigor.

A Inglaterra, que tem a liga de futebol nacional mais cara do mundo, tem 2.013 registros de pessoas e empresas para participar de transações. É disparada a que mais tem profissionais habilitados, já que a Espanha, segunda na lista, tem 719, seguida por Brasil (656), EUA (644) e Alemanha (626). A Itália, que tem número alto de negociações e poderia aparecer nesse grupo, não divulgou em 2018 o número de intermediários cadastrados em sua federação.

Para poder participar do negócio envolvendo um time de determinado país é preciso que o profissional esteja cadastrado em cada federação — não há mais, portanto, uma inscrição única na Fifa, como antigamente. Portanto há intermediários com registros em vários países casos, por exemplo, dos brasileiros Gilmar Veloz e Eduardo Uram.


Conselho pede à Fifa suspensão do Irã se restrição para mulheres não acabar
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Marcel Rizzo

Mulheres no estádio acompanhando o amistoso entre Irã e Bolívia, em outubro (Crédito: Vahid Salemi)

O Conselho de Direitos Humanos da Fifa, órgão independente criado no início de 2017 e que tem como função orientar a entidade em casos relacionados ao tema, recomendou que a federação seja dura com o Irã em relação à proibição de mulheres entrarem em estádios para assistirem a jogos de futebol. O relatório com o assunto, finalizado em setembro de 2018, é o mesmo que pede atenção ao calor que pode matar os operários dos estádios da Copa de 2022, como mostrou o blog na segunda (24).

A Fifa tem atendido às recomendações do conselho, que já produziu dois relatórios. No documento, o grupo formado por oito pessoas pede que a Fifa dê um prazo para que o Irã mude definitivamente suas regras, caso contrário serão punidos — houve, nos últimos meses, casos isolados de liberação para que mulheres vissem partidas in loco, mas ainda há muita resistência para uma mudança de setores do governo.

Pelas leis da Fifa, há a possibilidade de que o Irã, caso não cumpra as exigências, seja suspenso da disputa de torneios internacionais, como a Copa do Mundo — os iranianos já participaram de cinco Mundiais, incluindo os dois últimos no Brasil (2014) e na Rússia (2018). Segundo o relatório, a proibição descumpre os artigos 3 e 4 (discriminação por diversos motivos, incluindo o gênero) do Estatuto, além do código de ética, o que poderia levar o caso a investigação do Comitê de Ética, que como o Conselho de Direitos Humanos é independente.

Em 1º de março de 2018, 30 mulheres foram presas, segundo o relatório, ao tentarem entrar vestidas de homem no estádio Azadi, em Teerã, para a partida entre os times locais Esteqlal e Persepolis (inicialmente a informação foram de 35 detidas). Só havia um detalhe: na arquibancada, como convidado de honra do governo iraniano estava o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Todas foram libertadas no dia seguinte, mas tiveram seus dados pessoais retidos pelas autoridades, ou seja, aberta uma espécie de ficha criminal. No encontro com o presidente do Irã, Hassan Rouhani, Infantino apresentou sua preocupação contra a discriminação contra as mulheres e, segundo o documento, a resposta foi a promessa de ''desenvolvimentos positivos sobre este assunto em futuro próximo''.

Houve avanços, como a presença de mulheres nos estádios para verem, em telões, partidas do Irã durante a Copa do Mundo da Rússia (a seleção local foi eliminada na primeira fase em um grupo que tinha Espanha, Portugal e Marrocos). Em 16 de outubro, após a finalização do relatório portanto, centenas de mulheres, previamente registradas, puderam ir ao estádio Azadi acompanhar o amistoso do Irã contra a Bolívia. A satisfação, porém, durou um dia. No dia 17 o Procurador-Geral do Irã,  Mohamed Jafar Montazeri, prometeu proibir as mulheres de voltarem aos estádios com o argumento de que ''pode levar ao pecado ir a um local ver homens quase pelados''.

Desde 1981, dois anos após a revolução islâmica de 1979, as mulheres são proibidas de comparecer a estádios para assistir a partidas entre homens. Considerado moderado, Hassan Rouhani já afirmou diversas vezes que quer ver mulheres iranianas nos estádios de futebol. Uma mudança definitiva na lei, no entanto, esbarra na posição ultraconservadora de parte do governo e de instituições do país.

Se a Fifa seguir a recomendação de seu conselho de direitos humanos, poderá, em futuro próximo, banir o Irã de competições o que poderia forçar um país que gosta muito do esporte a rever algumas posições. Em novembro, um novo passo favorável foi dado e mulheres registradas com antecedência foram permitidas a verem o jogo entre Persepolis, clube mais popular do país, contra o Kashima Antlers, na final da Liga dos Campeões da Ásia.

A intenção do Procurador-Geral, porém, ainda não foi julgada e o início da abertura pode ter um retrocesso em 2019. Há também a preocupação com o fato de se exigir cadastro das mulheres para entrarem nos estádios, o que, na visão da Fifa, pode resultar em problemas para aquelas que gostam de futebol caso a proibição se mantenha nos próximos anos.

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Atleta fora por 10 minutos: veja detalhes da expulsão temporária no futebol
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Marcel Rizzo

A Ifab (International Football Association Board), órgão que define as regras do futebol, costuma liberar experimentações em partidas de categorias de base e de veteranos que, se bem recebidas, podem aparecer em torneios oficiais nos anos seguintes. Uma das liberadas a ser testada em nível amador é a expulsão temporária, o chamado ''sin bin'', que é como outros esportes – hóquei no gelo, por exemplo – batizaram a área técnica onde o atleta afastado por alguns minutos fica aguardando para retornar ao jogo.

A Ifab, pela primeira vez, regulamentou o ''sin bin'' para o futebol, explicando como aplicá-lo e que já pode ser usado em torneios de jovens, veteranos e deficientes físicos por qualquer associação filiada à Fifa — em partidas oficiais de times principais ou de seleções nacionais ainda é proibido. O blog mostra, abaixo, como vai funcionar a expulsão temporária no futebol caso seja aprovada nos próximos anos – a Ifab acredita que isso não ocorra antes de 2021.

A ideia central é que a saída por alguns minutos de um jogador de campo substitua a advertência por cartão amarelo em algumas ou até mesmo em todas as situações (as duas opções serão testadas nos próximos anos) — o cartão vermelho, a expulsão direta, é mantida como está e aquele que receber essa punição não volta mais a jogo.

Diz o texto incluído, para testes, na regra 5 do futebol, que define os poderes e deveres dos árbitros: ''uma exclusão temporária é quando um jogador comete uma infração passível de advertência (cartão amarelo) e é punido com uma suspensão imediata, sendo impedido de participar dos minutos seguintes da partida. A filosofia por trás desta ''punição imediata'' é que ''ela pode ter uma influência positiva e imediata no comportamento do jogador infrator e, inclusive, na sua equipe''.

Segundo a Ifab, apenas jogadores em campo poderão ser excluídos temporariamente (os cartões amarelos e vermelhos, por exemplo, podem ser dados a atletas que estão no banco de reservas). Ao definir por essa punição, o árbitro ''indicará a exclusão temporária ao mostrar o cartão amarelo e então apontar claramente, com ambos os braços, a área da exclusão temporária (geralmente a própria área técnica da equipe do jogador)''. Ou seja, aquele expulso por alguns minutos poderá ficar acompanhando a partida ao lado de seu treinador, na área técnica em frente ao banco de reservas, mas a Ifab dá outra opção: se preferir pode se manter em aquecimento em área determinada com os atletas suplentes.

A entidade diz que o tempo ideal para exclusão é entre 10% e 15% do tempo total de uma partida de futebol — neste momento de testes cada associação pode definir esse período em que o suspenso temporário ficará do lado de fora do campo. A Ifab usa como exemplo o tempo de dez minutos para uma partida de 90. Caso haja, nesse interim, tempo a se acrescentar ao final (por cera de um dos times, por exemplo), é preciso que proporcionalmente esses minutos também sejam acrescidos à suspensão temporária do atleta.

Há mais: não será função do árbitro principal cronometrar o período em que o punido ficará do lado de fora, isso caberá ao quarto árbitro ou até mesmo ao delegado do confronto, algo que, no momento, pode ser determinado pela associação que quiser testar a regra. Assim que acabar o tempo de suspensão, o responsável pela cronometragem avisa ao jogador e ao árbitro, que o autoriza a voltar para o campo.

A Ifab faz questão de deixar claro que um atleta suspenso temporariamente não pode, claro, ser substituído no período em que estiver cumprindo sua punição, e que caso acabe o primeiro ou o segundo tempo (e houver prorrogação), e o período total da exclusão não tiver terminado, ele cumprirá o que restar no início da próxima etapa.

Em quais situações punir com a exclusão temporária

A associação que define as regras do futebol dá duas opções para que se aplique a expulsão temporária: em todas as advertências que se veja necessidade do cartão amarelo, ou seja, toda vez que se entender dar o amarelo o atleta ficaria fora por dez minutos. Ou para algumas situações, que seria algo intermediário entre o amarelo e o vermelho.

No caso da primeira situação, as recomendações de aplicação de advertência são as mesmas hoje para o cartão amarelo: faltas menos graves, reclamações menos acintosas, etc. Caso um atleta recebe a segunda exclusão temporária (ou seja, o segundo cartão amarelo), ele não pode mais voltar ao jogo, mas após o tempo determinado pelo regulamento da suspensão o time pode colocar outro atleta em campo, sendo considerada uma substituição.

O segundo caso é mais complexo, já que a Ifab diz que a associação que estiver testando a regra deve publicar uma lista pré-definida com as infrações puníveis com a exclusão temporária – nas demais será dado o cartão amarelo ''comum''. A entidade, porém, dá uma ''mãozinha'' e diz algumas situações em que a suspensão por alguns minutos pode ser aplicada: simulação; retardar o início do jogo, discordar da decisão da arbitragem com gestos ou palavras; interromper um ataque promissor por agarrar, segurar ou empurrar um adversário ou ainda colocar a mão na bola; fazer finta ilegal (a famosa paradinha) ao executar uma cobrança de pênalti.

Nessa situação, o acúmulo de um cartão amarelo ''comum'' com a exclusão temporária não resultará em expulsão, o atleta poderá continuar jogando. Mas duas suspensões por algum tempo, como no primeiro caso, faz com que o atleta não possa retornar a campo, mas possa ser substituído caso seu time ainda tenha alterações a fazer no jogo.

Essa regra não está incluída na pauta da Ifab de sua reunião anual, que será em março de 2019, na Escócia, portanto não poderá entrar definitivamente nas regras de futebol no ano que vem. O tema é controverso, e por isso os testes são necessários para definir se é prático, não atrasa o andamento do jogo (um jogador expulso temporariamente pode demorar para sair, reclamando), entre outras questões. A previsão mais otimista dentro da Ifab é que, se os testes forem positivos, possa ser discutido a partir de 2021. De qualquer maneira já há um esboço de como seria utilizado.

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Corinthians e mais sete times do Paulista entram 2019 sem certidão negativa
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Marcel Rizzo

Metade dos clubes que disputará a elite do Campeonato Paulista a partir de janeiro vai entrar 2019 sem a certidão negativa de débito (CND), segundo levantamento realizado na Receita Federal. É um aumento significativo de times nessa situação e vem ainda na esteira da liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que bloqueou a necessidade do documento para participar de campeonatos de futebol no Brasil, há pouco mais de um ano.

Entre os oito está o Corinthians, que está em processo de renovação da documentação, o que deve ocorrer no início do ano. Segundo o clube, não há pendências de impostos e sim a necessidade da apresentação de diversos documentos para o processo ser concluído.

A CND não é obrigatória para disputar competições desde que, em setembro de 2017, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu liminar que suspendeu a necessidade da certidão, além de outras exigências do Profut, a lei de responsabilidade do futebol, como certificado de regularidade de pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e a comprovação de estar em dia com o salário de funcionários. A liminar fez com que disparasse agora, 15 meses depois, o número de times que iniciam a temporada sem a CND, que é a comprovação de que o clube está em dia com pagamentos de tributos.

Para o Paulista de 2017, quando essa parte do Profut ainda estava de pé, mas por determinação do Conselho Nacional do Esporte só valeria a partir de 2018 para dar tempo de adequação dos clubes (apesar de a lei ser de 2015), dois integrantes da Série A1 viraram o ano sem a CND (São Bento e Santo André). Mesmo para o torneio de 2018, quando a liminar de Moraes já estava válida, apenas três equipes não tinham a certidão em janeiro (Ituano, Botafogo e São Caetano) — como a liberação só chegou em setembro, muitos já tinham se antecipado para obter a documentação e apresentar na Federação Paulista de Futebol, que as exigiria em outubro. Para 2019, com a liminar em vigor há mais de um ano, o número pulou para oito, metade dos 16 times que estarão na primeira divisão de São Paulo.

Corinthians, Ponte Preta, Red Bull, São Bento, Guarani, Bragantino, Ferroviária e Oeste estão sem a CND neste momento — o time de Araraquara informou que tem dívidas pagas e espera documentação para receber a certidão. Palmeiras, Santos e São Paulo têm certidões positivas com efeito de negativas válidas, como São Caetano e Botafogo. Ituano, Mirassol e Novorizontino têm as certidões negativas.  Apesar da liminar liberar os clubes sem CND de participarem de competições, Corinthians, São Bento e Ponte Preta, que aderiram ao refinanciamento das dívidas do Profut, precisam ter essa documentação para continuar participando do programa.

A decisão de Moraes fez a Federação Paulista de Futebol retirar de seu Regulamento Geral das Competições (RGC) a obrigatoriedade de ter a certidão para se inscrever em qualquer campeonato organizado por ela. A regra da obrigatoriedade da CND apareceu no RGC de 2017, com o porém de que só valeria a partir de 2018, mas nos RGCs de 2018 e de 2019 foi retirada. O mesmo ocorreu em outras federações e, claro, nos torneios da CBF. O governo federal, que teria interesse em cassar a liminar, também não se movimentou com ênfase para conseguir isso.

Portanto, hoje um clube pode participar de qualquer torneio sem certidão negativa de débito, certificado de pagamento de FGTS e comprovação de pagamento de salário — alguns torneios têm, em seus regulamentos específicos (como o Brasileirão), a obrigatoriedade de estar em dia com salários com o risco de perder pontos, mas para valer essa regra precisa de uma reclamação formal de algum atleta, por meio do sindicato, o que raramente ocorre.

A liminar

O tema das certidões negativas é um dos mais polêmicos do Profut. A CBF e as federações estaduais alegam que principalmente os clubes de menor porte têm dificuldade em conseguir as certidões, seja quitando ou parcelando as dívidas tributárias.  O Profut foi sancionado em 2015, mas para que os clubes tivessem tempo para acertar suas contas o Conselho Nacional do Esporte, que é ligado ao Ministério do Esporte, decidiu que as federações só deveriam exigir as certidões a partir dos torneios de 2018.

Só que o Sindicato das Associações do Futebol (Sindafebol), que é presidido pelo ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi, e o PHS, partido do deputado federal reeleito Marcelo Aro (MG), que tem cargo de diretoria na CBF (relações institucionais), entraram com o pedido de liminar acatado por Moraes — o caso  tem que ser debatido em plenário no STF, mas até agora, mais de um ano depois, ainda não entrou na pauta.

A decisão de Moraes considera que a norma aparenta ferir a autonomia das entidades desportivas quanto à sua organização e funcionamento, prevista no artigo 217 da Constituição Federal, além de constituir forma indireta de coerção estatal ao pagamento de tributos. Essa tese é defendida por alguns juristas ligados a clubes, e tem um ingrediente a mais que causa controvérsia: o clube que não aderiu ao Profut, ou seja, ao parcelamento das dívidas com juros menores e prazos de pagamento facilitados, precisa seguir as mesmas regras (caso do Palmeiras, por exemplo)? É algo que também deve acabar sendo definido na Justiça.


Relatório pede que Fifa ajude a proteger do calor os operários da Copa-2022
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Marcel Rizzo

AFP

A Fifa deve procurar especialistas que ajudem a proteger do calor os trabalhadores que atuam no Qatar para as obras dos estádios referentes à Copa-2022. A recomendação está no segundo relatório produzido pelo Conselho de Direitos Humanos da Fifa, órgão independente criado no início de 2017 e que tem como função orientar a entidade em casos relacionados aos direitos humanos. A prioridade no momento do grupo, formado por oito pessoas, é a melhoria nas condições de trabalho no país que receberá o próximo Mundial.

O documento, finalizado em setembro de 2018, diz que houve melhora em alguns aspectos com relação aos operários que levantam estádios no Qatar. Houve elogio, por exemplo, ao fim da cobrança de taxa de recrutamento dos funcionários, o que era feito no início. Agora são as empresas responsáveis pelas obras que pagam os agentes que recrutam e levam os trabalhadores, a maioria de fora do Qatar, para os postos de serviço.

Há, porém, muito o que fazer diz o relatório. Como impor limite a horas extras aos funcionários, ajustar o diferente nível salarial e a inclusão das horas extras nesses vencimentos e incluir grupo internacional dos trabalhadores de construção civil nas investigações de acidentes, principalmente os fatais, com respostas claras às famílias. Ainda, segundo o documento, existem muitos casos relatados como ''mortes não relacionadas ao trabalho'', o que isentaria governo e empresas de ressarcimento aos familiares, por exemplo.

E muitas dessas mortes, para o conselho, poderiam ser evitadas se as questões térmica e de alimentação desses funcionários fossem melhoradas. Houve, em 2017, esforços do governo qatariano em melhorias principalmente no relacionamento com familiares de vítimas e o resfriamento do lugar de trabalho, com base no feedback dos operários, aponta o relatório — além de adoção de programas de nutrição. Mas o Conselho acha que mais pode ser feito e deu algumas recomendações à Fifa, que poderão ser seguidas em 2019:

1 – Que a Fifa se envolva com o governo do Qatar para levar rapidamente especialistas globais reconhecidos para avaliar de forma independente como o índice de estresse térmico pode prejudicar os trabalhadores e que haja uma inspeção conjunta entre Qatar e representantes dos trabalhadores para implementar uma melhoria nesse ponto.

2 – Que a Fifa se envolva e apoie com o governo do Qatar a identificação de como a implementação de mecanismos atuais e adicionais para lidar com o risco de estresse por calor podem ser fortalecidas nas áreas de: treinamento em segurança para trabalhadores e seus supervisores (por exemplo, na identificação de sinais de aviso antecipado de exaustão pelo calor); garantindo o descanso adequado aos períodos; ingestão regular de fluídos; modificando alvos e taxas de trabalho para reduzir o esforço físico; agendar o trabalho pesado ou extenuante para horas mais frias do dia e melhorar os dispositivos de resfriamento no local.

3 – Que a Fifa apoie o governo no acompanhamento da implementação de recomendações no Grupo de Trabalho Conjunto entre governo e representes dos trabalhadores que destacou a necessidade de sincronizar registros clínicos e fornecer pessoal clínico (médicos) nos centros de acomodação, com a avaliação dos riscos ocupacionais na construção dos estádios. Isso inclui a identificação e consideração de qualquer condição médica atual que pode afetar a aptidão para o trabalho ou a atribuição de deveres de trabalho.

A Fifa não é obrigada, mas tem seguido as recomendações do Conselho e procurado com o governo do Qatar ajustar melhorias no trabalho para as construções dos estádios. As demais obras não entram na esfera de monitoramento da entidade, mas o Conselho avalia que mudanças que reflitam nos operários das arenas automaticamente devem se estender a todos os trabalhadores relacionados à Copa-2022 (para áreas hoteleira, de transporte e outras).

No verão no Qatar, no meio do ano, as temperaturas passam dos 40 graus facilmente e, por esse motivo, a Copa do Mundo não será realizada entre os tradicionais meses de junho e julho, mas sim entre novembro e dezembro, quando está menos quente. Todos os estádios terão ar climatizado e o governo qatariano deve providenciar transportes a torcedores também com temperaturas amenas, mesmo sendo início de inverno por lá no fim do ano (quando as temperaturas ainda podem chegar aos 30 graus).


Libertadores terá regra ‘Marcelo Gallardo’ e mais atletas no banco em 2019
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Marcel Rizzo

Os técnicos poderão levar cinco jogadores a mais ao banco de reservas como opção para usar durante a partida na Libertadores em 2019. Essa é uma das alterações feita no regulamento para a próxima temporada. Há também aumento no valor de inscrição para participar do campeonato, maior número de ingressos que terão que ser disponibilizados a patrocinadores e até um artigo apelidado na Conmebol de ''Marcelo Gallardo'', que reitera que um treinador suspenso não pode se comunicar com seus atletas ou comissão técnica durante o jogo.

A mais relevante, pelo menos no que diz respeito ao jogo em si, é o aumento do número de atletas que pode ficar no banco de reservas. Até 2018 a Conmebol limitava em sete suplentes, indo na contramão da regra da própria Fifa, que disponibiliza a possibilidade de os treinadores terem 12 opções para colocar durante a partida. A Conmebol liberou esse número para suas competições de clubes — os inscritos totais permanecem em 30, portanto sete serão cortados.

O aumento de jogadores que podem ficar no banco de reservas era um dos principais pedidos dos clubes com relação à mudança no regulamento. Outro, o fim do gol qualificado (como visitante) como critério de desempate, principalmente nas fase de confrontos eliminatórios, não foi atendido.

Algumas das confusões que ocorreram na edição de 2018 da Libertadores não passaram despercebidas no regulamento. O artigo 116 incluiu, no texto, que ''jogadores e ou membros da comissão técnica que estiverem suspensos para uma partida não poderão de qualquer forma se comunicar com sua equipe, direta ou indiretamente, estando ou não no estádio em que a partida vá se jogar''.

Dentro da Conmebol esta parte da redação, que não existia até 2018, foi apelidada de artigo ''Marcelo Gallardo'', em referência ao técnico do River Plate que ignorou sua suspensão na segunda partida semifinal da edição deste ano, contra o Grêmio em Porto Alegre, e não só falou com o auxiliar via rádio como foi ao vestiário, no intervalo, orientar seus jogadores. Ele foi multado e suspenso por mais duas partidas, mas nada aconteceu com o River Plate.

Novo marketing

Para 2019, a Conmebol, por meio da empresa Diez Media FC, fechou novos acordos comerciais para a Libertadores, tanto de patrocínio como de direito de transmissão. E os novos parceiros exigirão em 2019 mais ingressos dos clubes mandantes em cada partida da Libertadores. Somente para os patrocinadores (como a empresa aérea Qatar Airways, por exemplo) será um total de 550 bilhetes por jogo, até a semifinal (a final única será de responsabilidade da Conmebol). Em 2018 esse número foi de 350, 200 a menos portanto.

A Conmebol manteve a exigência de 100 ingressos até as quartas e 150 para a semifinal. A Nike, parceira para material esportivo, manteve os 25 bilhetes por confronto, mas houve aumento na distribuição para os detentores de transmissão, já que a Diez Media FC ganhará 25 (45 na semifinal) e emissoras responsáveis pela transmissão do determinado jogo receberão outro 25 (100 na semifinal). Em 2018, a Fox apenas recebeu 25 por confronto.

O relatado acima são para ingressos de arquibancada ou tribuna, mas há também a parte VIP para autoridades e cúpula de confederações e empresas. Os patrocinadores aumentaram essa cota de 24 para 40 ingressos por jogo, enquanto a Conmebol de seis para dez até as quartas de final, e de dez para 20 na semifinal. Já as empresas que transmitirão o evento, que não recebiam bilhetes VIP até 2018, terão direito a 30 por partida até a semifinal. São os clubes mandantes que têm que disponibilizar essas entradas e, se necessário, precisam realocar sócios-torcedores, por exemplo, para outros locais para ceder os melhores assentos a todos esses parceiros e cartolas.

Por fim o valor é pequeno, e sai do montante que a Conmebol dará ao clube como cota de participação, mas a entidade aumentou em cinco vezes o valor de inscrição dos clubes na competição, taxa que precisa ser paga para jogar o torneio. Em 2018 cada clube pagou US$ 1 mil (R$ 3,8 mil), e agora terá que ceder de sua cota US$ 5 mil (19,3 mil). No total, a Conmebol vai distribuir US$ 160 milhões (R$ 600 milhões) aos times da Libertadores, como mostrou o blog do Rodrigo Mattos. 

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Fardo da Fifa, Mundial de Clubes terá um dos piores públicos da história
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Marcel Rizzo

O Mundial de Clubes é o fardo da Fifa e a edição de 2018, que está em disputa nos Emirados Árabes, mantém a tradição. Até a semifinal, a média de público nos seis jogos da competição foi de 16.404 espectadores, pior até que a mais baixa da história do torneio, de 16,5 mil registrada em 2017, também nos Emirados Árabes.

Mesmo se mais de 30 mil pessoas comparecerem à final da competição no sábado (22), que terá o time da casa, o Al Ain, desafiando o poderoso Real Madrid, essa média não passará dos 17 mil e, na melhor das hipóteses, será a segunda pior das 14 edições do Mundial da Fifa no formato atual, com sete participantes (os seis campeões de cada uma das confederações filiadas e um representante do país-sede) . Em 2000, no primeiro organizado pela Fifa e disputado no Brasil, o regulamento foi diferente e depois teve um hiato de cinco anos até voltar ao calendário.

Chivas Guadalajara (México) e Kashima Antlers (Japão) jogaram por uma das quartas de final para 3.997 pessoas, em Al Ain. No mesmo dia e estádio, mas mais tarde, o Al Ain, em casa, atraiu pouco mais de 21 mil pessoas contra o Esperance (Tunisia). O jogo até agora com maior público foi a semifinal entre Real Madrid e Kashima, com 30.554 pessoas — estima-se que a final tenha mais ou menos essa presença de público em Abu Dhabi no sábado (22).

Não é à toa que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, insiste na remodelação da competição, a turbinando com mais participantes (24) para poder receber investimento privado: há uma oferta de conglomerado de empresas na mesa da Fifa de mais de R$ 85 bilhões para a criação desse novo Mundial e de um outro torneio de seleções, batizado de Liga das Nações, que seria uma espécie de mini-Copa do Mundo entre os Mundiais. Boicotado pelos europeus, as discussões sobre o projeto não têm avançado e o máximo que Infantino conseguiu até agora foi designar um grupo de estudo para avaliar os novos campeonatos.

Sem perspectivas a curto prazo para o novo Mundial de Clubes (a Fifa pensava em lançá-lo em 2021, na vaga da Copa das Confederações, que como o blog mostrou pode até ressuscitar com todos esses impasses), o torneio no formato atual não pode simplesmente acabar porque a Fifa tem um contrato com o grupo chinês Alibaba, de compra e venda de produtos online, como parceiro da competição até 2022. O acordo ajuda a balancear as despesas do torneio, que em 2017, financeiramente, não foi tão ruim para a Fifa, segundo relatório da entidade: a receita com o torneio foi de US$ 37 milhões, a maior parte por contratos de patrocínio, contra US$ 22 milhões de gastos para organização. Para o período de 2019 a 2022, quando encerra o contrato com o grupo Alibaba, a previsão da Fifa é uma receita de US$ 83 milhões com a competição.

Os números parecem bons, mas a Fifa avalia que poderiam ser muito melhores se mais times com bom potencial de mercado participassem. Leia-se aí os poderosos da Europa. A ideia da Fifa era que 12 times do continente estivessem no novo Mundial e, para garantir que fossem os maiores, sugeriu convidar potências como Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique e Juventus, que nem precisariam se classificar por índice técnico.

Com esses atrativos, a cúpula da Fifa avalia que dificilmente fracassaria em público a nova competição, e atrairia mais investimento. Incomoda a entidade, que gosta de se gabar que a maioria dos jogos da Copa do Mundo, por exemplo, são disputados com ingressos esgotados, organizar um torneio que não se coloca nem 20 mil pessoas no estádio.

Das 14 edições do Mundial de Clubes no atual formato (já contando 2018), oito foram no Japão por questão de patrocinador (a montadora Toyota). Por lá em 2007, por exemplo, a média bateu os 45 mil espectadores, considerado excelente. Isso, porém, foi caindo com os anos, mesmo no Japão e no Marrocos e desabando no Oriente Médio (Emirados Árabes). Também por isso a Fifa recomendou à Conmebol que não mandasse a final da Libertadores em Doha, no Qatar, e articulou para o jogo ir a Madri. Temia um fracasso de público justamente no país onde será a próxima Copa do Mundo, em 2022.

Não se sabe até agora onde será o Mundial de Clubes em 2020, nesse formato como conhecemos. A China, não por coincidência o país do grupo Alibaba, apareceu como favorita a receber a primeira edição de um novo torneio, mas como esse não saiu do papel o país asiático pode ser o destino do Mundial no ano que vem. Só não se sabe se os estádios vão encher um pouco mais.

Veja a média de público dos Mundiais de Clube da Fifa no formato atual (desde 2005)

2005 (Japão) – 37 mil espectadores
2006 (Japão) – 33 mil
2007 (Japão) – 45 mil
2008 (Japão) – 35 mil
2009 (Emirados Árabes) – 19,5 mil
2010 (Emirados Árabes) – 25,3 mil
2011 (Japão) – 38 mil
2012 (Japão) – 35 mil
2013 (Marrocos) – 34 mil
2014 (Marrocos) – 28 mil
2015 (Japão) – 34 mil
2016 (Japão) – 29 mil
2017 (Emirados Árabes) – 16,5 mil
2018 (Emirados Árabes) – 16,4 mil (até as semifinais)


Conmebol cria ‘grupo de crise’ contra o caos de segurança na Libertadores
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Marcel Rizzo

Depois de toda a confusão do cancelamento da final da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors, que teve que ser realizada em Madri por questões de segurança, a Conmebol criou o chamado ''grupo de crise'' para partidas de suas competições que tenham alguma emergência e a possibilidade de adiamento ou cancelamento. A novidade está incluída no texto do Regulamento de Segurança 2019, documento inédito lançado pela confederação sul-americana na esteira dos problemas ocorridos em Buenos Aires.

Os procedimentos para gestão de crise em casos como o que aconteceu no Monumental de Nuñez, que teve o jogo cancelado depois de o ônibus do Boca ter sido atacado por torcedores rivais, foram incluídos no regulamento de segurança justamente para tentar coordenar ações em situações emergenciais, algo que foi considerado caótico em 24 de novembro: antes de se decidir pelo cancelamento, o horário da partida foi atrasado duas vezes e os torcedores no estádio não tinham retorno preciso sobre o que estava ocorrendo, muitos ficando quase sete horas nas arquibancadas esperando um jogo que jamais ocorreu.

O procedimento após o adiamento para o dia seguinte, domingo dia 25 de novembro, também foi considerado desastroso pela Conmebol, já que a partida novamente não ocorreu e muitos torcedores do River (era torcida única por determinação das autoridades argentinas) novamente se deslocaram, à toa, ao Monumental de Nuñez.

O grupo de crise, se necessário, será formado por oficiais que devem estar presentes no estádio: o delegado da partida, o oficial de segurança da Conmebol (que é indicado, antes do início da competição, pelas associações membro para quando seus times forem os mandantes), o oficial de polícia responsável naquele evento, bombeiros, os administradores do estádio e o árbitro (se necessário). Serão eles que decidirão se a partida terá prosseguimento, será adiada ou cancelada em casos como o que ocorreu no Monumental de Nuñez este ano.

A convocação, diz o documento, se dá por maneira curiosa: um breve sinal de aviso codificado, combinado anteriormente, o qual será emitido pelo sistema de alto-falantes do estádio, para que se dirijam ao lugar de reunião acordado. Na sala, terão quatro procedimentos a seguir, sempre segundo o regulamento de segurança: ver a origem da crise, analisar a crise (ver o alcance e os problemas que pode causar), identificar soluções (podendo, se preciso, consultar a alta cúpula da Conmebol) e, por último, executar a ação, que pode ser adiar ou cancelar o jogo.

Há, no roteiro, as responsabilidades para definir o andamento ou não de uma partida, dependendo da emergência detectada: se for causas naturais (chuva forte, por exemplo), essa decisão é exclusiva da equipe de arbitragem. Já em casos de falhas estruturais do estádio (risco de a arquibancada ceder) é o grupo de crise que analisa. Assim como a ''alteração de ordem pública na parte externa'', que se aplicaria ao caso ocorrido na final entre River x Boca.

Há também situações de ordem pública na arquibancada, que seria uma decisão conjunta da equipe de arbitragem e do grupo de crise, e invasão de campo e arremesso de objetos no gramado, responsabilidades dos árbitros e dos oficiais da Conmebol. Todas as situações preveem um tempo máximo de 45 minutos de interrupção do jogo para análise.

A avaliação na cúpula da entidade sul-americana é que se esse grupo de crise já funcionasse dessa maneira no jogo do Monumental de Nuñez poderia ter se evitado a demora na decisão de cancelar o jogo e até de remarcá-lo para o dia seguinte.

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Conmebol mantém gol fora de casa como critério de desempate na Libertadores
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Marcel Rizzo

Na contramão do que vem sendo feito por outras confederações, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) manteve o gol qualificado (como visitante) como critério de desempate em suas competições de clubes para 2019. Havia pressão nos bastidores para o fim dessa regra na Libertadores e na Sul-Americana, principalmente dos representantes brasileiros, mas o blog apurou que não houve consenso e, por isso, a Conmebol preferiu manter a regra para 2019. Ela será reavaliada para 2020.

No Brasil, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) desde 2018 retirou o gol qualificado como desempate nos jogos eliminatórios da Copa do Brasil, seu principal torneio ''mata-mata'' — a pedido dos clubes. Na Europa, a Uefa, que disseminou essa regra a partir dos anos 1960 com o argumento de que forçaria os times visitantes a saírem da retranca e tentar o gol que poderia ser decisivo na classificação, também vai aboli-la.

Isso ocorrerá já na próxima edição de seus torneios de clubes, a Liga dos Campeões e a Liga Europa, nas temporadas 2019/2020. Secretário-geral da Uefa, Giorgio Marchetti disse em setembro, após reunião com treinadores de grandes times do continente, que hoje em dia não é mais difícil fazer gols como visitante, portanto o critério está desatualizado. Mas vai além disso.

Profissionais brasileiros argumentaram à CBF no ano passado que o gol qualificado deixava os times mandantes mais ''medrosos'', principalmente na primeira partida de um confronto eliminatório. Se levasse um gol em casa chegaria em desvantagem no segundo jogo, por isso o 0 a 0 muitas vezes era bem conveniente, o que deixava as partidas morosas: a equipe da casa com medo de levar gol e o visitante satisfeito em empatar fora de seus domínios.

A Conmebol adotou o gol qualificado na Libertadores em 2005, e desde então só não usava essa regra na final — agora a partida decisiva será em jogo único, portanto continuará sem o gol qualificado. Se empatar terá prorrogação de 30 minutos e, mantendo a igualdade, decisão em cobranças de pênaltis. A Conmebol usa o gol como visitante até como critério de desempate na fase de grupos, se os times empatarem em pontos, saldo de gols e gols totais marcados.

No início de 2018, a entidade informou que avaliava se manteria ou não o gol qualificado como desempate. O blog apurou que clubes de países mais fracos disseram não querer o fim da regra porque, na visão deles, ela pode facilitar vencer os times mais ricos do Brasil e da Argentina.