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Árbitro avisa na súmula e Atlético-PR pode ser investigado por ato político
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Marcel Rizzo

O árbitro Raphael Claus (Fifa-SP) relatou na súmula de Atlético-PR 4 x 0 América-MG, neste sábado (6), que a maioria dos jogadores do time paranaense entrou em campo com uma camisa amarela com a frase ''vamos todos juntos por amor ao Brasil''. O texto tem sido usado por apoiadores do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha. Horas antes do jogo o presidente do Conselho Deliberativo, e manda-chuva do clube, Mario Celso Petraglia já havia declarado apoio a Bolsonaro em suas redes sociais.

Dois especialistas em direito desportivo ouvidos pelo blog afirmaram que o ato político é claro e que dificilmente o Atlético-PR não será investigado pela Fifa. Uma eventual punição pode ser multa ou até mesmo a eliminação de competição — em caso de condenação é provável que, por ter sido a primeira vez, a multa seja aplicada e somente em caso de reincidência uma sentença mais pesada seja dada. Eles pediram anonimato porque advogam na Fifa e podem vir a ser chamados para trabalhar no caso, por exemplo.

A Fifa proíbe que seus filiados, seja confederações ou clubes, façam manifestações políticas durante partidas. Jogadores também são proibidos e na Copa-2018, na Rússia, Xhaka e Shaqiri, da Suíça, foram multados por atos políticos na vitória de 2 a 1 sobre a Sérvia. O artigo 4 do Estatuto da Fifa diz que a entidade, e consequentemente todos regidos por suas regras, tem neutralidade política e em pelo menos outros dois códigos, o de conduta e o de ética, é citada a importância de membros de futebol evitarem esses temas quando estiverem em campo.

A manifestação da diretoria do Atlético-PR não se limitou a fazer com que jogadores entrassem em campo com as camisas amarelas por cima da rubro-negra de jogo — somente o zagueiro Paulo André, atualmente talvez o mais politicamente ativo atleta do futebol brasileiro, se recusou a subir ao gramado com a vestimenta. O clube também colocou a mensagem no estádio, em uma bandeira que ocupou um setor da arquibancada. Normalmente, a frase já é usada no local, mas a palavra ''Brasil'' foi colocada no lugar de ''Furacão'', o apelido do time.

O CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) não prevê sanções dessa natureza, mas há possibilidade de a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) abrir investigação com base em um artigo que prevê ''casos especiais''. Só que os advogados ouvidos pelo blog afirmaram que, em situações consideradas acintosas, o Comitê Disciplinar da Fifa pode investigar por conta própria e definir punições. A bandeira e a camisa, para esses profissionais, se encaixam em algo acintoso, mesmo que não façam referência direta a candidato (e que deve ser a linha de defesa atleticana caso vá a julgamento).

Alguns atletas e ex-atletas têm se manifestado favoráveis ou contra candidatos, principalmente Bolsonaro. Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, por exemplo, declararam apoio a Bolsonaro nas redes sociais. O palmeirense Felipe Melo foi além e em setembro, após empate por 1 a 1 com o Bahia, dedicou na entrevista pós-jogo o gol que fez ao presidenciável, que estava se recuperando do atentado (facada) que sofreu em ato de campanha.

Na época se levantou a possibilidade de o STJD abrir um procedimento contra o atleta, mas não houve avanço principalmente porque Melo se expressou em uma entrevista e a Constituição prevê liberdade de expressão. A Fifa tem julgado e punido casos mais concretos em que as manifestações sejam feitas, por exemplo, por meio de vestimentas, como fez o Atlético-PR na partida deste sábado (6).

O blog tentou contato com Mario Celso Petraglia, sem sucesso.

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Futebol às 21h30 atende desejo de torcedores. Mas há também outros motivos
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Marcel Rizzo

O teto estabelecido de 21h30 pela CBF para início de jogos noturnos em suas competições teve como origem dois fatos principais: a concorrência pelo direito de transmissão do Brasileiro da Série A e a determinação da Conmebol de que nos torneios sul-americanos o horário limite para partidas à noite será também 21h30.

Em 2019, pela primeira vez em anos, o Grupo Globo não terá exclusividade nos direitos de transmissão de partidas do Campeonato Brasileiro da Série A em uma das plataformas oferecidas. A Turner, empresa norte-americana que detinha os canais Esporte Interativo no Brasil, acertou com 16 clubes contratos para passar as partidas dessas equipes em TV fechada, ou seja, concorrendo com o SporTV. Dessas 16, sete estão hoje na Série A, portanto os contratos estariam válidos.

Acontece que nos acordos firmados entre a Turner e os clubes há promessa de que as partidas não comecem após às 21h30. Foi um dos principais pontos da proposta oferecida, já que muitos dirigentes reclamam de jogos iniciando entre 21h45 e 22h devido ao afastamento de público dos estádios. Portanto quando clubes como Palmeiras, Inter, Santos, Bahia, Atlético-PR, Paraná e Ceará, para citar aqueles na Série A em 2018 que optaram pela Turner em TV fechada, se enfrentassem teriam que, por contrato assinado, não atuar depois das 21h30 nas partidas de noite — confrontos que obrigatoriamente teriam transmissão pelos canais da Turner.

Isso poderia causa um impasse já que o Grupo Globo, por outro lado, também poderá transmitir algumas dessas partidas, em TV aberta e pay-per-view, mesmo não tendo exclusividade. Já fechou, por exemplo, com Santos e Inter, então quando esses times jogarem a Turner transmitirá em TV fechada e a Globo, se quiser, na aberta. Se for uma quarta-feira não poderá acontecer depois das 21h30, o que poderia chocar as grades de transmissão da Globo e da Turner.

A CBF optou então por tirar da gaveta seu plano de antecipar o início do horário nas rodadas noturnas. Já havia conversa com a Globo sobre o assunto há alguns anos, sobre prejuízos que partidas muito tarde podem dar às bilheterias e acordos comerciais que envolvam visibilidade de marca de parceiros (as audiências em jogos noturnos são menores do que aos finais de semana). Em 2018 já houve a antecipação no horário de início das partidas de 22h para 21h45, então não foi traumático mudar para 21h30 e chegar a um consenso.

Estudo comercial

Ajudou a CBF o fato de a Conmebol decidir que as partidas da Libertadores e Copa Sul-Americana não terão início pós-21h30 já em 2019. A confederação sul-americana não foi simplesmente boazinha e pensou que os torcedores muitas vezes perdem o transporte público ou dormem pouco para trabalhar na manhã seguinte após uma partida que termina quase de madrugada. Tudo foi baseado em um estudo elaborado para a venda dos direitos comerciais dos torneios.

Chegou-se a conclusão que desagradava potenciais parceiros jogos terminando na madrugada justamente porque a audiência cai com o decorrer dos 90 minutos, principalmente em fases iniciais das competições — lembrando que, ao contrário de competições da CBF que tem partidas aos fins de semana, os confrontos por Libertadores ou Sul-Americana são sempre nos meios de semana (a partir de 2019 as finais únicas ocorrerão aos sábados).

E nem foi o Brasil, e suas partidas com início 22h até anos atrás, o principal vilão para a Conmebol, já que na Argentina ocorreram temporadas em que jogos começavam 22h30. Pesou também o fuso horário existente no continente. Por exemplo: se um time brasileiro atua, por exemplo, na Colômbia, uma partida começando 22h30 significa ter início às 0h30 do dia seguinte no horário de Brasília.

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Copa do Nordeste concentrará jogos aos fins de semana por maior bilheteria
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Marcel Rizzo

A Copa do Nordeste-2019 pagará premiação de R$ 26 milhões a serem divididos entre os 16 participantes. O campeão poderá embolsar cerca de R$ 3,6 milhões, um aumento de 16% com relação a 2018. Além da premiação direta a expectativa é de aumento de arrecadação com bilheteria já que os jogos serão realizados, na maioria, aos finais de semana, datas em que há probabilidade de aumento de público. Na visão dos organizadores isso pode gerar mais de R$ 30 milhões de receita total, somando premiação e venda de ingressos.

Esses números serão apresentados aos participantes nesta quinta (4), durante evento do sorteio dos grupos em Maceió num momento em que o torneio estava em xeque principalmente porque o detentor dos direitos comerciais e de transmissão do evento, a Turner, decidiu encerrar seus canais Esporte Interativo, migrando parte da programação esportiva para canais de variedades, como Space e TNT, e priorizando competições nacionais e internacionais. Em 2019 somente o SBT, em TV aberta, transmitirá a Copa do Nordeste.

Alguns clubes chegaram a temer a não realização do torneio, mas a venda para o SBT, que já transmitiu o torneio em 2018, viabilizou a competição, inclusive com o crescimento das cotas. Os números são superiores ao que se paga na maioria dos Estaduais da região e se equipara aos da Série B do Campeonato Brasileiro. Mesmo assim tem clube que optou por não participar, como o Sport, que pelo segundo ano seguido ficará de fora alegando que financeiramente não vale a pena.

Os 16 clubes classificados serão divididos em dois grupos, que se enfrentarão na primeira fase (times de um x times do outro). Rivais da mesma cidade ficarão em chaves diferentes e isso vai garantir seis clássicos estaduais na primeira fase da competição: Bahia x Vitória, Santa Cruz x Náutico, Ceará x Fortaleza, Confiança x Sergipe, CRB x CSA e Moto Club x Sampaio Corrêa. E ainda terão três grandes clássicos regionais com a presença do Ceará, Fortaleza, Santa Cruz, Náutico, Vitória e Bahia, que obrigatoriamente terão confrontos. As quatro melhores equipes avançam às quartas de final, quando vira mata-mata até a decisão.

Ainda não está definido o calendário, mas é provável que seja no primeiro semestre.


Clubes reclamam a Cade de discriminação em oferta da Globo para Brasileiro
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Marcel Rizzo

A negociação que pode fazer com que quase 30% dos jogos do Brasileiro da Série A em 2019 não tenham transmissão em TV aberta chegou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que desde 2016 tem processo aberto sobre direitos de transmissão do futebol no Brasil. Três dos clubes que ainda não fecharam com o Grupo Globo para TV aberta e pay-per-view a partir do ano que vem, e que têm acordo com concorrente para TV fechada (Turner), reclamaram ao conselho do redutor contratual oferecido que pode chegar a 20% do valor total.

O Atlético-PR, por exemplo, escreveu que ''a proposta realizada pelo Grupo Globo no dia 7 de fevereiro de 2018 continha condições discriminatórias que estavam expressamente motivadas na cessão dos direitos de transmissão das mesmas temporadas, para mídia TV fechada, a outro grupo de comunicação (Esporte Interativo). Sem prejuízo de possível identificação de outros, constava expressamente da referida proposta condições de redução do valor''.

O documento enviado ao Cade pelos paranaenses é de 13 de julho de 2018, mesma data que o Bahia respondeu que a oferta oferecida pelo Grupo Globo ''evidenciou uma situação contratual desequilibrada e desvantajosa para o clube''. Um dia antes o Coritiba, que disputa a Série B em 2018, afirmou ao Cade que acredita ter havido discriminação na proposta formulada. Dentre os clubes que responderam ao conselho, e aos quais o blog teve acesso, o único que negou qualquer problema foi o Inter, que já assinou com a Globo de 2019 até 2024.

Ao Cade, também por escrito, a Globo rejeitou a discriminação e informou que a negociação com os clubes que têm contrato com terceiros para TV fechada ocorrem normalmente, sem qualquer empecilho, nas mesmas condições dos demais, mas que estão sujeitas a certas particularidades. ''Negociações com agentes diversos (de uma mesma mídia ou diferentes mídias), que transmitem jogos de uma rodada com número finito de jogos em um dado campeonato, podem implicar diferenciações nos valores a serem efetivamente pagos'', escreveram os representantes da empresa no dia 13 de julho.

Queda de braço

Dos 20 clubes que hoje disputam a Série A do Brasileiro, 17 já fecharam com o Grupo Globo os direitos de transmissão para TV aberta e pay-per-view para o período de 2019 a 2024. Atlético-PR, Bahia e Palmeiras, que têm contrato com a Turner, da marca dos canais Esporte Interativo, para TV fechada ainda não assinaram paras as outras plataformas por não aceitarem o redutor oferecido pela Globo. A empresa alega que não ter a exclusividade de determinadas partidas faz com que haja a perda de valor do produto, seja em TV aberta (com anunciantes) seja no pay-per-view, com a venda para assinantes.

Alguns clubes aceitaram assinar mesmo assim, casos de Inter e Santos que também têm contratos com a Turner para TV fechada. A proposta da Globo para TV aberta prevê a divisão de 40% do valor total entre os 20 times (algo em torno de R$ 600 milhões), 30% por jogos exibidos e mais 30% pela performance. No PPV há uma remuneração de acordo com o time para o qual torce o assinante. Os que fecharam com a Turner teriam direito a cerca de 20% a menos do total a receber ao final do campeonato, levando em conta todos os fatores, como jogos exibidos e colocação final.

''Tais diferenciações decorrem de uma entrega de produtos diferenciados e não plenamente comparáveis ou compatíveis, sendo certo daí porque o tratamento isonômico, no caso, exige que se reconheçam as diferenças, tratando-se igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade'', escreveu a Globo ao Cade.

O Bahia, em sua resposta ao Cade, disse ter estranhado o fato de o Grupo Globo ter oferecido valor inferior mesmo não abrindo mão de transmitir as partidas que poderia ter que dividir com a concorrência (por exemplo, um Bahia x Santos, que na TV fechada seria propriedade da Turner). ''Dessume-se, pois, que o Grupo Globo pretende obter a cessão graciosa dos direitos de transmissão de alguns dos jogos do Esporte Clube Bahia no Campeonato Brasileiro, o que evidencia situação contratual desequilibrada e desvantajosa para o Clube'', diz o texto do clube baiano.

No momento, 108 das 380 partidas da Série A de 2019 não teriam transmissão em TV aberta e nem no pay-per-view por causa dos três times que ainda não assinaram para essas duas mídias — esse número pode aumentar ou diminuir, a depender dos clubes que subirem da Série B e dos que forem rebaixados. Isso ocorre porque a Lei Pelé, em seu artigo 42, diz que os direitos de transmissão, retransmissão e produção de imagens pertencem às entidades de prática desportiva. Apesar de algumas pessoas afirmarem que o texto indica que o clube que detenha o mando de campo tem o direito de transmissão daquele jogo, especialistas e executivos das principais emissoras avaliam que o artigo diz que os dois times possuem esse direito. Ou seja, ambos precisam autorizar a transmissão.

''Não se administra algo como futebol, em dezenas de negociações individuais, relacionadas a um mesmo produto comum coletivo, ''um único campeonato'', sem estabelecer padrões, modelos uniformes, e que comunicam clubes. Afinal, dois clubes participam de cada jogo e, a cada rodada, todos os clubes disputam jogos. Faz-se necessário que acordos individuais atuem feito rios correndo para o mesmo mar'', finalizou a Globo sua resposta ao Cade.

Vinculado ao Ministério da Justiça, o Cade atua pela livre concorrência no mercado. Pode, por exemplo, aplicar uma multa se entender que houve deslealdade em alguma negociação, ou até desfazer um acordo. O processo dos direitos de transmissão, porém, tramita desde 2016 e executivos do mercado ouvidos pelo blog avaliam que o fato de hoje existir concorrência, com a entrada da Turner nas transmissões, dificilmente fará com que haja punição a alguém nessa investigação específica. Não há um prazo para que o Cade encerre o processo.

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Palmeiras pede, mas VAR em 2018 é improvável; meta é baixar custo para 2019
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Marcel Rizzo

O uso do árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) nas últimas rodadas do Brasileiro em 2018 dependeria de uma movimentação em massa dos clubes, o que é improvável de acontecer apesar do pedido de alguns deles, como o Palmeiras. A CBF trabalha para reduzir os custos da tecnologia para que o campeonato de 2019 a tenha nas 38 rodadas, ou ao menos na maioria das partidas.

''Isso [uso do VAR em 2018] teria que partir de uma decisão dos clubes, junto com a presidência [da CBF]. Não descartamos nada. Mas teria toda uma questão de treinamento de profissionais, de disponibilidade de equipamentos, já que são dez partidas por rodada. Seria preciso uns 30 dias [de preparação]. Estamos trabalhando para apresentar custos e todo um plano para 2019, antes mesmo do Conselho Técnico [que deve ser em fevereiro] para os clubes avaliarem com calma'', disse Marcos Marinho, o chefe de arbitragem da CBF.

Em fevereiro passado, a maioria dos 20 clubes da Série A (13) votou contra o uso do VAR em 2018 principalmente porque teriam que arcar 100% com a implantação do equipamento que, no orçamento da CBF, custava em média R$ 50 mil por jogo. Cada clube gastaria cerca de R$ 500 mil já que a previsão da CBF, por questão de infraestrutura e logística, era de que apenas a partir do segundo turno seria possível utilizar a tecnologia com segurança em todas os confrontos.

O blog apurou que há uma força-tarefa que tenta diminuir esses custos para, no máximo, R$ 30 mil por partida, em média — os valores podem variar de estádio para estádio por questões de infraestrutura e logística. É um número factível, segundo especialistas. Em São Paulo, por exemplo, a Federação Paulista de Futebol trabalha para usar o VAR a partir das quartas de final da elite de seu Estadual em 2019 por R$ 25 mil por partida. É provável que a empresa que trabalhou para a Fifa na Copa-2018, a Hawkeye, seja a escolhida pela FPF.

No início do ano, a Federação Gaúcha utilizou o VAR em um clássico Inter x Grêmio de seu Estadual a custo de R$ 30 mil, segundo disse na época o presidente da entidade, Francisco Noveletto —  bancado pelo Inter, o mandante do jogo que solicitou o VAR. A final única do Campeonato Catarinense em 2018, entre Figueirense e Chapecoense, também teve o árbitro de vídeo, mas pelo dobro do valor, R$ 60 mil, quantia dividida entre os clubes e a Federação de Santa Catarina.

A cotação inicial para o uso em SC, porém, era de R$ 40 mil e aumentou em 50% porque a partida foi realizada em Chapecó, no interior do Estado, acarretando gasto extra com transporte dos equipamentos necessários para transmissão de imagens e de comunicação entre a arbitragem. Na Copa do Brasil de 2018, a CBF tem bancado o uso do VAR desde as quartas de final a R$ 50 mil por jogo, em média. Serão 14 partidas até a decisão, com valor total de R$ 700 mil, considerado caro.

Uma questão que diferencia a utilização do VAR no Brasileiro é que o campeonato é longo, o que torna o custo maior do que o uso apenas em fases finais de torneios mata-mata, como a Copa do Brasil ou Estaduais. Há no valor embutido, por exemplo, o treinamento dos profissionais. Hoje a CBF tem 32 árbitros ou assistentes certificados como VAR, mas esse número precisaria dobrar.

A decisão do uso do VAR é dos clubes. Se a CBF orçar um valor mais baixo é possível que mais times topem pagar em 2019. Dividir gastos neste momento não está nos planos da entidade, mas se custar menos não está descartado totalmente. O certo é que sem o VAR as reclamações tendem sempre a aumentar nas últimas rodadas do Brasileiro, quando as definições de quem será o campeão, quem irá para a Libertadores e quais os rebaixados estão próximas.

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Árbitro de pênalti fantasma contra Palmeiras é o que mais errou na Série A
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Marcel Rizzo

Protagonista de um pênalti mal marcado no jogo Palmeiras 3 x 1 Cruzeiro, neste domingo (30), o árbitro paraense Dewson Fernando Freitas da Silva é um dos líderes em erros no Brasileiro-2018, segundo a própria CBF. Se a falha desta última rodada for computada em balanço que a comissão de arbitragem da confederação brasileira faz, será a quarta de Dewson em 14 jogos que trabalhou na Série A este ano, o deixando isolado como o que mais errou.

Houve revolta dos palmeirenses após a arbitragem anotar pênalti em bola que bateu no braço do zagueiro Gustavo Gómez, aos 30 minutos do primeiro tempo. O placar estava 1 a 0 para o Palmeiras, Gómez tentou cabecear, a bola bateu em seu braço, só que muito fora da área, como mostraram as imagens da TV. O árbitro marcou a penalidade, convertida por Mancuello.

O erro não interferiu no resultado, mas mesmo assim gerou muita reclamação de jogadores e da diretoria palmeirense — o diretor Alexandre Mattos chegou a esperar Dewson na boca do túnel para protestar, ainda no intervalo. Na súmula, o árbitro escreveu que deu cartão amarelo a Gómez no lance do pênalti por ''tocar a bola com a mão para impedir adversário tenha posse da mesma o desenvolva um ataque (exceto goleiro) – Em disputa de bola, interceptou a bola com a mão dentro de sua área penal, impedindo um ataque promissor''.

A CBF analisa lances polêmicos de cada rodada do Brasileiro e divulga se houve acerto ou erro. Até a 25ª rodada, duas portanto antes da deste final de semana (27ª), foram computados 42 jogos com erros de arbitragem, sempre segundo a própria comissão de arbitragem da confederação brasileira. Três árbitros tiveram três jogos com falhas: Dewson Freitas, Luiz Flávio de Oliveira (SP) e Grazianni Maciel Rocha (RJ) — os primeiros são dois dos dez brasileiros do quadro da Fifa, ou seja, podem apitar partidas internacionais.

Não está claro o critério que a CBF usa para analisar os lances polêmicos, e há um exemplo de erro do próprio Dewson que não aparece na lista divulgada. Dia 2 de setembro, no São Paulo 1 x 1  Fluminense, o são-paulino Diego Souza foi expulso por supostamente ter dado uma cotovelada em adversário, mas as imagens mostraram que houve simulação de Léo.

O lance não foi analisado, pelo menos não publicamente, pela CBF, mas o certo é que não houve punição a Dewson Freitas, que duas rodadas depois já estava novamente escalado na Série A, para a partida entre Paraná e Santos, na qual cometeu uma falha, segundo a comissão de arbitragem. Ele deveria ter expulsado atleta da equipe paranaense por entrada violenta, e não apenas dado o cartão amarelo.

Apesar da falha detectada em Paraná x Santos, o árbitro paraense seguiu ativo nos sorteios para as escalas e, após uma rodada de folga, apareceu nas duas seguintes, as duas últimas: apitou Grêmio 3 x 2 Ceará, dia 23 de setembro, e para o Palmeiras x Cruzeiro deste domingo no Pacaembu. Os outros dois erros computados a Dewson este ano são um gol anulado erroneamente marcando impedimento (contra o Santos nos 3 a 0 sobre o Sport) e novamente um cartão vermelho não aplicado em lance considerado agressão (prejudicando o Fluminense na derrota de 2 a 0 para o Flamengo).

Em entrevista ao UOL Esporte ainda no domingo, o chefe da arbitragem da CBF, Marcos Marinho, disse que analisaria o lance e que os árbitros sabem que há consequência em caso de erros. Ao Blog do PVC disse que estão sendo detectados muitos erros de assistentes. Nessa mesma rodada, Savio Pereira Sampaio (DF) marcou pênalti a favor do Inter, contra o Vitória, também em toque no braço ocorrido fora da área. Os gaúchos venceram por 2 a 1.

Savio teve até o momento dois erros computados na lista divulgada pela CBF. O blog apurou que a confederação considera pênaltis mal marcados como falhas graves, diferentemente, por exemplo, de cartões mal dados, consideradas médias. E justamente pênalti é o principal problema da arbitragem neste Brasileiro, mas lances em que não foram anotadas as faltas dentro da área, 20 no total. O segundo erro mais comum é gol em impedimento, que apareceu em seis jogos.

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Flamengo foi o último campeão a trocar de técnico no meio do Brasileirão
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Marcel Rizzo

Era julho de 2009 e o Flamengo empatou com o Barueri em casa, 1 a 1, o que fez o time permanecer em uma incômoda oitava colocação no Brasileiro, com 18 pontos após 13 rodadas. Cuca, o treinador, não aguentou a pressão e foi demitido pelo presidente Delair Dumbrosck, que anunciou como interino Andrade, ídolo do clube como jogador nos anos 1980, até o clube encontrar um novo técnico. O que nunca aconteceu naquele ano.

Andrade venceu duas partidas difíceis (2 a 1 frente ao Santos, fora, e 3 a 1 contra o Atlético-MG), o Flamengo pulou para o quinto lugar e o interino foi efetivado. Ao final o Flamengo acabou campeão, o que foi a última vez que um time levantou a taça do Brasileirão trocando seu técnico no meio da competição. Mesmo movimento que o Flamengo fez nesta sexta ao demitir Mauricio Barbieri.

De 2010 para cá, todos os clubes campeões mantiveram seus treinadores por 38 rodadas: 2017 o Corinthians (Fábio Carille), 2016 o Palmeiras (Cuca), 2015 o Corinthians (Tite), 2014 e 2013 o Cruzeiro (Marcelo Oliveira), 2012 o Fluminense (Abel Braga), 2011 o Corinthians (Tite) e 2010 o Fluminense (Muricy Ramalho).

A maioria tinha seu comandante desde o ano anterior à taça conquistada, com algumas exceções, como Cuca, que em 2016 chegou ao Palmeiras em março, para a reta final do Paulista ou Muricy Ramalho, contratado pelo Fluminense duas semanas antes de o Brasileiro de 2010 começar.

Essa estatística mostra que, de fato, não é uma boa ideia trocar de técnico durante a competição. Alguns, entretanto, podem dizer que é como uma famosa propaganda de biscoito de anos atrás: se demite o treinador porque o time está mal ou o time está mal porque se troca muito de comandante? A conclusão pode ser que não se troca treinadores que estão bem, então a tendência é que esses times de boas campanhas mantenham seus profissionais e ganhem os títulos.

Mas há situações que mostram que pode não ser bem assim: em 2011, por exemplo, o Corinthians foi eliminado pelo Tolima na fase preliminar da Libertadores, época que o clube ainda não tinha esse troféu, que era uma obsessão. O então presidente Andrés Sanchez bancou Tite e ao final foram campeões brasileiros.

A campanha do Flamengo em 2009 mostra que é possível ser campeão alterando seu treinador no meio do Brasileiro e a pontuação atual permite sonhar com essa taça — o time da Gávea está em quarto, com 48 pontos, somente três atrás do líder São Paulo. Em 2009 era oitavo, nove pontos de desvantagem para o então líder Palmeiras (certo que faltavam mais jogos para a competição terminar).

O curioso é que o movimento feito pelo Flamengo em 2018 é inverso ao de 2009: se Andrade, apesar de toda a idolatria, era um profissional sem experiência como treinador, e que poderia ser chamado de aposta, Cuca já era um técnico rodado. Agora saiu o novato, Barbieri, para provavelmente chegar alguém mais ''cascudo'' — neste momento o favorito é Dorival Jr.

Entre os times na ponta do Brasileiro neste momento, o Palmeiras era o único até Barbieri cair a ter trocado de treinador no meio da competição, com Luiz Felipe Scolari ocupando a vaga de Roger Machado.


Bastidores do cartão anulado de Dedé: precedente de 2014 e erro com o VAR
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Marcel Rizzo

Dedé no lance com Andrada que gerou sua expulsão (Crédito: Demian Alday/Getty Images)


A tarefa de julgar o pedido do Cruzeiro de anulação da expulsão de Dedé na Libertadores caiu nas mão da vice-presidente do Tribunal de Disciplina da Conmebol, a venezuelana Amarilis Belisario, que acatou a solicitação dos brasileiros em decisão monocrática, o que é permitido pelas regras do tribunal. E o blog apurou que, como base em seu despacho, Belisario usou o precedente de cartão vermelho anulado em 2014, que beneficiou o San Lorenzo (ARG), e o fato de a equipe de arbitragem ter errado mesmo vendo as imagens por meio do VAR.

O artigo 23 do Código Disciplinar da Conmebol diz que ''as decisões tomadas pelo árbitro em campo são finais e não suscetíveis de revisões pelos órgãos judiciais da Conmebol''. As exceções são em casos de corrupção ou de advertência dada ao jogador errado, que não eram os casos de Dedé. Cartolas da Conmebol classificavam como difícil a anulação justamente devido ao regulamento, e temiam a abertura de um precedente. Só que foi justamente um caso que já ocorreu que fez Belisario liberar Dedé para estar em campo dia 4 de outubro, no jogo de volta contra o Boca Juniors pelas quartas de final da Libertadores — em Buenos Aires os argentinos venceram por 2 a 0.

Em 2014, o San Lorenzo teve o meia Romagnolli expulso nas quartas de final contra o Cruzeiro, por, na visão do árbitro uruguaio Martin Vazquez, ter agredido ao adversário Marcelo Moreno. As imagens, porém, mostraram que houve na verdade simulação de Moreno, e, após pedido do San Lorenzo, o Tribunal de Disciplina optou por cancelar o cartão vermelho, e Romagnolli pôde enfrentar o Bolívar na semifinal.

Os advogados do Cruzeiro usaram agora esse fato no pedido de anulação e afirmaram haver semelhança nos casos. Dedé foi expulso por acertar com a cabeça o goleiro do Boca Andrada, em uma dividida de jogo. Na teoria apresentada ao tribunal, o árbitro paraguaio Eber Aquino entendeu o lance como agressão, que não houve — como o blog já mostrou, na súmula Aquino apresentou o lance como ''uma jogada brusca grave, que pode causar danos físicos ao adversário''. Não se falou em intenção, e Andrada de fato se machucou, quebrando o maxilar o que o deixará alguns meses fora.

Outro ponto-chave da defesa cruzeirense que foi acatado por Belisario foi o agravante de que foi usado o árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês), para conferir a jogada. Não só o profissional responsável pelas imagens que estava em uma cabine, o também paraguaio Mario Diaz de Vivar, como Aquino viram por várias vezes o lance sem conseguir interpretar o que estava claro, que havia sido um lance acidental.

A culpa foi dividida entre os árbitro de campo e vídeo, tanto que Vivar é citado na decisão de Belisario. Possivelmente ambos terão algum tipo de punição, que pode ser ficar fora de escalas ou passar por reciclagens.

Outra questão sobre o caso é que a decisão monocrática de Belisario foi ao encontro do que desejava o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez. Relatos são de que ele ficou insatisfeito com a decisão do árbitro principalmente porque houve o uso do VAR, que é a menina dos olhos da entidade que tenta se colocar no momento como em renovação e aberta à modernidade. Houve pressão do Cruzeiro e da CBF, que enviou até carta a Dominguez. Teoricamente o tribunal é independente à Conmebol, tanto que está lá até para julgar seus membros. Nesse caso, porém, foi ao encontro do que todos queriam.

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Relatório inédito da Fifa mostra o (pouco) que se gasta no futebol feminino
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Marcel Rizzo

Em janeiro de 2018 a Fifa passou a monitorar as transações no futebol feminino por meio do Sistema Internacional de Transferências (ITMS, na sigla em inglês), uma plataforma digital em que clubes informam a negociação entre países de qualquer atleta profissional, inclusive com valores. Na semana em que uma brasileira, Marta, voltou a ser escolhida a melhor do planeta, um documento da Fifa escancarou a diferença financeira e estrutural entre homens e mulheres no futebol.

O relatório produzido pela primeira vez pela entidade e enviado às 211 associações filiadas mostrou que entre 1º de janeiro e 1º de setembro de 2018, 577 transações de jogadoras foram realizadas, gerando a quantia de US$ 493,2 mil (R$ 2 milhões). É uma diferença colossal para os números de jogadores envolvidos em negociações internacionais no mesmo período: 15.049, que resultaram em US$ 7,1 bilhões (R$ 29 bilhões).

Pela primeira vez, a Fifa conseguiu ter uma noção do dinheiro gerado pelo futebol feminino e, principalmente, de mecanismos de transferências. O próprio documento produzido é claro ao dizer que essa diferença gigantesca de valores era, de certa forma, esperada porque existem mais times e campeonatos no futebol masculino (em média 50% a mais por confederação, segundo o relatório), e consequentemente mais jogadores que hoje fazem circular bem mais dinheiro. Muitos atletas masculinos se tornaram celebridades e devolvem os valores que recebem a seus clubes em forma dos patrocinadores que associam as marcas justamente para terem esses astros por perto — o ITMS é usado para os homens desde outubro de 2010.

Mas mais do que a diferença brutal de valores, o relatório mostra que apesar de envolver algum dinheiro o futebol feminino no mundo todo ainda tem muito do amadorismo. Por exemplo: os clubes da Colômbia foram os que mais contrataram atletas no período, com 69 negociações, 33 de equipes da Venezuela. Ao mesmo tempo, os clubes venezuelanos receberam 25 atletas, nono na lista, sendo que 21 desses negócios foram com clubes da Colômbia.

Os membros da Fifa que elaboraram o relatório foram averiguar detalhes dessas transferências e descobriram que isso ocorreu porque, devido ao calendário feminino não contemplar jogos o ano todo na maioria dos países, as atletas acabam migrando de clube em clube a procura de federações com campeonatos em atividade. As venezuelanas foram atuar na Colômbia no começo do ano porque em seu país não havia jogos, e não teriam dinheiro a receber porque os contratos foram suspensos. No meio do ano, parte delas retornou à Venezuela para jogar a competição local.

Algo parecido foi identificado entre atletas de clubes australianos e norte-americanos, que inclusive têm melhor estrutura do que os da América do Sul. No período analisado, 38 jogadoras deixaram times da Austrália rumo aos EUA. A maioria dessas negociações ocorreu entre 12 de fevereiro, data do fim do principal campeonato australiano (a W League), e 24 de março, quando começou a US National Women's Soccer League. Ou seja, as australianas, ou jogadoras de outras nacionalidades que estavam no país, atuaram parte do ano na Oceania (que na geografia da Fifa faz parte da Ásia) e a outra parte nos EUA. Sempre para ter um contrato ativo.

No Brasil e América do Sul, as regras de licenciamento de clubes para participação em torneios importantes do masculino como Brasileiro e Libertadores incorporaram a necessidade da criação dos departamentos do futebol feminino. É provável que a partir de 2019 a CBF consiga realizar um Nacional entre as mulheres com os principais times do Brasil, o que teoricamente aumentaria o interesse de torcedores e de patrocinadores. Apesar do pouco investimento na modalidade, as brasileiras foram as terceiras jogadoras mais negociadas entre janeiro e setembro, com 40 transações, atrás das venezuelanas (64) e americanas (108).

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Copa do Brasil terá árbitros FIFA como VAR nas semifinais após polêmicas
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Marcel Rizzo

Após polêmicas no uso do assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) nas duas últimas semanas, a CBF optou por escalar árbitros Fifa para a função nos dois jogos semifinais da Copa do Brasil, nesta quarta (26). Um deles, Wilton Pereira Sampaio (GO), foi um dos 13 árbitros de vídeo na Copa da Rússia.

Diferentemente do que ocorre para o juiz principal nos principais torneios do Brasil, que é definido por sorteio, o VAR é escolha da comissão de arbitragem da CBF. São 32 profissionais aptos à função, chamados na confederação de certificados, que foram selecionados entre os 64 que fizeram os treinamentos em 2017.

''Eles (os certificados) estão aptos para atuar, é como em qualquer atividade. Existe uma análise consistente de cada um deles e às vezes a prática leva a comissão de arbitragem a escolher aqueles que considera os melhores.Lembrando que temos que observar a neutralidade. Árbitros de MG, RJ e SP não estão (escalados para as semifinais da Copa do Brasil), mas poderiam caso as equipes fossem outras'', explicou Sérgio Corrêa, que coordena a arbitragem de vídeo na CBF.

Para Cruzeiro x Palmeiras, no Mineirão, foi indicado como árbitro de vídeo principal o gaúcho Anderson Daronco, um dos principais juízes de campo hoje na CBF. Wilton Pereira Sampaio vai comandar a equipe do VAR (composta pelo líder e mais dois profissionais) no Corinthians x Flamengo, em Itaquera.

Há duas semanas os palmeirenses reclamaram muito de que o árbitro de campo Wagner Reway não solicitou o VAR para checar se houve ou não falta no goleiro Fábio, num dos últimos lances da partida e que terminou em gol. O Cruzeiro venceu por 1 a 0. Na época, Sérgio Corrêa classificou como correto o andamento da jogada, já que Reway a parou antes da finalização palmeirense, mas mesmo assim houve polêmica.

Os árbitros de vídeo nas duas primeiras partidas semifinais da Copa do Brasil não eram Fifa. No Allianz Parque estava Pericles Bassols, de Pernambuco, e no Maracanã, para Flamengo 0 x 0 Corinthians, o paranaense Rafael Traci. Segundo Sergio Correa, Daronco e Sampaio, considerados tops como VARs, estavam fazendo cursos de capacitação na Conmebol e por isso não puderam ser escalados na ocasião.

Há uma semana houve também questionamentos em partidas da Libertadores com relação ao árbitro de vídeo. Três expulsões, que inicialmente não foram consideradas para cartões vermelhos, ocorreram após os árbitros de campo irem à lateral ver a imagem pelo monitor. Uma delas, do cruzeirense Dedé, fez o time brasileiro e a CBF reclamarem oficialmente à Conmebol, que prometeu averiguar. Em casos interpretativos é obrigatório que o juiz principal veja as imagens, mas quase sempre ele é avisado que pode haver problema pelo VAR, o que faz com que seja importante que o árbitro de vídeo seja alguém experiente e esta é a recomendação da Fifa nesses primeiros meses de VAR (foi incluído em março de 2018 nas regras do futebol).

A CBF informou que os árbitros de vídeo também estão em constante avaliação, inclusive nos dez jogos em que a tecnologia já foi utilizada este ano no Brasil (as duas semifinais e as oito partidas das quartas de final da Copa do Brasil). É possível que, nos próximos anos, com a implantação do VAR em mais campeonatos sejam formados profissionais que atuem especificamente como árbitros de vídeo, como hoje são os auxiliares de campo (os bandeirinhas).

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