Blog do Marcel Rizzo

Era dos ‘supertécnicos’ acabou? Levir é mais um a sofrer queda no salário
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Marcel Rizzo

A renovação no cardápio de treinadores no futebol brasileiro achatou o salário da profissão e aumentou um gatilho contratual que era muito usado para acordos com atletas, mas que agora passou a aparecer com frequência nos acertos com os técnicos: premiações por metas.

E essa filosofia nova atinge também aqueles profissionais chamados de “medalhões”. Levir Culpi não faz parte da nova geração de treinadores – iniciou a carreira em 1986, e tem títulos como Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Campeonatos Paulista e Mineiro. Para fechar com o Santos nessa semana, aceitou receber cerca de R$ 250 mil mensais, mais gatilho de metas que podem elevar seus vencimentos até dezembro em mais R$ 50 mil/mês.

Há três anos, por exemplo, Levir Culpi ganhava cerca de R$ 400 mil para conduzir o Atlético-MG. Em 2012, ao menos quatro treinadores do futebol brasileiro tinham contratos de mais de R$ 600 mil: Abel Braga (Fluminense), Tite (Corinthians), Muricy Ramalho (Santos) e Vanderlei Luxemburgo (Flamengo).

Dois executivos de grandes clubes ouvidos pelo blog deram o mesmo panorama: técnicos mais jovens se destacando, como Fábio Carille, no Corinthians, e Jair Ventura, no Botafogo, ex-auxiliares que tinham salários baixos e permanecerem nos clubes, fizeram com que o mercado tivesse um desaquecimento no valor pago a treinadores.

Os profissionais passaram, também, a aceitar com menos resistência valores extras por metas alcançadas. No São Paulo, o ex-goleiro Rogério Ceni foi quem sugeriu ao clube que, nesse início de carreira, ele recebesse um fixo baixo para a categoria, cerca de R$ 200 mil, e completasse com objetivos alcançados, como títulos, classificações para torneios e aproveitamento de pontos.

Cuca voltou ao Palmeiras para receber mesmo salário de 2016 (Crédito: José Edgar Matos/UOL)

Tendência

Nos quatro grandes de São Paulo, o maior salário fixo hoje é o de Cuca, no Palmeiras, mas também está abaixo do que era pago há cinco anos. Ao acertar o retorno, em maio, Cuca topou receber os mesmos R$ 450 mil de 2016, quando foi campeão brasileiro, mais uma bonificação pela assinatura de R$ 1,5 milhão, que será diluído nos vencimentos.

No Corinthians, Fábio Carille recebeu aumento em março, quando também fechou acordo com um procurador para cuidar de sua carreira – ele não pretende mais voltar a ser auxiliar, e com a boa campanha corintiana no Brasileiro isso não faria o menor sentido. Hoje, Carille tem vencimentos superiores a R$ 100 mil, e também metas por títulos que podem até dobrar o valor ao final caso conquiste o título brasileiro, por exemplo.

No Rio, o flamenguista Zé Ricardo, outra novidade no banco de reservas, acertou um acordo de produtividade. A maior bolada, porém, ele não conseguirá ganhar em 2017, que era pelo título da Libertadores e vaga no Mundial de clubes, que renderia cerca de R$ 50 mil ao técnico.

Entre os grandes clubes brasileiro, hoje, os maiores salários são pagos para Abel Braga, no Fluminense, Mano Menezes, no Cruzeiro, e Renato Gaúcho, no Grêmio, todos na casa dos R$ 500 mil. Nesses acordos há os valores fixos garantidos, diferentemente de contratos por meta.


Final da Liga dos Campeões bate recorde de audiência na TV paga brasileira
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Marcel Rizzo

A final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Juventus, sábado (3), bateu recorde de audiência na TV paga brasileira – o Real venceu por 4 a 1, em Cardiff, e ficou com a taça.

Transmitida pelo Esporte Interativo, a audiência domiciliar foi de 4.64, segundo dados obtidos pelo blog. Na TV paga, atualmente, um ponto representa 188.025 domicílios — dados projetados para cobertura de paytv, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O número bate os 3.39 pontos que a ESPN alcançou em 2015, quando transmitiu a vitória do Barcelona sobre a Juventus, 3 a 1, em Berlim. Na temporada seguinte da Liga dos Campeões, o Esporte Interativo ganhou os direitos de transmissão na TV paga e já passou a decisão de 2016, vencida pelo Real Madrid nos pênaltis sobre o Atlético de Madri — não houve medição significativa de audiência ano passado porque o EI não estava nas principais distribuidoras de canais pagos, como a NET e a Sky.

No Brasil, a final da Liga dos Campeões tem aumentado sua audiência principalmente depois que a Uefa (União Europeia de Futebol) decidiu, a partir da decisão da temporada 2009/2010, realizar o confronto único aos sábados – anteriormente era às quartas, noite na Europa, e à tarde no Brasil, ou seja, no meio do expediente.

Em palestra recente na CBF, representante da Uefa contou que o Brasil representa a maior audiência da Liga dos Campeões no mundo contando, claro, os números em TV aberta, que a Globo transmite para todo o Brasil (não há detalhes da audiência da final deste ano na TV aberta).

A medição do Ibope/Kantar Pay TV mostra que a audiência decisão da Liga dos Campeões no Esporte Interativo foi maior do que a soma de todas as outras emissoras esportivas no horário: o jogo teve início às 15h45, terminando por volta das 17h40. O segundo colocado no horário, o SporTV, marcou 0.48 ponto, por exemplo.


Arena das Dunas: nenhum estádio da Copa precisou tanto do dinheiro do BNDES
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Marcel Rizzo

A Arena das Dunas foi o estádio da Copa-2014 que, proporcionalmente, mais utilizou dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em sua construção. Dos R$ 400 milhões totais da obra, 99% vieram do banco estatal (R$ 396,5 milhões). O restante, R$ 3,5 milhões, foi pago pelo Governo do Rio Grande do Norte.

O estádio em Natal (RN) recebeu quatro jogos do Mundial e foi protagonista na manhã desta terça (6) de ação da polícia federal em desdobramento da Operação Lava Jato, batizada de Manus, por suspeita de superfaturamento. O ex-ministro do turismo e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi preso. Há suspeita de que a arena tenha tido um sobrepreço de R$ 77 milhões.

Para a Copa do Mundo no Brasil, o BNDES criou uma linha de crédito para ser usado na construção dos estádios, chamado de ProCopa, no limite de R$ 400 milhões por arena. Das 12 reformadas ou construídas para a competição, 11 utilizaram dinheiro do banco.

Somente o estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, não pegou o empréstimo e o R$ 1,4 bilhão foi integralmente pago pelo Governo do Distrito Federal. O mais caro equipamento da Copa, o Mané Garrincha também é investigado por superfaturamento.

O Beira-Rio, em Porto Alegre, um dos três estádios privados da Copa (junto com a Arena da Baixada, em Curitiba, e a Arena de Itaquera, em São Paulo), foi o segundo que proporcionalmente mais utilizou dinheiro do BNDES na reforma, 83,3% do total gasto. Na sequência aparece a Arena Pernambuco, na região metropolitana de Recife (PE), com 75% (veja ao fim do texto o levantamento completo).

Na construção das arenas, o modus operandi de financiamento foi basicamente o mesmo: dinheiro do BNDES, usado quase sempre no limite de crédito possível (R$ 400 milhões), completado depois por verba dos governos estaduais, quase todos donos dos estádios reformados. O valor total das obras foi de R$ 8,3 bilhões.

Arena das Dunas recebeu quatro partidas da Copa-2014 (Crédito: Divulgação)

R$ 50 milhões a mais

Em Natal, o projeto inicial previa gasto de R$ 350 milhões para demolir o antigo Machadão, estádio da década de 1970 construído na esteira de obras em campos de futebol patrocinadas pelo governo militar, e levantar a arena moderna, batizada de Dunas, referência à principal atração turística da capital potiguar.

Deste valor, o governo estadual gastaria R$ 16 milhões para a elaboração do projeto básico, e mais R$ 83,5 milhões na obra em si (principalmente para a demolição do Machadão). Do BNDES viriam os R$ 250,5 milhões para o complemento da obra.

Aos poucos, o estado passou a ter problemas para pagar sua parte, e mais dinheiro do BNDES precisou ser captado, além de um acréscimo de R$ 50 milhões no total da obra, principalmente, segundo documentos, por pagamentos referentes a assentos temporários necessários e certificações ambientais que foram pedidas no decorrer da construção.

Dos 12 estádios da Copa-2014, a Arena das Dunas só não foi mais cara do que o Beira Rio (R$ 330 milhões) e a Arena da Baixada (R$ 391,1 milhões), estádios privados, de Inter e Atlético-PR, respectivamente, e que foram reformados, não colocados a baixo e construídos de novo.

Mesmo assim, o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a PF afirmam que houve o superfaturamento de R$ 77 milhões na arena em Natal, valor que deixava até mesmo a previsão inicial da obra, de R$ 350 milhões, acima de uma quantia real. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio Grande do Norte, se os pagamentos referentes ao estádio continuarem sendo feitos (de juros, por exemplo), os danos aos cofres públicos em 15 anos chegarão a R$ 457 milhões.

 Quanto cada estádio usou do BNDES

Arena das Dunas (99% da obra financiada pelo BNDES) – Total da obra: R$ 400 milhões – BNDES: 396,5 milhões.

Beira-Rio (83,3%) – Total da obra: R$ 330 milhões – BNDES: 275,1 milhões

Arena Pernambuco (75%) – Total da obra: R$ 532,6 milhões – BNDES: 400 milhões

Castelão – (67,6%) – Total da obra: R$ 518,6 milhões – BNDES: 351,5 milhões

Arena da Amazônia (60,6%) – Total da obra: R$ 660,5 milhões – BNDES: 400 milhões

Arena Pantanal (57,9%) – Total da obra: R$ 583 milhões – BNDES: 337,9 milhões

Mineirão (57,5%) – Total da obra: R$ 695 milhões – BNDES: 400 milhões

Fonte Nova (47,3%) – Total da obra: R$ 684,4 milhões – BNDES: 323,6 milhões

Maracanã (38%) – Total da obra: R$ 1,050 bilhão – BNDES: 400 milhões

Arena Itaquera (37%) – Total da obra: R$ 1,080 bilhão – BNDES: 400 milhões

Arena da Baixada (33,5%) – Total da obra: R$ 391,5 milhões – BNDES: 131,1 milhões

Mané Garrincha (0) – Total da obra: 1,4 bilhão (100% Governo do Distrito Federal) 


Com medo do mercado da bola, Corinthians cria escudos para segurar trio
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Marcel Rizzo

Técnico Carille não quer perder lateral Arana no meio do ano (Crédito: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A boa campanha no Brasileiro faz com que a diretoria corintiana repense os planos financeiros para 2017, que previa arrecadar R$ 52 milhões na venda de jogadores. No momento, a ordem é criar escudos para proteger o grupo na janela de transferências para os grandes mercados europeus que se abrirá em julho.

A liderança da competição, ao lado da Chapecoense após quatro rodadas, surpreendeu até o mais otimista dos diretores. Mesmo com o título paulista, e o esquema seguro em campo que montou Fábio Carille, havia dúvida se o time, no Brasileiro disputado contra equipes com elencos notadamente mais caros e menos enxutos, teria poder de fogo para brigar.

A resposta que o grupo deu em campo foi que sim, é possível sonhar com a taça. Mas, para isso, é fundamental mexer nada, ou o mínimo possível, no elenco. Três jogadores devem ser o foco de empresários e clubes europeus na janela: o lateral-esquerdo Guilherme Arana, o volante Maycon e o meia Rodriguinho. Este último, hoje, é considerado o “motor” do time.

No planejamento para 2017, um ou até dois desses jogadores teriam que ser negociados para o clube atingir a meta estabelecida – e que ajudará a evitar um déficit ao fim do ano. A questão é que, agora, com o time bem no Brasileiro e também na disputa da Sul-Americana, vê-se a possibilidade de títulos o que pode ajudar a conseguir dinheiro de outras fontes, como novos patrocinadores e até premiações que parceiros atuais têm que desembolsar por metas alcançadas para conseguir fechar o ano azul e suprir a falta do dinheiro da venda de atletas.

Arana, 20, já esteve na mira do Sporting de Portugal e também foi procurado pelo Sevilla. Maycon, 19, foi sondado por clubes da Itália e Rodriguinho, 29, foi procurado pelo Fenerbahce em janeiro. A ordem é blindá-los os valorizando. No caso de Rodriguinho, por exemplo, o jogador até renovou seu acordo com o Corinthians, até o fim de 2019, e ganhou um substancial aumento salarial.

No ano, o Corinthians negociou o lateral-esquerdo Uendel ao Internacional, em negociação que rendeu ao clube aproximadamente R$ 3 milhões. Houve o empréstimo de outros atletas, como Marlone, para o Atlético-MG, e Guilherme, para o Atlético-PR.


Classificação sul-americana à Copa-2018 será decidida em tapetão na Suíça
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Marcel Rizzo

Bolivianos comemoram gol nos 2 a 0 sobre o Peru, resultado que mudou (Crédito: Jorge Benal/AFP)

A classificação das seleções sul-americanas para a Copa da Rússia de 2018 deverá ser decidida na última instância da justiça desportiva, em Lausanne, na Suíça.

No dia 5 de julho, uma audiência na Corte Arbitral do Esporte (a CAS, com iniciais em inglês) analisará a perda de seis pontos da Bolívia nas eliminatórias para o Mundial do ano que vem, decisão da Fifa que altera drasticamente a tabela – lembrando que, com 33 pontos, o Brasil já está garantido na Rússia-2018 e este julgamento não influenciará em nada.

Os bolivianos acionaram a CAS após perder nas duas instâncias julgadoras da Fifa a defesa de que escalou irregularmente o zagueiro Nelson Cabrera nas partidas contra Peru, em 1º de setembro de 2016, e Chile, em 6 de setembro. Os rivais foram declarados vencedores por 3 a 0. Isso alterou a tabela, e fez com que a audiência de julho na CAS seja inédita porque terá a participação como interessados de outras cinco federações, além de Chile, Bolívia e Peru.

Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador pediram para ser parte do processo, já que as mudanças na pontuação afetam suas posições na classificação para a Copa, e a CAS aceitou. Todas elas poderão argumentar na audiência, além das três federações ligadas diretamente ao caso e também a Fifa, que decidiu pela perda dos pontos dos bolivianos – somente Brasil, já classificado, e Venezuela, eliminada, não pediram para participar do encontro.

As cinco federações extra na audiência tentarão ajudar a Bolívia a recuperar os pontos. Foram quatro perdidos, três porque venceu o Peru por 2 a 0 e um pelo empate sem gol contra o Chile. Os três pontos no “tapetão” ganhos pelo Peru os colocaram com 18, novamente na briga por vaga à Rússia, já que ainda faltam quatro rodadas para o término da competição. Mas foram os dois pontos chilenos que atrapalharam realmente as cinco federações que pediram para participar do processo.

A classificação das eliminatórias da América do Sul com as alterações de pontos

Sobe e desce

O Chile hoje ocupa a quarta posição na tabela, com 23 pontos, um a mais do que a Argentina, que na quinta colocação teria que disputar a repescagem para tentar ir à Copa. Sem os dois que ganhou na Justiça da Bolívia, o Chile cairia para 21, em quinto, deixando a Argentina em quarto e se distanciado de Colômbia (em segundo, com 24) e Uruguai (terceiro, com 23, mas na frente dos chilenos hoje pelo saldo de gols). Para as cinco federações que pediram para participar do processo, é importante que a Bolívia recupere seus pontos, e Chile e Peru caiam na tabela.

A defesa chilena, representada pelo advogado brasileiro Eduardo Carlezzo, alegou que Cabrera não podia ter participado das partidas da Bolívia porque descumpria prazo de regularização. Nascido no Paraguai, ele deveria ter no mínimo cinco anos de residência na Bolívia para que sua naturalização concedesse direito a jogo, mas na época da partida ele vivia no país havia menos de quatro anos. A Fifa entendeu que houve irregularidade, em primeira e segunda instâncias, e em novembro tirou os pontos da Bolívia e os deu a Chile e Peru.

A decisão não será anunciada em 5 de julho, dia da audiência, mas a CAS prometeu aos envolvidos que anunciará o veredicto até 31 de agosto, quando acontecerá a 15ª rodada das eliminatórias sul-americanas.


São R$ 125 mi: São Paulo ganha o dobro do que projetou com venda de atletas
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Luiz Araújo comemora gol: atacante está sendo vendido (Crédito: Ronny Santos/Folhapress)

O orçamento do São Paulo para 2017 previa arrecadar até R$ 60 milhões com a venda de jogadores. No início de junho, com sete meses pela frente ainda, esse valor passará dos R$ 125 milhões assim que concretizar a saída do atacante Luiz Araújo (só falta assinar) e se realmente acontecer a venda do volante Thiago Mendes ao Lille (FRA), e ainda pode aumentar se o lateral Júnior Tavares acertar com o Ajax (HOL).

Fechando Luiz Araújo e Thiago Mendes serão cinco atletas negociados totalizando R$ 125,5 milhões, em cotação dessa sexta-feira (2). São R$ 65,5 milhões acima do que o clube planejou, ou mais de 100%, o que provavelmente ajudará a diminuir a dívida do clube, na casa dos R$ 140 milhões.

A venda de David Neres ao Ajax, na janela de transferências de janeiro, rendeu ao clube cerca de R$ 50 milhões, por 80% dos direitos econômicos – o São Paulo ainda receberá 20% de uma futura negociação do jogador. Só esta transação poderia ter feito a diretoria parar, já que a meta estava quase alcançada, mas outros negócios surgiram, até de atletas da base.

Em fevereiro, o meia Augusto Galván foi para o Real Madrid (ESP) por cerca de R$ 9,5 milhões. Aos 17 anos, o atleta era assediado por diversos clubes europeus, e o São Paulo chegou a um acordo com o clube espanhol, que ofereceu mais – dois terços do total da transação chegarão aos cofres do clube somente se Galván atingir algumas metas no Real (como atuar no profissional, gols marcados, etc).

Outro jogador vendido foi o zagueiro Lyanco, que custou ao Torino (ITA) aproximadamente R$ 18 milhões, em março. As negociações de Luiz Araújo e Thiago Mendes ao Lille, quando confirmadas, devem render R$ 48 milhões.

Essas transações, com outras que podem ocorrer, devem fazer com que o São Paulo termine 2017 com superávit, ao menos no departamento de futebol.


Recurso é negado e Lugano pagará multa por descumprir regra de antidoping
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Marcel Rizzo

Lugano foi direto ao vestiário antes de sala do doping (Crédito: Érico Leonan/saopaulofc.net)

A instância superior do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva) rejeitou o recurso do São Paulo e manteve a multa de R$ 10 mil ao zagueiro Diego Lugano por desrespeitar regras do exame antidoping em jogo do Campeonato Paulista, em março, como revelado pelo blog. O clube agora pode recorrer, se quiser, ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

Segundo foi informado ao tribunal pelos responsáveis do exame antidoping na partida entre Botafogo e São Paulo (1 a 1), dia 22 de março, em Ribeirão Preto, o jogador foi sorteado para o exame antidoping, mas foi ao vestiário são-paulino antes de ir à sala de coleta, descumprindo determinação dos responsáveis pelo controle no estádio – segundo eles, o jogador foi advertido que descumpria uma regra, mas seguiu ao vestiário mesmo assim.

Lugano foi denunciado pelo artigo 191 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva): deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de obrigação legal, de deliberação, resolução, determinação, exigência, resolução, determinação, exigência, requisição, ou qualquer ato normativo ou administrativo do CNE (Conselho Nacional do Esporte) ou de entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado. A pena prevê multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

A defesa apresentada pelo São Paulo explicou que o jogador não foi direto ao vestiário deliberadamente, mas se confundiu porque a entrada da sala de doping era ao lado. Os nove auditores do tribunal pleno não aceitaram a tese e, por unanimidade, mantiveram a pena do jogador.


Conmebol lucrará quase R$ 140 mi na Libertadores, sem repasse maior a times
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Marcel Rizzo

A Conmebol vai lucrar em 2017 com a Libertadores aproximadamente US$ 42,5 milhões (R$ 138 milhões). É um valor quase 40% maior do que faturou em 2016 com a sua principal competição – no ano passado o lucro foi de US$ 26,6 milhões (R$ 86 milhões).

Mesmo com maior faturamento, a entidade congelou os ganhos dos times na Libertadores – o campeão de 2017 vai faturar os mesmos US$ 7,75 milhões (R$ 25 milhões) que o Atlético Nacional-COL embolsou em 2016. Já houve até reunião dos clubes brasileiros com a cúpula da Conmebol por mais dinheiro, como informou o blog do Rodrigo Mattos.

O orçamento da Conmebol para 2017 prevê gasto de US$ 98,9 milhões de premiação aos clubes que disputarem a Libertadores, aumento de US$ 6,8 milhões comparado com o ano passado (6% a mais). Esse acréscimo, porém, se dá porque há mais participantes, subiu de 38 para 47, e consequentemente mais partidas.

Para 2017, a receita da Libertadores, segundo a Conmebol, será de US$ 144,5 milhões (R$ 468 milhões) – em 2016 foi de US$ 121,8 milhões (R$ 395 milhões). Nas despesas, além dos US$ 98,9 milhões que serão distribuídos aos clubes, são mais cerca de US$ 3 milhões de gastos operacionais com o torneio.

Em recente encontro de dirigentes em Luque, região metropolitana de Assunção (Paraguai), sede da Conmebol, houve comemoração dos cartolas pela valorização do torneio em meio à crise política que ainda atinge a entidade. Dos últimos quatro presidentes da entidade, três (Nicolas Leóz, Eugenio Figueredo e Juan Ángel Napout), estão presos acusados de corrupção.

Já com a Copa Sul-Americana, segunda competição em importância no continente e que em 2017 ganhou atrativo porque receberá parte dos times eliminados na fase de grupos da Libertadores, a Conmebol projeta um lucro bem menor, de cerca de US$ 2 milhões (R$ 6,4 milhões). 

Parece pouco comparado à Libertadores, mas é melhor do que o resultado de 2016, quando a Conmebol perdeu US$ 2,3 milhões (R$ 7,5 milhões) com a Sul-Americana. 


Real vai monitorar até vida pessoal de Vinicius Jr. antes de ida à Espanha
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Marcel Rizzo

Venda de Vinicius Júnior foi uma das maiores transações do futebol brasileiro (Crédito: Flamengo)

O Real Madrid enviará ao Brasil profissionais para acompanhar de perto a evolução, técnica e física, de Vinicius Júnior, seu novo reforço.

O Flamengo fechou a venda do atacante de 16 anos ao time espanhol por 45 milhões de euros (R$ 164 milhões), mas ele só terá os direitos federativos presos ao Real a partir de julho de 2018, e ainda poderá ficar mais um ano no Rio, até julho de 2019, emprestado ao clube brasileiro – o atleta que decidirá.

Mas mesmo antes de se tornar o “dono” da revelação, o Real Madrid quer monitorar os passos, dentro e fora de campo. O clube pagará caro por ele, e quer saber que ele chegará à Espanha, em 2018 ou 2019, preparado para jogar e se adaptar à nova vida.

O blog apurou que não terá um profissional fixo o acompanhando, não pelo menos nesse início, mas funcionários do Real viajarão com frequência ao Rio para vê-lo em ação nos jogos, nos treinos, para analisar como está sendo sua evolução física (é consenso que precisará ganhar massa muscular), entre outros pontos. A periodicidade dessas visitas será definida, mas deve ser a cada dois ou três meses.

A promoção dele ao time de cima do Flamengo fez parte do pacote de venda para o Real Madrid, já que os espanhóis querem ele em ação contra profissionais para não chegar tão cru à Europa. Esse pacote também incluiu um substancial aumento salarial ao jogador.

Haverá também monitoramento de sua vida fora de campo — para o Real, é importante que o garoto fique longe de problemas. Normalmente, jovens talentos são contratados e logo se incorporam ao clube, que pode de perto monitorar a vida (alugando casa, carro, contratando os seguranças já na Europa). Com o alto valor investido, o Real não quer desvalorização antes mesmo que ele chegue a Madri.

Vinicius Júnior tem três jogos no Brasileiro, contabilizando em campo 38 minutos. Ainda está se adaptando. Em alguns momentos lembra o jogador arrojado da base, em outros parece uma criança em meio aos adultos. Mas, para amadurecer, terá que entrar em campo.

Em outubro, Vinicius Júnior deve participar do Mundial Sub-17, que o Brasil disputará na Índia – o atacante foi o principal jogador da conquista do Sul-Americano da categoria, em março. O Real Madrid também enviará um profissional para lá caso a convocação de Vinicius seja confirmada.


Castelão busca mais do que Wesley Safadão para não ser novo elefante branco
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Marcel Rizzo

Arena Castelão conseguiu um jogo do Ceará na Série B, e espera ter mais (Crédito: Marcel Rizzo)

Junto com o Mineirão, em Belo Horizonte (MG), a Arena Castelão, em Fortaleza (CE), foi o estádio preparado para a Copa-2014 que mais rápido ficou pronto. Em janeiro de 2013, cinco meses antes do torneio preparatório, a Copa das Confederações, e um ano e meio antes do Mundial, estava apto a receber partidas. Como prêmio ganhou até jogo do Brasil na primeira fase em 2014.

Agora, quase três anos após a Copa, o Castelão luta para não ficar ocioso. Os contratos que a empresa que controla a arena tinha com os dois principais clubes do Estado terminaram.  O Fortaleza, na Série C, tem marcado seus próximos três confrontos como mandante para o Presidente Vargas. Já o Ceará, na Segunda Divisão, fez um aditivo somente para usar o Castelão na próxima sexta (2), contra o Londrina — as duas próximas partidas como mandante continuam agendadas para o Presidente Vargas.

O PV, como é conhecido na cidade, é estádio que pertence à prefeitura e passou por pequena reforma de pouco mais de R$ 1 milhão para estar apto a receber jogos do Brasileiro – foram colocados corrimões na arquibancada, assentos numerados e houve melhoria no vestiário.

O Fortaleza, por enquanto, está satisfeito com o PV. O Ceará viu problemas no gramado na partida que fez contra o Boa Esporte, pela segunda rodada da Segundona, e achou o aluguel do campo e quadro móvel caros, e por isso optou por um aditivo no contrato, que vence no fim de maio, para atuar na sexta no Castelão. Por enquanto, o Ceará é a esperança da Luarenas, a empresa que administra o Castelão, a ter partidas em sequência em 2017.

Há negociação para que isso ocorra, e será fundamental para a concessionária. O contrato com o governo do Ceará que cedeu a gestão do Castelão à empresa diz que é preciso que ocorram 60 partidas de futebol por ano por ali. E jogos beneficentes, como o que acontece no fim do ano organizado pelo cantor Wesley Safadão, não contam.

Negociação

A Luarenas tem como uma das sócias a Lagardére, empresa francesa que estava interessada em pegar a concessão do Maracanã, no Rio (por enquanto, não houve acerto). No Castelão, assim como na Arena Independência, em Belo Horizonte, administra o estádio junto com a BWA, empresa que ficou conhecida, principalmente, em São Paulo nos anos 1990 e 2000 por gerenciar a entrada (catracas) e recolhimento de ingressos em partidas de futebol.

Segundo a Luarenas, todo ano acontece a mesma coisa: os clubes “fazem jogo duro” para renovar o contrato, e jogam algumas partidas no PV antes de voltarem ao Castelão. Duas são as principais reclamações dos clubes quanto à arena: distância para os torcedores chegarem (o PV fica no centro da cidade, enquanto o Castelão está a cerca de dez km), e custo para as partidas, levando em conta que os clubes não levam mais de dez mil pessoas nessas primeiras fases das competições que disputam.

“Tem toda essa questão do custo no Castelão. Vou dar um exemplo: se eu quero fazer algum evento com um patrocinador meu, a Arena Castelão cobra. Hoje, para o Fortaleza, o PV é mais atraente”, disse Marcello Desidério, presidente em exercício do Fortaleza – o clube vive crise política, a diretoria antiga renunciou e Desidério, que preside o Conselho Deliberativo, assumiu interinamente.

Robinson de Castro, presidente do Ceará, é menos enfático em sua preferência pelo PV. Ao blog, ele reclamou do gramado do estádio da prefeitura, e disse que esperava um valor mais baixo para o uso. “Ainda precisa melhorar [o PV] com relação à estrutura. Pretendo conversar com o prefeito [Roberto Cláudio-PDT] a respeito. O ideal seria Ceará e Fortaleza fazerem juntos essa negociação, para conseguirem melhores condições”, avalia Castro.

No Campeonato Cearense, quando o Castelão foi utilizado em 29 partidas, o valor da taxa de aluguel do campo foi de 7% da renda bruta. Nos primeiros jogos do Ceará e do Fortaleza no Brasileiro, o custo para o PV foi de 6% da renda bruta. “Está caro, se comparada a estrutura dos dois estádios”, disse Castro.

Contra o Boa Esporte, no PV, único jogo que fez como mandante até agora na Série B, o Ceará teve uma renda bruta de R$ 51.052,08, mas com o pagamento de todas as taxas e de pessoas que trabalharam na partida, ficou no final com o valor líquido de R$ 4.794.

Eventos

A administração do Castelão informou ao blog que o custo mensal do estádio é de R$ 280 mil, e que eventos extra ao futebol, como show que aconteceram nos dois últimos meses com artistas famosos na região, como o Safadão e o Aviões do Forró, fazem com que haja receita de manutenção (não há valores divulgados). Existe, por exemplo, negociação com a organização do Rock in Rio, que será em setembro, para que alguns dos artistas internacionais do evento possam se apresentar em Fortaleza — os shows são preparados no estacionamento da arena, portanto não prejudicam o gramado, por exemplo.

Mesmo assim, sem jogos de futebol, a razão para existência de qualquer estádio, o Castelão ficaria semelhante a estádios construídos ou reformados para a Copa-2014 que, hoje, acabam tendo pouquíssimas partidas ou jogos com públicos irrisórios. A Arena Amazônia, em Manaus, a Pantanal, em Cuiabá, e o Nacional Mané Garrincha, de Brasília, são os principais exemplos.