Blog do Marcel Rizzo

Justiça do Paraguai bloqueia R$ 33 milhões de bens e contas da Conmebol
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) foi embargada, em primeira instância, em quase US$ 10 milhões (R$ 33 milhões), valor que é pedido por um ex-funcionário em processo aberto por descumprimentos trabalhistas.

Cabe recurso em instâncias superiores no Paraguai, onde está a sede da entidade, mas o juiz Luiz Pereira Ramirez bloqueou preventivamente o valor das contas e bens da entidade, escrevendo inclusive que, se necessário, pode ser usada força policial para que a decisão seja cumprida.

O jornalista uruguaio Ismael Antonio Pintos Ramirez cobra pela rescisão de trabalho e por quantias que alega não terem sido pagas pela entidade em trabalho que realizou para produção de conteúdo, principalmente na gestão do ex-presidente Nicolás Leoz – que está preso acusado de receber propina para venda de direitos comerciais de eventos organizados pela Conmebol.

Antonio Pintos, como é conhecido, atuava na produção de conteúdo jornalístico para a Conmebol, inclusive no Brasil, onde morou por alguns anos – ele chegou a iniciar um processo contra a Conmebol na Justiça brasileira, mas desistiu e optou por focar a demanda no Paraguai, onde vive hoje e também onde fica a sede da entidade, em Luque, região metropolitana da capital Assunção.

O valor de R$ 33 milhões definido pela Justiça paraguaia incluiu os pagamentos de gastos com advogados. Procurada, a Conmebol não se pronunciou sobre o assunto.


Pai de Neymar é registrado na CBF para trabalhar como agente de jogadores
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Marcel Rizzo

Neymar pai (segundo a partir da direita) na assinatura de contrato de Lucas Lima com sua empresa (Crédito: Divulgação)

Neymar da Silva Santos não é mais apenas “o pai de Neymar”. Nos últimos dias a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) aprovou o registro de Neymar pai como intermediário, nome que agora a Fifa dá a pessoas que podem participar de transações no futebol. Oficialmente ele pode trabalhar como agente de jogadores.

Seu principal cliente, claro, é seu filho Neymar, astro do Barcelona e da seleção brasileira. Mas já há trabalho para outros jogadores, como o meia santista Lucas Lima, que tem Neymar pai e sua equipe da NN Consultoria ajudando os empresários do atleta em futuros contratos.

Intermediário é o novo nome para procuradores de futebol dado pela Fifa a partir de maio de 2015, quando se proibiu que terceiros tenham fatia dos direitos econômicos de atletas. Empresários, na época denominados “agentes Fifa”, tinham liberdade para dividir com clubes e jogadores parte desses direitos econômicos de atleta, e faturavam alto nas vendas.

Desde 2015 isto é proibido, e o intermediário passou a ganhar “apenas” a comissão para intermediar o acordo entre as partes (seja clubes, jogadores ou treinadores).  E isso tem que estar documentado, inclusive com o valor a ser pago.

Inicialmente a CBF estipulou valor de comissão ao intermediário de até 3% do salário bruto do agenciado, mas esse limite caiu e agora cada contrato pode ter um valor, que é decidido entre as partes (no mercado, a praxe é o pagamento da quantia de 10% da remuneração bruta anual).

Para tentar ter um controle, a Fifa exigiu que cada federação membro fizesse um registro dos intermediários. Sem esse documento, ninguém pode trabalhar como agente de futebol. A CBF tem hoje 393 registros de intermediários, que são feitos de duas maneiras: o nome da empresa que pode fazer as transações (sempre com um representante identificado) ou pessoa física, que é o caso do pai de Neymar. Está registrado na CBF “Neymar da Silva Santos”, e não a NN Consultoria.

O blog, via assessoria, pediu detalhes ao pai de Neymar sobre o trabalho que tem feito como agente de futebol, mas não houve resposta até o fechamento do texto.


Por que Dorival Jr. acha vaga no SP a ideal, mas nunca tinha pensado nisso
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Marcel Rizzo

Dorival Jr ficou quase dois anos no Santos, de 2015 a 2017 (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Quinze dias depois de ser demitido do Santos, em 4 de junho, Dorival Júnior esteve no Rio participando do programa “Noite de Craques”, do Esporte Interativo. Naquele dia, entre diversos bate-papos com amigos e parte de seu estafe, o treinador avaliava o cenário para o futuro trabalho.

Entre todos os avaliados, em nenhum apareceu o São Paulo, clube que o contratou nesta quarta (5). Naquele momento, a avaliação era que Rogério Ceni não perderia o cargo, apesar de o time não engrenar no Brasileiro. Por isso estava descartado trabalhar no Morumbi, mesmo parecendo ser a vaga ideal. 

A cabeça de Dorival se voltou então a trabalhar fora do Brasil, já que para ele o desenho de vagas para treinadores no futebol brasileiro parecia definido até dezembro.

Poderia haver mudanças a partir de setembro e outubro, quando a água começa a bater na canela de times desesperados contra o rebaixamento, mas isso era algo que não interessava ao treinador. Lembranças de 2014, quando assumiu o Palmeiras desesperado em setembro, ajudou a evitar a queda, mas na sequência foi dispensado do contrato que tinha para 2015.

O contato de Dorival com a diretoria do São Paulo aconteceu somente depois de Rogério deixar o cargo, na terça (4). Nem houve aquela tradicional sondagem para saber se o preferido da diretoria toparia o acordo se posição estivesse vaga.

Até a ligação do diretor Vinícus Pinotti, as propostas do exterior não haviam seduzido Dorival. Uma foi do Cerro Porteño, do Paraguai, e outra do Al Nassr, da Arábia Saudita, que depois acertou com outro brasileiro, Ricardo Gomes. Houve uma terceira sondagem, que não animou.

A surpreendente demissão de Rogério Ceni, maior ídolo da história do São Paulo e que parecia que jamais seria demitido, ainda mais com apenas sete meses de trabalho, abriu um cenário que na visão do estafe de Dorival Júnior é muito parecido com o que ele pegou no Santos, em 2015.

O time da Vila Belmiro estava na mesma 17ª posição do Brasileiro em julho, quando Dorival assumiu. Diferentemente do que aconteceu no Palmeiras, Dorival pegou um Santos com metade do ano para trabalhar, e que estava se renovando. Idêntico ao São Paulo agora.

Um dos motivos para a saída de Ceni foi a ineficiência do time, mas o ex-goleiro teve vários jogadores vendidos, como o zagueiro Maicon e o atacante Luiz Araújo, e outros chegando, como o volante Petros, isso no meio do ano. Dorival pegará um time com atletas novos no clube, e apesar de não ter uma pré-temporada para trabalhar, poderá moldar seu time como quer, sem o trauma que acontece quando técnico novo chega em time que está montado.

Há também o fator categoria de base, que faz com que Dorival equipare Santos e São Paulo. Os dois clubes são fortes na formação de jogadores, e Dorival avisou a diretoria são-paulina que conta, muito, com Cotia, cidade da Grande São Paulo onde fica o centro de treinamento da base são-paulina. Não será surpreendente se em breve a base do time profissional do São Paulo seja formada por atletas extraídos de Cotia.


Governo federal vai poder investigar sedes dos clubes. Menos o Palmeiras
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Marcel Rizzo

O governo federal poderá fazer inspeções nas sedes dos clubes de futebol que aderiram à lei de responsabilidade fiscal, o Profut, para investigar a “situação gerencial e financeira” dessas instituições, ou seja, ver se as contas estão em ordem.

Pela primeira vez, portanto, é criada a possibilidade de que um órgão controlado pelo governo, no caso a Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol), tenha acesso in loco a documentos e modus operandi das entidades de futebol.

A Apfut foi criada para fiscalizar as instituições desportivas que aderiram ao Profut – foram 137 no total, entre clubes de futebol, federações estaduais e clubes sociais, e está subordinada ao Ministério do Esporte.

Dos 12 grandes clubes do Brasil, somente o Palmeiras não aderiu, portanto é o único que não está sujeito à receber a visita do governo federal para ver se as contas estão em ordem. Atlético-MG, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Inter e Grêmio refinanciaram suas dívidas tributárias em 240 meses, mas terão que dar contrapartidas para isso – que são o alvo de fiscalização da Apfut.

As principais contrapartidas estão ligadas justamente à saúde financeira dos clubes, que é o que o governo pretende fiscalizar no recebimento de documentos, mas também em visitas – que precisam ser marcadas com dez dias de antecedência, ou seja, não serão visitas surpresas.

Entre os principais pontos da fiscalização estão: confirmar que não há atraso de salário para os funcionários (não apenas os jogadores), conferir que o gasto com salários e direitos de imagem dos atletas não ultrapassa 80% da receita total do futebol para o ano vigente e que há investimento nos departamentos de base e de futebol feminino.

Pelas regras de fiscalização implementadas pela Apfut, qualquer problema relacionado às finanças que for encontrado, seja na vistoria documental ou na presencial, o clube será notificado para solucionar o problema em até 30 dias. Após a terceira notificação ele é retirado do Profut, e perde o acordo de refinanciamento da dívida tributária.

A Apfut é formada por pessoas indicadas por três esferas do governo federal (Ministérios do Esporte, da Fazenda e da Casa Civil), por representantes dos clubes (Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, e Modesto Roma, presidente do Santos), dos jogadores (Juliana Cabral), dos árbitros (Marco Antônio Martins) e de entidade de do fomento ao desenvolvimento do esporte (João Paulo Medina).


Rueda é oferecido ao São Paulo, clube diz não e cita frustração com gringos
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Marcel Rizzo

Reinaldo Rueda está sem clube no momento (Crédito: Mike Stobe/Getty Images)

O treinador colombiano Reinaldo Rueda, 60, foi oferecido ao São Paulo por procurador ligado ao clube na noite desta segunda (3), horas após Rogério Ceni perder o cargo.

A diretoria são-paulina recusou prontamente – a avaliação é que as últimas experiências com técnicos estrangeiros, o colombiano Juan Carlos Osorio e o argentino Edgardo Bauza, foram frustrantes e o momento é de apostar em um profissional brasileiro com experiência.

Foi avisado ao procurador que o clube pretende contratar Dorival Júnior, demitido recentemente do Santos. Como publicou o UOL Esporte, o São Paulo terá reunião ainda nesta terça com Dorival, em Florianópolis.

Rueda está sem clube desde que deixou, em junho, o Atlético Nacional de Medellín. Depois de dirigir até a seleção colombiana, entre 2004 e 2006, e ter destaque na seleção do Equador, entre 2010 e 2014, foi no Nacional que o treinador apareceu para o mercado brasileiro, ao montar o time que conquistou a Libertadores de 2016.

O bom desempenho do Nacional no ano passado fez Rueda se tornar “pop” no Brasil e seu nome apareceu como possibilidade em alguns clubes. No início de 2017, Rueda foi cogitado no Corinthians, antes de Fábio Carille ser efetivado de vez, e na pior fase de Zé Ricardo no Flamengo, após a eliminação na fase de grupos da Libertadores, o nome do colombiano também apareceu pela Gávea. O problema sempre foi o mesmo: o alto salário, em dólar, pedido. No caso do São Paulo, nem foi aberta negociação salarial com a recusa imediata.

O também colombiano Osorio assumiu o São Paulo em junho de 2015, inovou com rodízios nas escalações, mas viveu o auge da crise política que fez o ex-presidente Carlos Miguel Aidar renunciar e decidiu deixar o clube do Morumbi para comandar a seleção do México, onde permanece até o momento. Foram apenas quatro meses no comando são-paulino.

Bauza assumiu no fim de 2015, depois de o clube apostar em Doriva por alguns meses após a saída de Osorio. O argentino permaneceu por oito meses, e pediu demissão para assumir a seleção da Argentina – cargo que, por sinal, já perdeu. As saídas em meio ao trabalho dos dois últimos estrangeiros, e Bauza sendo na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, pegaram mal e o clube não quer ouvir falar de treinador gringo neste momento.


Barcelona pede prioridade na compra da revelação corintiana Pedrinho
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Marcel Rizzo

Pedrinho (esquerda) fez ótima partida contra o Botafogo, domingo (Crédito: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)

O Barcelona quer prioridade na contratação do meia Pedrinho, 19, principal revelação do atual elenco corintiano. Seria um acerto parecido com o feito pelo zagueiro Mina com o Palmeiras.

Haveria um pré-acordo, com valor estipulado, em que o Barcelona poderia exercer o direito de compra a partir de julho de 2018 ou de 2019, a combinar. A multa rescisória de Pedrinho para o exterior é de 50 milhões de euros (R$ 187 milhões), mas esse é o valor colocado para impedir que ele saia sem que o clube queira.

O valor de mercado é outro e no Corinthians avalia-se que, se Pedrinho fosse vendido hoje, o clube poderia conseguir algo entre 10 milhões e 15 milhões de euros (R$ 37 milhões a R$ 56 milhões). Esse é o principal empecilho para que o negócio seja fechado ao Barcelona: há no clube quem aposte que daqui um ano, se firmando na equipe principal, ele possa valer mais de 30 milhões de euros (R$ 112 milhões), por isso cartolas ligados ao presidente Roberto de Andrade pedem cautela.

Uma possibilidade seria estipular cláusula de que o Barcelona, na data de exercer o direito, teria que cobrir qualquer oferta superior que aparecesse. Isso desagrada aos espanhóis, que não pretendem entrar em leilão. Já houve algo parecido agora com o atacante flamenguista Vinícius Júnior, 17, que tem acordo para defender no futuro o Real Madrid por incríveis 45 milhões de euros (R$ 168 milhões) após o Barcelona demonstrar interesse.

No caso de Mina-Barcelona-Palmeiras, o jogador irá à Espanha se o time pagar 9 milhões de euros (R$ 34 milhões), independentemente se houver ou não outros interessados. Inicialmente Mina iria no início de 2018, o Palmeiras conseguiu prorrogar isso para julho de 2018, após a Copa da Rússia, mas há no Barcelona quem defenda que o atleta chegue ao clube já na janela de janeiro próximo.

Em abril, o Corinthians estendeu o contrato de Pedrinho do fim de 2018 para dezembro de 2020 – na época já se falava de um assédio do Barcelona. O salário do meia pulou de R$ 8 mil para R$ 25 mil mensais e a multa para o exterior foi para os 50 milhões de euros.

O Corinthians detém 70% dos direitos econômicos do jogador, enquanto o restante, 30%, são ligados ao empresário Will Dantas – a Fifa proíbe desde maio de 2015 que terceiros (não clubes) tenham participação em atletas, mas contratos anteriores a essa data ainda são válidos.


‘Também acho absurdo’, diz presidente de tribunal sobre liberação de Kleber
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Marcel Rizzo

Kleber, atacante do Coritiba, estava suspenso por 15 jogos, recebeu efeito suspensivo do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e fez os dois gols do seu time no empate contra o Vasco, na noite de domingo (2), pela Série A do Brasileiro.

A decisão de liberar para jogar em caráter provisório o atacante que havia sido punido por cuspir e agredir o volante Edson, do Bahia, em 15 de junho, fez o tribunal desportivo receber críticas ao final da partida em Curitiba por causa dos gols de Kleber — ele só havia cumprido três dos 15 jogos, portanto sem o efeito suspensivo estaria fora dessa partida.

“Não temos o que fazer. Não é opção do tribunal conceder o efeito suspensivo, é uma obrigação. Está na lei. Se tivesse opção talvez fosse rejeitado”, disse ao blog o presidente do STJD, Ronaldo Piacente.

Ele se refere a dois artigos, um do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) e outro da Lei Pelé. O 147 B do CBJD diz que “o recurso voluntário será recebido no efeito suspensivo nos seguintes casos: (I — quando a penalidade imposta pela decisão recorrida exceder o número de partidas ou os prazos definidos em lei, e desde que requerido pelo punido).''

A lei, no artigo 53 da Lei Pelé, parágrafo 4, diz que “o recurso ao qual se refere o parágrafo anterior [de qualquer caso que caiba recurso] será recebido e processado com efeito suspensivo quando a penalidade exceder de duas partidas consecutivas ou quinze dias”.

“Não diz ali que pode ser recebido, mas sim que será recebido. Se a decisão de primeira instância for superior a dois jogos de suspensão consecutivos, ou 15 dias, o tribunal tem que dar o efeito suspensivo ao pedido do recurso do clube ou jogador até o caso ser julgado pelo Pleno [última instância] do STJD. É a lei e temos que seguir”, disse Piacente.

O efeito suspensivo foi concedido na última quinta-feira (29) pelo relator do recurso do Coritiba, o auditor Antônio Vanderler de Lima. O jogador já havia cumprido três partidas: a automática pelo cartão vermelho recebido frente o Bahia, que foi contra o Corinthians, e diante Grêmio e Cruzeiro.

O Coritiba já havia feito o pedido do efeito suspensivo antes desses dois últimos jogos, mas o STJD não concedeu porque ele não havia cumprido a suspensão mínima exigida pela lei para obter o benefício (que são duas partidas consecutivas).

O julgamento de Kleber no Pleno deve ocorrer somente na semana que vem, o que o deixará livre para jogar ainda na próxima segunda (10), contra o Sport, e talvez na quinta (13) frente o Avaí – o Pleno pode manter a pena, diminuí-la, aumentá-la ou absolvê-lo.

“Nós, do tribunal, estamos amarrados. Também acho um absurdo, mas não posso desrespeitar a lei”, disse Piacente.

Kléber foi denunciado pela procuradoria do STJD por agressão (artigo 254-A do CBJD) e por cuspir em adversário (artigo 254-B). Cada infração prevê suspensão por até 12 jogos. Ele pegou nove pela cusparada e seis pela agressão. Edson, por dar uma cotovelada em Kleber, foi suspenso por seis partidas.


Jogo 36 dias depois? Data da Libertadores irrita e Conmebol compensa clubes
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Marcel Rizzo

As mudanças para substituição de jogadores que a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) fez nos regulamentos da Libertadores e da Sul-Americana foi um pedido dos clubes. Eles reclamaram sobre a larga distância de dias entre as partidas de ida e volta das próximas fases das duas competições, e foram compensados. 

A entidade aumentou de três para seis as possíveis trocas na lista de inscritos, e estendeu o prazo para que se faça isso até antes dos jogos de volta das oitavas, no caso da Libertadores, e da segunda fase da Sul-Americana — inicialmente, a substituição teria que ser feita até antes dos confrontos de ida.

Há temor de que a janela de transferências dos principais mercados europeus, que começa em julho e só termina no fim de agosto, desfalque as equipes entre os jogos de ida e de volta e cause desequilíbrio técnico dentro dos confrontos.  

Mais de um mês para se decidir a vaga nas quartas-de-final da Libertadores desagradou principalmente aos times de Brasil e Argentina no principal torneio do continente. O Palmeiras, por exemplo, enfrenta na próxima quarta (5) o Barcelona, em Guayaquil (QUE), e depois só o recebe em São Paulo em 9 de agosto.

Santos e Atlético-PR começam o confronto em 5 de julho, no Paraná, e só terminam em Santos em 8 de agosto. Os demais confrontos das oitavas seguem a mesma diferença de dias, consequência do novo calendário da Libertadores, que agora compreende o ano todo e não somente o primeiro semestre, quando ficava mais espremido.

A inspiração

Para definir as datas, a Conmebol se inspirou na Uefa (União Europeia de Futebol), que nas oitavas de final da Liga dos Campeões também espaça os jogos de ida e volta. Por lá, porém, há uma diferença: entre fevereiro e março, quando ocorrem os jogos dessa fase, o mercado de transferências nos principais países do continente está fechado, portanto os times não correm o risco de ficarem desfigurados em meio a um confronto eliminatório.

Cartolas argumentaram a membros de uma comissão de clubes criada recentemente pela Conmebol, que concordou, que haveria o tal desequilíbrio técnico dentro de um mesmo confronto com diferença tão grande de dias entre as partidas, e era preciso uma compensação caso o dinheiro europeu desmontasse alguns times. Foi sugerido, e acatado, que se dobrasse a possibilidade de trocas  de jogadores, e que se estendesse isso até o segundo jogo justamente para que uma equipe não entrasse tão desfalcada em um confronto que já havia se iniciado um mês antes.

A  situação pode criar algumas bizarrices. Por exemplo: o Grêmio encara o Godoy Cruz na Argentina na próxima terça (4), e terá em campo seu melhor jogador, Luan, que pode fazer gols numa eventual vitória. Só que no compromisso da volta, 36 dias depois, em Porto Alegre no dia 9 de agosto, o mesmo Luan já pode ter sido vendido e não participará da conclusão do mata-mata do qual foi parcialmente decisivo.

A sugestão é que em 2018 não se espace confrontos de uma mesma fase. Por exemplo: as oitavas, ida e volta, seriam realizadas com diferença máxima de 15 dias. Das oitavas para as quartas, aí sim poderia haver uma distância de mais de 30 dias, já que na visão dos clubes poderia haver perda de atletas, mas que não influenciaria dentro de um mesmo confronto.

Para 2017, as quartas (entre 12 e 21 de setembro), semifinais (entre 24 de outubro e 2 de novembro) e a final (nos dias 22 e 29 de novembro), não têm espaçamento grande de datas entre as partidas de ida e volta – os times poderão voltar a trocar jogador da lista de inscritos antes das semifinais (três atletas, se até lá a Conmebol não mudar de novo o regulamento).

Na Copa do Brasil, torneio organizado pela CBF, ocorrer o mesmo problema, mas nas quartas de final da competição. Nesta semana foram realizados os quatro primeiros confrontos, e os jogos de volta só serão realizados nos dias 26 e 27 de julho, quase um mês depois.

Há movimentação dos clubes também na CBF para que isso mude a partir de 2018. Dentro da entidade argumentou-se, apurou o blog, que neste ano foi mais difícil elaborar a tabela dessa fase da Copa do Brasil porque dos oito classificados para as oitavas, sete times estão envolvidos também nos mata-matas da Libertadores e da Sul-Americana – apenas o Cruzeiro tem agenda mais folgada.


Palmeiras já lucra R$ 21 mi e tem faturamento 20% maior com futebol em 2017
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Marcel Rizzo

O Palmeiras teve lucro líquido de R$ 21,3 milhões com seu departamento de futebol nos quatro primeiros meses de 2017.

De janeiro a abril a receita no futebol profissional e amador (base) do clube foi R$ 153,7 milhões – claro que 99% referente ao profissional, principalmente com dinheiro de patrocinador, direito de transmissão de TV e programa de sócio-torcedor.  No mesmo período o clube gastou no departamento 132,4 milhões, principalmente no pagamento de salários e na contratação de atletas.

Os R$ 153,7 milhões de faturamento em 2017 é quase 20% maior do que o arrecadado em 2016, no mesmo período. No ano passado foram R$ 124,3 milhões, entre janeiro e abril, com gastos de R$ 100,2 milhões – lucro líquido, portanto, de R$ 24,1 milhões.

O aumento no faturamento este ano tem relação com acréscimo nos preços das mensalidades do programa Avanti, o sócio-torcedor palmeirense, e com maior valor pago em direitos de transmissão. O Campeonato Paulista, por exemplo, rendeu ao clube R$ 17 milhões em 2017, contra R$ 14 milhões em 2016.

No balanço financeiro parcial de 2017, o clube vai bem no futebol e apresenta pequeno superávit no departamento social, de R$ 20.645,17 no acumulado. Em 2017 há prejuízo por enquanto apenas com esportes amadores, até expressivo, de R$ 1,12 milhão.

A receita total no ano até agora no clube, somando futebol, social e esportes amadores, é de R$ 169,7 milhões, com gastos de 149,6 milhões e lucro até o momento de R$ 20,1 milhões. No mesmo período do ano passado esse superávit era superior, de R$ 25,4 milhões.


SP já trabalha para jogo de adeus de Lugano contra Atlético-PR ou River
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Marcel Rizzo

Lugano renovou com o São Paulo até o fim de 2017 (Crédito: Érico Leonan/saopaulofc.net)

Diego Lugano não pretende se aposentar ao final de seu contrato renovado com o São Paulo, em dezembro de 2017. Mesmo assim, o clube trabalha possibilidades de ter um adversário caso o zagueiro mude de ideia e tope um jogo de despedida no fim do ano.

No momento, três rivais são considerados, por ordem de preferência são-paulina: Nacional de Montevidéu (URU), River Plate e Atlético-PR.

Lugano iniciou no futebol jogando na base do Libertad, clube pequeno de Canelones, cidade onde nasceu. Mas foi no tradicional Nacional que começou a carreira profissional, por isso, caso o jogo aconteça, seja em 2017 ou mais à frente, o Nacional será a primeira opção.

Mas há outras duas, todas ligadas ao título da Libertadores de 2005 – Lugano conquistou pelo São Paulo também o Paulista de 2005, o Mundial de Clubes de 2005 e o Brasileiro de 2006, todos na primeira passagem que teve pelo clube.

O São Paulo foi campeão continental em 2005 batendo na decisão o Atlético-PR. Empate por 1 a 1 no primeiro jogo, goleada por 4 a 0 no Morumbi, e título garantido. O time de Curitiba aparece como opção por ter sido o adversário da final e do confronto da taça, mas se na partida da despedida de Lugano a ideia for relembrar a conquista da América, a diretoria prefere o River Plate (ARG).

Adversário da semifinal, o time da Argentina protagonizou duas batalhas, com vitórias do São Paulo por 2 a 0 no Morumbi e 3 a 2 no Monumental de Nuñez. Muitos no clube classificam esse confronto como o mais difícil e mais representativo daquele título.

É Lugano quem vai dar a sua preferência, mas no momento ele não quis conversar sobre o assunto, já que não pretende pendurar as chuteiras em dezembro – até porque teve propostas antes de renovar com o São Paulo, há dois dias, portanto ele avalia que ainda tem mercado para atuar por mais algum tempo.

Dia 2 de novembro próximo ele vai completar 37 anos.