Blog do Marcel Rizzo

Freio na China: valor dos negócios despenca com imposto e limite de atleta
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Marcel Rizzo

Estranhou que os chineses não atacaram com ímpeto o mercado brasileiro na janela de transferências de início do ano? Pois não foi apenas por aqui. Uma regulação maior nas transações por parte da federação chinesa, para valorizar o mercado local mas também por pressão da Fifa, fez com que os investimentos dos clubes da China em contratações despencassem na temporada 2017/2018 – negócios feitos a partir de agosto do ano passado.

Dados do sistema de transferências da Fifa mostram que até agora a liga chinesa foi apenas a 11ª que mais gastou comprando jogadores de meados de 2017 para cá, com US$ 112 milhões (R$ 363 milhões) – ainda deve aumentar porque o mercado na China só fecha em 28 de fevereiro. Para alcançar o décimo posto é preciso ultrapassar a liga belga, que desembolsou R$ 403 milhões, mas especialistas não acreditam em grandes negociações do país asiático nessas próximas semanas.

Mesmo que suba uma posição, será a mais discreta participação da China no mercado de transferências do futebol desde 2011/2012, quando foi a 13ª que mais gastou, com US$ 55 milhões (R$ 177 milhões). Na temporada passada, 2016/2017, a principal liga chinesa ficou em quarto em investimentos, com incríveis US$ 690 milhões (R$ 2,2 bilhões). Perdeu apenas da Premier League (Inglaterra), para a Primeira Divisão da Itália e para a Bundesliga, a elite alemã. Em 2015/2016 foi a quinta e em 2014/2015, a sexta.

O alto gasto de clubes chineses no mercado chamou a atenção da Fifa em 2016, quando federações principalmente da América do Sul e de países de médio porte no esporte da Europa passaram a reclamar do assédio descontrolado do país asiático. Se oferecia salários fora da realidade, e se pagava multas rescisórias consideradas altíssimas nesses países. Não havia concorrência, e chegou a Zurique o pedido para que se criasse alguma regulação.

Clubes de Inglaterra, Itália, Alemanha, Espanha e França gastam também milhões e milhões em transações, mas as principais, aqueles em que se paga acima de um testo preestabelecido, ocorre entre as principais agremiações. O PSG desembolsou o que pôde para tirar Neymar do Barcelona, mas aí é uma briga, digamos, de ''gigantes''. Os chineses chegavam no Brasil, na Argentina e em países médios da Europa e muitas vezes nem negociavam. Pagavam multa, ofereciam salários exorbitantes, e levavam os atletas sem pedir licença.

A Fifa levou a reclamação aos chineses, que apesar de terem clubes milionários (ajudados de empresas estatais com objetivo de impulsionar o esporte) ainda têm uma fraca seleção, que só foi a uma Copa do Mundo (2002). O país sonha em ser sede de um Mundial (2030 está na mira), mas precisa ter jogadores com qualidade e uma seleção o mínimo competitiva para não passar vergonha se receber a competição.

Foi com esse mote, de valorizar o atleta local, que a federação chinesa criou três regras para diminuir o ímpeto das transações no país. A primeira foi criar uma espécie de imposto, no começo de 2017: clubes que gastassem mais de US$ 6,5 milhões (R$ 21 milhões) para comprar um jogador, pagariam o mesmo valor da transação para um fundo de desenvolvimento dos profissionais da China. Ou seja, o negócio custaria o dobro.

''A pressão europeia deu certo. Com as medidas adotadas, especialmente a taxa que fez com que as operações custassem o dobro, a China perdeu competitividade'', disse Américo Espallargas, advogado especializado do escritório CSMV. ''O que vimos na janela foi uma China tímida, sem conseguir seduzir jogadores e clubes com valores estratosféricos. O ''fico'' do Dudu é um exemplo desse cenário'', concluiu, se referindo ao atacante palmeirense que não aceitou oferta para jogar na China.

O segundo ato foi diminuir o número de estrangeiros em campo de quatro para três. Na prática limitou a participação de um jogador asiático, já que a regra antiga determinava que o quarto gringo a jogar tinha que ter nascido na Ásia. Mesmo assim, abriu mais uma vaga em campo para um chinês e diminuiu o ímpeto dos clubes locais por atletas do Japão e da Coreia do Sul, principalmente.

Por último, se proibiu que equipes endividadas gastassem mais de R$ 25 milhões (conversão da moeda local para o real) em negociações. Boa parte dos times lá têm dívidas com o governo, portanto ficaram amarrados a desembolsar quantia bem pequena para reforçar seus quadros.

As medidas funcionaram. Nesta temporada 2017/2018, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, segunda divisão inglesa, Rússia, Turquia, Argentina e Bélgica gastaram mais dinheiro. O Brasil aparece em 14º, com custos em contratações de US$ 58 milhões (R$ 188 milhões), atrás ainda (além dos chineses) de Portugal e Holanda.


Estratégia de Andrés de lançar duas candidaturas o fez presidente de novo
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Marcel Rizzo

O lançamento da candidatura a presidente do Corinthians de Paulo Garcia, que já havia tentado algumas vezes o cargo, sem sucesso, foi uma bem sucedida estratégia da situação para vencer pela quinta vez seguida a eleição do clube.

Garcia se apresentou como postulante à vaga em 13 de dezembro, quase um mês depois que os outros dois principais candidatos, Andrés Sanchez, vencedor do pleito deste sábado (3), e Antonio Roque Citadini. Não bastasse entrasse numa corrida eleitoral contra alguém de quem se aproximou nos últimos anos (Sanchez), Garcia ainda tomou dois importantes diretores da atual gestão, em momentos importantes do ano, como seus candidatos a vice.

Flávio Adauto, que comandava o futebol, saiu em momento importante da temporada para se definir contratações e renovações. Emerson Piovezan, do financeiro, em época do ano que mais se trabalha para fechar sem problemas o balanço financeiro que será apresentado no ano posterior.

Nada disso foi estranho a quem acompanhou de perto a negociação para Garcia apresentar-se como candidato. Pela primeira vez desde que o grupo denominado Renovação e Transparência chegou ao poder, em 2007, havia o temor de que pudesse de fato perder uma eleição, mesmo com o candidato apresentado sendo o deputado federal Andrés Sanchez, líder da chapa e presidente por dois mandatos entre 2007 e 2012.

O principal motivo pelo medo foi o lançamento de uma candidatura sem pretensões de vitória neste momento, mas que arrebentou de vez a base aliada do Renovação e Transparência. Com o advogado Felipe Ezabella estavam os principais cabeças das gestões de Sanchez no Corinthians: Raul Correa, que cuidou das finanças, Sérgio Alvarenga, do jurídico, o próprio Ezabella, que teve cargos na direção, entre outros.

O diagnóstico do grupo no poder foi imediato: a candidatura de Ezabella tirava votos dele, não do principal adversário, Roque Citadini — vice de futebol na gestão de Alberto Dualib, no início dos anos 2000, e membro do Tribunal de Contas do Estado (SP). O que fazer então? Alguém sugeriu que era preciso preciso diluir os votos para que Sanchez, que ainda contava com o apoio de cerca de um terço dos associados, segundo pesquisas, não perdesse.

Paulo Garcia então se lançou candidato, chegou a ser impugnado pelo Comitê Eleitoral acusado de dar dinheiro para sócios inadimplentes pagarem as mensalidades para poder voltar, conseguiu uma liminar na Justiça para participar e foi o segundo mais votado, pouco à frente de Citadini. Os números do pleito de sábado mostram que a teoria do grupo de Sanchez estava correta: Sanchez recebeu 33,9% dos votos, com 1.235, Garcia teve 22,9% (834) e Citadini 22% (803). A oposição (que ainda teve o candidato Romeu Tuma Jr.) teve os votos diluídos, e margem que a base da situação sempre teve lhe garantiu a vitória.

Membros da situação desdenham dessa informação porque dizem que muitos dos eleitores de Paulo Garcia só deixaram suas casas para depositar a escolha na urna porque ele era o candidato (o voto não é obrigatório). É possível que parte dessas 834 pessoas realmente não votasse, mas muitos ainda estariam no Parque São Jorge e a distância entre Sanchez e Citadini seria bem menor do que pouco mais de 400 votos. Em uma eleição em que não se sabe quem irá votar, perigoso demais.

A candidatura de Garcia ainda servia de uma outra maneira à situação: como o ''adversário'', como o grupo de Sanchez, também era acusado de pagar mensalidades a associados, mas teoricamente com provas mais robustas, era mais fácil sua chapa ser a impugnada, deixando a da diretoria atual livre para participar — e, como mostrou o Blog do Perrone, a direção corintiana nem fez questão de acionar a Justiça para tentar manter a impugnação de Garcia.

No fim ninguém deixou de concorrer (Citadini também foi impugnado, por supostamente não poder ser o presidente por ser membro do TCE, o que feria a legislação, mas conseguiu reverter na Justiça), e a divisão dos votos fez com que Sanchez fosse eleito para seu terceiro mandato. Não se sabe ainda como será esse seu novo ''governo'', principalmente porque boa parte da inteligência que esteve com ele até 2012 está agora na oposição, mas há uma certeza: Sanchez e seu time ainda são muito bons em fazer política.


Nem ingresso para jogo: Fifa corta regalias de cartolas que vão à Rússia
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Marcel Rizzo

Em meio a escândalos de corrupção, a Fifa cortou regalias de cartolas que viajarão em junho para o Congresso anual da entidade, que esse ano será em Moscou, na Rússia, país que receberá a Copa do Mundo.

A federação internacional avisou, por meio de carta enviada às confederações nesta sexta (2), que dirigentes que quiserem voo em primeira classe ou levar acompanhantes terão que pagar a diferença do próprio bolso. A Fifa vai pagar a viagem de três membros de cada uma das 211 entidades filiadas para Moscou, que as representarão no Congresso.

A direção da Fifa avisou também que não dará ingressos para jogos da Copa do Mundo a esses dirigentes que viajarem. Todos estarão convidados para a partida de abertura do Mundial, dia 14 de junho entre Rússia e Arábia Saudita, no estádio Luzhniki, em Moscou, mas para ver outras partidas, se quiserem prolongar a estadia (por conta de cada um), terão que receber bilhetes destinos à cota de cada confederação, ou até mesmo comprar.

Todos ficarão hospedados em hotéis indicados pela Fifa, mas se quiserem levar acompanhantes terão que pagar — muitos dirigentes costumam levar suas mulheres para viagens desse tipo. A Fifa também informou que qualquer outra necessidade do participante do congresso, como voos domésticos dentro da Rússia, acréscimo em dias de hospedagem e traslado em horários diferentes do oferecido ao aeroporto serão cobrados.

Desde 2015, a Fifa vem convivendo com escândalos de corrupção que fizeram o ex-presidente Joseph Blatter e o ex-secretário-geral Jérôme Valcke serem suspensos do futebol por negociações suspeitas. Outra dezena de cartolas das Américas foi presa em decorrência de investigação da Justiça americana sobre pagamento de propina a eles para que vendessem os direitos comerciais de competições a empresas de marketing esportivo — entre os condenados está o ex-presidente da CBF José Maria Marin, que recorre da decisão.

A CBF não definiu, apurou o blog, quem serão os três delegados que vão representar o Brasil no Congresso, mais importante evento da Fifa. Marco Polo De Nero, atual presidente, está suspenso preventivamente pelo Comitê de Ética da Fifa devido às acusações dos americanos de também ter recebido propina de empresas — o que ele nega.

Mesmo caso ele não seja banido definitivamente, Del Nero não deverá viajar à Rússia já que tem evitado sair do Brasil desde 2015, por conselho de seus advogados. Fernando Sarney, vice da CBF e membro do Conselho da Fifa, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol e diretor da CBF, são candidatos a representar o Brasil no Congresso.


Messi e C. Ronaldo serão vizinhos na Copa. E russos querem aproveitar isso
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Marcel Rizzo

CT do Saturn, onde Portugal ficará na Copa-2018 (Crédito: Divulgação)

Revezando como melhores jogadores do mundo desde 2008, o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo estarão bem perto durante a Copa do Mundo da Rússia, que começa em junho.

Argentina e Portugal optaram por centros de treinamento e de hospedagem em cidades próximas, na região metropolitana de Moscou. Serão 28 km entre Bronnitsy, município de 20 mil habitantes escolhido pelos argentinos, para Kratovo, menor ainda, menos de 10 mil moradores, a sede para os portugueses. O Comitê Organizador russo, apurou o blog, pretende usar esse fato para tentar levar turistas a essas cidades menores do país.

A Fifa recebeu até o fim de janeiro a confirmação do local em que cada uma das 32 seleções que irão à Rússia estarão hospedadas no Mundial — é obrigatório que fiquem até o fim da primeira fase nessas sedes.

A maioria da seleções optou por ficar em cidades próximas a Moscou, como Argentina e Portugal fizeram, principalmente pela proximidade com os três principais aeroportos do país, que ficam em Moscou e que podem ligar mais facilmente esses times a outras cidades em que jogarão. Há também o fator de que todas as principais seleções atuarão uma vez na capital russa na primeira fase, o que diminuirá o deslocamento para essa partida.

A Argentina trabalhará no centro de treinamento de Bronnitsy, que contêm 12 campos, salas de ginástica e médica, e o principal: alojamentos dentro do local, que faz divisa com um rio e tem apenas um acesso por terra, com uma guarita de segurança a 400 metros do setor hoteleiro do CT. Ou seja, a Argentina de Messi e Jorge Sampaoli ficará muito bem isolada.

O local em que Cristiano Ronaldo aparecerá é menos isolado,  apesar de fazer parte do complexo de treinamento também com alojamentos, mas com segurança um pouco menos reforçada. O CT do Saturn, em Kratovo, é ligado a um time russo do mesmo nome, por isso está acostumado a receber atletas (talvez não do porte de Ronaldo, que será a novidade). São três campos e academia para o time português, e o principal: dez minutos de distância para um dos principais aeroportos que será usado no Mundial (durante a Copa as seleções viajam em voos fretados).

Desde 2008, somente Ronaldo e Messi venceram a premiação organizada pela Fifa, que anualmente elege o melhor jogador do planeta — cada um ganhou cinco vezes, e o desempenho no Mundial na Rússia pode ser fator decisivo para a escolha do vencedor da temporada 2017/2018, em troféu que deve ser entregue em outubro.

Destino Rússia

Outras seleções favoritas, como França e Alemanha, optaram por cidades também perto de Moscou. Já a Espanha escolheu Krasnodar, 1.700 km ao sul de Moscou, e a Inglaterra decidiu por uma cidade mais ao norte, perto de São Petersburgo, que o jornal local ''The Sun'' classificou como ''algo próximo ao fim do mundo''.

O Brasil optou por um complexo com quartos e campos em Sochi, cidade a 1600 km ao sul de Moscou e que é uma das sedes de jogos da Copa. O problema é que no sorteio das chaves a seleção caiu no Grupo E, e não atuará na primeira fase onde montará base. Serão mais de 2.500 km de deslocamento para atuar em Rostov, Moscou e São Petersburgo. O próprio técnico Tite admitiu que a logística não foi favorável no Mundial.


Conmebol quer saber quanto TV pagaria para transmitir Copa Intercontinental
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), por meio de parceiras, tem sondado o mercado para avaliar quanto vale o direito de transmissão da Copa Intercontinental. O confronto entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões foi disputado entre 1960 e 2004 e sul-americanos e europeus querem nova edição a partir de 2019.

A ideia é que, caso o torneio seja reativado, se faça uma concorrência para venda dos direitos de transmissão em todas as plataformas (TVs aberta e fechada e internet), nos mesmos moldes que a Conmebol fará para a Libertadores a partir do ano que vem. As empresas IMG e Perform ganharam a licitação da entidade para negociar os direitos comerciais da Libertadores, entre eles o de transmissão, e podem repetir a dobradinha na Intercontinental.

No Brasil avalia-se que o Grupo Globo, uma dobradinha Fox/ESPN e o Esporte Interativo, do Grupo Turner, teriam interesse na competição. Em março, dirigentes da Conmebol e da Uefa (União Europeia de Futebol) vão se encontrar em Bogotá, na Colômbia, durante reunião do Conselho da Fifa, para tratar da viabilização da Copa Intercontinental. O paraguaio Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, e e o esloveno Aleksander Ceferin, chefe da Uefa, estarão presentes — o Brasil será representado por Fernando Sarney, vice da CBF e membro do Conselho.

A Copa Intercontinental só vai ocorrer se financeiramente for interessante às confederações e aos clubes. Por isso a sondagem a executivos do mercado sobre quanto estariam dispostos a pagar para transmitir o evento, mas o contato vai além de questões financeiras. Tem se perguntado, por exemplo, qual seria a melhor época do ano para a realização do jogo, e quais possíveis sedes atrairiam mais as empresas, sempre comercialmente falando.

Cartolas da Conmebol e da Uefa estimam que cada clube que participe da Intercontinental possa receber, por edição, cerca de R$ 30 milhões. É bem mais do que o Mundial da Fifa paga ao campeão no formato atual — o Real Madrid pelo título de 2017 recebeu aproximadamente R$ 16 milhões.

Isso vai depender, claro, de quanto patrocinadores toparem financiar o confronto, e se empresas de comunicação vão aceitar desembolsar milhões para transmitir um jogo que, principalmente para os europeus, pode ser tratado como amistoso. Os europeus gostariam que a partida acontecesse no meio do ano, entre junho e agosto, quando suas equipes estão em pré-temporada.

A Copa Intercontinental foi realizada entre 1960 e 2004 — a partir de 2005 a Fifa criou o Mundial de Clubes no formato atual, de forma ininterrupta, acabando com o torneio exclusivo entre América do Sul e Europa. Em 1980, o confronto entre os melhores da Libertadores e da Liga dos Campeões passou a ser disputado em jogo único no Japão, que tinha empresas bancando a partida. A ideia é que se mantenha esse regulamento, mas que mais sedes sejam usadas, como Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Qatar.

Em outubro passado, já pensando na valorização para a reativação do torneio, a Fifa acatou pedido da Conmebol e elevou o status da Intercontinental a Mundial de Clubes. Os brasileiros Flamengo, Santos, Grêmio e São Paulo venceram a competição e foram considerados campeões mundiais.


Chegadas de Tréllez e Nenê geram críticas por diminuir uso da base no SP
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Shaylon tem agradado a Dorival Júnior (Crédito: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

As contratações de Tréllez e Nenê não foram unanimidade no São Paulo porque se avalia que vão tirar espaço de jogadores mais jovens. O mais citado entre os cartolas é Shaylon, 20 anos, titular nas três partidas em que o técnico Dorival Júnior usou seus principais atletas na temporada até agora.

Outros dois nomes que estão sendo escalados por Dorival neste começo de temporada, Brenner e Caique, também podem perder espaço com as chegadas dos dois jogadores, que assinaram contratos na semana passada. A avaliação é que Dorival Júnior, em um primeiro momento, precisa apostar nos reforços, pelo grau de investimento que foi feito, e deixar os garotos de lado.

Nas críticas o nome de David Neres é lembrado. O atacante foi vendido em janeiro de 2017 com apenas três meses no profissional, aos 19 anos, para o Ajax, da Holanda, onde tem brilhado. Pelo São Paulo foram oito partidas, com três gols, e o clube fechou por 12 milhões de euros (R$ 47 milhões). Na época, a venda ajudou a equilibrar as contas, mas houve criticas porque o atleta poderia ter sido melhor aproveitado — na época o treinador Rogério Ceni não queria que o garoto deixasse o clube tão cedo.

Com relação a Tréllez, foi lembrado que ele joga em posição semelhante a de Diego Souza, outro reforço para 2018. O São Paulo vai desembolsar R$ 6 milhões pelo colombiano, de 28 anos e que atuava no Vitória. Nenê, 36, chegou de graça ao romper com o Vasco, mas receberá cerca de R$ 250 mil mensais, valor bem superior do que um salário de jovem recém-promovido da base.

Há no clube quem critique a diretoria atual pelas contratações, que serviria para agradar torcedores e imprensa, sem planejamento a longo prazo e cita um ciclo que funcionaria da seguinte maneira: se contrata no começo do ano jogadores mais veteranos com altos salários, no meio do ano é preciso vender revelações para recompor as finanças e ao fim da temporada boa parte dos experientes não renderam o que se esperava.

Exemplo citado de reforço que não deu certo foi Maicosuel. Contratado em junho do ano passado por pouco mais de R$ 3,5 milhões, o jogador de 31 anos chegou com salário na casa dos R$ 300 mil, e não rendeu. O contrato dele vale até 2020, mas o São Paulo quer negociá-lo. Há quem tema que o mesmo possa ocorrer com Nenê.


Santos abre mão e acordo com Inter não tem prioridade da compra de Gabigol
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Marcel Rizzo

Gabigol não teve bons momentos na Inter (Crédito: Divulgação)

Pelo alto valor, não há a chamada cláusula de resgate no contrato de empréstimo de Gabriel da Inter de Milão ao Santos. O acordo foi fechado até o fim de 2018, e o clube brasileiro não tem prioridade na compra ao fim do período — a Inter acenava, apurou o blog, com ao menos 20 milhões de euros (R$ 78 milhões) para incluir a cláusula, valor considerado ''impagável'' pelos santistas, que não a solicitaram.

Também não foi colocado no contrato a possibilidade de a Inter exigir que ele seja liberado caso surja uma proposta na janela de transferências de agosto que agrade à equipe italiana. Na visão da diretoria santista, o empréstimo será cumprido e, ao fim, Gabigol, como é conhecido, voltará para a Europa.

Nesta quinta (25), Santos e jogador anunciaram o acordo para ele voltar ao time brasileiro, um ano e meio depois de ser vendido aos italianos por 27 milhões de euros (R$ 105 milhões, em cotação atual). O clube paulista desembolsará 1,7 milhão de euros (R$ 6,6 milhões) pelo contrato que vale até dezembro de 2018.

Nem os cartolas europeus, nem os do Santos acreditam que apareça uma oferta daqui a sete meses, na abertura da janela de início de temporada na Europa, mesmo se o atacante tenha um primeiro semestre espetacular na Vila Belmiro. Vendido em agosto de 2016 para a Itália, Gabriel, 21 anos, não conseguiu se firmar na Inter, e foi emprestado ao Benfica, de Portugal, em agosto do ano seguinte, também sem obter sucesso.

O retorno ao Brasil, e especificamente ao Santos clube no qual iniciou a carreira e tem identificação enorme, é uma tentativa do estafe do atleta de recuperar seu bom futebol. Gabriel chegou com status de estrela, pegando a camisa 10 e dificilmente não será titular assim que puder do time de Jair Ventura.

A principal dificuldade da negociação foi de que a Inter teimava em não emprestar Gabigol a seu time de origem, para o qual pagou milhões nem dois anos atrás. Foi preciso criar uma engenharia financeira para convencer os investidores chineses que possuem ativos da Inter de que seria pago um valor razoável para o empréstimo.

Por isso que o Santos vai desembolsar os mais de R$ 6,5 milhões por apenas um ano com o jogador, mas diluído em 12 meses e já contando o que pagará de salário a Gabigol (a maior parte dos vencimentos continua a cargo dos italianos, apesar de o atleta ter aberto mão de parte do valor).


Dinheiro e jogo na Europa: planos para atrair clubes à Copa de Aspirantes
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A CBF e parceiros abriram a possibilidade de dar uma premiação em dinheiro para atrair os principais times do Brasil para a disputa da segunda edição de seu Campeonato Brasileiro de Aspirantes, entre maio e novembro.

Há também a chance que o campeão da competição, que limita no regulamento a participação de jogadores até os 23 anos, faça um jogo na Europa contra uma equipe vencedora de algum torneio local da mesma categoria — uma possibilidade, por exemplo, seria um confronto contra o campeão da Premier League 2, da Inglaterra, em que os grandes daquele país usam, a maioria, times sub-23.

O pacote mira clubes como Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco e Fluminense, que não participaram da primeira edição, em 2017 – foram dez concorrentes, em torneio realizado em menos de dois meses, entre outubro e dezembro. O Inter foi o campeão, batendo o Santos na final.

No ano passado, alguns clubes alegaram não ter tempo hábil para montar times sub-23, já que a realização do torneio foi decidida semanas antes do início. A ideia da CBF é que os clubes usem o campeonato para utilizar atletas sem espaço na equipe principal, e revelações que precisam de adaptação para os profissionais.

Na segunda-feira passada (22), a CBF enviou carta convite para participação no torneio aos 20 clubes de melhor ranking da entidade. Se todos derem o aval, os 14 melhores posicionados participarão da competição, já que esse é o número considerado ideal no momento pelos organizadores – o limite para aceitar, ou não, o convite é 9 de fevereiro.

Uma possível premiação em dinheiro para o campeão está em aberto e dependerá de contratos com patrocinadores a serem fechados. O jogo contra um clube europeu é mais fácil de se concretizar, apurou o blog.

Os 20 clubes que receberam o convite são Palmeiras, Cruzeiro, Grêmio, Santos, Atlético-MG, Corinthians, Flamengo, Botafogo, Atlético-PR, Inter, São Paulo, Fluminense, Vasco, Chapecoense (se esses 14 disserem sim, serão os participantes), Sport, Ponte Preta, Coritiba, Vitória, Figueirense e Atlético-GO.


Fifa estuda patrocínio para árbitro de vídeo na Copa-18, mas há rejeição
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Marcel Rizzo

A possibilidade de a Fifa vender cotas de patrocínio atreladas ao uso do árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês) na Copa do Mundo de 2018 não é unanimidade dentro da entidade.

Em entrevista concedida no início da semana à agência Associated Press (AP), o diretor comercial da Fifa Philippe Le Floc'h confirmou que é muito provável que a tecnologia seja usada pela primeira vez em um Mundial, na Rússia, a partir de junho. Ele contou também que a entidade avalia acerto com possíveis patrocinadores que destaquem suas marcas nos momentos em que o jogo é paralisado para que seja tirada a dúvida de um lance duvidoso.

Aqueles que são contra esse tipo de negócio dizem que o uso do árbitro de vídeo em um jogo não é garantido, e que um possível contrato com empresa para patrocinar a tecnologia pode fazer com que se pareça que se use o VAR em alguns momentos desnecessariamente apenas para mostrar a logomarca de um parceiro.

A utilização, ou não, do árbitro de vídeo na Copa da Rússia deve ser definida em março, quando haverá reunião do Conselho da Fifa. Relatório recente aponta que a tecnologia é um sucesso, e a Fifa deve confirmar a estreia em Mundiais de seleções — já usou na Copa das Confederaçõres-2017, também em solo russo, e nos dois últimos últimos Mundiais de Clubes.

Uma das principais críticas ao VAR é justamente o tempo que em que a partida é interrompida para que os árbitros auxiliares de vídeo, e o de campo, se achar necessário, revejam o lance duvidoso (um pênalti, um cartão dado a jogador errado, entre outras jogadas). A orientação da comissão de arbitragem é a de que se use a tecnologia o mínimo possível, apenas em casos em que o erro esteja muito bem caracterizado, para evitar que o ritmo da partida seja interrompido muitas vezes.

Aqueles que defendem evitar que se feche acordos de patrocínio atrelados ao VAR dizem que pode se tentar vender algo que vai acontecer pouco no Mundial: há partidas em que nem sequer pode ser solicitada a tecnologia, uma decisão que cabe somente ao árbitro principal (jogadores e treinadores, por exemplo, não têm o poder de solicitar a revisão como ocorre em outras modalidades).

Não há um modelo ainda, apurou o blog, pronto na Fifa para se vender um patrocínio ao VAR. Não se sabe nem se seria possível, por exemplo, fechar contratos com empresas que não tenham comprado as cotas do Mundial — são cinco companhias exclusivas para o torneio, sem contar as outras sete patrocinadoras máster da Fifa que também associam suas marcas à Copa.

O certo é que a Fifa quer o árbitro de vídeo na Copa da Rússia, mas com moderação. Resta saber se é possível isso com algumas empresas associando sua marca à tecnologia.


Conmebol agrada clubes: brasileiro cuidará da organização da Libertadores
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Marcel Rizzo

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) decidiu dividir o seu departamento de competições em dois, com diretores diferentes: um cuidará exclusivamente dos torneios de seleções, como a Copa América e os de base, e o outro das competições de clubes, como a Libertadores e a Copa Sul-Americana.

Neste segundo, que tratará de campeonatos de clubes, a entidade contratou um brasileiro, Frederico Nantes. A decisão foi comemorada por times do país, que entendem que terão melhor comunicação com a entidade para possíveis mudanças de regulamento principalmente na Libertadores — um dos pedidos, por exemplo, éo fim do gol como visitante como critério de desempate em jogos mata-mata.

O gaúcho Frederico Nantes tem no currículo participação na organização da Copa do Mundo de 2014, realizada o Brasil. Ele foi o principal responsável pelo atendimento às seleções que viajaram, como acerto de detalhes dos locais de treinamento, deslocamentos internos, segurança, serviços médicos, serviços de alimentação, entre outros.

Antes, Nantes participou dos comitês organizadores dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos de 2016, ambos no Rio. Ele se aproximou da direção da Conmebol em 2016, quando esteve como coordenador de partidas da Copa América do Centenário, realizada nos EUA, e teve rápida passagem pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entre janeiro e setembro de 2015, quando foi gerente de planejamento estratégico.

O blog apurou que a decisão da Conmebol em separar o departamento de competições ocorreu a pedido de algumas confederações, entre elas o Brasil, para dar maior agilidade na preparação dos campeonatos. Há, por exemplo, atraso em alguns detalhes da realização da Copa América de 2019, no Brasil (nem se decidiu quantas sedes serão), e um dos argumentos para isso é que o novo calendário da confederação, com Libertadores e Sul-Americana o ano todo, tem exigido quase todo o tempo da diretoria de competições.

O paraguaio Hugo Figueredo, que antes detinha sozinho o cargo de diretor de competições, será o chefe do departamento que cuidará dos torneios entre as seleções. Seu último ato como responsável pelos torneios dos clubes foi participar do sorteio dos grupos da Libertadores e dos confrontos da Sul-Americana, em dezembro de 2017, revelando os times das bolinhas sorteadas.