Blog do Marcel Rizzo

COI quer a renúncia de Nuzman para rever suspensão do COB
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Marcel Rizzo

Carlos Arthur Nuzman é levado preso por agentes da Polícia Federal (Crédito: Mauro Pimentel/AFP)

O COI (Comitê Olímpico Internacional) avalia a saída definitiva de Carlos Arthur Nuzman da presidência do COB (Comitê Olímpico do Brasil) como sua principal exigência para que a suspensão imposta à entidade nesta sexta-feira (6) seja revista.

Nuzman também foi suspenso, mas de suas credenciais no COI, do qual por exemplo é membro da organização da Olimpíada de 2020, em Tóquio. Ele ainda é o presidente do COB e foi preso na quinta (5), acusado de ocultação de bens em meio à investigação de que foi pago propina para o Rio vencer a eleição para sede da Olimpíada de 2016 — seu advogado chamou a prisão de ilegal.

O COI teria preferência também para que, confirmada a saída de Nuzman da presidência, houvesse nova eleição no COB – ideia de “limpeza total”, alterando toda a diretoria de Nuzman. Isso, porém, é improvável que aconteça.

Com a prisão temporária do seu presidente, quem comanda o COB interinamente é o vice Paulo Wanderley, ex-presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), e eleito em outubro de 2016 para o mandato que se iniciou em janeiro de 2017 e vale até 2020. É ele quem assume em caso de afastamento definitivo de Nuzman.

Para se haver uma nova eleição, segundo o estatuto do COB, é preciso que haja uma vacância também da vice-presidência, ou seja, Wanderley teria que sair junto, algo extremamente improvável no momento. Se acontecesse, novas eleições seriam convocadas em até 30 dias.

Um novo pleito é negociável com o COI, não a saída de Nuzman. São três as possibilidades para que o atual presidente perca definitivamente o cargo, segundo o advogado Eduardo Carlezzo, especializado em direito desportivo: uma renúncia; a aprovação de impeachment; ou, caso a prisão de Nuzman se alongue, a assembleia geral decretar a vacância do cargo, com Wanderley assumindo definitivamente a presidência.

A prisão temporária de Nuzman tem prazo de cinco dias, renováveis por mais cinco. Mas se a Justiça entender necessário pode decidir pela prisão preventiva, sem prazo para terminar. “Para um impeachment seria necessário o pedido da Assembleia Geral. Sobre a vacância, não há um prazo indicado máximo para que se possa pedi-la”, explicou Carlezzo.

Tudo vai depender de quantos dias Nuzman ficará preso. Se ficar um período considerável, haverá tempo hábil para movimentação entre membros da Assembleia para optar pela saída do presidente. Se ele deixar a prisão no início da próxima semana, poderá tentar segurar o cargo em contato com os presidentes das confederações, a maior parte formada por aliados.

A suspensão do COB não afetou os atletas brasileiros, que segundo o COI podem continuar participando de eventos com a bandeira brasileira. Em 2018 ocorrerão as Olimpíadas de Inverno, na Coreia do Sul, em fevereiro, e a da Juventude, em Buenos Aires, em outubro. Mesmo se a suspensão persistir, os brasileiros poderão participar dessas competições.


Nuzman preso: estatuto do COB desrespeita lei e não tem punição a corrupto
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Marcel Rizzo

Com Leo Burlá, do Rio

O estatuto do COB (Comitê Olímpico do Brasil) desrespeita exigência da Lei Pelé e não prevê a inelegibilidade de dirigentes condenados ou afastados dos cargos por problemas financeiros detectados na entidade.

Preso nesta quarta (5) pela Polícia Federal acusado de ocultação de bens, em meio à investigação de compra de votos para que o Brasil ganhasse o direito de ser sede da Olimpíada em 2016, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, poderia manter o cargo ou se candidatar em eleições futuras mesmo se afastado ou condenado por irregularidades — se optar pela licença, ou renunciar, quem assume é seu vice, Paulo Wanderley, que presidiu a federação de judô (leia mais abaixo).

O artigo 23 da Lei Pelé elenca diversos motivos que podem tornar dirigentes esportivos, eleitos ou indicados, inelegíveis por dez anos, e diz que é obrigatório que todas as entidades coloquem essas possibilidades em seus estatutos.

A inelegibilidade se dá por condenação por crime doloso, por não prestação de contas de recursos públicos e da própria entidade, e para aqueles “afastados de cargos eletivos ou de confiança de entidade desportiva ou em virtude de gestão patrimonial ou financeira irregular ou temerária da entidade”.

A falta dessa exigência da lei no estatuto do COB foi detectada pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Em dezembro de 2016 foi elaborado relatório que avaliou a aplicação dos recursos da Lei Agnelo/Piva, que destina parte da renda de loterias ao COB que os repassa às federações.

Em meio a análises de planilhas de dinheiro pago às filiadas, o TCU fez duras críticas ao estatuto do COB, que na visão do ministro Vital do Rêgo, relator do caso, dificulta a chance de que haja candidaturas diversas (ao condicionar, por exemplo, que o candidato tenha ao menos cinco anos como membro do comitê) e não tem dispositivos que garantam a transparência da gestão. Ao final, detectou a falta do artigo que trata da punição a dirigentes corruptos.

Ao final, o TCU determinou ao COB que adequasse, em 180 dias, seu estatuto ao que prevê a Lei Pelé. O prazo venceu em junho e não foi modificado – o COB, por ser uma entidade privada, questionou diversas vezes o tribunal sobre seu alcance de análise sobre as contas do comitê. O TCU sempre entendeu que, por ter dinheiro público envolvido, poderia investigar.

O eventual substituto

Paulo Wanderley reinou na Confederação Brasileira de Judô (CBJ) de 2001 até 2016, quando foi eleito vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) na chapa encabeçada por Nuzman.

Eleito para o quadriênio 2017-2020, Wanderley já era tratado como o virtual presidente da entidade após o final deste período, fatalmente o último de Nuzman no comando do esporte brasileiro — durante a prisão preventiva de cinco dias de Nuzman, é Wanderley quem tocará a entidade.

Como a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se viu às voltas com contratos fraudulentos, o prestígio de Ary Graça, então favorito ao cargo, ficou muito arranhado. Com Graça eleito para a presidência da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o caminho ficou aberto para o ''judoca''.

Amparado pelos ótimos resultados de sua modalidade, Wanderley ficou sem concorrentes dentre os presidentes da entidade. Com um trabalho considerado de bom nível na CBJ, angariou a seu favor o apoio dos seus atletas e pintou como o principal nome na corrida para suceder Nuzman.


Febre entre os boleiros, Gabriel Jesus encomenda futmesa para a seleção
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Marcel Rizzo

Os jogadores da seleção brasileira ganharam uma diversão no vestiário para as partidas de outubro contra Bolívia e Chile pelas eliminatórias: uma mesa estilizada para o futmesa, nome dado no Brasil ao jogo em que uma bola de futebol é atirada sobre uma mesa – se pode usar os pés e a cabeça.

O novo esporte lembra um pouco o tênis de mesa, a pontuação ocorre quando a bola pinga uma vez no campo rival e ele não a alcança — claro a bola é maior e não há raquetes.

Durante a concentração para encarar a Bolívia na Granja Comary, em Teresópolis, a futmesa estilizada foi instalada a pedido do coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar. No Palmeiras, onde a seleção treinará para enfrentar o Chile no Allianz Parque, na terça (10), a encomenda foi feita por Gabriel Jesus, ex-atleta palmeirense.

O futmesa ganhou destaque na seleção antes dos jogos de setembro das eliminatórias (contra Equador e Colômbia), quando um vídeo viralizou com Neymar, Marcelo, Daniel Alves e Thiago Silva brincando do jogo, mas em uma mesa comum. Na Europa já há times, como o Bayern de Munique, que estilizaram mesas para seus atletas usarem durante as concentrações ou antes e após os treinamentos.


O plano de mais minutos em campo para Borja e Felipe Melo no Palmeiras
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Marcel Rizzo

Borja fez 23 jogos e anotou quatro gols pelo Palmeiras (Crédito: Divulgação/Palmeiras)

Há mais de um mês reintegrado ao elenco do Palmeiras, o volante Felipe Melo foi aconselhado dentro do clube a esperar com calma por 2018. Mesmo com Cuca afirmando nesta quarta que vai cumprir o contrato até o fim do ano que vem, sua permanência é vista por alguns hoje no Palestra Itália como uma incógnita, o que abriria caminho para uma nova chance não só para Melo, mas também a Borja se um novo treinador assumir.

Os casos são diferentes, mas a titularidade de ambos esbarrou em decisões de Cuca. Melo e Borja foram as negociações mais importantes do clube em 2017. O primeiro pela experiência como o homem para comandar a campanha na Libertadores, e o segundo financeiramente ao custar mais de R$ 32 milhões depois de um 2016 empolgante pelo Atlético Nacional (COL).

A principal crítica a Cuca internamente é o não aproveitamento dos dois jogadores, apesar dos problemas de ambos. Melo fez reclamações do treinador, dentro do vestiário e depois em áudio vazado por redes sociais. Foi afastado, mas pediu desculpas e acabou reintegrado ao elenco, mas não ao time. Só treina, e não joga.

Borja não fez grandes atuações no ano, e decepcionou. Isso é fato. Mas cartolas avaliam que poderia ter sido mais usado, e deveria hoje ter oportunidade de tentar reaver a titularidade já que Deyverson, que agrada mais a Cuca, não vive boa fase. O argumento dos que criticam Borja fora é que Cuca desistiu dele muito rapidamente.

Cuca tem contrato até o fim de 2018. Em entrevista depois da derrota de 1 a 0 para o Santos, sábado passado, o treinador se esquivou se cumpriria o acordo dizendo que teria que se esperar para ver o que é bom. Depois, acabou dizendo que foi mal interpretado e que pretende sim cumprir o contrato até o fim, e nesta quarta até adiantou em dois dias sua entrevista semanal para novamente reafirmar que pretende permanecer.

Todo o planejamento de 2018 está sendo feito com a anuência e participação de Cuca, como mostrou o UOL Esporte semana passada. Mas a diretoria do Palmeiras começa a temer o efeito 2017: iniciar o ano com o treinador errado, caso de Eduardo Baptista, demitido em maio.

O desgaste de Cuca em 2017 será transferido automaticamente para o ano que vem, inclusive com jogadores como Felipe Melo e Borja, e isso preocupa. Um novo técnico pode dar novos ares a esses jogadores, que na análise de diretores ainda podem render no time. Melo tem acordo até o fim de 2019, e Borja até 2021.


Tite só convoca os corintianos e os flamenguistas? Não é bem assim
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Marcel Rizzo

Tite recebe gremista Arthur na Granja Comary (Crédito: Lucas Figueiredo/CBF)

Vida de técnico da seleção é conviver com críticas às convocações. Por que não chamou aquele atacante, como optou por esse goleiro, prefere atletas do Corinthians porque trabalhou lá, ou do Flamengo porque é o time mais popular?

Tite assumiu em junho de 2016, e apesar da ótima campanha nas eliminatórias que classificou o Brasil com antecedência à Copa da Rússia no ano que vem, as listas de convocados não são unanimidade. Muito se ouve que “Tite gosta de jogadores do Corinthians, olha lá o Fagner e o Cássio”, ou “sempre tem alguém do Flamengo, veja Muralha e Diego”.

Levantamento feito pelo blog mostra que nem Corinthians e nem Flamengo foram os times brasileiros com mais atletas chamados por Tite até o momento. É o Grêmio de Renato Gaúcho, considerado por muitos especialistas o melhor do Brasil em 2017, aquele que mais cedeu jogadores desde a primeira convocação de Tite, em agosto do ano passado — gaúcho, o técnico teve no Grêmio seu primeiro grande clube no currículo, com o qual ganhou a Copa do Brasil de 2001.

Foram cinco gremistas até o momento: Marcelo Grohe, Geromel, Walace, Luan e Arthur. Walace já foi vendido ao Hamburgo, mas quando chamado ainda estava em Porto Alegre. Arthur é o mais recente convocado, e está no grupo que enfrenta a Bolívia, nesta quinta (4) em La Paz, e o Chile na próxima terça (10), em São Paulo.

Atlético-MG e Flamengo tiveram quatro atletas chamados cada um, Corinthians e Palmeiras três e o Santos, dois. Um detalhe faz com que Tite possa até ser chamado de democrático em suas convocações: o amistoso contra a Colômbia a favor das vítimas do acidente da Chapecoense, em janeiro, contou apenas com atletas que atuavam no país. Com isso, todos os 12 clubes de maior torcida do país tiveram ao menos um jogador em listas do treinador.

Tite já chamou 60 jogadores desde que assumiu, e sua preferência para a Copa de 2018 parece não estar concluída. Exemplo é o lateral direito corintiano Fagner, que com sete convocações até aqui foi o atleta que atua no Brasil que mais vezes esteve na seleção com o técnico. Para os jogos contra Bolívia e Chile, porém, Tite optou por Danilo como reserva de Daniel Alves.

Com seis chamadas, o goleiro Weverton, do Atlético-PR e titular no título olímpico de 2016 (não com Tite, mas com Rogério Micale como técnico) também perdeu espaço e, hoje, Alisson, Ederson e Cássio parecem estar um passo adiante.

Analisando as convocações de atletas de clubes brasileiros, a lista mostra coerência: tem na ponta os clubes considerados pela crítica no começo do ano os de melhores elencos (Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG), e aqueles que apresentaram o melhor futebol no ano em determinado momento, o Corinthians (lidera o Brasileiro), o Grêmio (semifinalista da Libertadores, terceiro a Série A) e o Santos (vice-líder do Brasileiro atualmente).

Dos clubes do exterior, o que mais cedeu atletas foi o Paris Saint-Germain, quatro, já contando Neymar, que deixou o Barcelona para a França na janela de transferências desse meio de 2017. Juventus e Manchester City, com três cada um, aparecem logo depois.

Veja os jogadores convocados de cada clube brasileiro:

Grêmio – 5 (Marcelo Grohe, Geromel, Walace, Luan e Arthur)

Atlético-MG – 4 (Marcos Rocha, Fábio Santos, Rafael Carioca e Robinho)

Flamengo – 4 (Muralha, Jorge, Arão e Diego)

Corinthians – 3 (Cássio, Fagner e Rodriguinho)

Palmeiras – 3 (Gabriel Jesus, Dudu e Victor Hugo)

Santos – 2 (Lucas Lima e Gabriel)

Fluminense – 1 (Scarpa)

Botafogo – 1 (Camilo)

Vasco – 1 (Luan)

Cruzeiro – 1 (Henrique)

Inter – 1 (Danilo Fernandes)

Sport – 1 (Diego Souza)

São Paulo – 1 (Rodrigo Caio)

Atlético-PR – 1 (Weverton)


Primeira Liga quer evitar fim precoce e deve ocorrer durante a Copa em 2018
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Marcel Rizzo

Há proposta para que a terceira edição da Primeira Liga, torneio criado por times de cinco estados (RJ, MG, PR, SC, RS) inicialmente como opção aos Estaduais, e sendo organizada sem ajuda da CBF, seja disputada durante o período da Copa do Mundo de 2018, entre junho e julho do ano que vem.

A final de 2017 ocorrerá nesta quarta (4), entre Londrina e Atlético-MG, no Estádio do Café (em Londrina). Sua segunda temporada ganhou reforço de time de um sexto estado, o Ceará, mas que por causa do calendário precisou ter sua disputa fatiada entre o primeiro e segundo semestres, e acabou rejeitada até por seus participantes que por várias vezes usaram times reservas no torneio.

Como 2018 terá o calendário ainda mais apertado, por causa da Copa da Rússia, até mesmo clubes fundadores da Primeira Liga avaliaram como possível que o torneio não fosse realizado no ano que vem – ideia que agravava, segundo apurou o blog, principalmente aos times do Rio. Foi sugerido, entretanto, que o torneio seja disputado durante a Copa, em formato mais enxuto, que sirva para que os times deixem seus atletas em movimento na parada do Mundial.

A Série A, que tem a maioria dos participantes da Primeira Liga, não terá partidas durante a Copa, portanto os times poderiam usar a Primeira Liga como uma espécie de intertemporada para o reinicio da competição, na segunda metade de julho. Como mostrou o Globoesporte.com e confirmou o UOL Esporte, a CBF solicitou a Fifa que a entidade permita que as Séries B, C e D possam ter jogos durante o Mundial, portanto seria possível que a Primeira Liga também tivesse.

O blog apurou que a TV Globo, parceira da Primeira Liga nas transmissões, acha interessante ter jogos de clubes brasileiros para transmitir durante a Copa, no período noturno (as partidas do Mundial, devido ao fuso, acontecerão de manhã e de tarde no horário de Brasília).

Mesmo sem apoio da CBF e das federações, a avaliação interna da direção da Primeira Liga é boa com relação à parte comercial.  Além da premiação de R$ 3 milhões para o campeão, a média de público de 7,3 mil pagantes só fica abaixo das duas principais competições do país: o Campeonato Brasileiro, com 15,7 mil, e a Copa do Brasil, com 10,6 mil.

Houve, porém, queda no público da primeira edição, 2016, que teve mais de 15 mil pagantes por jogo, para 2017. Avaliação é que a CBF não facilitou ao encaixar principalmente jogos da Copa do Brasil próximos a partidas da Primeira Liga.


Copa do Brasil pagará mais do que prêmios de Libertadores e Série A somados
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Marcel Rizzo

A premiação ao campeão Copa do Brasil em 2018 será a maior que um clube brasileiro receberá no ano que vem. Projetando o que se deve pagar aos vencedores da Série A e da Libertadores na próxima temporada, é possível dizer que mesmo somando os prêmios dos títulos dessas duas competições não se chegará ao que ganhará o melhor time do torneio mata-mata da CBF.

A CBF anunciou, em dezembro de 2016, a renovação do contrato dos direitos de transmissão da Copa do Brasil com a TV Globo para o período de 2018 a 2022. E, ao mesmo tempo, informou que o campeão a partir da edição de 2018 receberá cerca de R$ 68,7 milhões (R$ 50 milhões somente pelo título, e o restante pelas cotas das fases anteriores que disputar).

Projeção feita pelo blog em contato com cartolas mostra que o campeão da Série A em 2018 deve receber algo entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões no total. Para a Libertadores estima-se que o melhor time do torneio sul-americano no ano que vem embolse até US$ 12 milhões (R$ 38 milhões). Somando-se, portanto, esses dois títulos, o mesmo time embolsaria total de 63 milhões, R$ 5,7 milhões a menos do que o ganhador da Copa do Brasil.

As premiações da Série A e da Libertadores são uma projeção porque esses valores só devem ser acertados daqui alguns meses, mas não serão muito superiores a isso porque os contratos televisivos do ano que vem desses dois torneios ainda serão os antigos. A partir de 2019, tanto Brasileirão quanto Libertadores devem pagar cotas maiores de premiação com novos acordos vigorando.

Entre cartolas há quase uma certeza para o ano que vem: a Copa do Brasil, que teoricamente é o segundo torneio em importância no Brasil, será prioritário com relação à Série A. A Libertadores ainda tem todo um fascínio sobre os clubes brasileiros, portanto dificilmente será deixada de lado.

A CBF já se irritou em 2017 com o Grêmio porque o time gaúcho priorizou as Copas, do Brasil e Libertadores, em detrimento ao Brasileiro, que viu desde o primeiro turno o Corinthians disparar na liderança. O torneio, que tenta atrair novos patrocinadores, perde atrativos quando um time avança na liderança e outras equipes usam jogadores reservas em seus jogos.

Cotas

O prêmio pago ao campeão da Copa do Brasil no ano que vem (R$ 68,7 mi) é bem superior ao que o Cruzeiro recebeu após confirmar o título de 2017, na quarta-feira passada. O time mineiro embolsou R$ 12,8 milhões. O aumento, portanto, será de mais de 400%.

Comparando com torneios internacionais, o vencedor do mata-mata da CBF em 2018 receberá mais do que o campeão da Liga Europa, o segundo torneio em importância da Uefa (União Europeia de Futebol), que pagará na temporada 2017/2018 R$ 58 milhões.

A Liga dos Campeões, torneio de clubes mais importante do planeta, desembolsa cerca de R$ 213 milhões ao campeão. Já a Premier League, o campeonato da Inglaterra, paga ao vencedor cerca de R$ 150 milhões somente pelo título – com direitos de televisão esse valor sobe para astronômicos R$ 635 milhões por temporada, que foi o que o Chelsea ganhou pela taça em 2016/2017.


Como os bandeirinhas: CBF quer árbitro de vídeo especialista na função
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Marcel Rizzo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) quer formar árbitros de vídeo (AV) especializados na função. A ideia é que se tenha profissionais que só façam, ou tenham prioridade, no acompanhamento de lances fora de campo para ajudar o árbitro de campo. Algo como ocorre com os assistentes, popularmente conhecidos como bandeirinhas, que são especialistas em atuar nas laterais do campo.

“Tem alguns [árbitros] que terão mais facilidade do que outros com o vídeo, por isso vão atuar mais. Vamos avaliar a performance dos treinamentos. Alguns árbitros correspondem melhor do que outros, têm mais agilidade, tudo isso será analisado para a escolha daquele que ficará na sala com os monitores”, disse o chefe da comissão de arbitragem da CBF, Marcos Marinho.

Como mostrou o blog na segunda (25), a ideia da CBF é que os árbitros mais bem ranqueados, ou seja, aqueles considerados os melhores pela confederação, continuem atuando dentro de campo. Estes só apareceriam como árbitro de vídeo caso percam no sorteio para apitar alguma partida – nesta lista estão Anderson Daronco, Sandro Meira Ricci e Luiz Flavio de Oliveira.

O sorteio, por sinal, não será feito para designar o árbitro de vídeo. “Pela legislação só é necessária para o árbitro principal. Os árbitros de vídeos serão designados pela comissão de arbitragem”, explicou Marinho.

Até o dia 11 de outubro, 64 árbitros e assistentes estão participando de treinamento em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo. Dali sairão os mais bem avaliados, que num primeiro momento serão os preferidos para atuar como AV.

Há uma preocupação da comissão de arbitragem de evitar que haja exposição desses profissionais caso ocorram falhas – testes feitos pela Fifa em torneios como a Copa das Confederações e o Mundial de Clubes tiveram problemas como a demora de uma conclusão sobre a jogada verificada, e até da não verificação de infrações cometidas no lance.

Ainda não há uma data para início do uso do AV na Série A do Brasileiro – uma estimativa é na rodada do fim de semana de 14 e 15 de outubro. É preciso que cheguem equipamentos que serão usados – as imagens serão geradas pela TV Globo, que detém os direitos de transmissão do campeonato.


‘Copia e cola’ em estatuto do Corinthians cria polêmica sobre reeleição
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Marcel Rizzo

Dois artigos do estatuto do Corinthians geraram dúvidas entre conselheiros na reunião do Conselho Deliberativo (CD) de segunda-feira passada (25). Para membros do CD, e até advogados ouvidos pelo blog, a redação abriria brecha para caírem os textos que proíbem a reeleição para presidente e que associados com menos de cinco anos de clube possam votar.

Vice-presidente do Conselho Deliberativo, e ex-diretor jurídico do Corinthians, Sérgio Alvarenga garantiu que não há essa possibilidade, e que os artigos questionados não têm mais validade.

O estatuto versão 2017 foi atualizado no início do ano com mudanças significativas, como a alteração do mês da eleição presidencial a partir do mandato que se inicia em 2021 (de fevereiro para novembro do ano anterior) e o fim dos chapões, como eram chamados os grupos formados para a eleição que acabavam elegendo todos os conselheiros se a chapa fosse a mais votada – agora serão criadas chapas menores, o que tornará o CD mais eclético.

O problema é que partes do texto do estatuto de 2008, que sofreu sua principal reforma, não foram retirados da atualização, o que acabou gerando conflito de informações. A questão foi levantada pelo conselheiro Ricardo Maritan, do grupo Regata Corinthians, na reunião de segunda. Os focos foram os artigos 138 e 144, incluídos no capítulo das Disposições Transitórias. O 138 diz que “os dispositivos do artigo 103 (que veta a reeleição), não se aplicam aos atuais ocupantes do cargo da Diretoria Executiva, que têm o direito de concorrer à próximas eleições”.

Ou seja: por essa redação, Roberto de Andrade poderia tentar a reeleição em fevereiro de 2018.

“Colocamos esse artigo no estatuto reformado de 2008 porque os ocupantes dos cargos na ocasião haviam sido eleitos pelo estatuto antigo, portanto a eles caberia a possibilidade de reeleição. Era uma regra de transição para aquele momento, que só vigorou para aquele momento, em determinado período histórico. Agora ela perde seu valor automaticamente”, disse Sérgio Alvarenga.

Validade

Alvarenga admitiu que o ideal seria que essa parte da redação tivesse sido retirada da atualização do estatuto – quem fez o texto provavelmente usou um ''control C – control V'' (copiar e colar) em boa parte do texto, acrescentando as alterações aprovadas no fim de 2016. Mas, segundo Alvarenga, qualquer modificação na redação do estatuto é preciso que seja discutida pelo Conselho e pela Assembleia Geral, o que não aconteceu com esses dois artigos.

“Ninguém votou para retirar esses artigos do texto, mas ele não tem eficácia jurídica. O Conselho e a Assembleia entendem que não há a reeleição e que associados só podem votar com mais de cinco anos de clube. Essa questão dos eleitores, por exemplo, recentemente se propôs que caísse para três anos o tempo de associado para votar, e foi rejeitado. Portanto não se quer voltar para dois anos, isso é claro”, disse Alvarenga.

Dois advogados ouvidos pelo blog, porém, acham que o correto seria, na reforma de 2017, terem retirado o artigo 138 do estatuto, já que era uma ''disposição transitória'' do anterior. “Como deixaram, dá para interpretar que continua valendo para a próxima eleição”, disse um dos advogados, que pediu para não ter o nome publicado porque trabalha diretamente com clubes de futebol.

“A interpretação não pode ser literal, foi um momento histórico que precisava de uma transição”, diz Alvarenga.

O caso ainda deve render algumas discussões nos próximos meses, até a eleição que será realizada em fevereiro de 2018. O certo é que mesmo com artigo 138 no texto, o atual presidente, Roberto de Andrade, não pretende participar do pleito.


Título da Copa do Brasil valerá ao Cruzeiro R$ 3 mi a mais do que ao Fla
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Marcel Rizzo

O título da Copa do Brasil vale para o campeão R$ 6 milhões. Só que dependendo do time que levantar a taça na noite desta quarta-feira (27), no Mineirão, o valor total pago ao vencedor da edição 2017 do torneio mata-mata da CBF poderá ser R$ 3 milhões superior.

Se o Cruzeiro for o campeão, o time mineiro terá embolsado R$ 12,8 milhões pela disputa da competição, contando a premiação final (de R$ 6 mi) pela taça. Caso seja o Flamengo, esse total cai em R$ 3,1 milhões, para R$ 9,7 milhões – o primeiro jogo da decisão, no Maracanã, terminou 1 a 1, portanto quem vencer nesta quarta ganha o título, e novo empate leva a definição para os pênaltis.

Por que a diferença? O Cruzeiro começou a disputar a Copa do Brasil desde a primeira fase, em fevereiro (são sete), portanto arrematou cotas por quatro etapas antes de o Flamengo entrar na competição, nas oitavas de final, já que foi um dos brasileiros que participou da Libertadores. Desde 2013, os participantes do torneio sul-americano voltaram a jogar a Copa do Brasil, mas entrando a partir das oitavas por ajuste de calendário.

Em 2017, o Cruzeiro recebeu até agora seis cotas, totalizando R$ 6,8 milhões. Se for campeão, soma-se mais R$ 6 mi e chega-se aos R$ 12,8 mi. Caso perca a final, ganhará mais R$ 2 milhões, totalizando R$ 8,8 milhões.

O Flamengo, em três cotas até o momento, arrematou R$ 3,7 milhões, portanto com o título chega aos R$ 9,7 milhões, e se for vice termina com R$ 5,7 mi.

Houve, na CBF, no começo do ano uma reclamação informal de clubes que disputariam a Libertadores, e só entrariam na Copa do Brasil a partir das oitavas, de que o valor total pago, ao final do campeonato, deveria ser igual para o time campeão, independentemente da fase que entrasse –para isso a cota daqueles que chegassem da Libertadores seria maior nas oitavas, quartas e semi, para que aparecesse na final com a mesma quantia arrecadada que um rival que não tivesse jogado o torneio sul-americano – caso do Cruzeiro, por exemplo.

A CBF não topou, mas prometeu analisar para o torneio de 2018, que terá aumento substancial nas cotas devido ao novo contrato de televisão fechado com a Globo, que valerá do ano que vem até 2022. O campeão levará mais de R$ 68 milhões.

Atualizado às 14h38