Blog do Marcel Rizzo

Prêmio por final única pode render R$ 80 mi a campeão da Libertadores 2019

Marcel Rizzo

A final única da Libertadores deve render aos clubes que chegarem até ela em 2019 mais dinheiro proporcional ao total que será pago pela Conmebol aos participantes. Esse foi um pedido das equipes de países que costumam frequentar as decisões, como Brasil e Argentina, em reunião recente ocorrida na sede da entidade, no Paraguai — há receio de perda de receitas de patrocínio e, claro, renda por não mandarem as finais da Libertadores em seus estádios.

A Conmebol ainda não fechou o valor que será destinado aos clubes para o torneio em 2019, já que ainda há negociação com patrocinadores e de direitos de transmissão. Para 2018, a confederação reservou US$ 103,85 milhões (R$ 431,4 milhões) para distribuir aos 47 participantes. Desta quantia, o campeão embolsará US$ 6 milhões (R$ 25 milhões) somente por ganhar a decisão — proporcionalmente, portanto, leva míseros 5,7% do total pago e o vice, apenas por estar na final, recebe US$ 3 milhões (R$ 12,5 milhões) ou 2,8%.

Os clubes querem mais dinheiro aos finalistas, e a Conmebol deve ceder. É possível que o vencedor da final única fique com, ao menos, 10% da bolada total a ser distribuída aos clubes. Há uma previsão na Conmebol de que, com novos parceiros, possa distribuir mais de US$ 200 milhões (R$ 831,2 milhões) em 2019, portanto somente por vencer o jogo que será realizado em Santiago, dia 23 de novembro, uma equipe embolsaria US$ 20 milhões (R$ 83 milhões). Isso não leva em conta as cotas de fases anteriores, que elevariam a bolada total do campeão para cerca de US$ 25 milhões (R$ 103 milhões), mais do que o dobro dos US$ 11 milhões (R$ 46 milhões) da edição de 2018.

O fato de que a Conmebol usará a final em partida única para alavancar as receitas da entidade e da competição foi usado pelos clubes para mostrar à entidade que esses finalistas merecem uma fatia maior do bolo. Mesmo clubes de países com menor orçamento, e que dificilmente chegarão a uma decisão de Libertadores, como venezuelanos e bolivianos, apoiaram a ideia com a promessa de que as cotas de fases anteriores também subirão.

''O que se espera é gerar mais receitas, também por meio da criação de uma final única, que por sua vez vai permitir gerar maiores premiações, que são cobradas pelos clubes. Desta maneira, a Conmebol tem que alavancar novas formas de gerar receitas para serem distribuídas e os clubes tenham interesse em disputar a Libertadores'', disse Mauro Corrêa, sócio-diretor da CSM Golden Goal, empresa especializada em gestão e marketing esportivo.

A primeira final em jogo único da Libertadores será o principal atrativo da próxima edição, que marca o acerto de novos contratos comerciais para a competição. A Copa Sul-Americana também deve ter aumento de cotas com sua decisão em partida única dia 9 de novembro, em Lima, no Peru, mas ainda se discute se o campeão poderia receber cerca de 10% da bolada total distribuída aos clubes. Hoje somente pelo título a Sul-Americana paga US$ 2,5 milhões (R$ 10,4 milhões) e um total ao campeão de US$ 4,5 milhões (R$ 16,6 milhões) com as cotas das fases anteriores.

As finais em um único jogo para a Sul-Americana e, principalmente, para a Libertadores geraram críticas devido a possíveis dificuldades de deslocamento para os torcedores e possibilidade de estádios vazios. Diferentemente da Europa, que tem decisões há anos em partidas únicas de seus torneios continentais de clubes, na América do Sul os trajetos precisam ser feitos de avião, não de trem, o que encarece as viagens.

''Acho que são questões que merecem atenção, mas que são possíveis de serem geridas. Existem dezenas de cidades na América do Sul com boa capacidade. Um caderno de encargos e uma seleção das cidades que tenham boa infraestrutura hoteleira, viária e aeroportuária são condições fundamentais para se ter uma boa logística'', disse Corrêa.